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Limeira

Limeira é um município brasileiro no leste do estado de São Paulo. Localiza-se a uma latitude 22°33'53" sul e a uma longitude 47°24'06" oeste, estando a uma altitude de 588 metros. Sua população estimada em 2006 era de 279.554 habitantes dos quais 154 867 em 2000 eram eleitores. Possui uma área de 581,0 km².

A cidade já recebeu o título de Capital da Laranja dada a grande produção de laranja que ocorreu no passado, porém a economia da cidade se voltou mais recentemente para o cultivo de cana-de-açúcar. Atualmente Limeira tem se destacado na área de jóias folheadas, atraindo atenção de pessoas de todo o mundo.

Destaca-se também por possuir várias fazendas históricas que atualmente movimentam o turismo ecológico na cidade.

História

A história de Limeira se inicia com a exploração econômica do interior do estado de São Paulo, mais precisamente em meados do ano de 1826, o qual marca a fundação do município. Porém compreende também um período anterior a este ano envolvendo inclusive uma lenda que tenta explicar a origem do atual nome da cidade.

Origem lendária

A origem do nome envolve uma lenda popular consagrada na cidade. A tradição diz que os bandeirantes costumavam descansar num pouso situado a 27 léguas de São Paulo, às margens do ribeirão Tatuibi, nome que em tupi-guarani significa tatu pequeno. Este pouso era chamado rancho do Morro Azul, pois ficava nas proximidades de uma elevação que à distância é visto em tons azulados.

Diz-se que no ano de 1781 uma caravana se dirigia aos sertões de Araraquara e estando de passagem por Limeira, acampou nas imediações do córrego do Bexiga (onde hoje está o Mercado Modelo). Nesta caravana estaria um franciscano, frei João das Mercês, que trazia consigo um picuá de limas as quais dizia curar e prevenir febres.

Mas durante a noite ele começou a se sentir mal, culpando as limas as quais segundo ele teriam sido envenenadas. Acabou falecendo durante a madrugada e no dia seguinte teria sido sepultado ali mesmo, junto de seu picuá, cujas limas ninguém queria comer. Teria então brotado ali uma limeira, nascida das limas do frade. Anos depois o rancho do Morro Azul passaria a se chamar Rancho da Limeira.

Pesquisas recentes nos arquivos da igreja católica não encontraram referências ao frei João das Mercês, reforçando o caráter lendário desta versão.

Limeira surgiu em terras desbravadas próximas ao caminho conhecido como Picadão de Cuiabá, estrada de fluxo de tropas que faziam comércio e abasteciam de víveres as minas de Mato Grosso.

A partir da observação de árvores-padrão (que indicavam a fertilidade das terras) que existiam ao longo da estrada em terras ainda virgens, senhores de engenho das cidades de Constituição (Piracicaba), Itu, Porto Feliz e Atibaia souberam onde estavam as melhores terras e conseguiram do governo provincial a concessão de sesmarias. Isso ocorreu de 1799 a 1820 na região.

O início da povoação se deu então com a instalação de engenhos, a vinda de senhores e escravos e a expulsão dos posseiros que haviam na área. Já é possível observar que, pelo censo de 1822, na Vila Nova da Constituição (Piracicaba), a região do Morro Azul e Tatuibi (Limeira), tinha uma população de 951 pessoas livres e 546 escravos. Identifica-se nesse recenseamento, sesmeiros, proprietários de grandes engenhos, sitiantes, posseiros, ...

Os caminhos que ligavam estas propriedades à capital da província eram precários, fato que levou Nicolau Pereira de Campos Vergueiro a liderar um grupo de fazendeiros como Bento Manuel de Barros, José Ferraz de Campos e outros para pedir junto ao governado a construção de uma estrada que facilitaria o escoamento da produção dos engenhos da região.


Rua Barão de Campinas no início do século XX.

Esta estrada foi inaugurada em 1826, ao mesmo tempo que nas margens desta estrada surgiu um núcleo habitacional, a freguesia de Nossa Senhora das Dores do Tatuibi, oficializada por lei provincial em 9 de dezembro de 1930.[1] O movimento da estrada facilitou o crescimento do comércio e de outras atividades e marca a fundação do município.

O núcleo foi construído em terras doadas pelo capitão Luís Manuel da Cunha Bastos, considerado fundador do município.

Em 1842 o povoado foi elevado à categoria de vila, mas só em 1844 foi instalada a câmara municipal. Limeira foi elevada a categoria de cidade no dia 18 de abril de 1863. No dia 20 de abril de 1875 foi criada a comarca de Limeira.

Berço da imigração européia de cunho particular

Limeira é o berço da imigração européia de cunho particular no Brasil. Através do esforço pioneiro empreendido pelo então proprietário do Engenho do Ibicaba no ano de 1840, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro (conhecido como Senador Vergueiro), vieram oitenta portugueses trabalhar em suas terras. Esta foi a primeira experiência positiva ao desenvolver o sistema de parceria.

Os imigrantes iriam substituir a mão de obra escrava, ainda em uso nesta época. No ano de 1846 alemães chegaram para trabalhar em Ibicaba. Senador Vergueiro foi uma figura importante na substituição do trabalho escravo pela mão de obra livre.

A Fazenda Ibicaba foi durante um período a maior produtora de café do Brasil. Hoje é um importante conjunto histórico formado pela sua sede, senzala, terreiros, aquedutos e outras dependências, fazendo parte do conjunto de fazendas históricas da cidade.

Geografia

Localização de Limeira

O município de Limeira está localizado a 154 km a noroeste da cidade de São Paulo na Região Administrativa de Campinas, constituindo-se na sede da Microrregião de Limeira integrada por oito municípios: Araras, Leme, Limeira, Pirassununga, Cordeirópolis, Conchal, Santa Cruz da Conceição e Iracemápolis.

Situa-se à margem de importantes troncos rodoviários e ferroviários que ligam o estado de São Paulo a Minas Gerais e à Região Centro-Oeste do país, além de destacado tronco ferroviário que escoa a produção do país desde a Região Amazônica até o porto de Santos. Situa-se ainda, junto a Hidrovia Tietê-Paraná, importante via que a liga aos estados do Sul do país e aos países do Mercosul.

Faz divisa ao norte com Cordeirópolis e Araras; a leste, com Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e Cosmópolis; ao sul, com Americana e Santa Bárbara D'Oeste e a oeste, com Iracemápolis e Piracicaba.

Relevo de Limeira

A cidade se localiza na depressão periférica, com altitudes que variam de 500 a 800 metros. O ponto mais alto é o Morro Azul com 831 metros[2], por isso era utilizado como referencial para bandeirantes e tropeiros que se dirigiam para o interior na época das bandeiras.

Hidrografia de Limeira


Ribeirão Tatu junto à orla ferroviária

A bacia hidrográfica em que a Limeira se localiza é a do rio Piracicaba. Dois rios passam pela cidade, o próprio rio Piracicaba e também o rio Jaguari, de onde é captada parte da água que é consumida no município. O ribeirão Tatu atravessa a área urbana da cidade estando canalizado em alguns trechos.

Clima de Limeira

A cidade apresenta clima subtropical com inverno seco (Cwa) e temperatura média de 22°C. Temperatura máxima absoluta 37,7ºC e mínima absoluta 3,1ºC.

Demografia de Limeira

Dados do Censo - 2000

População Total: 249.046

Urbana: 238.349

Rural: 10.697

Homens: 123.609

Mulheres: 125.437

Densidade demográfica (hab./km²): 428,65


Edifício Prada, sede da Prefeitura Municipal de Limeira.

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 9,5

Expectativa de vida (anos): 72,57

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 1,97

Taxa de Alfabetização: 93,75%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,814

IDH-M Renda: 0,759

IDH-M Longevidade: 0,793

IDH-M Educação: 0,890

(Fonte: IPEADATA)

Cultura de Limeira

Feriados de Limeira

No dia 15 de setembro comemora-se o aniversário da cidade.
No dia 20 de novembro comemora-se o dia da Consciência Negra, dia de Zumbi dos Palmares.

Música

Existem quatro corporações musicais que se destacam na cidade:

Corporação Musical Henrique Marques, centenária, fundada em 1860, é a quarta banda marcial mais antiga do Brasil. Possui sede própria e mais de sessenta componentes. Afora as apresentações externas, realiza retretas regularmente, a cada quizena, na praça Toledo Barros. é regida atualmente pelo maestro Mauro Cerdeira, o quarto maestro da corporação em 146 anos.

Corporação Musical Arthur Giambelli, fundada em 1932 e conhecida por Embaixatriz Sonora de Limeira, por ter sido campeã de vários festivais das décadas de 50 a 70. Assim como a anterior, possui mais de 60 membros e tem sede própria. Também apresenta-se em outras cidades e realiza retretas a cada quinzena na praça Toledo Barros, em semanas alternadas com a Corporação Henrique Marques. Está hoje sob a batuta do maestro Leandro Pereira.

Banda Marcial do SENAI Luís Varga, formada em 1998 a partir da fanfarra da escola. Banda bastante jovem e inovadora, tem apresentado-se com destaque em vários locais do estado, comandada pelo maestro Júnior Luiz Villas Boas.

Orquestra Sinfônica de Limeira. A cidade apresenta, desde o fim do século XIX, várias formações de orquestras sinfônicas que foram dissolvidas em algum período. A formação da sinfônica atual data de 1995. Conta com duas óperas na bagagem e muitas apresentações em outras cidades paulistas, o que tem elevado o nome da orquestra no estado. Tem em seu quadro 54 músicos e apresenta-se regularmente no Teatro Vitória todos os meses em dois concertos seguidos, sempre de quarta e quinta-feira. Desde o início desta formação a regência e a direção artística estão sob o comando do maestro Rodrigo Müller.

Teatros de Limeira

Limeira foi uma das primeiras cidades paulistas a possuir um teatro. O primeiro teatro da cidade chamava-se Teatro da Paz, localizado na praça Toledo Barros e inaugurado em 1882 ainda inacabado. Recebeu este nome para celebrar a paz após a Guerra do Paraguai. Em 1885 o teatro neoclássico teve suas obras concluídas.

Funcionou até o ano de 1940, quando foi demolido para dar lugar ao Cine Vitória, à época um moderno edifício art déco. Em 1996, o Cine Vitória foi reformado para se transformar num teatro.

O atual Teatro Vitória, com capacidade para 670 pessoas, está localizado na praça Toledo Barros, no mesmo local onde fora construída a primeira casa de espetáculos da cidade. Além de peças, concertos, palestras, mostras de dança, recebe exposições no hall de entrada.

A cidade conta ainda com o Anfiteatro de Educação Ambiental Roberto Burle Marx, com cem lugares no zoológico municipal, e o Auditório da Delegacia de Ensino, antigo Cine Boa Vista, no bairro homônimo, com capacidade para quatrocentos pessoas.

Bibliotecas de Limeira

A Biblioteca Municipal João de Sousa Ferraz se localiza na praça do antigo grupo escolar Coronel Flamínio Ferreira, fazendo parte do Centro Cultural Municipal. Possui acervo de mais de 35 mil livros.

A Biblioteca Infantil Cecília Quadros está implantada no pátio do mesmo Centro Cultural e possui acervo de cerca de 4 mil livros.

Museus de Limeira

O Museu Histórico Pedagógico Major José Levy Sobrinho, criado em 1963, também se integra ao Centro Cultural Municipal e está localizado no prédio do antigo grupo escolar Coronel Flaminio Ferreira. Possuía acervo de mais de três mil peças, onde podem ser encontradas fotos e gravuras que remontam à cidade quando esta era apenas uma vila. Há também retratos a óleo de habitantes do passado e uma série de objetos que pertenceram ao antigo grupo escolar Coronel Flamínio Ferreira. Lousa, ábaco, tinteiros e as primeiras carteiras utilizadas pela escola são algumas das curiosidades.

No prédio também funciona o Museu da Imagem e Som de Limeira, que preserva gravações com depoimentos de limeirenses e uma hemeroteca com mais de 1800 revistas e jornais antigos, álbuns de foto e discos.

Monumentos de Limeira

A Gruta Municipal, na praça Toledo Barros é um monumento que celebra a paz e foi construído por volta de 1920 para celebrar o final da Primeira Guerra Mundial. Originalmente era um coreto e hoje abriga exposições eventuais.

Existem bustos de algumas pessoas ilustres espalhados pela cidade:

Cônego Silvestre Rossi, ao lado da catedral.

Dr. Trajano de Barros Camargo, em frente à escola que leva seu nome.

Dr. Octávio Lopes Castelo Branco, em frente à escola que leva seu nome.

Dr. Luciano Esteves dos Santos, na praça homônima, em frente à catedral.

Há outros monumentos que se destacam:

Monumento à memória do Sargento Pierrotti e dos combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, no largo do Cemitério da Saudade.

Monumento à Maçonaria, na rotatória da avenida. Con. Manuel Alves com a Rod. Limeira-Piracicaba.

Monumento à Bandeira Nacional, na rotatória da Via Antônio Cruanes Filho com a Rod. Limeira-Piracicaba.
Pórtico de entrada da cidade, na Av. Major José Levy Sobrinho.

Obelisco em memória dos combatentes da Primeira Guerra Mundial, de autoria de José Rosada, na praça Toledo Barros.
Monumento em memória dos combatentes da Segunda Guerra Mundial, na praça Luciano Esteves

Construções Históricas de Limeira

Esta é uma lista de construções históricas de Limeira.

Apesar da cidade ser antiga para os padrões paulistas por ter sido fundada em 1826, Limeira sofreu uma renovação urbana significativa nas década de 60 e 70. Por isso quase todas as construções antigas se perderam. Entre as construções históricas que ainda estão presentes nos dias atuais podemos listar:


Interior da Igreja da Boa Morte.

A Igreja Boa Morte (dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção), localizada no largo da Boa Morte, começou a ser construída em 1858 e foi concluída em 1867. Templo barroco, possui elaborados entalhes e alfaias, além de ricas pinturas parietais e belas imagens sacras.

A Estação Ferroviária, construída em 1876 e reformada no início do século XX, adquirindo feições ecléticas. Fechada após o fim do transporte de passageiros pela Fepasa, em 1996, é sub ocupada pela guarda municipal. Há um projeto de transformá-la em um novo centro cultural que ainda não teve início.

O Palacete Levy, edificado em 1881 atualmente abriga a Secretaria da Cultura, Turismo e Eventos e sedia diversas atividades e eventos culturais. Originalmente era a residência de Sebastião de Barros da Silva, um rico cafeicultor da cidade.

A Casa de Azulejos, residência particular localizada na rua Tiradentes, edificada em 1889. Destaca-se por sua fachada recoberta por belos azulejos portugueses de cor azul-turquesa com desenhos em alto-relevo.

O sobrado conhecido por Prefeitura Velha, construído na década de 1890 nos moldes do ecletismo e com belos gradis de ferro e escadarias de mármore, foi residência do Comendador Agostinho Prada, doada por ele posteriormente para a prefeitura. Fuciona atualmento no prédio o PAT - Posto de Atendimento ao Trabalhador.

O Palacete Tatuibi, finalizado provavelmente em 1901 seguindo os padrões do ecletismo, é a atual sede da Delegacia de Ensino. Foi residência do Coronel Flamínio Ferreira e do Dr. Trajano e sua esposa, Dona Maria Teresa. Foi também sede da Câmara Municipal de Limeira.

O Centro Cultural, edifício de 1906 onde funcionou o Grupo Escolar Coronel Flamínio Ferreira. Desativada a escola, o prédio abriga atualmente o Museu Histórico Major José Levy Sobrinho e a Biblioteca Municipal João de Souza Ferraz.


Catedral de Nossa Senhora das Dores - vista da Praça Luciano Esteves.

A Capela do Cubatão, localizada na Avenida Campinas, foi construída em 1927 pelos imigrantes italianos da cidade. Está sob os cuidados da igreja Sagrada Família.

O edifício do Banco Nossa Caixa, localizado na praça Toledo Barros, foi construído nas primeiras décadas do século XX num padrão neoclássico, com imponentes colunas em sua fachada.

O Edifício Prada, de 1937, atual sede da prefeitura de Limeira, abrigou a antiga companhia Chapéus Prada S/A.

O Teatro Vitória, construído em 1941 para ser cinema, funcionou como tal até 1994, quando foi fechado e, em 1995, devolvido à população adaptado e transformado em teatro. Sua a edificação, art déco, era o símbolo da modernidade nos anos 40. Embora tendo sofrido reformas em sua adaptação, mantém elementos decorativos e altos-relevos figurativos que se destacam a fachada e no interior.

A Catedral Nossa Senhora das Dores, localizada na praça Luciano Esteves é a principal igreja da cidade, sede da Diocese de Limeira. A primitiva igreja foi construída junto à fundação da cidade, em 1826 e era toda em madeira. Foram erigidos novos templos, em substituição aos anteriores em 1876 e 1950.

Agricultura na cidade de Limeira

A região que hoje compreende o município de Limeira começou a ser ofiocialmente ocupada em 1799, com a concessão de sesmaria ao Coronel Sá, de São Paulo. A vegetação original, composta quase que na totalidade por mata atlântica e com algumas manchas de cerrado, foi sendo derrubada para a instalação de engenhos e a plantação de cana-de-açúcar, uma vez que a então Província de São Paulo passava por um novo ciclo da cana.

Em 1828 foi feita a primeira experiência de cultivo de café na região: 6 mil pés foram plantados na fazenda Ibicaba. Por ser uma cultura muito mais lucrativa, o café foi, aos poucos, substituindo a cultura pioneira. Durante o período próximo entre os anos de 1860 e 1870, Limeira foi o principal município cafeeiro da Província e a fazenda Ibicaba a maior produtora mas, à medida que o café se alastrou pra zonas mais novas, outras cidades, como São Carlos, Araras, Casa Branca, Descalvado e, posteriormente, Ribeirão Preto passaram a ter produções mais significativas.

Cem anos depois da primeira lavoura de café, a crise de 1929 afetou bastante a cafeicultura local e a produção caiu significativamente. Os cafezais começaram a dar lugar a novos produtos, destacando-se a laranja, a cana, o algodão, o arroz e o amendoim. Nas grandes propriedades, a cana-de-açúcar tomou o lugar do fruto e, nas pequenas e médias propriedades, a laranja. Os cafezais só desapareceriam definitivamente da paisagem limeirense por volta de 1960.

A partir de então, a citricultura floresceu. Limeira foi o berço da citrticultura do Brasil. No município foram plantados os primeiros pomares comerciais do país e as primeiras exportações ocorreram em 1926, antes mesmo da crise de 1929. De 1932 a 1936, Limeira foi a maior exportadora de laranjas do Estado de São Paulo. A fazenda Citra tornou-se grande produtora de mudas para citrus. O auge da citricultura no município foi a década de 60, quando se popularizou o consumo da laranja bahia. Nessa época, Limeira era conhecida como 'Capital da Laranja'.

Assim como ocorreu com o café, a citricultura alastrou-se e outros centros passaram a ser maiores produtores, com destaque para Bebedouro. A queda do valor de mercado da fruta fez com que a laranja também fosse, aos poucos, substituída pela cana-de-açúcar. Nas pequenas propriedades, a atividade de produção de mudas cítricas se tornou importante.

Com o tempo, a atividade viveirista expandiu-se e se diversificou com a produção de mudas de viárias espécies arbóreas e arbustivas. Essa expansão se deu com maior força na década de 90, porém, em 2000 uma portaria do Estado proibiu a produção de mudas sem o uso de estufas teladas. Não podendo arcar com os custos, muitos produtores pequenos faliram ou tiveram que mudar de atividade: desde então, o cultivo de legumes e verduras tem ocupado boa parte das áreas antes utilizadas para a produção de mudas cítricas.

Ainda assim, atualmente, Limeira é a maior produtora de mudas cítricas da América Latina. O município é também referência nacional na produção de mudas em geral. Destacam-se, ainda a produção de cana-de-açúcar - a maior refinaria de açúcar do mundo está implantada na cidade - e, mais recentemente, a de verduras e legumes, consumida quase que totalmente na região.

Indústria da cidade de Limeira

A indústria de Limeira iniciou-se de forma bastante precoce. Por volta do ano de 1850 as oficinas da Fazenda Ibicaba fabricavam carroças e instrumentos agrícolas para uso próprio da fazenda e para outros fazendeiros. Por esse motivo, a Ibicaba é considerada a primeira indústria de Limeira. Lá, o Senador Vergueiro idealizou um descascador de café que tinha produção de 32 mil litros diários. Durante a Guerra do Paraguai, a Fazenda Ibicaba fabricava apetrechos para os soldados da guerra.

Já entre os anos de 1871 e 1876 há registros do funcionamento na cidade das olarias das famílias Forster e Busch e, no ano de 1884, havia em Limeira quatro indústrias de máquinas para beneficiar café, duas fábricas de carroças, quatro olarias e uma fábrica de macarrão.

No período de 1907 a 1922 surgem as primeiras indústrias modernas da cidade, que seriam os embriões de várias outras em seus segmentos. São fundadas nessa época a Indústria de Chapéus Prada (1907), a Phosphoros Radium e outras empresas de serraria e pregos do grupo Levy (1912), a Indústria Machina São Paulo (1914), a fábrica de calçados Buzolim (1915), a Café Kühl (1920) e a indústria de papel Santa Cruz (1922, atual Ripasa S.A.).

De 1922 a 1940 surgem as primeiras empresas formadas pelas pioneiras, destacam-se entre elas, a Machinas Zaccaria (1925), a Machina Fabri (1931), a Maquina D’Andrea (1934) e a Penedo (1939). Predominavam, no período, indústrias de máquinas para beneficiamento de cereais e implementos agrícolas. Na área de calçados surgiram as fábricas Lucato em 1937 (posteriormente mudando para o ramo de máquinas para madeira), Ferrari Calçados em 1936 (depois Camillo Ferrari) e Sandálias Atlântida em 1939.

Em 1933 é fundada a Associação Comercial e Industrial de Limeira (ACIL).

O período de 1940 a 1970, graças ao florescimento da citricultura, marca o surgimento das agroindústrias citrícolas, como a de sucos Citrobrasil (1940), a de vinho de laranja Bebidas Caldas (1940) e a Citosuco/Cutrale (1966). O desenvolvimento da indústria automobilística após a Segunda Guerra Mundial e o posterior apoio ao carro pela política kubischekiana fez com que fábricas de máquinas e de autopeças se tornassem o carro-chefe do município. São desse período a Freios Varga S.A. (1945, atual TRW Automotive), as indústrias de rodas Fumagalli (1946, atual Arvin Meritor) e Arcaro (1949) e as de escapamentos Igê (1953) e Mastra (1967). Dentre as indústrias de máquinas e ferramentas, destacam-se a Newton (1950), a Rocco (1953) e a Mazutti (1954)

Além desses ramos, surgiram novas empresas que também seriam embrionárias de outras futuras: Em 1943 surgiu a primeira fábrica de jóias do município: a Jóias Cardoso. Em 1949 o ramo cerâmico ganha força com a olaria, hoje Cerâmica Batistella. No ramo sucroalcooleiro, em 1954 é instalada na cidade a Companhia União, que viria a ser a maior refinadora de açúcar do planeta. Na década de 50 foram criadas indústrias de carrinhos para bebês: Burigotto & Rossi, que se separaram em 1955. Em 1958, surge a Galzerano. Surgem também as empresas de móveis a Brigatto (1960) e a Virgolin.

A partir de 1970, inicia-se um processo de consolidação, expansão e multinacionalização do parque industrial limeirense. O município acelera seu processo de industrialização com a expansão da empresas já existentes e com o surgimento de novas indústrias nos ramos já consolidados, muitas delas de pequeno e médio portes. Nesse período, muitas empresas como Fumagalli, Freios Varga, Invicta, Zaccaria implantaram ou adquiriram unidades no exterior e se expandiram. Dos maiores investimentos estrangeiros na cidade, destacam-se a instalação em 1977 da japonesa Ajinomoto, em 1974 da italiana Ceccato, as fusões das indústrias Fumagalli e Invicta ao grupo americano Rockwell (em 1974) e da Freios Varga ao grupo inglês Lucas (2000), englobado posteriormente pelo conglomerado estado-unidense TRW Automotive.

Mais do que um grande centro agrícola, Limeira é uma cidade eminentemente industrial. O município possui uma das mais altas taxas do país de população empregada na indústria. É um dos vinte pólos industriais do estado de São Paulo. O setor industrial é bem diversificado e atua nos ramos de metalurgia, mecânica, autopeças, máquinas e ferramentas, implementos agrícolas, cerâmica, gêneros alimentícios, bebidas, calçados, vestuário, embalagem, adubos, artigos infantis, jóias e folheados entre outros.

Atualmente, os ramos de maior destaque são os de máquinas e autopeças, onde se encontram as maiores empresas da cidade. O setor de jóias e folheados a ouro é o mais importante economicamente, pois emprega 30% da mão-de-obra, contando com mais de 450 empresas no setor, as quais possuem boa reputação em nível mundial. A produção municipal, quase metade de toda a produção nacional do setor, é exportada para todos os continentes.

Comércio

O setor comercial da cidade conta com 3500 estabelecimentos comerciais e 3000 prestadoras de serviços. Na cidade há um shopping center na região central, o Center Plaza Shopping, que tem como lojas âncora: Lojas Americanas e Marisa, além de possuir 4 salas de cinema.

Mídia

Na área de mídia escrita a cidade conta com dois jornais de circulação diária, a Gazeta de Limeira e o Jornal de Limeira e outro de circulação semanal, a Folha de Limeira. Também há uma revista de circulação mensal.

Na área de mídia televisiva possui um canal de televisão com programação local, a TV Jornal (retransmitindo a TVE Brasil) canal 39, e dois canais com programação regional: a Rede Família/Rede Mulher canal 11 e TV Mix Regional (retransmitindo a SESC TV) canal 15. Também existem repetidoras que retransmitem outros canais de televisão de alcance nacional ou regional.

Saúde

A rede de saúde conta com cinco hospitais. Duas unidades são filantrópicas e recebem auxílio do poder público:

Santa Casa de Misericórdia
Sociedade Operária Humanitária
Os três outros hospitais são particulares:

Hospital Unimed
Hospital Medical

Beneficiência Limeirense (antigo hospital filantrópico que, fechado, foi encampado pela Santa Casa).
O setor médico é bastante desenvolvido e, dentre os hospitais, destaca-se a Santa Casa, onde se localizam os principais centros de especialidades. O sistema de saúde pública - SUS - funciona dentro da Santa Casa, que é um dos maiores hospitais do interior paulista, atendendo, atualmente, pacientes de 92 cidades paulistas e do Sul de Minas. Destacam-se, dentro do sistema público unidades de referência regional como o Centro para Queimados, o Centro de Câncer e o Centro de Hemodiálise. Alguns transplantes mais simples, como de rins, são realizados na cidade.

Existem ainda, para atendimentos dos bairros, diversas Unidades Básicas de Saúde espalhadas por todo o município.

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