
1967, o público paulistano tinha seis canais à disposição: 2, 4, 5, 7, 9 e 13 - respectivamente, Cultura, Tupi, Paulista, Record, Excelsior e Bandeirantes.
Em janeiro de 1968, a programação do Canal 2 não estava mais disponível. Foram encerradas as transmissões da antiga TV Cultura, considerada a "irmã caçula" da TV Tupi, dos Diários Associados.
Até 1969 os telespectadores de São Paulo aguardavam a "Futura TV Educativa" .
Com a criação da "Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa" , em 1967, o Governo Federal dava o respaldo necessário para o surgimento de canais voltados à educação e à cultura.
Para viabilizar e manter a nova TV2 Cultura, o Governo de São Paulo criou, em setembro de 1967, a Fundação Padre Anchieta - Centro Paulista de Rádio e Televisão Educativas, com dotação do Estado e autonomia administrativa. Foi autorizada também a abertura de um crédito de 1 milhão de cruzeiros novos para o empreendimento.
Criada a Fundação, seu primeiro presidente, o banqueiro José Bonifácio Coutinho Nogueira, buscou profissionais para dar início ao projeto da nova TV Cultura. Formaram a primeira diretoria da emissora: o brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, assessor administrativo; Carlos Sarmento, assessor de planejamento; Carlos Vergueiro, assessor artístico; Cláudio Petraglia, assessor cultural; Antonio Soares Amora, assessor de ensino; e Miguel Cipolla , assessor técnico. O radialista Fernando Vieira de Mello se juntaria ao grupo, ainda que por pouco tempo, como assessor de produção.
Durante todo o ano de 1968 foi elaborado o projeto técnico da nova TV Cultura. A antena da Cultura mudou de localização, passando do alto do prédio do Banco do Estado de São Paulo, no centro da cidade, para o pico do Jaraguá, na zona oeste, possibilitando a captação do sinal da emissora num raio de 150 quilômetros em torno de São Paulo e foram comprados da RCA e da Marconi novos equipamentos.
As transmissões experimentais começaram em 4 de abril e dois meses depois, no dia 15 de junho de 1969, um domingo, às 19h30, entrava no ar a TV Cultura, com os discursos do governador Roberto de Abreu Sodré e do presidente da Fundação Padre Anchieta, José Bonifácio Coutinho Nogueira.
Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descrição dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte.
Nos primeiros meses, a TV Cultura permanecia no ar por apenas quatro horas diárias - das 19h30 às 23h30. O primeiro programa exibido foi um episódio da série "Planeta Terra", um documentário sobre terremotos, vulcões e fenômenos que ocorrem nas profundezas do planeta. Logo depois vinha um boletim meteorológico, chamado "A Moça do Tempo", apresentado por Albina Mosqueiro. Às 20h00, iniciava-se o educativo "Curso de Madureza Ginasial".
A TV Cultura inovou na preparação de aulas e programas educativos a serem apresentados pela TV. Reuniu grandes profissionais de televisão e contratou professores universitários de alto nível. Os professores preparavam o conteúdo das aulas que, em seguida, eram transformadas em verdadeiros programas de televisão, apresentados por uma equipe de 18 atores.
A primeira aula que entrou no ar foi a de português, preparada por Walter George Durst a partir do conteúdo dos professores Isidoro Blikstein e Dino Pretti, e era ilustrada por diálogos da novela "O Feijão e o Sonho", produzida a partir da obra de Orígenes Lessa.
No momento em que entrou no ar, às 20h00, a aula de português concorria com as novelas "Beto Rockefeller", no Canal 4, "A Rosa Rebelde", no Canal 5, e "Vidas em Conflito", no Canal 9. O Canal 7 exibia o humorístico "Na Onda da Augusta", produzido por Carlos Manga, enquanto o Canal 13 mostrava o interativo "Telefone Pedindo Bis", apresentado por Enzo de Almeida Passos. Em seu primeiro dia, a Cultura atingiu a expressiva média de 9 pontos de audiência.
Outras informações sobre a TV Cultura:
Foi a primeira emissora a transmitir jogos da segunda divisão do Campeonato Paulista.
O programa "Viola Minha Viola" é o mais antigo programa de música de raiz da TV brasileira.
Realizou inéditas transmissões de mundiais de Skate e de Surfe.
O programa "Repórter Eco" está no ar desde 1992. Foi a primeira série TV voltada para questões de ecologia e meio-ambiente.
A atriz Nathália do Valle foi apresentadora das aulas de Geografia Telecurso 2º Grau e seu primeiro trabalho como atriz foi no Teatro2 da TV Cultura.
Com o programa "Festa Baile" a TV Cultura foi primeira a fazer um programa de entretenimento para o público da faixa etária acima dos 50.
Anselmo Duarte foi o primeiro apresentador do "Cine Brasil", em 1984.
A atriz Lilian Lemmertz foi a primeira apresentadora do programa "Panorama", em 1975.
Em 1986 a TV Cultura colocou no ar o programa "Vitória" voltado para os esportes radicais.
Também no ano de 1986 a emissora fez a remontagem, ao vivo, de "Calunga" - teledrama transmitido pela TV Tupi nos anos 50.
O primeiro prêmio internacional para a TV Cultura veio com o Projeto Telescola: Matemática para 6.a série - Introdução aos Números Inteiros, que recebeu o Prêmio Japãp - NHK Corporation de 1975.
A emissora ficou fora do ar por 3 horas, no dia 28 de fevereiro de 1986, quando um incêndio destruiu 90% da área técnica da emissora. Ela voltou a operar com equipamentos cedidos pelas outras emissoras paulistas.
O programa "Jovem, Urgente", de 1969, conduzido pelo psicalista Paulo Gaudêncio, discutia questões relacionadas ao cotidiano dos jovens (família, relações sociais, afetivas, etc).
A Missa de Aparecida do Norte é transmitida pela TV Cultura todos os domingos desde 1987.
Um sucesso atual, o programa "Bem Brasil", nasceu em 1991 no anfiteatro Romano, na Universidade de São Paulo. Em agosto de 1994, mudou-se para o Sesc Interlagos, com capacidade para 40 mil pessoas.
Foram destaques ainda na história da TV Cultura os programas "Tempo de Verão", apresentado por Gerson de Abreu, e "É Proibido Colar".
A emissora foi a primeira a dar ampla cobertura ao Carnaval Paulista.
Sérgio Groisman se destacou apresentando na TV Cultura o programa "Matéria Prima".
Renata Ceribelli foi repórter do programa "Vitrine", sobre os bastidores dos meios de comunicação.
O ator e apresentador Luciano Amaral trabalha na TV Cultura desde 1991, quando aos 10 anos participou do programa "Mundo da Lua".
A TV Cultura mantem um setor de Efeitos Especiais que executa todas as trucagens dos programas "Rá-Tim-Bum", "Mundo da Lua", "Castelo Rá-Tim-Bum", "X-Tudo" e "Cocoricó".
Fonte: www.microfone.jor.br
Desde sua criação, ainda no início dos anos 70, a TV Cultura tomou para si
a missão de atuar como uma TV escola, priorizando a educação a distância,
desenvolvendo uma programação mais voltada para os conteúdos escolares com
o objetivo de suprir as deficiências e carências educacionais do país.
Um segundo passo em sua trajetória foi descobrir que era preciso - sim! -
fazer educação e cultura; porém, sem deixar de lado o entretenimento, característica
própria da televisão enquanto meio de comunicação. Essa nova postura, baseada
em conceitos mais modernos de educação, entendida como formação integral do
homem e visando a ampliação de horizontes e conhecimentos, permitiu abrir
o leque de possibilidades e de interesses dos programas produzidos e exibidos.
Nessa fase, a programação infanto-juvenil tomou grande impulso, transformando-se,
nos últimos anos, no núcleo básico e mais criativo da TV Cultura. Respeitando
sua inteligência e dignidade, na Cultura, a programação voltada para a infância
e para a juventude livrou-se de dois desvios habituais do segmento: o excesso
de didatismo e a utilização mercadológica da cabeça de crianças e jovens em
formação. Com esse trabalho contínuo de renovação e experimentação, a TV Cultura
foi desenvolvendo novas linguagens, criando um estilo próprio que se transformou
num modelo a ser seguido.
Simultaneamente, houve a introdução de uma programação variada e informativa;
o desenvolvimento de um telejornalismo cada vez mais independente e analítico;
a cobertura dos principais eventos musicais, culturais e esportivos do país
e do mundo; a preocupação com o desenvolvimento e a transmissão de programas
voltados para a problemática ambiental global; a abertura de espaços para
a programação independente brasileira de cinema e vídeo; a produção e a co-produção
de documentários e de reportagens sobre o Brasil. Tudo isso, é claro, sem
deixar de dar atenção especial à programação educativa e científica mais específica.




