
Ouro para os maias e Bebida dos Deuses para os astecas, o chocolate foi uma das principais "descobertas" dos europeus que chegaram à América equatorial no final do século XV. Ao provar (e aprovar) aquela bebida amarga, produzida a partir das sementes do cacau, os colonizadores deram início a uma das mais extraordinárias histórias do uso dos alimentos pelo homem. Levado para a Europa em meados do século XVI, o chocolate se tornaria em pouco tempo uma das sobremesas mais populares do mundo.
Na maior parte de sua história, que tem pelo menos 3.000 anos, o chocolate foi consumido apenas como bebida. De acordo com a receita primitiva dos maias, o primeiro passo era torrar e triturar as sementes secas do cacau. A pasta daí resultante, misturada à água, ao mel, à farinha de milho e a algumas especiarias, dava um líquido escuro, tratado como um bem precioso, quase sagrado. Vasos antigos, típicos da cultura maia, mostram desenhos de mulheres manipulando a bebida.
A evolução do chocolate abrange alterações na forma e no conteúdo. A primeira grande inovação ocorreu, no século XVI, quando os espanhóis adicionaram-lhe o açúcar trazido da Ásia. Abriu-se assim o caminho para a popularização do chocolate na Europa. A outra grande novidade foi a adição do leite, já no século XIX. Daí em diante, as mudanças foram mínimas. Até hoje a fórmula básica do chocolate consiste na mistura dos três ingredientes: cacau(35% a 40%), açúcar(40% a 45%) e leite(20%). A eles se acrescentam, em pequenas frações, cerca de 40 outros ingredientes, como castanhas, avelãs e frutas secas. O chocolate é um alimento essencialmente natural, que dispensa aditivos ou conservantes. A gordura nele contida não oxida facilmente. Sua durabilidade alcança mais de um ano, graças ao baixo teor de água.
A introdução do chocolate na Europa foi lenta e cuidadosa. Ciosos do monopólio sobre a nova mercadoria, os espanhóis inicialmente confiaram aos monges a manipulação da bebida, que logo caiu no gosto da aristocracia acostumada a consumir chá. Enquanto os nobres degustavam o chocolate em salões, os religiosos foram autorizados a consumi-lo sem que isso representasse quebra de jejum. Ora sagrado, ora profano, o chocolate já foi considerado pecado, remédio(laxante) e até afrodisíaco.
Para se estabelecer na Europa - ainda hoje o principal centro de geração de tecnologias associadas ao consumo deste alimento --, o chocolate disputou espaço com o chá e, a partir do final do século XVIII, com o café. Enquanto este era apresentado como uma bebida forte, própria para homens responsáveis, o chocolate era mais associado às mulheres; tinha, por isso, uma conotação de coqueteria, dissipação e frivolidade. O preconceito machista não impediu que a antiga bebida dos maias e astecas chegasse ao povo.
O chocolate começou a se transformar num produto de consumo popular a partir de 1828, quando o químico holandês Coenrad van Houten patenteou um novo processo de fabricação de chocolate em pó. Com menor teor de manteiga de cacau, o pó de van Houten, tratado com sais, se dissolvia mais facilmente na água. O segundo passo para a popularização do chocolate deu-se em 1849, em Bristol, onde a firma Joseph Fry & Sons apresentou o primeiro chocolate em tablete. A solidificação do produto abriu caminho para o aproveitamento do leite em pó, formulado na mesma época. Mas foi Rudolph Lindt, outro suíço, quem projetou a máquina que to rnou o chocolate ao leite mais macio. Com a mecanização, viabilizou-se a produção de chocolate em larga escala e a custos reduzidos. Quem popularizou de fato o chocolate foi a Revolução Industrial.
Desde então, o chocolate espalhou-se pelo mundo, tornando-se uma sobremesa irresistível que, pura ou acompanhada de café ou licor, se apresenta sob as mais variadas formas e embalagens: bolo, bombom, sorvete, tablete ou torta. E o pó, naturalmente. Inventados no século XX, os bombons e os ovos de Páscoa são fórmulas relativamente novas de difusão do consumo de chocolate. Seguindo a tradição festiva do produto, são francamente associados a datas comemorativas. O chocolate é efetivamente um presente cheio de significados.
Além de ser indescritivelmente saboroso, o chocolate é um dos alimentos mais completos já inventados pelo homem. Uma barra de 100 g contém aproximadamente 528 calorias, 4,4 g de proteínas, 94 g de cálcio, 142 mg de fósforo, 1,4 mg de vitamina A, 0,02 mg de vitamina B1 e 0,14 mg de vitamina B2. Em pó, os mesmos 100 g terão menos calorias, mais proteínas, menos cálcio, mais fósforo, mais ferro e um pouco mais de vitaminas.
Apesar de excepcionalmente rico, o chocolate não é recomendável como alimento isolado. Em situações extraordinárias, porém, ele tem poder energético suficiente para substituir refeições. Tanto é que atletas, pilotos aéreos, soldados e navegadores se valem dele como complemento alimentar.
Os povos primitivos acreditavam nas sementes do cacau como uma fonte de poder. Os astecas chegaram a usá-las como moeda de troca em transações comerciais. Em 1753 o botânico sueco Linneu consagrou as crenças primitivas ao dar ao cacaueiro o nome científico de Theobroma cacao. Theobroma, do grego, quer dizer alimento divino.
Nativo das florestas equatoriais da América, o cacaueiro é uma planta de porte médio que gosta de calor, sombra e umidade. Aprecia solos profundos, não encharcados. Os frutos de casca amarela têm uma polpa branca, adocicada, no meio da qual se desenvolvem as sementes. São amêndoas que eqüivalem a apenas 8% do peso do fruto.
São três as variedades principais do cacaueiro: o criollo, que se desenvolveu na América Central, até o sul do México; o forastero ou amelonado, originário da bacia do rio Amazonas, no norte da América do Sul; e o trinidario, da ilha de Trinidad. O mais cultivado no mundo é o forastero.
O cacaueiro foi disseminado no mundo, inicialmente, pelos próprios espanhóis. Primeiro eles facilitaram o plantio de sementes nas Américas espanhola e portuguesa. Em meados do século XVIII, o cacaueiro começou a ser cultivado(inicialmente como planta ornamental) em fazendas do sul da Bahia, onde ele encontrou um ambiente extremamente favorável, a ponto de fazer do Brasil um dos grandes produtores mundiais de cacau. Na primeira metade do século XIX, o cacaueiro foi introduzido em colônias européias na África. Hoje mais da metade da produção mundial de cacau vem de países africanos.
O fascinante poder do chocolate alimenta uma polêmica antiga e persistente sobre os efeitos do seu consumo sobre a saúde humana. Nos últimos 20 anos, diversas pesquisas científicas procuraram responder a certas dúvidas dos fabricantes e consumidores de chocolate.
Um ponto pacífico é que, graças à ação do alcalóide chamado theobromina, o chocolate tem efeito relaxante sobre o organismo humano. Embora esteja presente em fração mínima no chocolate - no máximo, 2,5% do chocolate em pó de uso doméstico --, a theobromina age principalmente sobre os músculos lisos, sendo responsável por uma pequena dilatação das artérias coronárias, da musculatura esquelética e da válvula do esôfago. Daí provavelmente os efeitos diurético e laxante do chocolate.
Na Universidade de Middlest, no Reino Unido, um teste com 60 voluntários indicou que o cheiro do chocolate reduz as ondas cerebrais chamadas tetas, ligadas ao estado de alerta e atenção. Segundo a psicóloga Yael Jerby, da Universidade de Bar-llán, em Israel, o chocolate aumenta a ação de um neurotransmissor chamado serotonina, que ajuda a melhorar a resposta a situações de tensões. Para a pesquisadora, que contou com o apoio de 100 voluntários, uma barra de chocolate provoca o mesmo efeito de uma sessão de relaxamento de vinte minutos. Depois da pesquisa, ela passou a desaconselhar o corte do chocolate nas dietas de emagrecimento por acreditar que isso acarretaria uma ansiedade ainda maior.
No momento em que o aumento das taxas de colesterol no sangue humano começou a alarmar os cardiologistas do mundo inteiro, o chocolate virou suspeito outra vez. Mas não por muito tempo. Além de descobrir que os fenóis contidos no chocolate preto ajudam a eliminar o mau colesterol, os médicos concluíram que a baixa taxa de eliminação das toxinas está associada ao estresse.
O médico americano David Kritchevsky, da Universidade da Pensilvânia, mediu os níveis de colesterol do sangue de cobaias de laboratório alimentadas com doses excessivas de chocolate e concluiu: "Do ponto de vista fisiológico o chocolate é um alimento e não apresenta nenhuma ameaça a saúde, quando ingerido com moderação". Além disso, segundo o Dr. Kritchevsky, problemas de pele como cravos e espinhas nada têm em comum com o consumo de chocolate.
Fonte: www.chocolarts.xpg.com.br

Os astecas já conheciam as favas de cacau. Com elas, faziam um líquido escuro que chamavam de tchocolatl. Em 1502, a ilha de Guanaja, habitada pelos astecas, povo místico e religioso, recebeu a esquadra de Colombo. O navegador foi um dos primeiros europeus a provar o sabor do chocolate.
chocolateO chocolate passou a se difundir pelo mundo a partir do século XVI, quando o conquistador espanhol Hernán Cortés conheceu-o na corte de Moctezuma II no México e o levou para a Europa. Naquela época os astecas tomavam-no como uma bebida amarga e fria, preparada a partir da fruta do cacaueiro, árvore nativa das regiões tropicais da América, chamando-se xocolatl ou chocoatl (água amarga), e levava até pimenta e outras especiarias. Ao se difundir pela Europa, transformou-se e aprimorou-se. Na Espanha, perdeu a adição de pimenta e recebeu açúcar, canela e baunilha.
No início do século XVII, viajantes e comerciantes introduziram-no na Alemanha, França e Itália. A primeira casa dedicada em exclusivo ao chocolate abriu em Londres, em 1657, por mão de um francês. Na época era uma bebida muito comum destinada às classes altas devido ao seu preço. Em 1659, David Chaillou começou a vender em Paris as primeiras tortas de chocolate. Uma década depois o chef Lassagne, que trabalhava para o duque de Plessis-Praslin, criou o primeiro bombom, coberto de caramelo. faz parte das rações dos militares dos Estados Unidos da América, assim como dos astronautas da NASA.
O chocolate é um alimento muito nutritivo. Contém proteínas, gorduras, cálcio, magnésio, ferro, zinco, caroteno, vitaminas E, B1, B2, B3, B6, B12 e C. Estudos recentes sugerem a possibilidade de o consumo moderado de chocolate preto e amargo trazer benefícios para a saúde humana, nomeadamente devido à presença de ácido gálico e epicatecina, flavonóides com função cardioprotectora. Sabe-se que o cacau tem propriedades antioxidantes. O chocolate constitui ainda um estimulante devido à teobromina, embora de fraca capacidade. O chocolate também possui endorfina.
Fonte: hipermidia.unisc.br