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Personagens da História de Limeira

Os personagens que fizeram história em Limeira

O historiador José Eduardo Heflinger Júnior, o Toco, reuniu em cartazes fotos de personagens populares de Limeira.

Segundo ele - que assina a Revista Povo há 26 anos - quatro tipos posteres, com diferentes imagens dessas figuras folclóricas, foram confeccionados e distribuídos na cidade. "Dei esses posteres para assinantes da revista e patrocinadores. Muitos colocaram esses cartazes pendurados em bares e comércios da cidade, o que despertou a curiosidade das pessoas", fala.

Os históricos de cada personagem são de responsabilidade de Toco.

Confira abaixo um pouco sobre a vida destes personagens:

LUCAS PINHO

José Lucas dos Santos, conhecido popularmente como "Seu Lucas", nasceu em 29 de junho de 1911, em Cordeirópolis, logo mudou-se para Limeira e casou-se com Maria das Dores Caetano dos Santos. Iniciou sua carreira como vendedor ambulante em 1938. Carregava em sua bicicleta preta uma cesta de bambu, contendo pinhões. Daí surgiu seu apelido. Fazia "seu ponto" principalmente na porta do Teatro da Paz. Em ocasiões festivas - como quermesses e festas juninas - "Seu Lucas" vendia pamonhas, brinquedos e iô-iôs. "Pinho... Pinho... Pinho..." era seu grito de guerra que o tornou conhecido.

PEDRO LOUCO

Vivia sempre sujo, descalço e quando alguém lhe dava dinheiro ou comida corria de felicidade pelas ruas. Quando o chamavam de Pedro Louco ficava enfurecido, atirava pedras e corria atrás de adultos e crianças. Conta-se que certa vez ele entrou numa igreja no horário de missa, pulou os bancos e começou a dar "bananas" e a cuspir nas imagens, promovendo grande confusão. Ninguém se atreveu a retirá-lo do local, pois na saída ainda atirou pedras.

JOÃO RAMALHO

João Ramalho de Freitas celebrizou-se pela fama de ser o maior mentiroso de Limeira em todos os tempos.

Na lápide de sue túmulo, a pedido de sua irmã, foi escrito: "Aqui jaz capitão dr. João Ramalho de Freitas, o dentista número 1 do Brasil". Uma das histórias que lhe rendeu a fama de mentiroso trata-se de uma visita de João ao Mato Grosso, quando pendurou seu relógio de bolso num arbusto e dormiu. Depois de uma semana, quando já estava em Limeira, deu conta que havia esquecido o objeto. Após 30 anos, ele retornou ao mesmo local, o arbusto havia virado uma enorme árvore e o relógio estava no mesmo local e funcionando com a hora correta. João contou o caso em Cordeirópolis e por isso perdeu o último trem para Limeira. Comprou dois pedaços de sabão em pedra, colocou embaixo dos sapatos e seus amigos tiveram que dar um forte empurrão, que o fez deslizar na linha do trem até Limeira.

PEDRO PAPUDO

Recebeu o apelido de Papudo, de tanto contar papo. Era mentiroso e muito conhecido na cidade.

ZÉ SESSENTA

Mendigo número 1 de Limeira. Suas calças sempre estavam cheias de fezes. Participava de procissões organizadas pelo cônego Rossi. Dormia na áera de um antigo posto de saúde que fica na esquina das ruas Boa Morte e Santa Terezinha. Trocava de colchão, lençol e fronha todos os dias, variando de marcas de jornais. Usava chapéu amassado, bengala suja e tinha os lábios queimados por bitucas de cigarro. Certa ocasião, Sebastião Fumagalli montou um quarto e contratou uma enfermeira para cuidar de Zé. Porém, depois de tudo certo, ele preferiu ficar na rua.

DORIVAL E DONA MARIA

Mãe e filho, que ficaram conhecidos por vender salgados, principalmente na Vila Queiróz.

ZÉ AMBRÓSIO

José Ferreira Ambrósio nasceu em Limeira em 6 de dezembro de 1903, na Rua Duque de Caxias, 166, onde residiu até o dia de sua morte. Entregava impressos pela cidade, contendo notícias de falecimentos e convites para funerais. Além disso, era o entregador oficial dos cartazes da Internacional.

WALDEMAR PANACO

Era conhecido como o "bon vivant". Gostava de tocar pandeiro e tinha um papo agradável.

MARIA DOS CACHORROS

Perambulava pelas ruas da cidade com seus melhores amigos: os cachorros.

JOÃO DELEGA

Acreditava que ele era o delegado da cidade. Adorava controlar o trânsito e trajava um uniforme semelhante ao da Força Pública, com revólver e cassetete. Em certas ocasiões, ele parava veículos para pedir a documentação, pois acreditava manter a ordem com todo o rigor.

GLOSTORA

Hélio Aparecido Clemente nasceu em 10 de outubro de 1933. Ganhou o apelido de Glostora no tempo que trabalhava no Bar Jardim e se utilizava de um tipo de brilhantina para manter seu cabelo penteado. Lutava pela raça negra e sempre esteve à frente das comemorações alusivas à Abolição da Escravatura. Para promover seus banquetes, ligava para um depósito de bebidas apresentando-se como Sebastião Fumagalli, efetuando pedidos de chope, refrigerante, gelo, e todos os itens utilizados nesse tipo de festejo, porém, pedia a nota e a entrega em seu nome. Faleceu em 1979.

TONINHO DA VERÔNICA

Era o homossexual assumido. Era chamado assim em virtude de sua mãe, Verônica Martins Braga Elias. Quando menino foi educado no Colégio São José, onde prestava serviços, além de ser coroinha do padre Miguel.

ZILO

O maior amante da Banda Arthur Giambelli de todos os tempos. Não tocava, mas seguia a banda por onde ela fosse.

PERIGOSO

Waldemar Chistriano Nilson nasceu em 11 de janeiro de 1905 em Limeira. Era filho Maria Greve e Gustavo Nilsson. Desde 1921 era apaixonado pelo Carnaval. Em 1926 criou o personagem quando assistiu o filme "O Noivo Cara Dura". A história era de um noivo abandonado no altar. Ele carregava véu, grinalda e luvas deixados pela noiva e não sorria. O apelido surgiu em 1950, quando escreveu na placa do guarda-chuva "O Perigoso Don Juan". Este ano saiu acompanhado pela noiva (todas do sexo masculino) e assim foi até 1962.

LUIZINHO PIPOQUEIRO

Nascido em Limeira, em 7 de setembro de 1933, filho de Santo Crepaldi Bueno e dona Hermantina, a mais tradicional pipoqueira da cidade. Luizinho começou muito cedo a ajudar a mãe e sempre sentiu prazer por esta profissão. São-paulino roxo, seu amor pelo clube interferia também na profissão.

Em determinada ocasião, quando ele estava trabalhando em seu ponto tradicional em frente à Nossa Caixa na Praça Toledo Barros, ouvia a transmissão do jogo do São Paulo pelo rádio contra o Corinthians. Seu time estava perdendo, quando um casal de namorados pediu dois sacos de pipoca. Concentrado no jogo, Luizinho não escutou o pedido. O casal sentou-se e esperou. Na segunda tentativa, quando o São Paulo fez um gol, o casal fez novamente o pedido e, para a supresa, o pipoqueiro deu dois fartos sacos de pipoca de graça.

ZÉ LUIS

Conhecido popularmente por ser um grande paquerador. Era gerente da rodoviária e andava sempre na companhia de mulheres.

PELÉ

José Eduardo Samuel, o Pelé Engraxate. Trabalhava como engraxate na Praça Toledo Barros (na Rua Carlos Gomes, em frente ao café do Fernando Assato). Possuia grande clientela. Gostava de Carnaval e participava das escolas de samba.

GENY PRETA

Geny da Costa Nemitz nasceu em Niterói (RJ). Com 9 anos mudou-se com seus pais para São Carlos (SP). Com o falecimento de seu pai, quando tinha 10 anos, foi obrigada a trabalhar na roça na colheita de algodão. Geny tinha 12 irmãos. Com 14 anos foi trabalhar como empregada doméstica. Nessa época começou a se interessar por Carnaval. Com 15 anos conheceu Frederico Nemitz, com quem se casou somente "na igreja", pois sua mãe não concordava com o casamento.

Mudou-se para Agudos, onde nasceu sua primeira filha. Durante o tempo de casada não participou de carnavais, pois seu marido não gostava. Depois foi para Analândia, onde nasceu seu segundo filho, que morreu com 4 anos. O marido atuava no ramo de padarias e por isso recebeu um convite para trabalhar em Limeira. Geny ficou viúva, trabalhou lavando roupa e no serviço de limpeza da Telefônica, na Humanitária, na casa do sr. Waldomiro Francisco e nos sanitários da Praça Toledo Barros. Geny participava dos carnavais de rua e bailes da prefeitura. Era chamada de "Rainha do Carnaval". Ela mesmo cuidava do seu guarda roupa com trajes variados para as noites de Carnaval.

COCA-COLA

Era um dos irmão gêmeos idênticos conhecidos na cidade. Eles eram pequenos e a garrafa de Coca Cola na época também, daí o apelido. Eram pessoas cultas, que escreviam cartas para o Presidente da República.

BILO

Ficou conhecido por se achar o galã do momento.

BAIANO

João Batista de Souza, nascido em Ituassú (BA). Chegou a Limeira com 24 anos. Ajudou como servente de demolição do Teatro da Paz e na construção do Cine Vitória. Depois foi convidado para trabalhar no cinema. Fez manutenção geral, foi lanterninha e depois porteiro. A população o chamava de "porteiro simpático". Estava sempre sorridente e era muito educado.

BLOCO DO BOI

Tradicional grupo de Carnaval de Limeira, criado em 1933. Desfilou pela última vez na cidade em 2008.

ZÉ MARIO

Homossexual conhecido na cidade.

FELÍCIO

Felício Ventura Arruda, nasceu em 1878 em São Carlos, na "Fazenda do Conde de Pinhal". Dedicou-se à roça até os 20 anos. Em 1945 veio para Limeira. Chamava atenção nos trajes que usava, ternos incrementados confeccionados em Rio Claro, os quais fazia questão de desenhar pessoalmente. Enfeitava-os com botões cobertos de cores extravagantes, utilizando até 30 botões em cada traje. As camisas tinham colarinhos de renda e as calças eram boca de sino. Era dançarino profissional, casou cinco vezes. Aos 97 anos ainda ostentava saúde, que o permitia frequentar todos os sábados uma casa de dança em São Paulo. Mantinha músculos rígidos, pois fazia exercícios e ginástica.

MUDINHO

Era mudo e conhecido pela população, que pavaga pingas a ele. Muitos queriam lançá-lo como vereador, pois, assim, os eleitores não ouviriam as tradicionais promessas dos políticos.

BODINHO

Antonio Rosada, nasceu em 27 de outubro de 1923, em Cascalho, Cordeirópolis. Numa determinada ocasião quando seu time de futebol perdeu o jogo, ele xingou e saiu correndo em alta velocidade, pulando uma cerca, daí o seu apelido. Casou-se aos 19 anos e foi morar em São Paulo. Veio para Limeira onde exerce a profissão de barbeiro.

OSCAR

Nos tempos da Cia Paulista ele era o responsável pelas bagagens dos passageiros.

Paula Martins

Fonte: www.jornaldelimeira.com.br

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