Café (Página 8)
Café

Café

Estes versos, escritos por Talleyrand no século XVIII, retratam a diversidade de sensações às quais remete esta bebida quente, estimulante, de aroma e sabor característicos. Não se sabe ao certo a origem da palavra café, que pode significar tanto a bebida quanto a planta ou o fruto.

Ela pode vir da palavra kaffa, da Abissínia, atual Etiópia; pode também ser originária do árabe karah (ou gavah), que quer dizer vinho ou, então, kahwah (ou cahue), que significa força, ou pode ainda ter origem no idioma turco, nas palavras koveh ou kaveh, que também denominam o vinho.

Planta da família das Rubiáceas - assim como o jenipapo, a quina e o mulateiro de várzea, muito utilizadas com objetivos farmacêutico e curativo -, tem sua origem nas regiões montanhosas africanas da Abissínia, ou na região de Kaffa e Enária, que hoje compreendem o sudoeste da Etiópia, sudeste do Sudão e norte do Quênia.

Existem várias lendas a respeito da descoberta do café. A mais difundida diz que, por volta do ano 800, nas montanhas da Abissínia, um jovem pastor de nome Kaldi observou que suas cabras ficavam mais alegres e saltitantes quando comiam folhas e frutos de um certo arbusto. Ao provar do fruto, o pastor sentiu uma forte vivacidade e muita disposição para o trabalho.

O conhecimento do efeito daquele precioso fruto espalhou-se pelo norte da África e chegou ao mundo árabe, primeiros povos a fazerem uso do café, em meados do século XV (1440). No início, os frutos eram consumidos como uma pasta fortificante e usada para que os árabes ficassem acordados orando para Alá, seguindo os conselhos do seu profeta Maomé. A proibição de bebidas alcoólicas pela religião muçulmana ajudou a difundir o café, que passou a ser largamente consumido.

A fama dos frutos foi se alastrando, chegando aos mosteiros, onde os monges passaram a preparar uma infusão das folhas juntamente com o fruto em forma de chá. Certo dia, um dos monges levou alguns ramos de café carregados de frutos para perto do fogo para tentar secá-los a fim de guardá-los e usá-los durante o período de chuvas. Porém, distraiu-se, deixando os grãos torrarem, de onde exalou um aroma extremamente agradável.

Os monges tiraram os grãos do fogo e trituraram-nos, transformando-os em pó e preparando a bebida. Daí surgiu a forma de tomar o café como o conhecemos hoje.

Nos séculos XIV e XV, iniciaram-se os primeiros cultivos comerciais de café, na região do Iêmem e os doutores da época passaram a receitá-lo no combate aos problemas de digestão, para alegrar o espírito e afastar o sono. No século XVI, o café já havia chegado a Istambul. O Cairo era, então, o maior mercado de distribuição do produto.

Embora os árabes tenham tomado certas medidas para manter o monopólio da produção do café - só permitindo a exportação de frutos previamente fervidos, para evitar que germinassem em outras terras -, os holandeses conseguiram contrabandear frutos frescos para suas colônias asiáticas (Java, Ceilão e Sumatra) e, posteriormente, para as Antilhas Holandesas, na América Central.

Graças aos holandeses, o café começou a ser conhecido no mundo. Levado para a Europa, foi consumido inicialmente como remédio para vários males. Só a partir do século XVII passou a ser adotado como bebida. Na Itália, sofreu forte pressão de cristãos fanáticos, que a consideravam uma invenção de Satanás. E, na Inglaterra, as mulheres passaram a dizer que o café era o "licor debilitante, que tornava seus maridos infecundos e inúteis". Este preconceito chegou a tal exagero que, em 1674, divulgou-se, na Europa, o panfleto A Petição Feminina

Contra o Café, que apregoava os malefícios da "água suja, nauseante, amarga e escura". Chegou-se ao ponto de a bebida ser proibida para consumo pelos cristãos. Na Itália, onde entrou em 1615 através do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resistência da Igreja. Cristãos fanáticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como invenção de satanás. Ao provar o café, porém, o papa declarou: "Esta bebida é tão deliciosa que seria um pecado deixá-la somente para os infiéis. Vençamos satanás, dando-lhe nossa bênção e tornando-a verdadeiramente cristã". Em decorrência dessa bênção papal, os cafés proliferaram em Veneza e Gênova e, no fim do século XVII, eram encontrados em todo o país.

Apesar das campanhas contra o seu consumo, aos poucos, o café se espalhou por todo o mundo, convertendo-se na bebida universal de ricos e pobres, sem distinção de raça, religião ou cultura. Hoje, a bebida está voltando a ser recomendada também como remédio na luta contra o alcoolismo, a depressão e o suicídio e, ainda, na prevenção de doenças, como a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer. Isso porque pesquisas recentes estão concluindo que o café é um alimento nutracêutico, ou seja, com valores nutricionais e farmacêuticos. Porém, seus grandes valores continuam sendo seus incomparáveis sabores e aromas, tão característicos para quem aprecia um bom café: negro, quente, puro e doce.

Café no Brasil

A história do Brasil foi escrita com a tinta do café

O café é uma página muito especial na história do Brasil. Maior gerador de riquezas e produto mais importante da história nacional, o café é capaz de descrever todo o desenvolvimento do país a partir de sua própria história, sua chegada, seu plantio, sua comercialização e seu sucesso no exterior. O café construiu o Brasil e apresentou-o ao mundo.

Desde sua descoberta, na Abissínia, o café levou cerca de nove séculos até sua chegada ao Brasil, em 1727. Entrou no país pelo estado do Pará, trazido da Guiana Francesa pelas mãos do sargento-mor Francisco de Melo Palheta que, a pretexto de resolver oficialmente questões de fronteiras, havia sido enviado àquele país para conseguir mudas da planta. A missão foi difícil, já que naquele país as mudas de café eram inacessíveis a qualquer estrangeiro.

Inicialmente plantado em Belém do Pará, o café adaptou-se ao solo, mesmo não tendo um clima tão propício à sua cultura, tanto que, em 1731, já era cultivado em extensas áreas nos arredores da capital. Por volta de 1732, foi instalada, em Nova Iorque, a primeira bolsa de café e o produto passou a ser comercializado no mercado mundial como uma commodity.

Da região Norte, o café foi para o Nordeste, passando pelo Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia, até chegar, em 1773, ao Rio de Janeiro. Expandiu-se pela Serra do Mar, atingindo, em 1825, o Vale do Paraíba, daí alcançando os estados de São Paulo e Minas Gerais, onde encontrou condições para o seu desenvolvimento. O clima e as terras férteis da região transformaram o Brasil no maior produtor mundial de café no final do século XIX.

Pelos idos de 1830, o café transformara-se no principal produto de exportação, ultrapassando o algodão e o açúcar e, em 1845, o Brasil já era responsável por 45% das exportações mundiais do produto. A história mostra fatos interessantes relativos aos primeiros cafés plantados no país.

Um cafeeiro de Amsterdã, Holanda, deu origem aos cafezais de Suriname, da Guiana e do Brasil.

Novamente, foi de um cafeeiro do Rio de Janeiro que se originaram as primeiras plantações dos estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo. Também uma única planta de Jundiaí, estado de São Paulo, deu origem aos cafezais de Campinas e regiões circunvizinhas.

Os primeiros cafezais brasileiros foram, portanto, descendentes de uma única espécie, Coffea arabica ‘cv. Arábica’, café também conhecido por Typica. A pequena variabilidade genética que existia era devido à constituição genética da planta original ou às raras mutações que surgiram com o decorrer do tempo.

Aos poucos, os cafezais de São Paulo e de outras regiões do Brasil foram se diversificando. Assim, em 1852, chegaram ao país sementes do café bourbon vermelho (C. arábica ‘cv. Bourbon Vermelho’), que o governo central mandara buscar na ilha de Reunião, situada no continente africano, por ter informações de que era mais produtivo e de boa qualidade.

Em 1896, foram introduzidas sementes de café da ilha de Sumatra, que era tido como bem produtivo, vigoroso e de sementes maiores do que as do bourbon vermelho.

O sumatra revelou-se bastante rústico, de boa bebida, sementes pouco maiores do que as do bourbon, porém, suas produções não foram muito animadoras.

Com a grande expansão do cultivo do café, algumas variedades surgiram no Brasil, devido a raras mutações que naturalmente ocorrem ou devido a recombinações de fatores genéticos, a partir de cruzamentos naturais entre as cultivares existentes.

Assim, em Botucatu, estado de São Paulo, em 1871, foi encontrado, pela primeira vez, um cafeeiro com frutos amarelos.

O café esteve presente em todos os momentos históricos do país. Logo após a Independência, foi o café o fator de desenvolvimento e modernização do Brasil, pois, para escoar sua produção, foram construídas estradas de ferro, abertos novos portos, o número de bancos foi ampliado e o comércio tornou-se mais ágil. Durante o Segundo Reinado (1840-1889), o Império Brasileiro passou a ser conhecido como o Império do Café, já que a monarquia de D. Pedro II, bastante centralizadora, atendia, sobretudo, aos interesses dos fazendeiros do vale do Paraíba, grandes produtores de café. As fazendas de café concentraram toda a riqueza brasileira durante três quartos de século.

Sua influência não foi só econômica, mas também social e política. Os mais importantes fatos ocorridos no Brasil foram devido à lavoura, que formou a última aristocracia do país. Os fazendeiros produtores do grão enriqueceram e muitos tornaram-se tão famosos que passaram a ser chamados de Barões do Café.

Em 1906, a produção brasileira superava o patamar de 22 milhões de sacas. No mesmo ano, foi celebrado o Acordo de Taubaté, que proibia novos plantios de café no estado de São Paulo. Em conseqüência, a expansão da cultura foi maior no Paraná.

Com a crise de 1929, decorrente da quebra da Bolsa de Nova Iorque, ocorreu uma desestabilização no mercado interno. Os financiamentos junto aos bancos estrangeiros foram interrompidos; os preços despencaram, levando o setor para uma enorme crise. Na década de 1930, houve uma derrocada da lavoura e a queima de 80 milhões de sacas.

Em virtude de sua importância nas exportações brasileiras, em 1931, foi criado o Conselho Nacional do Café (CNC) que, em 1933, foi substituído pelo Departamento Nacional de Café (DNC), autarquia federal subordinada ao Ministério da Fazenda, que controlou o setor até 1946, quando foi extinto. Em 1952, foi criado o Instituto Brasileiro do Café (IBC), formado principalmente por cafeicultores e que definiu as diretrizes da política cafeeira até 1989. Para dirigir a política cafeeira no país após a extinção do IBC, foi criado, em 1996, pelo Governo Federal, o Conselho Deliberativo da Política do Café, vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que atua até os dias de hoje.

O café brasileiro na atualidade

Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de café, sendo responsável por 30% do mercado internacional de café, volume equivalente à soma da produção dos outros seis maiores países produtores. É também o segundo mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

As áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, onde se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. A região Nordeste também tem plantações na Bahia, e da região Norte pode-se destacar Rondônia.

A produção de café arábica se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e parte do Espírito Santo, enquanto o café robusta é plantado, principalmente, no Espírito Santo e Rondônia.

As principais regiões produtoras no estado de São Paulo são Mogiana, Alta Paulista e Região de Piraju. Uma das mais tradicionais regiões produtoras de café, a Mogiana, está localizada ao norte do estado, com cafezais a uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros. A região produz somente café da espécie arábica e as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo. Localizada na região oeste do estado, a Alta Paulista tem uma altitude média de 600 metros e é produtora de café arábica, sendo a Mundo Novo a variedade mais cultivada. A região de Piraju, a uma altitude média de 700 metros, produz café arábica, com cerca de 75% da variedade Catuaí, 15% da Mundo Novo e 10% de novas variedades, como Obatã e Icatu, entre outras.

Em Minas Gerais, as principais regiões produtoras são Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Matas de Minas e Jequitinhonha. A altitude média do Cerrado Mineiro é de 800 metros e, dentre o café arábica cultivado, a predominância é de plantas das variedades Mundo Novo e Catuaí. O Sul de Minas também produz apenas café arábica e a altitude média é de aproximadamente 950 metros. As variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há lavouras das variedades Icatu, Obatã e Catuaí Rubi. A região das Matas de Minas e Jequitinhonha está a uma altitude média de 650 metros e possui lavouras de arábica das variedades Catuaí (80%) e Mundo Novo, entre outras.

O Paraná chegou a ter 1,8 milhão de hectares dedicados ao cultivo de café. Hoje esse número é de apenas 156 mil hectares, mas, o café ainda está presente em aproximadamente 210 municípios do estado e é responsável por 3,2% da renda agrícola paranaense. É cultivado nas regiões do Norte Pioneiro, Norte, Noroeste e Oeste do estado. As áreas de cultivo são muito extensas, o que justifica a grande variação de altitudes. A altitude média é de aproximadamente 650 metros e, na região do Arenito, próximo ao rio Paraná, a altitude é de 350 metros e na região de Apucarana chega a 900 metros. No estado, é cultivada a espécie arábica e as variedades predominantes são Mundo Novo e Catuaí.

A cafeicultura na Bahia surgiu a partir da década de 1970 e teve uma grande influência no desenvolvimento econômico de alguns municípios. Há, atualmente, três regiões produtoras consolidadas: a do Planalto, mais tradicional produtora de café arábica; a região Oeste, também produtora de café arábica, sendo uma região de cerrado com irrigação e a Litorânea, com plantios predominantes do café robusta (variedade Conillon). Na região Oeste, um número expressivo de empresas utilizando alta tecnologia para café irrigado vem se instalando, contribuindo, assim, para a expansão da produção em áreas não tradicionais de cultivo e consolidando a posição do estado como o quinto maior produtor com, aproximadamente, 5% da produção nacional.

No parque cafeeiro estadual predomina a produção de café arábica com 76% da produção (com 95% sendo da variedade Catuaí) contra 24% de café robusta.

No Espírito Santo, os principais municípios produtores são Linhares, São Mateus, Nova Venécia, São Gabriel da Palha, Vila Valério e Águia Branca. O café foi o produto responsável pelo desenvolvimento de um grande número de cidades no estado, onde são cultivadas as espécies arábica e robusta (Conillon), tendo sido marcante a produção desta última, que se expandiu principalmente nas regiões baixas, de temperaturas elevadas. Atualmente, as lavouras de robusta ocupam mais de 73% do parque cafeeiro estadual e respondem por 64,8% da produção brasileira da variedade. O estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Conillon.

No estado de Rondônia, a produção de café está concentrada nas cidades de Vilhena, Cafelândia, Cacoal, Rolim de Moura e Ji-Paraná. No cenário nacional, Rondônia é o sexto maior estado produtor e o segundo maior estado produtor de café Robusta, com uma área de 165 mil hectares e uma produção de 2,1 milhões de sacas, constituídas exclusivamente pelo café robusta (variedade Conillon).

Aspectos Botânicos

Botânica do Cafeeiro

O cafeeiro pertence ao grupo das plantas Fanerógamas, Angiospermas, subclasse Dicotiledônea, ordem Rubiales, família das Rubiáceas, tribo Coffeae, subtribo Coffeinae e gênero Coffea.

As espécies do gênero Coffea podem ser agrupadas em quatro seções: Eucoffea, Mascarocoffea, Argocoffea, e Paracoffea, sendo as três primeiras originárias da África e a última da Índia, da Indochina, do Sri Lanka e da Malásia. Elas compreendem, respectivamente, 24, 18, 11 e 13 espécies. A seçao Eucoffea compreende as espécies que possuem cafeína e a seção Mascarocoffes inclui espécies oriundas de Madagascar, apresentando albúmen córneo e baixo teor de cafeína.

A seção Eucoffea é a de maior importância econômica, pois abrange as espécies mais cultivadas para o consumo do café. É dividida nas seguintes subseções: Erythrocoffea, que compreende C.arábica, C. canephora, C. congensis, etc.; Pachycoffea, com C. liberica, etc., Mozambicoffea, com C. racemosa, etc. ; Melancocoffea, com C. stenophylla, etc. e Nanoffea, C. Montana, etc.

O cafeeiro é uma planta de porte arbustivo ou arbóreo, de caule lenhoso, lignificado, reto e quase cilíndrico. Os ramos são dimórficos, sendo o seu dimorfismo relacionado à direção dos ramos ortotrópicos, que formam as hastes ou troncos. Os ramos laterais, produtivos, saem dessas hastes, crescem na horizontal e são chamados ramos plagiotrópicos.

Sobre o caule da planta podem crescer novos ramos ortotrópicos, os chamados ramos ladrões, oriundos, principalmente, da quebra da dominância apical (meristemática), decorrente de eliminação do ponteiro do cafeeiro, seja por poda ou por ataque de insetos, doenças, etc. Além disso, sempre que a haste fica mais exposta ao sol (por cinturamento da planta) ou, então, sofre efeito de machucaduras (chuva de granizo, cortes por ferramentas), ocorre maior formação de ‘ladrões’, exigindo desbrotas corretivas.

A cultivar Conillon, quando submetida a podas contínuas dos ponteiros e a constantes desbrotas, dá origem a ramos ortotrópicos saídos de ramos laterais, o que é comum em cafeeiros arábica.

Os ramos plagiotrópicos dão origem a ramos terciários, formando o “palmetamento”, uma característica desejada, já que aumenta a área produtiva da planta.

As plantas do cafeeiro são opostas, inteiras, coriáceas e persistentes (na maioria das espécies), tendo coloração verde mais escura e brilhante na parte superior do limbo e mais clara e opaca, com nervuras salientes, na parte inferior.

Nos ramos laterais e nas axilas da folhas são formadas as gemas florais, que dão origem à floração e à refrutificação. As flores são normalmente brancas, podendo ser amareladas e rosa-claro (como em algumas seleções de C.canephora); são tubulosas, com a parte livre da corola dividida em um número variável de lóbulos e apresentando cinco pétalas em C.arabica. As flores hermafroditas crescem em glomérulos (rosetas) e abrem-se de 8 a 10 dias após chuva ou irrigação, tendo duração efêmera (3 a 4 dias)

O fruto do café é uma drupa, normalmente com duas sementes, que são planoconvexas (sementes chatas), desde que não haja abortamento de um lóculo, formando-se, nesse caso, sementes arredondadas, chamadas de moca.

O sistema radicular do cafeeiro é pivotante e as raízes finas são superficiais, localizando-se, em sua maioria (70% a 80%), a até 30 a 40 cm de profundidade do solo.

CAFÉ DE QUALIDADE

Café

Os consumidores em diversos setores da economia estão cada vez mais exigentes, sendo assim, os produtos de qualidade superior são os mais procurados.

Como o café vem acompanhando o novo cenário mundial, cabe aos produtores almejarem ao longo prazo a produção dos cafés de qualidade superior.

Durante muito tempo, esses cafés apresentavam um nicho de mercado e eram direcionados apenas para o mercado externo e internamente se consumiam pequenas quantidades. Porém, felizmente o quadro vem se modificando nos últimos anos, pois temos um aumento significativo no consumo dos Cafés Superiores e Gourmet em todo o mundo, incluindo o Brasil, onde é possível encontrarmos em cafeterias, supermercados, dentre outros, o produto com qualidade de bebida e aroma diferenciados.

Assim, temos hoje concursos de café de qualidade que premiam com excelente remuneração esses cafés que recebem cuidados extras.

Para melhorar a qualidade e conseguir produzir um café de qualidade superior recomenda-se o seguinte:

No pré-colheita

Identificar as lavouras com maior potencial de produção de cafés de qualidade superior, tais como:

As características de maior altitude - lavouras das partes mais altas da propriedade;

Baixa umidade relativa do ar - evitar beira de represas, córregos, dentre outros;

Variedade do café - Bourbon, Icatú Amarelo e Mundo Novo são os mais sugeridos;

Amadurecimento - escolha daquelas que apresenta um amadurecimento mais homogêneo, ou seja, que apresentam mais cerejas na época da colheita;

Tratos culturais - as que receberam adubação equilibrada (de acordo com análise foliar e do solo), com controle de pragas e de doenças (evitando aquelas que foram afetadas por ferrugem e cercóspora) e com controle de plantas daninhas, pois as daninhas competem pelos nutrientes do cafeeiro e deixam os grãos chochos.

Colheita

Não misturar as lavouras na colheita, ou seja, colher separadamente para evitar a mistura entre variedades diferentes, altitudes diferentes, lavouras que sofreram estresse hídrico, geadas, doenças ou pragas, dentre outros e lavouras com produtividade muito alta e excesso de grãos pequenos.

Optar pela colheita seletiva, ou seja, colher apenas os grãos maduros.

Levar o café colhido em no máximo duas horas para o lavador.

Colheita Mecânica

Regular a velocidade de vibração da máquina, a fim de derriçar apenas os grãos maduros.

Dimensionar de forma adequada equipamentos (tratores, carretas, dentre outos) e terreiro para evitar gargalos no fluxo do café depois de colhido e camadas grossas no terreiro.

Lavagem

A lavagem deve ser feita o mais rápido possível para que sejam retiradas impurezas e grãos chochos.

Evitar que o café fique amontoado ou na moega por mais de duas horas antes da lavagem.

Trocar diariamente a água do lavador.

Descascamento

O descascador deve ser regulado para evitar o descasque de grãos verdes;

Escolher a melhor peneira com relação ao tamanho dos grãos;

Lavar o descascador após o uso e procurar utilizar produtos que evitem a proliferação de fungos e bactérias nos equipamentos.

Secagem no Terreiro

Secar os lotes separadamente, rodando o máximo possível de vezes principalmente na fase inicial de secagem;

Evitar equipamentos pesados sobre o café, para que os grãos não sejam quebrados, amassados ou descascados.

Os terreiros devem ser feitos em locais bem ventilados, sem sombras nem umidade e em partes altas da propriedade, pois assim o sol incide quase o dia todo.

Secagem no Secador

Conferir os termômetros

Monitorar a temperatura na massa do café, que não pode exceder os 40ºC

Utilizar preferencialmente secador rotativo para cafés descascados

Fazer secagem intermitente, descansando a noite e com descanso mais prolongado em tulha de madeira antes da fase final de secagem.

Armazenamento

Limpar para retirar grãos remanescentes de safra anterior; separar os lotes de acordo com o aspecto e qualidade e aspecto de cada um;

Deixar os lotes em descanso pelo menos 30 dias e monitorar a umidade nesse período.

Beneficiamento

Se o desejo é participar de concurso, o beneficiamento deve ser feito o mais próximo possível da data.

Beneficiar de acordo com a capacidade do equipamento, sem forçar o rendimento da máquina a fim de evitar quebras de grãos, boa limpeza e boa classificação.

Rastreabilidade

Para a produção de Cafés Especiais, é importante que o lote de café possa ser rastreado, para que o comprador e o consumidor final saibam quem e como produziu o produto, com responsabilidade social e proteção ao ambiente.

A rastreabilidade é a identificação da origem da produção de um alimento através de documentação que a comprove, do campo até a mesa do consumidor.

A rastreabilidade mostra como o alimento foi produzido, pois identifica o produto, onde ele foi produzido, as características de produção, identificação dos defensivos utilizados, condições ambientais de produção que atendam às exigências ambientais e condições sociais e trabalhistas em questões salariais, de saúde e segurança no trabalho.

Certificação

A comprovação do padrão de qualidade do produto é confirmada pela certificação que é emitida por empresas ou associações já conhecidas que autorizam produtores e compradores a utilizarem os selos de certificação.

A certificação é recebida após uma auditoria de terceira parte onde são indicadas as conformidades e não conformidades da propriedade e se ela está apta a receber a certificação.

Como certificações temos hoje: BSCA, UTZ, KAPEH, EUREP GAP, IMAFLORA, ISSO 14000, FAIR TRADE e SA8000 e para cafés orgânicos: IBD AAO, BCS E JAS.

Para algumas certificações já existe um prêmio a ser pago pelo café do produtor certificado.

Os custos para a certificação variam de acordo com o porte da propriedade em relação as questões sociais e ambientais. As exigências são muitas e é necessário que o produtor persista nas mudanças que devem ser feitas para alcançar a certificação, mas que certamente são viáveis, pois o resultado é propriedades sustentáveis, eficientes, com respeito ambiental e social.

Café Sustentável

Está nas mãos da humanidade fazer o desenvolvimento sustentável, buscar encontrar as necessidades e aspirações do presente sem comprometer a habilidade das futuras gerações. O conceito de desenvolvimento sustentável implica em limites, mas não limites absolutos e sim limitações que a tecnologia ou a organização social, e a capacidade da biosfera têm de absorver os efeitos das atividades humanas. Tanto a tecnologia como a organização social podem ser organizadas e aprimoradas para que haja um novo caminho aberto para uma nova era de crescimento econômico.

Assim, três dimensões são responsáveis pela sustentabilidade no setor cafeeiro:

Dimensão econômica

Acesso ao mercado

Dimensão ecológica

Proteger o meio ambiente
Conservar os recursos naturais

Dimensão social

Direitos humanos e padrões sociais
Condições de moradia
Condições de trabalho decentes

Código de conduta

Existem diferentes códigos de conduta e padrões no setor agrícola e no próprio setor cafeeiro.

A maioria deles lida com aspectos ecológicos e sociais, como também com café específico, regiões específicas ou métodos de produção específicos.

O objetivo é desenvolver dimensões sociais, ecológicas e econômicas de sustentabilidade da produção, processo e marketing de café verde, por meio de um processo participatório que servirá como um código de conduta.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A Comissão Brundtland, de 1987, da ONU, “Nosso Futuro Comum”, define o desenvolvimento sustentável como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades”. O conceito de desenvolvimento sustentável, expresso dessa maneira, embora tenha conotação forte, não é operacional. A Agenda 21 é mais específica ao determinar que o desenvolvimento sustentável deve levar em conta o resultado econômico, a preservação ambiental e o interesse social. Dessa forma, a diretriz básica do desenvolvimento sustentável, que deverá estar presente também na cafeicultura, é a de conciliar as três coisas.

A tecnologia de produção de café desenvolvida no Brasil tem todas as condições para se adaptar a essas novas exigências, mas, para isso, terá que estabelecer o seu código de conduta, de forma que toda a cadeia produtiva possa receber a necessária certificação. Assim, a participação no comércio internacional com diversos produtos agropecuários, inclusive o café, pressupõe, cada vez, mais uma postura correta em relação ao ambiente, ao trabalhador e à segurança dos produtos ou, em síntese, em relação ao desenvolvimento sustentável. Embora o café já tenha tradição na busca da garantia de qualidade, a busca do “café sustentável”, no sentido mais amplo do termo, exige um esforço bem maior de organização e acompanhamento.

Alternativas para o café

Para produzir dentro das exigências do desenvolvimento sustentável, podem-se visualizar duas etapas. A primeira consiste em definir as boas práticas de produção, ou código de conduta, termo também usado, e adotá-las efetivamente. A segunda consiste em conseguir, por meio de uma terceira parte, certificação de que o café está sendo produzido de acordo com o que foi estabelecido. A produção integrada é um desses sistemas, visando uma possível implantação da produção integrada de café (PIC). Trata-se de um sistema que estabelece boas práticas e permite a certificação, além de apresentar importante conotação agroecológica. Cabe ressaltar que a produção integrada, como qualquer sistema similar, embora de adesão voluntária, exige intensa participação de todos os envolvidos, na formulação das normas, na sua implementação e no contínuo aperfeiçoamento.

Há três organizações internacionais que têm interesse declarado em café: A EurepGap – Euro Retailer Produce Working Group – Good Agricultural Practices (Boas Práticas Agrícolas do Grupo de Trabalho de Atacadistas Europeus) – já vem atuando com café. A Fundação Utz Kapeh, que é uma ONG e entidade certificadora, possui um código de conduta para café.

Sustainable Development Initiative (SAI - Iniciativa de Desenvolvimento Sustentável), formada inicialmente pelas empresas de alimentos Nestlé, Unilever e Danone, conta hoje com diversas outras empresas.

A Common Codes for the Coffee Community (CCCC, Códigos Comuns para a Comunidade Cafeeira) é uma iniciativa importante, liderada pela German Technical Cooperation(GTZ), organização de cooperação internacional da Alemanha. É uma iniciativa de grande porte, que conta com a participação expressiva da indústria, dos produtores, de organizações governamentais, de organizações não governamentais e da sociedade civil. O código de conduta apresenta uma série de orientações, visando estabelecer um conjunto de normas para a condução da cultura e manuseio em toda a cadeia produtiva, tendo em vista, além dos aspectos técnicos da cultura, a preservação ambiental e as condições sociais do trabalho.

Ecologia

O café é uma planta tropical que cresce entre as latitudes 25ºN e 25ºS, e requer condições ambientais muito específicas para seu cultivo. Temperatura, chuva, sol, vento e solo são essenciais, mas variam de acordo com as variedades.

A temperatura ideal para cultivo varia entre 15 e 24ºC para o Café Arábica, e entre 24 e 30ºC para o Robusta, o qual pode sobreviver em condições mais secas e quentes, mas não tolera temperatura abaixo de 15ºC, como o Arábica, que resiste em curtos períodos.

O café é prejudicado por geadas, um perigo tanto no sul do Brasil, quanto perto da Linha do Equador, em altitudes por volta dos 2.000m.

O café necessita de chuvas anuais entre 1.500 a 3.000mm. O Arábica precisa de menos que as outras espécies.

Enquanto o café Robusta pode crescer a nível do mar, o arábica cresce melhor em altitudes mais elevadas. Todos os tipos de café necessitam de boa drenagem, mas podem crescer em solos com diferentes profundidades, pH e conteúdo mineral.