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História do Casamento

 

A origem do casamento

História do Casamento

A maioria das sociedades antigas precisava de um ambiente seguro para a perpetuação da espécie, um sistema de regras para lidar com a concessão de direitos de propriedade, bem como a proteção de linhas de sangue. A instituição do casamento tratava dessas necessidades.

A palavra casamento pode ser tomado para designar a ação, contrato, formalidade ou cerimônia pela qual a união conjugal é formado.

É geralmente definido como a união legítima entre marido e mulher.

"Legítimo" indica a sanção de algum tipo de lei, natural, evangélico, ou civis, enquanto a frase, "marido e mulher", implica direitos mútuos de relações sexuais, a vida em comum e de uma união duradoura.

A união de um homem e uma mulher, reconhecida pela autoridade ou cerimônia, é tão antiga quanto a própria civilização e do casamento de algum tipo é encontrada em praticamente todas as sociedades. Mas ao longo dos séculos o casamento tem tomado muitas formas diferentes.

A união e a família

História do Casamento

A união e a família fazem parte de uma realidade social, construída junto com a evolução da humanidade.

Durante séculos, as pessoas passavam por rituais de corte, com um parceiro, e então partiam diretamente para casamentos que deveriam ser para toda a vida.

Uma união que pretendia a procriação, passou também por questões ligadas ao valor da propriedade, à conquista das terras e aos acordos políticos entre a nobreza.

O casamento era essencialmente um ato de aquisição: o noivo "adquiria" a noiva, a transação era selada por meio do pagamento de uma moeda de ouro ou prata.

Na maioria das vezes, o casamento era arranjado pelos pais do casal, transformando-se numa união forçada, prevalecendo a dominação do homem sobre a mulher. A escolha dos padrinhos para o casamento estabelecia uma situação de compadres socialmente reconhecida, hoje só os amigos mais próximos e, eu sempre indico para que na hora do vídeo os noivos coloquem legenda e os nomes dos padrinhos, que por incrível que pareça, alguns casais não lembram 10 anos depois de casados.

Historicamente, o papel do casamento como eixo da estabilidade social era mais importante do que o amor entre os casais. As funções do casamento voltavam-se para a criação dos filhos, a transmissão de valores, servindo como núcleo econômico e organizador das tarefas diárias da vida. No passado, um jovem casal que iniciava uma vida a dois tinha maior suporte emocional e logístico, pois contava com o apoio de figuras da família (antes numerosas). Os casais de hoje estão remando num bote sozinhos, trabalham fora e a criação dos filhos tornou-se mais complexa.

Mesmo assim, o casamento tradicional sobreviveu à chegada do novo milênio. A cerimônia do casamento constitui um acontecimento expressivo, uma passagem espiritual muito forte, além do significado religioso, a festa formaliza o amor e o respeito mútuos entre duas pessoas.

O noivado

Um dos momentos mais emocionantes da vida de uma mulher é quando ela recebe um anel de noivado, simbolizando um compromisso com o futuro do casal. Na sua forma original, uma lei do final do século VIII fazia da bênção nupcial o passo necessário para a celebração do casamento; mesmo assim, o noivado possuía uma grande importância comparável à do casamento.

A influência da herança patriarcal - dominada por valores de posse e dotes - encontrou uma solução para as famílias apressadas: a realização de um contrato entre meninas de doze anos e meninos de quatorze, fixando uma data, o montante do dote e, eventualmente, uma multa por rescisão. Com o passar do tempo, os casais foram sendo formadosà revelia das famílias, identificados por interesses comuns, freqüência a lugares e muita atração física.

O véu

Costume da antiga Grécia. Pensavam em proteger a noiva de mau olhado de algum admirador ciumento.

Atirar arroz

Esta prática tem a sua origem, também, num ritual grego. Era um ritual de fertilidade, que consistia em lançar sobre o casal qualquer tipo de coisas doces, pois acreditavam que isto poderia, inclusive, trazer lhes prosperidade.

Atirar flores no trajeto da noiva

Um costume romano. Acreditavam que a noiva que passasse por sobre as pétalas de flores teria sorte e carinho perene para o seu amado.

A aliança

O uso é tradição cristã do século XI. Era colocada no terceiro dedo da mão esquerda dos noivos, pois acreditavam que existia uma veia que ia para o coração.

"Aliança" siginifica compromisso, pacto, união.

Na Sagrada Escritura, o relacionamento de Deus com os homens aparece repetidamente em termos de aliança do latim foedus, também conhecido como bérith em hebraico e diathéke em grego.

Acredita-se que uso de alianças no terceiro dedo da mão esquerda no casamento servia para selar o matrimônio e vem da tradição cristã, do século XI, em que acreditava-se que nesse dedo havia uma veia que ia direto ao coração.

Encontramos um conto que, a partir do valor de uma aliança, nos ajuda a entender e repensar melhor sobre o valor de cada um.

O Buquê

Para os antigos gregos e romanos o buquê da noiva era formado por uma mistura de alho,ervas e grãos.Esperava-se que o alho afastasse os maus espíritos,e as ervas e os grãos garantissem uma união frutífera e farta.Na antiga Polônia, acreditava-se que colocando açúcar no buquê da noiva seu temperamento se manteria “doce”.

Um sacramento

O amor espiritual, independente do sangue e da carne, começou na terra com o Cristo, vinculando seres humanos com fortes relações de fraternidade, como resultado do Cristianismo. Durante a Idade Média, a Igreja institucionalizou o matrimônio como um ato público, trazendo a celebração para o interior do templo e regulando os contratos. A Igreja inseriu Cristo na família, incluindo, no ritual, o consentimento dado pelos noivos por meio do SIM, bem como a bênção nupcial.

O casamento, além de familiar, patrimonial e econômico, passou a ser um sacramento, valorizando também a condição feminina.

Religião e sociedade

O casamento entre um homem e uma mulher existe desde a Antigüidade; como prática social tornou-se um ato público, refletindo a sociedade que o fundou. Cada religião possui um ritual no tocante à formalidades do casamento, dependendo de práticas que são determinadas pelos líderes. Os costumes do casamento variam de uma cultura para outra, e do comportamento dos noivos, mas, sua importância institucional é de conhecimento universal. Atualmente, existem três regimes
de comunhão e diferentes formas, inclusive através de um contrato, uma Escritura pública que formaliza a união.

Todas as religiões são legalmente válidas, porque Deus é um só, mais existem caminhos diversos para chegar a ele. A festa de casamento envolve as famílias e revigora a convivência, nestes dias conturbados que vivemos.

CASAMENTO CRISTÃO

As Bodas, nos dias de hoje, acontecem por livre e espontânea vontade de constituir uma célula numa comunidade de amor e felicidade.

Assim, a pergunta de grande repercussão em nossa sociedade: É de livre e espontânea vontade que o fazeis ?

As festas preenchem as nossas almas: a união de Deus com os homens associa-se à vinda de Jesus Cristo a uma festa de casamento. A esta festa, convidam-se todos os amigos próximos, familiares e pessoas que fazem parte da vida do casal, para presenciarem o recebimento da bênção nupcial e do Sacramento. O primeiro milagre de Jesus aconteceu nas Bodas de Caná da Galiléia.

CASAMENTO JUDAICO

Os judeus seguem os princípios e as regras do Livro Sagrado de Talmud, com base nos comentários do Torá. O ritual acontece de forma diferente para ortodoxos e conservadores; porém, não se casam aos sábados ou em festas religiosas. Não precisa ser realizado na Sinagoga. A celebração do casamento judaico de hoje é a justaposição de duas cerimônias diferentes que eram antigamente celebradas. Sugiro a leitura do capítulo sobre Casamento do livro “Os Porquês do Judaísmo”, do Rabino Henry I. Sobe.

Curiosidades da união judaica

Os noivos bebem da mesma taça de vinho e o noivo esmaga um copo com o pé, enquanto os convidados desejam felicidades. Uma das interpretações é que a quebra do copo simboliza um rompimento com a vida passada dos noivos. O casal ingressa no casamento sem quaisquer sentimentos de culpa que poderiam prejudicar seu relacionamento.
A noiva usa um véu durante a cerimônia. A tradição tem origem na história de Rebeca que se cobriu com um véu, quando viu e aproximou-se do futuro marido, Isaac. (Gênesis 24:65)
A origem da Chupá: Um belo costume nos tempos antigos era plantar um pinheiro quando nascia uma menina, e um cedro quando nascia um menino. Quando eles se casavam, fazia-se a chupá entrelaçando os galhos dessas duas árvores. Era símbolo de dois seres que cresceram separadamente e, pelo casamento, unem-se num só.

CASAMENTO ORTODOXO

Os ortodoxos são membros de um ramo do Cristianismo que se separou da Igreja Católica, em 1054 e não sofreu influência ocidental. Ortodoxo significa"conforme a doutrina definida", um ato lento e demorado, envolvendo um rito bizantino, uma linda cerimônia celebrada na língua escolhida, em português, grego, árabe, russo, romeno, etc. O casamento dos padres é aceito; apenas os bispos mantêm o celibato. A Igreja Ortodoxa não se opõe ao casamento de pessoas de outras religiões, ou de divorciados.

CASAMENTO EVANGÉLICO/PROTESTANTE

Após marcada a cerimônia com certa antecedência, os noivos devem marcar uma conversa com o pastor; tem a mesma intenção do curso de noivos ministrado pela Igreja Católica. Os templos evangélicos apresentam cerimônias com hinos, orações, leituras, troca de votos de felicidades e alianças. Algumas Igrejas realizam o casamento entre desquitados ou divorciados, embora de uma maneira geral, a exigência é que os noivos sejam solteiros ou viúvos.

CASAMENTO ANGLICANO

A Igreja Anglicana chegou ao Brasil, em duas etapas, no século XIX: com imigrantes ingleses que aqui se estabeleceram, a partir de 1810 e do trabalho dos missionários norte-americanos desde 1889; buscou equilibrar a tradição católica com as influências benéficas da Reforma Protestante. Celebra o matrimônio de acordo com as leis do país e desde que um dos cônjuges seja batizado. Os divorciados podem casar-se novamente, cumpridas as determinações canônicas da Igreja.

Casamento Civil

História do Casamento

Casar é um ato de amor; na hora de formalizar esse amor, será preciso pensar com mais razão do que emoção. Antes do casamento civil, faz-se necessário escolher o tipo de união legal, Comunhão Parcial de Bens, Separação de Bens, Comunhão de Bens e inclusive, mediante um contrato, uma escritura pública que formaliza a união. Após a Lei do Divórcio, torna-se imprescindível estabelecer um contrato entre os noivos, deixando claras as bases deste casamento. Desde 1996, existe uma lei, permitindo a realização de um casamento na forma de um contrato, entre um homem e uma mulher.

Um casamento necessita de base financeira sólida para sua continuidade. Conhecer o modo de seu parceiro lidar com o dinheiro: um jovem casal de estudantes deve, portanto, prever despesas futuras. Um casal maduro, mais preparado para o casamento, tem condições de assumir as responsabilidades financeiras. Casais mais velhos, ou segundo casamento, devem observar seriamente a necessidade de um acordo pré-nupcial.

Indivíduos, profissionais liberais, empresários, na hora de se casarem, esquecem que essa condição implica nova visão econômica da sociedade.

Uma mulher casada, necessitando de um empréstimo para ascenção de sua empresa, não obterá sucesso, caso o parceiro tenha problemas no seu CPF.

Esse assunto delicado requer um tratamento com diplomacia por parte do casal. Um casal normalmente se une, definindo apenas o regime; porém, é aconselhável que os detalhes sejam formalizados por um advogado.

No judaísmo, a Ketubá é o contrato de casamento judaico, instituído há mais de dois milênios, e originalmente escrito em aramaico. Embora fizesse referência ao dote da noiva e aos direitos de propriedade do marido, o documento garantia, também, os direitos da mulher e continha cláusulas para protegê-la, em caso de divórcio, ou morte do marido.

Quanto à documentação, na Igreja, o processo deve ser iniciado com pelo menos 3 meses de antecedência, normalmente na paróquia de domicílio dos noivos (ou dos padrinhos, ou do melhor amigo, etc.). Existem alguns documentos exigidos encontrados na secretaria da Igreja.

Documentação

Na Igreja, o processo deve ser iniciado com pelo menos três meses de antecedência, normalmente na paróquia de domicílio dos noivos ( ou dos padrinhos, ou do melhor amigo, etc.).

Existem alguns documentos exigidos: carteira de identidade, CIC, certidão de nascimento e comparecer ao Cartório de Registro Civil, quarenta dias antes da data do casamento. A escolha de dois amigos maiores de vinte e um anos, com CIC e RG, para testemunhas. Se forem menores de vinte e um anos e maiores de dezeseis anos, deverão ser assistidos pelos pais, com RG e CIC; se forem menores de dezeseis anos, somente com autorização judicial, para que se possa efetuar o casamento.

Após decidir o local da cerimônia: no cartório, buffet, Igreja, ou em sua própria casa. Pela locomoção do juiz de paz, o custo é tabelado.

A ESCOLHA DO DIA DO CASAMENTO

Casar numa Igreja badalada significa agendar a data com um ano e oito meses de antecedência ( às sextas, aos sábados e às segundas) - dias sempre lotados.

Descontando-se feriados restam apenas 48 sextas-feiras e sábados propícios para casamentos.

Escolhem o mês de maio no Brasil - um país católico, porque é conhecido como o mês da Maria, " Mãe de Jesus Cristo" . Já na Europa, decidem pelo mês , por ser primavera, tempo das flores, de vida nova, emprestando um ar romântico à cerimônia. A escolha do mês de setembro pelos brasileiros assemelha-se à opção dos europeus por maio. O mês de julho não é ideal par festas de casamento por constituir uma época de férias. Alguns noivos fazem a escolha do mês de casamento em função do mês que se conheceram, do marco no relacionamento de ambos.

O calendário hebraico baseia-se no ciclo lunar. Celebram-se casamentos na primeira quinzena do mês, prenúncio de prosperidade e fertilidade, simbolizando que o marido e mulher cresça. De qualquer forma, a escolha de um determinado mês para se casar está associada a coincidências.

A astrologia associa as fases da Lua aos processos emocionais do ser humano e suas atividades.

A Lua atravessa os 12 signos, em 28 dias, passando por 4 fases:

Nova, Crescente, Cheia e Minguante, influenciando no cultivo das plantas, na alteração das marés, na pesca e, porque não no dia-a-dia das pessoas.

Toda a vida está ligada: a Terra, a Lua, as estrelas, os outros planetas e sistemas solares contidos no todo. A vida gira em torno de ciclos, e os ciclos dentro de ciclos.

Há ciclos grandes, como o da vida, morte e renascimento, e ciclos menores: dia e noite, as quatro estações do ano ( que dependem da parte do mundo em que vivemos), ciclos semanais, ciclos da Lua, ciclos menstruais para a mulher, e muito mais.

A cerimonia de casamento

A cerimonia de casamento, com noiva e culto religioso, nasceu na Roma antiga.

Não se sabe ao certo em que ano, mas vêm de lá as primeiras notícias de mulheres vestirem-se especialmente para a ocasião. Prendiam flores brancas (símbolo de felicidade e longa vida) e ramos de espinheiro (afasta os maus espíritos) aos cabelos, além de se perfumarem com ervas aromáticas. Virou tradição.

Desde então, o figurino da noiva ganhou novos símbolos, entre eles o véu, uma referência à deusa Vesta (da honestidade), que na mitologia greco-romana era a protetora do lar. Não é por acaso que a cerimônia de casamento tenha nascido em Roma. Avançados para sua época, foram os romanos os primeiros a propor uma união "de direito", instituindo a monogamia e a liberdade da noiva se casar espontaneamente, diante de juízes, testemunhas e com as garantias da lei.

Durante a Idade Média, as mulheres perderam terreno e escolher o noivo passou a ser uma questão de família.

O casamento da época era decidido quando a menina tinha entre três e cinco anos. Neste período, o noivado tornou-se mais importante reunindo na igreja, além dos noivos, pais e convidados para troca de alianças em ofício religioso. Um embrião dos casamentos atuais.

Na era medieval, o vermelho foi a cor nupcial preferida. Simbolizava "sangue novo" para a continuação da família e numa celebração acompanhada de muito ouro. Parecido aos dias de hoje em que a suntuosidade indica o poder da família.

Mas foi uma rainha, de nome Vitória, que na Inglaterra inaugurou o primeiro visual noiva, tal qual o de hoje. Apaixonada pelo primo, o príncipe Albert de Saxe-Cobourg-Gotha, ela tomou a iniciativa de pedi-lo em casamento (o protocolo de época dizia que ninguém poderia fazer tal pedido a uma rainha).

Ele aceitou. Foi a primeira vez que se teve notícias de alguém casar por amor.

Vitória foi mais ousada: acrescentou ao seu traje nupcial algo proibido para uma rainha da época - um véu (para provar sua identidade, em público, a soberana jamais se cobria). Nascia aí um costume que atravessaria o tempo e daria a Vitória o reconhecimento de trazer para a nossa época o amor, como sentimento básico para unir um homem e uma mulher.

Com a chegada de uma nova classe social - a dos burgueses -, cria-se um código para sinalizar quando a mulher era virgem: casar de branco. Era a garantia ao futuro marido de sua descendência, já que a virgindade significava a legitimidade da prole.

O quadro "Retrato de Casamento", de Jan Van Eyck, mostra um jovem casal em sua câmara nupcial. No espelho ao fundo, nota-se o reflexo de duas pessoas, supostamente testemunhas. Uma delas atribui-se ser o próprio pintor. O quadro data de 1434 e é objeto de estudos há várias gerações. Faz parte hoje do acervo da The National Gallery, de Londres, Inglaterra.

Fonte: absoluta.com.br/www.soleratecladista.com

História do Casamento

Uma tradição seguida à risca

A maioria das famílias educa os filhos desde pequenos para a união, ou seja, as crianças são orientadas para seguir a linha dos pais, casar, ter filhos e assim por diante.

A história do casamento está ligada diretamente à da reprodução humana, hoje as coisas não acontecem mais assim, mas houve tempos em que o casamento era realizado para que os nomes e propriedades das famílias não desaparecessem.

Casamento por amor surgiu muito tempo depois. O pesquisador do Centro de Desenvolvimento Pessoal Golden Years, Paulo Cornelsen, foi buscar em livros e fontes eletrônicas as respostas.

Para Cornelsen a importância de relatar a história do casamento vai além de uma curiosidade. “As pessoas têm dúvidas, mas não tempo disponível para procurar informações como estas que eu encontrei. Quando se fala em casamento, poucos se perguntam de onde vem essa tradição” relata.

Segundo a pesquisa a celebração dos casamentos teve inicio na Antiga Roma, não se sabe quando exatamente teve a primeira cerimônia, era uma espécie de negócios entres famílias. Assim as noivas eram prometidas pelos seus familiares, e desde muito cedo elas já sabiam com quem se casariam. O matrimonio acontecia quando o homem completasse 18 anos e a mulher entre 12 e 13 anos. O casamento por amor já existia, mas isso acontecia nas classes sociais mais baixas.

O ritual da cerimônia não mudou praticamente nada nos tempos atuais. No século XVI, o casamento torna-se obrigatório. As noivas usavam flores como buquês e na cabeça para espantar os maus espíritos, usavam coroas de espinhos. As flores representavam a felicidade e a vida longa e os espinhos afastariam os maus espíritos.

Mais tarde foi acrescentado o véu, em referência à deusa greco-romana Vesta, protetora do lar, simbolizando a honestidade e a virgindade, virtudes imprescindíveis para uma boa prole e a continuação do “sangue”, segundo os costumes da época.

No século XI, surgiu a aliança que é o maior símbolo de uma união. Após esse período, a tradição do noivado era tão importante quanto o casamento, a cerimônia acontecia 12 meses antes da união, e durante esse período a noiva tinha que ser fiel ao noivo, caso contrário, seria chamada de adúltera e não poderia noivar novamente. Apenas no século XV, a aliança com diamante foi recebida por uma mulher. Surge também o primeiro beijo em público.

A tradição dos presentes veio na Idade Média, onde três presentes eram trocados: a família da noiva era a responsável pelo pagamento do dote (o pai da noiva sentia-se proprietário da noiva, por isso pedia um valor por ela). Os pais do noivo eram responsáveis pela moradia. E o sacerdote que celebrava o matrimônio recebia o terceiro presente.

A festa de casamento está presente em todas as celebrações das diversas religiões, sempre com comida farta, bebidas e muita diversão para os convidados, e durava até sete dias.

O bolo também teve origem no século XVI, os convidados usavam a cabeça da noiva para partir um pequeno pedaço de pão-doce a fim de deseja-lhe a fertilidade. Os convidados tinham o costume trazerem pequenos pedaços de bolos e que eram colocados em cima dos outros, ao longo dos tempos um padeiro teve a idéia de juntá-los e decorá-los, assim surgiu o bolo de andares.

A história dos casamentos está diretamente ligada com a história da moda. A cor do vestido é uma evolução, apesar do aparecimento de novos tecidos e estilos, o vestido de casamento ainda é a tradição mais seguida. As noivas na Antiga Roma usavam o melhor vestido para a cerimônia. Já houve épocas em que eram usados vestidos vermelhos, pretos, azuis, mas não tinha uma cor determinada.

O branco só aparece em meados do século XVII, quando a rainha Vitória, da Inglaterra apareceu toda de branco em seu casamento. Ela também teria inaugurado o “casamento por amor”, o sentimento básico que deveria unir um homem e uma mulher.

Curiosidades

As noivas usavam dois buquês, um para usar e outro para jogar para as amigas.

A aliança é usada no terceiro dedo da mão esquerda, pois acreditavam que nesse dedo havia uma veia que ia direto para o coração.

O arroz que é atirado nos noivos na saída da cerimônia é para desejar-lhes uma família numerosa.

Os Faraós foram os primeiros a usar um círculo que simbolizava a eternidade. As primeiras alianças foram de ferro. Na época Medieval, surgiram as de ouro e pedras preciosas.

A escolha dos padrinhos, sempre era de um bom amigo, para proteger a noiva de um possível rapto.

Porque o noivo não pode ver a noiva antes do casamento? Os ritos primitivos diziam que ninguém podia ver a noiva antes dela passar completamente para o grupo de mulheres casadas.

Os tipos de casamentos

Casamento perante as pessoas é uma cerimônia sem a presença de padrinhos, os noivos trocam os juramentos perante a família.

Casamento perante a Deus é o casamento segundo xintoísmo. Os noivos trocam taças de miki (saque) na cerimônia, a primeira taça é o juramento perante a Deus, a segunda a gratidão aos pais e a terceira aos parentes.

Casamento em igreja é a cerimônia realizada por um padre ou um pastor, onde os noivos trocam juramentos e ao final assinam a certidão de casamento.

Tradições

No casamento cigano a família do rapaz é responsável pelo pagamento da noiva, de um vestido branco, um vermelho e todas as despesas do casamento e do enxoval;

No casamento italiano a cerimônia pode durar o dia inteiro, tem café da manhã, almoço e jantar.

A História do Casamento

Segundo os historiadores, a história do casamento remonta à Roma antiga, quando teria surgido a cerimônia religiosa com a presença da noiva, vestida especialmente para a ocasião, com destaque para as flores brancas e espinhos presos ao cabelo.

As flores representariam a felicidade e a vida longa e os espinhos afastariam os maus espíritos. Mais tarde foi acrescentado o véu, em referência à deusa greco-romana Vesta, protetora do lar, simbolizando a honestidade e a virgindade, virtudes imprescindíveis para uma boa prole e a continuação do “sangue”, segundo os costumes da época.

Foram os romanos também a criar um “direito do casamento”, instituindo a monogamia. Na idade média as mulheres perderam o direito de escolher seus maridos e isso ficou sendo uma decisão das famílias, que reservavam as meninas desde muito cedo para determinado parceiro.

O noivado ganhou muita importância, com a troca de alianças entre as famílias comprometidas mutuamente – e financeiramente – através do compromisso dos noivos. Nesta época o vermelho virou a cor preferida, simbolizando o sangue novo da nova família. Surgiram as celebrações suntuosas, tendo a rainha Vitória, na Inglaterra, usado o primeiro vestido de noiva tal como conhecemos hoje em dia. Ela também teria inaugurado o “casamento por amor”, o sentimento básico que deveria unir um homem e uma mulher.

A história do casamento é a história da reprodução da vida, sendo que a ele estiveram associados ritos e significados que expressavam esta preocupação: a pureza e a fidelidade, a família e a reprodução, a bênção e as oferendas, a descendência e a virgindade, o amor e o companheirismo. Alguns ritos religiosos mantém ainda hoje esta forte simbologia do casamento em relação à preservação da vida, principalmente entre as culturas indígenas.

A festa do casamento entre os camponeses brasileiros era também revestida deste sentido, muito ligado à vida da terra e das sementes: envolvia toda a comunidade que se empenhava nos preparativos, na arrumação da casa para os noivos, plantio de sementes para que o novo casal já começasse com uma boa horta ou até uma pequena lavoura, além de casais de animais e galináceos.

Muitos parentes viajavam longos dias e traziam sementes, ovos, raízes e animais como presente ao novo casal e também para trocar com os outros convidados.

Era uma grande festa de troca de sementes de animais e vegetais, durando vários dias.

Festa das sementes dos noivos que se encontram para reproduzir a vida. Festa da seleção dos melhores grãos, trazidos com orgulho para a troca ou a oferenda aos noivos, resultado das colheitas nas terras longínquas. Festa também do aperfeiçoamento genético dos animais, os melhores deles escolhidos como donativo.

O casamento é o ritual das sementes. Por isso, é o ritual do amor. Semente é amor. Amor que não é propriedade, mas partilha; que implica cuidado, respeito, dedicação; que necessita experiência, contato, conhecimento. Fruto do amor, a semente possui um valor sagrado e como tal, não pode ser apropriada ou mercantilizada.

A semente é resultado das relações de amor entre os agricultores e agricultoras com a terra e um patrimônio deixado pelos antepassados para as gerações futuras. Trata-se de um casamento indissolúvel, mediado pela sacralidade, ligado à garantia da identidade e da autonomia de nossos povos em seu processo evolutivo, garantindo a manutenção da biodiversidade animal e vegetal, resultado do meio ambiente onde nascem, crescem e frutificam as sementes.

Se o casamento antigo era a festa da disseminação das sementes, da renovação dos acervos comunitários e da garantia da biodiversidade, festa da obtenção, da guarda e da reprodução da vida, ele confirma para hoje a necessidade de potencializar o intercâmbio das sementes e das informações de cultivo, como forma de garantir que as multinacionais de engenharia genética não se apropriem deste patrimônio da humanidade, acumulado em mais de 12 mil anos de história.

Deturpando valores e conspurcando a vida desde suas entranhas, a moderna tecnologia abre mão dos princípios éticos em função do lucro e do mercado, colocando a vida em perigo. Congênitas, híbridas, sintéticas ou transgênicas, as sementes vêm sendo apropriadas por empresas apátridas nada preocupadas com as conseqüências sociais, ambientais ou culturais de suas “descobertas”.

Cabe aos agricultores e agricultoras e aos movimentos sociais continuar festejando o casamento das sementes e garantindo a aquisição, acervo e reprodução da vida.

Fonte: www.goldenyears.com.br/www.cpt.org.br

História do Casamento

A palavra casamento deriva de casar, verbo que vem de casa.

No antigo sistema patriarcal, "os pais casavam os filhos", uma vez que os pais tinham que ceder uma parte da sua propriedade (casa e terras) para o sustento e a moradia da nova família.

A cerimónia de casamento nasceu na Roma antiga, incluindo o ritual da noiva se vestir especialmente para a cerimónia, o que se tornaria uma tradição. Foi igualmente em Roma que aconteceram as primeiras uniões de direito e a liberdade da mulher casar por sua livre vontade.

Vestido da Noiva

O primeiro vestido branco foi adoptado em Inglaterra pela Rainha Vitória quando se casou com o seu primo, o príncipe Albert.

Antes disso, especialmente na Idade Média, não havia cor específica para a cerimónia; a cor mais usada era o vermelho. O branco acabou por ser o preferido, por simbolizar a castidade e a pureza.

Na Grécia e em Roma, existem relatos de que as pessoas usavam roupas brancas em celebrações importantes, como o nascimento e o casamento.

Véu

A origem do véu no vestido é incerta, mas sabe-se que é mais velho do que o próprio vestido de noiva.

Uma das explicações é do tempo em que o noivo atirava um lençol para cima da mulher que escolhia para noiva para assim a raptar.

Outra explicação é a de que durante os tempos em que os casamentos eram “arranjados”, a face da noiva era coberta até o noivo estar comprometido com ela na cerimónia – para que fosse tarde demais para ele se recusar a casar se não gostasse do seu aspecto físico.

Os romanos, por sua vez, acreditavam que alguns espíritos demoníacos e invejosos tentariam lançar-lhes feitiços durante o dia do casamento. As faces das noivas eram então cobertas com véus para as guardar contra os demónios e outros espíritos malignos.

Ramo

Os primeiros ramos de noiva terão surgido na Grécia e incluíam não apenas flores, mas também ervas e temperos. Os mais populares, geralmente com cheiro mais forte, como os alhos, eram usados para espantar os maus espíritos.

Cada flor tinha o seu significado: a hera representava fidelidade; o lírio a pureza; as rosas vermelhas o amor; as violetas a modéstia; as flores de laranjeira concediam fertilidade e alegria ao casal.

Noivo não pode ver a noiva

É uma tradição milenar praticada por quase todos os povos.

A cerimónia do casamento foi considerada uma linha definitiva entre o antes e o depois; por isso, a noiva não seria considerada pura e nova se o seu noivo a visse antes do tempo.

Pétalas de Rosa

De acordo com a tradição, pétalas de rosas amarelas são atiradas enquanto a noiva e noivo caminham em direção à saída da igreja. Desta forma, acredita-se que se está a assegurar a lealdade neste casamento.

Quando se atiram pés de rosa antes de a noiva chegar é para afastar espíritos malignos que estejam no subsolo, e assim se garanta a fertilidade da futura esposa.

Damas de Honra

Os romanos acreditavam que espíritos maus tentariam influenciar a noiva. As testemunhas, ou damas de honor, protegiam a noiva e enganavam os espíritos por estarem todas vestidas de igual

Entrega da Filha

A tradição de o pai levar a filha ao altar reflete a velha crença de que ela era sua pertença, e só ele a poderia entregar a um noivo.

Em tempos remotos, o pai da noiva dava ao noivo um dos seus chinelos. O noivo usava-o para dar uma chinelada simbólica na cabeça da sua noiva.

Aliança

O termo aliança, vem do hebraico e significa compromisso, representa fidelidade e a unidade perfeita, sem começo e sem fim.

Uma vez que não possui início nem fim, a aliança representa um elo, uma ligação perfeita entre o casal. O círculo representava para os Egípcios a eternidade, e assim também o amor deveria durar para sempre.

Ao longo dos séculos, as alianças foram-se adaptando às diferentes atualidades desde erva, pele, pedra, ferro e finalmente prata e ouro.

Mão Esquerda

O anel de noivado e a aliança são tradicionalmente usados no quarto dedo da mão esquerda. Não existe uma prova precisa que explique a origem desta tradição, mas existem duas convicções muito fortes.

A primeira, que remonta ao século XVII, é a de que num casamento Cristão o Padre enquanto benze a mão esquerda dos noivos, chega ao quarto dedo (contando do polegar) depois de ter tocado nos outros três dedos “… em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A segunda faz referência a uma crença egípcia em que o dedo do anel tem a “venaamoris”., a chamada “veia do amor” que está ligada diretamente ao coração.

Posição dos Noivos

A razão da noiva ficar sempre do lado esquerdo do seu noivo tem a sua origem entre os anglo-saxões. O noivo, temendo um ataque dos dragões e outras ameaças, como a tentativa de rapto da noiva, deixava sempre o braço direito livre para sacar a sua espada.

Outros dizem que, quando a noiva fica no lado esquerdo, afasta o risco de infidelidade.

Padrinho

A tradição da escolha de um padrinho é, na realidade, um costume que remonta à Antiguidade, quando se escolhia um bom amigo, na maioria das vezes um guerreiro tribal, para ajudar a proteger a noiva de possíveis raptores, os quais muitas vezes rondavam o local da cerimónia.

Arroz

A tradição de atirar grãos de arroz sobre os noivos, após a cerimónia nupcial, teve origem na China, onde um Mandarim quis mostrar a sua riqueza, fazendo com que o casamento da sua filha se realizasse sob uma "chuva" de arroz. Significa fertilidade e riqueza.

Ramo e Liga

Na França do século de XIV acreditava-se que a liga da noiva trazia sorte. No entanto, nem sempre os convidados agiam de forma adequada para conseguir o desejado talismã. As noivas passaram então a retirar e lançar voluntariamente a liga. Ao longo do tempo o bouquet de flores substituiu a liga.

Atualmente, é costume a noiva atirar o ramo em direção às mulheres solteiras, acreditando-se que aquela que o conseguir apanhar será a próxima a casar.

Bolo

O bolo de casamento era na sua origem uma grande porção de pequenos bolos de trigo que foram previamente quebrados na cabeça da noiva para lhe trazer boa sorte e fertilidade. No fim todos os convidados comiam uma migalha para garantir um futuro risonho.

Diz-se que as jovens solteiras que dormirem com uma destas migalhas debaixo das suas almofadas, sonharão com o futuro marido.

Nos tempos medievais eram os convidados quem traziam pequenos bolos e empilhavam-nos no centro de uma mesa. A noiva e noivo, um de cada lado da mesa, tentavam-se beijar sobrepondo-se a todos os bolos.

Um pasteleiro francês foi quem teve a ideia de juntar todos os pequenos bolos num único grande bolo. Tradicionalmente, os jovens noivos fazem o primeiro corte no bolo em conjunto para simbolizar o início de uma vida conjunta.

Núpcias

É uma daquelas palavras que só se empregam no plural. Vem do latim nubere, "casar", de onde derivou nuptiae, "bodas". Refere-se, por isso, ao momento em que o casamento é contraído, o que permite usar as expressões “marcha nupcial”, “noite de núpcias” ou “leito nupcial”.

Lua-de-Mel

A Lua-de-Mel é um momento inesquecível na vida de qualquer casal, tanto é assim que sua origem pode ser encontrada em diversos povos e culturas diferentes.

Os germânicos tinham por costume, casar-se na lua nova. Durante a cerimónia de casamento, os noivos bebiam o Hidromel (mistura de água com mel) à luz do luar para propiciar boa sorte.

Já em Roma, os convidados do casamento, pingavam gotas de mel na porta de entrada da casa dos noivos, para que eles desfrutassem de uma vida mais doce.

Os judeus preferem casar na lua crescente, pois assim acreditam ter felicidade na vida conjugal.

E existe ainda uma versão mais antiga, que remonta aos tempos onde o noivo sequestrava a mulher amada, às vezes contra a sua vontade e a escondia por cerca de um mês, exatamente o período entre uma lua cheia e outra. Durante esse período, o homem oferecia à futura esposa uma bebida afrodisíaca, adoçada com mel, até que a noiva se entregasse ao noivo.

Noiva ao colo

Existem duas explicações para esta tradição, em que o noivo carrega a noiva ao colo, na primeira vez que entram em casa depois de casados.

A primeira é para proteger a noiva contra os espíritos malignos que possam estar debaixo do chão da entrada.

A segunda explicação aponta para os tempos romanos quando se acreditava que se a noiva tropeçasse quando entrasse pela primeira vez em casa, causaria azar e infelicidade no futuro do seu casamento.

Beijo

Não há cerimónia terminada sem o beijo. De fato, houve tempos em que o noivado não seria considerado válido se não houvesse um beijo.

Para os romanos, o primeiro beijo trocado pelos noivos no encerramento da cerimónia teve diversos significados ao longo dos tempos.

Outras culturas acreditavam que o casal trocava espíritos na respiração e que parte das suas almas também eram compartilhadas.

O Anel de Noivado

O anel de noivado é a promessa de casamento. Durante a era Romana, o homem tinha que permutar a sua noiva. O anel de noivado era uma segurança para o noivo. Com o passar dos anos, os homens passaram a oferecer anéis de diamante às suas futuras noivas, porque um anel contendo um diamante era considerado mais valioso que uma pura barra de ouro, tornando-se assim numa promessa forte e com mais segurança.

O primeiro anel de noivado de que se tem notícia foi aquele dado pelo Rei da Alemanha, Maximiliano I, a Maria de Burgundy em 1477.

Até o século XIII não havia aliança de noivado ou compromisso. O Papa Inocente III declarou que deveria haver um período de espera que deveria ser observado entre o pedido de casamento e a realização da cerimônia matrimonial.

É por isso que hoje se tem o costume de usar um anel de noivado e depois a aliança de casamento.

“Dar o Nó”

A expressão “dar o nó” vem de antigas tradições relativas aos casamentos Egípcios e Hindus, onde as mãos da noiva e do noivo são literalmente atadas, demonstrando o seu laço de união.

A instituição casamento

A instituição casamento surgiu entre os romanos antigos. Antes disso, os casais se uniam sem grandes formalidades. Roma, com seu sistema de normas e costumes, difundiu a prática social do contrato matrimonial, que garantiam a transmissão dos bens para os descendentes legítimos.

Na Idade Média, a livre escolha do futuro cônjuge deu espaço aos acordos pré-estabelecidos pelos chefes de família. Esses ?negócios? eram selados com um ritual comandado pelo pai da noiva. Ele lia à beira do leito nupcial os termos da transferência da tutela da filha para o noivo em troca de uma quantia de dinheiro ou de bens. Depois, o casal ficava nu para que fossem avaliadas suas condições de procriação.

O enlace matrimonial ganhou o status de sacramento no século 9. Nessa época, a Igreja Católica, que até então se mantinha distante, passou interferir no casamento, estabelecendo um código de ética e moral. Foi no Concílio de Trento (1545-1563), na Itália, que surgiu a regulamentação hoje em vigor.

Por influência dos próprios católicos, maio se tornou o mês das noivas. A escolha está ligada à festa de consagração de Maria, mãe de Jesus. A comemoração do Dia das Mães, no segundo domingo, também contribuiu para a associação com as noivas, apesar de não haver na Bíblia passagens ou citações específicas sobre o assunto.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mês campeão de casamentos é dezembro, o segundo preferido é setembro e em terceiro lugar está maio.

A explicação é simples: em dezembro o trabalhador recebe o 13º salário, férias e outros benefícios.

Origem das tradições do casamento

O casamento é um dos eventos mais marcados pela existência de rituais e tradições, característicos das culturas e religiões de cada país. Embora o significado de cada um deles tenha mudado, a verdade é que alguns perduram na história. Conheça as suas origens e significados e saiba qual a razão para a noiva levar bouquet, a origem da tradicional chuva de pétalas, do vestido de noiva, etc.

Casamento

No antigo sistema patriarcal, "os pais casavam os filhos", uma vez que os pais tinham que ceder uma parte do seu património (casa e terras) para o sustento e a moradia da nova família.

A cerimónia de casamento nasceu na Roma antiga, incluindo o ritual da noiva se vestir especialmente para a cerimónia, o que acabou por se tornar uma tradição. Foi igualmente em Roma que aconteceram as primeiras uniões de direito e a liberdade da mulher casar por sua livre vontade.

Ramo da noiva

O bouquet da noiva tem origem medieval. Nesta época, as mulheres levavam ervas aromáticas para afugentar os maus espíritos. Pouco a pouco, o ramo da noiva tornou-se um hábito em todos os casamentos e, com a passagem do tempo, acrescentaram-se significados às diferentes flores.

Para os antigos gregos e romanos, o buquê de noiva era formado por uma mistura de alho e ervas ou grãos. Esperava-se que o alho afastasse espíritos maus e as ervas ou grãos garantissem uma união frutífera.

Na antiga Polônia, acreditava-se que, colocando açúcar no buquê da noiva, seu temperamento se manteria "doce".

Diz também a tradição que a mulher solteira que pegar o buquê da noiva, será a próxima a se casar.

Vestido de noiva

O primeiro vestido branco foi adoptado em Inglaterra pela Rainha Vitória, no século XIX, quando se casou com o seu primo, o príncipe Albert. Uma vez que naquela época era impensável um homem pedir uma rainha em casamento, o pedido foi feito pela noiva.

E esta moda da cor branca no vestido de noiva lançada por ela permanece até os dias atuais. Antes disso, especialmente na Idade Média, não havia cor específica para a cerimônia; a cor mais usada era o vermelho. O vestido branco acabou sendo o preferido, por simbolizar a castidade e a pureza.

Na Grécia e em Roma, existem relatos de que as pessoas usavam roupas brancas em celebrações importantes, como o nascimento e o casamento.

Véu da noiva

O uso do véu da noiva era um costume da antiga Grécia. Os gregos acreditavam que a noiva, ao cobrir o rosto, ficava protegida do mau-olhado das mulheres e da cobiça dos homens.

Tinha ainda um significado especial para a mulher: separava a vida de solteira da vida de casada e futura mãe.

Grinalda

O uso da grinalda permite que a noiva se distinga dos convidados, fazendo com que se pareça com uma rainha. Tradicionalmente, quanto maior a grinalda, maior é o símbolo de status e de riqueza.

Posição dos noivos no altar

A razão da noiva ficar sempre do lado esquerdo do seu noivo tem a sua origem nos anglo-saxões. O noivo, temendo a tentativa de rapto da noiva, deixava sempre o braço direito livre para tirar a sua espada.

Alianças

A aliança representa um circulo, ou seja, uma ligação perfeita entre o casal. O círculo representava para os Egípcios a eternidade, tal como o amor, que deveria durar para sempre. Os Gregos, após a celebração do casamento, utilizavam anéis de íman no dedo anelar da mão esquerda, acreditando que por esse dedo passa uma veia que vai direta ao coração. Mais tarde, os Romanos adoptaram também esse costume, que se manteve até aos dias de hoje.

Lançamento do arroz

Tem origem asiática, onde o arroz é sinónimo de prosperidade. A tradição de atirar grãos de arroz sobre os noivos, após a cerimónia nupcial, teve origem na China, onde um Mandarim quis mostrar a sua riqueza, fazendo com que o casamento da sua filha se realizasse sob uma "chuva" de arroz. Hoje atiramos arroz aos noivos à saída da igreja como sinónimo de fertilidade, felicidade e prosperidade.

Moeda no sapato da Noiva

Esse antigo costume servia para acalmar a deusa Diana. Segundo crenças, ela ficava nervosa quando uma mulher perdia a virgindade. A moeda servia para lhe esfriar os ânimos.

Cortar a gravata dos Noivos

É uma forma engraçada de levantar um dinheiro extra para os noivos. Padrinhos ou amigos vendem os pedacinhos da gravata em troca de uma pequena contribuição financeira.

Usar uma coisa velha, nova, emprestada e azul no dia da cerimônia

A tradição surgiu na época Vitoriana. Geralmente, a coisa velha é uma jóia de família, um lenço ou o véu da mãe ou da avó. A nova, o vestido, serve para trazer sorte. A emprestada tem que pertencer a uma esposa feliz. A azul representa pureza e fidelidade.

Lua de Mel

A palavra lua de mel tem sua origem nos casamentos por captura.

Era assim: um homem apaixonava-se por uma mulher, capturava a amada (muitas vezes contra a sua vontade) e a escondia por um mês (de uma lua cheia até a outra) em algum lugar afastado. Durante esse período, eles bebiam uma mistura afrodisíaca, adocicada com muito mel, até que ela se rendesse à sua sorte. Daí o nome "lua de mel".

Noivo carrega noiva no colo

Este costume é oriental. Acredita-se que os gênios ruins (que atacam apenas as mulheres) ficam a espera da noiva na porta do quarto nupcial.

O marido protege a esposa carregando-a, para evitar que ela "pise" em algo ruim. Algumas tradições acreditam em mau olhado, se a noiva cair à entrada da casa.

Outras falam em azar se ela entrar com o pé esquerdo. Se o noivo levá-la no colo, evita esses dissabores. Uma explicação alternativa para o fato é que os anglo-saxões costumavam roubar a noiva e carregá-la nas costas.

Damas de Honra

Este costume vem do tempo dos romanos, que exigiam 10 testemunhas presentes no casamento.

Eles acreditavam que espíritos maus tentariam influenciar a noiva. As testemunhas, ou damas de honor, protegiam a noiva e enganavam os espíritos por estarem todas vestidas de igual e impediam os maus espíritos de reconhecerem a noiva.

Chá de Cozinha

Era uma vez um pobre moleiro holandês que ficou apaixonado por uma rica donzela. O pai da virgem desaprovou o casamento e recusou-se a financiar a união dos dois. Os amigos do moleiro, numa atitude de carinho e amizade, juntaram-se e ofereceram a eles alguns dos itens que ajudariam a mobiliar a casa. Assim, há muitos séculos atrás, nasceu o chá de cozinha.

Flores no Caminho

Você sabia que os antigos romanos tinham o costume de atirar flores no trajeto da noiva, acreditando que as pétalas fariam a noiva ter sorte e dar carinho ao marido?

Casamento de Militar

Militares têm a tradição do "casamento oficial", ou seja, o noivo casa-se de uniforme, com pompa e honra.

Na porta, um cerimonial interessante: se é militar, espadas se cruzam para que ele passe por baixo. Se é bombeiro, um extintor aparece e dá um banho nos recém-casados.

Lista de Presente

A lista de presentes se inicia na Idade Média. A noiva recebia doações como animais domésticos, roupas, pedras preciosas, moedas, um cofre, um leito com cobertas e ferramentas.

Namoro a distância

Diz-se que antigamente na China os noivos só se conheciam no dia do casamento.

Eles namoravam a distância através dos parentes. A noiva chinesa, segundo a tradição, escolhia para suas damas de honra, as moças mais feias do lugar, com o fim de realçar a sua própria beleza. Na China, segundo a lei, as famílias só podem ter um filho.

Amêndoas – Símbolo da Felicidade

Os italianos acreditam que as amêndoas trazem felicidade aos noivos e que na Itália, é tradição os familiares comerem as amêndoas às vésperas do casamento dos filhos? Aqui no Brasil, os italianos ou seus descendentes, oferecem as amêndoas no final da cerimônia, ou enfeitada na forma de lembrancinha.

Despedida de Solteiro

As despedidas de solteiro foram originadas pelos soldados Espartanos, que se despediam dos seus dias de solteiros com uma festa desconcertante.

Bolo de Casamento

Este costume vem desde o tempo dos romanos. O bolo da noiva é, desde há séculos, um símbolo de boa sorte e de festividade. No tempo dos Romanos, a noiva comia um pedaço de bolo, e exprimia o desejo de que nunca lhes faltasse o essencial para viverem. Atualmente, o corte do bolo constitui um dos momentos mais marcantes da festa. O noivo pousa as mãos sobre as da noiva para segurar a faca, procedendo juntos ao primeiro corte do bolo, simbolizando partilha e união. Segue-se a distribuição de fatias pelos convidados.

Lua-de-Mel

O termo lua-de-mel vem do tempo em que o casamento era um rapto, muitas vezes contra a vontade da rapariga. O homem apaixonado raptava a mulher e escondia-a durante um mês (de uma lua cheia até à outra) num lugar afastado.

Durante esse período, tomavam uma bebida fermentada, à base de mel, que devia durar 28 dias, o tempo do mês lunar. A lua-de-mel, tal como a conhecemos hoje, tem origens nos hábitos ingleses do século XIX. O recém-casado passava uma época no campo para se libertar das obrigações sociais.

Fonte: onossocasamento.pt/www.casamentoclick.com

História do Casamento

O CASAMENTO E O AMOR NA IDADE MÉDIA

Até hoje foram escritas muitas obras relativas ao casamento na Idade Média.

Mas atualmente um aspecto relativo ao casamento vem ganhando importância: a existência ou não de um sentimento que une os cônjuges, hoje conhecido como o amor. Os casamentos medievais envolviam algum sentimento afetivo entre os cônjuges?

Uma questão muito difícil de responder. Grande parte das obras sobre casamento muitas vezes não dedicam duas páginas sequer ao assunto e, se o fazem, tratam-no muito vagamente, não dando a devida importância, referindo-se apenas às obras sobre o amor cortês que, como veremos adiante, não representava fielmente a realidade, era apenas uma literatura.

Como escreveu James Casey: "Este é um tema importante, mas que pode ser afastado simplesmente com o argumento de que é periférico com relação à "realidade" do casamento arranjado, ou de que é muito difícil de investigar cientificamente, dadas as suas ambigüidades."

Realmente o casamento arranjado exerceu uma maior influência nas sociedades da Idade Média, mas numa pesquisa não se pode deixar de lado a realidade. Ignorar o amor no casamento seria fechar os olhos para uma minoria, a qual não exerceu papel tão importante quanto a maioria (casamentos arranjados), mas que fez parte do passado, portanto tem a sua história.

Ainda com James Casey: "A conduta moral não é um ramo autônomo do comportamento humano, mas precisa ser associada ao contexto social, àquelas estruturas econômicas e políticas que modelam e limitam seu desenvolvimento."

Portanto os fatos não acontecem por acaso. Estão envolvidos no contexto de sua época e, assim, merecem importância desde o maior até o menor para poder-se entender a sociedade do passado em aspectos cada vez mais exatos.

Para entender melhor o amor no casamento existem vários temas específicos que, se forem analisados, podem fornecer boas conclusões. A questão do dote, da herança, as limitações e influência da Igreja, o relacionamento entre os cônjuges, os raptos, a fidelidade, o incesto, as condições das núpcias são alguns dos temas que ajudaram bastante na interpretação do amor medieval e a conseqüente conclusão deste trabalho.

Há de se ressaltar que a bibliografia consultada baseia-se em registros das classes mais altas. Mesmo assim não há abundância de documentos. Os príncipes tinham pessoas que relatavam suas grandes realizações e aí o amor entra poucas vezes.

E essas poucas vezes são bastante deturpadas pois se um desses escritores quisesse deturpar a imagem de um príncipe dizia que este era dominado pela esposa, desvirilizado, destituído de sua necessária preeminência e tudo isso devido à sua imaturidade.

Caso os escritores fossem favoráveis a um príncipe, este é retratado como alguém que sente grande afeição pela esposa, sempre bela, sempre nobre e por ele deflorada e, quando esta morre, o viúvo fica desolado.

Desse modo não é possível determinar até que ponto o amor existia, afinal uma pessoa, apesar de ser alvo de críticas, na verdade poderia amar sua esposa e vice-versa. Sendo assim esses textos têm um sentido "ideológico" que deturpam toda a imagem de alguém - inclusive na vida afetiva, conseqüentemente na vida pública - ou exaltam-na.

SÉCULOS IX e X

Nos séculos IX e X as uniões matrimoniais eram constantemente combinadas, sem o consentimento da mulher que, na maioria das vezes era muito jovem. Sua pouca idade era um dos motivos da falta de importância que os pais davam à sua opinião. Diziam que estavam conseguindo o melhor para ela. Essa total falta de importância dada à opinião da mulher resultava muitas vezes em raptos.

Como o consentimento da mulher não era exigido, o raptor garantia o casamento e ela deveria permanecer ligada a ele, o que era bastante difícil pois os homens não davam importância à fidelidade. Isso acontecia, talvez principalmente pelo fato de a mulher não poder exigir nada do homem e de não haver uma conduta moral que proibisse tal ato.

Outras vezes o rapto serviu como um meio de fugir dos casamentos arranjados. A jovem que tinha um casamento já marcado forçosamente, sem seu consentimento, com um homem que sequer conhecia, simulava um rapto fugindo com seu homem desejado e acabavam por casarem-se e, mais tarde, o fato às vezes chegava a ser reconhecido pelas famílias.

É inegável aí a existência de uma atração entre o casal. A fuga de um casamento forjado era algo grave para as famílias pois envolvia muitas riquezas, portanto deveria haver um forte motivo para os fugitivos.

As etapas de um casamento normal, que não envolvia raptos, nos séculos IX e X eram as seguintes:

Petitio - pedido da noiva pelos pais do noivo
Desponsatio
- o entendimento das famílias sobre a ligação de seus filhos Dotatio - entendimento sobre o dote
Traditio
- entrega da jovem ao seu noivo pelos pais
Publicae nuptiae
- cerimônia do casamento
Copula carnalis -
união carnal

Essas etapas eram feitas entre os pais. O desponsatio pode ser entendido como um noivado, mas sempre sem consentimento algum nessa época, pois os filhos eram ainda crianças, com cerca de sete anos de idade, sem idade para decisões.

Os acertos sobre o dote eram feitos no dotatio e também ficava estipulado que, após as crianças crescerem e atingirem a idade de tomar suas próprias decisões, se o casamento não se realizasse por rebeldia de algum, haveria uma espécie de multa paga pela família da pessoa que desistisse do casamento. Isso constituía mais uma pressão sobre os futuros noivos para a realização do casamento.

Portanto, casamento era uma questão resolvida entre os pais (homens, sem as mães). A entrega da jovem (traditio) acontecia anos após as três primeiras etapas, quando as crianças já tivessem atingido a idade de aproximadamente doze ou quatorze anos. Então a cerimônia era feita e após isso realizava-se a união carnal.

Havia também a possibilidade do casamento ser arranjado entre o pai da noiva e um cavaleiro, que seria o futuro noivo. Tudo isso era um obstáculo para o surgimento da caritas (caridade) no casamento, principalmente pela ausência total da importância da opinião da noiva.

Nessa época, a Igreja ainda não participava efetivamente dos casamentos.

Devido a essa falta de regulamentação eclesiástica, teólogos e pastores carolíngios davam maior importância ao ato sexual, isto é, à última etapa do casamento, a copula carnalis.

Hincmar, bispo de Reims dizia que "sem a cópula não existe casamento". Mesmo considerando que a seqüência deveria ser respeitada, essa importância dada à cópula acabava favorecendo os raptos pois bastava aos raptores terem uma relação sexual com a mulher para consolidarem os laços matrimoniais.

Pode-se perceber neste período da Idade Média a falta de importância do amor no casamento. Sem uma instituição efetivamente participativa na vida social das pessoas - como a Igreja será nos séculos seguintes - , ou sem uma regra estabelecida, o casamento era feito de qualquer modo, apenas obedecendo à seqüência do petitio à copula carnalis, caso não houvesse um rapto.

O mais importante aí era casar-se com alguém de mesmo nível social ou mais alto para poder aumentar as riquezas das famílias e, conseqüentemente exercer maior poder.

A EVOLUÇÃO DO AMOR

A Reforma Gregoriana (1050 - 1215) mudou rapidamente o comportamento da Igreja frente a vários aspectos, inclusive os casamentos.

Aconteceram várias discussões para decidir as concepções que a Igreja teria acerca de certos assuntos. Sobre o casamento houve, entre outros, o debate entre os clérigos Pedro Lombardo e Graciano.

O primeiro defendia a idéia de que o casamento deveria ser um contrato, as palavras ditas à frente de testemunhas na hora do casamento é que deviam unir o casal. As promessas e palavras ditas antes do casamento não efetuavam a união dos cônjuges.

O segundo, Graciano, dizia que a intenção é mais importante que as palavras, portanto a união poderia realizar-se mesmo antes do casamento. A promessa de um casamento e a relação sexual já equivaleriam ao matrimônio.

Finalmente, no Concílio de Latrão (1215) foi decidido que o casamento seria um contrato público, idéia defendida por Pedro Lombardo. Porém a intenção era vista como aspecto mais importante, como dizia Graciano. Um exemplo disso é que os casamentos realizados secretamente passaram a ser considerados válidos, apesar de ilegais, isto é, a intenção aí realizava o matrimônio, mesmo sendo um meio ilegal.

Outra atitude tomada pela Igreja durante as reformas, relativa ao casamento, é estabelecer-se como a única instituição a legislar e julgar sobre a matéria. Assim, várias concepções laicas são extintas para dar lugar à concepção eclesiástica. Uma dessas mudanças é a condição do casamento.

No final do século XI e no século XII o consentimento mútuo do casal passa a ser exigido pela Igreja.

"Teólogos, canônicos, moralistas, todos os pensadores dos anos 1100 - 1140, raramente unânimes no resto, concordaram pelo menos, maioritariamente, neste ponto: o consentimento era absolutamente prioritário quer aos ritos sagrados, quer à publicidade, até mesmo à cópula". Apesar disso a negação de um homem por parte da noiva poderia ser censurada facilmente e, mesmo contra sua vontade, acabava casando-se, por ordem do pai.

Um meio mais eficaz para a mulher escapar de um casamento arranjado era seguir a vida religiosa. "Negavam [o casamento] por amor a Deus". Esse tipo de negação do casamento era "motivo de louvor, pois desejava a castidade", algo de muita importância para a Igreja. Mas mesmo alegando o amor a Deus, muitas dessas mulheres também acabavam se casando.

Portanto, quando os pais da noiva estavam convictos da realização do casamento, não havia como escapar. Nem por vontade própria, dizendo que amava outro, nem através da religião, alegando amor a Deus. Pode-se, assim, perceber a permanência da falta de importância dada ao amor, seja entre cônjuges ou o amor de uma mulher por Deus

Com ou sem consentimento dos noivos, o casamento envolvia tanto leigos como eclesiásticos e ambos davam diferentes importâncias ao matrimônio. O modelo leigo visava a herança, levava em conta os bens dos cônjuges para não cair na pobreza futuramente. Relativo à herança observa-se o grande número de casamentos entre primos. Isso visava a concentração das riquezas de uma mesma família.

Esse tipo de casamento exigia também, por parte das famílias, não ter muitos filhos, pelo mesmo motivo: não dissipar a riqueza da família. Quando houvesse mais de um filho, somente o primogênito tinha parte na herança, enquanto que os demais eram incentivados ao celibato transformando-se em monges ou cavaleiros.

Porém a Igreja estabeleceu proibições ao casamento entre parentes, que ia a graus extremamente distantes, o que dificultava ainda mais a escolha do cônjuge. Após essa regra imposta pela Igreja pôde-se observar muitos casamentos realizados logo nos primeiros graus de consangüinidade permitidos, o que revela que o costume de casar parentes mais próximos possíveis não desapareceu e, apesar disso tudo, não se sabe até onde essas proibições foram levadas a sério[8]. Contudo, pode-se perceber aí a dificuldade de acontecer um casamento simplesmente por amor.

A Igreja tinha outra concepção para o casamento: reprimir o mal. Era uma forma de controle da devassidão dos leigos. Ela condenava o prazer nas relações sexuais e, portanto, considerava o casamento um mal menor, afinal dentro dele aconteciam as relações, porém, ao menos, sem prazer, apenas visando a procriação.

Outra imposição da Igreja era a proibição das relações sexuais nos dias sagrados.

Para conseguir essa proibição a instituição utilizava-se do medo das pessoas alegando que as crianças com anomalias eram concebidas em tais dias: "os monstros, os estropiados, todas as crianças doentias, sabe-se muito bem, foram concebidos na noite de domingo".

De acordo com a Igreja, a alma e o corpo da mulher pertencem a Deus e a partir do momento em que ela se casa, o marido toma posse apenas do corpo, podendo, assim, fazer o que bem entender com ele. Já as mulheres não tomavam posse do corpo do marido, só lhes devia obediência total, o debitum, mais especificamente o dever de ter relações com seu marido. Apesar de contrariar a Igreja - pois esta condenava as relações sexuais que não objetivavam a reprodução - se a mulher recusasse o debitum ao marido, este teria um motivo para praticar o adultério, o que seria ainda mais grave.

"O amor do marido por sua mulher se chama estima, o da mulher por seu marido se chama reverência". Nota-se aí um grande contraste nas relações entre marido e mulher. Um não deveria sentir o mesmo que o outro. Assim como as tarefas diárias, os sentimentos também eram divididos diferentemente entre homens e mulheres.

Além de tudo, as jovens recém-casadas saíam de casa com pouca idade para viverem com um homem que sequer conheciam e muitas vezes tinham que sujeitar-se às mais variadas violências e humilhações, eram repudiadas e abandonadas. Isso acontecia devido à inexperiência e desconhecimento completo das mulheres que não sabiam até que ponto deviam sujeitar-se aos maridos.

Os casos em que a mulher negava ter relações sexuais com o marido e este respeitava a postura de sua esposa eram motivo de risadas. O homem que não tinha relações com sua mulher nunca poderia ser considerado um senior.

O amor que deveria existir entre o casal, segundo a Igreja, era o amor ao próximo, a caridade, sem o desejo carnal. No século XII São Jerônimo dizia que "aquele que ama a sua mulher com um amor demasiado ardente é um adúltero". A união para satisfação do dever conjugal era considerada pecaminosa pois visava apenas o carnal, o desejo. O ideal seria a união numa intenção procriadora (superior), que multiplicaria os filhos de Deus.

Clérigos como Huguccio condenavam o prazer sentido até mesmo nas relações que visavam a procriação. Relações sexuais inadequadas eram consideradas antinaturais. Isto é, relações inadequadas eram aquelas feitas em posições sexuais que não favorecem a chegada do esperma até o óvulo, como por exemplo a mulher em posição vertical. A sodomia também era terminantemente proibida pela Igreja.

O casamento, portanto, não deveria ser o lugar para o amor carnal ou a paixão. Na realidade, casamento era uma instituição que visava a estabilidade de uma sociedade, servindo apenas para a reprodução e união de riquezas, assim, dando continuidade à estrutura. A partir do momento em que o amor aparece no casamento, esses pilares (reprodução e união de riquezas) passam a um segundo plano, ameaçando toda essa estrutura. Quando um casamento acontece simplesmente por amor, não há mais interesse a priori em reprodução ou união de riquezas.

Porém, segundo clérigos e monges, apesar das proibições da Igreja, a afeição, a ternura, o amor e a felicidade entre os cônjuges não eram prejudicados. Partiam do exemplo da Virgem Maria e José que, mesmo sem terem relações foram felizes, apenas amando-se, cooperando-se e sendo fiéis um ao outro.

O amor verdadeiro, na opinião de monges e clérigos menos radicais, é aquele em que o sexo está na posição de subordinado, não prioritário, pois esse é o amor que aproxima-se da caridade, portanto, de Deus. O amor, a afeição, eram muito mais uma conseqüência do casamento do que uma causa.

O século XII é marcado por uma grande mudança em vários aspectos da Idade Média. O casamento e o amor não são excessões.

Já pode-se observar mudanças nas concepções sobre o amor no casamento com o monge Bernardo de Clairvaux: "o amor não requer nenhum outro motivo, além de si mesmo, e não busca frutos. Seu fruto é o gozo de si próprio". Nesse mesmo período surgem as histórias do "amor cortês".

Essas histórias, ao mesmo tempo em que divulgam o amor carnal, material, também reforçam a imagem do amor proibido, e que, portanto, não deveria existir no casamento, considerado sagrado.

"O amor cortês foi antimatrimonial". A exemplo do "Romance de Tristão e Isolda", o amor carnal existe, é mostrado durante quase todo o romance, porém esse amor tem um preço. Nenhum dos dois amantes podem viver juntos sem os perigos. Se querem livrar-se dos perigos devem separar-se e, a morte de ambos não aconteceria ao final se não tivessem envolvido-se.

O amor na literatura "é algo de extraordinário poder, que termina por destruir as pessoas; não representa um modelo para a conduta social". "Este amor repleto e alegre, não será no elo institucional do casamento, sempre de acordo com nossos autores, que podemos encontrá-lo, salvo raras exceções. Evidentemente, o casamento impõe-se como uma instituição indispensável, e até feliz, mas não é o local do amor...

Os amores preenchidos, os amores triunfantes, nos romances e nos contadores de histórias, são amores ilícitos, os da juventude e da beleza." Assim, apesar de toda a divulgação do amor, ele continuou vivendo como "fora da lei".

De qualquer modo, o "amor cortês", na realidade, foi um meio de educar os cavaleiros, civilizá-los, apenas um jogo. A mulher servia simplesmente de "chamariz".

O seu senhor utiliza-se dela para conduzir o jogo, oferecendo-a como o prêmio ao vencedor. Adjetivos como a fidelidade ao senhor são exaltados nessas histórias. Como um senhor muitas vezes tinha muitas mulheres, este era extremamente favorecido devido ao grande número de cavaleiros que ficavam às suas ordens. Assim, as histórias do "amor cortês" tinham como objetivo principal estabelecer uma conduta moral aos cavaleiros principalmente perante o senior.

Já na primeira parte do Roman de la Rose, escrito por Guillaume de Lorris, o amor dentro do casamento começa a ter lugar. O amor começava a ser uma condição boa para o casamento. Esposas infelizes, desprezadas começam a procurar consolação fora de casa, com outros homens.

O mundo ia tornando-se mais liberal, mesmo que contra a vontade da Igreja. Adultérios, pecados entre cônjuges, contracepções, parecem acontecer com maior freqüência. Isso mostra uma exaltação dos sentimentos do indivíduo que para satisfazer-se corre atrás dos seus objetivos, mesmo indo contra a Igreja ou contra o comportamento social padrão.

Neste mesmo período a nobreza tem um enriquecimento e, assim, torna-se mais liberal perante os filhos. O medo de dissipar as fortunas devido ao grande número de filhos vai desaparecendo e as famílias começam a permitir o casamento dos filhos que não quisessem seguir a carreira eclesiástica.

Os cavaleiros perdem a exclusividade no manejo das armas. Pessoas mais simples aprendem a manejá-las, tornando-se mercenários e soldados que acabam sendo contratados pelos príncipes. A única diferença do cavaleiro passa a ser a capacidade de "praticar jogos do amor".

Outra mudança importante no século XII é a "invenção" do casal, onde deveria haver uma cooperação, a amizade, "uma harmoniosa associação para gerir o negócio comum", isto é, para gerir a casa, o espaço privado em que os sentimentos ganhavam espaço. Assim começava a nascer um sentimento entre os cônjuges. Tornava-se comum ver pessoas tristes pela morte do seu companheiro. "Há uma aproximação no seio do casal".

A seleção de um marido não deixou de levar em conta o dote, o meio social do pretendente, a profissão, a qualidade de sua casa, a sua linhagem, mas a opinião da futura esposa tornava-se crucial para a realização ou não do casamento.

FINAL DA IDADE MÉDIA

Já nos fins da Idade Média, aproximadamente no século XV, na literatura, surgem casais que apesar de fazerem uso carnal do casamento, seguiam as normas da vida cristã e respeitavam suas regras. Esse tipo de atitude era aceitável, porém não era a ideal para a Igreja.

Apesar de algumas mudanças desde o século XII, e uma maior tolerância por parte da Igreja, nos finais da Idade Média o amor carnal continuou sendo condenado, visto como algo proibido, sobretudo dentro do casamento.

Essa concepção pode ser vista nas obras de Hieronymus Bosch (1450 - 1516). Aparentemente um homem bastante religioso, portanto, certamente, um defensor da visão eclesiástica. Suas obras foram feitas durante o fim do século XV e início do XVI, um período que marca o fim da Idade Média.

Na sua Távola dos Sete Pecados Capitais e as Quatro Últimas Coisas (aproximadamente de 1490) a figura que representa a luxúria merece destaque. Nela aparecem, "os dois casais de amantes divertindo-se em uma tenda de rico brocado, entretidos em um jogo amoroso formal como prelúdio à expressão completa de sua paixão.

O pecado mortal da luxúria, o pecado original pelo qual o homem foi essencialmente condenado, traz consigo a incitação adicional de prazer e dor, sugeridas pelo bobo e pelo palhaço. Outros símbolos são a lira, associada à música do amor, e o vinho, que flui livremente, libertando os amantes das restrições".

Outra obra é O Carro de Feno, formado por três painéis. O primeiro representa o paraíso, o segundo a terra e o terceiro o inferno. No painel central encontra-se o carro de feno com alguns personagens em cima. "Dois casais de amantes ilustram o pecado sempre presente da luxúria.

Ao seguirem a música, símbolo de auto-indulgência, nesta vinheta idílica, suas almas são contestadas pelo anjo em prece à esquerda e pela música sedutora do demônio à direita". Por trás dos amantes que estão em primeiro plano, "um segundo par de camponeses beija-se nos arbustos em um prelúdio bucólico ao ato de amor". Além disso, o carro de feno em que os amantes estão vai em direção ao terceiro painel, isto é, ao inferno.

Isso tudo mostra como a concepção do amor proibido permanecia forte nos finais da Idade Média. Até mesmo na Época Moderna o amor continuou a ser encarado como algo não muito bom e não chegou a ser tão importante para a realização de um casamento[24], apesar do consentimento ganhar cada vez mais espaço até tornar-se o principal passo para a união de um casal.

CONCLUSÃO

Através desse trabalho pode-se perceber que o amor, inicialmente, não tinha praticamente nenhuma importância para a realização de um casamento. Foi com a participação da Igreja que o amor teve a chance de manifestar-se através do consentimento, apesar deste não ser fator determinante para a realização ou não do casamento. Um tanto paradoxal esta proposição, pois a Igreja, ao mesmo tempo que começou com a idéia de consentimento, também proibiu o amor carnal no casamento. E, mesmo a Igreja sendo talvez a maior influência do mundo medieval, nem todos seguiam seus dogmas e foi, graças a isso, que o amor pôde aparecer mais e mais no decorrer do tempo.

As manifestações artísticas do século XII também ajudaram na popularização do amor carnal que, mesmo ainda não sendo retratado como algo bom, certamente acontecia na vida real. Seria absurdo dizer que todas as proibições da Igreja eram obedecidas. Como as leis atuais que são infringidas constantemente.

Apesar de uma maior escassez de informações sobre o amor no fim da Idade Média, pode-se constatar através das artes que a sua concepção não sofrera tantas modificações desde o século XII. E as poucas mudanças continuaram acontecendo mas sem nenhuma ruptura. A Idade Moderna, com todo o glamour das cortes continuou a banalizar o amor, passando a priorizar a imagem que o casamento exerceria frente às pessoas.

NOTAS

[1] CASEY, James. A história da família. São Paulo : Ática, 1992. p. 107.
[2] Id. Ibid. p. 108.
[3] DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989. p. 29.
[4] BERNOS, Marcel; LÉCRIVAIN, Philippe; RONCIÈRE, Charles de La; GUYNON, Jean. O fruto proibido. Lisboa : Edições 70. p. 108.
[5] DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989. p. 31.
[6] Id. Ibid. p. 31.
[7] CASEY, James. A história da família. São Paulo : Ática, 1992. p. 95.
[8] DUBY, Georges; ARIÈS, Philippe. História da vida privada, 2 : da Europa feudal à Renascença. São Paulo : Companhia das Letras, 1990. p. 128.
[9] DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989. p. 18.
[10] Id. Ibid. p. 58.
[11] Id. Ibid. p. 32.
[12] BERNOS, Marcel; LÉCRIVAIN, Philippe; RONCIÈRE, Charles de La; GUYNON, Jean. O fruto proibido. Lisboa : Edições 70. p. 111.
[13] DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989. p. 37.
[14] CASEY, James. A história da família. São Paulo : Ática, 1992. p. 121.
[15] LE GOFF, Jaques. A civilização do Ocidente medieval vol. 2. p. 117.
[16] CASEY, James. A história da família. São Paulo : Ática, 1992. p. 129.
[17] BERNOS, Marcel; LÉCRIVAIN, Philippe; RONCIÈRE, Charles de La; GUYNON, Jean. O fruto proibido. Lisboa : Edições 70. p. 141.
[18] DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989. p. 80.
[19] DUBY, Georges; ARIÈS, Philippe. História da vida privada, 2 : da Europa feudal à Renascença. São Paulo : Companhia das Letras, 1990. p. 152.
[20] Id. Ibid. Inf.
[21] COPPLESTONE, Trewin. Vida e obra de Hieronymus Bosch. Rio de Janeiro : Ediouro, 1997. p. 15.
[22] Id. Ibid. p. 48.
[23] Id. Ibid. Inf.
[24] BERNOS, Marcel; LÉCRIVAIN, Philippe; RONCIÈRE, Charles de La; GUYNON, Jean. O fruto proibido. Lisboa : Edições 70. p. 172.

BIBLIOGRAFIA

BERNOS, Marcel; LÉCRIVAIN, Philippe; RONCIÈRE, Charles de La; GUYNON, Jean. O fruto proibido. Lisboa : Edições 70.
CASEY, James. A história da família. São Paulo : Ática, 1992.
COPPLESTONE, Trewin. Vida e obra de Hieronymus Bosch. Rio de Janeiro : Ediouro, 1997.
DUBY, Georges. Idade Média, idade dos homens : do amor e outros ensaios. São Paulo : Companhia das Letras, 1989.
DUBY, Georges; ARIÈS, Philippe. História da vida privada, 2 : da Europa feudal à Renascença. São Paulo : Companhia das Letras, 1990.
LE GOFF, Jaques. A civilização do Ocidente medieval vol. 2.

Fonte: www.milenio.com.br

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