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História do Automóvel



Acessórios de Montaria

O transporte a cavalo foi muito comum até as primeiras décadas do século XX e, na realidade, nunca deixou de ser utilizado. Nas áreas rurais, ou mesmo na periferia das grandes cidades brasileiras, ainda é usual a visão do cavalo transportando o homem para os seus afazeres diários. Permanece, também, a tradição da utilização desse animal em diversas funções militares, como a guarda montada, bem como nos esportes hípicos.

Para viabilizar a montaria, são necessários diversos acessórios, que, de fato, não variaram muito desde os tempos dos móveis de arruar, a não ser pelo uso de determinados materiais, como o ouro e a prata, freqüentes até o século XIX.

As selas e as mantas garantem proteção tanto ao cavalo quanto ao homem, tornando o transporte mais seguro, da mesma forma que os estribos, usados um de cada lado da sela. Freios, esporas, chilenas e rebenques são outros acessórios indispensáveis à condução do animal.

A Família Real e o Transporte no Rio de Janeiro

Em novembro de 1807, cerca de 15 embarcações que compunham a Real Esquadra Portuguesa, acompanhadas por aproximadamente 30 navios mercantes, deixaram Portugal com destino ao Brasil.

Em 1808 a esquadra aqui chegou, trazendo não apenas a Família Real, mas também membros da nobreza e do Estado, além de seus familiares, amigos e funcionários. Historiadores estimam que vieram para o Rio de Janeiro entre 10 mil e 15 mil pessoas, num momento em que o número de habitantes da cidade estava em torno de 60 mil. Com eles vieram suas mobílias e seus demais pertences domésticos, bem como veículos de transporte terrestre em número considerável, sobretudo traquitanas e berlindas.

A partir desse momento, a urbanização da cidade - até então limitada pelos Morros do Castelo, de São Bento, Santo Antônio e da Conceição - começou a ser radicalmente transformada, com a abertura de ruas mais largas e um novo plano de edificações.

Só com o crescimento da cidade e a ampliação das ruas, veículos mais velozes, como as carruagens, puderam ser vistos em grande número no Rio de Janeiro. No final do século XIX e no início do XX, aqui circulavam diferentes tipos de viaturas de tração animal - seges, traquitanas, berlindas, carruagens, caleças e tílburis, entre outros.

Berlinda
Berlinda

Carruagem
Carruagem

Panorama de Lagoa
Panorama de Lagoa


Dois Tempos, um só espaço

Uma das mais significativas mudanças pelas quais a Humanidade já passou talvez tenha sido a substituição do uso do veículo de tração animal pelo do veículo automotor.

A primeira experiência para a construção de um automóvel, realizada em Paris, em 1770, foi justamente a adaptação de uma viatura originalmente de tração animal, colocando-se no eixo da frente um grande peso em bronze que fazia as rodas se moverem. Desde então, foram muitas as tentativas de produzir um veículo que se locomovesse por si próprio, objetivo alcançado em 1801, com a invenção, também em Paris, de uma viatura movida a vapor. Da máquina a vapor ao motor de explosão passaram-se 65 anos!

Se hoje vemos com naturalidade as diversas marcas e modelos que se misturam nos inúmeros engarrafamentos das grandes cidades, a aceitação do automóvel como meio de transporte implicou numa transformação do próprio comportamento social e da visão sobre as distâncias, o tempo e a velocidade.

Durante anos, veículos de tração animal conviveram com os automóveis, que cada vez ocupavam mais espaço. Na Inglaterra, por exemplo, até 1896, uma lei chamada Red Flag Act obrigava um homem a andar à frente de um automóvel com uma bandeira vermelha para alertar os pedestres. Já a Organização Mundial de Medicina, de Paris, advertia em 1899 que a velocidade acima de 40 Km/h ocasionava a morte instantânea e alertava para o perigo de se dirigir em estradas e ruas estreitas, sem sinalização e leis de trânsito. No entanto, em 1907, as estatísticas francesas já defendiam o uso do automóvel, alegando que, com cavalos, eram registrados mais de um acidente por dia, muitos dos quais com óbitos, e, com carros, apenas um a cada 25 dias, sem a verificação de mortes.

Carro à Daumont
Carro à Daumont

Automóvel Protos
Automóvel Protos

Enquanto isso no Rio de Janeiro ...

Cosmopolita, a cidade do Rio de Janeiro adotou rapidamente as novidades européias e em 1900 já circulava por aqui um Decauville, carro com características bem diferentes das conhecidas atualmente: motor de dois cilindros, sem capota e com um guidom semelhante ao de uma bicicleta no lugar do volante, tendo benzina - comprada em drogarias - como combustível. Ainda assim, o Decauville passou a ser considerado o primeiro automóvel que circulou no Rio de Janeiro, já que possuía motor de explosão, e não a vapor.

Testemunha ocular das transformações da cidade do Rio de Janeiro, o Barão do Rio Branco circulava por suas ruas inicialmente em vitórias e carruagens e já em seus últimos anos em automóveis, sobretudo no carro Protos - viaturas essas hoje expostas no Museu Histórico Nacional. O carro do Barão era bem conhecido dos cariocas no começo do século XX, fazendo sucesso absoluto numa cidade ainda acostumada aos bondes puxados a burro, às carruagens e aos cavalos. O Protos desfilava quase todo o dia pela Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, e, aos sábados, ficava estacionado na Estação Leopoldina, onde o Barão embarcava no trem para Petrópolis.

Pavilhão de São Paulo
Pavilhão de São Paulo

Utilizado no Rio de Janeiro pelo Barão do Rio Branco nas comemorações do Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, o PROTOS foi incorporado ao acervo do Museu Histórico Nacional em 1925. Entre 1986 e 1996, o PROTOS, um dos dois únicos exemplares existentes no mundo, foi totalmente restaurado.

De origem alemã, a marca PROTOS foi famosa no início deste século, graças à sua participação na lendária corrida New York-Paris. Conheça os detalhes da restauração e da trajetória do PROTOS.

Fonte: www.museuhistoriconacional.com.br

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