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História da Música

A OBRA DE LISZT

O nome de Liszt ocupa lugar de destaque dentro da história da música como um inovador que foi. Romântico pôr excelência, rompeu com todos os cânones do Classicismo, estabelecendo novos padrões de estilo. Ao mesmo tempo, sua obra contém já os germes do cromatismo wagneriano, do impressionismo debussysta e de muitas tendências estéticas modernas. Sua meta foi encontrar uma linguagem própria, fazendo uma equilibrada e criativa síntese das principais conquistas de seus contemporâneos.

Liszt revolucionou a música de seu tempo. Quando se pensa no Liszt compositor, é sempre necessário lembrar, antes de tudo, que ele foi um virtuose do piano e que dominava completamente sua técnica. Liszt foi o primeiro músico a explorar todas as potencialidades do instrumento,atingindo dimensões orquestrais. Pode-se afirmar que Liszt se deve a moderna técnica do piano.

Criou uma série de recursos técnicos: a utilização das sete oitavas (glissandos, escalas, harpejos, acordes), o que retundou na ampliação do espaço sonoro; a exploração de todos os matizes dos registros graves e dos agudos; o enriquecimento da sonoridade, através da escrita em oitavas. Pôr outro lado, a tendência orquestral de Liszt levou-o, também, a utilizar rápidas sucessões de notas; abundância de trinados em terças e sextas; glissandos em notas simples ou duplas; notas repetidas; pequenas apojaturas, trêmulos, grandes saltos de intervalo.

Além disso, Liszt aperfeiçoou a técnica pianística ao dar maior relevo à mão esquerda que em sua obra tem a mesma importância que a direita, sendo muitas vezes usada em passagens solo,com o emprego constante de mãos alternadas e cruzadas.

Principais obras para o piano

Anos de Peregrinação, Estudos Trancendentais, Seis Estudos de Concerto, Sonata em Si Menor, Harmonias Poéticas e Religiosas, Seis Consolações, Valsa Mefisto, dois Concertos para Piano e orquestra, etc.

O tratamento que Liszt deu à orquestra não foi menos original que o recebido pelo piano.

Muito rica, como a maioria das instrumentações dos românticos, em Liszt a orquestração nunca é excessivamente pesada. Entre as principais inovações que caracterizam sua arte sinfônica, incluem-se o tratamento especial dado a cada instrumento, explorando-o em todas as possibilidades de timbre - grande ousadia para a época - o relevo dado à percussão, ao introduzir instrumentos com efeitos especiais, como o triângulo como instrumento solista (Concerto N. 1 para Piano e Orquestra); o uso inovador de glissandos na harpa, procedimento do qual os impressionistas tanto abusariam.

Mas, a maior contribuição de Liszt para a música de programa foi a fixação dos princípios estéticos do poema sinfônico como música de caráter mais psicológico do que descritivo.

Principais obras para a Orquestra

Poemas Sinfônicos, Rapsódias Húngaras, Sinfonia Dante, Sinfonia Fausto

RICHARD WAGNER

Sua música instrumental do tempo de mocidade é insignificante. Reconhecendo seu talento duplo, de músico e poeta, deixou de escrever óperas comuns para dedicar-se ao novo gênero que criara, o Drama Musical. Encontrou na crítica, no público e nas casa de ópera, as mais fortes resistências e envolveu-se em polêmicas, numa situação agravada pelo exílio por motivos políticos.

Poderia facilmente salvar-se, fazendo concessões ao gosto dominante, mas preferiu ficar fiel a si próprio. Como reverso dessa força de vontade, seu caráter era desagradavelmente egoísta e vingativo. Quando finalmente conseguiu vencer, mandou construir para suas últimas obras um teatro em Bayreuth.

Desde suas primeiras óperas (Rienzi, 1839; O Navio Fantasma, 1841; Tannhäuser, 1843 - 1845; Lohengrin, 1845 - 1848) que partem do romantismo de Weber e da tradição sinfônica de Beethoven, afastou-se da concepção italiana, renunciou aos floreios vocais, impôs uma ação musical contínua e intensificou a participação orquestral, além de valorizar a importância do libreto como fundamento do drama lírico. Wagner aboliu toda a extrutura a ópera tradicional, com suas árias, duetos, etc., substituindo-a por uma seqüência dramática de cenas totalmente postas em música (durchkomponiert). Em vez de melodias, criou a melodia permanente, com base na orquestra. Escolheu, como enredos, temas de lendas medievais ou da mitologia germânica, pondo-as a serviço de suas idéias filosóficas, religiosas e políticas.

Proscrito de seu país por sua participação na revolução de 1848 em Dresden, onde era regente da corte, viajou, residiu em Zurique, em Veneza, em Paris, e redigiu suas teorias sobre a arte (A Obra de Arte do Futuro, 1850; Ópera e Drama, 1851), colocando-as paralelamente na tetralogia O Anel dos Nibelungos (1852-1874), Tristão e Isolda (1859) e Os Mestres Cantores de Nuremberg (1862-1867).

Seu encontro com Luís II da Baviera foi decisivo para a construção de um teatro, destinado às apresentações de suas próprias obras, que foi construído em Bayreuth (1872-1876). Nesta época, casa-se com Cosima, filha de Liszt. Parsifal (1877-1882) foi sua última realização dramática.

Adepto de um teatro místico, simbólico, chegou a uma fusão estreita entre texto e música, a unidade temática criada pelo leitmotiv e pela união bem-sucedida entre vozes e instrumentos. O cromatismo de Tristão e Isolda é o ponto de partida da música do século XX, influenciando compositores como R. Strauss, G. Mahler, C. Debussy e A. Schoenberg, que partiu das inovações wagnerianas para desenvolver a música dodecafônica.

JOHANNES BRAHMS

Johannes Brahms nasceu a 7 de maio de 1833, em Hamburgo. Seu pai, contrabaixista de uma pequena orquestra de um restaurante elegante de Hamburgo, deu-lhe as primeiras lições de música aos cinco anos de idade. Quando contava sete anos, seu pai providenciou para que o garoto tomasse aulas com Otto Cossel, pianista. Cossel revelou-lhe a música de Bach e, em pouco tempo, Brahms já era capaz de tocar violino, violoncelo e trompa, além de piano, e já podia acompanhar o pai nos bailes e tavernas de Hamburgo.

Quando Brahms contava 10 anos, Cossel aconselhou o pai a enviá-lo ao professor Marxsen, excelente mestre de piano e teoria musical. Marxsen era um professor severo, mas dotado de um espírito aberto, deixando o aluno desenvolver seu talento criativo. Anos mais tarde, Brahms dedicaria ao mestre, em reconhecimento, uma de suas obras primas, o Concerto N. 2 para piano e orquestra, Opus 83.

Em 1853 inicia uma série de recitais, acompanhando o violinista húngaro Eduard Reménye, de quem se tornou grande amigo.

Este ano foi decisivo em sua carreira, onde ele pôde conhecer outros centros culturais e personalidades do meio musical: o violinista Joseph Joachim, Liszt e Schumann.

Tornou-se diretor dos concertos na corte do príncipe de Lippe-Detmold, depois regente do coro de Hamburgo (1859), antes de fixar-se em Viena (1862), onde foi diretor do Singverein der Gesellschaft der Musikfreund (1872-1875).

A partir de 1863, Brahms passa a residir em Viena, onde permanece até o final de seus dias. Começa, então, o período mais fértil da carreira do compositor. Ali, Brahms escreve obras de extraordinária importância. Concluída sua Primeira Sinfonia, Brahms ganharia o aplauso do famoso Maestro Von Bülow, que se transformou no mais ardente defensor de sua obra.

Com o passar dos anos, Brahms torna-se cada vez mais introspectivo e taciturno. A solidão lhe era algo indispensável, seu único desejo era ter a tranquilidade necessária para compor. Jamais se casou, sua vida cotidiana era simples; ele mesmo preparava o café da manhã, fazia as refeições em restaurantes populares e viajava sempre na terceira classe. Em 1878 deixa crescer sua famosa barba. Em 1881 passa uma temporada no balneário de Bad Ischl, procurando melhorar as condições de seu fígado e conclui seu Concerto N.2 para Piano e Orquestra, dedicado ao antigo mestre e amigo Marxsen.

Ao chegar à velhice, Brahms continuava viajando muito, compondo e, artista consagrado, recebendo inúmeras distinções oficiais. Seus últimos dias transcorreram tranqüilos, cercado apenas por poucos amigos fiéis.

Seu fígado piora e a verdadeira natureza da enfermidade vem à luz: câncer.

No dia 4 de março de 1897, levado pelos amigos, assiste a uma audição de sua Quarta Sinfonia e vê o público aplaudi-lo freneticamente. Foi seu último sucesso em vida. Pouco depois, já cansado e doente, morre no dia 3 de abril do mesmo ano.

Herdeiro de Beethoven, Brahms oferece em sua obra a síntese perfeita do romantismo e do classicismo. Não desprezou o canto popular húngaro, que incorporou a uma poesia tipicamente nórdica e suntuosa. Pianista virtuose, Brahms compôs muito para o seu instrumento ( sonatas, variações, baladas, intermezzos, rapsódias, valsas, danças húngaras).

Muito rica, sua música de câmara compreende sonatas para violino e piano, violoncelo e piano, clarineta e piano, trios, quartetos, quintetos e sextetos. Para a orquestra, compôs Variações para um Tema de Haydn, quatro sinfonias (1876, 1877, 1883, 1885), duas aberturas, dois concertos para piano, um concerto para violino, um concerto para violino e violoncelo. Seus Lieder inscrevem-se na tradição germânica, assim como sua música de inspiração sacra ( Réquiem Alemão, 1857-1868).

PIOTR ILITCH TCHAIKOVSKY

Tchaikovsky nasceu no dia 7 de maio de 1840, filho do engenheiro Ilya Petrovitch Tchaikovsky e Alexandra Andreivna d'Assier. Da infância do compositor, sabe-se que bem cedo revelou dotes musicais.

Em 1848, a família mudou-se para Moscou, onde o compositor passou a ter aulas de piano com Filipov; em pouco mais de um ano, seu progresso foi notável.

Dois anos depois, a família mudou-se para Alapiev, onde o pai do compositor dirigiu uma usina siderúrgica. Neste ano, seus pais decidiram que ele deveria ser advogado. A adolescência do compositor transcorreu entre os estudos dos cursos preparatórios da Escola de Direito de São Petersburgo (correspondentes ao colegial) e os estudos de piano com seu novo professor, Kundiger.

Em 1859, Tchaikovsky concluiu os estudos jurídicos e passou a trabalhar no Ministério da Justiça. Em 1862 ingressou no recém fundado Conservatório de São Petersburgo, a primeira escola oficial de música na Rússia, onde estudou composição, piano, flauta e noções de órgão. Meses depois toma a decisão de abandonar seu emprego no Ministério da Justiça, dedicando-se inteiramente à música. A partir de então, Tchaikovsky passou por um período de dificuldades e pobreza, dando algumas aulas, acompanhando cantores medíocres ao piano e fazendo cópias de partituras. Em 1865 concluiu seu curso no Conservatório.

Outros tempos estavam para se iniciar em sua vida. O Conservatório de São Petersburgo estava com excesso de alunos, o que levou seu diretor, Anton Rubinstein, a fundar outra escola, em Moscou, no ano de 1866, Nicolai Rubinstein, seu irmão, ficou encarregado de organizar a nova escola e contratar os novos professores, muitos deles ex alunos da escola de São Petersburgo, entre eles Tchaikovsky.

O ano de 1868 foi marcado por seus primeiros contatos com o Grupo dos Cinco, após enviar um protesto à revista Entreato, por esta ter criticado a música de Rimsky-Korsakov. Tchaikovsky era admiriador da música de Rimsky-Korsakov, um dos Cinco, e seu protesto sensibilizou os demais membros do grupo, que o convidaram a visitá-los em São Petersburgo. Esse fato, porém, não fez dele um novo integrante do grupo; o compositor não admirava especialmente a música do grupo, e os outro quatro consideravam a música de Tchaikovsky demasiadamente ocidental.

Os anos seguintes da carreira de Tchaikovsky foram marcados pelo crescente sucesso como compositor e regente.

Suas obras deste período são: a Fantasia-Abertura Romeu e Julieta (1870), o Quarteto de Cordas N.1 (1871), o Concerto N.1 para Piano e Orquestra (1874), o balé O Lago dos Cisnes (1876), o Concerto para Violino (1878), o Capricho Italiano (1879), a Abertura 1812 (1880).

No plano pessoal, o último terço de sua vida foi marcado pela estranha ligação que manteve com Nadejda von Meck, viúva de Karl-Georg-Otto von Meck, rico proprietário das duas primeiras ferrovias russas. Admiradora da música de Tchaikovsky, tornou-se sua protetora no ano de 1876, fornecendo-lhe uma subvenção que lhe permitia viver sem problemas materiais. A única condição estabelecida foi que os dois jamais deveriam se encontrar, comunicando-se apenas por carta. A relação durou até 1890, só terminando devido a intrigas engedradas pelo violinista Pakhulski, um dos membros do círculo de Nadejda. Ajudado por outros, Pakhulski acabou convencendo-a de que Tchaikovsky era apenas um aproveitador. O compositor ficou muito abalado, não pelos aspectos materiais, já que na época estava no auge da fama e ganhava muito dinheiro, mas pelo significado afetivo. Profundamente chocado, Tchaikovsky refugia-se na música e nas viagens.

A 22 de outubro de 1893, alguns dias após a primeira audição da Sexta Sinfonia (Patética),o compositor, bebendo água não fervida, é contaminado prla epidemia de cólera que atingia São Petersburgo, falecendo no dia 25 do mesmo mês.

Tchaikovsky compôs peças para o piano, música de câmara, seis sinfonias, aberturas-fantasia (Romeu e Julieta, 1870), balés ( O Lago dos Cisnes, 1876; A Bela Adormecida, 1890; O Quebra Nozes, 1892), três concertos para piano ( N.1, 1875), um concerto para violino (1877), e Variações sobre um tema Rococó, para violoncelo e orquestra (1876). Além de canções, escreveu dez óperas, entre as quais Eugene Oneguin (1879) e A Dama de Espadas (1890), as duas inspiradas em Púchkin. Influenciado pela música ocidental, Tchaikovsky se situou à margem do nacionalismo russo encarnado pelo Grupo dos Cinco. A orquestração brilhante, a melodia comunicativa e a intensidade dramática marcam toda a sua produção, popular em todo o mundo.

Música moderna

A história da música no século XX constitui uma série de tentativas e experiências que levaram a uma série de novas tendências, técnicas e, em certos casos, também a criação de novos sons, tudo contribuindo para que seja um dos períodos mais empolgantes da história da música.

Enquanto a música nos períodos anteriores podia ser identificada por um único e mesmo estilo, comum a todos os compositores da época, no século XX ela se mostra como uma mistura complexa de muitas tendências.

A maioria das tendências compartilham uma coisa em comum: uma reação contra o estilo romântico do século XIX. Tal fato fez com que certos críticos descrevessem a música do século XX com "anti-romântica".

Dentre as tendências e técnicas de composição mais importantes da música do século XX encontram-se:

Impressionismo Nacionalismo do Séc. XX Expressionismo
Música Concreta Serialismo Música Eletrônica
Influências do Jazz Neoclassicismo Música Aleatória
Atonalidade etc.  

No entanto, se investigarmos melhor estas composições, encontraremos uma série de características ou marcas de estilo que permitem definir uma peça como sendo do século XX.

Por exemplo:

Melodias: São curtas e fragmentadas, angulosas, em lugar das longas sonoridades românticas. Em algumas peças, a melodia pode ser inexistente.

Ritmos: Vigorosos e dinâmicos, com amplo emprego dos sincopados; métricas inusitadas, como compassos de cinco e sete tempos; mudança de métrica de um compasso para outro, uso de vários ritmos diferentes ao mesmo tempo.

Timbres: A maior preocupação com os timbres leva a inclusão de sons estranhos, intrigantes e exóticos; fortes contrastes, às vezes até explosivos; uso mais enfático da seção de percussão; sons desconhecidos tirados de instrumentos conhecidos; sons inteiramente novos, provenientes de aparelhagens eletrônicas e fitas magnéticas.

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