
Rede Globo de Televisão
Foi em 26 de abril, em 1965, mais precisamente às 11 horas, que entrou no ar o canal 4, TV Globo do Rio de Janeiro, dando o pontapé inicial para a formação da Rede Globo de Televisão.
A concessão foi outorgada no governo do presidente Juscelino Kubitschek, e aos poucos outras emissoras da rede entravam no ar: em São Paulo, através do Canal 5 (antiga TV Paulista, adquirida do grupo Victor Costa); em Belo Horizonte (pela emissora adquirida do grupo J. B. Amaral em 1968), em Brasília, em 1971 (concessão feita pelo presidente João Goulart em 1962), e em Recife (através de emissora adquirida do grupo Victor Costa).
A Globo cobre hoje 99,84% dos 5.043 municípios brasileiros, através de 113 emissoras entre Geradoras e Afiliadas.
Mas falando na história da emissora, vale lembrar que ela logo de início, imprimiu um novo conceito de qualidade à televisão brasileira. Também nas transmissões internacionais foi pioneira. A Copa do Mundo de Futebol na Inglaterra, em 1966, foi a primeira transmitida ao vivo; e o lançamento da nave espacial Apollo IX, em 1968 foi a pioneira transmissão via satélite.
A Globo iniciou a operação em rede no Brasil, em 1969 com o Jornal Nacional, um marco na história da TV brasileira. Foi pioneira também na implantação da TV em cores no Brasil, em 1972. Já em 1975 a emissora contava com uma programação nacional.
Destaque também para a utilização do satélite Intelsat para transmissões em tempo real dentro do país.
Em 1966, a autora cubana Gloria Magadan escreveu uma das primeiras novelas levadas ao ar pela Globo, "Eu compro esta mulher", vindo depois com igual sucesso, da mesma autora "O sheik de Agadir", que inovou registrando maior número de cenas externas e uma edição mais ágil.
O Centro de Produção da Globo (PROJAC), em Jacarepaguá, é o maior da América Latina e conta no total com 1.300.000 metros quadrados, dos quais 120 mil de área construída, abrigando estúdios, módulos de produção e galpões de acervo.
A Rede Globo conta hoje com cerca de 8 mil funcionários, sendo mais de 4 mil envolvidos diretamente na criação dos programas: autores, diretores, atores, jornalistas, cenógrafos, figurinistas, produtores, músicos e técnicos.
No período de um ano, a Globo grava e exibe diversas novelas, minisséries e especiais.
Ao todo, se somarmos os shows, humoristicos, musicais, eventos e jornalismo: são 4.420 horas de produção própria todo ano, o que coloca a emissora na posição de maior produtora de programas próprios de televisão do mundo.
Fonte: www.microfone.jor.br
No dia 26 de abril de 1965, precisamente às 11 horas, entrava no ar o Canal 4 do Rio de Janeiro, a TV Globo, de propriedade do jornalista Roberto Marinho.
A concessão havia sido outorgada anos antes, ainda no governo Juscelino Kubitschek, mas entrou no ar apenas neste ano, já na época da ditadura militar.
Dono do já consolidado jornal O Globo e de emissoras de rádio, fez uma associação com a Time Life, que investia em emissoras de televisão na América Latina.
O grupo Diários Associados, proprietário da TV Tupi, liderado por João Calmon, começou uma campanha contra a associação, proibida na Constituição da época.
Resultado: a parceria teve que ser desfeita, mas, ao mesmo tempo, deu audiência para a Globo, pois a repercussão da "guerra" travada foi grande.
Segundo Luiz Eduardo Borgerth no livro "Quem e como fizemos a TV Globo" (A Girafa, 2003, páginas 30/31), "na realidade, a contribuição do Time-Life não passou de um financiamento - sem juros e sem prazo - da escolha de equipamentos insuficientes e de um totalmente novo, bonito e inadequado projeto arquitetônico que em nada contribuiu para a TV Globo; (...) Time-Life não sabia nada do Brasil; (...) fracassaram em todos os lugares onde se meteram em televisão aberta".
Além da emissora do Rio de Janeiro, Roberto Marinho adquiriu das Organizações Victor Costa (OVC) a TV Paulista, canal 5 de São Paulo. Nos primeiros tempos, a TV Paulista ficou como uma espécie de afiliada da Globo, quando então foi formada a Rede Globo. Vale lembrar que, nesta época, os programas ainda não passavam em rede nacional, que inexistia.
A primeira grade de programação da emissora era composta por programas como "Sempre Mulher", apresentado por Célia Biar às 14 horas, "Festa em Casa", com Paulo Monte, que vinha em seguida, e "Show da Noite", às 22h30, com Gláucio Gil. Estas três atrações estrearam no dia 25 de abril de 1965.
A primeira novela veio no dia seguinte, às 22 horas: "Ilusões Perdidas", escrita por Enia Petri e estrelada por Leila Diniz.
Também no dia 26, foi ao ar o primeiro infantil: "Uni Duni Tê", com a Tia Fernanda, às 11 da manhã. Logo depois, às 11h30, era apresentada a "Sessão Zás-Trás", com Márcia Cardeal. No final da tarde, às 17 horas, a criançada pôde conferir "Capitão Furacão", cujo personagem-título era interpretado por Pietro Mário. O primeiro telejornal foi o "Tele Globo".
No dia 1º de maio, estava formada a grade do final de semana. "Câmara Indiscreta", a 'mãe' das pegadinhas, às 13 horas, com Augusto César Vanucci e Renato Consorte, "Clube das Garotas", às 14h30, com Sarita Campos, "TeveFone", às 16 horas, com Luiz de Carvalho, Jonas Garret e Mário Luiz Barbato e "Em Busca do Tesouro", às 18h30.
No domingo, dia 2, ia ao ar às 11h30 o "Programa Silvio Santos", já existente na TV Paulista desde 1962 (em 1961, Silvio Santos estreou na TV em "Vamos Brincar de Forca").
Em busca de audiência das classes populares, a emissora lançou programas como "Dercy Espetacular", no início de 1966, aos domingos, às 19 horas; "O Homem do Sapato Branco", com Jacinto Figueira Junior, e também a "Discoteca" e "Buzina do Chacrinha", às quartas e domingos, respectivamente.
Além disso, contava com Silvio Santos, líder absoluto de audiência - seu programa chegou a dar mais Ibope que a chegada do Homem na Lua, conforme matéria da revista Realidade em 1969.
Deu certo. Junto com a audiência conquistada, começava a chegar o prestígio e o grande elenco de artistas, advindos de emissoras como Tupi, Excelsior, Rio e Record. Regina Duarte, Francisco Cuoco, Jô Soares, entre outros, pouco a pouco, integram-se ao cast da emissora.
No ano de 1969, a emissora marca pelo pioneirismo: lança, através do recém-inaugurado sistema de microondas da Embratel, o "Jornal Nacional", telejornal apresentado por Cid Moreira e Hilton Gomes. Como a própria abertura da época dizia, o programa fazia o papel de integração, com "a notícia unindo o Brasil".
Luiz Eduardo Borgerth, em "Quem e Como Fizemos a TV Globo" (página 242), afirma que "a verdade verdadeira é que o festejado Jornal Nacional (que viria a ser feito mais tarde, a seu tempo, é claro) foi lançado nos primeiros dias de setembro de 1969 em virtude do incêndio das instalações da TV Paulista, o canal 5, em 14 de julho, o que impediu que São Paulo fizesse o seu jornalismo. Foi decidido, produzido e posto no ar às carreiras, provocando, naturalmente, grande apreensão no Armando [Nogueira]".
Em 1970, além da transmissão da Copa do México, em sistema de pool com as demais emissoras, faz sucesso a novela "Irmãos Coragem"
A partir de 1972, a já poderosa Rede Globo de Televisão começa a mudar seu perfil e extingue os programas considerados 'populares'. Silvio Santos ainda sobrevive até 1976, mas por interferência direta de Roberto Marinho, que deu a ordem para renovação de seu contrato.
Um dos motivos da não-permanência de SS na emissora era fácil de ser assimilado: apesar de ser líder absoluto na audiência, o programa era independente, ou seja, Silvio Santos comprava seus horários e vendia todos os anúncios, além de fazer propaganda do carnê do Baú da Felicidade. Isso prejudicava - e muito - a Globo, que não poderia lucrar com este grande público.
Em 1973, são lançados programas que marcam época na televisão brasileira e permanecem até hoje no ar, com imenso destaque: "Globo Repórter", "Esporte Espetacular" e "Fantástico".
Esta é a época do surgimento do "Padrão Globo de Qualidade", criado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que, ao lado de Walter Clark, comandava a emissora. Passa-se a investir em programas de Marília Pêra, Jô Soares ("Globo Gente" e "Satiricom"), Chico Anysio ("Chico City"), seriados como "A Grande Família", musicais, e também o famoso "Caso Especial", que durou de 1971 a 1995.
Nos anos 70, a Globo reinou absoluta, sem concorrentes. A Excelsior havia falido e fechado as portas em 1970, a Tupi estava em franca decadência, a Record não trazia perigo algum e a Bandeirantes buscava o segundo lugar, sem incomodar. E só. A Globo dominava, programas atingiam audiências hoje impensáveis, perto da casa dos 80 pontos.
A novela "Selva de Pedra", por exemplo, exibida entre 1972 e 1973, escrita por Janete Clair, chegou a atingir 100 pontos de audiência no último capítulo. "Roque Santeiro", em 1985, também. O "Jornal Nacional" era um fenômeno, o "Fantástico", também, pois ninguém queria perder o "Show da Vida".
Nos anos 80, sem a Tupi, mas com o SBT/TVS e Manchete, a Globo continua líder, mas sem a hegemonia completa. Em sua própria emissora, Silvio Santos roubou um pouco da audiência do canal investindo em atrações populares, consolidando o segundo lugar. Nada, no entanto, que abalasse a emissora.
Em alguns momentos, por exemplo, quando exibiu a série "Pássaros Feridos", na mesma época de Roque Santeiro, o SBT chegou a liderar a audiência.
Detalhe: uma verdadeira guerra foi travada neste episódio, já que SS garantia que a série começaria após o término da novela. "Vocês podem assistir Roque Santeiro e, quando terminar, acompanhem Pássaros Feridos", dizia, em seus programas. Deu certo. O SBT contratou Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega, Boris Casoy, Lilian Witte Fibe e conseguiu respeito do mercado publicitário e audiência.
Projac
Inaugurados em 1965, os estúdios da Rede Globo na Rua Von Martius, no Jardim Botânico, ficaram pequenos para tantas produções. Em 1980, foi constatado que as instalações da emissora tornariam-se impróprias em pouco tempo.
Em 1995, após dez anos de construção, foi inaugurada a Central Globo de Produção, o Projac, em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), o maior centro de produção da televisão da América Latina. A área total é de 1.300.000 metros quadrados, sendo 150 mil de área construída. O Projac foi projetado para abrigar os estúdios, administração, direção, entre outros departamentos da empresa.
Novelas
Desde sua inauguração, a TV Globo produz novelas. Em 1966, a escritora cubana Glória Magadan foi contratada pela emissora e escreveu inúmeras novelas, como "Eu Compro Essa Mulher", "O Sheik de Agadir", "A Rainha Louca" e "A Sombra de Rebeca", entre outras.
No entanto, eram produções que passavam-se na Idade Média, Europa, Arábia, entre outros lugares distantes. Nada de Brasil atual. Em "A Rainha Louca", por exemplo, a história era ambientada no século 18. Nathalia Timberg interpretava Charlote, filha do rei da Bélgica e era casada com Maximiliano, vivido por Rubens de Falco, imperador francês no México. A partir daí, dá para imaginar...
Em 1968, a Tupi lançou "Beto Rockfeller", de Bráulio Pedroso, que mudou a linguagem das novelas na televisão brasileira. Passou-se a mostrar temas atuais, do cotidiano da maioria dos brasileiros. A Globo exibia, na mesma época, "Rosa Rebelde", de Janete Clair, baseada no estilo de Magadan. A novela foi um grande fracasso.
Segundo o Dicionário da TV Globo, "Rosa Rebelde mantinha o estilo dramático de capa e espada que marcou a época de Glória Magadan no comando da produção de novelas da TV Globo. (...) O insucesso contribuiu para a demissão de Glória Magadan e impôs uma reestruturação da concepção das novelas da TV Globo".
Desde então, com o lançamento de "Véu de Noiva", também de Janete Clair, em outubro de 1969, as novelas da emissora entraram na era da modernidade.
Sucessos vieram, como "Irmãos Coragem", em 1970, novela que trouxe o público masculino para a frente da televisão; "Selva de Pedra", em 1972, que, como já citamos, alcançou altos índices de audiência; "O Bem Amado", em 1973, primeira novela colorida da televisão brasileira; "Pecado Capital", "Pai Herói", "Roque Santeiro", "Vale Tudo", "O Salvador da Pátria", "Renascer", "Terra Nostra", "O Clone", "Mulheres Apaixonadas", "Celebridade", "América", "Páginas da Vida", entre outras.
Jornalismo
A TV Globo fica no ar 24 horas por dia. Destas, mais de cinco horas diárias são dedicadas ao jornalismo. São mais de 500 profissionais no Brasil e no exterior.
Os programas diários do gênero são "Globo Rural", "Bom Dia Praça" ("Bom Dia Rio", "Bom Dia São Paulo", "Bom Dia Pará", etc), "Bom Dia Brasil", "Praça TV" ("SPTV" em São Paulo e várias afiliadas do interior do Estado; "Jornal Regional" em Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha; "TEM Notícias" em São José do Rio Preto, Itapetininga, Sorocaba, Bauru e Jundiaí, etc), "Globo Esporte", "Globo Notícia", "Jornal Hoje", "Jornal Nacional" e "Jornal da Globo".
Destaque também para os semanais "Globo Repórter", "Linha Direta", "Esporte Espetacular", "Globo Rural" de domingo e, é claro, o "Fantástico".
Ameaças no Ibope
A Globo se sentiu ameaçada em três momentos nestes quase 40 anos de vida: em 1990, quando a Manchete exibia "Pantanal" e roubou pontos preciosos (a emissora até lançou a novela "Araponga" no horário das dez para concorrer com a trama de Benedito Ruy Barbosa); em 1991, na saga de "Carrossel" no SBT, que obrigou-a a espichar o Jornal Nacional de 30 para 50 minutos, além do fato da novela "O Dono do Mundo" estar indo mal; e, em 2001, na surpresa pregada pelo SBT - a "Casa dos Artistas", baseada no formato do "Big Brother", criado pelos holandeses da Endemol, com direitos comprados pela Globo.
Tal fato derrubou a audiência do "Fantástico", chegando a atingir 50 pontos contra apenas 15 da tradicional revista eletrônica. Dias após o término da "Casa", foi lançado o "Big Brother Brasil", que já chegou na sétima edição, todas com enorme sucesso.
Dados
Em matéria publicada no dia 08 de agosto de 2003, na cobertura do falecimento de Roberto Marinho, o jornal O Globo cita que "a simplicidade do nome - ainda não era uma rede - ocultava o sonho maior de seu fundador, que já tinha, na época, 60 anos: criar uma televisão que cobrisse o país todo.
O sonho de Roberto Marinho criou nome - Rede Globo de Televisão - e transformou-se na maior produtora de programas próprios de TV do mundo. As 4.420 horas anuais equivalem a 2.210 longas-metragens. Mais da metade dos oito mil funcionários da Globo está envolvida diretamente na criação de programas, como autores, diretores, atores e jornalistas".
A emissora também faz ações sociais, como "Criança Esperança", "Ação Global" e diversas formas de merchandising social em novelas e programas, com assuntos relacionados a drogas, crianças de rua, violência contra mulheres e idosos, etc. Uma campanha elogiada, por exemplo, é a de incentivo a leitura, inserida no intervalo das transmissões esportivas.
Direção
Em agosto de 2004, Octavio Florisbal foi efetivado como diretor-geral da TV Globo, cargo que ocupava interinamente desde 2002, quando deixou a superintendência comercial. Florisbal substituiu Marluce Dias da Silva, que passou a ser assessora da presidência do grupo. Mário Lúcio Vaz é o diretor-geral artístico e Willy Haas é o diretor-geral de comercialização.
Slogans
O que é bom está na Globo (anos 1970)
O que pinta de novo, pinta na tela da Globo (1985)
Pegue essa onda, essa onda pega (1987)
A Globo 90 é nota 100 (1990)
Globo e você: tudo a ver (anos 1990)
Quem tem Globo, tem tudo (1997)
Uma nova emoção a cada dia (1999)
Globo: a gente se vê por aqui (desde 2000)
Fonte: www.telehistoria.com.br