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História do Papel

Nos primórdios de sua história, o ser humano registrava suas atividades gravando símbolos, desenhos e palavras em pedras ou em metais. Isso fez com que, ao contrário da tradição oral, a comunicação gráfica dos registros não se extinguisse com o tempo.

O papel também vem sendo utilizado para contar a história da humanidade. Tem como origem mais remota o papiro – planta nativa dos pântanos egípcios, que provavelmente começou a ser utilizada para gravações três milênios antes de Cristo.

Tal como é conhecido hoje, o papel remonta à China do século II. Sua invenção foi anunciada ao Imperador Ho Ti pelo oficial da corte Cai Lun (Ts’ai Lun), no ano 150. Desde então, o invento influencia a vida de bilhões de pessoas desde aquela época.

História do Papel

Por mais de 600 anos, os chineses mantiveram sigilo sobre o primeiro sistema de fabricação de papel, que usava fibras de árvores e trapos de tecidos cozidos e esmagados. A massa resultante era espalhada sobre uma peneira com moldura de bambu e um pano esticado e submetida ao sol para um processo natural de secagem.

O segredo foi desvendado no ano 751, quando o exército árabe atacou a cidade de Samarcanda, dominada pelo império chinês naquela época. Técnicos de uma fábrica de papel foram presos e levados para Bagdá, onde se começou a fabricar papel, também sem se revelar a técnica. Até que, no século XI, a novidade foi introduzida pelos árabes na Espanha e espalhou-se pelo Ocidente.

Salto importante foi dado por Johannes Gutenberg, em 1440, ao inventar a imprensa e tornar os livros acessíveis ao grande público, o que demandou quantidades maiores de papel.

Durante boa parte de sua história, o papel foi fabricado mão. Em meados do século XVII, os holandeses começaram a aplicar a força hidráulica para mover grandes pedras que, movidas umas contra as outras, melhor preparavam as fibras para a produção de papel. Chamados de “holandesas”, esses moinhos são utilizados até hoje.

A primeira máquina para fazer papel foi inventada na França por Nicholas-Louis Robert em 1799. Pouco tempo depois, os irmãos Fourdrinier apresentaram o método de produção contínua de papel, aperfeiçoado na Inglaterra.

A tecnologia foi aprimorada ao longo do tempo. Na segunda metade do século XIX, quando a madeira substituiu trapos na produção de papel, as máquinas “Fourdrinier” ganharam mudanças importantes.

Os avanços na composição química do papel transformaram a sua fabricação, que ganhou escala industrial. As máquinas se modernizaram e atingiram alto grau de automação e produtividade.

No Brasil, o papel começou a ser fabricado em 1809, no Rio de Janeiro. E chegou a São Paulo com o desenvolvimento industrial proporcionado pela vinda de imigrantes europeus para trabalhar na cultura do café. Em sua bagagem, eles trouxeram conhecimento sobre o processo de produção de papel.

Hoje, vários Estados brasileiros produzem diferentes tipos de papel: papelcartão, de embalagens, de imprimir e escrever, de imprensa e para fins sanitários, além dos especiais.

Papel

História do Papel

O papel é um dos produtos mais consumidos no mundo e, há séculos, faz parte do cotidiano da humanidade. Como meio básico de educação, comunicação e informação para a maioria das pessoas, compõe livros, jornais, revistas, documentos e cartas e, assim, contribui para a transmissão do conhecimento.

Serve, também, a um amplo espectro de usos comerciais e residenciais, a exemplo das caixas para transporte de mercadorias, das embalagens que protegem alimentos e centenas de outros produtos, das folhas para impressão por computadores a uma variedade de produtos para higiene e limpeza.

No rastro dos avanços tecnológicos, as aplicações se diversificam para tornar mais fácil, ágil e produtiva a vida dos consumidores e das empresas, governos e instituições.

Para suprir essa necessidade, é primordial a produção e consumo do papel dentro de padrões sustentáveis, um desafio para o qual a indústria está atenta, inova, investe e vem obtendo resultados positivos.

É importante ressaltar que o papel produzido no Brasil tem origem nas florestas plantadas, um recurso renovável. Além disso, o papel é reciclável, ou seja, grande parte retorna ao ciclo produtivo após o consumo. Além dessas vantagens, a indústria avança com melhorias contínuas para uma produção mais limpa e de menor impacto.

O Brasil é um importante produtor mundial de papel e, além de abastecer o mercado doméstico, exporta produtos principalmente para países da América Latina, União Europeia e América do Norte.

Tipos e aplicações

Papéis para imprimir e escrever

História do Papel

Os primeiros papéis que surgiram na história tiveram a finalidade de servir à escrita. Com o desenvolvimento dos métodos de reprodução, passaram a ser úteis para disseminar idéias.

A tecnologia refinou seus usos e, hoje, estão classificados em diferentes categorias: papel imprensa para jornal, papéis revestidos e não-revestidos para livros, revistas e outras publicações; e papel para escrita e reprodução.

Dependendo da aplicação, esses papéis necessitam de determinadas características, como resistência a dobras, água, luz e calor. Ou, então, precisam de rigidez flexão ou de permeabilidade a graxas e vapor d’água, entre outros pontos.

Os principais tipos são:

Papel Offset. Papel de impressão, com ou sem revestimento. Tem boa colagem interna e superficial e gramatura específica para o processo Offset, que exige elevada rigidez e resistência, inclusive à água e à umidade.

Papel couché. Indicado para trabalhos de alta qualidade gráfica, como rótulos de embalagens, revistas, folhetos e encartes. É produzido, normalmente, a partir do papel de imprimir, mediante a aplicação de tinta, podendo receber acabamento brilhante ou texturizado.

Papel jornal ou papel imprensa. Destina-se à impressão de jornais, periódicos, revistas, listas telefônicas, suplementos e encartes promocionais.

Papel LWC. É o mais usado na produção catálogos e revistas.

Papel monolúcido. Sua principal utilidade é na impressão de sacolas, rótulos, etiquetas e laminados.

Papel apergaminhado. Indicado para escrever. Opaco e liso por igual na duas faces, é usado normalmente para correspondências e para produzir cadernos escolares, envelopes e folhas almaço.

Papel “super bond”. Semelhante ao apergaminhado, mas em cores.

Cartolina para impressos. Usado para impressos, pastas para arquivos e cartões de visita.

Papéis para embalagens

História do Papel

São papéis que protegem e acondicionam produtos. Moldados principalmente como caixas ou sacos, apresentam grande diversidade – tanto para embalagens leves como pesadas. Permitem o uso de fibra reciclada na sua produção e têm a boa resistência como uma de suas características básicas.

Esses papéis compõem embalagens para uma variada gama de produtos, de remédios a gêneros alimentícios, inclusive bebidas e congelados. Servem também para outros usos, como forração de paredes ou produção de envelopes.

A impermeabilidade e outras características exigidas para contato direto com alimentos e outros produtos são definidas pelos processos de tratamento industrial do papel e pela sua combinação com outros materiais, como plásticos e metais.

Os principais tipos são:

Para Papelão Ondulado - Papel de embalagem, usado na fabricação de chapas e caixas.

É classificado em:

Miolo (Fluting) – Papel ondulado, utilizado no miolo da chapa de papelão.

Capa de 1ª (Kraftliner) - Papel fabricado com grande participação de fibras virgens, atendendo às especificações de resistência necessárias para constituir a capa ou forro das caixas de papelão ondulado.

Capa de 2ª (Testliner) - Papel semelhante ao Capa de 1ª, porém com propriedades inferiores, conseqüentes da utilização de matérias-primas recicladas em alta proporção.

White Top Liner - Papel branco fabricado com grande participação de fibras virgens, atendendo as especificações de resistência requeridas para constituir parte das caixas de papelão ondulado.

Papel Kraft -Papel de embalagem, cuja característica principal é sua resistência mecânica.

É classificado em:

Kraft Natural para Sacos Multifolhados - Papel fabricado essencialmente a partir de fibra longa. Altamente resistente ao rasgo e com boa resistência ao estouro, é usado essencialmente para sacos e embalagens industriais de grande porte.

Kraft Extensível - Fabricado essencialmente a partir de fibra longa. Altamente resistente ao rasgo e à energia absorvida na tração, é usado para embalagem de sacos de papel.

Kraft Natural ou em Cores para Outros Fins - Fabricado essencialmente a partir de fibra longa, monolúcido ou alisado, com características de resistência similar ao Kraft Natural para Sacos Multifolhados, é usado para a fabricação de sacos de pequeno porte, sacolas e para embalagens em geral.

Kraft Branco ou em Cores - Fabricado essencialmente a partir de fibra longa, monolúcido ou alisado, é usado como folha externa em sacos multifolhados, sacos de açúcar e farinha, sacolas e, dependendo da gramatura, para embalagens individuais de balas, bombons, etc.

Tipo Kraft de 1ª - Papel de embalagem, semelhante ao Kraft Natural ou em Cores, porém com menor resistência que este, monolúcido ou não, é usado geralmente para saquinhos, etc.

Tipo Kraft de 2ª - Papel semelhante ao Tipo Kraft de 1ª, porém com resistência inferior, é usado para embrulhos e embalagens em geral.

Para embalagens leves

É classificado em:

Estiva e Maculatura - Papel fabricado essencialmente com aparas, em cor natural, acinzentada, é usado para embrulhos que não requerem apresentação, tubetes e conicais.

Seda - Papel de embalagem, branco ou em cores é usado para embalagens leves, embrulhos de objetos artísticos, intercalação, enfeites, proteção de frutas, etc.

Papel glassine, cristal ou pergaminho - Tem como principal característica a transparência, obtida mediante elevado grau de refino no processo produtivo. É usado em embalagens de alimentos, como proteção de frutas nas árvores e papel auto-adesivo.

Papel greaseproof - Translúcido, possui elevada impermeabilidade s gorduras e, por isso, compõe embalagem para produtos gordurosos.

Papelcartão

Encorpado, rígido, com mais de uma camada e gramatura superior, é muito utilizado na confecção de embalagens.

Os principais tipos são:

Papelcartão duplex. É formado por duas camadas com cores ou composição diferentes. Além da rigidez para compor embalagens e caixas, tem elevada resistência superficial, espessura uniforme e absorção de água e tinta compatíveis com a impressão offset.

Papelcartão triplex. Tem três ou mais camadas, com características semelhantes ao papelcartão-duplex. É usado em embalagens de chocolates, cosméticos, medicamentos, fast foods e bebidas.

Cartão sólido. Com diferentes camadas brancas, compõe embalagens de cosméticos, medicamentos, produtos de higiene pessoal, capas de livro, cartões-postais e cigarros.

Cartolina branca e colorida. Com uma ou mais camadas, têm variados usos: pastas para arquivos, calendário, etiquetas, encartes escolares, cartões de ponto, capas de livros e cadernos, etc.

Papelão. Tem elevada gramatura e rigidez. Trata-se de um cartão fabricado em várias camadas, com utilidade diversa, das caixas à encadernação de livros.

Polpa moldada. Obtida a partir da desagregação ou separação das fibras de aparas, principalmente de jornal. As fibras são misturadas com água e produtos químicos para formar uma massa com a qual são fabricados produtos como bandejas para transporte e proteção de hortifrutigranjeiros, ovos, calços para lâmpadas, celulares, geladeiras e fogões.

Papéis para fins sanitários

História do Papel

Também chamados de papéis tissue, compõem folhas ou rolos de baixa gramatura, usados para higiene pessoal e limpeza doméstica, como papel higiênico, lenços, papel-toalha e guardanapos. Além das fibras virgens, eles têm como característica de sua composição o uso de aparas recicladas de boa qualidade.

Os principais tipos são:

Papel higiênico. Usado especificamente em toaletes, pode ter uma ou mais folhas e diferentes graus de maciez.

Guardanapo. Pode incluir aparas tratadas quimicamente. Textura e absorção são alguns de seus atributos.

Toalhas de mão. Tem uso normalmente comercial, consumido em rolos ou folhas intercaladas.

Toalhas de cozinha. Destinadas ao consumo residencial para limpeza em geral, como de pias e fogão.

Lenços. Podem utilizar aparas de boa qualidade tratadas quimicamente e têm menor gramatura, sendo úteis para limpeza facial.

Papéis especiais

História do Papel

Do papel-moeda aos filtros de café e autocopiativos, são múltiplos os exemplos de papéis com finalidades especiais, presentes na rotina dos consumidores.

Papéis auto-adesivos. Recobertos por adesivo à base de resinas e gomas sintéticas, aderem à superfície com a qual entram em contato. Compõem etiquetas e fitas adesivas para fechar embalagens.

Papéis decorativos. São úteis para revestimento de chapas de madeira ou compensados, também com aplicação em móveis e pisos.

Papéis metalizados. Recebem revestimento metálico para fins industriais.

Papel absorvente base para laminados. Com alta absorção, é utilizado para o manuseio de resinas sintéticas na fabricação de laminados plásticos.

Papel autocopiativo. Produzem cópias duplicadas em blocos sem a necessidade de papel carbono. A primeira via é revestida no verso com microcápsulas de corantes. A via intermediária contém revelador da face da frente e microcápsulas atrás. Ela registra as letras, transmitindo-as para a próxima folha.

Papéis crepados. Por ser crepado, tem maior elasticidade e maciez, características importantes para o uso como base para germinação de sementes, fitas adesivas e reforço de costura em sacos multifoliados.

Papel de segurança. Destina-se à impressão de selos, papel-moeda, tickets, ingressos, passes escolares e documentos que exigem proteção contra fraudes. Os principais recursos de segurança incluem ausência de fluorescência, microcápsulas e fios visíveis a olho nu ou sob luz UV (ultravioleta), proteção química e filigranas que mudam de cor quando reagem com tinha de carimbo ou caneta, além de pigmentos imunes à reprodução por scanners, entre outros.

Papel filtrante. Fabricado geralmente com pasta química, tem uso em diferentes processos industriais de filtração.

Papel Kraft especial para cabos elétricos. É confeccionado sem metais e outros materiais condutores de eletricidade, tendo elevada resistência mecânica e elétrica.

Papel Kraft especial para condensadores. Isento de cloretos solúveis, tem porosidade e pureza química específicas para uso em condensadores.

Papel Kraft especial para fios telefônicos. Natural ou nas cores verde, azul e vermelho, apresenta elevada resistência mecânica, é usado nos fios condutores de cabos telefônicos.

Processo Produtivo

História do Papel

A matéria-prima básica da indústria papeleira é a celulose, obtida pelo beneficiamento da madeira e, também, de aparas de papel geradas durante o processo industrial ou recuperadas após o consumo dos produtos, além de outros materiais fibrosos.

Conforme o tipo de papel a ser produzido, a celulose é submetida a tratamentos especiais antes de ser processada na fábrica de papel. Quando se destina à escrita, por exemplo, precisa ter um padrão capaz de conferir folha uma característica absorvente e áspera na medida certa para o uso de caneta e lápis. No caso das embalagens, os principais objetivos são rigidez e resistência.

A celulose chega à fábrica de papel em placas. Depois, é misturada à água em equipamentos chamados hidrapulper – semelhantes a liquidificadores gigantes – para a formação de uma massa.

Essa massa, antes de seguir para a máquina de papel, pode sofrer transformações, como tingimento, adição de colas e outros produtos que vão conferir características especiais ao papel. Pode também passar por processos que quebram as fibras em pedaços ainda menores, visando maior aderência, uniformidade e resistência da folha.

Quando chega à máquina de papel, a massa de celulose é submetida a duas etapas: uma úmida e outra seca.

Na primeira delas, é formada a folha de papel: sobre uma tela, as fibras de celulose são separadas da água, resultando em uma espécie de tecido com pequenos fios trançados. Na segunda, a folha percorre um sistema de cilindros altamente aquecidos por vapor, para uma secagem complementar.

No final dessa etapa, o papel recebe tratamentos para atingir determinados padrões, conforme o seu uso. O método mais utilizado é a calandragem, na qual o material é submetido a um sistema de rolos que intensifica as características de lisura e brilho do produto final.

Por fim, o papel é enrolado em bobinas, pronto para ser utilizado em suas diversas aplicações.

Processo limpo – Além do tratamento de efluentes, a maioria das fábricas reutiliza a água e as fibras que sobram após o beneficiamento industrial. Para abastecimento de energia, é crescente o uso de biomassa, como restos de madeira e outros resíduos gerados na produção de celulose.

Fonte: www.bracelpa.org.br

História do Papel

História do Papel no Brasil e no Mundo

HISTÓRIA DO PAPEL NO MUNDO

Antes da criação do papel, o material mais utilizado para escrita, foi o pergaminho, feito com peles de animais. Os antigos egípcios utilizavam, o talo do papiro. Sua fabricação era penosa e rudimentar; a medula do talo era cortada em tiras que eram colocadas transversalmente, umas sobre as outras, formando camadas que eram batidas com pesadas marretas de madeira, resultando numa espessura uniforme e produzindo um suco que impregnava e colava as tiras entre si.

O PAPEL

Oficialmente, foi fabricado pela primeira vez na China, no ano de 105, por Ts”Ai Lun que fragmentou em uma tina com água, cascas de amoreira, pedaços de bambu, rami, redes de pescar, roupas usadas e cal para ajudar no desfibramento.

Na pasta formada, submergiu uma forma de madeira revestida por um fino tecido de seda – a forma manual – como seria conhecida. Esta forma coberta de pasta era retirada da tina e com a água escorrendo, deixava sobre a tela uma fina folha que era removida e estendida sobre uma mesa.

Esta operação era repetida e as novas folhas eram colocadas sobre as anteriores, separadas por algum material; as folhas então eram prensadas para perder mais água e posteriormente colocadas uma a uma, em muros aquecidos para a secagem.

A idéia de Ts”Ai Lun, “A desintegração de fibras vegetais por fracionamento, a formação da folha retirando a pasta da tina por meio de forma manual, procedendo-se ao deságüe e posterior aquecimento para secagem”, continua válida até hoje.

SÉCULO VII A XII – A ENTRADA NA EUROPA

A ROTA DO PAPEL:

No século VIII (ano 751), os chineses foram derrotados pelos árabes. Dentre os prisioneiros que caíram nas mãos dos árabes, estavam fabricantes de papel, que levados a Samarkanda, a mais velha cidade da Ásia, transmitiram seus conhecimentos aos árabes.

A técnica de fabricar papel evoluiu em curto espaço de tempo com o uso de amido derivado da farinha de trigo, para a colagem das fibras no papel e o uso de sobras de linho, cânhamo e outras fibras encontradas com facilidade, para a preparação da pasta. A entrada na Europa foi feita pelas “caravanas” que transportavam a seda.

Melhoramentos surgidos no século X:

Uso de moinhos de martelos movidos a força hidráulica.

Emprego de cola animal para colagem.

Emprego de filigrana.

A França estabelece seu primeiro moinho de papel em 1338, na localidade de La Pielle. Assim, da Espanha e Itália, a fabricação de papel se espalhou por toda a Europa. Antes da invenção da imprensa por Gutemberg, em 1440, os livros que eram escritos à mão, tornaram-se acessíveis ao grande público, exigindo quantidades maiores de papel.

Em meados do século XVII, os holandeses haviam conseguido na Europa o progresso mais importante na tecnologia da fabricação de papel.

Diante da falta de força hidráulica na Holanda, os moinhos de papel passaram a ser acionados pela força dos ventos. Desde 1670, no lugar dos Moinhos de Martelos, passaram a ser utilizadas as Máquinas Refinadoras de Cilindros (Holandesa).

Lentamente a Holandesa foi se impondo, complementando os Moinhos de Martelo, que preparava a semipasta para obtenção da pasta refinada e mais tarde como Pila Holandesa Desfibradora que foi utilizada na Alemanha em 1710/1720.

A FABRICAÇÃO DO PAPEL – MÉTODO ANTIGO

A pasta de trapo foi o primeiro material usado para a fabricação do papel.

Os trapos eram classificados, depurados, e depois cortados em pedaços, mão; mais tarde vieram as máquinas cortadoras simples. Os trapos, exceto os de linho, eram submetidos a um processo de maceração ou de fermentação.

O processo durava, de cinco a trinta dias utilizando-se recipientes de pedra, abrandando os trapos, em água. Para os trapos finos de linho era suficiente deixá-los de molho várias horas em lixívia de potassa empregando-se por cada cem quilos de trapos, uns quatro quilos de potassa bruto. Para a obtenção de um bom papel era imprescindível a fermentação dos trapos.

OS MOINHOS DE MARTELO

Os trapos fermentados eram tratados para serem desfibrados. Em virtude desse processo ser duro e penoso, a Holandesa começou a ser usada no início do século XVII, para decompor a fibra dos trapos. Esta “máquina refinadora” fazia em quatro ou cinco horas a mesma quantidade de pasta que um antigo moinho de martelo com cinco pedras gastava vinte e quatro horas.

No ano de 1774, o químico alemão Scheele descobriu o efeito branqueador do cloro, conseguindo com isso, não só aumentar a brancura dos papéis como também, empregar como matéria-prima, trapos mais grossos e coloridos.

OS SÉCULOS XVII E XIX:

Em 1798 teve êxito a invenção, segundo a qual foi possível fabricar papel em máquina de folha contínua. Inventada pelo francês Nicolas Louis Robert que por dificuldades financeiras e técnicas não conseguiu desenvolvê-la, cedeu sua patente, aos irmãos Fourdrinier, que a obtiveram juntamente com a Maquinaria Hall, de Dartford (Inglaterra) e posteriormente com o Engº Bryan Donkin. Assim a Máquina de Papel Fourdrinier (Máquinas de Tela Plana) foi a primeira máquina de folha contínua que se tem notícia.

Depois da Máquina Fourdrinier se lançaram no mercado outros tipos de máquinas:

A máquina cilíndrica.

A máquina de partida automática.

EVOLUÇÕES MARCANTES:

Em 1806 Moritz Illig substitui a cola animal, pela resina e alúmem.

Quando a fabricação de papel ganhou corpo, o uso de matéria-prima começou a ser um sério problema: os trapos velhos passaram a ser a solução, mas com a pequena quantidade de roupa usada e com o crescente aumento do consumo de papel, os soberanos proibiram as exportações.

Em face disto, os papeleiros tiveram que dedicar suas atenções aos estudos do naturalista Jakob C. Schaeffer que pretendia fazer papel usando os mais variados materiais, tais como: musgo, urtigas, pinho, tábuas de ripa, etc.

Em seis volumes Schaeffer editou “Ensaios e Demonstrações para se fazer papel sem trapos ou uma pequena adição dos mesmos”. Infelizmente, os papeleiros da época rechaçaram os Ensaios, ao invés de propagá-los.

Na busca para substituir os trapos, Mathias Koops edita um livro em 1800, impresso em papel de palha.

Em 1884, Friedrich G. Keller fabrica pasta de fibras, utilizando madeira pelo processo de desfibramento, mas ainda junta trapos à mistura.

Mais tarde percebeu que a pasta assim obtida era formada por fibras de celulose impregnadas por outras substâncias da madeira (lignina).

Procurando separar as fibras da celulose da lignina, foram sendo descobertos vários processos:

Processo de pasta mecânica

Processo com soda

Processo sulfito

Processo sulfato (Kraft)

A introdução das novas semipastas deram um importante passo na eclosão de novos processos tecnológicos na fabricação de papel. Máquinas correndo a velocidade de 1.200m por minuto, o uso da fibra curta (eucalípto) para obtenção de celulose, a nova máquina Vertform que substituiu com vantagens a tela plana, são alguns fatos importantes.

A FABRICAÇÃO DO PAPEL – MÉTODO ATUAL

A fabricação do papel, tal como foi feita inicialmente por Ts”Ai Lun consiste essencialmente de três etapas principais, partindo-se da matéria-prima que pode ser a celulose, pasta mecânica ou reaproveitamento de papéis usados.

As três etapas são:

Preparação da Massa

Formação da folha

Secagem

Dependendo do uso que terá o papel, há uma série de tratamentos especiais antes, durante ou depois de sua fabricação.

Assim, se o papel se destina à escrita ele deve ser um pouco absorvente para que se possa escrever nele com tinta, ou um pouco áspero para o uso de lápis, mas ele não pode ser tão absorvente como um mata-borrão. Para isso, recebe um banho superficial de amido durante a secagem, além de se adicionar breu durante a preparação de massa.

Se o papel deve ser resistente a certos esforços, a celulose deverá sofrer um tratamento de moagem chamada “Refinação”.

A primeira etapa da fabricação de papel consta de:

Desfibramento para soltar as fibras numa solução de água

Depuração destinada a manter a pasta livre de impurezas

Refinação que dará as qualidades exigidas ao papel através da moagem das fibras

Na preparação da massa outras operações são levadas a efeito:

Tingimento: são colocados corantes para se obter a cor desejada.

Colagem: é a adição do breu ou de colas preparadas

Correção do pH: (acidez ou alcalinidade) normalmente a celulose está em suspensão em água alcalina, cuja alcalinidade deve ser parcial ou totalmente neutralizada com sulfato de alumínio, que também vai ajudar na colagem e tingimento.

Aditivos: colocação de outros ingredientes para melhorar a qualidade do papel

A segunda etapa da fabricação do papel é a formação da folha, feita através da suspensão das fibras de celulose em água, e que é colocada sobre uma tela metálica. A água escoa através da tela e as fibras são retiradas formando uma espécie de tecido, com os fios muito pequenos e trançados entre si.

A formação da folha poderá ser feita através de várias formas:

Manual: onde a tela é simplesmente uma peneira;

Mesas Planas: a tela metálica apóia-se sobre roletes e é estendida, para formar uma área plana horizontal. Esta tela corre com velocidade constante e recebe na parte inicial do setor plano, a suspensão das fibras, a água escoa através da tela deixando as fibras;

Cilíndrica: a tela metálica recobre um cilindro, que gira a velocidade constante em uma suspensão de fibras, a água atravessa a tela dentro do tambor e é daí retirada; as fibras aderem à tela, formando uma folha que é retirada do tambor por um feltro.

A terceira e última etapa é a secagem que é conseguida inicialmente prensando-se a folha, para retirar toda a água possível, e depois, passando a folha por cilindros de ferro aquecidos, que provocam a evaporação da água.

Feitas estas operações, o papel está pronto para uso, podendo ser cortado no formato desejado por quem for usá-lo.

BIBLIOGRAFIA

Livros: El Papel – Karl Keim
Handbook of Pulp and Paper Technology – Kenneth W. Britt
Pulp and Paper Manufacture – volume III – Mac Graw-Hill Book Company
L”Industria della Carta – volume II
Investigation y Tecnica del papel – nº 32

Fonte: Associação Brasileira de Celulose e Papel

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