O Mundo Helenístico e Povos Vizinhos, c. 280-30 a.C.
As Monarquias Helenísticas e Povos Vizinhos até a Conquista Romana da Macedônia, c.280-170 a.C.
Após a morte de Alexandre “o Grande”, o seu sistema de moedas de prata e de ouro permaneceu surpreendentemente estável em boa parte do seu antigo império.
Apenas Ptolomeu I (305-200), no Egito, produziu uma cunhagem baseada num sistema autônomo e autárquico, um tetradracma - de prata - mais leve , e, principalmente sob seus sucessores, também numa abundante emissão de moedas de bronze de grandes dimensões .
A mudança de poder, no séc. III a.C., para maiores unidades políticas, fossem reinos, estados ou ligas, teve importante reflexo na história monetária da época. Os principais reinos sucessores, como a Macedônia, sob os Antigônidas , e o reino selêucida , mas também o reino de Pérgamo , cunharam abundantes tetradracmas e moedas de bronze divisionárias.
Uma novidade importante foi a introdução do retrato dos monarcas na cunhagem, a partir de 305 a.C. no caso de Ptolomeu I . Anteriormente, no séc. IV a.C., sátrapas persas e dinastas da Lícia tinham sido realísticamente representados nas suas moedas, mas, no século seguinte, retratos “fiéis” dos monarcas difundiram-se amplamente.
São particularmente notáveis os retratos dos reis da Bactria (no atual Afeganistão), antiga província do Império Persa, temporariamente sob controle selêucida, que tornou-se independente por volta de 250 a.C.
As representações de Eutidemos mas principalmente as de Eucrátides , estão certamente entre as mais expressivas do período helenístico, criando uma tradição que se estenderia com os reis indo-gregos .
Na Ásia Menor, os tetradracmas póstumos com os tipos de Alexandre continuaram a ser cunhados por várias cidades como Alabanda (53), na Cária, até cerca de 175 a.C., ou até mesmo mais tarde, consolidando o seu importante papel de “moeda internacional”.
Diversas cidades da Grécia continental e do Mediterrâneo Oriental
fizeram cunhagens ocasionais, por razões diversas, inclusive de prestígio,
mas estas foram principalmente de bronze.
É o caso, por exemplo, das emissões federais da Liga da Acarnânia
, e posteriormente das cunhagens municipais de Pandosia , da ilha de Issa
e de Lacedemônia (Esparta) , e da Liga da Tessália , ou das emissões
de cidades da ilha de Creta, como Cnossos e Gortina . Em volta do Mar Negro,
algumas cidades como Olbia e Panticapaeum também continuaram a cunhar
em bronze.
Na Grécia continental, após a morte de Pirro , fundou-se no Épiro a república epirota, que cunhou dracmas de prata de 238 a 168. Dyrrhachium (a antiga Epidamnos e futura Durazzo), na Ilíria, emitiu dracmas antes e depois de tornar-se protetorado romano , com o tipo da vaca amamentando o bezerro, também repetido em Apolônia.
Numerosas cidades continuaram cunhando prata no séc. III a.C., e até a conquista romana, em 146 a.C. Destacam-se as emissões da Liga Acaia que agrupava numerosas cidades-estado anteriormente importantes como Corinto, Mégara e Argos, e as da cidade de Olímpia , sede dos Jogos Olímpicos da Antiguidade.
Atenas continuou a cunhar tetradracmas, que, por volta de 170 a.C., adotariam um “novo estilo”, com disco maior.
Novos reinos tiveram em certos casos sobrevivência efêmera, como o de Épiro, sob Pirro . Outros, como os da Bitínia e da Capadócia teriam existência mais longa e uma cunhagem extensa.
Cidades importantes da Ásia Menor, como Mileto e Side , e cidades fenícias, como Arados , mantiveram uma cunhagem de prata de certa importância. Alguns povos mais distantes, como os sabeus, na Arábia do Sul , emitiram moedas de prata copiadas das dracmas atenienses.
No norte da África, Cirene, na Cirenáica, cunhou tanto prata e bronze .
Cartago, a principal rival de Roma, também cunhou moedas de eletro, prata e bronze , tanto na oficina monetária da capital como em suas dependências na Sicília e na Sardenha.
No Mediterrâneo ocidental, após a partida de Pirro e a rendição
de Tarento, em 272 a.C., Roma consolidou o seu poder sobre a península
italiana. Ao longo do séc. III a.C., no entanto, várias cidades
gregas e povos da Itália, inclusive da Etrúria , continuaram
cunhando moedas de bronze, notadamente os Frentani, em Larinum ,Asculum, Salápia
e Venúsia, na Apúlia , e a Liga dos Brettii em Brútio.
Em Tarento, perdurou a cunhagem de seu famoso tipo de didracma com golfinho
e cavaleiro até cerca de 228 a.C., com uma breve retomada de emissões
durante a ocupação do general cartaginês Aníbal
(212-209), durante a 2a Guerra Púnica.
Nessa ocasião, também ocorreriam efêmeras emissões de prata em Metaponto e no Brútio, e de eletro, em Cápua. Em Neapolis (Nápoles), as emissões de didracmas de prata continuaram até cerca de 240 a.C. Mas, após 228 a.C., com as exceções assinaladas, cessariam as cunhagens de prata das cidades gregas da Itália.
Roma conquistara a Sicília em 241, após a 1a Guerra Púnica, mas Siracusa, aliada dos romanos, preservou a sua independência. Hieron II (274-216) tirano de Siracusa, além de emitir moedas de prata com seu retrato e o de sua mulher, Philistis, fez diversas emissões de bronze . Os mamertinos, mercenários que ocuparam Messena (Messina) no período de 220 a 200, emitiram moedas de bronze com marcas de valor , enquanto outras cidades, já sob o domínio romano, também cunharam peças de bronze.
Após a tomada de Siracusa, em 212, subsistiram apenas as emissões locais de bronze, inclusive na península italiana .
No entanto, com a introdução do denário de prata, em 212-211 e a vitória sobre Aníbal, cessariam totalmente, no final do séc. III a.C., as emissões das cidades italianas.
No Mediterrâneo ocidental, excluindo-se as imitações celtas de moedas gregas, somente Massilia (Marselha), na Costa da Gália (França), continuaria uma cunhagem de prata realmente grega nos sécs. II e I, emitindo dracmas de boa qualidade em abundância .
No Mediterrâneo oriental, o poder de Roma se fez sentir cada vez mais intensamente após as derrotas dos reis da Macedônia, em 197 e 168, a.C., e a transformação do reino em província romana .
Em 146 a.C., se completaria a conquista e anexação da Grécia, após a derrota da Liga Acaia e o saque de Corinto.
No entanto, nos sécs. II e I a.C., a cunhagem helenística apresentou novas formas.
Além da importância da cunhagem da Liga Acaia - a principal potência da Grécia após o declínio macedônio -, que envolveu mais de 20 cidades (da Acaia, da Messênia, e da Arcádia) cunhando hemidracmas de prata e mais de 40 com emissões de bronze, destacam-se as cunhagens de Atenas, com seus tetradracmas “de novo estilo” , com novos tipos de Atena e da coruja, e as de Pérgamo.
Também por volta de 170 a.C., o reino de Pérgamo na Ásia Menor, iniciou a emissão de tetradracmas cistofóricos, ou “cistofóros”, assim chamados por terem como tipo de anverso a “cista mítica”, cesta utilizada para a celebração do rito de Dionísio (Baco).
À semelhança do Egito, Pérgamo criou então um sistema monetário fechado, que forçava os estrangeiros a adquirirem os tetradracmas locais, mais leves, para fazerem transações comerciais no reino.
Na Grécia propriamente dita, perduraram, no séc. II a.C., numerosas emissões de bronze, tanto em regiões periféricas como o reino da Ilíria , como também em áreas mais tradicionais como Thespiai, na Beócia, e na ilha de Creta .
A ascensão do rei do Ponto Mitrídates VI (120-63), Eupator, ou “o Grande” , representou uma real ameaça ao poder de Roma. Esse monarca conquistou o Bósforo e a Cólquida, ao norte e a leste do Mar Negro, e adotou uma política agressiva em relação a seus vizinhos. Foi finalmente vencido por Pompeu, em 63 a.C., e cometeu suicídio.
Várias cidades do Ponto e da Paflagônia tais como Amisos , cunharam moedas de bronze sob o seu domínio.
Em diversas regiões da Ásia Menor, notadamente na Jônia
, na Frigia , na Lícia , na Pisídia , e na Cilícia várias
cidades continuaram a emitir moedas de bronze, e ocasionalmente de prata,
nos sécs. II a I a.C. Rodes, foi muito afetada pela criação,
pelos romanos, de um porto livre em Delos.
Continuou, no entanto, a cunhar dracmas com os tipos tradicionais da cabeça
de Hélios e de uma rosa .
No séc. II a.C., após as derrotas de Antíoco III (223-187) para os romanos, o poder do reino selêucida da Síria tendeu a declinar, e houve tentativas de usurpação do trono, como a de Trífon .
Os selêucidas continuaram cunhando tetradracmas de grande qualidade e bronze em abundância .
O reino seria definitivamente conquistado por Roma em 64 a.C., e durante cerca de três décadas tetradracmas com o tipo de Filipe Filadelfo , continuariam a ser emitidas antes da introdução da cunhagem com tipos romanos na Síria.
Anteriormente, ainda no séc. II a.C., os judeus tinham se sublevado contra os selêucidas, alcançando plena autonomia. Alexandre Jannaeus foi o primeiro rei da dinastia Hasmoneana a cunhar moeda.
A cidade de Tiro, na Fenícia, tambémindependentemente dos selêucidas, manteve no séc. I a.C. uma notável cunhagem de shekels de prata de grande qualidade . Essas moedas, ou peças semelhantes cunhadas mais tarde em Jerusalém, são tradicionalmente associadas às 30 moedas de prata recebidas por Judas para trair Jesus Cristo.
Mais ao norte, na Síria, Laodicéia e Selêuquia cunharam grandes séries de tetradracmas de prata, e Antioquia sobre o Orontes fez extensas cunhagens de bronze.
A leste da Síria, na Pérsia (o Irã de hoje), os partas fortaleceram-se a partir do séc. II a.C., sob Mitrídates I . Viriam a tornar-se uma “potência mundial”, e o principal inimigo dos romanos.
Os partas emitiram numerosas dracmas e tetradracmas,com os tipos do busto e do arqueiro sentado no trono.
O reino de Characene, no delta dos rios Tigre e Eufrates no Golfo Pérsico, conseguiu manter sua independência de cerca de 125 a.C. até ser conquistado pelos persas sassânidas, em 224 d.C., e emitiu tetradracmas de prata cada vez mais fraca .
O último bastião helenístico diante do poder de Roma foi o reino ptolemaico do Egito sob Cleópatra VII e seus antecessores .
Após a derrota das forças conjuntas de Cleópatra e de Marco Antônio, em 31, e o suicídio de ambos, em 30 a.C., Otaviano (o futuro imperador Augusto) anexou o Egito e completou a conquista romana do Mediterrâneo oriental.
No norte da África, após a destruição de Cartago, em 146 a.C., os romanos toleraram uma dinastia local no reino da Numídia até a sua anexação como a província romana da África do norte, em 46 a.C. Micipsa (148-118) cunhou bronze e Juba I cunhou denários e outras denominações de prata. Melita (Malta), entre a África e a Sicília, caiu sob o domínio romano em 218 a.C., e foram cunhadas na ilha moedas com legendas em fenício , grego e, depois, latim.
Na Península Ibérica, onde os romanos enfrentaram os cartagineses,
estes acabaram derrotados, e a Hispania (Espanha) tornou-se província
romana em 206 a.C. Durante o séc. II a.C., Roma ampliou gradualmente
a sua influência no interior, e permitiu que as tribos celtibéricas
emitissem moedas com inscrições em ibérico. Essas cunhagens
cessariam com as reformas efetuadas em 133 a.C.
Com as guerras civis do séc. I a.C., houve emissões episódicas
de moedas de bronze. Somente sob Augusto, em 19 a.C., a península,
como um todo, foi controlada por Roma, depois da conquista do noroeste da
Espanha, quando iniciou-se uma ampla cunhagem provincial .
Várias cidades emitiram denários com inscrições ibéricas no período de 204 a 154, como foi o caso de Bolskan .
Mas no séc. II a.C. são especialmente numerosas as cunhagens de bronze com inscrições ibéricas .
Algumas emissões, como as de Gades, têm inscrições fenícias , e outras, como as de Carmo e Ilipa, já mostram inscrições latinas
Antes da conquista de Júlio César, os celtas da Gália (França) tiveram uma ampla cunhagem de ouro , de prata e bilhão , e de bronze , além de emitirem moedas fundidas de “potin” (liga de cobre, zinco, chumbo e estanho), que prorrogou-se em certos casos, até a 2a metade do séc. I a.C. , já sob o domínio romano.
Destacam-se os estáteres de ouro com tipos abstratos, como os dos Ambiani , baseados longinquamente em moedas gregas, mas também o cavalo “picassiano” dos Curiosolitas .
Os celtas orientais, da região do Danúbio, mantiveram-se muito tempo bastante fiéis aos modelos gregos, basicamente estáteres de ouro e tetradracmas de Filipe II da Macedônia ou o tetradracma da ilha de Thasos .
Mas nos sécs. II e I a.C., os tipos também se tornaram quase abstratos .
A conquista romana levaria à extinção das cunhagens locais e à sua substituição por moedas romanas.
III-3 Roma, c. 753 a.C. – 275 d.C.
EVENTOS HISTÓRICOS
753 a.C Data tradicional da fundação de Roma.
509 a.C Fim da Monarquia em Roma.
496-272 Conquista Romana da Itália continental.
281-275 Guerra contra Pirro ( rei de Épiro ).
264-241 1a. Guerra Púnica contra Cartago.
218-201 2a. Guerra Púnica (Haníbal) e conquista da Sicília .
168-133 Conquista da Macedônia ; destruição de Cartago e anexação da Grécia ; Atálidas legam Pergamo a Roma .
88-82 Campanhas e Guerra civil de Sula que faz emissões isoladas de “aurei” de ouro.
67-44 Pompeu e César disputam a supremacia; 1o. Triunvirato ; vitórias de César; morte de Pompeu; assassinato de César .
43-27 2o. Triunvirato; derrota de Brutus e Cassius ; Otaviano vence Marco Antonio e Cleópatra, anexa o Egito , torna-se imperador .
Império Romano de 27 a.C a 275 d.C
27a.C–14d.C Augusto imperador; ”Pax Augusta”: império talvez 60 milhões de habitantes; cerca de 4 a.C.: nascimento de Cristo; soldo de legionário: cerca de
225 denários por ano; obras literárias de Virgílio, Horácio e História de Tito-Lívio.
14-37 Tibério imperador; execução de Cristo.
37-41 Calígula.
41-54 Cláudio; conquista da Britânia (Inglaterra).
54-68 Nero; incêndio de Roma; guerra civil em 68-69 (Galba, Oto, Vitélio, Vespasiano).
69-96 Dinastia Flaviana; Vespasiano, Tito e Domiciano. Guerra judaica; coliseu; o soldo de legionário aumenta para 300 denários/ano.
98-117 Trajano anexa Dácia, Armênia, Arábia, Mesopotâmia como novas províncias; Tácito escreve as “Histórias” e “Anais”.
117-161 Adriano (117-138) grande construtor viajante adota Antonino Pio (138-161).
161-180 Marco Aurélio; guerras contra os partas e os germanos; escreve as “Meditações”.
180-197 Cômodo (180-192)assassinado em 192; Pertinax assassinado; guerra civil 193- 197.
193-211 Septímio Severo vence Clódio Albino; soldo de legionário 450 denários/ano.
211-217 Caracala estende a cidadania romana a todos os habitantes livres do império;soldo de legionário 675 denários/ano refletindo inflação.
217-222 Macrino e Diadumeniano (217-218) e Elagábalo (218-222) todos assassinados.
222-235 Alexandre Severo assassinado; guerra contra os persas sassânidas.
235-238 Maximino; guerra com os germanos.
238-244 Gordiano III: força os persas a evacuar a Mesopotâmia invadida.
244-249 Filipe I; comemoração dos 1000 anos da fundação de Roma.
249-251 Trajano Décio; morre em combate contra os godos; forte perseguição de cristãos.
253-260 Valeriano; capturado pelo rei persa Shapur, morre no cativeiro.
253-268 Galieno; revolta de Póstumo e criação do império galo-romano; Odenato de Palmira controla províncias do oriente e o Egito.
260-274 Império galo-romano Póstumo 260-269; Vitorino 269-271; e Tétrico I e II 271-274.
268-270 Cláudio II vence os godos.
270-275 Aureliano restaura unidade do império; derrota e anistia Tétrico I na Gália e captura Zenóbia e Vabalato de Palmira; cerca Roma de novos muros, mas é assassinado.
EVENTOS MONETÁRIOS
Séc. VI Início da Cunhagem de moedas de prata nas cidades gregas do sul da Itália e Sicília.
Sécs.V-IV ‘’Aes rude” pedaços de bronze fundido, sem peso e forma definidos, usados a peso na Itália central e Roma.
c. 289-241 “Aes signatum”; c. 280-211 “Aes grave”; c. 280-275 primeiras cunhagens de didracmas de prata; c. 273-275 primeiras cunhagens de litras de bronze.
225-215 Cunhagem do didracma “quadrigatus”.
212-211 Introdução do denário de prata; início da cunhagem do As de bronze e subdivisões.
c.141-100 Denário re-tarifado (de 10 para 16 Asses); redução de peso da cunhagem de bronze para o padrão “uncial”.
83-82 Cessa por décadas a cunhagem de bronze; numerosas emissões de denários.
49-27 Cunhagem dos “imperatores”, chefes militares rivais; principalmente denários em oficinas itinerantes.
46 César cunha “aureus” de ouro. Antonio emite no oriente denários aviltados e cistóforos; faz emissões com Cleópatra.
30-27 Otaviano cunha “aurei”, cistóforos e quinários.
23-18 Reforma da cunhagem de bronze: o sestércio = 2 dupondius = 4 asses; 1 As = 2 semis = 4 quadrans; oficina monetária do governo imperial em Lyon (15 a.C); emissão regular do “aureus” de ouro de 7,85g igual a 25 denários de prata ou 100 sestércios.
14-37 “Denário do Tributo” do Novo Testamento.
37-54 Numerosas emissões comemorativas da família imperial “Júlio-Cláudia”.
Reforma monetária: aureus de 7,2g e peso do denário reduzido de 3,5 para 3g. 82-96 Aureus aumenta para 7,7g em 82; cai em 85 para 7,5g; denário tem leve aumento (3,05g).
c. 107 Redução do denário para 2,8g; retirada de circulação dos denários mais antigos. 138-161 últimas emissões do semis (1/2 As).
c. 195 Enfraquecimento do denário para cerca de 1,8g de prata.
Criação do “antoniniano” com busto radiado possivelmente
= 2 denários (com peso de 1,5).
218-235 Emissões em nome de Júlia Maesa, avó de Elagábalo e de Júlia Domna, mãe de Alexandre Severo.
238-244 Denário substituído pelo antoniniano ou “moeda radiada”, com prata já enfraquecida.
244-249 Diversas emissões comemorativas de denários e sestércios.
249-251 Retirada de circulação dos denários de prata; cunhagem isolada de duplos sestércios.
253-268 Aviltamento da cunhagem de ouro; aureus com menos de 4g de ouro; novas oficinas monetárias: Milão, Antioquia e talvez Trier. Colapso da cunhagem de prata e fim do sestercio e dupondio; novas oficinas monetárias: Siscia e Cízico.
260-274 Póstumo emite aureus com busto de frente de elevada pureza e duplo sestércio; sucessores emitem o antoniniano em cobre ou bronze. Antoniniano praticamente sem prata.
270-275 Restauração da pureza do aureus (6,5g com 95% de ouro puro); introdução ao“aureliano” ou “antoniniano pós-reforma” com 5% de prata: novas oficinas: Pavia,Lyon, Serdica (hoje Sofia) e talvez Trípoli na Síria.
Roma, no Período Republicano c. 280 – 27 a.C.
Das Primeiras Emissões Romanas à Ascensão de Sula, c. 280-88 a.C.
Roma produziu suas primeiras moedas depois de 300 a.C., cerca de quatro séculos e meio após a sua data tradicional de fundação (753 a.C.). Anteriormente, no entanto, os romanos certamente tinham um certo conceito da moeda como um meio de comparar valores, e tinham usado uma série de objetos como “moeda-mercadoria” e recorrido a trocas (escambo).
Até o séc. V a.C., na região de Roma, pedaços irregulares de bronze (“Aes rude”), sem ndicação de valor ou marca oficial, circulavam a peso, exigindo o uso de balanças.
Do séc. VI ao III a.C., os etruscos também usaram para trocas pequenas barras de bronze com a representação de um ramo de árvore (“ramo secco”), sem peso uniforme, mas cunharam moedas a partir do final do séc. V a.C.
Entre cerca de 300 e 210 a.C., os romanos adotaram um sistema monetário próprio, pouco usual, que era constituído de quatro elementos circulando em paralelo:
O primeiro, o “Aes signatum” (c. 289-241), consistia em barras
ou lingotes retangulares de bronze, com peso definido (normalmente de cerca
de 1600g ou 5 libras romanas), com desenhos de ambos os lados e com dimensões
de aproximadamente 160 por 90mm.
Esses lingotes podem ter continuado a ser usados a peso, visto que vários
exemplares sobreviveram em fragmentos já cortados na Antiguidade, indicando
a necessidade de frações.
O segundo e o terceiro elementos eram moedas de prata e de bronze cunhadas em diferentes oficinas monetárias, sem relação de peso entre si, e destinadas a diferentes áreas de circulação.
As moedas de bronze, “litras” e múltiplos , possivelmente emitidos desde 273 a.C., circularam principalmente na Itália central, juntamente com o “Aes signatum” e depois o “Aes grave”.
As moedas de prata, principalmente didracmas, produzidas a partir de cerca de 280 a.C. (talvez em função da invasão de Pirro), circulavam mais ao sul, particularmente na Campânia.
O “Aes grave” (c. 280-211) constituía o quarto elemento do sistema, e consistia em grandes discos redondos de bronze fundido, com padrão de peso definido, figuras no anverso e no reverso e marcas de valor .
Tudo indica que as moedas romanas iniciais, nessas quatro formas, foram produzidas intermitentemente, em quantidades modestas em comparação com as de outros povos contemporâneos e com o orçamento público de Roma, o que exclui uma origem de ordem puramente militar, que teria exigido uma produção mais regular.
Possivelmente as emissões não atendiam às necessidades do comércio a varejo. Assim, durante a primeira parte do período republicano, Roma pode ser vista como estando a meio caminho entre uma sociedade sem cunhagem e uma sociedade plenamente monetarizada, com a moeda funcionando principalmente como medida de valor, enquanto os pagamentos propriamente ditos também podiam ser efetuados em outras mercadorias ou em metal, a peso.
Em suma, a emissão das primeiras moedas romanas não parece ter resultado de necessidades econômicas ou militares prementes, e inicialmente preencheu funções limitadas.
É possível que tenha surgido por influência da Grécia ou das cidades gregas do sul da Itália, inclusive por razões de prestígio.
A unidade do sistema do “Aes grave” era o “As”, a princípio equivalente a uma libra romana (As Libral). Mas logo o seu peso foi diminuído de 324 para 265g (mantido de 269 a 217 a.C.
Por volta de 225, quando a emissão de prata também foi transformada com a adoção dos didracmas “quadrigatus”, cunhados até cerca de 211 a.C., o sistema do “Aes grave” foi padronizado com a introdução de uma proa de galera no reverso e de uma divindade diferente no anverso de cada denominação de bronze fundido, conforme a seguinte relação:

No período de 225 a 211, além de outros múltiplos e subdivisões do As , chegou a ser emitida uma moeda muito grande, o decussis (10 asses), que seria substituída por denários de prata também equivalentes a 10 asses. A partir de 211, o As de bronze do padrão “sextantal” passou a pesar apenas 44g.
Durante a Segunda Guerra Púnica, entre 217 e 208, houve uma emissão de ouro de caráter emergencial, logo descontinuada.
A adoção do denário (e, temporariamente, de suas subdivisões em prata, o quinário e o sestércio ) coincidiu com uma maior utilização da moeda metálica na sociedade romana.
A cunhagem de didracmas de prata foi abandonada, mas a produção de dracmas sob o nome de “vitoriatos” continuou por várias décadas.
O denário de prata - inicialmente de cerca de 4 gramas e elevado teor de metal -, seria a moeda básica da República Romana a partir aproximadamente de 211 a.C., e do Império Romano pelo menos até a metade do séc. III d.C. O denário foi retarifado para 16 Asses por volta de 141 a.C.
Os denários foram emitidos por várias famílias, ou “gens”, de moedeiros. Amplamente representados nesta exposição, têm tipos bem variados, às vezes referentes a feitos passados de membros dessas famílias .
Algumas “gens” também emitiram o quinário (1/2 denário). Na época da ditadura de Sula, ocorreu uma rara emissão do aureus de ouro, também logo descontinuada.
A partir da reforma de 211, as moedas de bronze republicanas deixaram de ser fundidas e passaram a ser cunhadas , abrangendo as seis denominações do sistema do Aes grave, desde o As até a úncia (1/12 do As).
No período de 140 a 100 houve uma redução do peso dessa cunhagem para o padrão “uncial”. Em 92 a.C., a Lei Papíria reduziu ainda mais o peso da cunhagem de bronze para o padrão “semi-uncial”, mas a emissão dessas moedas cessaria por várias décadas após 82 a.C.
De Sula ao Fim da República, c. 87-27 a.C.
Durante o período entre a abdicação de Sula (79 a.C.) e as guerras civis dos anos 40 e 0 a.C., foi muito variada a emissão de denários de prata por numerosas famílias de moedeiros romanos .
Houve novamente cunhagens ocasionais de bronze na chamada era “imperatorial”, ou dos “imperatores” (chefes militares que disputavam o poder), que se encerraria em 27 a.C. quando Otaviano, sobrinho e herdeiro de Julio César, recebeu o título de “Augustus”, tornando-se o primeiro imperador romano. Em 46, sob César, voltou a ser emitido o “aureus” de ouro .
Foi nesse “período imperatorial” que Julio César teve uma ligação amorosa com Cleópatra, rainha do Egito, adiando possivelmente a conquista desse reino por Roma. Cleópatra teria depois um relacionamento mais longo com Marco Antônio, ajudando-o a enfrentar Otaviano .
Com a vitória naval de Otaviano e Agripa sobre o casal em Áccio, em 31 a.C., a morte de Antônio e Cleópatra e a anexação do Egito, em 30 a.C., Roma passou a dominar todo o Mediterrâneo.
O Império Romano, 27 a.C a 275 d.C
De Augusto a Marco Aurélio, 27 a.C. – 180 d.C.
A cunhagem do Império Romano estende-se por um período de cerca de 500 anos, desde o início do império, com Augusto, em 27 a.C. à reforma de Anastácio I, o primeiro imperador bizantino, na última década do séc.V.
Durante aproximadamente 270 anos, a cunhagem romana imperial manteve notável uniformidade. A casa da moeda de Roma foi a principal, mas Lugdunum (Lyon, na Gália) foi importante de Augusto a Nero para as emissões em metais preciosos.
Oficinas provinciais funcionaram ocasionalmente, tendo alguma relevância na seqüência da queda de Nero e após o assassinato de Pertinax, em 193. Marcas de casas da moeda praticamente não aparecem até meados do séc. III.
A cunhagem de ouro consistia no “aureus”, equivalente a 25 denários de prata. Seu peso era de 7,85g no tempo de Augusto , reduzido, com oscilações ,para 7,2g do reinado de Trajano até 215, quando começou a declinar rapidamente. O quinário (1/2 Aureus) de ouro e o quinário (1/2 denário de prata) só foram cunhados intermitentemente.
O denário de prata, como no período republicano, era a moeda básica, apropriada para pagamentos de valor intermediário. No primeiro século, por exemplo, correspondia aproximadamente a um dia de soldo de um legionário do exército romano.
As moedas de bronze, cobre e latão (em latim “orichalcum”), que incluíam o sestércio (1/4 de denário), o dupondio (1/8 de denário), o As (1/16 de denário), o semis (1/32 de denário) e o quadrans (1/64 de denário) aumentavam a flexibilidade dos pagamentos de menor monta e circulavam durante longos períodos, como atestam numerosos exemplares muito gastos que sobreviveram.
Na fase inicial do império a cunhagem desses metais foi às vezes intermitente, como no período entre o começo do reinado de Cláudio e a reforma de Nero, em 64. Os sestércios, mas também os dupondios e os asses, pela sua dimensão, permitiram a criação de tipos e retratos de imperadores que demonstram a grande perícia e sentido artístico dos gravadores romanos de cunhos.
Quase todas as moedas tinham como tipo no anverso o busto do imperador ou de membros de sua família. No reverso predominavam representações de divindades ou personificações de atributos ou ações dos imperadores, mas também inscrições, monumentos (templos, pontes, anfiteatros etc.), animais, corpos celestes, instrumentos de culto, além de cenas de atividades militares e civis. Mais tarde a partir de Constantino, apareceriam cruzes, lábaros ou cristogramas.
O sistema monetário romano consolidado sob Augusto (27 a.C. a 14 d.C.) pode ser resumido como se segue:

*Ae - bronze, cobre ou latão (oricalco ou orichalcum)
Em algumas oficinas do Mediterrâneo oriental, notadamente Éfeso e Pérgamo, já importantes no período helenístico, Augusto e alguns de seus sucessores cunharam moedas de prata com valor equivalente a três denários, conhecidas como “cistóforos”, por derivarem dos tetradracmas “cistofóricos” de Pérgamo .
De Cômodo a Aureliano, c. 180-275
O sistema monetário imperial não sofreu maiores alterações até 215, quando Caracala introduziu o “antoniniano” , ou moeda “radiada” de prata (com o busto do imperador com coroa radiada), possivelmente equivalente a 2 denários (apesar de seu peso ser correspondente ao de 1 e ½ denário), que, a partir do reinado de Gordiano III (238-244), substituiu o denário, finalmente retirado de circulação sob Trajano Décio (249-251). Esse imperador cunhou duplos sestércios, denominação que não perdurou.
No reinado de Valeriano (253-268), houve uma redução da pureza (para cerca de 80%) e do peso (para menos de 4g) do aureus, e o “antoniniano” também sofreu gradual aviltamento, tendências que se acentuariam sob Galieno (253-268), quando foi abandonada a cunhagem regular das moedas de bronze e cobre de grande módulo (sestércio, dupondio e as) e muitos antoninianos já não mostravam qualquer vestígio de prata.
Sob os imperadores seguintes, o antoniniano praticamente se transformou em moeda de cobre e acentuou-se o processo inflacionário medido em denários, agora apenas moeda de conta.
No Império Galo-romano, Póstumo (260-268) cunhou “aurei” magníficos, com elevada pureza, e até, temporariamente, duplos sestércios, mas seus sucessores cunharam principalmente antoninianos também sem qualquer teor de prata.Aureliano (270-275) restaurou a pureza da moeda de ouro e emitiu um “aureliano” ou “antoniniano restaurado” de bilhão com a marca XXI (possivelmente 5% de prata).
O Império Romano, c. 275 - 476
EVENTOS HISTÓRICOS
275-283 Sucessão de imperadores: Tácito, Probo, Caro e seus filhos.
284-305 Diocleciano e Maximiano “Augustos”, com dois “Césares” ou imperadores associados: a “Tetrarquia”.
301 Édito de Fixação de Preços: Salários diários de pedreiros e carpinteiros: 50 denários de conta; de trabalhadores agrícolas: 25/50 denários; de um professor de grego, latim e geometria: 200 denários por aluno por mês. Preços: 1kg de carne de porco: 37 denários; 1 litro de azeite de oliva: entre 44 e 73 denários; 1 litro de vinho comum: 15 denários; 1 litro de sal: 6 denários; 1 “litro” de trigo: cerca de 6 denários. Esses “máximos” foram logo abandonados.
305-313 Maximiano Daza persegue cristãos no Oriente; Maxêncio derrotado e morto por Constantino.
306-337 Constantino, “o Grande”: Cristianismo tolerado (313) e depois religião de Estado.
313-324 Licínio, imperador do Oriente, morto em 324; Constantino, único imperador (324-337).
330 “Inauguração” de Constantinopla.
337-361 Três filhos de Constantino imperadores: Constantino II (307-340); Constante (337-350); Constâncio II (337-361), que reprime a revolta de Magnêncio e de Decêncio nas províncias ocidentais (353) e luta contra os Persas Sassânidas.
361-363 Juliano; tentativa sem sucesso de reintrodução do Paganismo; campanhas contra os Persas Sassânidas.
364-375 Valentiniano I e Valente (364-378) este morto em combate, com seu exército, pelos Godos que devastam o Oriente.
367-383 Graciano, em 375 único imperador do Ocidente; assassinado na revolta de Magno Máximo, usurpador na Bretanha, Gália, Espanha e África (383-388).
379-395 Teodósio vence os Godos no Oriente e Magno Máximo no Ocidente; restabelece a unidade do Império pela última vez; interdição do culto pagão em 381.
395 Separação definitiva do Império do Ocidente (Honório, 393-423) e do Império do Oriente (Arcádio 383-408).
402-450 Teodósio II no Oriente e sucessão de imperadores no Ocidente até Valentiniano III (425-455);
Séc. V: Invasões “bárbaras”: Vândalos, Alanos e Suevos na Espanha (409); pilhagem de Roma pelo visigodo Alarico (410); Visigodos na Aquitânia (418); Vândalos tomam o norte da África (429).
441-442 Saxões tomam a Britânia romana;
c. 450 Átila invade a Gália mas é vencido (451) por Aetius e morre em 453.
455 Pilhagem de Roma pelos Vândalos.
450-491 Imperadores Marciano (450-457), Leo (457-474) e Zeno (471-491) no Oriente.
461-472 No Ocidente, Ricimer, general de origem Goda depõe Majoriano (457-461) e Antêmio (467-472); proclama Olíbrio, mas morre em 472.
472-476 Glicério (473-474); Julio Nepos (474-475) e Rômulo Augústulo (475-476), último imperador do Ocidente deposto pelo general hérulo Odoacro.