A Europa Medieval, c. 800 -1460
A Era do “Denier”, c. 800 - 1270
Em 751, o “Prefeito do Palácio” Pepino o Breve depôs o último Merovíngio tomando o seu lugar. Foi sucedido por Carlos Magno (768-814) que anexou o reino lombardo da Itália (774) e a Germânia (Alemanha) até o Elba, sendo coroado Imperador do Ocidente pelo Papa Leão III em 800.
Já no final do séc. VII, a prata vinha substituindo o ouro tanto na Inglaterra como nas terras dos francos (França e Alemanha) como o principal metal para fins monetários. Esse processo se completaria com a conquista do reino Lombardo por Carlos Magno, que resultou, a partir de 781, na interrupção da cunhagem de ouro lombarda, já muito enfraquecida no seu teor metálico.
Em paralelo, na Inglaterra, foi introduzindo o “penny largo”, de prata “sterling”, quase pura, ou esterlino.
Assim, no final do século VIII, na Europa Ocidental, somente ainda cunhavam ouro os bizantinos na Sicília e os príncipes lombardos de Benevento (no sul da Itália hoje).
Carlos Magno introduziu em 794 os “novi denarii”, novos “deniers” de 1,7g de prata, na relação de 240 deniers com uma libra peso de 403,2g. A moeda franca manteria esse padrão durante todo o séc IX, e a relação de 1 libra dividida em 20 sous e 12 deniers passou a ser adotada para a moeda de conta e mais tarde para emissão de moedas nesses valores.
Na Inglaterra o sistema de 1 Libra = 20 Shillings = 240 Pennies sobreviveria até 1968! Luís “o Piedoso”, filho de Carlos Magno, introduziu a cunhagem do denier da religião cristã (Christiania Religio), que continuou a ser cunhado após a sua morte . Seu sucessor, Carlos “o Calvo” (840-877) fez reviver o monograma “Karolus” de Carlos Magno nos seus deniers (3,4) e cunhou também ½ deniers ou “óbulos” com a prata das minas de Melle.
Na Inglaterra, no séc. IX, disputada pelos Anglo-saxões e pelos Vikings, cunharam-se, no reino da Nortúmbria, “stycas” de bronze tanto em nome do rei como de autoridades eclesiásticas , que cessaram em 867 com a invasão escandinava, mas os reis Vikings dinamarqueses de York cunharam “pennies” de prata de boa qualidade .
No final do séc IX, Eudes, Conde de Paris, foi temporariamente rei dos francos (888- 898) e cunhou deniers em várias oficinas . O poder voltou para a dinastia Carolíngia, mas esta cessou de reinar em boa parte das terras da Alemanha de hoje em 911, e os grandes senhores se reservaram o direito de eleger o imperador do Sacro Império Romano Germânico.
Enquanto o reino da Borgonha manteve por um tempo sua independência com emissões próprias , e os carolíngios continuavam suas emissões no atual território francês, os novos imperadores germânicos da dinastia Otoniana passaram a cunhar em diversas oficinas, na Alemanha .
Na Dinamarca, os vikings copiaram os deniers carolíngios sob Harald “do Dente Azul” (940-985) e na Inglaterra o anglo-saxão Aethereld II (978-1016) conseguiu a unificação do reino e manteve a emissão do penny de prata de boa qualidade .
Essas emissões foram copiadas na Irlanda pelos vikings que disputavam a região com os Celtas irlandeses na virada do século.
No continente, no final do séc. IX, com o enfraquecimento gradual do poder real, os carolíngios concederam o direito de cunhar moeda a certas abadias e logo diversos senhores feudais leigos se apropriaram dessa prerrogativa.
Nas terras do império, autoridades eclesiásticas também passaram a cunhar moeda a partir do séc. X, e principalmente no séc. XI (20,21), enquanto o imperador Conrado o Sálico (1027- 1039), rei da Itália a partir de 1026, tinha uma importante oficina monetária em Pavia.
No norte e no centro da Itália de hoje, a cunhagem permaneceria um monopólio dos imperadores germânicos até o séc. XII, quando foi concedido a Genova, em 1138, o direito de cunhagem.
No Leste da Europa, no séc. XI, o ducado da Boêmia emitiu “denars” de prata de boa qualidade . Na Polônia, circularam amplamente os “Wendenpfennig” , cunhagem episcopal anônima, com cruz nas duas faces, talvez cunhadas na Saxônia.
Com a morte de Aethelred, a Inglaterra caiu sob o domínio do rei dinamarquês (Cnut (1016-1035). Durante esse reino, em que houve abundantes emissões de penny de prata , era comum cortar ao meio essas moedas para que as metades circulassem como ½ penny .
Depois de um breve interlúdio de governo anglo-saxão, a Inglaterra foi invadida pelo duque da Normandia, Guilherme o Conquistador, que tornou-se rei (1066- 1087) fundando uma nova dinastia que manteve o penny como unidade monetária básica, com seu elevado teor metálico preservado durante séculos, assim como omonopólio da cunhagem para o poder real. Esse penny de prata “sterling” seria imitado nos Países Baixos e na Alemanha com a apelação de “esterlin” ou esterlino.
Os Normandos também fizeram incursões no sul da Europa, dominando inicialmente o sul da Itália e logo a Sicília entre o final do séc. XI e 1194. Nessas regiões, cunharam moedas de bronze semelhantes aos Follis bizantinos , e depois já no século XII, denominações próprias como o trifollaro , além de adaptações das cunhagens islâmicas de ouro, muitas vezes incluindo legendas em árabe.
No início do séc. XII, quando os reinos espanhóis cristãos
do norte iam tentando a Reconquista, as emissões de “dineros”
de bilhão “no modelo francês” contrastam com a cunhagem
de ouro e prata de elevado teor metálico das regiões sob controle
islâmico .
Começaram também as emissões de Portugal independente
sob D. Afonso Henriques (1128-1185) que cunhou o “dinheiro” de
bilhão .
Na França, a dinastia real dos Capetos (fundada em 987) controlava efetivamente somente parte do território, mantendo a emissão de deniers de prata já algo enfraquecida sob Luis VI (1108-1137), Luis VII (1137-1180), cunhados em diversas oficinas monetárias e que sofreriam um contínuo declínio de qualidade. Destacam-se durante o séc. XII e XIII as emissões de deniers feudais franceses de diversos ducados e condados e de autoridades episcopais .
Possivelmente uma centena de localidades diferentes cunharam moedas nos sécs. X-XII nos atuais territórios tanto da França como da Alemanha, com circulação muitas vezes restrita aos territórios das autoridades emissoras.
Com a retomada do comércio de longa distância e o aumento da população, o conseqüente aumento da demanda por moeda e uma certa escassez de oferta do metal, o enfraquecimento tanto do peso como do teor metálico do “denier” tende a generalizar-se por quase toda a Europa no séc. XII.
Existem exceções como a do penny inglês, cunhado tanto pelo poder real na Inglaterra, como na Irlanda sob domínio inglês .
Na Alemanha, no entanto, cunharam-se além dos deniers ou pfennigs com tipos nas duas faces, um novo tipo de “pfennig” com módulo maior e às vezes quase tão fino quanto uma folha de papel, com tipos variados e muitas vezes muito atraentes.
Essas “bracteatas”, eram unifaciais e cunhadas com um só cunho.
No final do séc. XII e início do séc. XIII, para concorrer com as moedas islâmicas, os reinos de Castela e de Portugal cunharam “morabitinos” de ouro , que ainda eram uma exceção numa Europa dominada pelo denier de prata. Mas em Portugal a moeda divisionária de uso corrente continuaria sendo o dinheiro de bilhão como, na França atual, o denier de prata feudal (47,50) e real , este, já de bilhão sob Filipe II Augusto (1180-1263).
O século XIII marca duas mudanças muito importantes na história monetária européia: a emissão de moedas de prata maiores e mais pesadas, múltiplos dos “deniers”, e a volta da cunhagem de ouro na Itália e ao norte dos Pirineus e dos Alpes. Veneza cunhou pioneiramente, talvez já em 1202, o “grosso denaro” ou “grosso matapan” equivalente a 24 denaros locais. Outras cidades italianas e do Tirol cunhariam “grossos” ao longo do século, além da moeda divisionária mais tradicional , o denaro ou denominações locais semelhantes.
Na Alemanha, perdurou em várias regiões a cunhagem de bracteatas , também temporariamente adotada no reino da Hungria , enquanto na Inglaterra e na Escócia , manteve-se a emissão do penny de prata de elevada pureza.
Já na Península Ibérica, tanto em Portugal como na Espanha continuou a predominar a moeda divisionária de bilhão.
A partir de meados do séc. XIII, a grande transformação foi a retomada da emissão regular de moedas de ouro na Itália, em 1251 ou 1252, tanto em Florença, com o “florim” de ouro puro (3,54g), como em Genova, com o “Genovino” , que seriam seguidos pelo ducado ou “zecchino” veneziano no final do século. (O florim seria amplamente imitado na Europa toda, de Aragão, passando por cidades do Reno, até Lubeck no Báltico).
Outra mudança importante foi a cunhagem na França por Luis IX (1226-1270), São Luis, de um “gros” de 12 “deniers tournois”, “grosso tornês” , de módulo bem maior (25mm) e com o dobro do peso do “Grosso” italiano, que seria também amplamente imitado através da Europa. São Luis também emitiu um “Écu” (escudo) de ouro extremamente raro.
Mas a cunhagem de ouro somente teria maior importância na França a partir do séc. XIV.
Em paralelo a essas mudanças, a dinastia francesa de Anjou cunhou no Reino de Nápoles e Sicília, e depois somente em Nápoles, o “salut” ou “saluto” (saudação) de prata , e depois o “gigliato” , tipo de “gros” de prata que seria fartamente imitado no Mediterrâneo oriental.
Na Europa Central, a partir do último quartel do séc. XIII, começou a consagrar-se como “moeda internacional” o gros ou groschen de prata da Boêmia (72), cunhado com o metal das ricas minas de Kutna Hora.
Outras regiões mantiveram a cunhagem do denier, como o bispado de Lausanne (hoje na Suíça) e do esterlino, como os duques de Brabante nos Países Baixos . Na década de 1290, talvez 90 milhões de esterlinos tenham sido emitidos no continente, em contraste com os 9 milhões de pennies “sterling” cunhados na Inglaterra.
Em contraste, em certas regiões, diante da insuficiência da oferta de moedas de baixa denominação, é possível que a troca de bens por outros bens tenha continuado a prevalecer em pequenas comunidades pouco monetarizadas.
A Era do Gros e a Volta do Ouro, c. 1270-1460.
No século XIV, no reino da França Filipe “o Belo” (1285-1314) continuou a cunhagem do gros de prata de boa qualidade e ensaiou uma cunhagem de ouro. Em várias regiões européias observam-se, no entanto, tendências contrastantes.
Enquanto na Inglaterra o penny e suas subdivisões mantinham seu elevado teor metálico, na Dinamarca o penning “de bilhão” na realidade era de cobre . Os senhores feudais franceses continuaram cunhando deniers de prata de qualidade variável, como os duques independentes da Bretanha , e na atual Alemanha, além do denier mais tradicional surge o “heller”, dito “da mão”, inicialmente em Hall na Suábia , mas depois amplamente imitado por outras localidades.
Os reinos de Castela e Leão e os reis de Aragão nas suas terras e no Condado de Barcelona continuam a emitir bilhão, mesmo depois dos grandes progressos da Reconquista no século anterior.
Mas, na Itália de hoje, além da extensão da cunhagem
do “grosso” por autoridades eclesiásticas ou cidades importantes
como Genova
Milão também passa a emitir peças de ouro mais regularmente
. Veneza introduz uma nova denominação divisionária de
prata de boa qualidade, o soldino , que contrasta com o denaro de bilhão
de péssima qualidade emitido pelo “Senado” romano em detrimento
da autoridade papal , enquanto os governantes de Savóia ainda emitem
deniers com algum teor de prata, notadamente para circulação
em Genebra . Mais ao sul, a dinastia de Anjou manteve a cunhagem do “gigliato”
em Nápoles e os reis aragoneses da Sicília, que sucederam os
Anjou no controle da ilha, cunharam “taris” de prata de elevado
teor metálico do séc. XIV ao séc. XV.
Na França, com o avanço do poder real, a cunhagem tornou-se mais centralizada e cessaram gradualmente boa parte das emissões feudais, mas em regiões mais autônomas como Flandres os condes emitiram “gros” próprios de boa qualidade .
No séc. XIV, boa parte do território francês foi envolvido pela “Guerra de Cem Anos” com a Inglaterra cujos reis postulavam a sucessão do trono francês. Na Inglaterra emitiu-se uma grande moeda de ouro, o Noble , e suas divisões, além de “groats” de prata de boa qualidade e equivalentes a 4 pennies , cunhados a partir de 1351 à semelhança do “gros” francês de S. Luís.
No ducado de Aquitânia, ocupado por tropas inglesas, Eduardo “o Príncipe Negro”, (1355-1375) emitiu diversas moedas de uso local .
O reino francês, já antes do início da guerra, vinha reduzindo o teor de prata de suas moedas introduzindo novas denominações , com freqüentes retiradas de moedas de circulação e recunhagens “retarifadas”.
Consolida-se, então, a distinção entre o curso ou cotação oficial das moedas e a cotação comercial (que depende do real peso e teor metálico das peças). Nos séculos XIV e XV consolidar-se-ia também, entre os comerciantes e banqueiros italianos, o uso da “letra de câmbio” que permitia pagamentos importantes a distância, sem envolver grandes deslocamentos de moedas metálicas.
Paradoxalmente, durante a Guerra de Cem Anos a França emitiu moedas de ouro de grande qualidade. À emissão do écu (escudo) de ouro em 1351 segue-se a do primeiro “franco” (cujo significado é “livre”), ou “franco a cavalo”, em 1360 cunhado no contexto da libertação de João II “o Bom” capturado em 1356 pelos ingleses. Seu sucessor Carlos V (1361-1380) cunhou francos de ouro “de pé” , que seriam sucedidos pela emissão regular de “écus” (escudos) de ouro e agnelos sob Carlos VI (1380-1422).
Nos Países Baixos, o condado de Flandres introduziu uma bela cunhagem de ouro , além de manter a emissão do gros de prata, também cunhado no ducado de Luxemburgo, enquanto os Duques de Brabante continuaram a emissão de esterlinos de prata.
Na Europa Central, os reis da Hungria emitiram florins de ouro de boa qualidade , e na Boêmia, cujo rei Carlos IV era também imperador do Sacro Império (1346-1378), emitiram-se ducados de ouro, além dos tradicionais groschen de prata que foram amplamente imitados na Alemanha, notadamente na Saxônia . Em comparação, a emissão dos pfennigs de prata do Ducado da Áustria parece muito acanhada.
No final do séc. XIV e início do século XV, na Itália, Veneza emitiu ducados de ouro em quantidade, que substituírem definitivamente a cunhagem bizantina de ouro e parte da cunhagem islâmica no Mediterrâneo Oriental e foram amplamente imitados nessa região. Milão e Florença emitiram “grossos” de elevado teor de prata, mas outras cidades apelaram crescentemente para emissões de bilhão .
Ao longo do século XIV, o “gros” também penetrara na Península Ibérica, inspirando os“croat” da Barcelona e de Aragão, mas principalmente o “real” de prata de Castela. Em Portugal, em seqüência à cunhagem tradicional de dinheiros de bilhão dos seus antecessores , D. Fernando I (1367-1383) emitiu farta cunhagem de ouro com elevado valor estético , além de um real de prata de teor elevado e de interessante “barbuda” de bilhão.
A primeira metade do séc. XV é marcada pela última fase da Guerra de Cem Anos. Os reis ingleses emitiram moedas na França na qualidade de regentes ou pretendentes , aproveitando-se das guerras civis entre Borgonhões e Armagnacs e da loucura de Carlos VI. Mas graças a Joana d´Arc, Carlos VII (1422-1461) foi coroado em Reims e pouco a pouco recuperou todo o território francês ocupado pelos ingleses, com exceção de Calais onde continuou funcionando uma oficina monetária inglesa..
Carlos VII retomou emissões de prata de qualidade , mas a tendência foi de redução do teor de prata das emissões. O seu sucessor Luis XI (1461-1483) reincorporaria a Borgonha ao reino, e retomaria a emissão regular de “écus” de ouro .
Na periferia do reino francês, nos Países Baixos, o Brabante emite o “leão de ouro” e Luxemburgo mantêm a cunhagem do gros de prata na primeira metade do século.
Na Escandinávia, mais integrada ao resto da Europa, Cristiano I rei da Dinamarca (1448-1481) e depois também da Noruega e da Suécia, cunhou moedas de prata, incluindo os pequenos Hvid .
Na atual Alemanha, no séc. XV existiram emissões de florins de ouro em numerosas cidades , e de groschen de prata, enquanto os cantões suíços cunharam peças de denominações variadas . Na Prússia oriental, os cavaleiros teutônicos emitiram schillings de bilhão com teor de prata decrescente .
Na Itália, já nos primórdios do Renascimento, houve a emissão de grossos de prata de boa qualidade e de moedas divisionárias , algumas com teor de prata em declínio, mas as cunhagens de ouro de Florença , Veneza e Genova mantiveram o seu elevado grau de pureza. Já na Península Ibérica, em Castela e Leão, a cunhagem de bilhão tendeu para o cobre puro .
Em Portugal, a partir de D. João I (1385-1433) ocorreram emissões de prata e de bilhão de qualidade variável, e Afonso V (1438-1481) emitiu cruzados de ouro , baseados no ducado Veneziano. Após 1470, teve início uma nova fase na cunhagem européia, com a difusão dos “testones” de prata e de moedas de prata de grandes dimensões, que teriam início com o “guldiner” do Arquiduque do Tirol de 1486.
O Mundo Islâmico, Sécs. VII -XV
EVENTOS HISTÓRICOS
632-661 Primeiros quatro califas, sucessores políticos de Maomé;
633-698 Conquista do Iraque, da Síria, da Mesopotâmia, do Egito, da Pérsia, do norte da África e do Kurasan.
661-750 Califado Omíada, com capital em Damasco.
710-712 Conquista de grande parte da Península Ibérica.
750-1258 Califado Abássida; Bagdá, no Iraque, capital.
756-1031 Emirado e depois califado omíada na Península Ibérica.
788-1258 Os Samanidas na Transoxiana, os Buíidas no Irã e na Mesopotâmia e depois os Gaznavidas no Afeganistão virtualmente independentes.
808-909 Aglábidas, governadores e depois monarcas do norte da África, também independentes.
909-1171 Dinastia Fatímida do Egito; criação de um califado xiita.
1016-1090 Desunião política na Península Ibérica e reinos de “Taifas”.
1055 Seldjúcidas em Bagdá exercem tutela sobre o califa; sultanato seldjúcida de Rum na Ásia Menor (c. 1081-1307).
Sécs. XI-XII Na Mesopotâmia e na Síria, dinastias turcomanas independentes.
1090-1235 Os Almorávidas e depois os Almôadas reunificam os domínios islâmicos na Península Ibérica.
1169-1250 Dinastia Aíubida no Egito: Saladino retoma Jerusalém (1187).
1206-1227 Gêngis Khan; Mongóis conquistam a Pérsia em 1231.
1258 Tomada de Bagdá pelos mongóis: execução do último califa abássida; dinastia mongol “ilcânida” no Irã e no Iraque (1256-1357).
1250-1517 O Estado mameluco sucede os Aíubidas no Egito.
Séc. XIII Os Otomanos instalam-se na Ásia Menor ocidental.
Séc. XIV Os Otomanos reduzem a Sérvia a estado vassalo (1388).
1402 Os Otomanos esmagados por Tamerlão que funda a nova dinastia mongol dos Timúridas (sécs. XIV-XVI) no Irã e na Ásia central.
1444 Batalha de Varna completa a submissão dos Bálcãs aos Otomanos.
1453 Os Otomanos conquistam Constantinopla; fim do Império Bizantino.
1492 Queda do Reino de Granada na Península Ibérica
Séc. VII Cunhagens “árabo-bizantinas” e “árabo-sassânidas” imitando peças bizantinas e sassânidas, sob a dinastia amíada.
696-697 Reforma Monetária de Abd al Malik: introdução do dinar de ouro de 4,25g e do dirham de prata de 2,8 a 2,9g, e do fals de cobre. As emissões anteriores são recolhidas para recunhagem; durante séculos somente constam inscrições das moedas islâmicas, sem qualquer imagem.
750 Dinastia Abássida mantém cunhagem do dinar, do dirham de prata e do fals; nome de autoridades emissoras aparece nas moedas.
755-912 Os Emires Omíadas da Península Ibérica emitem dirhams e dinars do tipo míada, com indicação de “al-Andalus”.
Séc. IX Emissão de moedas islâmicas em numerosas oficinas, do norte da África à Ásia Central.
Séc. IX No Norte da África, emissões dos Aglábidas e no Egito dos Tulunidas e dos Ikhshididas.
912-1031 Período final do Califado de Córdoba; emissões com tipos mais locais.
909-1171 Abundantes emissões de ouro dos Fatímidas no Egito e na Síria.
950-1050 Diminuição do teor metálico dos dirhams do Oriente Médio: “fome de prata”.
c. 1100-1240 Emissões figurativas dos Turcomanos, em bronze, baseadas em modelos gregos, romanos e bizantinos.
c. 1090-1235 Almorávidas e Almôadas cunham no norte da África e na Espanha dinars de boa qualidade, qirats de prata, e pequenos dirhams de prata quadrados.
Séc. XII-XIII Abundantes emissões de prata de boa qualidade dos Seldjúcidas de Rum, na Anatólia.
Séc. XIII Raras emissões em nome de Gêngis Khan.
Séc. XIV-XV Emissões de ouro dos Marinidas e Hafsidas do norte da África.
Séc. XIV-XV Abundante cunhagem de tankas de prata pelos Timúridas.
Séc. XIV-XV Primeiras emissões de akches de prata otomanos e do altun de ouro após a tomada de Constantinopla; fim das cunhagens islâmicas na Península Ibérica c.1492.
O Mundo Islâmico, Sécs. VII-XV
A Cunhagem Islâmica no Oriente Médio, na Ásia Central, no Norte da África e na Península Ibérica, Sécs. VII-XV.
Entre a morte de Maomé em 632 e cerca de 750, exércitos islâmicos conquistaram domínios que se estendiam da Península Ibérica e do norte da África até a Ásia central e a fronteira da Índia, incluindo o Egito, a Arábia, grande parte do Oriente Médio e da Pérsia e do Afeganistão.
Durante o primeiro meio século de conquistas, ocorreram poucas mudanças na cunhagem dos territórios ocupados. Nas regiões do antigo Império Persa, os governadores árabes limitaram-se a adicionar pequenas alterações nas legendas às dracmas sassânidas, há séculos em circulação , como também fariam no Tabaristão, no séc. VIII .
Na Síria e no Egito continuaram sendo utilizados os “solidi” bizantinos de ouro, que seriam objeto de imitações árabes somente no final do séc. VII. Foram, igualmente cunhadas, na mesma época, moedas de cobre sem a eliminação dos tipos cristãos do follis bizantino (fals – plural fulus), às vezes apenas com o acréscimo do nome da oficina monetária em árabe .
A dinastia omíada, de origem síria, a primeira de califas islâmicos, foi estabelecida em 661 d.C., mas uma reforma ampla somente seria implantada por Abd al-Malik (686- 705) em 696 e 697.
O novo sistema monetário incluiu o “dinar” de ouro de 4,25g , com peso ligeiramente inferior ao do solidus, o “dirham” de prata de 2,8 ou 2,9g , e o “fals”, uma pequena peça de cobre . As moedas “árabo-bizantinas” e “árabosassânidas” foram recolhidas para recunhagem.
A adoção inicial da figura do califa de pé foi abandonada por ser contra a ortodoxia, apesar do Alcorão não proibir formalmente a arte representativa de seres vivos. Durante séculos, somente inscrições constariam das moedas islâmicas, normalmente de caráter religioso, além da indicação da casa da moeda e da data por extenso.
O nome das autoridades emissoras só apareceria mais tarde, no séc. VIII. A escrita cúfica (relacionada a Kufa, no Irã), a caligrafia árabe inicial, permitia uma ornamentação muito decorativa.
Seria, mais tarde, substituída pela escrita cursiva, a partir dos sécs. XII e XIII. A partir do séc. IX, o dinar islâmico tornou-se a moeda comercial “por excelência” do Oriente Médio Mediterrâneo em competição com o solidus bizantino.
Em 750 teve início a dinastia abássida (750-1258), uma linhagem da Pérsia que introduziu a cultura persa nos demais domínios islâmicos, iniciando uma época de grande esplendor e prosperidade. Abriram-se novas rotas comerciais, intensificaram-se a produção e o consumo de artigos de luxo e o conhecimento científico foi desenvolvido em paralelo a notáveis realizações artísticas e arquitetônicas.
O califa al-Mansur (754-75) fundou Bagdá. Harun al-Rashid (786-809), em cujo reinado foram compostos os contos das “Mil e Uma Noites”, chegou inclusive a enviar uma embaixada com presentes para Carlos Magno.
A partir de seu período de governo, o nome do califa, e às vezes o do grão-vizir ou o do herdeiro do trono, passaram a constar das inscrições nas moedas. Al-Mutawakkil (847-861) construiu os grandes palácios e mesquitas de Samarra, para onde a capital do califado foi temporariamente transferida. Numerosas oficinas cunharam os dinares e dirhams abássidas.
Gradualmente, porém, o poder do califa foi sendo desgastado pelo surgimento de dinastias rivais com diferentes graus de dependência em relação ao governo central.
Entre estas destacam-se inicialmente os aglábidas, governadores do norte da África (808-909), grandes construtores que desenvolveram Kairuan e que, com o tempo, tornaram-se totalmente independentes; no Egito, no séc. IX, destacaram-se os tulunidas, e depois os fatímidas (909-1171), dinastia xiita, com monarcas que se autodenominaram califas, e não reconheciam a autoridade do califa sunita de Bagdá.
O Cairo, capital fatímida, logo distinguiu-se por seus artigos de arte de luxo, incluindo cristal de rocha trabalhado, cerâmicas e têxteis de alta qualidade. No sul da Arábia, no séc. X, os rassidas emitiram dinars, dirhams e uma pequena fração de prata estritamente local, o sudaysi .
Nas regiões orientais, os samânidas na Transoxiana, os buíidas no Irã e na Mesopotâmia e depois os gaznavidas no atual Afeganistão, também tornaram-se, de fato, ainda que não nominalmente, independentes do califado de Bagdá, exercendo sucessivamente, do séc. IX ao séc. XI, verdadeiros protetorados sobre a Pérsia e a Mesopotâmia.
Essas dinastias preservaram a cunhagem de dinars e dirhams do tipo tradicional , mas também emitiram um múltiplo de dirham de prata . Os Vikings mantiveram um ativo comércio por vias terrestres e fluviais com os domínios islâmicos e estima-se que, no séc.X, talvez cerca de 100 milhões de dirhams samânidas tenham sido exportados da Ásia Central para a Rússia e o Báltico. Para os Vikings, essas moedas valiam pelo seu peso e muitas vezes eram recortadas em peças menores.
A partir do séc. IX, diversas tribos do centro da Ásia penetraram gradualmente nos domínios abássidas, inicialmente como mercenários ou guarda-costas do califa, mas assumindo aos poucos posições de destaque na administração e no exército.
Em 1039, Togrul Beg, turco seldjúcida, declarou-se independente dos gaznavidas, conquistou o Irã e tomou Bagdá em 1055, colocando o califa sob sua tutela. A dinastia dos Grãoseldjúcidas duraria até o final do séc. XII .
A partir do séc. XII, na Mesopotâmia e na Síria, várias dinastias turcomanas emitiram moedas de cobre com a representação de imagens baseadas em moedas gregas, romanas e bizantinas, entre as quais os Artuquidas de Mardin , os Zangidas de Mossul e Sinjar e os Lulúidas de Mossul .
Todas elas emitiram moedas de cobre com a denominação de “dirham”, possivelmente cunhadas para passar por dirhams de prata em função da escassez do metal que afetou o Oriente Médio na época e levou ao enfraquecimento do teor de metal dos dirhams de prata emitidos em outras regiões islâmicas.
Quando o Irã foi invadido pelos mongóis, no séc. XIII, já havia dois séculos que não se cunhavam moedas de prata de boa qualidade. O teor de prata dos dirhams foi reduzido de uma percentagem de mais de 95% nos anos 950 a 1000 para 60-70% nas décadas seguintes, com casos de apenas cerca de 20% após 1050.
Gêngis Khan (1206-1227), após unificar as tribos mongóis, invadiu a Ásia central e os domínios islâmicos, onde seus sucessores se estabeleceriam de forma duradoura. Existe em raro dirham , talvez cunhado em Ghazna, em seu nome e no do califa al-Nasir.
Em 1258, Al-Musta´sim (1242-58), o último califa abássida, foi capturado e executado pelos mongóis, que tomaram Bagdá e fundaram a dinastia ilcânida no Irã atual, passando a cunhar moedas de prata e de ouro de elevado teor de metal precioso .
Adotaram-se novas legendas do Alcorão para as moedas e a escrita Uigur também foi ocasionalmente utilizada. Para tentar contornar a situação financeira temporariamente crítica do império mongol ilcânida, Gheikatu (1291-5) tentou banir a moeda metálica e substitui-la pelo “ch’ao”, papel-moeda baseado no modelo chinês, com o texto da profissão de fé islâmica.
A experiência foi um desastre. O comércio ficou paralisado, e o ch´ao teve que ser recolhido, voltando-se à moeda metálica.
Os mongóis da Horda Dourada, ou jújidas, ocuparam parte da Ásia central e o sul da Rússia, isolando por dois séculos os principados russos do restante da Europa. Cunharam “puls” de bronze de baixa qualidade .
Em meados do séc. XIV, a dinastia muzafarida controlou partes do Irã, emitindo duplos dirhams de prata de boa qualidade .
Outra dinastia mongol, a dos timúridas, fundada pelo grande conquistador Tamerlão (1370-1405), governou o Irã e a Ásia central de 1370 a 1501 e emitiu dirhams, e depois “tankas” de prata , (moedas menores e mais espessas que o dirham tradicional.
Os fatímidas do Egito foram derrubados por Saladino, general de origem curda que fundou a dinastia aíubida (1171-1250) e retomou Jerusalém dos cruzados latinos (1187).
Saladino e seus sucessores controlaram o Egito e a Síria até 1250, cunhando dinars de ouro , dirhams de prata e fulus de cobre . Os aiúbidas foram, por sua vez, derrubados pelos mamelucos, uma dinastia de sultões de origem turca (ramo “bahri” ) e depois circassiana (ramo “burji” ), de antigos escravos militares promovidos ao poder pelos seus pares.
(Nos sécs. XII e XIII os cruzados latinos emitiram em Trípoli e no reino de Jerusalém besantes de ouro copiados de dinares islâmicos que somente em 1250, em função de reclamações do papa, passaram a incluir símbolos cristãos).
Durante o período mameluco (1250-1517) o Cairo tornar-se-ia uma das maiores cidades do mundo medieval, e, após a queda de Bagdá, o centro da cultura árabe islâmica.
No séc. XV, os mamelucos cunharam no Cairo “ashrafis” de ouro a partir de al-Ashraf Barsbay (1422-37), que visavam competir com o ducado veneziano, que tinha o mesmo peso.
Temporariamente independentes, os rasulidas do Iêmem produziram no séc. XIV uma cunhagem abundante, notadamente em Áden .
Os seldjúcidas da Anatólia, que criaram o sultanato de Rum ( c. 1081-1307), usaram prata da região e também cunharam moedas de elevado teor de metal precioso.
A partir dessa época, a prata começou a substituir o ouro, que fora, até então, a base dos sistemas monetários do Oriente Médio.
Os eretnidas controlaram temporariamente a Anatólia central, mas os turcos otomanos foram gradualmente conquistando toda a Anatólia, substituindo os seldjúcidas e as demais dinastias.
De início, atacaram o que restava do império bizantino, tomando Constantinopla (Istambul) em 1453, e o “império” de Trebizonda nos anos seguintes.
Cunharam inicialmente akches de prata e moedas de cobre, e, mais tarde moedas de ouro (altun), estas somente a partir da segunda metade do séc. XV.
Até o final do séc. XV, os Aq Qoyunlu ou “Turcomanos das ovelhas brancas” mantiveram-se independentes em regiões da Anatólia, do Iraque e do Irã e emitiram moedas de prata, muitas das quais contramarcadas sobre peças timúridas.
Na Península Ibérica, conquistada dos visigodos de forma fulgurante a partir de 711, dinastias islâmicas controlaram territórios até 1492. O único sobrevivente da família omíada, Abd al-Rahman I (755-789), fundou o emirado omíada de Córdoba , que foi transformado em califado por Abd al-Ramahn III (912-961) (50). Os emires, e depois os califas, cunharam dirhams de prata em grande quantidade e moedas de ouro menos freqüentemente.
No séc. XI, após 1031, com o fim do califado, o poder dividiu-se entre diversos “reinos de taifas”, destacando-se, entre outras, a dinastia dos abádidas de Sevilha , mas duas dinastias de origem norte-africana, os almorávidas e os almôadas, conquistaram sucessivamente partes da Península Ibérica, em constantes confrontos com os reinos cristãos do norte empenhados na “Reconquista”.
Nesse período emitiram-se moedas de ouro de teor elevado, qirats de prata de dimensão reduzida e pequenos dirhams de prata quadrados , depois imitados pelos reinos cristãos (imitação conhecida como millares).
Após a década de 1230, a dinastia Nasrida reinou até 1492 sobre domínios cada vez menos extensos no chamado Reino de Granada. Os nasridas emitiram principalmente dirhams e ½ dirhams quadrados , além de moedas de ouro, até a conquista do reino pelos “Reis Católicos”. Também cunharam um múltiplo de dirham muito raro.
No norte da África, com a derrocada dos almôadas, do séc. XIII ao XV, os Marinidas e Hafsidas ocuparam o Marrocos e a Tunísia, onde cunharam moedas de ouro muito atraentes.
O Subcontinente Indiano, Séc. VII a.C. - 1520
EVENTOS HISTÓRICOS
c.2500-1500 Civilização do Indo
Sécs. VII–IV Estados locais em permanente conflito no norte da Índia; c. 567-487, vida do Buda.
539-522 a.C. Anexação pelos persas das bacias dos rios Cabul e Indo ao seu império.
c. 323-185 Império Mauria; Açoka (c. 273-232) adota o Budismo em 261 a.C.
c. 200 a 1 a.C. Estados indo-gregos no noroeste da Índia.
Séc. I a.C. Sakas substituem gradualmente os indo-gregos na bacia do Indo.
Séc. I d.C. Expansão marítima pacífica da civilização indiana no Sudeste Asiático e na Indonésia. Vários estados autônomos na Índia.
Séc. I-IV Império Kushan, em parte anexado pelos persas após
224 e absorvido no séc. IV pelos Gupta (sécs. IV-VI), que criam
um império no norte da Índia.
Sécs. V-VI Novas invasões de "hunos"; nenhum Estado
prevalece sobre os demais, no norte e no sul da Índia.
Séc. VII Instalação dos Taís na atual Tailândia; os Pyus ocupam parte da Birmânia (Myanmar) de c. 500 ao séc. IX e fundam Srikshetra; os Mons no sul da Birmânia do séc. III ao séc. IX.; dinastia Chandra no Arakan sécs.IV-VIII.
Séc. IX Turcos ou Shahis, monarcas de Ohind no Paquistão e noroeste da Índia.
c. 1175-1206 Muhammad Ghori conquista o norte da Índia.
c. 1206-1398 “Reis escravos” muçulmanos no Sultanato de Délhi. e suzeranos de Bengala; conquista do Decã por muçulmanos do norte da Índia (1308-1312).
c. 1336-1565 Estado hindu de Vijayanagar no sul da Índia.
1398 Saque de Delhi por Tamerlão.
1498 Chegada de Vasco da gama na Índia.
1526-1540 e 1555-1707 Império Grão-Mongol.