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História da Moeda

EVENTOS MONETÁRIOS

275-284 Abundantes emissões de Antoninianos “pós-reforma”, com e principalmente sem banho de prata.

c. 286 Reforma Monetária: Aureus ou “Solidus” de ouro de 5,3 g e “Argenteus” de prata quase pura.

295-296 novo “Follis” com módulo semelhante ao do antigo As e banho de prata; as relações de valores são controvertidas: 1 Aureus = 24 Argentei; 1 Argenteus = 100 Denários (ou 62); 1 Follis ou Nummus = 10 a 25 Denários; 1 Antoniniano = 1 “Radiada pós-reforma” = 2 Denários.

Fechamento da oficina de Trípoli; abertura de : Trier, Heracléia, Aquiléia, Cartago, Nicomédia e consolidação de Sérdica: 14 oficinas monetárias no Império com cunhagem uniforme.

305-313 Insucesso da cunhagem de prata de Diocleciano ; enfraquecimento do Follis entre 307 e 313 de 10g para 3,4g; conteúdo de prata cai de 5 para 1%.

310-325 Novo Solidus de ouro (c. 310) de 4,5g que duraria 700 anos.

318-324 Reforma da cunhagem de bronze; recolhimento de emissões anteriores; Centenionalis (?) de cerca de 3g e cerca de 17mm; após 325 duas novas moedas de prata: Miliarense (4,5g) e Siliqua (3,4g).

c. 348 Reforma monetária com 3 “novas” denominações, 2 teoricamente de bilhão: Maiorina, 5,3g ou 4,5g e baixo conteúdo de prata: 2,5 e 1g; ½ Maiorina, cerca 2,6g sem prata; após 355, abundante cunhagem de Siliquas de prata até cerca de 400.

361-363 Reforma monetária mal sucedida; efêmera peça de bilhão de 8,3g com tipo do “boi Ápis” e nova peça de 3g mais duradoura.

c. 366 Reforma da cunhagem de ouro, restabelecimento do peso e pureza do Solidus, e centralização da cunhagem; c. 371 desaparecem as moedas de bilhão; circulam moedas de bronze com cerca de 3,5g.

c. 379 Emissão de moedas de bronze “Ae 2” de c. 22 mm e 5,3g, também cunhadas por Magno Máximo, com Siliquas de prata e bronzes de pequeno diâmetro (13mm).

379-395 Emissões regulares de ouro, prata e bronze; em 383, introdução do Tremissis de ouro (1/3 de Solidus).

Após c. 400 Forte diminuição da cunhagem de Siliquas; emissão do Miliarense abandonada (410-420); alguma cunhagem de ½ Siliquas.

Numerosas imitações bárbaras dos Solidus de Honório e Arcádio e depois de
Valentiniano III; a cunhagem romana de ouro preserva sua qualidade; bronzes: principalmente “Ae 4” (de 10-13mm).

Séc. V No Oriente: custo de um soldado: 4 Solidi/ano; permitiria consumo diário de 0,4 kg de carne; duas bisnagas de pão, algum óleo vegetal e uma garrafa de vinho; os preços flutuavam em termos da moeda de bronze mas não do Solidus de ouro de pureza e peso
preservados.

450-491 No Oriente, emissões abundantes de ouro, limitadas de prata; bronzes Ae 2 (20mm) e Ae 4 (10-13mm).

c. 460-472 No Ocidente, raras emissões de ouro e de prata, com a perda da maioria das províncias romanas e a instabilidade do trono imperial.

c. 472-476 Últimas emissões dos imperadores romanos do Ocidente: Solidus e Tremissis de ouro e ½ Siliqua de prata.

A Fase Final do Império Romano, 275 a 476. Roma as Províncias e Povos Vizinhos

O Império Romano, 275-476

Uma reforma mais ampla foi implantada por Diocleciano. Por volta de 286, esse imperador cunhou uma moeda equivalente a 1/60 de libra romana de ouro, um “aureus” provavelmente já conhecido como “solidus” na época.

Pouco depois, recomeçou a cunhagem de prata de elevado teor com o “argenteus” , possivelmente correspondente a 1/24 de “solidus”. Finalmente, em 295-296, criou o “nummus” de bilhão, mais conhecido como “Follis” , de cerca de 10g e com 5% de prata, enquanto a emissão do “antoniniano” foi descontinuada.

Mas perdurou por uma década a cunhagem de uma peça menor, com coroa radiada e sem qualquer vestígio de prata, conhecida como “irradiada pós-reforma”

Sob os tetrarcas e seus sucessores, o “argenteus” não foi bem - sucedido, mas aproximadamente em 310, Constantino I introduziu um novo solidus “leve” de 4,5g ou 1/72 de libra, que teve uma história ilustre de mais de 700 anos, inclusive durante o Império Bizantino . O “follis”, no entanto, foi perdendo tamanho e teor de prata, e, em 318, tinha apenas 1/3 do peso da moeda original .

Duas denominações fracionárias de ouro tiveram menor importância: o “semissis”, correspondente a ½ solidus, e uma curiosa denominação de 1 e ½, “scripulum” equivalente a 3/8 de solidus e depois a 9 siliquas. Antes do final do século IV, essa denominação seria substituída pelo “tremissis” (1/3 de solidus).

A partir de Constantino, em função do desconhecimento das denominações da cunhagem de cobre e bronze, adotou-se em diversos estudos a seguinte convenção para descrever essa cunhagem até o final do império: Ae 1, mais de 25mm; Ae 2, mais de 21mm; Ae 3, mais de 17mm; Ae 4, menos de 17mm. O diâmetro variava um pouco de acordo com a espessura do disco da moeda. Após 324, o Ae 3 de Constantino pode ter tido a denominação “centenionalis”.

Depois de aproximadamente 325, Constantino reintroduziu a cunhagem de prata com o “miliarense” de 4,5g (1/72 de libra de prata), com peso superior em 1/3 ao da “siliqua” de 3,4g (1/96 de libra de prata).

Sem maior sucesso inicial, a partir de c. 355, sob Constâncio II, a cunhagem de “siliquae” seria abundante até por volta de 400 (55, 56), mas o “miliarense” de 4,5g e o “miliarense pesado”, de 5,4g, e seus múltiplos (medalhões de prata), seriam cunhados só ocasionalmente até o séc. V.

Após 330, o peso do “centenionalis”, a princípio de 3g, começou a declinar, alcançando apenas 1,7g em torno de 336. Por volta de 348, Constâncio II e Constante, filhos de Constantino, reformaram a cunhagem de bronze, introduzindo duas novas denominações para substituir o “centenionalis”: uma “maiorina” de bilhão, cunhada segundo dois padrões de peso - 5,2 e 4,5g - e uma “meia-maiorina” , com cerca de 2,6g. Os usurpadores na Gália, Magnêncio e Decêncio também cunharam peças semelhantes à “maiorina” .

Mas, por volta de 361, essas moedas tinham se transformado em uma peça de bilhão de apenas 1,9g. Juliano (361-363) adotou uma nova, mas efêmera, peça de bilhão de cerca de 8,3g e 3% de prata, com o tipo claramente pagão do “Boi Ápis”, logo abandonada pelos seus sucessores cristãos.

Também cunhou uma “Ae 3” com pouco menos de 3g, parecida com o “centenionalis” de Constantino, que sobreviveria até o séc. V, com seu peso gradualmente reduzido.

Arcádio (383-408) e Honório (393-423) cunharam uma moeda de bronze um pouco maior, o Ae 2, , também adotada pelo usurpador Magno Máximo na Gália . Honório e Arcádio também emitiram a ½ siliqua de prata .

No séc. V, após a divisão dos domínios romanos em Império do Ocidente e Império do Oriente, manteve-se a cunhagem do “solidus” de ouro, cuja pureza, restaurada por Valentiniano I por volta de 366, seria preservada nas duas regiões , bem como a do tremissis (1/3 solidus), introduzido em 383 sob Teodósio I (379-395).

A cunhagem de prata perdeu importância relativa, e a cunhagem de cobre e de bronze tendeu a limitar-se ao “Ae 4” ou “nummus”, de dimensão e peso ainda mais reduzidos (10-11mm e menos de 1g), muitas vezes difícil de distinguir das imitações feitas por povos bárbaros que foram penetrando nos territórios romanos.

A volta de uma cunhagem de bronze com módulos maiores somente ocorreria após a reforma de Anastásio I no Império do Oriente, talvez em 498, quando o Império do Ocidente já deixara de existir.

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As Províncias Romanas e Povos Vizinhos

Em várias regiões incorporadas aos domínios romanos no período republicano já havia emissões de moedas anteriormente à conquista. Algumas dessas cunhagens locais continuaram a circular por algum tempo, mas foram gradualmente substituídas pelas moedas romanas.

No entanto, principalmente na Península Ibérica, mas também no norte da África, na primeira metade do séc. I d.C., houve várias emissões locais de cobre e de bronze , algumas no padrão do As ou do sestércio, e outras de denominação incerta, que somente cessariam sob o imperador Cláudio.

No Mediterrâneo oriental ocorreram variações em nível local. Na Grécia, anexada em 146 a.C., muitas cunhagens gregas, tais como as moedas de Atenas e da liga da Tessália, permaneceram em circulação por algum tempo, mas, a partir de Sula, o denário ganhou terreno até monopolizar a circulação monetária da região, no final do séc. I a.C.

No reino de Pérgamo, transformado em província da Ásia, estes mantiveram inicialmente (de 133 a 67 a.C.) o sistema monetário fechado dos monarcas atálidas: o tetradracma cistofórico ou “cistóforo” , tinha um valor intrínseco menor que o dos países vizinhos, mas era o único com circulação oficialmente autorizada na província, na qual, portanto, permanecia.

Um “cistóforo” equivalente a três denários seria cunhado intermitentemente de Marco Antônio e Augusto até Sétimo Severo, mas o denário já era, há muito, a principal moeda de prata em circulação na maioria das províncias orientais.

No entanto, em Antioquia, os romanos iniciaram, a partir de 5 a.C., a cunhagem de tetradracmas de prata com teor de prata baixo e decrescente , e de duas denominações básicas de bronze com a efígie do imperador, estas últimas muitas vezes com um grande SC ao centro, com 15 ou 8 g, mas sem correspondência exata com as éries emitidas em Roma .

Uma abundante cunhagem de shekels com o nome da cidade de Tiro, de prata pura, continuou a ser emitida no séc. I d.C., talvez em Jerusalém, para permitir aos judeus pagarem a taxa do Templo, mas cessaria em 60.

Acredita-se que moedas desse tipo (Módulo 4) tenham sido usadas para pagar as 30 peças recebidas por Judas para trair Jesus Cristo.

A julgar pelo Novo Testamento, no reinado de Tibério, o denário de prata já tinha um papel importante na Judéia, e deve ter sido a moeda a que se referiu o Cristo quando, inquirido se os judeus deviam pagar impostos aos romanos, disse: “daí a César [o imperador] o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Com a morte do seu último rei, em 17 d.C., a Capadócia tornou-se parte do Império Romano. Do séc. I até as últimas emissões de Gordiano III (238-244), a oficina de Cesaréia cunhou dracmas, didracmas e até tridracmas com regularidade.

Não se sabe ao certo se as emissões de Cesaréia e de Antioquia tinham alguma ligação com as necessidades dos exércitos romanos locais, mas as contramarcas apostas na região oriental do império por legiões romanas concentraram-se nos bronzes de Antioquia, o que reforça essa tese.

Em paralelo com as emissõe feitas sob a autoridade imperial, centenas de cidades (mais de 100 sob Augusto e talvez umas 200 no séc. III), incluindo regiões mais distantes como as províncias danubianas e regiões interioranas da Ásia Menor, emitiram moedas de bronze na parte oriental do Império Romano. Essas emissões cívicas, autorizadas pelos romanos e normalmente com legendas em grego e o retrato do imperador , foram muitas vezes cunhadas de forma intermitente e com grandes oscilações na quantidade.

Existem exemplos que sugerem que algumas delas foram feitas para distribuição entre a população, financiadas pela benevolência de cidadãos ricos. A grande maioria dessas moedas provinciais tinha circulação meramente local, e é possível que o “prestígio” tenha sido a motivação para várias emissões.

De qualquer forma, não parecem ter atendido a necessidades do governo imperial, e cessaram totalmente por volta de 270 d.C.

Algumas emissões sugerem um certo grau de autonomia local, como as cunhagens de Quios e Esmirna sem o busto do imperador, mas tal ausência não parece ser um indicador definitivo de maior independência.

Foi surpreendente o número de cidades que emitiram moedas póstumas com a efígie de Antínoo , favorito do imperador Adriano, natural da Bitínia, e um dos raros personagens não-membros da família imperial representados em moedas do território do Império Romano.

No Egito ptolemaico , como em Pérgamo, os romanos também encontraram um regime monetário fechado, baseado em tetradracmas de prata e em um conjunto de moedas de bronze introduzido por Cleópatra. O Egito foi mantido como um domínio pessoal do imperador, com um sistema monetário próprio.

A partir de 20-21 d.C., iniciou-se, sob Tibério, a cunhagem de um tetradracma de bilhão (prata de baixo teor) que acredita-se ter tido valor equivalente ao do denário . Também foram criadas várias denominações fracionárias em bronze .

As peças maiores, de cerca de 35mm, inicialmente emitidas sob Nero e durante muito tempo assimiladas a uma dracma, são hoje classificadas como hemidracmas . As outras denominações incluíam o dióbolo, o óbolo, o hemióbolo, o dichalkon ou quarto de óbolo, e o chalkos ou 1/8 de óbolo (de apenas 10mm).

Existe uma grande variedade de tipos, misturando elementos da herança greco-romana com tipos egípcios, e o ano do reinado consta da maior parte das moedas, permitindo uma datação precisa.

Durante o séc. III, o teor de prata dos tetradracmas foi sendo reduzido até desaparecer totalmente. Os tetradracmas de Diocleciano e Maximiano foram os últimos emitidos, generalizando-se por todo o império a circulação das moedas do governo central.

Os vizinhos do Império Romano incluíam adversários e reinos aliados ou sob a tutela de Roma. Entre os primeiros destacam-se os partas, que tiveram abundante cunhagem a partir do séc. II a.C.

Nos dois primeiros séculos do império, esse povo empreendeu freqüentes campanhas militares contra os romanos. As emissões partas do período final da dinastia já se distanciavam muito de seus modelos da época helenística, com a efígie do monarca cada vez mais orientalizante e a imagem do reverso cada vez menos cuidada e quase abstrata.

Os sassânidas (224-651), que derrubaram os partas, ocuparam o trono por mais de 400 anos, e foram também adversários constantes dos romanos e depois dos bizantinos. Os sassânidas reviveram a religião zoroástrica, com o culto do “fogo eterno” em honra de Ormuzd, cujo altar aparece com dois sacerdotes no reverso das moedas da dinastia .

Na esfera do Império Sassânida, mantiveram certa independência o reino de Persis, o reino de Elimais ambos hoje no Irã -, e o reino de Characene, no estuário do rio Tigre no Golfo Pérsico (hoje Iraque).

No Ocidente, os celtas da Britânia (Inglaterra), incluindo os Iceni , tiveram cunhagem própria até a conquista romana. A partir de 43 d.C., as moedas romanas rapidamente substituíram as cunhagens celtas anteriores.

No Mediterrâneo oriental e adjacências, os romanos mantiveram um protetorado mais ou menos explícito sobre diversos reinos. Os reis da Trácia emitiram moedas com o seu próprio busto e o do imperador romano antes da incorporação da região como província romana.
No norte do Mar Negro, o reino do Bósforo Cimério adotou por vários séculos prática semelhante, mas no séc. IV era tal a deterioração do desenho que os bustos tornaram-se irreconhecíveis .

Na Mesopotâmia, o reino de Osroene emitiu moedas com a efígie imperial , de Sétimo Severo (198-211) até Gordiano III (238- 244).

Na Judéia, durante a segunda metade do séc. I a.C., Herodes “o Grande” (37-4 a.C.), que, segundo o Novo Testamento ordenou o “Massacre dos Inocentes” por ocasião do nascimento de Jesus Cristo, foi tolerado pelos romanos, que depois transformaram a região em província . Foi sob o procurador romano Pôncio Pilatos (26-32) que Cristo foi condenado à morte. Esse e outros procuradores emitiram “prutahs” de bronze com o seu próprio nome e o do imperador .

Calígula devolveu parte da Judéia a Agripa, neto de Herodes “o Grande”, que também cunhou moeda , mas a região voltou a ser absorvida pelo Império. Entre 66 e 70, os judeus sublevaram-se contra os romanos, e a cunhagem da Primeira Revolta, da qual resultariam a pilhagem e destruição do templo de Jerusalém, incluiu moedas de bronze e de prata.

Durante a Segunda Revolta dos judeus, liderada por Bar Cochba (132-135), houve uma nova emissão de moedas , mas estas cessaram com a supressão do levante. A partir de então, Jerusalém passou a chamar-se Aelia Capitolina.

Na Arábia do norte (hoje Jordânia), o reino da Nabatéia, com capital em Petra, manteve uma cunhagem própria até a sua conquista por Trajano . Na Arábia Felix (hoje Iêmen) onde os sabeus já cunhavam imitações de moedas atenienses no séc. III a.C, as emissões locais autônomas continuaram sob os himiaritas, inicialmente com um tipo misturando elementos gregos e romanos e depois com tipos originais.

O reino de Aksum (hoje na Etiópia) foi a única região da África ao sul do Egito e do Saara a emitir moedas no 1o milênio d.C. No séc. IV, Ezana, convertido ao cristianismo, introduziu uma das primeiras moedas com a cruz cristã.

Bizâncio e seus vizinhos, Sécs. V - XV

EVENTOS HISTÓRICOS

Séc. V “Bárbaros” invadem quase todo do Império do Ocidente, mas contidos noOriente.

493-553 Ostrogodos na Itália.

527-565 Sob Justiniano, Bizantinos retomam a África aos Vândalos (533) e a Itália aos Ostrogodos (553).

568-774 Lombardos na Itália.

Sécs. VI-VIII Os Visigodos, arianos, esmagam os Suevos na Espanha; conversão deRecaredo ao Catolicismo (587) ; a dinastia visigoda extingue-se com a invasão árabe da Península Ibérica em 711-713.

613-639 Unificação dos Francos; Sto. Elói, “patrono dos moedeiros”,ministro de Dagoberto (629-639).

615-660 Invasões dos Persas Sassânidas sob Cosroes II repelidas pelos Bizantinos (615- 622); Pérsia conquistada pelos Árabes; Búlgaros instalam-se ao sul do Danúbio.

673-717 Sítios muçulmanos de Constantinopla (673-677 e 717).

Séc. VII Os Francos, sob Carlos Martel, repelem a invasão árabe em Poitiers (732); Pepino, “o Breve” (751-768), depõe o último rei merovíngio; início da dinastia carolíngia; Carlos Magno anexa o reino Lombardo da Itália (774), com exceção do ducado de Benevento.

717-820 Bizâncio reconquista Chipre aos muçulmanos (739); Ravena perdida para os Lombardos em 751; controvérsia iconoclasta (c. 726-843); recuperação da Trácia e da Grécia dos eslavos; imperador Nicéforo I morto pelo Khan búlgaro (811).

820-969 Dinastias amoriana e macedônica; aumenta a extensão do Império Bizantino com vitórias sobre os Abássidas; reconquista de Creta e da Síria.

893-927 Búlgaros ocupam a Albânia e a Macedônia.

969-1081 Tratado de comércio entre Bizâncio e Veneza (992); aliança bizantina com Vladimir de Kiev; reconquista da Macedônia sob Basílio II (976-1025).

1053-1071 Conflitos com os Normandos e expulsão dos Bizantinos da Itália; Bizantinos destroçados pelos Turcos Seldjúcidas em Manzikert.

1054 Rompimento entre as Igrejas de Bizâncio e de Roma.

1081-1118 Aleixo Comneno; repele a invasão normanda nos Bálcãs (1083); dizíma os Petchenegos e retoma parte da Ásia Menor.

1098-1099 1a Cruzada; Jerusalém retomada aos Fatímidas do Egito pelos cruzados.

Sécs. XII-XIII Reino de Jerusalém e outros Estados latinos no Oriente Médio; sucessão de Cruzadas menos bem sucedidas; Saladino retoma Jerusalém em 1187; Chipre e Acre retomados pelos cruzados (1191).

1204-1261 Império Latino de Constantinopla, capturada pela 4a. Cruzada; principado da Moréia e Ducado de Atenas para os cruzados; Império Bizantino de Nicéia; Império de Trebizonda autonômo.

1218-1280 João II Asen da Bulgária; anexa o Épiro e quase toma Constantinopla 1218-1243); queda da dinastia asenida (1280).

1261 Reconquista de Constantinopla pelos Gregos de Nicéia; Dinastia dos Paleólogos (1259-1453).

1282-1355 Ascensão da Sérvia que toma dos Bizantinos boa parte dos Bálcãs; os Búlgaros, vencidos, tornam-se vassalos dos Sérvios (1330).

1291-1311 Retirada dos cruzados da Síria após a queda de Acre para os Mamelucos 1291); os Lusignan controlam Chipre até fins do séc. XV; fim da presença franca na Grécia (1311).

1326-1359 Bizâncio perde Nicéia, Nicomédia e parte da atual Turquia européia para os Turcos Otomanos.

1359-1389 O sultão otomano Murad I ocupa a Trácia (1361) e o Império Bizantino reconhece a sua suzerania; a Sérvia (1388), Valáquia (1396) vassalas dos Otomanos (1396).

1391 Bizâncio perde a Tessália para os Otomanos; insucesso da Cruzada de Nicópolis (1396).

1402 Tamerlão esmaga o exército turco; querelas dinásticas otomanas dão sobrevida ao Império Bizantino.

1425-1448 João VIII Paleólogo; tentativas infrutíferas de busca de apoio Ocidental contra os Otomanos e de reaproximação com a Igreja de Roma.

1448-1453 Constantino XI, último imperador bizantino; Constantinopla tomada pelos Otomanos (1453), que conquistam o Império de Trebizonda em 1461.

EVENTOS MONETÁRIOS

Séc. V Numerosas imitações bárbaras de moedas romanas, principalmente de "solidi" e "tremisses" de ouro; 429-553 : cunhagens dos Vândalos no norte da África em bronze e prata com tipos próprios; na Itália, cunhagens dos Ostrogodos, inicialmente com o nome do imperador bizantino e depois em nome dos monarcas ostrogodos, e emissões de bronze anônimas denominadas em “nummi” (até 553).

c. 498 Reforma monetária de Anastácio I em Bizâncio: “follis” de cobre de 40 “nummi” e suas sub-divisões de 5, 10, 20 “nummi”; o busto de frente substitui o busto de perfil no séc. VI; o solidus de ouro, com peso e pureza preservados, permanece a unidade básica da cunhagem de ouro até o séc. X; principais oficinas monetárias: Constantinopla, Antioquia, Cízico, Nicomédia, Tessalônica, Cartago, Roma ,Ravena, e Catânia e Siracusa na Sicília; no séc. VII, transição do latim para o grego nas legendas.

Séc. VI Sob Justiniano, 1 solidus = 180 folles; salário diário em Bizâncio de um trabalhador manual: 24 folles; na Palestina sob Bizâncio: um artesão em mosaico: 12 folles e um trabalhador rural: 5 folles; salário anual de um professor de retórica: 35 solidi; custo da construção da basílica de S. Vitale em Ravena: 26.000

Sécs. VI-VII Preços na Palestina sob Bizâncio; um porco: 2-3 solidi de ouro; um camelo de carga: 4-6 solidi; um burro ou uma vaca: 8 solidi; um camelo de montaria: 15 solidi.

Sécs. V-VII Emissões merovíngias de imitações de moedas imperiais bizantinas; a partir do séc. VII, abundante emissão de tremisses de ouro com o nome dos moedeiros; deterioração da moeda de ouro e cunhagem de denarii de prata no final do séc. VII; à época da Lei Sálica dos Francos, um cavalo valia 12 solidi de ouro; uma vaca, 3 e um boi, 2.

c. 630 Início da cunhagem regular de tremisses pelos Anglo-Saxões em Kent e Londres, e de moedas de prata (“sceattas”).

c. 568-711 Cunhagem de tremisses de ouro em nome dos reis Visigodos da Península Ibérica em mais de 50 oficinas, mas principalmente em Toledo e Sevilha.

Sécs.V-VI Abundante cunhagem de dracmas de prata pelos Persas Sassânidas até a conquista árabe.

Séc VII-IX Com as conquistas islâmicas de territórios bizantinos (séc. VII), grande diminuição do número de oficinas monetárias e cunhagem de bronze quase restrita ao follis; introdução da imagem de Cristo no solidus, abandonada de c. 730 a c. 840, e depois retomada (842) para tornar-se tipo característico bizantino; cunhagem do solidus concentrada em Constantinopla.

963- 969 Divisão do “solidus’ em duas formas: “stamenon nomisma” com maior diâmetro e menor espessura,tornando-se côncavo, e “tetarteron nomisma” de módulo menor e mais espesso; séc IX, custo de livros manuscritos em pergaminho: de 3 a 18 solidi.

Séc. X-XI “Folles” de bronze anônimos (969-1092) e diminuição, a partir de 1030, enfraquecimento da cunhagem de ouro.

1092 Reforma monetária e fiscal de Aleixo I Comneno; “hyperpyron” de ouro e “trachy” de bilhão, côncavos.

1099-1291 Cruzados latinoso e Oriente Médio: cunhagem em Jerusalém, Trípoli, Antioquia, e, em Acre, de moedas baseadas nos "deniers" e "gros" de prata europeus e no "dinar" de ouro fatímida do Egito.

Sécs. XII - XIII Hyperpyron de ouro diminui de pureza; “trachy” Reino Latino de Constantinopla (1204-1261), e cunhagens de ouro e bilhão dos domínios bizantinos de Nicéia e de Tessalônica, e do “Império” de Trebizonda; preços c. 1250-1220, um touro: 8 hyperpyron; uma ovelha: 1; um cavalo: 15-18.

Sécs. XII–XIII Imitações Búlgaras dos “trachy” bizantinos e, emissão do “grosch” baseado no grosso veneziano, depois também na Sérvia.

Sécs. XIV-XV Cunhagens dos Lusignan em Chipre com modelos europeus; com a forte concorrência das moedas italianas de ouro, cessa a emissão do hyperpyron do Império Bizantino restaurado (1341); o “basilikon” de prata (1295-1391), de boa qualidade, foi descontinuado e, no final do séc. XIV, emissão de pequenos “follari’ e “tornesi” de cobre, ou "assaria".

Sécs. XIV-XV Emissões em prata e bilhão nos Bálcãs, dos Búlgaros, Sérvios, Bósnios, Moldávios e Valáquios; essa cunhagem persiste temporariamente sob a suzerania otomana.

Séc. XV Emissão de “dengas” de prata pelo estado de Pskov e pelo Grão-Ducado de Moscou; nos sécs. XI-XIV, barras de prata tinham sido o principal meio de troca nessas regiões.

1425-1453 Últimas emissões bizantinas do “stavraton” de prata (1/2 hyperpyron de conta) e frações; emissões de “aspers’ de prata em Trebizonda até 1458.

O Império Bizantino e seus Vizinhos, Sécs. V-XV

As Emissões Bizantinas, de c. 491 a meados do Séc. XV

A cunhagem do final do Império Romano e do início do império bizantino esteve firmemente fundamentada nas emissões de ouro. O “solidus” (em grego “nomisma”), foi introduzido por Constantino, “O Grande” (307-337), e baseou-se na relação de 72 moedas por libra romana (pesando, portanto, 24 quilates ou 4,55g).

O “solidus” preservaria seu tamanho, peso e pureza até o séc. X, mantendo-se no período como a principal moeda comercial do Mediterrâneo. Foi cunhado principalmente em Constantinopla .

O tipo de anverso do “solidus” mudou do típico busto romano de perfil para o busto em ¾ no final do séc. IV, e para o busto de frente a partir do séc. VI, com ocasionais representações do imperador sentado no trono ou de pé.

No reverso, houve a substituição da representação feminina da Vitória por um anjo masculino ou por umacruz sobre degraus, indicando a crescente influência da iconografia cristã sobre a cunhagem .

Em alguns casos, os governantes representaram membros de sua família a seu lado para enfatizar a continuidade da sucessão dinástica . Justiniano II (685-95 e 705-711) introduziu a imagem de Cristo no anverso do “solidus”, deslocando a do imperador para o reverso.

Após o período iconoclasta (c.730-843), durante o qual a representação de figuras divinas em ícones e nas moedas foi proibida, Miguel III (842-867) voltou a adotar a imagem de Cristo nas suas moedas de ouro, e esta tornou-se uma das características da cunhagem bizantina .

Frações de “solidus” foram ocasionalmente emitidas, mas parecem ter tido uma importância secundária. A cunhagem do “semissis” (1/2 “solidus”) e do “tremissis” (1/3 de “solidus”) cessou no leste sob Leo III (717-41), mas sobreviveu em algumas oficinas monetárias italianas até as conquistas dos Lombardos nas décadas de 740 e 750, mantendo-se apenas em Siracusa, na Sicília, até a conquista árabe, em 878.

Grandes emissões de moedas de prata bizantinas não foram freqüentes. O “hexagrama” foi cunhado em certa quantidade na primeira metade do séc. VII, e o “miliaresion” , introduzido por Leo III (717-741), foi produzido até o Séc. XI, com o tipo da cruz sobre degraus e os nomes imperiais no campo.

As moedas de bronze, no final do império romano, tinham tido seu tamanho drasticamente reduzido - até cerca de 5 mm de diâmetro! Por volta de 498, Anastácio I introduziu uma nova série de denominações de cobre, emitindo moedas de 5,10, 20 e 40 “nummi” - esta última também conhecida como “Follis” - cujos valores eram respectivamente indicados pelas letras gregas E, I, K e M. No anverso, o busto de perfil foi substituído pelo busto de frente nos sécs. VI e VII.

Várias oficinas, além da de Constantinopla, cunharam moedas de cobre, principalmente Alexandria , Antioquia , Cízico , Nicomédia e Tessalônica, Cartago , Roma , Ravena , Catânia e Siracusa na Sicília.

Várias delas cessariam de operar ao longo do séc. VII em função das conquistas islâmicas. As moedas de cobre tenderam a diminuir de tamanho e reduziu-se o número de denominações cunhadas regularmente, restando apenas o “Follis” no séc. VIII.

Entre o reinado de João I (969-76) e a reforma de Aleixo I de 1092, a cunhagem do “Follis” foi anônima, e as legendas de natureza puramente religiosa.

Durante o séc. VII, deu-se uma transição do uso do latim para o do grego nas legendas das moedas, e o título do imperador mudou de “Augustus” para “Basileus” e depois para “Basileus Romaion”. No séc. VIII, passou-se a usar o termo “déspota”, que generalizou-se no séc. XI..

Ao longo do reinado de Nicéforo II (963-9), o “solidus” foi dividido em duas formas distintas: o “Stamenon nomisma” preservou os antigos padrões, mas seu diâmetro aumentou e sua espessura diminuiu, até que, a partir dos anos 1040, essa moeda tornou-se claramente côncava. O “Tetarteron nomisma” tinha peso e diâmetro menores e maior espessura, à semelhança do “solidus” original.

Depois de 1030, o conteúdo de metal precioso de ambas as peças foi sendo reduzido, encerrando sete séculos de estabilidade. O grau de pureza diminuiu, gradualmente, até o reinado de Nicéforo III (1078-81), de 24 para 8 quilates.

Uma ampla reforma tornava-se necessária, e, em 1092, Aleixo I Comneno criou um novo sistema monetário baseado no “hyperpyron” de ouro , uma moeda com o mesmo peso que o antigo “nomisma”, mas com 20,5 quilates de pureza.

O formato côncavo foi mantido e também usado para denominações subordinadas em eletro (liga de ouro e prata) - como o 1/3 de “hyperpyron” e para um “trachy” de bilhão (prata de baixo teor) este inicialmente equivalente a 1/48 de hyperpyron, mas que se desvalorizou até 1/184 no reinado de Manuel I (1143-1180) .

Sob as dinastias dos Comnenos e dos Angeli, somente o imperador, sem os membros de sua família, aparecia na cunhagem, mas certos santos juntaram-se a Jesus Cristo e à Virgem Maria nos tipos das moedas, notadamente os santos militares: Jorge, Teodoro, Demetrio, Miguel e Constantino “O Grande” canonizado!

O hyperpyron sobreviveu durante o período dos Comnenos, no séc. XII, e foi também cunhado na primeira metade do séc. XIII, pelos imperadores de Nicéia , neste caso já com um grau de pureza aparentemente reduzido para 16 ou 17 quilates.

O declínio continuou durante o império restaurado, após a derrota dos governantes latinos de Constantinopla em 1261 , e a cunhagem bizantina de ouro chegou a um final inglório no último quartel do séc. XIV, já sofrendo forte concorrência, no comércio internacional, das moedas de ouro de cidades italianas. As últimas emissões mostram no anverso a Virgem Maria rezando dentro das muralhas de Constantinopla, com o imperador normalmente apoiado por Cristo ou por um Santo, no reverso .

Uma moeda de prata de boa qualidade, o “basilicon” , foi ainda emitida por Andrônico II e Miguel IX (1294-1320), mas logo descontinuada.

O “hyperpyron” sobreviveu apenas como unidade de conta, e a cunhagem bizantina se restringiu a moedas de prata (o “stavraton” e suas frações), com tipos cada vez menos elaborados , de má qualidade, circulando em paralelo com pequenas moedas de cobre , até a extinção do império, em 1453, com a conquista otomana.

No Império de Trebizonda, às margens do Mar Negro, que se separara do Império bizantino no séc. XIII, o “asper” de prata também foi se deteriorando, cessando a sua emissão em 1458, três anos antes da conquista do império pelos turcos otomanos.

Os “Bárbaros” e os Rivais e Vizinhos do Bizâncio

A partir do final do séc. III d.C., os povos germânicos nas zonas de contato com os romanos cunharam imitações de bronzes imperiais, como os de Cláudio II (268-270).No século IV foram objeto de imitação emissões constantinianas de bronze com legendas totalmente truncadas.

No século V o império romano do Ocidente foi sendo sistematicamente ocupado pelos “bárbaros”, notadamente os visigodos e ostrogodos, os vândalos, os suevos, bem como os anglos e saxões que ocuparam a Inglaterra de hoje em 441-442. Muitos desses povos cunharam inicialmente, nos territórios conquistados, principalmente moedas de ouro, imitações de tipos romanos e mais tarde bizantinos.

A atribuição de certas cunhagens a povos específicos é complexa, e os povos estabelecidos tanto na Itália como nas atuais França e Espanha parecem ter cunhado em certa quantidade imitações do solidus de Honório (393-423), muitas das quais bastante “fiéis” aos originais romanos .

Também foram imitados ao longo do séc. V, os solidi de Valentiniano III , os tremisses (1/3 de solidus) de Leo e os solidi de Zeno . No séc. VI, seriam copiados solidi bizantinos, como os de Tibério II .

Os vândalos, na África (429-453), cunharam moedas de prata com o nome dos seus reis, e também moedas de bronze com marca de valor, mas de má qualidade, como os “IIII nummi” . Na virada do séc. V para o VI, cunharam também pequenas moedas com cruz , mas em 533 o norte da África foi reconquistado por Bizâncio.

No séc. VI, os Francos da dinastia Merovíngia controlavam quase toda a Gália (França) e parte da Alemanha de hoje, após conquistarem o território dos burgondas em 534.

Inicialmente, com variações regionais, boa parte da cunhagem consistiu de imitações de moedas imperiais bizantinas. Durante a 2a metade do séc. VI, a gravura monetária se degenerou e surgiu o monograma de Cristo, nos solidi cunhados durante cerca de 40 anos com os nomes de imperadores bizantinos. Mas no início do séc. VII, estes foram substituídos pelo do monarca Merovíngio com cabeça de perfil “à romana”.

Em paralelo, no final do séc. VI e início do séc. VII houve numerosas emissões do tremissis de ouro, apenas com o nome dos moedeiros . Ao longo do século VII, a pureza do metal tendeu a se deteriorar, e no final do século começaria a cunhagem de “denarii” de prata o primeiro tipo de “denier” mas com tipos muito degenerados .

A prata substituiria quase totalmente o ouro no início do séc. VIII e a nova dinastia real franca dos carolíngios faria uma ampla reforma do “denier”, sob Pepino o Breve, a partir de 751.

Na Inglaterra anglo-saxônica, a cunhagem não começou regularmente até depois de 630, quando tremissis ingleses foram cunhados em Kent e Londres, copiando o peso e eor metálico das moedas francas contemporâneas. Iniciou-se também, como na França, a cunhagem de moedas de prata convencionalmente chamadas de “sceattas” .

Os visigodos somente produziram imitações de solidi e tremissis ( no sul da França e Espanha 418-711) até estenderem o seu controle sobre a Espanha. Nesse reino, o tremissis tornou-se a denominação mais importante, e o seu módulo tornou-se maior e mais fino.

A cunhagem real começou quando Leovigildo (568-586) colocou o seu nome nas moedas visigodas, com seu próprio busto estilizado. O busto era repetido no reverso, com o nome da oficina monetária na legenda.

Conhecem-se cerca de 50 oficinas, mas boa parte da cunhagem foi produzida em Toledo e Sevilha. Os sucessores copiaram essas moedas e as oficinas monetárias que emitiram o tremissis de ouro incluíram Mentesa (Guarda ), Coimbra, Tarragona , Egitana (Idanha a Velha ), Córdoba , Mérida e Toledo .

A aparência geral das emissões visigodas praticamente não se alterou até a conquista da Espanha pelos árabes em 711-713.

Na Inglaterra anglo-saxônica, a cunhagem não começou regularmente até depois de 630, quando tremissis ingleses foram cunhados em Kent e Londres, copiando o peso e teor metálico das moedas francas contemporâneas. Iniciou-se também, como na França, a cunhagem de moedas de prata convencionalmente chamadas de “sceattas” .

Os visigodos somente produziram imitações de solidi e tremissis ( no sul da França e Espanha 418-711) até estenderem o seu controle sobre a Espanha.

Nesse reino, o tremissis tornou-se a denominação mais importante, e o seu módulo tornou-se maior e mais fino.

A cunhagem real começou quando Leovigildo (568-586) colocou o seu nome nas moedas visigodas, com seu próprio busto estilizado. O busto era repetido no reverso, com o nome da oficina monetária na legenda.

Conhecem-se cerca de 50 oficinas, mas boa parte da cunhagem foi produzida em Toledo e Sevilha. Os sucessores copiaram essas moedas e as oficinas monetárias que emitiram o tremissis de ouro incluíram Mentesa (Guarda ), Coimbra , Tarragona , Egitana (Idanha a Velha ), Córdoba , Mérida e Toledo . A aparência geral das emissões visigodas praticamente não se alterou até a conquista da Espanha pelos árabes em 711-713.

O ostrogodo Teodorico conquistou a Itália em nome do imperador do Oriente Zeno, e a cunhagem de ouro e de prata do seu reino (493-426) foi em nome dos imperadores Anastásio (491-518) e Justino (518-527).

As principais oficinas monetárias de Teodorico e seus sucessores foram Ravena, Milão e especialmente Roma. A cunhagem de ouro tendeu a se reduzir após 526, e cunharam-se moedas de prata e de cobre com o busto e o nome do imperador bizantino no anverso, e o nome do rei ostrogodo no campo do reverso, como Atalarico (526-534) e Teodato (534-536) com Justiniano.

Dentre os reinos vizinhos, do império bizantino, o persas sassânidas foram os mais agressivos, inclusive invadindo o império em 529-532, sob Cosroes I (521-579), que como os seus antecessores cunhava, basicamente, dracmas de prata .

Em 615, os sassânidas sob Cosroes II (590-627) chegaram diante de Constantinopla mas foram repelidos por Heráclio em 622. Cosroes II manteve a cunhagem de dracmas de boa qualidade .

O último imperador sassânida Yasdegard III seria assassinado em 651 e todo o império conquistado pelos árabes. Os árabes também tomaram o Egito dos bizantinos, mas mais ao sul, o reino cristão axumita da Etiópia manteve sua independência cunhando moedas com a cruz cristã até o séc. VIII .

A partir da primeira Cruzada e da tomada de Jerusalém em 1099 por cavaleiros francos, os domínios cruzados do Oriente Médio emitiram moedas por cerca de 200 anos.

Destacam-se os deniers de prata do reino de Jerusalém e do principado da Antioquia , os “gros” de prata de Trípoli e os besantes de ouro, imitações de dinares islâmicos cunhados pelos reinos de Jerusalém e depois em Acre no séc. XIII.

Houve também emissões de bronze, como as do normando Rogério de Salerno (1112-1119) em Antioquia (40), mas boa parte das emissões cessaria após a reconquista de Jerusalém, por Saladino , em 1187.

Os latinos foram expulsos da terra firme mas continuaram cunhando no reino de Chipre e na Grécia, onde o Ducado de Atenas (43) e o Principado de Acaia, no Peloponeso cunharam “deniers” de prata do tipo do “denier tournois” francês.

No contexto das cruzadas e das rivalidades dinásticas de várias regiões antes controladas mais firmemente pelo califado de Bagdá, a Armênia e a Georgia alcançaram certo grau de autonomia.

O reino cristão da “Pequena Armênia” na Cilícia, (no sul da Turquia de hoje) cunhou moedas de 1080 até a derrota definitiva para os turcos em 1375, tais como os trams de prata de Levon I (1196-1219).

A rainha Rasudan (1223-1245) da Geórgia cunhou moedas com legendas em georgiano e em árabe .

Os latinos foram expulsos da terra firme mas continuaram cunhando no reino de Chipre e na Grécia, onde o Ducado de Atenas e o Principado de Acaia, no Peloponeso cunharam “deniers” de prata do tipo do “denier tournois” francês.

No contexto das cruzadas e das rivalidades dinásticas de várias regiões antes controladas mais firmemente pelo califado de Bagdá, a Armênia e a Georgia alcançaram certo grau de autonomia.

O reino cristão da “Pequena Armênia” na Cilícia, (no sul da Turquia de hoje) cunhou moedas de 1080 até a derrota definitiva para os turcos em 1375, tais como os trams de prata de Levon I (1196-1219). A rainha Rasudan (1223-1245) da Geórgia cunhou moedas com legendas em georgiano e em árabe.

Quanto aos principados russos, somente no séc. XV seria sacudido o jugo da “orda dourada” mongol. O estado de Pskov , e depois o recém-criado Grão ducado de Moscou, emitiram dengas de prata ao longo do século.

Anteriormente, entre os sécs. XI e XIV, barras de prata tinham servido como o principal meio de troca nos principados russos.

768-814 Carlos Magno, rei dos Francos; anexa o reino lombardo da Itália (774) e a Germânia (Alemanha) até o rio Elba; coroado imperador do Ocidente pelo Papa (800).

Sécs. IX-X Freqüentes incursões Vikings na Europa ocidental até a Itália; expansão da ordem monástica de Cluny; Califado de Córdoba na Espanha (912).

Séc. X Após Vitória sobre os Húngaros (955), coroação de Oto I como imperador do Sacro Império Romano Germânico (962).

c. 950-1000 Cristianização da Boêmia, Hungria e Polônia; o estilo românico (séc. XI).

c. 1019-1066 Cnut, “o Grande”, rei da Dinamarca, da Inglaterra (1019-1035) e conquista da Inglaterra por Guilherme, duque da Normandia (1066).

Séc XI Normandos no sul da Itália (1047); Querela das Investiduras (1076-1122).

1086-1114 Os Almorávidas na Espanha; avanço até Barcelona, 1ª Cruzada: os Francos tomam Jerusalém (1099).

1128-1195 Portugal independente (1128); invasão dos Almôadas (1147).

c. 1130-1150 Rogério II, rei normando da Sicília; crescimento do comércio veneziano com Bizâncio; início da arquitetura gótica.

c. 1150 Intensificação da colonização germânica a leste do rio Elba.

1156-1177 Disputas entre o Papado e o imperador germânico.

1190-1191 3ª Cruzada motivada pela perda de Jerusalém em 1187; conquista de Chipre e de Acre.

1199–1216 Morte de Ricardo Coração de Leão; João Sem Terra na Inglaterra e Irlanda; perda da Normandia; a Magna Carta (1215) reconhece os direitos dos senhores ingleses.

Sécs. XII-XIII Expansão dos Cistercienses e das comunas em cidades da Itália e da França; primeiras universidades.

1204 Latinos tomam Constantinopla; fortalecimento político e econômico de Veneza e rivalidade com Pisa e Gênova.

1211-1250 Frederico II imperador germânico e rei da Sicília.

1212 Derrota dos Almôadas; até o fim do séc. XIII, grandes progressos da “Reconquista”.

1214-1270 Fortalecimento da monarquia francesa sob Filipe Augusto, Luís VIII e principalmente Luís IX (1226-1270), São Luís; insucesso das Cruzadas de S. Luís.

c. 1225 Ordem dos Cavaleiros Teutônicos; regime dos podestades nas comunas italianas; expansão do comércio e das manufaturas italianas.

1266-1285 Conquista e perda da Sicília pelos Anjou; Sicília parte do reino de Aragão; a dinastia de Anjou em Nápoles.

c. 1280-1300 Apogeu das feiras de Champagne; surgimento de casas bancárias italianas; formação da Confederação Helvética (1291).

1309 O Papado em Avignon, com queda de prestígio dos papas; origem do Grande Cisma (1378).
.
Sécs. XIV-XV Apogeu das cidades flamengas de Bruges e Gand, centros manufatureiros, comerciais e artísticos; supremacia econômica de Florença, Gênova e
Veneza e fortalecimento político de Milão; extensão das letras de câmbio e das atividades bancárias internacionais; apogeu da Hansa, (séc. XV).

1333-1370 Casimiro, “o Grande", na Polônia; vitória de Jagelão da Lituânia, rei da Polônia (1386), sobre os Cavaleiros Teutônicos em Tannenberg (1410).

1337-1453 Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra.

1347-1351 A “Peste Negra” na Europa, que perde cerca de um terço de sua população.

1310-1419 Dinastia dos Luxemburgo na Boêmia; Carlos IV rei e imperador germânico; a Bula de Ouro (1356): eleição dos imperadores germânicos por sete eleitores.

1385 D. João I funda a dinastia de Avis em Portugal.

1414-1418 Concílio de Constança e morte de Jan Huss (1415); depois seguido pelo Concílio de Basiléia (1431-1443).

1453 Fim da Guerra de Cem Anos e queda de Constantinopla.

EVENTOS MONETÁRIOS

794 Reforma monetária de Carlos Magno (794) : os “novi denarii” ou "deniers" de prata, base do sistema monetário carolíngio até o séc. X; imitados em quase toda a Europa; no séc. IX, apenas os domínios de Bizâncio e os principados lombardos no sul da Itália cunham ouro na Europa Ocidental, além dos califas de Córdoba.

Séc.IX Na Inglaterra, “stycas” de bronze no reino da Nortúmbria (até 867) e "penny" (denier) de prata, dos Vikings dinamarqueses de York.

Sécs. X-XI Imitações Vikings dos deniers carolíngios; sob Aethelred II (978-1016) e Cnut (1019-1035) "pennies" de boa qualidade; “denars” otonianos de prata na Alemanha e na Itália (Pavia); na França e no Sacro Império, concessão do direito de cunhar moeda a abadias e certos senhores.

Sécs. X-XI Denars de prata na Boêmia e na Hungria; “wendenpfennigs” na Polônia.

Séc. XI Generalização das emissões feudais na França e na Alemanha; Guilherme, “o Conquistador” (1066-1087): monopólio de emissão do rei e penny "sterling", o "esterlino", fartamente imitado no continente europeu.

Sécs. XII-XIII Enfraquecimento generalizado do teor de prata dos deniers (com exceções como a do penny inglês); na Alemanha, extensas cunhagens de pfennigs, “bracteatas” de prata; além do denar; em 1223, em Osnabruck, uma pele de ovelha vale 2 denars.

Sécs. XII-XIII Moeda divisionária dos reinos ibéricos: dinheiro de bilhão; “morabitinos” de ouro de Portugal e Castela para concorrer com os dinars islâmicos.

Séc. XIII O “grosso denaro” de Veneza equivalente a 24 denaros; várias cidades italianas seguem o exemplo; na Alemanha, em Hamburgo, 1 kg de manteiga custa 4,5 pfennigs, e 20 ovos, 1,3 pfennigs; em 1235, um porco custa 60 pfennigs e uma ovelha 54.

c. 1251-1252 Em Florença e Gênova, respectivamente, florim e genovino de ouro; florim imitado em toda a Europa de Aragão a Lubeck; Veneza introduz o ducado de ouro (1280-1290), moeda internacional; em Florença, em 1286-1288 artesãos ganham até 5 soldi (grossos) por dia; um trabalhador manual, 2 soldos e 4 denari; um florim de ouro vale 36 soldi ou mais de sete dias de trabalho dos primeiros.

c. 1266 "Gros tournois” de Luís IX da França equivalente a 12 deniers; imitado em Flandres e no centro da Europa - "groschen" de Praga e depois de Meissen na Saxônia.

c. 1270-1310 “Salutos” da dinastia de Anjou na Sicília e em Nápoles e taris de prata pelos Aragoneses na Sicília; em Nápoles, o " gigliato" de prata dos Anjou no reino de Nápoles.

Séc. XIV Na Itália, a cunhagem de ouro estende-se a Milão; em 1315, os banqueiros Peruzzi pagaram 30 florins de ouro por um cavalo; na Inglaterra, entre 1311 e 1340, o salário diário de um carpinteiro era de cerca de 3 pennies.

c. 1337-1380 Na França, introdução do franco de ouro; “groat”, equivalente a 4 pennies na Inglaterra, e pouco depois o “noble” de ouro.

c. 1340–1380 Nos Países Baixos, cunhagens de ouro semelhantes aos écus franceses e de gros e esterlinos de prata.

c. 1340-1380 Na Europa central, cunhagem do florim de ouro dos reis da Hungria e de ducados de ouro da Boêmia, além do “groschen” de Praga.

c. 1350-1380 Na Península Ibérica, real de Castela e de Portugal, aumenta a cunhagem de ouro; salário diário na produção de telhas em Évora (1380): homens, 7 soldos de 12 dinheiros; mulheres, 3 soldos.

c. 1380-1420 Enfraquecimento da moeda de prata francesa; écus (escudos) e “agnelos” de ouro de elevada pureza; a cunhagem inglesa mantém a qualidade.

c. 1400-1450 Várias cidades alemãs cunham o “gulden” (florim) de ouro e o “groschen” de prata, além de moedas de bilhão (com baixo teor de prata).

c. 1420-1453 Na França, tentativas de cunhagem de prata de melhor qualidade sob Carlos VII (1422-1461), e manutençao do écu de ouro de elevada pureza;

c. 1436 um trabalhador ganha 3 blancs de prata/dia ; Inglaterra mantém a emissão regular do groat e do penny: o salário diário de um carpinteiro é de 5 pennies entre 1430 e 1450; em Antuérpia, é de 4,5 a 8 gros na década de 1430.

c. 1420-1460 Na Itália, nos primórdios do Renascimento, várias cidades emitem grossos de prata de qualidade e Florença, Gênova e Veneza mantêm a sua cunhagem de ouro inalterada.

c. 1438-1460 Em Portugal, D. Afonso V (1438-1481) emite cruzados de ouro baseados no ducado veneziano, e introduz o “ceitil”, moeda de cobre puro; nos reinos de Castela e Aragão, em paralelo à cunhagem de ouro e de prata, a cunhagem de bilhão tende para o cobre puro.

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