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Teatro na Antiguidade


Os gêneros

Tragédia

A tragédia é o gênero mais antigo, tendo surgido provavelmente em meados do século VI a.C. Os temas da tragédia eram oriundos da religião ou das sagas dos heróis, sendo raras as tragédias que se debruçavam sobre assuntos da época (um exemplo de passada que abordava temas contemporâneos foi Os Persas de Ésquilo). A maioria das tragédias retrata a queda de um herói, muitas vezes atribuída à sua arrogância (hybris).

Comédia

A comédia passou a integrar as Grandes Dionísias em 488 a.C., tendo tido portanto um reconhecimento meio século depois da tragédia. No ano de 440 a.C. a comédia foi também introduzida nas Leneias, outro festival em honra Dioniso no inverno. Na comédia o coro assumia uma importância maior que na tragédia e verificava-se uma maior interactividade com o público, já que os actores dialogavam com este.

Da Comédia Antiga apenas sobreviveram os trabalhos de Aristófanes, que se inspiram na vida de Atenas e que se caracterizam pela crítica aos governantes (Os Cavaleiros, Os Acarnenses), à educação dos sofistas (As Nuvens) e à guerra (Lisístrata). Um dos políticos mais criticados por Aristófanes foi Cléon, que teria levado Aristófanes aos tribunais por se sentir ofendido.

A Comédia Nova desenvolveu-se a partir da morte de Alexandre Magno em 323 a.C. até 260 a.C.. Teve em Menandro o seu principal representante. A política já não era um dos temas explorados, preferindo-se enredos que giravam em torno de identidades falsas, intrigas familiares e amorosas.

O HERÓI TRÁGICO E O ESTADO

Cena de comédia em vaso da Apúlia
Cena de comédia em vaso da Apúlia, século IV a.C.

Outra ação do Estado na perspectiva da manutenção de poder está na criação e manutenção de estruturas psicológicas e do imaginário social relacionada ao que se costumou chamar de “herói”. Desde a Antiguidade Clássica que se é cultivado a idéia desse ser que se destaca no meio da massa para executar atividades que os demais não se atreveriam a fazer. A literatura dramática (dramaturgia) grega nos mostra através de seus inúmeros textos seja no plano das divindades como acontece em Ésquilo no seu Prometheus Acorrentado; seja no plano dos homens, mas com forte influência das divindades como em Sófocles, tendo como seu célebre texto Édipo Rei ou seja como no plano da psiquê (genealogia da psicologia na literatura) em Eurípedes, como podemos notar dentre outros trabalhos o famoso Heracles. Todos estes exemplos se utiliza de uma figura construída ao longo do tempo e revivificada pelas estruturas do Estado ou aquelas aliadas a ele.

Esta utilização da figura mítica do herói pelo Estado possui uma passagem bastante interessante na história, pois como contam alguns historiadores o Estado grego se apoderou desse fenômeno social e passou a trabalhá-lo a seu favor. Vejamos como se deu: conta-se que Téspis, famoso ator da Grécia Antiga, tal qual a Sócrates, sofreu a ação repressora do Estado por, segundo este, o ator estava atentando contra as divindades gregas. Téspis, o ator, certa feita parara sua carroça na ágora e ostentando uma enorme máscara pulou para o meio do publico e gritou: “Eu sou Zagreus!”. Zagreus é uns dos nomes que é dado ao deus do vinho e do teatro, Dioniso. Após tal fato o Estado grego manda prender Téspis, proíbe as apresentações em praça pública e institui os concursos de textos dramáticos exortando-se os heróis gregos. O povo passa a receber certa quantia para assistir às apresentações em um local determinado e construído pelo poder público.

As peças, segundo grandes estudiosos da arte dramática como Martin Éslei, Bertolt Brecht e o brasileiro Augusto Boal, tinham caráter coercitivo, primeiro porque toda a boa ventura construída pelo Herói se desfaz de maneira trágica, não só para o próprio, mas também para os seus (no mais das vezes). Assim, o cidadão médio era levado por processo de empatia a se identificar com o herói e com ele expurgar-se de todo mal, uma vez que a platéia, em termos psíquicos ligados ao fenômeno da empatia, morria com ele, mas uma vez expurgado seus males renascia para uma nova perspectiva de vida. E nesta outra vida, pós-drama, jamais poderia querer exercer, ou mesmo planejar, uma vida similar a do herói; em segundo porque o Estado trabalha na perspectiva de valorizar fatos heróicos, individualizar ações em contraponto às ações de âmbito coletivo que é danoso ao status quo dominante.

Esta estrutura foi se perpetuando ao longo da história até chegar a nós por diversos mecanismos, literatura, religião, expressões oralizadas, teatro, novela, cinema entre outros.

Busto de Eurípides
Busto de Eurípides, cópia romana de original grego do século IV a.C., Museu Pio-Clementino

Percebe-se assim, grosso modo que o Estado constituído, seja de que forma se apresente, se apodera de estruturas antes de domínio popular, trás para si a redimensiona na perspectiva de sua manutenção e as devolve para o povo. Como se deu com o já citado drama da Antiguidade e o nosso carnaval, por exemplo. (Fonte - XICO COSTA - Formado em Direção, Interpretação e licenciatura em Artes Cênicas e Pós -Graduado em Linguagem Teatral pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes - FTB - DF)

Autores

Embora sejam registrados muitos autores especialmente na época áurea do teatro grego, somente de quatro nos chegaram peças integrais, todos eles de Atenas: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes na tragédia, e Aristófanes na comédia. Suas criações, e mais referências de fontes secundárias como Aristóteles, são a base para o conhecimento do teatro da Grécia Antiga.

Ésquilo (525 a 456 a.C.. aproximadamente)

Tema principal que tratava: contava fatos sobre os deuses e os mitos.

Sófocles (496 a 406 a.C. aproximadamente)

Tema principal que tratava: as grandes figuras reais.

Eurípides (484 a 406 a.C aproximadamente)

Tema principal que tratava: dos renegados, dos vencidos (pai do drama ocidental)

Aristófanes (445 a.C.? – 386 a.C.)

Dramaturgo grego considerado o maior representante da comédia grega clássica.

Os teatros

Os teatros (de theatron, "local onde se vê") surgiram a partir do século VI a.C.. Julga-se que antes disso as primeiras representações teatrais seriam realizadas em locais públicos como a ágora de Atenas.

Os teatros situavam-se ao ar livre, nos declives das encostas, locais que proporcionavam uma boa acústica. Inicialmente os bancos eram feitos de madeira, mas a partir do século IV a.C. passaram a ser construídos em pedra.

Para além a platéia distinguiam-se várias áreas no teatro. A orquestra era a área circular em terra batida ou com lajes de pedra situada no centro das bancadas, onde o coro realizava a sua interpretação. Julga-se que a orquestra teria de início uma forma quadrangular, como no Teatro de Tóricos. No centro da orquestra ficava a thymele, um altar em honra a Dioniso, que servia não só para oferecer sacrifícios, mas também como adereço. Em cada lado da orquestra existiam as entradas para o coro, os parodoi.

Detrás da orquestra estava a skenê, o cenário, estrutura cuja função inicial foi servir como local onde os actores trocavam de roupa, mas que passou também a representar a fachada de um palácio ou de um templo. Frente à skenê estava o proscenium, onde os actores representavam os papéis, se bem que estes também se deslocassem até à orquestra.

Dos teatros da Antiga Grécia alguns dos mais importantes são o Teatro de Epidauro, o Teatro de Dodona, o Odeon de Herodes Ático, o Teatro de Delfos, o Teatro de Segesta, o Teatro de Siracusa e o Teatro de Dionísio.

Teatro grego típico
Um teatro grego típico com a designação de suas várias partes

Fonte: pt.wikipedia.org

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