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História do Carnaval

Personagens do carnaval

Carnaval

Rei Momo

Na Mitologia Grega, Momo era o Deus da galhofa e do delírio - tão irreverente que acabou expulso do Olimpo. Na Roma antiga, o mais belo dos soldados era coroado Rei Momo e tratado como um verdadeiro senhor, comendo, bebendo e se divertindo à exaustão. Mas quando a festa acabava... ele era levado ao altar de Saturno e sacrificado.

A figura do alegre monarca da folia surgiu no carnaval carioca em 1933. Até 1967, a eleição do Rei Momo se dava por indicação de entidades carnaval escas e jornalistas. A partir desse ano, no entanto, o concurso foi oficializado por Lei Estadual, e em 88 por Lei Municipal. O atual Rei Momo é Alex de Oliveira (31 anos, 1,85m), eleito pelo sétimo ano consecutivo. Confira aqui a relação dos Reis Momos desde 1933. Na foto à esquerda, o Rei Momo e a Rainha do carnaval 2002 - Alex de Oliveira e Amanda Barbosa, respectivamente.

Rainha do carnaval

Elas são o brilho e graça do carnaval e comandam a abertura do carnaval carioca. Instituído a partir de 1950, o concurso para Rainha do carnaval e suas princesas já deu muito que falar: nos primeiros anos, o sistema de votos vendidos era o que valia para eleger a beldade da folia. Somente dez anos depois do primeiro concurso é que passou a valer o sistema de voto de qualidade, ou seja: a candidata tem que ser bela para reinar ao lado de Momo. Confira aqui a relação das Rainhas do carnaval .

Bate-bola / Clóvis

Terror das crianças de várias gerações, os bate-bolas ou clóvis andam sempre em grupo com suas roupas (macacões) coloridas e máscaras transparentes com um orifício no lugar da boca, preenchido, quase sempre, por uma chupeta. E não se pode esquecer, é claro, da bexiga amarrada a uma varinha para assustar a criançada do bairro. Apesar de ser uma manifestação dos antigos carnavais cariocas, ainda é comum ver tais grupos na Baixada Fluminense.

Pierrô, arlequim e colombina

Os três personagens, fundamentais em qualquer baile de fantasia ou desfile de escola de samba, surgiram com a Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell"Arte - forma teatral com tipos regionais e textos improvisados. O pierrô é o sentimental, o ingênuo, apaixondo e pela colombina; o arlequim é o seu rival: um palhaço farsante e cômico que veste um traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores; e a colombina, que já inspirou tantos versos de famosas marchinhas? Sedutora, volúvel e sempre bem vestida, ela namora o pierrô e é amante do arlequim. Esperta a moça, não?

FANTASIAS

Beleza, criatividade e nomes pomposos

O carnaval teria pouco brilho sem a presença delas: as Fantasias. Verdadeiras obras de arte, elas foram pioneiras em uma das mais tradicionais manifestações do carnaval : o concurso de fantasias. O primeiro concurso oficial de fantasias aconteceu em 24 de fevereiro de 1936.

Durante muito tempo, as fantasias eram a grande "coqueluche" do carnaval . Os concursos lotavam na época da folia, em diferentes bailes como o High Life, Gala do Teatro Municipal. Os locais onde eram realizados os concursos também mudaram muito desde a áurea época do carnaval : Teatro Municipal, Hotel Glória, Hotel Nacional Rio, Copacabana Palace Hotel, Scala e Canecão (onde foi realizado o I Baile Oficial da Cidade do Rio de Janeiro).

E não podemos falar de fantasias, luxo e esplendor, sem citar o nome "mítico" de Clóvis Bornay (foto à esquerda). Esta querida figura do samba já venceu tantos concursos que é considerado, agora, hors concours; afinal, ele merece.

Carnaval

No Brasil a origem do carnaval também é objeto de muita discussão.

Alguns historiadores se baseiam na festa de comemoração realizada pelo povo carioca para receber a Família Real no Rio de Janeiro como o marco zero do carnaval . Outros estudiosos já citam o aparecimento dos primeiros cordões de foliões nas ruas do Rio de Janeiro, no início dos anos 20, como o surgimento do que mais se aproxima do carnaval de hoje.

Mas a popularização do carnaval no Brasil acontece mesmo é com o surgimento das marchinhas, com destaque para a primeira composição realizada especialmente para o carnaval , Abre Alas de Chiquinha Gonzaga, feita sob encomenda para o cordão Rosas de Ouro, em 1899.

Em 1917 surge no Rio de Janeiro, o samba, um novo gênero musical, nascido nas festas das tias baianas, com um ritmo que mistura o lundu, o frevo e a polca e que se tornou a identidade de expressão do povo brasileiro.

Foi ao som do samba que o carnaval se consagrou com a festa mais brasileira das festas, marcando a identidade do País.

E hoje, com certeza, a festa mais consagrada no Mundo, sendo considerado o maior espetáculo da terra.

Os primeiros bailes de carnaval no Brasil

Carnaval

O primeiro baile de máscaras de que se tem notícia no Brasil foi realizado no Hotel Itália, no antigo Largo do Rócio, no Rio de Janeiro, em 1840, por iniciativa dos próprios proprietários italianos, empolgados pelo sucesso dos grandes bailes de máscaras da Europa.

A repercussão foi tamanha que muitos outros se seguiram a este, marcando, também através do carnaval , as diferenças sociais que atingiam a sociedade brasileira: de um lado, a festa de rua, ao ar livre e popular; do outro, o carnaval de salão que agradava, sobretudo à classe média emergente no País.

Dos salões, os bailes transferiram-se aos teatros, animados principalmente pelo ritmo da polca - primeiro gênero a ser adotado como música carnaval esca no Brasil - e depois, envolvidos pelo som da quadrilha, da valsa, do tango, do "cake walk", do "charleston" e do maxixe. Até então, esses ritmos eram executados apenas em versão instrumental.

Somente por volta de 1880 os bailes passaram a incluir a versão cantada, entoada pelos coros.

Em 1907, foi realizado o primeiro baile infantil, dando início às famosas matinês.

As novidades não pararam por aí e as modalidades se multiplicavam, como as festas em casas de família, bailes ao ar livre, em praças públicas, bailes infantis, e até mesmo bailes em circo.

Em 1909, surge o primeiro concurso, premiando:

a mais bela mulher, a fantasia mais bonita e a melhor dança.

Os prêmios eram jóias valiosas e somente os homens tinham direito a voto. Enfim, o carnaval crescia a cada ano, passando a fazer parte da realidade cultural do país, enquanto na Europa já se notava a sua decadência.

Por essa mesma época, a classe média preparava-se para invadir as ruas com outra novidade européia: os desfiles de carros alegóricos. O pioneiro da idéia foi o romancista José de Alencar, um dos fundadores de uma Sociedade denominada Sumidades carnaval escas.

O carnaval no Rio de Janeiro

Carnaval

No decorrer dos anos, diferentes manifestações populares caracterizaram o carnaval no Rio de Janeiro, cada qual com um objetivo que ia além da mera diversão.

As grandes sociedades, com seu teor crítico-educativo, e os blocos e ranchos, com seu caráter de resistência, apesar das diferentes formas de manifestações que utilizavam no carnaval de rua para se expressar, souberam conviver entre si durante anos, utilizando um espaço público em comum, que é a rua, para desfilar sua folia.

Foi firmada então a identidade de propósitos na sociedade carioca.

As Escolas de Samba

Nas primeiras décadas do século XX, o quadro de manifestações do carnaval de rua do Rio de Janeiro estava formado.

As grandes sociedades desfilavam seus enredos de crítica social e política apresentadas ao som de óperas, ornamentadas por luxuosas fantasias em cima de enfeitados carros alegóricos.

Os ranchos passaram ao som de sua marcha característica e os blocos carnaval escos servindo como diversão às camadas mais pobres da sociedade, que habitavam os morros e subúrbios cariocas formaram os ingredientes necessários para a formação das escolas.

O surgimento das escolas de samba veio desorganizar essas distinções.

Através de uma rápida ascensão na vida cultural da cidade, que culminou, em parte, com a decadência e o gradual desaparecimento do carnaval de rua carioca, as escolas de samba tornaram-se o destaque maior dos dias de reinado de Momo, interligando diferentes camadas sociais em seus dias de desfile.

As escolas sambas, nascidas nos morros e subúrbios cariocas, ocupam hoje com o seu desfile o lugar de maior espetáculo (do carnaval do Rio de Janeiro e do Brasil).

As escolas de samba surgiram por volta de 1920, período histórico no qual cada camada social tinha uma forma particular de brincar o carnaval .

O núcleo social de formação das escolas de samba foram os blocos: eles tinham a função de representar de forma positiva, em diferentes áreas da cidade, o grupo social que os compunham. Uma maior ampliação do espaço social desses moradores dos morros e subúrbios cariocas era pretendida, então, por detrás da formação das escolas.

A primeira disputa entre escolas de samba aconteceu em 7 de fevereiro de 1932, na Praça Onze, no Rio de Janeiro e foi organizada pelo jornalista Mário Filho.

Preocupado com a falta de assunto para o seu jornal, O Mundo Sportivo, entre os meses de dezembro e março, criou o primeiro concurso de escolas de samba.

A promoção teve grande repercussão na imprensa e no carnaval seguinte, em 1933, o jornal O Globo assumiu o desfile. Dois anos depois a Prefeitura do Rio passou a subvencionar o evento, oficializando-o como parte do carnaval carioca.

Em 1942, surge a Avenida Presidente Vargas, com a demolição da Praça Onze. Surge assim o novo local de desfiles, que perduraria por muitos anos.

As escolas começam a ganhar espaço dos ranchos e das grandes sociedades na disputa pela hegemonia do carnaval .

Em 1946, surge o samba-enredo, com o governo municipal proibindo que as escolas cantem versos improvisados, levando para o local da apresentação uma música pronta.

O desfile das escolas de samba não parava de crescer e na metade da década de 50 a classe média passa a freqüentar os ensaios das escolas.

Em 1957, o desfile foi realizado na avenida Rio Branco. A alta sociedade se rende à popularização crescente e passa a assistir o desfile.

Fonte: www.carnavaldobrasil.com.br

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