Se na segunda metade do século XIX o homem não tivesse descoberto a técnica de enxerto com videiras, possivelmente hoje não estaríamos bebendo vinhos. O surgimento de uma praga, conhecida por filoxera, destruiu quase a totalidade dos vinhedos da Europa - na época, único continente fabricante da bebida.
A história do vinho, porém, começa muito antes. Não existem documentos que comprovem, mas a história oferece elementos que nos faz acreditar que o vinho foi uma daquelas invenções do homem que se deram por acaso. Não seria de se estranhar se se confirmasse que um homem, provavelmente há 7.000 ou 8.000 anos no Oriente Médio, tivesse esquecido um punhado de uvas amassadas que, fermentadas, viraram vinho.
A descoberta provavelmente deve ter empolgado os homens da época - não exatamente por causa do sabor, mas pela idéia de conseguir uma bebida alcóolica de forma fácil. Os gregos, por exemplo, adicionavam água do mar, ervas e mel à bebida - provavelmente para disfarçar o sabor.
Foi nos países do Mediterrâneo que o vinho ganharia força como bebida divina. Assim como os gregos, os romanos também teriam personagens enófilos em sua mitologia: Dionísio e Baco. Com o Cristianismo, Jesus Cristo utilizaria-se da bebida para simbolizar seu sangue e representar um milagre. Mais tarde, na Idade Média, a Igreja Católica, que já pregava o consumo litúrgico da bebida, adotou a produção.
Pouco antes disso, o desenvolvimento dos tonéis de madeira, atribuído ao gauleses, transformou os métodos de vinificação. Outra importante novidade, já no século 17, foi o uso de garrafas e de rolhas de cortiça para conservação e transporte da bebida. Iniciava-se aí indústria do vinho. Na segunda metade do século 19, o cientista francês Louis Pasteur descobriu como se dava a vinificação das uvas: a ação das leveduras (tipo de bactéria) sobre o açúcar da uva transformava-o em álcool e gás carbônico e o suco da uva, em vinho.
Para comemorar, para conquistar ou simplesmente para degustar com um bom
prato. Foi-se o tempo em que o ritual de beber vinhos era necessariamente
cheio de pompa. Hoje, um leigo no assunto pode experimentá-lo sem precisar
seguir a extensa cartilha dos experts, cheia de regras e convencionalismos.
"É caipira e atrasada a idéia de que para beber vinho é
necessário excesso de requinte e sofisticação. O vinho
é uma bebida popular desde a sua origem", explica o enólogo
Pedro França, palestrante responsável pelo curso básico
de vinhos do Senac de São Paulo.
O Terra preparou um guia fácil para aqueles que querem se aprimorar na arte de beber vinhos, mas que não abrem mão da descontração e da alegria. Tem os dez mandamentos básicos para não fazer feio na hora de escolher, como servir e armazenar o seu vinho, dicas para combiná-lo com os todos os tipos de pratos e de como montar sua própria adega, além de um glossário e uma lista dos tipos mais comuns de vinhos e uvas. Saúde!
Há diversos tipos de uvas com as quais os vinhos são produzidos. Ao lado do processo utilizado, são elas que definem as características do vinho. Confira as principais:
Responsável pelos grandes tintos de Bordeaux (França), sua terra natal, produz vinhos finos e encorpados. É combinada com outras uvas para amenizar seu bouquet extremamente marcante. A cor é bem escura e profunda.
Uva de Bordeaux (França) com a qual se fazem os profundos e redondos Pomerol e Saint-Émilion. Quando vinificada sozinha - sem a utilização de outros tipos de uva -, produz vinhos macios, de boa estrutura, aromáticos e de grande elegância.
Única uva a compor os grandes Bourgognes tintos da Côte d'Or (França). É encontrada hoje em todas as regiões vinícolas do mundo, exceto em regiões mais quentes. Sua maior característica é o aroma adocicado e nível de tanino e pigmentação inferior a outras variedades de uva vegetais e minerais. Dá origem a vinhos frescos e elegantes.
Marca registrada da África do Sul, seu aroma característico exibe notas de amêndoas tostadas. Os melhores produtores conseguem elaborar vinhos de longa guarda de excelentes qualidades.
Uva francesa da Bourgogne, é considerada a melhor para vinho branco fino. É mais ácida no paladar quando usada em Champagne ou no Loire e mais suculenta nos grandes Bourgognes, em que fermenta e amadurece em tonéis de carvalho. A colheita é uma hora crucial para a produção do vinho: ela deve ser colhida no momento certo, pois com o avanço do amadurecimento há a perda de acidez, que é característica necessária para a fabricação destes vinhos.
Variação de uma uva chamada Traminer, ela é responsável por vinhos brancos de grande e intenso aroma, normalmente mais alcoólicos, produzidos na Alsace (França), em versões seca ou doce. Produz vinhos muito doces para acompanhar sobremesas.
Uva branca utilizada para confeccionar o Sancerre, do Loire (França), e todos os Bordeaux brancos. Produz vinhos de melhor qualidade em climas frios. Facilmente reconhecida por notas.
Como armazenar os vinhosCalor, mudanças bruscas de temperatura, luz, trepidação, baixa umidade e odores estranhos são os maiores inimigos dos vinhos. Para não prejudicar o desenvolvimento de suas potencialidades - processo decorrente do envelhecimento - é necessário armazená-los em condições adequadas. A melhor opção é acondicionar as garrafas de vinhos em adegas.
Para quem não tem muito espaço em casa, a aposta é investir em adegas portáteis, espécies de armários refrigerados que respeitam as condições de temperatura e umidade ideais para a conservação dos vinhos (entre 11ºC e 17ºC, e 70% de umidade relativa do ar). Para quem tem espaço, construir uma adega climatizada em casa é mais vantajoso. No espaço escolhido, coloca-se um equipamento de refrigeração para manter a temperatura ideal.
Se você não tiver dinheiro para investir em uma adega, a sugestão é manter os vinhos em lugar fresco, ao abrigo da luz e do calor - sempre em posição horizontal. Um espacinho debaixo da escada seria o lugar mais apropriado. Nesse caso, porém, não vale a pena guardar vinhos caros e preciosos, que precisem de muitos anos para envelhecimento.
Fonte: culinaria.terra.com.br
O momento e a localidade em que o homem bebeu o primeiro trago de vinho continuam uma incerteza. As antigas civilizações elegeram deuses como os dadores do vinho, Dionísio na Grécia, Osíris no Egipto e Baco em Roma. Outros partilham a opinião de que o vinho nasceu no Oriente.
Atribui-se ao último período da era terciária o surgimento da videira, tendo esta surgido primeiro do que o Homem. A viticultura inicialmente desenvolveu-se nas planícies da Suméria e nas margens do Nilo. Contudo, foi por intermédio dos Fenícios e dos Gregos que o vinho chegou à Europa. Com a ocupação romana, a cultura do vinho consolidou-se na Europa central. Sendo assim, as vinhas italianas são de origem grega, as francesas de origem romana e as espanholas de origem fenícia.
No que concerne ao nosso país, não se sabe precisar quando é que o vinho surgiu, pensando-se que as primeiras vinhas tenham sido cultivadas pelos Fenícios. O nosso solo e clima, assim como as diferentes castas de cada região permitiram, desde há muito tempo, a produção de vinhos de alta qualidade e tipicidade. Por este motivo, Portugal foi um dos primeiros países, se não mesmo o primeiro país do mundo vitícola, a estabelecer e a regulamentar uma região demarcada, a do Douro, por alvará régio em 1756.
Mais tarde, por carta de lei de 1907/1908, foi dado início ao processo de demarcação e regulamentação das Regiões dos Vinhos Verdes, Dão, Colares, Carcavelos, Bucelas, Moscatel de Setúbal e Madeira, para além da região do Douro que actualmente contempla as denominações de origem Porto e Douro. Posteriormente, e apenas em 1979, foi reconhecida a denominação Bairrada.
Em 1980 foi reconhecida a denominação Algarve (mais tarde regulamentada - 1990 - e substituída por quatro denominações Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira), tendo-se procedido então à sua demarcação. Em 1986 foram reconhecidas as primeiras regiões do Alentejo - Borba Redondo, Reguengos, Portalegre e Vidigueira - tendo sido reconhecidas em 1991, Évora, Moura e Granja-Amareleja. Também em 1986 foram reconhecidas, como denominações de origem correspondentes aos vinhos de qualidade produzidos em zonas vitícolas de interesse, as seguintes regiões: Chaves, Planalto Mirandês, Valpaços, Castelo Rodrigo, Pinhel, Cova da Beira, Encostas de Nave, Varosa, Lafões, Alcobaça, Encostas de Aire, Óbidos, Arrábida, Palmela, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém, Tomar, Alenquer, Arruda e Torres Vedras. Em 1994 obtiveram reconhecimento de denominação Biscoitos, Graciosa e Pico.
Em Portugal, as vinhas estendem-se por todo o território nacional e pelos arquipélagos, ocupando cerca de 400 mil hectares produzindo, em média e por ano, cerca de 10 milhões de hectolitros de vinho, o que nos coloca no 6º lugar mundial em área de vinha e no 7º lugar em quantidade de vinho produzido.
Produtores de bons e variados vinhos, os Portugueses são também grandes apreciadores e já foram os «melhores» bebedores per capita. Não é portanto de surpreender que a cultura subjacente ao vinho seja em Portugal particularmente rica. Tanto nas artes como na literatura, a vinha e o vinho - que valeram a Portugal a designação de «País das Uvas» - inspiraram artistas, prosadores e poetas, clássicos e modernos. É, porém, na gastronomia que o nosso vinho causa maior impacto, dado que as suas características adaptam-se aos mais variados pratos de todas as culinárias, até das mais exóticas. Esta adaptação, caracterizada pela diversidade do vinho português, deve-se às castas nobres regionais, aos microclimas específicos de cada região vitivinícola e aos processos tradicionais utilizados.
Não se pense no entanto que a produção do vinho em Portugal é apenas artesanal. Aliada a esta técnica, que pouco se afasta da que foi praticada por Noé, existe outra, tecnologicamente muito avançada, operada por computador e servida por equipamento sofisticado (pertence já ao ano 2000). Entre estas duas formas de produzir, existe um vasto leque de opções, do que resulta um número elevado de vinhos diferentes uns dos outros, mesmo quando têm por berço a mesma região.
Há ainda, porém, outra realidade importante a considerar: a grande paixão que os agricultores portugueses desde sempre revelaram pela vitivinicultura. Os nossos vinhos, clássicos ou modernos, pela sua qualidade e pelo seu espírito, são o orgulho de quem os produz com saber e amor.
Quem aprecia um vinho não se limita a julgar se é bom ou mau, antes procura avaliar o que o distingue, através do aspecto, do cheiro e do sabor.
Muita gente é capaz de esvaziar um copo de vinho sem se deter um momento para o saborear. Resultado: pouco ou nada fica a saber sobre as qualidades do vinho e, por isso, também o prazer que sente será diminuto. A verdade é que o vinho pode transmitir uma gama infindável de sabores, mas estes só serão reconhecidos por quem lhes prestar atenção e lhes der tempo para se mostrarem.
Fala-se em sabores e logo se pensa na boca, que é onde estão as papilas gustativas, basicamente concentradas na língua. Porém, as papilas gustativas apenas nos dão os sabores básicos e não voláteis: doce, salgado, ácido e amargo. Há outros sabores que só reconhecemos como aromas através do aparelho olfactivo. Em boa verdade, grande parte daquilo que descrevemos como “sabor” é, afinal, “cheiro”, porque o nariz e a boca são órgãos sensoriais que se complementam (não é por acaso que, quando estamos constipados e com o nariz entupido, a comida deixa de ter “sabor”…).
Vamos, desta vez, examinar o sabor com mais pormenor. As papilas gustativas estão situadas na boca, basicamente na língua, e, embora todas detectem os sabores primários, concentram-se em blocos especializados: as da ponta da língua são especialmente sensíveis aos doces; logo a seguir aos doces estão as do salgado; depois, de lado, ficam as do ácido; e, na parte de trás, encontram-se as do amargo. No centro da língua há uma zona praticamente neutra, segundo um mapa tradicional sem grande rigor científico, mas de grande utilidade para quem se inicia na prova.
O importante é saber que só o palato consegue detectar a doçura, o amargor, o frutado, a adstringência, a aspereza, a macieza, o peso ou corpo, a harmonia e o equilíbrio dos elementos de um vinho. E que o conhecimento das zonas onde se situam as principais concentrações de papilas gustativas ajuda o cérebro a interpretar os diferentes sabores e facilita a apreensão dos diversos aspectos do vinho já referidos: doçura, acidez, amargor, equilíbrio, etc.
Os provadores identificam os sabores em três fazes ou momentos: o “ataque”, apenas para detectar se o vinho é agradável ou agressivo; o “palato médio” quando já todas as papilas tiveram contacto com o vinho para apreciar o conjunto; e o “final”, depois de engolido o vinho, para saber se ficou algum sabor e por quanto tempo.
Os maus vinhos, na melhor hipótese, não deixam um sabor desagradável; os bons vinhos deixam um sabor agradável e prolongado, que demora tanto mais a desaparecer quanto melhor é o vinho.
Fonte: www.lusawines.com