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História do Cinema

História do Cinema 1830 - 1899

O cinema mais não é do que uma ilusão óptica, em que um conjunto de fotografias, cada uma ligeiramente diferente da anterior e projectadas num ecrã de uma forma rápida, é interpretado pela mente humana como movimento contínuo. Este fenómeno, designado por persistência da visão, foi uma das invenções e descobertas cientificas ocorridas ao longo do século XIX que possibilitaram o nascimento do cinema. Outra inovação importante foi a fotografia, que se tornou comercialmente viável em 1839, quando Louis Daguerre desenvolveu um método que permitiu a impressão de fotografias em chapas de metal. Enquanto o método de Daguerre permitia a captura de sucessivas imagens de pessoas ou objectos em movimento, o zoopraxiscope, de Eadweard Muybridge, permitia a projecção num ecrã, e de uma forma rápida, de imagens imprensas num vidro rotativo, dando assim a ilusão de movimento. Outro avanço técnologico importante foi a descoberta da electricidade e das lâmpadas incadescentes, que mais tarde viriam a ser incorporadas nos projectores. Em 1869, John Wesley inventa o celuloide, que servirá, anos depois, como a base da película cinematógrafica.

Muito embora todos estes avanços, o nascimento do cinema não foi imediato e foi necessário o espírito creativo de Thomas Edison, nos EUA, e dos irmãos Lumière, em França, para que a sétima arte visse a luz do dia. Edison, ao aperceber-se que as imagens em movimento poderiam atrair muita gente, desenvolveu o Kinetoscope, uma caixa de madeira que funcionava à base de moedas e que permitia a uma pessoa assistir a um pequeno filme. Edison Kinetoscopic Record of a Sneeze (gravação de um espirro) foi o primeiro filme a ser registado em Janeiro de 1894 e em Abril desse ano, Nova Iorque assiste à estreia do primeiro salão Kinetoscope.

No ouro lado do Atlântico, os irmãos Lumiere tomam conhecimento da invenção de Edison e interessam-se pelas imagens em movimento, inventando o Cinematógrafo, um aparelho que permitia a projecção de filmes num ecrã. A 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien du Grand Café em Paris, os Lumiere efectuam a primeira projecção pública de filmes e o cinema, tal como o conhecemos, nasceu. Do programa desse dia constaram, entre outros, os filmes La Sortie des Usines Lumière (que mostra operários a sairem da fábrica dos irmãos Lumière) e L’Arroseur Arrosé, o primeiro filme de ficção da história do cinema.

Thomas Edison não se fica atrás e adquire o seu próprio sistema de projecção, o Vitascope, e inicia a projecção de filmes em 1896. No final da década outras empresas surgem no mercado, entre elas a Biograph e a Vitagraph, e no meio de sucessivos processos judiciais por causa de patentes, o cinema começa a ganhar público entre as classes trabalhadoras.

1831

- Os fisicos Michael Faraday (britanico) e Joseph Henry (americano) descobrem o principio da indução electromagnética, que permitirá, no final da década, à descoberta da energia eléctrica.

1839

- O inventor francês Louis Daguerre desenvolve o Daguerreotype, o primeiro método comercial para produzir fotografias.

1841

- O inventor britânico William Fox Talbot patenteia o calotype, processo para imprimir negativos fotográficos em papel.

1869

- John Wesley Hyatt inventa o celuloide, o primeiro plástico comerciavel, que mais tarde servirá de base à película cinematográfica.

1879

- O americano Thomas Edison regista a primeira lâmpada incandescente, que será parte importante dos projectores cinematográficos.

1887

- Na Alemanha, Ottomar Anschutz demonstra o Electro-Tachyscope, que consiste numa sequência de fotografias colocadas numa roda e visualizadas através de um pequeno orifício, produzindo movimento.

1889

- O americano George Eastman inventa o filme de celuloide perfurado.

- Thomas Edison desenvolve o Kinetophonograph que permite sincronizar a projecção de um filme com uma gravação fonográfica.

1891

- Thomas Edison inventa o Kinetograph, o primeiro sistema cinematográfico, e o Kinetoscope, uma caixa que permitia ver filmes.

1892

- O francês Émile Renauld demonstra o Praxinoscope, que permite projectar pequenas animações desenhadas à mão, num ecrã.

1893

- Thomas Edison constrói o primeiro estúdio de cinema (Black Maria) em New Jersey.

- Tem lugar em Nova Iorque a primeira exibição pública do Kinetoscope.

1894

- Thomas Edison inicia a actividade comercial do Kinetoscope em Nova Iorque.

- Robert W. Paul, um cientista de Londres, descobre que Edison não tinha registado o Kinetoscope na Inglaterra e começa a aperfeiço-á-lo; os melhoramentos incluem um sistema que torna as imagens menos distorcidas e a sua projecção num ecrã.

- Em Berlim, Ottomar Anschutz faz a demonstração de um sistema de projecção.

1895

- Os irmãos Lumière efectuam a primeira exibição pública de filmes, a 28 de Dezembro, data considerada como a do nascimento do cinema.

- Os americanos Thomas Woodville e Charles Jenkins desenvolvem o Phantascope, um sistema de projecção mais desenvolvido.

- Em Inglaterra, Robert W. Paul e o fotografo Birt Acres colaboram na construção de uma câmara de filmar; Acres começa a filmar eventos desportivos.

- Na Alemanha, Max Skladanowsky regista o seu projector Bioskop e faz uma projecção pública em Berlim.

1896

Thomas Edison adquire os direitos do Phantascope (passando-se a chamar Vitascope) e inicia projecções públicas em Nova Iorque.

As empresas Biograph e Vitagraph iniciam operações, tornando-se nas principais rivais da Edison Company.

Em Inglaterra, Birt Acres faz a demonstração da projecção de filmes e funda a Northern Photographic Works.

Robert W. Paul dá a conhecer o seu método de projecção de filmes e meses depois realiza o primeiro filme de ficção inglês, The Soldier’s Courtship.

Peter Elfelt realiza o primeiro filme Dinamarques.

O espectáculo dos Irmãos Lumiere abre na Índia.

A primeira exibição cinematográfica em Espanha ocorre em Madrid perante uma audiência constituída principalmente por colegiais.

1897

A Vitagraph estreia o seu primeiro filme de ficção The Burglar on the Roof.

Fructuoso Gelabert realiza o primeiro filme de ficção espanhol, Rina en un Café.

1898

Até meados da década seguinte, em vez de alugarem, as empresas cinematográficas vendem os filmes e o equipamento de projecção às empresas exibidoras.

Os imigrantes e as classes trabalhadoras constituem o grande público cinematográfico.

1899

Cecil Hepworth produz os seus primeiros filmes.

O Japão produz os seus primeiros filmes.

Robert W. Paul inaugura um dos primeiros estúdios inglêses no norte de Londres.

Auguste Baron trabalha no seu sistema sonoro, mas não encontra grande receptividade.

História do Cinema: 1900 - 1909

Os nickelodeons

À entrada do novo século, o cinema era uma das mais baratas formas de entretenimento destinada apenas às classes trabalhadoras. No entanto, uma greve de artistas de teatro obrigou os donos de teatro a procurarem formas alternativas de entretenimento encontrando nas "imagens em movimento" uma boa opção. Ao mesmo tempo os nickelodeons proliferavam nas cidades, sendo frequentados essencialmente por trabalhadores emigrantes.

Com o passar dos anos, o cinema deixa de ser visto como algo menor e começa a atrair a atenção das classes mais altas. Para isso muito contribuíram os filmes de Edwin S. Porter, nomeadamente The Life of an American Fireman e o épico The Great Train Robbery. Com uma duração inédita de 12 minutos, The Great Train Robbery utilizava algumas técnicas narrativas que viriam a ser desenvolvidas posteriormente ao longo dos anos, o que possibilitou captar um tipo de público diferente do habitual.

Na Europa, a empresa francesa Film d’Art começa a produzir conhecidas adaptações literárias protagonizadas por consagrados actores de teatro, o que levou a um aumento da produção de filmes cada vez mais longos e vendidos a preços mais altos. Dois bons exemplos são La Reine Elisabeth e The Birth of a Nation. França e Nova Iorque eram os grandes centros de produção cinematográfica, sendo as francesas Gaumont e Pathé, as maiores produtoras cinematográficas do mundo. No outro lado do atlântico, as maiores produtoras eram a Biograph, a Edison e a Vitagraph, cujo negócio tinha por base a venda de filmes a metro e de equipamento de projecção aos exibidores.

O final da década viu também o fim de uma luta entre várias empresas pelas patentes de equipamento cinematográfico e, em 1908, é criada a Motion Pictures Patents Company, conhecida como Fundo Edison. Esta empresa controlava a distribuição, produção e exibição cinematográfica e obrigava produtores e exibidores a comprarem material aprovado pelo Fundo, controlando, em monopólio, a industria cinematográfica americana.

À medida que as salas de cinema proliferavam, também a tecnologia se desenvolvia, nomeadamente a nível da projecção, tendo-se desenvolvido um conjunto de processos que perduram até hoje.

Nos Estados Unidos do final de década, os nickelodeons estavam no seu auge, sendo vistos milhões de pessoas diáriamente. Mas brevemente seriam substituído por verdadeiras salas de cinema, uma vez que os grandes estúdios de Hollywood, estavam prestes a nascer.

1900

Filmagens da vida real dominam a exibição de filmes.

Os irmãos Lumiere produzem mais de 2000 filmes, na sua maioria actividades do dia à dia e histórias de acção.

Em França, Léon Gaumont demosntra a sincronização de imagens e som.

1901

A francesa Pathé é o maior estúdio do mundo. A Finlândia assiste à inauguração da primeira sala de cinema do país.

1902

Georges Méliers realiza o primeiro filme de animação (L’ Homme à La Tête en Caoutchouc) e o primeiro onde utiliza efeitos especiais (Le Voyage dans la Lune).

1903

No seu filme Life of an American Fireman, Edwin S. Porter utiliza técnicas de montagem inovadoras para construir tensão dramática, assim como planos de ligação e de aproximação.

Porter realiza The Great Train Robbery, o primeiro western da história do cinema.

Abre a primeira sala de cinema do Japão.

Peter Elfelt realiza o primeiro filme de ficção dinamarquês, Henrettelsen.

1904

A empresa francesa Pathé abre o seu primeiro estúdio em Nova Iorque.

Copenhaga recebe a primeira sala de cinema da Dinamarca.

1905

O filme de 35mm a 16 fotogramas por segundo, desenvolvido pelos irmãos Lumiere, torna-se a regra na industria cinematográfica.

Durante os próximos anos, a francesa Gaumont domina a industria cinematográfica, quer em quantidade de filmes produzidos, quer reputação.

A produção japonesa aumenta com o inicio da guerra entre o Japão e a Rússia.

Abre, em Londres, a primeira sala de cinema construída de raiz.

Itália produz a sua primeira longa-metragem.

1906

James Stuart Blackton realiza o primeiro filme de animação: Humorous Phases of a Funny Face.

A Islândia inaugura a sua primeira sala de cinema.

O filme australiano The Story of the Kelly Gang é a primeira longa metragem da história do cinema, com pouco mais de uma hora de duração.

Em Inglaterra, G.A.Smith regista o sistema de cor, Kinemacolor.

O inventor sueco Sven Berglund trabalha num sistema de gravação de som em película, através de um processo óptico.

1907

A audiência dos nickelodeon ultrapassa os 2 milhões e os filmes são acusados pela Igreja e pela imprensa de incentivarem a violência.

Os filmes britânicos, que até aqui tinham bastante aceitação internacional começam a diminuir de importância devido ao aumento da industria americana.

A Finlândia produz o seu primeiro filme (Salavinanpolttajat).

1908

É criada a Motion Pictures Patents Company para administrar a produção e distribuição cinematográfica e que tem como objectivo alargar o cinema às classes mais abastadas da sociedade.

D. W. Griffith é contratado pela Biograph e realiza o seu primeiro filme, The Adventures of Dollie.

A Noruega produz o seu primeiro filme de ficção (Fiskerlivets Farer: Et Drama po Havet).

O Japão assiste à inauguração do primeiro estúdio do país.

Vladimir Romashkov realiza o primeiro filme russo (Stenka Razin).

Mario Gallo realiza El Fusilamiento de Dorrego, o primeiro filme argentino com actores profissionais.

O realizador português António Leal realiza, no Brasil, Os Estranguladores e Os Guaranis.

Os primeiros filmes a cores são exibidos em Londres.

1909

Carl Laemmle funda o primeiro estúdio independente da Motion Picture Patents Company (MPPC). Outros produtores independentes rejeitam as regras da MPPC e começam a rodar os seus filmes na California, tornando esta no grande centro cinematográfico dos Estados Unidos.

O estado de Nova Iorque estabelece uma comissão de censura.

É criada em Paris a Société du Film d’Art para produzir filmes de melhor qualidade que atraem as classes mais altas.

O governo inglês cria legislação para regulamentar a actividade cinematográfica.

O escritor irlandês James Joyce abre a primeira sala de cinema em Dublin.

História do Cinema: 1910 - 1919

O início da industria cinematográfica e a influência da I Grande Guerra

Depois de nos primeiros anos ser visto como uma novidade, o cinema começa a desenvolver-se e as transformações que ocorrem durante a década de 1910 são os primeiros sinais de uma indústria que viria a marcar intensamente o século XX.

A cada vez maior aceitação do cinema pelo público leva ao surgimento de produtoras independentes, que tentam romper com a Motion Pictures Patents Corporation (MPPC) e a sua hegemonia no mercado de nickelodeons. As novas produtoras, entre elas a Independent Motion Pictures (IMP) e a Famous Players - Lasky Corporation, apostam em longas-metragens (em contra ponto com os pequenos filmes da MPPC) que aliam inovações tecnológicas ao espectáculo. Um dos realizadores que mais se destaca neste período é D.W.Griffith que realiza, em 1915, um dos filmes mais marcantes da história do cinema: O Nascimento de uma Nação.

Numa jogada inédita, o produtor Carl Laemmle "rouba", em 1910, a actriz Florence Lawrence à Biograph (onde era conhecida apenas como a "rapariga Biograph") e com a ajuda de campanhas publicitárias transforma-a na estrela da IMP. Outros seguiram os seus passos e nomes como Charlie Chaplin, Mary Pickford e Roscoe Arbuckle, tornam-se verdadeiras estrelas de cinema.

De França e Inglaterra chegam longas-metragens como La Dame aux Camélias (1911), Henry VIII (1911) e Hamlet (1913) que encontram uma grande receptividade junto de uma classe média cada vez mais receptiva à sétima arte, que deixa de ser uma mera forma de entretenimento para as classes trabalhadoras. Devido a estes acontecimentos, os nickelodeons entram em declínio e com eles a MPPC.

A década fica marcada pela I Grande Guerra Mundial, que inevitavelmente influenciou também a sétima arte. Se até ai o mercado mundial era dominado pelas produções francesas e americanas, com o início do conflito os filmes americanos começam a ganhar terreno devido à redução da produção europeia (com excepção da Suécia, cuja neutralidade permitiu manter uma regular produção cinematográfica).

Pelo final da década, e do conflito armado, a indústria cinematográfica era muito diferente da do início da década: os nickelodeons já praticamente não existiam, substituídos por salas de cinema e actores e realizadores eram agora figuras públicas com uma palavra a dizer no seu trabalho. Reflexo disso mesmo é a criação, em 1919, da distribuidora United Artists por Charlie Chaplin, Mary Pickford, D.W. Griffith e Douglas Fairbanks.

O final da década evidenciava já o que viria a acontecer nas décadas seguintes: o crescimento de Hollywood e o seu domínio na industria cinematográfica mundial.

1910

A MPPC tenta controlar a distribuição cinematográfica mas enfrenta a oposição de produtores independentes como Carl Laemmle e William Fox.

A MPPC tenta limitar a exibição de filmes estrangeiros nos Estados Unidos.

D.W. Griffith compra, pela primeira vez na história do cinema, os direitos cinematográficos de uma obra de ficção (Ramona).

A França, Itália e a Dinamarca são os principais exportadores de filmes para os Estados Unidos.

As primeiras salas de cinema começam a surgir na Alemanha.

Até 1913, a produção da empresa Dinamarquesa Nordisk Film é reconhecida internacionalmente.

1911

O público contesta a distribuição dos filmes de D. W. Griffith em várias partes e a Biograph decide distribui-los por inteiro.

As comédias deixam de dominar a produção cinematográfica, assistindo-se ao proliferar de outros géneros: dramas, westerns e recriações históricas.

A Nestor Company é o primeiro estúdio a iniciar actividade na Califórnia.

Na Europa, os filmes têm uma duração superior a 15 minutos e as suas histórias são cada vez mais complexas.

Indústria britânica começa a perder terreno para produção francesa e americana.

O estado da Pennsylvania, nos Estados Unidos, cria um comité de censura.

1912

Adolph Zukor funda a Famous Players e Carl Laemmle cria a Universal Film Manufacturing, que mais tarde viria dar origem à Universal Pictures.

O estúdio Keystone Comedy distribui o seu primeiro filme, tornando-se no estúdio dominante durante década.

Francis X. Bushman e Beverly Bayne tornam-se no primeiro par romântico da história do cinema.

O governo americano e o distribuidor William Fox processam o Fundo Edison e a MPPC por práticas ilegais.

No Japão, vários estúdios tentam controlar o mercado, criando a empresa Nippon Katsudoshashin.

1913

A cidade de Nova Iorque cria legislação para regulamentar as salas de cinema, dando origem ao primeiro "palácio" cinematográfico em 1914.

A produção italiana de 8 bobines Quo Vadis, é um sucesso internacional, sendo exibido em Nova Iorque durante meses, custando, cada entrada, o preço record de $1,50 dólares.

O realizador Cecil B. de Mille aluga um celeiro em Hollywood para o seu filme The Squaw Man; mais tarde viria a ser o local da Paramount Pictures.

A Edison Company demonstra em Nova Iorque o filme sonoro, mas o sistema não funciona correctamente.

1914

A personagem "O Vagabundo" de Charlie Chaplin surge pela primeira vez no filme Kid Auto Races at Venice.

Chaplin começa a realizar os seus próprios filmes.

Os filmes de animação tornam-se populares, surgindo personagens como "Gertie, o Dinaussauro" e " Felix, o Gato".

A primeira grande sala de cinema abre em Nova Iorque.

A Inglaterra produz os seus primeiros desenhos animados.

Durante a I Grande Guerra Mundial, os países ocupados reduzem a sua produção.

1915

A estreia do filme O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith, torna-se um acontecimento social. O filme tem a sua própria banda sonora (que se torna um êxito) e o preço do bilhete custa $2 dólares, o mesmo que uma entrada para o teatro. o filme provoca protestos anti-racistas, levando o presidente americano a condenar o filme.

A MPPC é formalmente acusada de práticas ilegais e há muito perdera o controlo da indústria para as produções de Hollywood.

1917

Na Alemanha, o governo, o Banco Nacional Alemão e investidores conservadores adquirem pequenos estúdios e criam a produtora/distribuidora UFA, que vira a torna-se no estúdio dominante no país e um dos mais importantes da Europa.

Os filmes japoneses começam a utilizar técnicas como flashbacks e planos aproximados e as mulheres começam cada vez mais a interpretar papeis femininos, quebrando a tradição de todos os papeis serem interpretados por homens.

1918

Após anos de litígios, a MPPC deixa de existir.

A Warner Bros. distribui o seu primeiro filme e a Ebony Film Corporation distribui o primeiro apenas com actores negros.

Estrelas de cinema participam no esforço de guerra, interpretando papéis em filmes de propaganda e vendendo acções de guerra.

1919

Charlie Chaplin, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith criam a United Artists para produzirem e distribuírem os seus próprios filmes.

Os estúdios começam a adquirir salas de cinema.

Oscar Micheaux, o primeiro realizador negro, realiza o seu primeiro filme (The Homesteader).

Os Estados Unidos dominam o mercado cinematográfico europeu.

Após a revolução, Lenin nacionaliza o cinema soviético, levando a que alguns realizadores emigrem para Europa e Estados Unidos.

História do Cinema: 1920 - 1929

A era do sonoro

A década de 20 é marcada pelo espírito do pós-guerra e a diversidade das produções cinematográficas são reflexo disso mesmo. Nos EUA, os talentos de Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd dominam na comédia, Cecil B. De Mille continua a realizar melodramas carregados de sensualidade e os primeiros filmes de gangsters e documentários fazem a sua aparição. Na Europa, as experiências vanguardistas de Man Ray e Luis Bunuel marcam a França do pós-guerra e a Alemanha vive, na primeira metade da década, a era de ouro do expressionismo alemão. Após anos de filmes de propaganda, o cinema soviético (controlado pelo estado) torna-se num centro criativo, cujo expoente máximo são as obras de Sergei Eisentein. Por sua vez, a Índia vive uma década extremamente produtiva, produzindo cerca de 100 filmes por ano.

Em Hollywood, as estrelas de cinema, à semelhança dos papeis que interpretam, vivem histórias pessoais rocambolescas: Rudolph Valentino, que se tornara num dos mais famosos galãs da sétima arte, morre em 1926; o comediante Fatty Arbuckle abandona a sua carreira cinematográfica devido às suspeitas de assassinato da actriz Virginia Rappe; em 1918, as salas de cinema recusam-se a exibir os filmes de Francis X. Bushman, quando se tornam publicas as suas aventuras extra conjugais.

O final da década viria a ser marcada por um dos mais importantes acontecimentos da história do cinema: a exibição do primeiro filme sonoro. Muito embora as experiências de Thomas Edison, foi a pequena empresa Vitaphone (criada pela Warner Bros. e pela Wester Electric) a desenvolver um sistema eficaz e a produzir as primeiras curtas-metragens sonoras em 1926 e um ano mais tarde a primeira longa-metragem sonora: The Jazz Singer, realizada por Alan Crosland e interpretação de Al Jolson.

Os filmes sonoros foram um sucesso imediato e por volta do final da década, perto de metade das salas de cinema americanas estavam preparadas para exibir filmes sonoros. Muito embora o seu sucesso, o sonoro levou à ruína de alguns actores: uns não tinham a voz mais indicada para o novo registo cinematográfico, outros, como Mary Pickford, não conseguiram fugir à imagem que construíram durante a era do mudo e retiraram-se.

A década não terminaria sem mais um acontecimento importante e que iria influenciar a economia mundial, incluindo a indústria cinematográfica: a queda da bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1929 e o início da depressão económica.

1920

Executivos de Hollywood e políticos criam o Comité de Americanização para encorajar o sentimento patriótico em filmes.

Existem cerca de 20.000 salas de cinema a operar nos EUA.

Produtores independentes americanos tentam controlar a distribuição de filmes através da aquisição de novas salas de cinema.

A exibição do filme Das Kabinett des Doktor Caligari dá inicio ao período do expressionismo alemão, que teve como maiores exemplos os realizadores F.W.Murnau, Robert Wiene e Fritz Lang.

No Brasil, são exibidos pela primeira vez filmes com som sincronizado, utilizando um disco que tocava ao mesmo tempo que era exibido o filme.

A Polónia assiste à construção do primeiro estúdio cinematográfico do país em Varsóvia.

1921

O estúdio estatal Alemão UFA assina um acordo com a Famous Players-Lasky Corporation para a exibição dos seus filmes nos EUA.

Durante a década muitos dos actores e realizadores suecos emigram para os EUA, tais como Greta Garbo, Mauritz Stiller e Victor Sjorstrom.

1922

Toll of the Sea é a primeira longa-metragem a ser filmada no sistema de duas cores da Technicolor.

O explorador Robert Flaherty realiza o primeiro documentário do mundo, Nanook of the North, sobre o dia a dia de uma família de esquimós.

Em Itália, a produção nacional diminui devido à invasão de filmes americanos e alemães.

A China cria a primeira produtora do país, controlada pelo Estado.

1923

A exibição do filme The Covered Wagon populariza os filmes de cowboys.

O filme de Cecil B. De Mille The Ten Commandments orçado em $1 milhão de dólares torna-se num enorme sucesso de bilheteira.

A Eastman Kodak introduz no mercado a película de 16 milímetros, destinada a amadores, mas o formato torna-se popular nos mercados industrial e educacional.

As cidades japonesas de Tóquio e Yokohama são atingidas por um terramoto, destruindo a maioria dos estúdios e salas de cinema do país que ai se concentravam.

Um promotor imobiliário constrói a palavra Hollywoodland nas colinas de Los Angeles; mais tarde a palavra é encurtada, ficando como um dos mais lendários símbolos da sétima arte.

Durante os 10 anos seguintes, o Japão tem uma das mais produtivas cinematografias mundiais.

O estado soviético cria a unidade criativa Proletino para produzir filmes politicos.

1924

Algumas salas de cinema nos EUA começam a programar secções duplas.

São criados os estúdios Gainsborough, em Inglaterra, onde Alfred Hitchcock viria a realizar os seus primeiros filmes.

Começa a nascer a Poverty Row, uma zona de Hollywood onde ficam instalados os escritórios de pequenas produtoras, entre elas a Columbia Pictures.

A Metro-Goldwyn Pictures é criada a partir da fusão entre a Metro Pictures, Goldwyn Pictures e a Louis B. Mayer Productions.

A produtora Famous Players-Lasky começa a ser ofuscada pela sua distribuidora Paramount, que ganha cada vez mais poder com as salas de cinema que vai adquirindo.

1925

Os dinossauros fazem a sua primeira aparição nos ecrãs de cinema no filme The Lost World, cujos efeitos especiais são criados por Willis O’Brien, que mais tarde seria o responsavél pelos efeitos do filme King Kong.

Por causa de um concurso de uma revista de cinema, a Metro-Goldwyn-Mayer muda o nome da actriz Lucille Le Seur para Joan Crawford.

A jornalista Louella Parsons inicia a sua famosa coluna de opinião.

A Warner Bros. lança uma estação de radio, adquire a empresa Vitagraph e junta-se à Western Electric para desenvolver um sistema de som para filmes.

O Couraçado de Potemkin, o realizador Sergei Eisenstein introduz a técnica da montagem.

A produção cinematográfica checa reacende-se e ganha fama internacional.

1926

O actor Rudolph Valentino morre com um cancro, provocando uma intensa reacção dos seus admiradores durante o seu funeral.

Don Juan é o primeiro filme a utilizar o sistema sonoro Vitaphone, apenas com efeitos sonoros e música.

1927

A 6 de outubro estreia o primeiro filme sonoro (The Jazz Singer), interpretado por Al Jolson; a reacção do público é extremamente positiva.

É criada, nos EUA, a Academia das Artes e Ciências das Imagens em Movimento, que atribuirá em 1929 os primeiros prémios de excelência, conhecidos por Óscares.

O realizador Frank Capra é contratado pela Columbia Pictures, sendo de extrema importância na ascensão da produtora como um dos principais estúdios de Hollywood.

Em Hollywood, é inaugurada a famosa sala de cinema The Chinise Theater e em Nova Iorque abre a maior sala de cinema com 6.214 lugares.

Os estúdios de Hollywood impõem regras de conduta a si próprios a proibir a exibição de escravatura branca, romance inter-racial e o uso de drogas.

A Famous Players-Lasky Company torna-se nos estúdios Paramount.

O Egipto produz a sua primeira longa-metragem (Laila).

A produção cinematográfica norueguesa ganha reconhecimento com o filme Troll-elgen.

1928

A Warner Bros. estreia o primeiro filme totalmente sonoro e é responsável por todos os filmes sonoros produzidos neste ano (10).

Utilizando um sistema de som melhorado, Walt Disney e Ub Iwerks produzem o cartoon Steamboat Willie, dando a conhecer a personagem do Rato Mickey, à qual Disney fornece a sua própria voz.

Com a estreia do seu primeiro filme sonoro (Loves of an Actress), a actriz Pola Negri é forçada a reformar-se por que o seu sotaque polaco não é perceptível pelo público.

A Paramount anuncia que a partir de 1928 apenas produz filmes sonoros.

Pela primeira vez é utilizado um trailer com som para anúnciar o filme Tenderloin.

É criado o estúdio RKO Radio Pictures.

Estreia em Paris o filme Um Cão Andaluz de Luis Bunuel com uma boa aceitação do público, muito embora as suas imagens perturbantes.

Os realizadores soviéticos Eisenstein, Alexandrov e Pudokin apresentam a teoria sobre o cinema sonoro "O Futuro do Filme Sonoro".

O governo soviético critica o realizador Eisenstein pelo seu filme Oktyabr e decide que os filmes soviéticos devem ser realizados de modo a serem percebidos pelas massas.

1929

A Academia das Artes e Ciências Cinematográficas realiza a primeira cerimónia de entrega dos Óscares.

Os Irmãos Marx estreiam o seu primeiro filme, The Cocoanuts, e King Vidor realiza o primeiro filme sonoro apenas com actores negros.

A Warner Bros. adquire várias editoras de música, com o objectivo de utilizar as músicas nos seus filmes.

On With the Show, da Warner, é o primeiro musical sonoro a cores.

No final da década, vários países europeus, entre eles a Inglaterra, França, Austria e Hungria, impõem quotas à importação de filmes estrangeiros.

A legislação italiana obriga a que todos os filmes sejam exibidos em italiano.

O número de espectadores triplica em França entre o fim da I Guerra Mundial e 1929.

Alfred Hitchcock realiza Chantagem, o primeiro filme sonoro inglês.

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