Produções recentes - Após a década de 60, predomina um cinema intimista voltado para o retrato do cotidiano: Bertrand Blier (Meu marido de batom), Eric Rohmer (Amor à tarde), Bertrand Tavernier (Por volta de meia-noite), Patrice Leconte (O marido da cabeleireira), Yves Robert (A glória de meu pai), Michel Deville (Uma leitora bem particular). Jean-Jacques Beineix (Betty Blue, A lua na sarjeta) e Luc Besson (Nikita) revigoram o filme noir. Superproduções de sucesso são realizadas por Jean-Jacques Annaud (O amante), Leos Carax (Os amantes da Pont-Neuf), Maurice Pialat (Van Gogh), Régis Wargnier (Indochina), Jean-Paul Rappeneau (Cyrano de Bergerac), Louis Malle (Perdas e danos), Jacques Rivette (A bela intrigante) e Alain Corneau (Todas as manhãs do mundo).
ESTADOS UNIDOSApós a 2a Guerra, o macarthismo instaura um clima de intolerância e perseguições que favorece a proliferação de musicais - Cantando na chuva, de Gene Kelly, Sinfonia em Paris, de Vincente Minnelli, Cinderela em Paris, de Stanley Donen -, comédias românticas e sofisticadas - A princesa e o plebeu, de William Wyler - ou superproduções: Os dez mandamentos, de Cecil B. de Mille. Nos estúdios trabalham diretores de grande talento: Alfred Hitchcock (Disque M para matar), Billy Wilder (Farrapo humano), John Huston (O tesouro de Sierra Madre), Fred Zinnemann (Matar ou morrer), George Stevens (Os brutos também amam), Douglas Sirk (Palavras ao vento), George Cukor (Nasce uma estrela) e Roger Corman (Obsessão macabra).
Alfred Hitchcock (1899-1980) é considerado o mestre do suspense. Nasce em Londres, filho de pais católicos, e recebe formação jesuítica. Começa a escrever roteiros em 1923, na Inglaterra. Muda-se para os Estados Unidos, em 1939, levado pelo produtor David Selznick, e filma Rebecca um ano depois. Influencia muitos diretores e faz grandes filmes de sucesso: O homem que sabia demais (1934), Interlúdio (1946), Festim diabólico (1948), Janela indiscreta (1954), Um corpo que cai (1958), Psicose (1960) e Os pássaros (1963).
Billy Wilder (1906- ), nasce em Viena, na Áustria. Trabalha como jornalista e crítico de arte. Muda-se para a Alemanha, onde passa a escrever roteiros de cinema. A partir de 1933 vai para Hollywood e torna-se roteirista de diretores como Lubitsch e Howard Hawks. Sofisticado nas comédias e dramas, seus filmes marcam época e se tornam clássicos, como Crepúsculo dos deuses (1950), A montanha dos sete abutres (1951), uma crítica à imprensa marrom, e O pecado mora ao lado (1955), com a atriz Marilyn Monroe.
Escola de Nova YorkA partir de 1955, a reação ao sistema de estúdio vem com a Escola de Nova York, influenciada pelo neo-realismo italiano - Delbert Mann (Vidas separadas) e Martin Ritt (Despedida de solteiro) - e os jovens cineastas saídos da TV: Sidney Lumet (O homem do prego) e Arthur Penn (Um de nós morrerá). Surge um cinema inconformista, que aborda temas polêmicos: o conflito de gerações em Juventude transviada, de Nicholas Ray; a guerra em O julgamento de Nüremberg, de Stanley Kramer; injustiça social em Sindicato de ladrões, de Elia Kazan; sexo e intolerância moral em Clamor do sexo, de Kazan, ou Gata em teto de zinco quente, de Richard Brooks.
Décadas de 60/70Nos anos 60, Stanley Kubrick (O Dr. Fantástico), John Frankenheimer (Sob o domínio do mal) e Sidney Pollack (A noite dos desesperados) continuam voltados para a crítica social e os problemas humanos. Na década de 70 Francis Ford Coppola (O poderoso chefão, Apocalypse now), Martin Scorsese (Taxi driver) e Robert Altman (Mash) dissecam aspectos traumáticos da sociedade americana, enquanto a tradição do musical é renovada por Bob Fosse (Cabaré) e a do cinema de humor por Woody Allen (Noivo neurótico, noiva nervosa), Mel Brooks (O jovem Frankenstein) e Blake Edwards (S.O.B.). Emigrados do Leste europeu, o tcheco Milos Forman (Um estranho no ninho) e o polonês Roman Polanski (Chinatown) aclimatam-se aos EUA. A era das superproduções renasce com Steven Spielberg (Encurralado) e George Lucas (Guerra nas estrelas). As bilheterias registram fenômenos de público, como Rocky, o lutador, que lança o ator e diretor Sylvester Stallone.
Woody Allen (1935- ), Alan Stewart Konigsberg, ator, roteirista e diretor americano. Filho de um chofer de táxi e uma vendedora de floricultura, nasce em Manhattan, cenário de grande parte de seus filmes. Sempre tímido, descobre no humor uma forma de conquistar amizades. Inicia a carreira escrevendo piadas para um programa humorístico da NBC. Posteriormente, comanda shows em boates, quando, em 1965, Shirley McLaine e o produtor Charles Feldman o contratam como ator e roteirista do filme O que é que há gatinha? Um ano depois, estréia como diretor e seu humor inteligente e refinado produz grandes sucessos como Interiores (1978), A rosa púrpura do Cairo (1985), Hannah e suas irmãs (1986), Maridos e esposas (1992) e Um misterioso assassinato em Manhattan (1993). No final de 1991, se envolve num escândalo ao manter um romance com Soon-YI, filha adotiva de Mia Farrow.
Década de 80Esse período traz visões contestadoras da vida social nos filmes de Michael Cimino (O Franco-Atirador), Philip Kaufman (Os eleitos), David Lynch (Veludo azul), Brian de Palma (Carrie, a estranha), seguidor de Hitchcock; de roteiristas que passam à direção, como Lawrence Kasdan (Corpos ardentes) e Oliver Stone (Platoon); de jovens e competentes artesãos, como John Landis (O lobisomem americano em Londres) ou John Carpenter (Fuga de Nova York). Os independentes nova-iorquinos Jim Jarmusch (Daunbailó) e John Sayles (Lianna) fazem filmes baratos, influenciados pelo neo-realismo. Como já acontecera na época da 2a Guerra, a indústria importa diretores de outros países: os australianos Peter Weir (A testemunha) e George Miller (As bruxas de Eastwick), o argentino Luís Puenzo (Gringo velho), o brasileiro Hector Babenco (Ironweed), o francês Barbet Schroeder (Barfly) e o holandês Paul Verhoeven (Robocop).
Spike Lee (Malcolm X), Joel Coen (Barton Fink - delírios de Hollywood, A roda da fortuna), Steven Soderbergh (Sexo, mentiras e videoteipe), Hal Hartley (Confiança), o ator e diretor Tim Robbins (Bob Roberts), Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes), Robert Rodriguez (El mariachi) e Tony Scott (Amor à queima-roupa) surgem como uma promessa de sangue novo para o cinema americano, ao lado de nomes já conhecidos: Scorsese (Cabo do medo, A época da inocência), Coppola (Drácula), Oliver Stone (JFK, a pergunta que não quer calar), Woody Allen (Neblinas e sombras) e Robert Altman (Short cuts - cenas da vida).
Steven Spielberg (1947- ) é o mais bem-sucedido diretor de cinema de todos os tempos. Aos 12 anos, ganha sua primeira câmera de cinema e passa a fazer filmes de ficção. Sete anos depois, freqüenta por três anos os estúdios da Universal. Seus filmes são verdadeiros fenômenos de bilheteria, a maioria com histórias fantásticas e abundantes efeitos especiais. Como diretor e produtor, acumula sucessos: Tubarão (1975), Contatos imediatos de terceiro grau (1977), Os caçadores da arca perdida (1981), E.T. - o extraterrestre (1982), Indiana Jones e o templo da perdição (1984), A cor púrpura (1985), O parque dos dinossauros (1993) e A lista de Schindler, pelo qual recebe seu primeiro Oscar de melhor diretor, em 1994.

Depois dos documentaristas, a década de 60 assiste ao surgimento de uma nova tendência.
A inquietação dos young angry men, os "jovens irados", vindos do teatro, cria o free cinema, "cinema livre", que rompe com as fórmulas tradicionais do realismo e o superficialismo de produções como os filmes de terror dos estúdios Hammer. Os cineastas procuram criar um cinema social de características nacionais, no qual não faltam humor, irreverência e um sentido poético: Tony Richardson (Odeio essa mulher), Karel Reisz (Tudo começou no sábado), Richard Lester (A bossa da conquista) e Jonh Schlesinger (Domingo maldito).
A década de 80, depois de uma fase de recesso, traz o humor irreverente do grupo Monty Python (A vida de Brian), do qual saem Terry Gilliam (Brazil) e Terry Jones (O sentido da vida). Aparecem bons artesãos logo envolvidos com grandes projetos: Alan Parker (O expresso da meia-noite), Roland Joffé (A missão), Ridley Scott (Blade Runner). Se muitos desses ingleses filmam nos EUA, há também americanos, como Joseph Losey (O mensageiro) ou James Ivory (Vestígios do dia), que rodam seus filmes na Grã-Bretanha. Saída da tevê, uma nova geração destaca-se por sua temática ousada e suas posturas acidamente críticas: Stephen Frears (Relações perigosas), Derek Jarman (Caravaggio), Neil Jordan (Traídos pelo desejo), Peter Greenaway (O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, A última tempestade), Michael Radford (1984) e Jim Sheridan (Meu pé esquerdo, Em nome do Pai). Já Kenneth Branagh tem raízes teatrais, que revela em Henrique V e Muito barulho por nada, adaptados de Shakespeare.
ALEMANHAAs décadas de 40 e 50 são marcadas pela estagnação. Nos anos 60 e 70, brilha o cinema novo alemão com os filmes amargurados de Rainer Fassbinder (As lágrimas amargas de Petra von Kant), o lirismo de Werner Herzog (O enigma de Kaspar Hauser), as experiências de Werner Schroeter (Macbeth) com a linguagem teatral e as felizes adaptações literárias de Volker Schloendorff (O jovem Törless, O tambor).
Os anos 80 começam com a visão do universo feminino de Margarethe von Trotta (Os anos de chumbo), a adaptação da ópera Parsifal, de Wagner, por Hans-Jürlegen Syberberg, e a obra muito particular de Wim Wenders (Paris, Texas, Asas do desejo), considerado seguidor de Antonioni. O cinema alemão revela ainda Wolfgang Petersen (História sem fim), Robert Van Ackeren (Armadilha para Vênus), Rudolf Thome (O filósofo), Michael Verhoeven (Uma cidade sem passado), Doris Dorrie (Homens) e Percy Adlon (Bagdá Café).
Werner Herzog (1942- ), diretor alemão, forma com Rainer Fassbinder e Win Wenders o trio central do novo cinema alemão. De família pobre, estuda história e literatura em sua cidade natal, Munique. Aos 15 anos, escreve o seu primeiro roteiro. Mais tarde, recebe uma bolsa para estudar nos Estados Unidos. Faz filmes e documentários em diversos países, como Aguirre, a cólera dos Deuses (1972) e Fitzcarraldo (1981), no Brasil e Peru, Fata Morgana (1969), na África, Coração de cristal (1976), na Irlanda, e Nosferatu e Woyzeck (1978), na Holanda e Tchecoslováquia. Trabalha para a tevê e publica todos os roteiros de seus filmes.
Rainer Fassbinder (1945-1982) nasce na Baviera, deixa os estudos aos 19 anos e passa a integrar um grupo de teatro, em Munique. Posteriormente, trabalha como ator, roteirista e diretor no teatro, rádio, cinema e televisão. Influenciado pelos diretores Howards Hawks e Fritz Lang, encontra também no teatro de Brecht uma fonte de inspiração. Em 1968, dirige o seu primeiro longa-metragem. Em seus filmes, como Querelle (1982) e a trilogia O casamento de Maria Braun (1978), Lili Marlene (1980) e Lola (1981), estão sempre presentes temas relativos ao sexo, violência e degeneração.
PAÍSES NÓRDICOSA crise sueca dos anos 20 só é contornada com o aparecimento de Ingmar Bergman (Morangos Silvestres), grande influência sobre cineastas de seu país - Alf Sjöberg (Senhorita Júlia), Vilgot Sjöman (Tabu), Lasse Hallström (Minha vida de cachorro) - e do mundo inteiro. Nos anos 80, prêmios internacionais fazem descobrir o novo cinema dinamarquês: Bille August (Pelle, o conquistador, A casa dos espíritos), Gabriel Axel (A festa de Babette), Lars von Trier (O elemento do crime), Kaspar Rostrup (Dançando pela vida) e Stellan Olsson (O grande dia na praia). Na Finlândia, destacam-se os filmes de tom irônico dos irmãos Aki (Os caubóis de Leningrado vão para a América)
Ingmar Bergman (1918- ), cineasta e diretor teatral sueco, é um dos maiores nomes do cinema moderno. Filho de pastor protestante, desde a infância se dedica ao cinema e ao teatro. Seus primeiros filmes são influenciados pelo realismo poético francês, especialmente pelo diretor Marcel Carné. Depois, torna-se um renovador do cinema, com uma abordagem especial de seus temas principais: a incomunicabilidade, a ausência de Deus e o absurdo da condição humana. Seus principais filmes são O sétimo selo (1956), A hora do lobo (1968), Gritos e sussurros (1973), A flauta mágica (1975), O ovo da serpente (1979) e Fanny e Alexandre (1982), sua última e mais ambiciosa produção.
RÚSSIAPara lembrar o vigésimo aniversário da malograda insurreição de 1905 contra o Czar Nicolau II, Sergei Eisenstein filmou O Encouraçado Potemkin, limitando a ação ao episódio do motim do navio e ao massacre civil nas escadarias da cidade de Odessa. Apesar do tom de documentário, o filme foi cuidadosamente construido em todos os níveis. A teoria da montagem final de Eisenstein, segundo ele próprio explicava, baseou-se na dialética marxista - que envolve a superação da tese e da antítese produzindo uma síntese - e, com a justaposição de técnicos (luz, ângulo da câmara e movimento), criou significados. A idéia do diretor era construir um herói coletivo, no caso as massas russas, representados pelos amotinados do encouraçado, o povo de Odessa (simpatizantes da causa) e insurrectos de outros navios criava assim, dois personagens coletivos e coerentes: o encouraçado e a cidade; o drama se construía com o diálogo e união de ambos. Além disso, Eisenstein introduziu no cinema o uso de atores não profissionais. Considerado no início como formalista, Eisenstein foi pouco a pouco quebrando a resistência do ortodoxo modelo artístico do realismo socialista e ganhando expressão dentro e fora de seu país. O Encouraçado Potemkin é hoje considerado um dos filmes que mais revolucionaram a história do cinema.
A doutrina do realismo socialista, criada na década de 20, produz filmes de estilo conservador, fiéis à estética oficial: Quando voam as cegonhas, de Mikhail Kalatósov, e A balada do soldado, de Grigori Tchukhrai. Uma obra original é a de Andrei Tarkovski (Solaris).
Com a perestroika, a partir de meados da década de 80, há maior liberdade na escolha de temas e na discussão de problemas políticos e sociais: Elem Klimov (Agonia), Tenguiz Abduladze (O arrependimento), Karen Tchakhnazarov (Cidade zero), Pavel Lounguine (Taxi blues), Serguei Paradjanov (Os cavalos de fogo) e Vassíli Pitchul, cujo Pequena Vera é o primeiro filme a abordar a insatisfação dos jovens com a falta de perspectivas para o futuro, ignorada pelo cinema oficial.
Andrei Tarkovski (1932-1986) nasce no distrito de Ivanov, na Rússia, e cresce em uma vila de artistas próxima de Moscou. Filho de poeta, estuda desde cedo os mais diversos assuntos - música, pintura, escultura, árabe e geologia. Em 1954, cursa a Escola de Cinema de Moscou e realiza seu primeiro longa-metragem, A infância de Ivan, na década de 60. Seu filme Andrei Rublev (1966) é considerado antinacionalista e fica retido durante cinco anos na URSS. Sua obra é marcada por longos planos e ritmo lento, como em Stalker (1979), Nostalgia (1982) e O sacrifício (1986).
JAPÃOA premiação de Rashomon, de Akira Kurosawa, no Festival de Veneza de 1951, faz o Ocidente descobrir uma produção de extrema originalidade, que enfoca tanto temáticas tradicionais quanto assuntos contemporâneos. Kenzo Mizoguchi (Contos da lua vaga), Teinosuke Kinugasa (As portas do inferno), Kaneto Shindo (A ilha nua), Masaki Kobayashi (Harakiri), Hiroshi Teshigahara (Mulher da areia), Yasuhiro Ozu (Dia de outono) e Shohei Imamura (A balada de Narayama) são alguns de seus grandes nomes.
Na nova geração, destacam-se Nagisa Oshima (O império dos sentidos), questionado no Japão como muito ocidentalizado, Juzo Itami (Tampopo), Katsuhiro Otomo (Akira), Mitsuo Kurotsuchi (Engarrafamento), Kazuo Hara (O exército nu do imperador) e Kohei Oguri (O ferrão da morte).
Akira Kurosawa (1910- ) é o nome mais importante do cinema no Japão. Trabalha como pintor e ilustrador de revistas em anúncios publicitários. No cinema, começa como assistente de direção. É o responsável pela projeção internacional da cinematografia de seu país, a partir do êxito comercial de Rashomon (1950) e Os sete samurais (1954). Recupera-se de séria crise pessoal, em que tenta o suicídio em meados dos anos 70, e dirige Dersu Uzala (1975), na União Soviética, que entra como co-produtora. Com a ajuda do cineasta norte-americano Francis Ford Coppola, faz um retorno aos temas do Japão medieval em Kagemusha (1980). Em 1985, com Ran, realiza uma adaptação de O rei Lear, de Shakespeare. Na década de 90, filma Sonhos, Rapsódia em agosto e Madadayo.
CHINAA primeira classe formada pela Academia de Cinema chinesa, após sua reabertura na década de 70 - conhecida como quinta geração -, revela grandes nomes, como Zhang Yimou (Lanternas vermelhas, Ju Dou - amor e sedução, A história de Qiu Ju), premiado no Festival de Veneza de 1991, e Chen Kaige, ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1993 com Adeus minha concubina. Ao contrário de Yimou, um inovador da linguagem, Kaige retrata a Revolução Cultural de seu país com sarcasmo, usando cacoetes do cinema ocidental.
OUTROS CENTROSApós a independência da França, em 1962, nacionaliza o cinema e produz filmes que enfocam o colonialismo e as guerras de libertação. Mohammed Lakhdar-Amina, com Crônica dos anos de brasa (1974), tem sua obra prestigiada pela crítica mundial.
José Agustín Ferreyra (As ruas de Buenos Aires) é, na década de 30, o criador da escola nacional de cinema da Argentina. Seus seguidores principais são Fernando Birri (Os inundados) e Leopoldo Torre-Nilsson (Pele de verão). A denúncia social de A hora dos fornos, realizado em 1968, leva Fernando Solanas ao exílio, de que só volta na década de 90, para se engajar na vida política de seu país; em 1985, roda em Paris e Buenos Aires Tangos, exílio de Gardel. Na nova geração, marcados pela repressão militar nas décadas de 70 e 80, destacam-se Hector Olivera (Não haverá mais dores nem esquecimento), Luís Puenzo (A história oficial), Maria Luísa Bemberg (Miss Mary) e Eliseu Subiela (O lado escuro do coração).
O cinema americano na década de 80 atrai talentos como os de Peter Weir (O ano em que vivemos em perigo), Bruce Beresford (A força do carinho), George Miller (Mad Max) e Gillian Armstrong (Os últimos dias em que ficamos juntos). O mesmo pode acontecer com a nova safra de cineastas desse país: Jane Campion (Um anjo em minha mesa, O piano), Jocelyn Moorhouse (A prova) e Baz Luhrmann, cujo Vem dançar comigo foi enorme sucesso de bilheteria em 1993.
Uma fórmula original de cinema de animação é desenvolvida por Norman McLaren e seus discípulos, subvencionados pelo National Film Board of Canada. Dentre os diretores convencionais, durante muito tempo apenas Gilles Carle, que dirige A verdadeira natureza de Bernardette, em 1971, e Denys Arcand (O declínio do império americano, de 1986, e Amor e restos humanos, da década de 90) conseguem ser conhecidos fora do país. Patricia Rozema (O segredo do quarto branco) e Jean-Claude Lauzon (Noite no zôo) são novos cineastas com prestígio internacional.
A escola de documentário criada por Santiago Álvarez (Now) tem influência continental, moldando, por exemplo, o estilo do colombiano Carlos Álvarez (O que é democracia), do boliviano Jorge Sanjinés (A coragem do povo), do chileno Patricio Guzmán (A batalha do Chile) ou do uruguaio Adolfo Aritarian (Um lugar no mundo). Na produção ficcional destacam-se as obras de Humberto Solas (Um homem de êxito, de 1976) e Tomás Gutiérrez Alea (A última ceia, de 1976, Morango e chocolate, de 1993).
Produz grandes nomes: Carlos Saura (Cría cuervos, de 1976, Carmem, de 1983), Victor Érice (O espírito da colméia, de 1973) e Pedro Almodóvar (Mulheres à beira de um ataque de nervos, de 1988, Ata-me, da década de 90) e Mario Camús (Os santos inocentes, de 1984). A década de 90 traz produções de cineastas competentes como Bigas Luna (As idades de Lulu, Ovos de ouro), Vicente Aranda (Os amantes) e Fernando Trueba (Belle époque).
Constantin Costa-Gavras tem destaque com Z (1968), Estado de sítio (1973) e Desaparecido (1982). A premiação de Paisagem na neblina, no Festival de Cannes de 1991, chama a atenção para o talento de Theo Angelópoulos, confirmado, em 1993, por O passo suspenso da cegonha.
Pátria, nos anos 50/60, de uma ilustre escola de documentaristas (Joris Ivens, Bert Haanstra), o país volta ao circuito internacional, na década de 70, com Paul Verhoeven (Louca paixão). Depois que ele vai para os EUA, o prestígio do cinema holandês no exterior fica a cargo do neo-realismo de Alex Van Warmerdam (Os do Norte) e do surrealismo de Joe Stelling (O ilusionista, de 1984).
Destacam-se Miklós Jancsó (Salmo vermelho, de 1973), Marta Meszaros (Diário íntimo, de 1985) e István Szábo (Mephisto, de 1981).
A tradição de contar histórias e de culto às imagens faz da Índia o país que mais produz filmes de todo o mundo. Anualmente faz mais de 800 títulos o dobro do mercado americano. Durante muito tempo, apenas Satyajit Ray (Aparajito, de 1951) tinha obtido reconhecimento. Na década de 90, surge o cinema de análise social de Mira Nahir (Salaam Bombay!).
Dusan Makavejev (WR, os mistérios do organismo, de 1971) e Emir Kusturica (Quando papai saiu em viagem de negócios, de 1985).
Emilio Fernández (Maria Candelária) é o maior nome do apogeu da indústria cinematográfica mexicana, nos anos 30/40. Entre as décadas de 50 e 70, destacam-se Paul Leduc (México insurgente), Jaime Hermosillo (A paixão segundo Berenice), Alejandro Jodorowsky (A montanha sagrada), Luís Alcoriza (O importante é viver) e Luis Buñuel, que também filma no país (Os esquecidos, O anjo exterminador). A geração de 80/90 é representada por Alfonso Arau (Como água para chocolate).
Num país geralmente à margem da grande produção cinematográfica, os insólitos O intruso e Navigator lançam o talento original de Vincent Ward.
Merecem destaque as obras de Aleksander Ford (Os cavaleiros teutônicos, de 1960), Jerzy Kawalerowicz (Madre Joana dos Anjos, de 1961), Krzysztof Zanussi (Espiral, de 1978) e Andrzej Wajda (Danton, o processo da revolução, de 1982). Na década de 90 destacam-se Krzysztof Kieslowski (Não amarás, A liberdade é azul) e Agnieszka Holland (Os filhos da guerra).
Já no final da carreira, Manuel de Oliveira (Amor de perdição) é descoberto e valorizado pela crítica francesa na década de 70. Na nova geração, destaca-se João Botelho (Tempos difíceis, estes tempos).
CINEMA NO BRASILEm quase 100 anos de existência, o cinema brasileiro produz cerca de 2 mil filmes e conquista mais de 50 prêmios internacionais, mas encontra dificuldades em se estabelecer como indústria. Com a chanchada, nos anos 30, começa a se formar um mercado consumidor. Na produção, o investimento mais ousado é a inauguração, em 1949, dos estúdios da Vera Cruz, que fracassa cinco anos depois. A partir dos anos 50 e 60 o cinema novo introduz temáticas e linguagens nacionais. A criação da Embrafilme, organismo estatal que financia, co-produz e distribui filmes, em 1969, cria condições para que a produção nacional se multiplique, e o país chega nos anos 80 ao auge do cinema comercial, produzindo até 100 filmes em um ano. No final da década o modelo estatal entra em crise, que tem seu ápice com a extinção da Embrafilme, em 1990. Alguns sinais de vitalidade são notados, a partir de 1993, na forma de uma produção limitada, mas de boa qualidade.
ORIGEMEm 8/7/1896, apenas sete meses depois da histórica exibição dos filmes dos irmãos Lumière em Paris, realiza-se, no Rio de Janeiro, a primeira sessão de cinema no país. Um ano depois, Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles inauguram, na rua do Ouvidor, uma sala permanente. Em 1898, Afonso Segreto roda o primeiro filme brasileiro: algumas cenas da baía de Guanabara. Seguem-se pequenos filmes sobre o cotidiano carioca e filmagens de pontos importantes da cidade, como o Largo do Machado e a Igreja da Candelária, no estilo dos documentários franceses do início do século.
PRIMEIROS FILMESDurante dez anos o cinema brasileiro praticamente inexiste devido à precariedade no fornecimento de energia elétrica. A partir de 1907, com a inauguração da usina de Ribeirão das Lages, mais de uma dezena de salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A comercialização de filmes estrangeiros é seguida por uma promissora produção nacional. Documentários em curta-metragem abrem caminho para filmes de ficção cada vez mais longos. Os estranguladores (1908), de Antônio Leal, baseado em fato policial verídico, com cerca de 40 minutos de projeção, é considerado o primeiro filme de ficção brasileiro, tendo sido exibido mais de 800 vezes. Esse filão é exaustivamente explorado, e outros crimes da época são reconstituídos em Noivado de sangue, Um drama na Tijuca e A mala sinistra.
FORMAÇÃO DOS GÊNEROSForma-se, entre 1908 e 1911, um centro carioca de produção de curtas que, além da ficção policial, desenvolve vários gêneros: melodramas tradicionais (A cabana do Pai Tomás), dramas históricos (A república portuguesa), patrióticos (A vida do barão do Rio Branco), religiosos (Os milagres de Nossa Senhora da Penha), carnavalescos (Pela vitória dos clubes) e comédias (Pega na chaleira, As aventuras de Zé Caipora). A maior parte é realizada por Antônio Leal e José Labanca, na Photo Cinematographia Brasileira. Essa produção variada sofre uma sensível redução nos anos seguintes, sob o impacto da concorrência estrangeira. Há um êxodo dos profissionais da área para atividades comercialmente mais viáveis. Outros sobrevivem fazendo "cinema de cavação" (documentários sob encomenda). Dentro desse quadro, há manifestações isoladas: Luiz de Barros (Perdida), no Rio de Janeiro, José Medina (Exemplo regenerador), em São Paulo, e Francisco Santos (O crime dos banhados), em Pelotas (RS). A partir de 1915 é produzido um grande número de fitas inspiradas na nossa literatura, em especial na romântica Inocência, A Moreninha, O Guarani e Iracema. O italiano Vittorio Capellaro é o cineasta que mais se dedica a essa temática.
Filme cantado - Paralelamente, Cristóvão Guilherme Auler e Francisco Serrador realizam os chamados filmes cantados ou falados, em que os artistas se escondem atrás das telas e acompanham com a voz a movimentação das imagens. Algumas dessas fitas são apresentadas centenas de vezes, como A viúva alegre, em três versões realizadas por Antônio Leal, Cristóvão Auler e Francisco Serrador. Dentro desse estilo, destaca-se Paz e amor (1910), produzido por Auler e filmado por Alberto Botelho, o primeiro no gênero de filme-revista, que focaliza figuras e acontecimentos político-sociais da época.
CICLOS REGIONAIS - Em 1923 a produção - que se limitava ao Rio de Janeiro e São Paulo - estende-se a Campinas (SP), Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Na cidade mineira de Cataguases, o fotógrafo italiano Pedro Comello inicia experiências cinematográficas com o jovem Humberto Mauro e, juntos, produzem Os três irmãos (1925) e Na primavera da vida (1926). O movimento gaúcho, de menor expressão, destaca Amor que redime (1928), um melodrama urbano, moralista e sentimental, de Eduardo Abelim e Eugênio Kerrigan. Em Campinas, Amilar Alves ganha prestígio com o drama regional João da Mata (1923).
O ciclo pernambucano, com Edson Chagas e Gentil Roiz, é o que mais produz. Os primeiros filmes, de 1925, Retribuição e Jurando vingar, são de aventuras, que contam até com personagens que lembram caubóis. Os temas regionais aparecem com os jangadeiros de Aitaré da praia, com os coronéis de Reveses e Sangue de irmão, ou com o cangaceiro de Filho sem mãe.
Em São Paulo, José Medina, acompanhado do cinegrafista Gilberto Rossi, dirige o longa Fragmentos da vida, em 1929. No mesmo ano, é lançado o primeiro filme nacional inteiramente sonorizado: Acabaram-se os otários, de Luiz de Barros. No Rio de Janeiro, em 1930, Mário Peixoto realiza o vanguardista Limite, influenciado pelo cinema europeu.
Humberto Mauro (1897-1983) é considerado o primeiro grande cineasta revelado pelo cinema brasileiro. Nasce em Volta Grande (MG), mudando-se ainda na infância para Cataguases, onde atua no teatro amador. Cursa o primeiro ano de engenharia em Belo Horizonte, enquanto trabalha no Minas Gerais, o diário oficial do Estado. Na década de 20, conhece o fotógrafo Pedro Comello, com quem faz os primeiros filmes. Na primavera da vida, Tesouro perdido (1927), Brasa dormida (1928) e Sangue mineiro (1929) formam a fase de Cataguases. Em 1930 vai para o Rio e produz filmes pela Cinédia. Em 1933, realiza Ganga bruta, sua maior obra-prima. Em 1937, produz documentários para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE). Seu último filme, Carro de boi (1974), trata de temas da infância e juventude.
HOLLYWOOD BRASILEIRAA partir de 1930, a infra-estrutura para a produção de filmes se sofistica com a instalação do primeiro estúdio cinematográfico no país, o da companhia Cinédia, no Rio de Janeiro. Em 1941 é criada a Atlântida, que centraliza a produção de chanchadas cariocas. A reação paulista acontece mais tarde com o ambicioso estúdio da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo.
CINÉDIAAdhemar Gonzaga idealiza a Cinédia, que se dedica a produzir dramas populares e comédias musicais, que ficam conhecidas pela denominação genérica de chanchadas. Humberto Mauro assina o primeiro filme da companhia, Lábios sem beijos. Em 1933, dirige, com Adhemar Gonzaga, A voz do carnaval, com a cantora Carmen Miranda. A Cinédia, com a comédia musical - como Alô, alô, Brasil, alô, alô, Carnaval e Onde estás, felicidade? -, lança atores como Oscarito e Grande Otelo.
ATLÂNTIDAFundada em 1941 por Moacir Fenelon, Alinor Azevedo e José Carlos Burle, estréia com Moleque Tião, filme que já dá o tom das primeiras produções: a procura de temas brasileiros. Logo, porém, predomina a chanchada, com baixo custo e com grande apelo popular, como Nem Sansão nem Dalila, de Carlos Manga, e Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, com Anselmo Duarte no elenco. Esse gênero domina o mercado até meados de 1950, promovendo comediantes como Oscarito, Zé Trindade, Grande Otelo e Dercy Gonçalves.
Anselmo Duarte (1920- ), nascido em Salto (SP), muda-se para o Rio de Janeiro nos anos 40. Trabalha como ator em diversas produções - Pinguinho de gente, pela Cinédia, Terra violenta, na Atlântida, Sinhá Moça, pela Vera Cruz - e conquista o título de maior galã do cinema nacional. Começa a trabalhar como argumentista e assistente de direção com Watson Macedo, que considera seu mestre. Dirige curtas e estréia na direção, em 1957, com Absolutamente certo. Em 1962 dirige O pagador de promessas, filme premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Prossegue na direção com Vereda da salvação (1964), O descarte (1973) e Os trombadinhas (1978), entre outros.
VERA CRUZEmpreendimento grandioso, a Companhia Vera Cruz surge em São Paulo, em 1949. Renegando a chanchada, contrata técnicos estrangeiros e ambiciona produções mais aprimoradas, como: Floradas na serra, do italiano Luciano Salce, Tico-tico no fubá, de Adolfo Celli, e O canto do mar, de Alberto Cavalcanti, que volta da Europa para dirigir a Vera Cruz. O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, faz sucesso internacional, iniciando o ciclo de filmes sobre cangaço. Amácio Mazzaropi é um dos grandes salários da companhia, vivendo o personagem caipira mais bem-sucedido do cinema nacional. A ausência de um esquema viável de distribuição é apontada como a principal causa do fracasso da Vera Cruz.
Amácio Mazzaropi (1912-1981) nasce em São Paulo. De família pobre, aos 14 anos foge de casa para ser ajudante de faquir, em uma trupe ambulante. Adquire sucesso fazendo números cômicos. Trabalha na Rádio Tupi, onde faz um programa em que conversa com os caipiras de São Paulo. Em 1952, é contratado pela Vera Cruz e realiza Sai da frente (1952), Nadando em dinheiro (1953) e Candinho (1954). O fim da companhia não interrompe sua carreira. Filma a seguir A carrocinha (1955), O gato da madame (1956) e consagra-se com o caipira de Jeca Tatu (1959). Na década de 70, continua produzindo: Um caipira em Bariloche (1971) e A banda das velhas virgens (1979).
IDENTIDADE NACIONALEm meados da década de 50, começa a surgir uma estética nacional. Nesta época são produzidos Agulha no palheiro (1953), de Alex Viany, Rio 40 graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, e O grande momento (1958), de Roberto Santos, inspirados no neo-realismo italiano. A temática e os personagens começam a expressar uma identidade nacional e lançam a semente do Cinema Novo. Paralelamente, destaca-se o cinema de Anselmo Duarte, premiado em Cannes, em 1962, com O pagador de promessas, e dos diretores Walther Hugo Khouri, Roberto Farias (Assalto ao trem pagador) e Luís Sérgio Person (São Paulo S.A.).
Nelson Pereira dos Santos (1928- ), nasce em São Paulo e, no final da década de 40, freqüenta cineclubes e já faz curtas de 16 mm. Em 1953 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como jornalista a partir de 1957. Faz também assistência de direção, montagem, produção e trabalha também como ator. Na direção, seu filme de estréia, Rio 40 graus (1954), marca uma nova fase no cinema brasileiro, de busca da identidade nacional, seguido por Rio Zona Norte (1957), Vidas secas (1963), Amuleto de Ogum (1974), Memórias do cárcere (1983), Jubiabá (1985) e A terceira margem do rio (1994). No centenário do cinema, em 1995, é convidado pelo British Film Institute para dirigir um filme comemorativo, ao lado de diretores como Martin Scorsese e Bernardo Bertolucci.
Roberto Santos (1928-1987), nasce em São Paulo e, em 1950, cursa o Seminário de Cinema. Trabalha nos estúdios da Multifilmes e Vera Cruz, como continuista e assistente de direção. A partir de 1966 leciona cinema e roteiro na Escola Superior de São Luís e na ECA-USP. Posteriormente, realiza alguns documentários, Retrospectivas e Judas na passarela, na década de 70. O grande momento, de 1958, seu filme de estréia, aproxima-se do neo-realismo e reflete os problemas sociais brasileiros. Seguem, entre outros, A hora e a vez de Augusto Matraga (1965), Um anjo mau (1971) e Quincas Borbas (1986).
Walter Hugo Khouri (1929- ), paulista, produz e dirige teleteatros para a TV Record, na década de 50. Trabalha como crítico de cinema e jornalista. Nos estúdios da Vera Cruz, começa fazendo preparação de produção e, em 1964, passa à frente da companhia. Influenciado por Bergman, sua produção enfoca os problemas existenciais, com trilha sonora refinada, diálogos inteligentes e mulheres sensuais. Autor completo de seus filmes, faz roteiro, direção, orienta a montagem e a fotografia. Depois de O gigante de pedra (1952), seu primeiro filme, seguem-se Noite vazia (1964), O anjo da noite (1974), Amor estranho amor (1982), Eu (1986) e Forever (1988), entre outros.
CINEMA NOVO"Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça" é o lema de cineastas que, nos anos 60, se propõem a realizar filmes de autor, baratos, com preocupações sociais e enraizados na cultura brasileira. Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, é o precursor. Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Os fuzis, de Rui Guerra, também pertencem à primeira fase, concentrada na temática rural, que aborda problemas básicos da sociedade brasileira, como a miséria dos camponeses nordestinos. Após o golpe de 64, a abordagem centraliza-se na classe média urbana, como em A falecida, de Leon Hirszman, O desafio, de Paulo César Sarraceni, e A grande cidade, de Carlos Diegues, que imprimem nova dimensão ao cinema nacional.
Com Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, o Cinema Novo evolui para formas alegóricas, como meio de contornar a censura do Regime Militar. Dessa fase, destacam-se Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr., O bravo guerreiro, de Gustavo Dahl, e Pindorama, de Arnaldo Jabor.
Glauber Rocha (1939-1981) é o grande nome do cinema brasileiro. Nasce em Vitória da Conquista, Bahia, e inicia a carreira em Salvador, como crítico de cinema e documentarista, realizando O pátio (1959) e Uma cruz na praça (1960). Com Barravento (1961), é premiado no Festival de Karlovy Vary, na Tchecoslováquia. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Terra em transe (1967) e O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) ganham prêmios no exterior e projetam o Cinema Novo. Nesses filmes predomina uma linguagem nacional e de caráter popular, que se distingue daquela do cinema comercial americano, presente em seus últimos filmes, como Cabeças cortadas (1970), filmado na Espanha, e A idade da terra (1980).
Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) nasce no Rio de Janeiro e cursa a UFRJ. Recebe influências do professor do cinema mudo e fundador do primerio cineclube brasileiro, Plínio Sussekind Rocha. Na primeira experiência profissional, trabalha como assistente de direção. No final da década de 50, dirige seus primeiros curtas - Poeta do castelo e O mestre de Apipucos - com os quais consegue uma bolsa para estudar cinema na França e em Londres. De volta ao Brasil, participa do Cinema Novo e dirige importantes obras, como Cinco vezes favela - 4o episódio: Couro de gato - (1961), Garrincha, alegria do povo (1963), O padre e a moça (1965), Macunaíma (1969) e Os inconfidentes (1971).
CINEMA MARGINALNo final da década de 60, jovens diretores ligados de início ao Cinema Novo vão, aos poucos, rompendo com a antiga tendência, em busca de novos padrões estéticos. O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla, e Matou a família e foi ao cinema, de Júlio Bressane, são os filmes-chave dessa corrente underground alinhada com o movimento mundial de contracultura e com a explosão do tropicalismo na MPB.
Dois autores têm, em São Paulo, suas obras consideradas como inspiradoras do cinema marginal: Ozualdo Candeias (A margem) e o diretor, ator e roteirista José Mojica Marins (No auge do desespero, À meia-noite levarei sua alma), mais conhecido como Zé do Caixão.
TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEASEm 1966 o Instituto Nacional de Cinema (INC) substitui o INCE, e a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) é criada em 1969 para financiar, co-produzir e distribuir os filmes brasileiros. Há então uma produção diversificada que atinge o auge em meados dos anos 80 e, gradativamente, começa a declinar. Alguns sinais de recuperação são notados em 1993.
DÉCADA DE 70Remanescentes do Cinema Novo ou cineastas estreantes, em busca de um estilo de maior comunicação popular, produzem obras significativas São Bernardo, de Leon Hirszman; Lição de amor, de Eduardo Escorel; Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto; Pixote, de Hector Babenco; Tudo bem e Toda a nudez será castigada, de Arnaldo Jabor; Como era gostoso o meu francês, de Nelson Pereira dos Santos; A dama do lotação, de Neville d'Almeida; Os inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, e Bye, bye, Brasil, de Cacá Diegues, que reflete as transformações e contradições da realidade nacional.
Pedro Rovai (Ainda agarro essa vizinha) e Luís Sérgio Person (Cassy Jones, o magnífico sedutor) renovam a comédia de costumes numa linha seguida por Denoy de Oliveira (Amante muito louca) e Hugo Carvana (Vai trabalhar, vagabundo).
Arnaldo Jabor (1940- ), carioca, começa escrevendo críticas de teatro. Em 1962 edita a revista Movimento e freqüenta o cineclube da PUC-RJ. Dois anos depois faz o curso de cinema Itamaraty-Unesco. Participa do movimento do Cinema Novo. Faz curtas - O circo e Os saltimbancos - e estréia no longa-metragem com o documentário Opinião pública (1967). Realiza, em seguida, Pindorama (1970). Adapta dois textos de Nelson Rodrigues: Toda nudez será castigada (1973) e O casamento (1975). Prossegue com Tudo bem (1978), Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1984).
Carlos Diegues (1940- ), alagoano, muda-se ainda na infância para o Rio de Janeiro. Cacá Diegues dirige filmes experimentais aos 17 anos. Faz críticas de cinema e desenvolve atividades como jornalista e poeta. Nos anos 60, passa 40 dias na cinemateca de Paris, assistindo a vários clássicos. Posteriormente, dirige curtas e trabalha como argumentista e roteirista. Um dos fundadores do Cinema Novo, realiza Ganga Zumba (1963), Quando o carnaval chegar (1972), Joana Francesa (1973), Xica da Silva (1975), Bye, bye Brasil (1979) e Quilombo (1983), entre outros.
Hector Eduardo Babenco (1946- ), produtor, diretor e roteirista, nasce em Buenos Aires. Naturalizado brasileiro, passa a viver em São Paulo, a partir de 1969. Inicia no cinema como figurante no filme Caradura, de Dino Risi, filmado na Argentina, em 1963. Na Europa, trabalha como assistente de direção. Em 1972, já no Brasil, funda a HB Filmes e dirige curtas como Carnaval da vitória e Museu de Arte de São Paulo. No ano seguinte, faz o documentário O fabuloso Fittipaldi. Seu primeiro longa-metragem, O rei da noite (1975), retrata a trajetória de um boêmio paulistano. Seguem Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Pixote, a lei do mais fraco (1980), O beijo da mulher aranha (1985) e Brincando nos campos do senhor (1990).
No esforço para reconquistar o público perdido, a "Boca do Lixo" paulista produz "pornochanchadas". Influência de filmes italianos em episódios, retomada de títulos chamativos e eróticos, e reinserção da tradição carioca na comédia popular urbana, marcam uma produção que, com poucos recursos, consegue uma boa aproximação com o público, como Memórias de um gigolô, Lua-de-mel e amendoim e A viúva virgem. No início dos anos 80, evoluem para filmes de sexo explícito, de vida efêmera.
DÉCADA DE 80A abertura política favorece a discussão de temas antes proibidos, como em Eles não usam black-tie, de Leon Hirszman, e Pra frente, Brasil, de Roberto Farias, que é o primeiro a discutir a questão da tortura. Jango e Os anos JK, de Silvio Tendler, relatam a História recente e Rádio auriverde, de Silvio Back, dá uma visão polêmica da atuação da FEB na 2a Guerra. Arnaldo Jabor faz Eu te amo e Eu sei que vou te amar. Surgem novos diretores - Lael Rodrigues (Bete Balanço), André Klotzel (Marvada carne e Susana Amaral (A hora da estrela). No final da década, a retração do público interno e a atribuição de prêmios estrangeiros a filmes brasileiros fazem surgir uma produção voltada para a exibição no exterior: O beijo da mulher aranha, de Hector Babenco, e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos. As funções da Embrafilme, já sem verbas, começam a esvaziar-se, em 1988, com a criação da Fundação do Cinema Brasileiro.
DÉCADA DE 90A extinção da Lei Sarney e da Embrafilme e o fim da reserva de mercado para o filme brasileiro fazem a produção cair quase a zero. A tentativa de privatização da produção esbarra na inexistência de público num quadro onde é forte a concorrência do filme estrangeiro, da tevê e do vídeo. Uma das saídas é a internacionalização, como em A grande arte, de Walter Salles Jr., co-produzida com os EUA. O 25o Festival de Brasília (1992) é adiado por falta de filmes concorrentes. No de Gramado, internacionalizado para poder sobreviver, só se inscrevem, em 1993, dois filmes brasileiros: Capitalismo selvagem, de André Klotzel, e Forever, de Walter Hugo Khouri, rodado com financiamento italiano.
A partir de 1993 há uma retomada da produção, através do Programa Banespa de Incentivo à Indústria Cinematográfica e do Prêmio Resgate Cinema Brasileiro, instituído pelo Ministério da Cultura. Diretores recebem financiamentos para a produção, finalização e comercialização dos filmes. Aos poucos, as produções vão aparecendo, como A terceira margem do rio, de Nelson Pereira dos Santos, Alma corsária, de Carlos Reichenbach, Lamarca, de Sérgio Rezende, Vagas para moças de fino trato, de Paulo Thiago, Não quero falar sobre isso agora, de Mauro Farias, Barrela - escola de crimes, de Marco Antônio Cury, O Beijo 2348/72, de Walter Rogério, e A Causa Secreta, de Sérgio Bianchi. A parceria entre televisão e cinema se realiza em Veja esta canção, dirigida por Carlos Diegues e produzida pela TV Cultura e pelo Banco Nacional.
Em 1994, novas produções, em preparação ou mesmo finalizadas, apontam: Era uma vez, de Arturo Uranga, Perfume de gardênia, de Guilherme de Almeida Prado, O corpo, de José Antonio Garcia, Mil e uma, de Susana Moraes, Sábado, de Ugo Giorgetti, As feras, de Walter Hugo Khouri, Foolish heart, de Hector Babenco, Um grito de amor, de Tizuka Yamasaki, e O cangaceiro, de Carlos Coimbra, um remake do filme de Lima Barreto
Fonte: www.webcine.com.br