O rapto de Helena, mulher de Menelau, feito por Páris, um dos filhos de Príamo, rei de Tróia, fez com que os Gregos confederados declarassem guerra e sitiassem esta cidade, que foi por eles tomada e destruída depois de um cerco de dez anos (1720 A.C.) O objeto da Ilíada é um episódio do nono ano deste cerco, quando Agamemnon, chefe do exército, ultrajou a Aquiles, o mais valente dos Gregos. Irritado, o herói retirou-se à sua tenda sem pretender mais combater. Os Troianos, notando a sua ausência, tomaram coragem, atacaram o campo dos Gregos ficando os navios destes em risco de serem queimados. Aquiles, apesar da inação a que votou-se, consentiu que Pátroclo, seu amigo, se revestisse de suas armas e guiasse suas tropas contra os Troianos. Pátroclo tendo sido morto por Heitor, o implacável filho de Peleu jurou vingar a morte de seu amigo, e combatendo de novo ornado de novas armas, que a pedido de sua mãe Vulcano havia preparado, investiu contra Heitor, e imolou-o, aos manes de Pátroclo. E depois de haver insultado os restos mortais de seu inimigo, entregou-os a Príamo, pai de Heitor que os pedira ao herói.
Exposição do assunto. — Crises, sacerdote de Apolo, vem ao campo dos Gregos para resgatar sua filha. — Repelido e ultrajado por Agamemnon, invoca a proteção de Apolo. — A peste, como um castigo divino, lavra pelo exército Grego e mata muitos de seus heróis. — Aquiles convoca a reunião dos chefes, promete sua proteção ao adivinho Calcas, e lhe pergunta a causa da cólera de Apolo. — O adivinho a revela e indica como único meio de afastar o flagelo a restituição de Criseida. — Cólera de Agamemnon contra Calcas: suas ameaças contra Aquiles. — Este lança mão da espada, Minerva lhe aconselha, e dócil à voz da deusa limita-se a responder apenas com insulto o recebido ultraje. — Agamemnon forçado a restituir Criseida a seu pai, toma de Aquiles a cativa Briseida. — Aquiles, indignado, não quer mais combater pelos Gregos; invoca sua mãe Tétis, que o consola e lhe promete vingança. — Volta de Criseida à sua pátria; sacrifício em honra de Apolo. — Entrevista de Tétis e de Júpiter consentindo em dar a vitória aos Troianos. — Queixas de Juno e ameaças de Júpiter em presença dos habitantes do Olimpo. — Graças à intervenção de Vulcano, restabelece-se a paz na assembléia dos imortais.
Júpiter envia um sonho a Agamemnon, mandando armar os Gregos, e prometendo-lhe a vitória antes do fim do dia. — Discurso de Agamemnon na reunião dos chefes. — Nestor toma a palavra e confirma o discurso de Agamemnon. — Os Gregos se reúnem. — Agamemnon lhes propõe voltar à pátria. — Os Gregos aceitam a proposta. — Intervenção de Juno. — Seu discurso a Minerva. — Discurso de Minerva a Ulisses. — Palavras de Ulisses aos diferentes guerreiros que encontra. — Tersites e sua intervenção contra os diferentes chefes do exército. — Resposta de Ulisses que castiga o insolente. — Aplauso dos Gregos. — Discurso de Ulisses a Agamemnon e aos Gregos. — Prodígio explicado por Calcas. — Exortação e conselhos de Nestor. — Elogio de Nestor por Agamemnon. — Agamemnon faz sacrifícios a Júpiter com os principais chefes. — Nestor dá o sinal e os chefes põem em ordem os seus guerreiros, a quem Minerva inspira o ardor dos combates. — Aspecto do exército. — Invocação às Musas. — Classificação dos navios.
Os dois exércitos avançam um contra o outro. — Páris à frente dos Troianos provoca os mais bravos dos Gregos ao combate. — Menelau vai ao seu encontro, mas Páris amedrontado busca refúgio entre os Troianos. — Exprobracões de Heitor. — Resposta de Páris; propõe sustentar um combate com Menelau do qual Helena será o prêmio. — Heitor, contente leva o desafio de seu irmão ao herói Grego. — Discurso de Menelau. — Preparam-se sacrifícios. — Entretanto Íris, tomando a forma de Laodice, vai ter com Helena, e lhe anuncia as disposições dos dois exércitos — Helena vai às portas Ceias, onde ela acha a assembléia dos velhos Troianos, que fazem o elogio de sua beleza. — Ela designa a Príamo os principais chefes Gregos. — Retrato de Agamemnon, de Ulisses, de Menelau e de Ajax, entre os quais Helena sente não ver Castor e Pólux, seus irmãos. — Por conselho de Ideu, Príamo vai com Antenor ao meio dos dois exércitos. — Agamemnon levanta-se, chama a cólera dos deuses sobre os perjuros e sacrifica. — Discurso de Príamo, que volta a Ílio para não testemunhar uma luta em que um de seus filhos pode ser vítima. — Aprestos e fases diversas do combate. — Páris vai sucumbir quando Vênus o livra dos golpes de Menelau, o transporta ao leito nupcial, e lhe faz esquecer a derrota nos braços de Helena, que resiste a princípio e cede enfim. — Menelau procura em vão seu rival; e Agamemnon reclama para seu irmão o prêmio da vitória.
Os deuses reúnem-se no Olimpo. — Júpiter propõe restabelecer-se a paz entre os dois povos. — Indignação de Juno. — Resposta de Júpiter que entrega Tróia à sua cólera com a condição dele poder destruir a capricho qualquer cidade fosse ou não estimada por Juno. — A deusa combina, e, a seu pedido, Júpiter envia Minerva às fileiras troianas para o fim de os fazer violar os tratados. — Chega-se ao Troianno Pândaro, em figura de Laodoco, filho de Antenor, e lhe persuade de atirar uma flecha contra Menelau. — O filho de Atreo protegido por Minerva apenas foi ligeiramente ferido. — Dor e discursos de Agamemnon à vista do sangue de seu irmão. — Menelau o tranqüiliza e entrega-se aos cuidados do sábio Macaon. — Entretanto o exército dos Troianos move-se, e não respira senão guerra. — Agamemnon longe de perturbar-se, prepara-se para o combate; percorre as fileiras dos Gregos, felicitando os bravos, e exprobrando os cobardes. — Aspecto doa dois exércitos. — Descrição da peleja. — Gritos triufantes dos Gregos. — Apolo reanima os Troianos, lembrando-lhes o repouso de Aquiles. — Os mortos espalhados no campo atestam a coragem dos combatentes.
Minerva precipita Diomedes ao combate. — Descrição deste herói.— Sua vitória sobre os dois filhos do velho Dares. — Vulcano salva a Ideu dos golpes de Diomedes. — Minerva induz Marte a deixar o campo da batalha, e o conduz às margens do Escamandro. — Descrição da peleja. — Diomedes ferido por Pândaro, pede a Estênelo para tirar o ferro da ferida e implora o auxílio de Minerva. — A deusa acede. — Eneias influi a Pândaro contra Diomedes. — Pândaro sente a ausência de seus corcéis e maldiz de seu arco inútil. — Sobe ao carro de Eneias para dar combate a Diomedes. — Estênelo, apercebendo-o de longe, aconselha ao filho de Tideu que fuja, mas este espera o inimigo de pé firme, mata Pândaro, e fere Eneias, que escapou à morte por causa do socorro de Vênus. — Entretanto Estênelo se apodera dos corcéis de Eneias e os confia a Deipilo. — Diomedes vai em perseguição de Vênus, fere-a na mão, e Apolo se encarrega de salvar a Eneias. — Vênus, fora dos perigos do combate, pede a Marte seus rápidos corcéis e foge para o Olimpo. — Palas e Juno procuram prevenir Júpiter contra Vênus. — Diomedes ousa atacar a Apolo, que o põe em retirada e convida Marte para socorrer os Troianos. — O deus da guerra, sob os golpes de Acamas, chama os filhos de Príamo em defesa do povo Troiano. — Discurso de Sarpédon a Heitor. — Este responde pronto para o combate. — Reaparece Eneias. — Atitude dos Gregos. — Discurso de Agamemnon, que é o primeiro a atacar. — Descrição do combate. — Façanhas de Ulisses. — Heitor, indo salvar a Sarpédon, leva a mortandade às fileiras dos Gregos. — Aparato de Juno e Minerva e sua partida do Olimpo. — Fala de Juno a Júpiter. — Exortação que ela dirige aos Gregos sob a forma de Estentor. — Minerva anima a Diomedes contra Marte. — Marte ferido por Diomedes vai queixar-se a Júpiter, que depois de lhe haver exprobrado a inconstância e seus furores, o faz curar por Péon. — Volta de Juno e de Minerva ao palácio de Júpiter.
Retiram-se os deuses do campo da batalha, e os Gregos se avantajam. — Suas proezas. — Heitor e Eneias detêm a fuga dos Troianos. — Helena aconselha a Heitor para ir a Tróia pedir a Hécuba para oferecer um sacrifício a Minerva. — Encontro do filho de Tideu com Glauco. — Heitor põe em prática o conselho de Heleno; depois vai ter com Páris e o encontra junto a Helena. — Admoestações que ele lhe dirige. — Entrevista de Heitor e de Andrômaca. — Páris, tomando suas armas, junta-se a Heitor, e todos dois correm para o combate.
Heitor e Páris saem da cidade. — São vencedores: Páris, Heitor e Glauco. — Intervenção de Apolo e de Minerva. — Apolo propõe suspender o combate. — Minerva consente. — Por instigação de Heleno, inspirado por estas duas divindades, Heitor chama o mais bravo dos Gregos a combate. — Silêncio entre os Gregos. — Menelau estranha o receio e responde ao desafio de Heitor e Agamemnon o detém. — Nestor lamenta a sua velhice. — Nove guerreiros se apresentam e todos almejam combater com Heitor. — Ajax, filho de Telamon, é designado pela sorte. — Pedem os Gregos a Júpiter lhes conceda a vitória ou a deixe indecisa. — Ajax toma suas armas. — Heitor e Ajax se desafiam. — Combate. — Os dois Arautos Ideu e Taltíbio intervêm. — Ideu, ao aproximar-se a noite, induz os dois guerreiros a se retirarem. — Heitor consente. — Festa no campo dos Gregos. — Nestor propõe suspender a guerra para enterrar os mortos. — Pretende Antenor pôr fim à guerra e propõe a entrega de Helena e de suas riquezas. — Páris repele a proposta. — Príamo manda ao acampamento Grego arautos comunicar as concessões de Páris, e pedir uma suspensão de armas para as honras fúnebres. — Ideu junto a Agamemnon expõe o objeto de sua mensagem. — O filho de Tideu quer que se rejeite as proposições de Páris. — Agamemnon julga conceder tréguas. — Ideu volta aos Troianos. — Funerais. — Os Gregos constroem trincheiras para protegê-los e aos seus navios. — Netuno na Assembléia dos deuses. — Após a ceia, os Gregos e os Troianos se entregam ao sono.
Júpiter reúne os deuses. — Proibe-lhes auxiliarem aos Gregos e aos Troianos. — Minerva implora a permissão de aconselhar aos Gregos. — Júpiter vai ao monte Ida. — Encontro dos dois exércitos: combate. — Júpiter pesa os destinos dos dois povos em suas balanças de ouro. — Atemoriza os Gregos. — Nestor perseguido por Heitor e salvo por Diomedes. — Júpiter auxilia os Troianos e lança um raio que cai junto aos cavalos de Diomedes. — Diomedes a princípio hesita fugir. — Heitor anima os Troianos. — Juno induz Netuno a intervir em favor dos Gregos. — Netuno recusa. — Discurso de Agamemnon aos Gregos repelidos além do seu entrincheiramento. — Sua súplica a Júpiter. — Prodígio. — Façanhas de Diomedes e de Teucro. — Teucro ferido por Heitor. — Queixas de Minerva e de Juno. — As duas deusas vão em socorro dos Gregos. — Júpiter manda Íris as deter. — Íris lhes refere as ameaças de Júpiter. — Volta de Minerva e de Juno. — Júpiter deixa o Ida e volta ao Olimpo. — Prediz a glória de Heitor até que Aquiles volte ao combate. — Heitor fala aos Troianos e lhes dá suas instruções para a noite. — Sacrifícios aos deuses, que não os recebem. — Aspecto do campo dos Troianos.
Desânimo dos Gregos. — Discurso de Diomedes. — Conselhos de Nestor. — Setecentos guerreiros vão postar-se entre a muralha e o fosso para velar na salvação do exército. — Agamemnon oferece uma refeição aos principais chefes. — Nestor toma a palavra e propõe abrandar a ira de Aquiles por meio de dádivas. — Agamemnon fica de acordo. — Enumeração das riquezas que lhe são oferecidas. — Nestor aprova esta deliberação e designa os chefes que devem ir à tenda de Aquiles. — Partida dos emissários. — Aquiles, vendo-os, recebe-os com agrado. — Discurso de Ulisses, em que expõe o objeto de sua missão e convida a Aquiles para ir em socorro dos Gregos. — Recriminação de Aquiles. — Discurso de Ajax, filho de Telamon. — Afinal Aquiles declara que não combaterá contra Heitor e despede os enviados. — Volta dos emissários à tenda de Agamemnon. — O filho de Atreu interroga a Ulisses. — Ulisses refere a resposta de Aquiles. — Fala de Diomedes. — Os guerreiros fazem libações aos deuses.
Agamemnon vela enquanto os Gregos dormem — Menelau vem ter com ele e oferece seus serviços. — Agamemnon dá suas instruções a seu irmão, e os dois Atridas vão acordar os principais chefes. — Conversação entre Nestor e Agamemnon. — Despertados os chefes, reúnem-se em conselho. — Nestor propõe mandar um espião ao campo inimigo. — Vão Diomedes e Ulisses. — De sua parte Heitor reúne os chefes Troianos e promete um esplêndido prêmio a quem vá espiar o campo dos Gregos. — Vai Dólon. — Ulisses e Diomedes, vendo-o, o prendem. — Dólon explica a situação respectiva dos diferentes povos do exército Troiano, e é morto por Diomedes. — Chegados às tendas dos Traças, Diomedes mata doze guerreiros e seu rei Reso, que dormiam, enquanto que Ulisses apodera-se dos cavalos. — A conselho de Minerva, Diomedes e Ulisses se retiram. — Despertados por Apolo, os Troianos correm ao lugar da mortandade. — Chegam Diomedes e Ulisses ao campo dos Gregos. — Nestor é o primeiro que os apercebe. — Os Gregos os acolhem com alegria. — Fala de Nestor. — Resposta de Ulisses. — Depois de haverem descansado, Ulisses e Diomedes fazem libações a Minerva.
Júpiter manda a Discórdia à frota dos Gregos para os excitar ao combate. — Agamemnon orna-se de suas armas. — Conduz suas tropas ao campo da batalha. — Júpiter interessa-se pelos Troianos. — Heitor prepara-se para não recuar ante os Gregos. — Temível combate entre os Gregos e Troianos. — Agamemnon admira o valor dos Troianos. — Derrota dos Troianos. — Júpiter salva a Heitor, quando os Troianos em fuga. — Manda Júpiter que Íris leve uma mensagem a Heitor. — Heitor percorre as fileiras e inspira seus soldados com um novo ardor. — Recomeça o combate. — Novos feitos de Agamemnon, que se retira do combate ferido. — Esta circunstância reanima o exército Troiano. — Feitos de Heitor. — Vantagem dos Troianos. — Ulisses e Diomedes restabelecem por sua coragem a dúvida sobre o êxito do combate. — Júpiter deixa a vitória indecisa. — Os Troianos e os Gregos se degolam sem embaraço. — Diomedes repele a Heitor, que vai misturar-se com a multidão dos guerreiros e é ferido por Páris. — Ulisses vai em socorro de Diomedes, que é conduzido para junto dos navios. — Ulisses fica só no meio dos Troianos, põe por terra muitos combatentes, e é ferido por Soco. — Soco ia fugir quando Ulisses o traspassa com a lança. — Quase morto no meio dos inimigos, Ajax e Menelau correm e o tiram do combate. — Páris fere a Macaon. — Consternação dos Gregos. — Ajax põe o exército Troiano em fuga. — Heitor, que estava em outro lado, vem e fere a Ajax. — Aquiles chama seu amigo Pátroclo, e o manda saber de Nestor novas do combate. — Nestor lhe pinta a triste imagem das desgraças dos Gregos. — Pátroclo volta a Aquiles para pedir-lhe que socorra aos Gregos, ou que lhe empreste suas vestimentas e armas a fim de que os inimigos se iludam e tenham medo. — No caminho encontra Eurípilo ferido; o conduz à sua tenda, onde tem com ele todos os cuidados.
Combate geral. — Os Gregos, repelidos aos seus entrincheiramentos temem a presença de Heitor. — Heitor, à frente de suas tropas, quer passar à muralha dos Gregos. — Polidamas lhes aconselha descerem dos carros e darem o combate a pé. — Os Troianos aceitam o conselho e marcham ao assalto, divididos em cinco falanges, sob as ordens de seus chefes. — Asio, que não obedece o conselho, foi morto por Idomeneu. — Defesa das portas. — Heitor teima destruir os obstáculos. — A aparição de uma águia. — Polidamas atemorizado quer fazer cessar o combate. — Heitor repele os temores. — Os Gregos, firmes em seus postos, fazem grande mortandade entre os Troianos. — A coragem dos dois Ajax. — Valor de Sarpédon e de Glauco. — Este ferido foge. — Os Lícios, comandados por Sarpédon são repelidos pelos Gregos, quando próximos a escalarem a muralha. — Júpiter interessa-se pelos Troianos. — Heitor lança uma enorme pedra contra uma das portas, quebra-a, entra no campo dos Gregos com todo o seu exército, e os obriga a fugir para os seus navios.
Grande mortandade feita pelos Troianos entre os Gregos. — Netuno comovido por este triste espetáculo vem em socorro dos navios Gregos. — O deus do mar desperta a coragem dos dois Ajax e dos outros combatentes. — Heitor por sua vez encoraja as suas falanges. — Teucro imola o Troiano Ímbrio — Feitos dos dois Ajax, que ferem a Heitor e o repelem para longe. — Netuno irritado pela morte de Anfimaco prepara aos Troianos novas calamidades. — O deus excita Idomeneu ao combate. — Idomeneu vai buscar em sua tenda Merion, seu fiel escudeiro, e com ele se dirige para a esquerda do exército. — Terrível peleja entre os Gregos e os Troianos. — Júpiter favorece aos Troianos, e Netuno protege os Gregos. — Idomeneu faz prodígios de valor. — Pende a vitória para o lado dos Gregos. — Heitor fica em seu posto inabalável. — Os dois Ajax avançam com seu exército ao encontro do herói Troiano. — A conselho de Polidamas, Heitor reúne todos os guerreiros, e dirige a Páris amargas censuras. — Páris defende-se das acusaçôes. — Os dois irmãos lançam-se à peleja e pretendem levar a perturbação ao centro dos Gregos. — Ajax, certo por um feliz presságio, recomeça o combate. — Horríveis clamores que se elevam de todas as partes.
Nestor, espantado pelos clamores dos combatentes, sai de sua tenda. — Observa um horrível espetáculo. — Diomedes, Ulisses, Agamemnon, posto que feridos, vão ao encontro de Nestor para salvar o exército. — Agamemnon vendo a ira de Júpiter e inquieto sobre a sorte do combate propõe a fuga. — Ulisses rejeita a proposta. — Diomedes lhe persuade para voltar ao campo de batalha e com sua presença reanimar os guerreiros. — Nestor, disfarçado em um velho guerreiro, anima a Agamemnon e o exército dos Gregos. — Juno quer prestar o seu apoio aos Gregos e prepara-se para seduzir o pai dos deuses no monte Ida. — Vai a Lemnos e pede ao Sono, irmão da morte, para adormecer Júpiter. — O Sono atende os votos da deusa. — Netuno aproveita-se do repouso de Júpiter, anima os Gregos e segue à sua frente. — Combate. — Heitor é ferido por Ajax. — Os Gregos têm a vitória.
Júpiter, ao acordar, vê os Gregos vencedores e os Troianos dispersos. — Reconhece ser obra de Juno e dirige-lhe exprobações. — Juno diz que Netuno é o único culpado. — Juno, por ordem de Júpiter, vai ter com Íris e Apolo para que reanimem os Troianos. — Juno anuncia aos imortais a morte de Ascálafo, filho de Marte. — Quer este deus vingar a morte de seu filho. — Minerva o retém. — Íris força Netuno a deixar o combate. — Apolo anima a Heitor. — Feitos de Heitor. — À vista deste herói, Pátroclo aconselha Aquiles para ir ao combate. — Os Gregos lutam com valor. — Os Troianos se precipitam sobre os navios. — Os Gregos resistem, e depois fogem. — Ajax volta ao combate e a luta recomeça. — Horrível mortandade. — Ajax armado de uma lança repele os Troianos de junto dos navios.
Pátroclo vai ter com Aquiles, e depois de lhe haver pintado as desgraças dos Gregos, pede-lhe suas armas para combater com os Troianos. — Aquiles concede-lhas. — Ajax enfraquece. — Aquiles apressa o seu companheiro a partir, ordena os Tessálios e faz libações a Júpiter. — Atemorizam-se os Troianos à vista de Pátroclo. — Dá-se um combate junto aos navios, fogem os Troianos e são perseguidos. — Só Sarpédon resiste. — A Glauco é reservado o cuidado de vingar a morte de Sarpédon. — Os Troianos dão ataque. — Feitos de Pátroclo. — Valor de Glauco. — Os Gregos não se deixam abater; despojam o corpo de Sarpédon. — Pátroclo esquece as recomendações de Aquiles e avança aos muros de Tróia. — Luta de Pátroclo com Heitor. — É aquele morto por Euforbo e Heitor. Heitor persegue a Automedon.
Sentimento de Menelau quando soube da morte de Pátroclo. Avança para proteger os restos inanimados do seu amigo. — Mata a Euforbo mas é repelido por Heitor. — Menelau e Ajax vão em defesa dos restos de Pátroclo. — Recua Heitor ante Ajax. — Exprobrações de Glauco. — Heitor toma as armas de Aquiles e anima seus companheiros a combate. — Combate e mortandade de parte a parte. — Os corcéis de Aquiles são levados a combate por Automedon. — É o carro atacado por Heitor, Eneias, e por outros guerreiros. — Os cavalos, graças à sua velocidade, escapam à perseguição dos Troianos. — Minerva inspira a Menelau um generoso ardor. — Apolo reanima a Heitor. — Temor de Ajax. — Por ordem deste herói, Menelau manda anunciar a Aquiles a morte de Pátroclo e a derrota dos Gregos.
Antíloco dá a Aquiles a notícia da morte de Pátroclo. — Dor profunda de Aquiles. — Tétis com as Nereidas vem consolar seu filho. — Vendo-o animado do desejo de vingança, ela promete-lhe para o dia seguinte uma nova armadura fabricada por Vulcano. — Despede as Nereidas e dirige-se para o Olimpo. — Durante este tempo o combate se reanima em redor dos restos de Pátroclo. — Heitor se apoderaria do cadáver, se, impelido por Juno, Aquiles não houvesse lançado o terror entre os Troianos. — Ao anoitecer os Gregos tomam o cadáver e o levam para a tenda de Aquiles. — Os Troianos reúnem-se para deliberar. — Heitor repele os prudentes conselhos de Polidamas. — Os Gregos lamentam a morte de Pátroclo e lhe fazem as honras fúnebres. — Tétis vai ter com Vulcano. — Benévolo acolhimento que teve a deusa. — Vulcano fabrica para Aquiles as melhores armas, cuja descrição vai no fim deste canto.
Ao amanhecer Tétis traz a seu filho Aquiles as armas fabricadas por Vulcano e o induz a reconciliar-se com Agamemnon. — Aquiles reúne os Gregos o vai ao campo de batalha. — Agamemnon reconhece os seus direitos. — Impetuoso a princípio, cede afinal aos conselhos de Ulisses. — Briseida é restituída a Aquiles. — Agamemnon jura que jamais tocara na cativa. — Lamentaçoes pela morte de Pátroclo. — Aquiles mesmo entrega-se à dor e anseia pela hora do combate. — Os Tessálios se formam em falanges. — Aquiles sobe a seu carro e surdo a uma voz que pressagia-lhe morto próximo, lança-se furioso no meio dos inimigos.
Júpiter convoca os deuses. — Segundo as ordens de Júpiter, Juno, Mercúrio, Netuno, Minerva, e Vulcano colocam-se ao lado dos Gregos; Marte, Apolo, Diana, Latona, o Xanto, Vênus, do lado dos Troianos. — Apolo excita Eneias contra Aquiles. — Resposta de Eneias. — Eneias e Aquiles provocam-se e avançam um sobre o outro. — Eneias quase a morrer é salvo por Netuno. — Novo ardor de Aquiles. — Heitor anima os Troianos. — No momento em que ele vai atacar a Aquiles, é chamado por Apolo. — Heitor vai misturar-se com a multidão. — Aquiles mata Polidoro, filho de Príamo. — Heitor quer vingar a morte de seu irmão. — Apolo oculta o herói Troiano. — Aquiles, irritado por não poder encontrar o seu inimigo, ataca o grosso dos Troianos e faz grande mortandade.
Derrota dos Troianos à margem do Xanto. — Aquiles, já aborrecido de tantas mortes prende doze guerreiros Troianos, que devem morrer em memória da morte de Pátroclo. — Súplica de Licaon. — Morte de Licaon. — Luta de Aquiles e de Asteropeu. — Aquiles triunfa. — Indignação de Xanto. — Combate de Aquiles e do Rio. — Diversos episódios produzidos por esta luta. — Combate dos deuses. — Furor de Aquiles, depois da intervenção de Apolo em favor de Ílio, e da volta dos deuses para o Olimpo. — Apolo inspira ao divino Agenor a resolução de esperar Aquiles a pé firme. — Aquiles é ameaçado por Agenor, mas Apolo intervindo salvou-o dos golpes de Aquiles. — Por um disfarce de Apolo Aquiles afasta-se dos muros de Tróia.
Aquiles reconhece seu erro. — Volta aos muros onde Heitor ousa esperá-lo. — Súplica de Príamo a seu filho. — Hécuba exorta-o a ter prudência e lhe previne a sorte que o espera. — Resolução de Heitor. — Aparece Aquiles. — Heitor atemoriza-se. — Júpiter consulta aos deuses e lhes propõe o salvar a Heitor. — Minerva opõe-se. — Febo abandona. — Minerva encoraja a Aquiles. — A deusa disfarçada em Deifobo, induz Heitor a esperar o seu inimigo. — Heitor agradece a seu irmão ter vindo em seu socorro. — Resposta de Minerva. — Heitor promete, no caso de vencer, não profanar o corpo de Aquiles. — Este recusa fazer tratados e desafia. — Heitor evita a azagaia de seu inimigo e lança a sua que inutilizou-se contra o escudo de Aquiles. — Continuação do combate. — Aquiles triunfa. — Súplica de Heitor. — Aquiles é inflexível. — Fala dos Gregos, que vêm contemplar o cadáver de Heitor. — Insulto ao cadáver. — Dor dos Troianos. — Desespero de Príamo. — Lamentações de Hécuba. — Andrômaca ao saber da morte de seu marido. XXIII Aquiles faz os funerais de Pátroclo. — Seu juramento. — Seu sono. — A visão de Pátroclo. — Vênus e Apolo protegem os restos de Heitor. — Aquiles prepara jogos fúnebres e deposita na arena os prêmios aos vencedores. — Jogos.
Aquiles transido de mágoa faz passar o cadáver de Heitor três vezes em redor do túmulo de Pátroclo. — Os deuses propõem a Mercúrio arrebatar o cadáver de Heitor. — Juno e Netuno se opõem. — Apolo censura a crueldade de Aquiles. — Resposta de Juno, que lembra a origem divina de Aquiles. — Juno é convidada a ir ao Olimpo, onde Júpiter a consola por haver resolvido que o cadáver fosse entregue a Príamo. — Tétis vai ter com Aquiles e lhe comunica a vontade de Júpiter. — Preparativos feitos por Príamo para ir pedir o cadáver de seu filho. — Príamo chega ao acampamento dos Gregos. — Descrição da tenda de Aquiles. — Príamo lança-se aos pés de Aquiles, e lhe implora em nome de seu pai. — Ao lembrar-se de seu pai chora o Pelides. — Episódios de tão triste encontro de Príamo e de Aquiles. — Aquiles promete a Príamo entregar-lhe o cadáver de Heitor e concede-lhe doze dias de tréguas para as honras fúnebres. — Saída de Príamo d’entre o exército Grego. — Cassandra apercebeu de longe o velho Príamo. — O povo vai às portas da cidade. — Funerais de Heitor. O EDITOR