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História das Olimpíadas

Melbourne 1956

Historia das Olimpiadas

A fatalidade acompanhou os Jogos de Melbourne, dada a conflitiva situação mundial: havia guerra no Canal de Suez, a França tinha sérios problemas na Argélia e a URSS invadira a Hungria.

Apesar de tudo, o COI apostou no aspecto estritamente esportivo, e seu presidente, Avery Brundage, teve a destreza de defender a opção olímpica acima de qualquer outra determinação.

A contundência de sua reflexão faz parte do melhor legado do olimpismo: " Os Jogos são uma competição entre indivíduos, não entre nações". Apesar das dificuldades políticas, o olimpismo viveu um grande momento na cidade australiana de Melbourne. Até então, todas as edições haviam tido lugar na Europa, com duas únicas edições nos EUA. Viajar até a Oceania confirmou o espírito ecumênico dos Jogos.

O clima australiano obrigou a celebrar as provas entre 22 de novembro e 8 de dezembro, um período não usual para os atletas, acostumados a estar em seu melhor estado físico durante o verão europeu. Além do que, a quarentena de meio ano a que estavam obrigados os cavalos, fez transferir as provas hípicas para Estocolmo durante o mês de junho.

Assim, Melbourne teve duas cerimônias de inauguração distintas: em Estocolmo, o fogo olímpico encontrava-se no dorso de um cavalo, e na cidade australiana acendeu a pira um jovem atleta Ron Clarke, desconhecido até bater recordes mundiais repetidas vezes. Uma das conquistas desta feita foi protagonizada pelo norte-americano Harold Connolly, recordista de martelo, ao alcançar a medalha de ouro e desbancar os soviéticos Krivonosov e Samotsvetov. A checoslovaca Olga Fikotova também surpreendeu ao vencer as soviéticas Beglyakova e Ponomaryeva. Connolly e Fikotova se casaram poucos meses depois em Praga, após haver superado inumeráveis entraves políticos entre seus países.

Melbourne significou também uma mudança na hierarquia olímpica, dado que os soviéticos ganharam mais medalhas que os norte-americanos. Um nome para recordar é o de Vladimir Kuts, que se destacou sobre os outros.

Na ginástica ganhou o soviético Viktor Chukarin, seguido do japonês Takashi Ono e de outro soviético, Yuri Titov.

Roma 1960

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A mistura de modernidade e antiguidade diferenciou os Jogos de Roma do restante. Os grandes monumentos da época clássica, a Basílica de Magencio, as Termas de Caracalla e o Capitólio, conviveram com novas e luxuosas instalações esportivas, como o Foro Itálico, o Palácio de Esportes e o Velódromo.

A determinação que tomou o COI a partir de Roma foi expulsar a África do Sul do esporte mundial, em conseqüência de sua política segregacionista. Neste jogos ocorreu a estréia do videotape, permitindo assim a cobertura mundial pela TV.

O encontro olímpico aconteceu do dia 25 de agosto ao dia 11 de setembro, foi o último que contou com este país africano, até seu reingresso nos Jogos de Barcelona - 1992. A África conseguiu triunfar com dois de seus representantes, o etíope Abebe Bikila e o marroquino Rhadi Bem Abdesselam. Bikila seria relembrado como o primeiro que ganhou em duas ocasiões a maratona olímpica, além de ser o primeiro corredor da África Negra a ganhar ouro no atletismo.

Aos 28 anos, Abebe Bikila venceu a maratona correndo descalço. Consagrou-se num belo e histórico percurso, com largada no Capitólio, passando pela via Apia, na única maratona olímpica que não terminou em um estádio, pois seu final foi no Arco de Constantina. O que poucos sabem é que ele e seu técnico haviam feito o percurso antes e notaram que o ponto da arrancada final deveria ser no Obelisco de Axun, que ficava aproximadamente, 1,5 km antes do final da prova. Este marco para o sprint final tinha um especial significado para ele, pois o obelisco era etíope e havia sido trazido para Roma depois de ser roubado pela tropas italianas invasoras.

Bikila estabeleceu nova marca mundial com o tempo de 2h65’16"02. Ele, que era guarda imperial etíope, foi promovido a sargento e ganhou um carro novo. Foi nesse carro que em 1969, sofreu um grave acidente que o deixou paraplégico.

A supremacia da URSS, o ressurgir da Alemanha, o retrocesso dos EUA e o êxito da Itália foram outros dados ressaltados. O quinto continente, logrou destaque com os neo zelandeses Peter Snell e Murray Halberg, e com o australiano Herbert Elliot.

Na categoria feminina, somente a norte-americana Wilma Rudolph conseguiu três ouros, dentro da clara supremacia soviética. Seu desempenho lhe valeu o apelido de "gazela negra", dado pela imprensa especializada.

O boxe revelou o nome de Nino Benvenuti (Itália) e especialmente o de Cassius Marcellus Clay (EUA), que ganhou a medalha de ouro nos pesos médios com apenas 18 anos.

Clay ficou tão orgulhoso com sua medalha de ouro, que ficou com ela no pescoço ininterruptamente por 2 dias. Mesmo jovem já era um show-man, falando sem parar. Cassius Clay foi o grande campeão mundial do boxe na categoria peso-pesado e responsável por acender a pira olímpica nos Jogos de Atlanta de 1996, numa cena que comoveu o mundo.

A tristeza dos jogos ficou para o ciclismo, com o falecimento do dinamarquês Knud Jenses, 23 anos, devido a um colapso decorrente de uma overdose de estimulantes. As provas de vela foram realizadas na Baía de Nápoles e destacaram o dinamarquês Paul Elvstrom na categoria Finn, pela quarta vez consecutiva, e o príncipe Constantino, herdeiro da coroa da Grécia, ganhou ouro na classe Dragão.

A vitória mais discutível foi a do australiano John Devit, nos 100 metros nado livre, pois a grande maioria achava que o vendedor havia sido o americano Lance Larson. O slow motion mostrava a vitória do americano, mas 2 dos 3 árbitros de chegada consideraram o australiano como vencedor. Prevaleceu a vitória do australiano, mas estes jogos foram os últimos sem cronometragem eletrônica na natação.

O Brasil participou nos seguintes esportes: atletismo (o bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva foi o 11° no salto triplo), remo, tiro, hipismo, pólo aquático, boxe, pentatlo moderno, futebol (fomos eliminados pela Itália por 3 a 1, depois de termos derrotado a Inglaterra e Taiwan), levantamento de peso, iatismo (na classe Finn, Reinaldo Conrad obteve o 5° lugar na classificação geral, vencendo uma das regatas), natação (Manoel dos Santos obteve a medalha de bronze nos 100 livres, tendo vencido a eliminatória e a semifinal. Fernando Nabuco de Abreu competiu nos 100 metros livres e, anos depois, veio a ocupar a presidência da Confederação de Ciclismo), basquete e ciclismo.

Tóquio 1964

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O predomínio da tecnologia constituiu a característica mais marcante dos Jogos de 1964 e, por esta razão, acabou sendo denominado "perfeito". Conceder Ásia a XVIII edição dos jogos era uma forma de suavizar as feridas da guerra. E foi um reconhecimento público o fato de que um jovem sobrevivente de Hiroshima, Yashinori Sakai, cobrisse a última parte do caminho percorrido pela tocha Olímpica.

O Japão parecia consciente de ter de superar uma prova diante de todo mundo, e construiu um estádio para 72.000 pessoas, uma piscina e um ginásio, além de orquestrar uma autêntica renovação urbanística.

Tóquio reuniu entre os dias 10 e 24 de outubro um total de 5.140 esportistas, procedentes de 93 países. O frio intenso e uma pista coberta de cinzas estão até hoje relacionadas à corrida de Bob Hayes que, apesar de tudo, continuou sendo o mais potente corredor do atletismo. Seu desempenho em Tóquio foi espetacular, além de terminar ileso nas suas últimas 48 finais. Billy Mills foi a outra grande surpresa norte-americana, especialmente porque era um desconhecido antes de superar uma prova repleta de promessas.

E os EUA se destacaram também no lançamento de disco, graças à precisão e potência de Al Oerter. O etíope Abebe Bikila repetiu em Tóquio a sua proeza de Roma, e se destacaram ainda o soviético Valeri Brumel e o norte-americano John Thomas, em salto em altura.

México 1968

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Os assassinatos de Martin Luther King e de Robert Kennedy, a repressão soviética da Primavera de Praga, a Guerra do Vietnã e o Maio Francês fazem parte do contexto histórico dos Jogos de 1968. A capital asteca inclusive viveu um protesto de 300.000 estudantes, sufocado pela polícia e denominado "a matança de Tlateloco" na Praça das Três Culturas.

Apesar de tudo, entre 12 e 27 de outubro o México organizou o que se denominou "Jogos da Alegria", com uma intervenção popular fervorosa.

Além disso, o esforço que o evento requeria em infra-estrutura e comunicações, converteu a capital asteca numa urbe moderna. A eleição do México como sede olímpica implicava algo relevante: os 2.277 metros sobre o nível do mar distorceram notavelmente os recordes do atletismo. Por isso os atletas de raça negra foram favorecidos e aproveitaram para transformar seus êxitos em tribunas de difusão do "Black power", presente nos EUA desde o assassinato de Martins L. King.

Ficaram na memória coletiva os punhos com luvas e as boinas de John Carlos, Tommie Smith ou do mítico Lee Evans, desde o pódio. Neste despertar da consciência negra se incluíram os esportistas de alguns países africanos, como Etiópia, Tanzânia e o Quênia, ainda que com menor articulação política.

Sua subida ao pódio teve também uma freqüência pouco comum. Outros nomes próprios que se consolidaram foram os norte-americanos Jim Hines, Charlie Greene, Larry James e Ron Freeman, além da polonesa Irena Szawinska. Todos eles em provas de atletismo. Mas foi curiosamente na modalidade dos saltos, onde se produziu uma maior fusão entre espetáculo e esporte: o norte-americano Dick Fosbury e o soviético Viktor Saneiev inscreveram seus nomes nos anuários olímpicos. E a grande proeza foi a do norte-americano Bob Beamon, que surpreendeu com os 8,9 metros na prova de salto em distância, uma marca até então inexistente no medidor oficial.

Com a supremacia da televisão ao vivo, a união entre esporte, política e espetáculo foi definitiva.

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