Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  História Do Telefone - Página 9  Voltar

História do Telefone

2. Como usar o telefone

Inicialmente, o telefone era visto pelas pessoas como um invento inacreditável – e, às vezes, era descrito como “milagroso”. Todos se espantavam quando ouviam uma voz saindo de um pequeno aparelho de madeira, pela primeira vez. Não compreendendo como ele funcionava, muitos pensavam que se tratava de um truque.

A reação inicial ao telefone era sempre de espanto e, às vezes, de desconfiança.

À medida que o telefone se difundia, notou-se uma dificuldade: as pessoas ficavam inibidas diante do aparelho, sentindo-se ridículas em conversar com um objeto. Era comum que as pessoas ficassem totalmente bloqueadas, incapazes de falar. Aos poucos, essa dificuldade foi sendo superada. Um problema importante era ensinar as pessoas a manipular o aparelho e a falar corretamente. Logo se percebeu que era importante colocar instruções coladas aos telefones, explicando como eles deviam ser usados, e além disso havia propagandas (e até cartões postais) mostrando como falar.

Telefone com instruções para uso. O aviso diz: “1. Mantenha o Telefone de mão no seu lugar até que as chamadas sejam respondidas. 2. Chame e responda apertando o botão C, e girando a manivela. 3. Quando a chamada é respondida, retire os Telefones, e você estará pronto para conversar. 4. Para abrir a linha para uso, gire o interruptor para a direita. Feche-o durante tempestades, e quando não precisar usar, girando o interruptor para a esquerda.”

Ilustração do final do século XIX mostrando o modo correto (esquerda) e errado (direita) de falar ao telefone

3. Previsões sobre o uso do telefone

Em 1878, dois anos após a invenção do telefone, Bell escreveu a um grupo de investidores ingleses descrevendo as perspectivas do aparelho:

“Atualmente possuímos uma rede perfeita de encanamentos de gás e de água em nossas maiores cidades. Temos canos principais dispostos sob as ruas comunicando-se por canos laterais com as várias moradias, permitindo aos membros retirarem seus suprimentos de gás e água de uma fonte comum.”

“De um modo semelhante, é concebível que sejam colocados cabos com fios telefônicos sob o solo ou suspensos acima de nossas cabeças, comunicando-se por fios laterais com moradias privadas, escritórios, casas, fábricas etc, unindo-os através do cabo principal com um escritório central onde os fios poderiam ser conectados da forma desejada, estabelecendo comunicação direta entre dois pontos quaisquer da cidade. Um plano como esse, embora seja impraticável no momento presente, será, acredito firmemente, o resultado da introdução do telefone para o público. Não apenas isso, mas eu acredito que no futuro os fios unirão os escritórios centrais de companhias telefônicas em diferentes cidades, e uma pessoa em uma parte do país poderá se comunicar com palavras de sua boca com um outro em um lugar distante.”

Vê-se, assim, que Bell tinha uma visão bastante clara sobre como a telefonia iria ser no futuro. No entanto, isso ainda era uma previsão, um sonho distante, pois não existiam recursos técnicos para implantar um sistema desse tipo.

O próprio Bell sugeriu, também em 1878, que o uso de telefones sob a forma de comunicadores de curta distância, substituindo os conhecidos tubos de comunicação, seria uma estratégia adequada para familiarizar as pessoas com o aparelho, com vistas a outros usos futuros. Por isso, quando o grupo de Bell publicou um anúncio divulgando os telefones, não se falava em seu uso para comunicação entre residências:

“Esses instrumentos são de grande valor prático. Podem ser utilizados para qualquer finalidade, em qualquer posição, sem treino técnico, sempre que for necessária a comunicação ou conversa a distância, como entre os chefes e os empregados em casas comerciais; entre bancos centrais e filiais; em operações de mineração, entre o escritório do supervisor e os empregados na mina; em grandes hotéis ou mansões; em fábricas de todo tipo, entre a manufatura e sua fábrica, e entre o superintendente e seus subordinados; e, de fato, pode ser considerado como um tubo de comunicação comum, com todas as vantagens de uma comunicação telegráfica.”

As primeiras centrais telefônicas

Era necessário desenvolver um sistema de comutação entre as linhas telefônicas, assim como ocorria no caso do telégrafo, para que qualquer aparelho pudesse ser ligado a qualquer outro. Os primeiros testes (envolvendo apenas três assinantes) foram feitos em maio de 1877, mas demorou bastante para que o sistema fosse desenvolvido e implantado. Uma outra alternativa, criada por um empresário de Boston, consistiu em ligar diversos telefones a uma central, de tal modo que as pessoas pudessem conversar com a central e essa, por sua vez, podia transmitir as mensagens a outras pessoas, ou atender diretamente a algum pedido. Tratava-se, portanto, de uma central de serviços, e não de uma central de interligação entre os telefones. A idéia era semelhante à dos sistemas telegráficos distritais, em que as residências podiam enviar mensagens a uma central para dar um alarme ou para chamar um mensageiro.

Vinte e cinco anos antes da invenção do telefone, já se utilizavam sinais elétricos e mensagens de telégrafo em sistemas de alarme contra incêndios. Foram também desenvolvidos alarmes contra ladrões que enviavam sinais à polícia. Quando o telefone foi inventado, em muitos casos ele passou a utilizar os fios que já estavam instalados para esse tipo de alarme – o que representava uma economia bastante grande – e em outros casos a instalação do telefone era acompanhada por um serviço de alarme, para aproveitar a instalação do fio.

O primeiro serviço misto desse tipo foi instalado em Boston por E. T. Holmes em maio de 1877. Inicialmente, Holmes comprou um par de telefones e os instalou em seu escritório, para que as pessoas pudessem conhecer o aparelho. Depois, adquiriu mais seis pares e instalou-os (de graça) ligando seu escritório com 6 bancos que utilizavam seu sistema de alarme. Os seis aparelhos ficavam lado a lado, em uma prateleira, no escritório de Holmes. Os bancos podiam agora se comunicar com ele por telefone e, se quisessem, podiam também falar entre si – bastava pedir a Holmes, e ele ligava a linha de um banco à do outro banco, utilizando um fio metálico. Depois, Holmes expandiu seu serviço telefônico, passando a atender a muitos outros clientes e instalando uma pequena central telefônica. Durante o dia, as linhas eram utilizadas como telefone, e à noite os mesmos fios metálicos serviam para transmitir sinais de alarme.

A loja de alarmes contra ladrões de Holmes em vias de transformar-se em uma central telefônica, mostrando a colocação de uma estrutura de madeira no telhado, onde iriam ser presos os fios telefônicos

Em alguns casos, as redes telefônicas iniciais eram criadas sob medida para finalidades especiais. Em julho de 1877, o dono de uma drogaria em Hartford instalou uma central conectada aos médicos da cidade, que podiam tanto pedir remédios como comunicar-se entre si. No final do ano, a rede tinha 21 assinantes, incluindo não só médicos, mas também um estábulo que providenciava carruagens para transporte de pacientes e médicos em caso de necessidade.

Alguns sistemas distritais de telégrafo acabaram se convertendo em centrais telefônicas, utilizando os mesmos fios elétricos e trocando os aparelhos de telégrafo por aparelhos telefônicos. Esse tipo de mudança de tecnologia foi estimulada pela Bell Telephone Company a partir do início de 1878.

No final de 1877, os telefones isolados estavam sendo substituídos por telefones conectados a centrais de comutação, para que pudessem se comunicar entre si. Isso aumentava muito a utilidade dos telefones, mas mesmo assim não houve um entusiasmo imediato da população.

A primeira central telefônica de comutação criada especificamente para essa finalidade começou a operar em janeiro de 1878, em New Haven, com apenas 8 linhas e 21 telefones. As novas centrais seguiram inicialmente o modelo das centrais telegráficas, que também estabeleciam conexões entre diversas linhas.

Concepção artística da primeira central telefônica comercial, em New Haven, inaugurada e, 28 de janeiro de 1878

Fotografia do primeiro painel de comutação para telefones utilizado em New Haven em 1878

Começaram a ser fabricados aparelhos para centrais de comutação telefônica. Como esse sistema não era patenteado (as centrais de comutação já existiam antes, nos telégrafos), surgiu uma variedade de fabricantes e de modelos. As campainhas telefônicas também não eram patenteadas.

Durante o ano de 1878, os sistemas que utilizavam centrais de comutação começaram a se espalhar, mas não permitiam comunicação a grande distância. O limite, na época, era de aproximadamente 20 milhas (cerca de 32 km). Portanto, para grandes distâncias (e para comunicação entre diferentes cidades, estados e países), o telégrafo continuava sendo o único meio de transmissão rápida de mensagens.

À medida que o número de assinantes cresce, o número de possíveis conexões entre eles cresce muito mais depressa. Dois assinantes só podem ser conectados de uma forma. Três assinantes, de três modos diferentes. Quatro assinantes, de 6 modos diferentes. Cinco, de 10 modos. Para 10 assinantes, há 45 possibilidades, e para vinte, há 190. De um modo geral, para N assinantes há Nx(N-1)/2 possibilidades de conexão. Assim, a complexidade de uma central telefônica vai crescendo muito rapidamente com o número de assinantes conectados àquela central.

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32
avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal