Desde tempos remotos o homem utilizou carros sobre rodas, a exemplo das bigas dos romanos. No entanto, até meados do século XV, todos os veículos de tração animal tinham as caixas ligadas diretamente aos eixos das rodas. Foi somente a partir do Renascimento que surgiu na Europa um novo tipo de carro, o coche (o nome deriva da cidade húngara Kotze, onde foi construído o primeiro modelo), com a caixa suspensa através de correias de couro, sem contato direto com as rodas.
Quase dois séculos depois, foi construída a berlinda na Alemanha, na cidade de Berlim, veículo que representou um grande progresso em relação ao coche. Graças à colocação de dois varais lateralmente à caixa e a outras inovações, a berlinda tornou-se mais estável do que o coche.
O homem começava a perseguir, com mais ênfase, o conforto e a velocidade, mas os aperfeiçoamentos continuaram lentamente até o século XIX, quando surgiu a carruagem, que se mostrou mais cômoda do que o coche e a berlinda, devido a um novo sistema de suspensão da caixa, abaulada na parte inferior. Acrescida de lanternas e com a boléia - banco do cocheiro - mais elevada, a carruagem permitia uma condução mais segura e com maior visibilidade para o condutor.
Batizados, missas, pagamentos de promessas, casamentos e enterros. Até meados do século XIX, muitos aspectos da vida social na cidade do Rio de Janeiro davam-se em função das cerimônias religiosas promovidas pela Igreja Católica.
"Cadeirinhas de arruar" transportavam ora o bebê para o batizado, no colo da parteira, ora a noiva a caminho do altar. Pais, padrinhos e o próprio noivo seguiam a pé. Em outras ocasiões, nada festivas, o padre era transportado por uma sege, para ministrar a extrema-unção.
Até 1840, as pessoas eram enterradas nas igrejas ou nos conventos e, dependendo de sua classe social, o transporte se fazia com o uso de rede, de tumba - uma espécie de maca fornecida pela Santa Casa de Misericórdia - ou de uma sege ou berlinda, geralmente de aluguel. Nesse último caso, o esquife (caixão) era depositado sobre a boléia e um padre seguia no interior do veículo.
Para os mais abastados era utilizado um chassis com rodas, sobre o qual era colocado um estrado que apoiava o esquife, por sua vez coberto com rico pano mortuário. Esse veículo era puxado por dois animais, paramentados com manto e plumas negras. Naquela época, os enterros eram feitos ao cair da noite.

Cortejos funerários
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Em homenagem ao centenário de nascimento do jurista Rui Barbosa, seus restos mortais foram trasladados em 1949 do cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, para a Bahia, seu estado natal, onde permanecem em Salvador no Panteon a ele dedicado.
Na manhã do dia 3 de novembro, a urna funerária foi colocada num chassis sobre rodas, do qual foi preservada parte frontal, especialmente construído para viabilizar o cortejo pelas ruas da cidade.
A primeira parada do séquito foi na casa na qual Rui Barbosa viveu seus últimos anos e onde foi celebrada uma missa, com a presença do Presidente Eurico Gaspar Dutra. Em seguida, o cortejo moveu-se lentamente pelas ruas, praias e avenidas em direção ao Cais do Porto, de onde o corpo seguiu viagem no navio Mariz e Barros. Ao longo do caminho, Rui Barbosa foi saudado por soldados e marinheiros em continência, autoridades e, principalmente, pelo povo.
O Brasil só conheceu a berlinda a partir da segunda metade do século XVIII, mas apenas o Vice-rei, os funcionários mais graduados da Justiça e da Fazenda e um ou outro proprietário rural abastado podiam dar-se ao luxo de adquirir e manter veículo tão dispendioso e de circulação tão restrita, devido ao tipo das ruas, estreitas e de calçamento irregular. Além disso, possuir um desses grandes carros implicava em vultuosas despesas, pois era necessário manter cavalos, cavalariços, cocheiros.

Descendo à porta

Berlinda