
Pesquisas registraram que a história do sorvete remonta a 3.000 anos na china; uma mistura de neve com suco de frutas e mel, semelhante à que conhecemos em nossos dias como raspadinha.
Documentos da época de Confúcio revelam a existência, naquele tempo, de depósitos de neve. Outras informações apontam o grande líder Alexandre, o Grande, (356-323 A/C), como introdutor do sorvete na Europa, trazendo do Oriente, através do império que construiu unindo a Grécia com as culturas orientais, uma mistura de salada de frutas embebida em mel e resfriada em potes de barro guardados no fundo do chão com a neve do inverno.

O gelo também era estocado em profundos poços construídos pelo povo romano, que o utilizava em lojas denominadas Thermophia na antiga Roma, especializadas em vender bebidas geladas no verão e quentes no período de inverno. Atribui-se ao general Quintus Máximus Gurgeo ,o preparo da primeira receita de sorvete.
O Imperador Nero, cerca de 1900 anos atrás, mandava seus escravos às montanhas buscarem neve, que era utilizada para o congelamento do mel, polpa de frutas ou sucos. A partir dessa época não são encontradas novas menções ao sorvete. Mas, em 1292, Marco Polo retornou a Veneza, após suas viagens pela Ásia, trazendo novas e excitantes idéias, dentre elas, o macarrão e uma sobremesa congelada feita à base de leite, provavelmente o precursor do moderno sorvete.

A partir de então, o sorvete se alastrou por todo o norte da Itália, tornando-se seu preparo uma sofisticada arte. Quando o monarca Francisco I esteve em campanha na Itália, decidiu levar para seu filho, o Duque de Orleans, uma noiva, Catarina de Médicis. A ela atribui-se a introdução do sorvete na França.
A neta de Catarina de Médicis casou-se em 1630 com Carlos I da Inglaterra e segundo a tradição da avó, também introduziu o sorvete entre os ingleses.
Os colonizadores ingleses levaram então o sorvete para os Estados Unidos. Os norte-americanos apreciaram muito o novo alimento e, hoje, os Estados Unidos são o principal produtor e maior consumidor de sorvetes no mundo.
Dois momentos marcaram o desenvolvimento do sorvete nos Estados Unidos e, consequentemente, no mundo: o primeiro em 1851, quando o leiteiro chamado Jacob Fussel abre em Baltimore a primeira fábrica de sorvetes, produzindo em maior escala e sendo também seguido pôr outros em Washington, Boston e New York; e o segundo com a invenção, entre 1870 e 1900, da refrigeração mecânica, permitindo a produção de gelo independente do processo natural. É a partir do século XIX, portanto, que temos a terceira e derradeira fase da história do sorvete, com duas características principais: a popularização do consumo na Europa a partir dos cafés e sorveterias e, de fundamental importância industrial apoiada no processo de refrigeração mecânica, iniciada na Segunda metade do século passado nos Estados Unidos, acompanhando o desenvolvimento do capitalismo. É nesse momento que o sorvete ganha mais espaço na sociedade, passando de um alimento proibido, devido a seu preço, a uma sobremesa comum, presente em nosso cotidiano.

No final do século XIX, em 1879 mais precisamente, nos Estados Unidos, é inventado o Ice Cream Soda, pôr Fred Sanders; o Sundae e a famosa Banana Split em 1890. Quanto ao aparecimento da casquinha, há duas versões: uma em 1896 na Itália e outra em 1904 nos Estados Unidos. Pelo que temos notícia, o picolé surgiu na Itália no início do século XX. A década de 20 deu grande impulso ao ice milk, ao sherbet, às barras e outras novidades. Os Estados Unidos, como já dissemos, são os maiores consumidores de sorvetes no mundo. É interessante notar que o sorvete tornou-se a sobremesa norte-americana pôr excelência, tendo inclusive sido implantado naquele país, o Dia Nacional do Sorvete, a 14 de julho, sendo também esse mês, considerado o Mês Nacional do Sorvete.
Como toda mania que se difunde pelo mundo afora, o Brasil não poderia de maneira alguma ficar à parte dessa movimentação internacional em torno da novidade que as bocas européias e americanas saboreavam há tempos.
A primeira notícia de sorvete que passou pelo país foi quando um navio norte-americano vindo de Boston, denominado Madagascar, aportou no Rio de Janeiro em 6 de agosto de 1834, não se sabe se proposital ou acidentalmente, com 217 toneladas de gelo.
Dias depois, os comerciantes Deroche e Lorenzo Fallas compraram a carga do navio e no dia 23 de agosto começaram a vender sorvetes de frutas aos cariocas. Fallas anunciou que "todas as tardes haverá no seu estabelecimento no Largo do Poço, gelados de diferentes qualidades, tanto simples como amanteigados e peças fortes: executará qualquer encomenda que lhe venha a ser feita para banquetes ou chás para fora de casa e terá a toda hora, gelo para vender aos que precisarem comprar pôr libras, tanto no seu estabelecimento como na Confeitaria do Sr. Deroche, na Rua do Ouvidor n.º 175. Principiará a venda dos gelados hoje das 4 horas em diante".
Nesse dia e hora, nos estabelecimentos de ambos nasceu o sorvete carioca.
Depois deles, o italiano Luigi Bassini iniciou seus negócios com o "gelado" no Café do Círculo do Comércio, anunciando em 30 de dezembro de 1835 no Jornal do Comércio, que "no dia primeiro do ano em diante se achará na sobredita casa, das 10 horas da manhã às 10 horas da noite, tijolos ou matonetti, café gelado, à italiana, etc., iguais em qualidade aos que se acham nas melhores sorveterias de Nápoles".
O gelo era envolto em serragem e enterrado em grandes covas para que não derretesse, durante cerca de 4 a 5 meses, tempo bastante para que os sorveteiros de então mantivessem na população do Rio, o gosto pelo sorvete. Com isso, foi esquecendo o "aluá", uma bebida feita de milho muito comum na época e que era usada como refrigerante, tanto nas ruas como em cerimônias palacianas no Império brasileiro.
Aqui no Brasil, o sorvete chegou a ser considerado o precursor do Movimento de Liberação da Mulher, pois, para saboreá-lo, a mulher praticou seu primeiro ato de rebeldia contra a estrutura social vigente, invadindo bares e confeitarias, lugares ocupados até então pelos homens, reafirmando pôr uns tempos, o caráter "transgressor" do alimento. Pecado ou não, a verdade é que dentre os grandes apreciadores de sorvete no Brasil Imperial, nada mais nada menos, que o Imperador D. Pedro II e sua esposa, assíduos freqüentadores da sorveteria de Antônio Francione, no Rio de Janeiro, sendo o sorvete de pitanga e preferido do monarca. No baile da Ilha Fiscal, o último do Império, uma iguaria servida como sobremesa foi o sorvete.
Em São Paulo, a primeira notícia do "gelado" que se tem registro está no jornal "A Província de São Paulo", na edição de 4 de janeiro de 1878, com o anúncio: "Sorvetes – todos os dias às 15 horas, na Rua Direita n.º14 ".
A evolução do sorvete no país deu-se de forma artesanal e com uma produção em pequena escala e poucos locais, até meados deste século, quando em 1941, foi fundada na cidade do Rio de Janeiro a U.S.Harkson do Brasil, que se tornou a primeira fábrica a produzir sorvetes em escala industrial.
Fonte: www.spumoni.com.br

O hábito de consumir bebidas geladas para se refrescar durante as estações quentes ou de utilizar-se da própria neve para saciar-se e conservar seus alimentos existe, pode-se dizer até que nasceu com o homem.
Entretanto é provado que o hábito de consumir bebidas geladas vem dos egípcios e persas, os quais eram gulosos por sucos de frutas e água açucarada, às vezes aromatizadas e postas para gelar.
Por um desenho antigo encontrado pelos antropólogos, soubemos que os persas tinham o costume de modelar estes em forma de ovo e o nomearam de "Pezzi Duri". Saboreavam-no como atualmente fazemos, lambendo-os diretamente sem o auxílio da colher.
Segundo consta, os romanos, também, especialmente Júlio César, embora não tenham conhecido o sorvete como os persas e egípcios, tinham por hábito consumir bebidas geladas, geralmente suco de frutas acrescido de gelo.
Outras citações nos revelam, no entanto, que Nero, imperador romano, enviou seus escravos às montanhas geladas a fim de que lhe trouxessem um pouco de neve para esfriar as suas bebidas e frutas.
Antigamente, o sorvete, em razão de sua difícil manipulação, era considerado um privilégio apenas para os ricos e nobres.
Na Itália, há dois mil anos, durante o império romano, a elite tinha o costume de, após saborear seus enormes banquetes, consumir sobremesas geladas para auxiliar a digestão.
Marco Polo, por sua vez, quando em peregrinação pelo mundo, trouxe, entre outras coisas, uma receita da China que ensinava a fazer gelo a partir da água, através de um método muito adiantado para época e muito parecido com os utilizados hoje em dia.
Assim, os registros mais antigos encontrados sobre o sorvete foram os de ter-se originado da China e sido levado pelos árabes para o Ocidente.
Já para os médicos orientais, o sorvete era considerado um alimento perfeito, de elevado teor alimentar, possuidor de um equilíbrio considerado básico para o bem-estar físico. Sendo o gelo um elemento "Yin", e o ovo, a soja, o leite, o mel e o açúcar, elementos "Yang", temos, assim, o equilíbrio de "Yin" e "Yang", tudo em um só alimento.
Andando pelas ruas de Bangkok, na Tailândia, é comum encontrarmos ambulantes em seus carrinhos vendendo a "Grattacheccha", conhecida por nós brasileiros por "Raspadinha", feita com gelo raspado.
Na Itália, no entanto, a "Granita" e o "Sorbetto", versões primitivas do sorvete, foram introduzidos pelos árabes.
Ocorre que, quando os árabes desembarcaram na Sicília, trazendo em suas embarcações café, amêndoas, açúcar de cana, frutas cítricas, portavam também um tipo de sorvete feito com suco de limão ou da infusão do café, o qual foi nomeado pelos italianos de "Granita".
Da "Granita", percebeu-se, então, que esta mesma bebida poderia ser preparada também de outras formas, tendo como base as frutas, nascendo, assim, a "Gremolata".
Tratava-se de um tipo de sorvete amanteigado, muito doce, preparado com muitos ingredientes, sempre tendo como base a fruta e o açúcar, sem o acréscimo de nenhum derivado do leite.
No entanto, o sorvete verdadeiro e próprio, como nós o conhecemos hoje, amanteigado de creme, remonta ao século XVI e teve origem em Florença, talvez por obra de Berardo Buontalenti.
Com o auxílio de algumas substâncias naturais que ajudam a estabilizar a água, surgiu o sorvete que, com melhoramentos, resultou em uma estrutura muito mais fina e cremosa.
Em algumas crônicas da época, encontramos várias sátiras em que se comentavam as muitas brigas e desavenças ocorridas na época por damas que tentavam "roubar" o mestre sorveteiro italiano da outra.
As receitas que os sorveteiros italianos empregavam secretamente foram finalmente, plagiadas por um cozinheiro francês chamado Clement no fim do século XVII, e este, emigrando para os Estados Unidos, abriu uma indústria de sorvetes, com bastante sucesso.
Já temos outras informações divergentes que o sorvete chegou aos Estados Unidos vindo da Inglaterra, nas mãos do comerciante Phillip Lenzi.
Segundo consta, o próprio Lenzi, após se estabelecer, publicou um anúncio em um jornal de Nova York, em 1813, e foi quando a esposa do presidente James Madison, Miss Dolly, ofereceu o sorvete a seu marido durante o Inaugural Bali.
No Brasil, o sorvete teve a sua primeira aparição em 1834, pelo navio americano Madagáscar, no porto do Rio de Janeiro, o qual, além de carregar diversos ingredientes, carregava cerca de 160 toneladas de gelo.
No entanto, em outros registros, encontramos que foram os gaúchos do Rio Grande do Sul os primeiros brasileiros a conhecer o gosto do sorvete, em 1812, quando o governador Dom Diogo de Souza mandava recolher as geadas das frias noites de inverno para oferecer aos seus convidados.
Com o tempo, as receitas foram sofisticando-se e com isso surgiram na França formas especiais para congelar sorvete chamadas "sorbetières", que eram giradas até o conteúdo congelar.
Em 1846, surge, em Nova Jersey, o primeiro freezer a manivela, inventado por Nancy Johnson. Ao virar a manivela, uma vasilha contendo a massa de sorvete também girava apoiada em montanhas de sal e gelo, formando, assim, a massa cremosa do sorvete. Infelizmente, Nancy não patenteou seu invento e por esse motivo não podemos encontrá-la nos registros.
Foi quando, em 30 de maio de 1848, surgiu um freezer muito semelhante ao original criado por Mr. Young que o nomeou de Congelador de Sorvetes Johnson em homenagem à real inventora. A idéia de colocar o sorvete em casquinhas em formato de cone e os demais sistemas utilizados para saborear o sorvete, como os "Sundays", "Banana Splits" e "Milk Shakes", vieram dos listados Unidos; caracterizados por terem um espírito prático, os americanos não somente "democratizaram" o sorvete, como, ao colocá-lo ao alcance de todos, passaram a liderar mundialmente sua fabricação.
Assim, mesmo que o sorvete tenha perdido aquele toque artístico dados pelos sorveteiros italianos, ganhou muito com as novas criações e receitas americanas que o fizeram tornar-se parte viva da alimentação, mas isso não quer dizer que os sorvetes italianos não continuem sendo requisitados, pelo contrário, até os dias atuais são eles os que mais se destacam em termos de sabor e cremosidade.
Em 1850, o sorveteiro veneziano Sartorelli lançou em Londres 900 carrocins ambulantes de sorvetes italianos. Invenção esta que logo foi plagiada por outro italiano, em Nova York.
Depois disso, as vendas aumentaram rapidamente e, com o auxílio de estabilizantes, xaropes de glicose e açúcares originados do milho e outros ingredientes nutritivos, surgiu um sorvete muito agradável que deixou de ser apenas uma bebida para se tornar um alimento muito consumido não somente no verão.
Fonte: www.falecomfleischmann.com.br