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História de Brasília

Com um plano urbanístico inovador e um conjunto arquitetônico mais significativo do século XX, Brasília, a capital do Brasil, foi inaugurada em 1960 por Juscelino Kubitschek. Construída em três anos e meio configura-se em um projeto, que sintetizou nas idéias, projetos e leis sobre a transferência da capital. Marcada por quatro fases: a interiorização, a construção, a inauguração e a consolidação, o Distrito Federal, hoje conta com alto índice de desenvolvimento e uma população de 2 milhões de habitantes.

A primeira idéia da interiorização da capital remete ao século XVIII e é atribuída ao Marquês de Pombal. Os inconfidentes mineiros em 1789 incluíram nas metas do movimento a transferência da capital para o interior. Quase cem anos depois, em 1892, foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto Central, conhecida como Missão Cruls, em homenagem ao líder do grupo, o astrônomo belga Luiz Cruls.

Um dos fortes argumentos da transferência da Capital era a questão da segurança. Quando a família real aportou-se à Colônia, o chanceler Veloso de Oliveira apresentou ao príncipe regente um memorial propondo a fixação da sede do governo no interior, distante dos portos marítimos, para garantir a segurança da capital do país. O Governo Provisório do Estado de São Paulo, em 1821, tomou a decisão de instalar a Regência do Brasil numa cidade central do Brasil “que poderá ser na latitude pouco mais ou menos de 15 graus”. Coincidentemente, o sonho de Dom Bosco previa o surgimento de uma nova civilização em uma cidade construída entre 15 e 20 graus de latitude sul. Em 1823, José Bonifácio sugeriu o nome Brasília. Um dos maiores defensor da transferência da capital, o historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen, em 1939 sugeria estudos sobre a melhor localização da capital e em 1949 argumentou que a região ideal seria o Planalto Central, no triângulo formado pelas lagoas Formosa, Feia e Bonita.

Nas últimas décadas do Império alguns projetos sobre a interiorização da capital transitaram no Parlamento mas nenhum vingou. Apenas depois de proclamada a República foi dado o primeiro passo oficial: O artigo 3º da Constituição Brasileira de 1891 previa: “Fica pertencente à União, no Planalto Central da República uma zona de 14.400 km², que será oportunamente demarcada para nela estabelecer a futura Capital Federal”. O Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Antão Gonçalves de Farias, por meio da portaria nº 119-A de 17 de maio de 1892 constituiu a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, a Missão Cruls, composta de 22 membros e chefiada pelo astrônomo Luiz Cruls, diretor do Observatório Imperial do Rio de Janeiro, hoje Observatório Nacional.

O Relatório Cruls foi editado a partir da experiência e do percuso da Comissão. Trata-se de minucioso levantamento sobre a topografia, o clima, a hidrografia, a fauna, a flora, a pedologia, os recursos minerais e materiais de construção existentes na região. O relatório é composto de textos descritivos, (português e francês na versão original) fotografias, tabelas, cálculos e croquis, além de um atlas com 83 caminhamentos (mapas) da região. Peça-chave da interiorização, o Relatório Cruls serviu de referência aos atos, os projetos e os estudos sobre a transferência da capital.

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