História da Televisão no Brasil (Página 9)

história da televisão no brasil

Finalmente, o país conhece a televisão

18 de setembro de 1950. Uma data marcante para a vida nacional: o dia da inauguração oficial da televisão no Brasil. E foi o empresário das comunicações Assis Chateaubriand, o Chatô, que possibilitou o início desse novo meio de comunicação. Por intermédio da TV Tupi, o país pôde experimentar a sensação que outros lugares já vivenciavam ao acompanhar um programa pela TV.

Esta marcante experiência aconteceu com o Show na Taba, o primeiro programa da TV brasileira, que contou com a participação de Homero Silva e Lolita Rodrigues.

A iniciativa de Chateaubriand, entretanto, teve antecedentes. Antes da estréia oficial da TV no Brasil, mais precisamente em 1939, Edgard Roquette Pinto fez as primeiras experiências com televisão no país, com dois eixos: apenas um receptor e um transmissor. A primeira demonstração da TV na América Latina aconteceu, oficialmente, no pavilhão de entrada da Feira de Amostras do Rio de Janeiro, em 2 de junho de 1939. Depois da estréia, em 50, as emissoras transmitiam sua programação apenas no final da tarde, graças à pouca audiência (poucos tinham aparelho de TV). Mas foi apenas em 1952 que a TV Tupi paulista passou a transmitir programação diurna, bem como as concorrentes.

Ao contrário da TV norte-americana - implantada com apoio na indústria cinematográfica -, a brasileira submeteu-se à influência do rádio, aproveitando os profissionais e técnicas. Os artistas já eram consagrados pelo rádio, já que este era o meio de comunicação mais difundido no país.

Pioneiro em transmissões televisivas na América Latina, antes do Brasil apenas quatro outros países produziram sua própria programação: Estados Unidos, Inglaterra, Holanda e França.

Anos 50

Futebol estréia a externa e o ao vivo

Após a estréia da TV Tupi de São Paulo, com o programa Show da Taba a mesma emissora realiza, no dia 15 de outubro, a primeira transmissão externa na TV brasileira, apresentando ao vivo o jogo entre São Paulo e Palmeiras.

Em 20 de janeiro de 1951, Assis Chateubriand inaugura a filial carioca da TV Tupi. Em fevereiro, na TV Tupi paulista, é inaugurado o programa que virou ícone na televisão brasileira: o infantil Sítio do Pica-pau Amarelo, inspirado em obra de Monteiro Lobato.

Na TV Tupi carioca estreou no dia 1º de abril de 1952 o Repórter Esso, grande sucesso do rádio, na voz de Heron Domingues. No dia 27 de setembro do ano seguinte, foi inaugurada a TV Record. Já no dia 15 de julho de 1955, outra emissora entrava no ar: a TV Rio, que teve grande importância em relação a programas humorísticos.

E por falar nesse tipo de programa, um dos mais tradicionais passou a ser exibido no ano seguinte pela TV Paulista: a Praça da Alegria, criado por Manoel de Nóbrega. Também em 1956, mas no dia 1º de julho, a TV Record e a TV Rio fizeram uma transmissão ao vivo do Rio de Janeiro para São Paulo ao exibirem a partida de futebol entre Brasil 2 x 0 Itália, diretamente do Maracanã.

Em março de 1957, Abelardo Barbosa, um dos maiores comunicadores da história da TV brasileira e mais conhecido como Chacrinha, estreou na TV Tupi do Rio de Janeiro com Rancho Alegre e Discoteca do Chacrinha .

Em 14 de fevereiro de 1958, o papa Pio Xll declarou Santa Clara como a padroeira da TV. Segundo a lenda, em 1252, muito doente e em casa, Santa Clara teve visões perfeitas da missa de Natal, como se assistisse pela televisão, e por isso foi a escolhida pelo papa.

Anos 60

Do vídeo tape à transmissão via satélite

Em dezembro de 1959, um advento tecnológico mudou o modo de se fazer televisão no Brasil. Nesta data, começou a operar o primeiro equipamento de vídeo tape na emissora carioca TV Continental. Até a chegada desse aparelho, os programas e comerciais eram transmitidos ao vivo e os telejornais eram falados, como no rádio.

O primeiro programa a ser editado em vídeo tape foi o Chico Anysio Show, que estreou na TV Rio, em março de 1960. Em 21 de abril do mesmo ano, as Emissoras Associadas, de Chatô, transmitiram ao vivo a inauguração de Brasília. Já em setembro deste mesmo ano, Silvio Santos estreou na TV Paulista como animador no programa Vamos Brincar de Forca, que deu origem ao Programa Sílvio Santos.

O primeiro seriado filmado da TV brasileira estreou no dia 20 de dezembro de 1961. Foi o Vigilante Rodoviário, produzido por Álvaro Palácios e protagonizado por Carlos Miranda.

A primeira novela que causou comoção nacional estreou, na TV Tupi do Rio e de São Paulo, em 7 de dezembro de 1964. O Direito de Nascer, novela baseada em história escrita por um cubano, teve o último capítulo transmitido em ginásios nas duas capitais.

O primeiro Festival de Música Popular Brasileira foi exibido pela TV Excelsior em abril de 1965. O destaque foi para a composição de Elis Regina, cantando Arrastão, composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. O festival teve importância para a música brasileira e grandes talentos foram revelados nesses programas/shows. As composições encantavam a platéia, que se emocionava e torcia para a música predileta. Os outros festivais passaram a ser exibidos pela TV Record. E foi nessa mesma emissora que dois outros programas musicais tiveram vida e se tornaram marcos tanto na música quanto na TV brasileira: O Fino da Bossa tinha como destaque cantores e compositores da recente Bossa Nova. Já o programa Jovem Guarda foi criado para satisfazer o público mais jovem que apreciava o rock e os ídolos da época.

Neste mesmo ano, nascia a atual maior emissora de televisão do país: a Rede Globo. O canal 4 do Rio de Janeiro foi a primeira emissora da Rede Globo, que hoje reúne mais de 100 emissoras. Dois anos depois, em 13 de maio de 1967, outra emissora de grande importância para o país é fundada: a TV Bandeirantes de São Paulo, que hoje é a Rede Band.

Com tantas emissoras e programas inovadores, a TV brasileira entrou finalmente nas transmissões via satélite em 28 de fevereiro de 1969. Com imagem do locutor esportivo Hilton Gomes, da TV Globo, a estação terrestre Tanguá foi inaugurada. Em 15 de junho do mesmo ano, a TV Cultura de São Paulo passa a operar como prestadora de serviços públicos, mantida e administrada pela Fundação Padre Anchieta.

E foi graças às transmissões via satélite inauguradas no país cinco meses antes que os brasileiros puderam ver no dia 10 de julho, ainda de 1969, a chegada do homem à Lua. A transmissão foi feita com parceria entre a TV Globo e Tupi, por Gondijo Theodoro, Heron Domingues, Hilton Gomes e Rubens Amaral. No dia 1º de setembro, mais um programa surgiu para marcar o modo de se fazer TV no Brasil: vai ao ar, pela TV Globo, a primeira edição do Jornal Nacional, informativo transmitido para todo o território nacional que inaugurou oficialmente a rede de microondas da Embratel. Até hoje é o informativo mais tradicional da TV brasileira.

Anos 70

O país vê o tricampeonato de futebol

A Copa do Mundo de 70 foi transmitida ao país todo pela primeira vez, via Embratel. A partir do dia 21 de junho desse ano, os jogos da seleção, no México, puderam ser vistos pelos brasileiros, e aqueles que tinham aparelhos adaptados, podiam até ver as imagens em cores. Mas foi no dia 19 de fevereiro de 1972 que teve início as transmissões em cores no Brasil, por meio da cobertura da Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

A TV Gazeta destacou-se na transmissão de diversos programas em cores nessa época, como Vida em Movimento, com Vida Alves, mas sempre em forma de testes. No dia 31 de março daquele ano, a televisão em cores foi oficialmente inaugurada no país. O Bem Amado, transmitido pela Rede Globo a partir de 24 de janeiro de 1973, ficou na história da TV brasileira como a primeira novela em cores. No dia 5 de agosto do mesmo ano, a TV Globo inaugurou o gênero de programas de variedades ao exibir pela primeira vez o Fantástico.

Anos 80

Com o abrandamento da censura, o jornalismo volta a conscientizar

Com o abrandamento da censura militar no início dos anos 80, os programas jornalísticos ganharam novo fôlego e retomaram a tentativa de formação de uma consciência coletiva nacional. Os telejornais deixaram de ser somente informativos e passaram a discutir idéias e opiniões. Os debates, em programas juvenis e de entrevistas, passaram a focar o esclarecimento.

A partir do surgimento do programa TV Mulher, da Rede Globo, os programas femininos adquiriram diferentes formatos e foram muito veiculados em todas as emissoras, não se restringindo mais aos problemas domésticos e incluindo discussões como os direitos da mulher, o posicionamento feminino na sociedade e a mulher como profissional.

Importantes programas de entrevistas ou debates surgiram durante a década, expressando temas que traduziam o pensamento intelectual brasileiro.

Além das grandes coberturas esportivas nacionais e internacionais, o jornalismo também foi responsável por transmissões de grande repercussão social no país, como as campanhas das Diretas Já, da Anistia Política e da Constituinte. Os noticiários passaram a fazer denúncias de todo tipo e o jornalismo desencadeou um processo de formação de opinião que culminou, no final da década, com a eleição de um político desconhecido para a presidência do país (o alagoano Fernando Collor de Melo), eleito também pela força de manipulação da mais poderosa emissora de televisão do país, a Rede Globo.

Com o retorno do poder civil, o humor voltou a criticar a política e a economia brasileira. Assim, após tanto tempo em silêncio, o humorismo pôde utilizar a sátira político-social com força total. Nesse período, a telenovela passou a ter diversos diretores: geral, de gravação de núcleos, de elenco e de imagem. Em relação ao texto, além de adquirir uma forma de expressão bastante livre, exibindo qualquer tipo de assunto, contou, ainda, com a introdução do autor-colaborador que, dentro da idéia original do autor principal, criava novas tramas.

No início da década de 80, a Bandeirantes já contava com três novelas diárias em sua programação, à semelhança de sua principal concorrente da época, a Globo, com a qual pretendia competir em pé de igualdade, inclusive do ponto de vista da produção. A transmissão esportiva consagrou-se como carro-chefe da emissora a partir de 1984, com a estréia do Show de Esporte, a maior concentração de programas esportivos da televisão brasileira, ancorado pelo narrador esportivo Luciano do Valle.

As emissoras educativas aumentaram suas atrações de entretenimento cultural e dinamizaram o jornalismo, popularizando mais suas atrações e diminuindo a emissão de aulas, para atingir um público maior.

Outra novidade foi o surgimento das produtoras independentes de vídeo que realizaram reportagens, shows e seriados. Algumas venderam seus produtos para emissoras comerciais. Outras alugaram horários em determinados canais e apresentaram o que produziam, inclusive nas TVs a cabo que começaram a se espalhar pelo país.

A TV Tupi, apesar de pioneira na chegada da televisão, passou por situações difíceis, inclusive por greves, até que o empresário Sílvio Santos a comprou em 1981. Sílvio Santos, conduzindo seu programa de auditório aos domingos, abriu uma financiadora, lojas de departamento e passou a vender o conhecido carnê do Baú da Felicidade. Ele não se preocupava com o Ibope e queria que seu programa fosse diferente dos outros. Com o desmoronamento da TV Tupi e de outras emissoras de televisão que integravam a Rede Associada, surgiu uma grande oportunidade de se criarem novas alternativas para a televisão brasileira. O governo federal anunciou, no dia 23 de julho de 1980, a abertura de uma concorrência para a exploração de duas novas redes de TV. Diversos grupos empresariais, a maioria voltada ao setor de comunicações, demonstraram interesse pelas novas redes. A briga pelas concessões estendeu-se por mais de um ano, quando, finalmente, o governo escolheu os novos concessionários: a rede "A" foi confiada a Sílvio Santos e a rede "B", a Adolpho Bloch.

Os contratos definitivos foram assinados no dia 19 de agosto de 1981. Sílvio Santos inaugurou seu Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) no mesmo dia, transmitindo, ao vivo, este momento histórico da televisão brasileira. Já com Adolpho Bloch, a trajetória foi diferente. Bloch investiu maciçamente em qualidade, inaugurando a Rede Manchete quase dois anos depois da assinatura do contrato. Sem aproveitar praticamente nada do que herdou das antigas concessões, revolucionou a televisão brasileira com uma programação voltada para as classes mais elevadas, com filmes e séries premiadas.

Com a extinção da TV Tupi, em 1980, a Record passou a liderar juntamente com a TVS (TV Studios) do Rio de Janeiro, a REI (Rede de Emissoras Independentes), composta em sua maioria por emissoras que pertenciam à Tupi, inclusive o canal 4 de São Paulo. Apesar de sua grande queda no ranking das emissoras, devido à chegada do SBT e ao crescimento da Bandeirantes, a Record ainda investia e visava à cobertura total do estado de São Paulo.

Nesse período, a Record tinha em sua grade o Perdidos na Noite, com Fausto Silva e Dercy aos Domingos, com Dercy Gonçalves. O jornalismo foi reforçado, com a entrada de Dante Mattiussi na direção do departamento e, colocando no ar o Jornal da Record, inicialmente comandado por Paulo Markun e Silvia Poppovic. Em 1988, a terceira geração da família de Paulo Machado de Carvalho assumiu o controle da emissora e, juntamente com Sílvio Santos, decidiu colocá-la à venda. Em 1989, foi concretizada a venda da emissora para o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Edir Macedo. Nessa nova gestão, a Record ampliou seu raio de cobertura para todo o Brasil, recuperando de vez a sua tradicional posição no ranking da audiência.

Em janeiro de 1985, a Manchete lançou a modelo Xuxa na televisão, apresentando o Clube da Criança. A primeira novela produzida pela emissora, Antônio Maria foi lançada em agosto do mesmo ano, junto com a série Tamanho Família. Nenhum dos dois emplacou. Sem conquistar boas audiências, Adolpho Bloch aprovou o lançamento de alguns programas humorísticos e populares, apresentados por Pepita Rodrigues, Carlos Eduardo Dollabella e Miéle.

Em fevereiro de 1986, a Manchete já amargava um prejuízo de US$ 80 milhões e uma dívida beirando US$ 23 milhões. Sete meses depois, a emissora sofreu a primeira greve por salários dos funcionários.

Mais uma grande revelação da televisão brasileira é descoberta na Manchete: a apresentadora Angélica. Em abril de 1987, a emissora a inclui no elenco do infantil Nave da Fantasia. Na época com apenas 13 anos de idade, Angélica foi aos poucos ganhando fama e mostrando o seu talento, até ocupar definitivamente a vaga de Xuxa dentro da emissora, apresentando o Clube da Criança e o programa musical Milk Shake.

Anos 90

Em meio à expansão, até a Igreja ganha seu canal

Nos anos 90 surgiram outras redes, o sistema de TV a cabo cresceu e diversas emissoras independentes em VHF ou UHF foram inauguradas, principalmente pelo interior do Brasil, dirigindo-se a públicos mais específicos.

A comercialização de horários cresceu nas diversas emissoras, sendo alugados para a exibição de programas de vendas diretas ao consumidor e exibição de programas religiosos. A Igreja Católica e várias igrejas evangélicas criaram suas redes de transmissão iniciando uma catequese eletrônica, com horários alugados pelas igrejas, na tentativa de obtenção de novos adeptos. A Igreja Católica criou a Rede Vida de Televisão que, ao lado da Rede Família (pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus), se tornou uma das maiores corporações do gênero.

Inúmeros programas passaram a utilizar vinhetas sobrepostas à imagem da atração, com o nome dos patrocinadores ou avisos de promoções comerciais especiais. O merchandising, dominante na telenovela, foi utilizado também nos programas de auditório e nos programas humorísticos. Surgiram canais por assinatura exclusivos para a venda de produtos. E a televisão incorporou ainda um sistema de discagem telefônica: o 0900, com o qual o telespectador concorria a prêmios valiosos. No final da década, tal forma de exploração do telespectador foi proibida pela Justiça Federal.

A informação manteve o caráter de esclarecimento social e prestação de serviços. A participação do veículo nas transmissões de grande interesse político-social foi intensa, chegando até a mudar alguns acontecimentos da vida pública brasileira, como na campanha para o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, que o obrigou a renunciar. Em 1990, o fato jornalístico televisionado mais comentado e assistido foi a transmissão ao vivo da Guerra do Golfo, exibida ao mundo inteiro, com imagens dos lançamentos de mísseis e explosões, interrompidas apenas para os comerciais.

E o telejornalismo prestigiou a violência durante toda a década de 90. O programa de maior sucesso foi o Aqui Agora, que explorava o tema com sensacionalismo mórbido e cruel, obtendo grande audiência e motivando outras emissoras a copiarem a fórmula. Surgiu também Luis Carlos Alborgethi, um novo tipo de comunicador de auditório, agressivo, irreverente, propositadamente sem educação. Apresentando temas escabrosos, fazia da televisão um palco da miséria humana, conquistando grande audiência. Seu maior seguidor, e também maior ícone deste estilo é Carlos Massa, o Ratinho. Filmes e seriados estrangeiros seguiram a mesma linha, banalizando a violência. Até a telenovela incorporou cenas trágicas de violência explícita.

Os anos 90 trouxeram uma maior veiculação do esporte, que chegou a ganhar canais exclusivos para o assunto. A transmissão das corridas de Fórmula 1 passaram a ser feitas pela Rede Globo que mostrava com muita emoção as vitórias do piloto Ayrton Senna, assim como a sua morte. A TV Bandeirantes continuou forte com as transmissões esportivas, consagrando-se cada vez mais como "Canal do Esporte" e televisionando também campeonatos de vôlei.

Os programas femininos alcançaram boa audiência através da simpatia de suas apresentadoras. Ana Maria Braga é revelada pela Rede Record com seu Note e Anote. Canais por assinatura contaram com programas de culinária com apresentação masculina. Houve também a criação do Você Decide, na Rede Globo, e com ele foi dado início à TV interativa, com programas dramáticos ou de informação, que faziam o telespectador participar opinando, através de telefones, fax, ou entrevistas ao vivo, dos mais diferentes assuntos, definindo a conclusão do programa.

As duas principais emissoras educativas do país transformaram-se em redes individuais, desenvolvendo o telejornalismo e os programas infantis que, além de conquistarem premiações em festivais ou mostras internacionais de televisão, puderam ser exibidos por todo o país, através das outras estações educativas afiliadas.

Para concorrer com Sílvio Santos, a Globo trouxe o apresentador Fausto Silva (o Faustão) para seus domingos. Jô Soares trocou a "vênus prateada" (nome dado à Rede Globo) pelo SBT, onde passou a apresentar o noturno Jô Soares Onze e Meia, uma espécie de programa de entrevista, chamado de talk-show. A fórmula deu certo e outras emissoras copiaram a idéia, tentando aumentar a audiência através das entrevistas com personalidades importantes, artistas, atletas, socialites e pessoas comuns com histórias interessantes para contar. O SBT também investiu bastante nas novelas, construindo, inclusive, uma cidade cenográfica para filmá-las com mais autenticidade. A emissora obteve sucesso com as novelas Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do meu Sangue.

A partir de 1992, esporte, jornalismo e filmes formavam o tripé da programação da Bandeirantes, que não parava de crescer em número de afiliadas. Atualmente, a Band tenta desligar-se de seu famoso slogan, investindo em áreas mais variadas de produção, além de reforçar seu jornalismo. O departamento de esportes da emissora foi terceirizado, passando para o comando da Traffic, produtora especialmente dedicada à transmissão de eventos esportivos.

Em outubro de 1990 foi inaugurada a MTV brasileira, que faz parte da rede norte-americana MTV Networks, no ar nos EUA desde 1981. Sua programação consiste de clipes musicais, informação, shows e entrevistas, sendo assistida, segundo pesquisas, por pessoas entre 12 e 34 anos; e ficando 24 horas no ar.

Houve também a expansão da TV a cabo no Brasil. Nela o assinante pode encontrar um número grande de canais, além de uma programação segmentada: um canal só de desenhos, outro só de filmes, outro só de esportes.

Em março de 1995, a Record adquiriu o prédio e os moderníssimos equipamentos da TV Jovem Pan de São Paulo. Mudou sua sede do bairro do Aeroporto para a Barra Funda e prosseguiu o seu processo de expansão, inaugurando cada vez mais novas emissoras pelo Brasil. Um ano depois, garantiu o terceiro lugar no ranking da audiência e investiu em novos programas. Carlos Massa, o "Ratinho", chegou à emissora em 1997, com o Ratinho Livre. A Record fez jus a seu nome e alcançou altos índices de audiência em pleno horário nobre, chegando a derrotar a Rede Globo, quando a mesma encerrava a novela das oito. O elenco da emissora foi reforçado, com a contratação de grandes nomes, além do investimento no terceiro lugar no ranking de audiência.

Na dramaturgia, o maior destaque foi a novela Pantanal, da Rede Manchete, que entrou no ar em março de 1990. Produzida por Benedito Rui Barbosa e dirigida por Tisuka Yamasaki, Pantanal revolucionou a televisão brasileira, derrotando a Rede Globo e ultrapassando a marca de 30 pontos nos Ibope. Seus capítulos, recheados de cenas turísticas, ecológicas e sensuais, conquistaram os telespectadores e a própria emissora, que faturou US$ 120 milhões no mesmo ano. Mas, em julho de 1990, o Banco do Brasil embargou os bens da emissora para garantir o pagamento de U$ 60 milhões em dívidas.

Em dezembro de 1990, a emissora lançou A história de Ana Raio e Zé Trovão, uma novela itinerante, que percorreu 14 mil quilômetros em dez meses de exibição. Custou US$ 8 milhões e atingiu uma média de 16 pontos de audiência. Uma série de problemas financeiros atingiu a emissora e os empregados, revoltados, chegaram a retirar a emissora do ar. Após um breve alívio em 1996, quando foi realizada a novela Xica da Silva, a Manchete voltou a afundar em dívidas e, em janeiro de 1999, a Igreja Renascer em Cristo, assumiu o controle da emissora, após um contrato de arrendamento. O pacto foi desfeito após um mês, pois a Igreja não pagou a primeira parcela do contrato e beneficiou poucos funcionários que se encontravam com salários atrasados.

A família Bloch novamente retornou ao controle da agonizante rede, procurando urgentemente um comprador ou uma maneira para quitar aos poucos suas dívidas. A última esperança para a solução do "caso Manchete" foi sua venda para o grupo TeleTV, do empresário Amilcare Dallewo, um profissional de telemarketing de nosso país. Em maio de 1999, os Bloch e Dallewo concretizaram a venda da emissora. Um mês depois, surgiram os primeiros efeitos da nova administração: tudo que atendia pelo nome "Manchete" foi retirado do ar para ceder lugar a um novo nome que passou a ser adotado pela emissora: Rede TV!. Os funcionários foram pagos e a greve que atingia vários setores acabou.

Fonte: www.tvgazeta.com.br