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Humanismo

Noção geral do humanismo

Não esperamos o interesse suscitado pelas novas diretivas comunistas concernentes ao humanismo socialista para situar o problema do humanismo. Desde então, este problema está na moda; afinal há lugar para que nos rejubilemos com isto, questões de importância central foram levantadas para o futuro. Não se poderá mais dizer que o problema do homem só começará a ter significação depois do desaparecimento da economia capitalista.

Todavia, não nos apercebemos ainda de que tomar posição sobre o humanismo obriga a situar ao mesmo tempo muitos outros problemas.

Desejaria aqui, e para introduzir às considerações propostas na presente obra, chamar a atenção para um destes problemas. Nada há que o homem deseje tanto como uma vida heróica; nada há de menos ordinário ao homem do que o heroísmo: é, parece-me, o sentimento profundo de tal antinomia que faz, a um só tempo, o trágico e a qualidade espiritual da obra de André Malraux. Suponho que a questão do humanismo, mesmo socialista, não parece a Malraux uma questão de repouso.

Poderei eu afirmar que a Aristóteles tampouco ela não parecia uma questão de repouso? Propor somente o humano ao homem, notava ele, é trair o homem e desejar sua infelicidade, porquanto pela sua parte principal, que é o espírito, o homem é solicitado para melhor do que uma vida puramente humana. Sobre este princípio (senão sobre a maneira de o aplicar), Ramanuja e Epíteto, Nietzsche e S. João da Cruz estão acordes.

A nota de Aristóteles que acabo de lembrar é humanista ou é anti-humanista ? A resposta depende da concepção que se faz do homem. Vê-se por isto que a palavra humanismo é um vocábulo ambíguo. É claro que aquele que o pronuncia compromete de logo uma metafísica, e que, segundo existe ou não no homem alguma coisa que respira acima do tempo, e uma personalidade cujas necessidades mais profundas ultrapassam toda ordem do universo, a idéia que se fará do humanismo terá ressonâncias inteiramente diferentes.

Contudo, porque a grande sabedoria pagã não pode ser supressa da tradição humanista, devemos ser advertidos em qual quer caso em não definir o humanismo pela exclusão de toda ordenação ao super-humano e pela abjuração de toda transcendência. Para deixar as discussões abertas, digamos que o humanismo (e uma tal definição pode ser desenvolvida segundo linhas muito divergentes) tende essencialmente a tornar o homem mais verdadeiramente humano, e a manifestar sua grandeza original fazendo-o participar de tudo o que o pode enriquecer na natureza e na história ("concentrando o mundo no homem", como dizia mais ou menos Scheler, e "dilatando o homem ao mundo"); ele exige ao mesmo tempo que o homem desenvolva as virtualidades nele contidas, suas forças criadoras e a vida da razão, e trabalhe por fazer das forças do mundo físico instrumento de sua liberdade.

Assim entendido, o humanismo é inseparável da civilização ou da cultura, tomando-se estas duas palavras como sinônimas.

Pode haver um humanismo heróico ?

As observações precedentes parecem dificilmente contestáveis. De fato, no entanto, não se apresentam os períodos humanistas, nos diversos ciclos de cultura, em oposição com os períodos heróicos, e não aparecem como um declínio destes no humano, ou como uma retomada do humano sobre estes, como uma recusa mais ou menos geral do super-humano? Seria portanto o humanismo incompatível com o heroísmo, e com os momentos criadores, ascendentes, e verdadeiramente orgânicos da cultura, a não ser quando estivesse ligado a um dinamismo histórico, onde ele ficasse inconsciente de si mesmo e escondido aos próprios olhos, e no qual mesmo à dor fosse cego, e se suportasse na ignorância, o homem se ignorando então para se sacrificar por qualquer coisa mais elevada do que ele? Será que o humanismo somente se pode desembaraçar por si mesmo e se exprimir, e significar ao mesmo tempo suas postulações próprias, nos momentos de dissipação de energia, de dissociação e de descida, em que para recorrer uma vez a esta oposição de termos, a "cultura" se torna "civilização", em que a dor abre os olhos sobre si, - e não é mais suportada? Será que o homem só se pode conhecer renunciando ao mesmo tempo a se sacrificar por qualquer coisa maior do que ele ? Humana, demasiado humana, pulando nesta "anarquia dos átomos" de que falou Nietzsche, é a decadência neste sentido um fenômeno humanista?

Talvez a resposta fosse menos simples do que parece a certo aristocratismo fácil, talvez certas formas de heroísmo permitissem resolver esta aparente contrariedade. Pretende-o o heroísmo comunista pela tensão revolucionária e o titanismo da ação, o heroísmo budista, pela piedade e a inação (non - agir). Pelo amor pretende-o outro hurnanismo. O exemplo dos santos humanistas, como o admirável Tomás Morus, é neste ponto de vista particularmente significativo. Testemunha porém ele somente que humanismo e santidade podem coexistir, ou então que pode haver um humanismo nutrido nas fontes heróicas da santidade? Um humanismo desembaraçado por si mesmo e consciente de si, que conduz o homem ao sacrifício e a uma grandeza verdadeiramente super-humana, pois então a dor humana desvenda os olhos, e é suportada por amor, - não na renúncia à alegria, mas em uma sede maior, e na exultação da alegria. Pode haver um hurnanismo heróico ?

Quanto a mim, respondo que sim. E me pergunto se não e da resposta a esta questão (e das considerações que se acrescentam) que dependem antes de tudo as diversas posições tomadas por iins e outros em face do trabalho histórico que se efetua aos nossos olhos, e as diversas opções práticas às quais se sentem obrigadas.

O humanismo ocidental e a religião.

Bem compreendo que, para alguns, um humanismo autêntico só deve ser por definição um humanismo anti-religioso. Pensamos de modo absolutamente contrário, como se verá nos capítulos que se seguem. No momento, quereria somente indicar, a propósito, duas observações de fatos.

Primeiramente, é verdade que, desde os princípios da Renascença, o mundo ocidental passou progressivamente de um regime de heroísmo sacral cristão a um regime humanista. Mas o humanismo ocidental tem fontes religiosas e "transcendentes" sem as quais é incompreensível; - chamo "transcendentes" todas as formas de pensamento, quaisquer que sejam fora disto as suas diversidades, que põem na origem do mundo um espírito superior ao homem, no homem um espírito cujo destino vai além do tempo, e uma piedade natural ou sobrenatural no centro da vida moral. As fontes do humanismo ocidental são fontes clássicas e fontes cristãs, e não é somente na massa da antigüidade medieval, é também em uma das partes menos recusáveis da herança da antigüidade pagã, aquela que evocam os nomes de Homero, Sófocles, Sócrates, Virgílio "Èai do Ocidente", que aparecem os caracteres a que acabo de me referir. De outro lado, pelo fato somente de que o regime da cristandade medieval era um regime de unidade da carne e do espírito, ou de espiritualidade incarnada, ele envolvia em suas formas sacrais um humanismo virtual e implícito; no XII e XIII séculos ele devia "aparecer" e se manifestar, - com o brilho de uma beleza instável e como que obrigada a existir, pois de logo a discordância entre o estilo cultural medieval e o estilo do humanismo clássico (sem falar das diversas desfigurações que o próprio cristianismo iria sofrer e cujas principais foram o puritanismo e o janseísmo), devia recobrir e esconder por um tempo o acordo provindo (?) do cristianismo e do humanismo considerados em suas essências.

Nesses tempos medievais, uma comunhão, em uma mesma fé viva, da pessoa humana com as outras pessoas reais e concretas, e com o Deus que elas amavam, e com a criação inteira, tornava, no meio de muitas misérias, o homem fecundo em heroísmo assim como em atividade de conhecimento e em obras de beleza; e nos corações mais puros um grande amor, exaltando no homem a natureza acima dela própria, estendia às próprias coisas o senso da piedade fraterna; então, um São Francisco compreendia que antes de ser explorada em nosso serviço por nossa indústria, a natureza material reclama em qualquer sorte ser adestrada por nosso amor; quero dizer que amando as coisas, e nelas o ser, o homem as atrai ao humano, em lugar de fazer passar o humano sob a sua medida.

De outro lado, - e é esta a minha segunda observação, a considerar o humanismo ocidental em suas formas contemporâneas aparentemente as mais emancipadas de toda metafísica da transcendência, é fácil ver que, se um resto de conao (?) comum subsiste ainda da dignidade humana da liberdade dos valores desinteressados, é uma herança de idéia e sentimentos outrora cristãos, hoje desviados. E compreendo muito bem que o humanismo liberal-burguês seja apenas o trigo degerminado, pão de amido. E contra esse espiritualismo materializado, o materialismo ativo do ateísmo ou do paganismo levam vantagem. Todavia, desligadas de suas raízes naturais e colocadas em um clima de violência, são ainda em parte energias cristãs adoecidas que, de fato, existencialmente, qualquer que sejam as teorias, comovem o coração dos homens e os obrigam à ação. Não é um dos sinais da confusão das idéias que se estende hoje sobre o mundo, ver tais energias outrora cristãs servir para exaltar precisamente a propaganda de concepções culturais diametralmente opostas ao cristianismo ? Seria bela a ocasião para os cristãos reconduzir as coisas à verdade, reintegrando na plenitude de sua fonte original essas esperanças de justiça e essas nostalgias de comunhão, cujo sustento é feito pela dor do mundo e cujo élan é desorientado, e suscitando assim uma força cultural e temporal de inspiração cristã capaz de agir na história e ajudar os homens.

Ser-lhes-iam necessárias para tal uma sã filosofia social e uma sã filosofia da história moderna. Trabalhariam eles então para substituir, ao regime inumano que agoniza aos nossos olhos, um novo regime de civilização que se caracteriza por um humanismo integral, e que representaria a seus olhos uma nova cristandade não mais sacral, porém profana, como tentamos mostrar nos estudos aqui reunidos.

Este novo humanismo, sem medida comum com o humanismo burguês, e tanto mais humano quando menos adora o homem, mas respeita realmente e efetivamente a dignidade humana e dá direito às exigências integrais da pessoa, nós o concebemos como que orientado para uma realização social-temporal desta atenção evangélica ao humano, a qual não deve existir somente na ordem espiritual, mas incarnar-se, e também para o ideal de uma comunidade fraterna. Não é pelo dinamismo ou pelo imperialismo da raça, da classe ou da nação que ele pede aos homens de se sacrificarem, mas por uma vida melhor para os seus irmãos, e pelo bem concreto da comunidade das pessoas humanas; pela humilde verdade da amizade fraterna a fazer passar - ao preço de um esforço constantemente difícil, e da pobreza, - na ordem do social e das estruturas da vida comum; é deste modo somente que um tal humanismo é capaz de engrandecer o homem na comunhão, e é por isto que ele não poderia ser outro senão um humanismo heróico.

Fonte: www.maritain.org.br

Humanismo

Ao final da Idade Média a Europa passa por profundas transformações.

A imprensa é aperfeiçoada permitindo maior divulgação dos livros; a expansão marítima é impulsionada graças ao desenvolvimento da construção naval e à invenção da bússola; aparecimento da atividade comercial. Surge o mercantilismo, e com ele, a economia baseada exclusivamente na agricultura perde em importância para outras atividades. As cidades portuárias crescem, atraindo camponeses. Criam-se novas profissões e pequenas indústrias artesanais começam a se desenvolver.

Uma nova classe social emerge nas pequenas cidades ( burgos), composta por mercadores, comerciantes e artesãos, as quais passam a desafiar o poder dos nobres. Essa classe recebe o nome de Burguesia.

O espírito medieval, baseado na hierarquia nobreza – clero – povo, começa a se desestruturar e o homem preso ao feudo e a o senhor adquire nova consciência. Diante do progresso, percebe-se como força criadora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo.

O homem descobre o homem. A idéia de que o destino estava traçado por forças superiores, a qual caracteriza a homem como ser passivo, vai sendo substituída pela crença de ele é o mentor de seu próprio destino. O misticismo medieval começa a desaparecer, e o Teocentrismo cede lugar ao Antropocentrismo.

Portugal tem como marco cronológico de toda essa transição a Revolução de Avis (1383 – 85), quando D. João, o Mestre de Avis, aliado aos burgueses, proporcionou a expansão ultramarina. A tomada de Ceuta em 1415, primeira conquista ultramarina, Portugal inicia a longa caminhada de um século até conhecer seu apogeu.

*Os valores humanistas.

Com as bases do feudalismo abaladas e diante de uma nova ordem econômica e social, inicia-se um período fundado numa economia comercial expansionista – o capitalismo comercial.

Diante dessas alterações, o homem começa a valorizar o saber.

Os humanistas passam a difundir a idéia de que os valores e direitos de cada indivíduo deveriam sobrepor-se as ordens sociais. Grandes admiradores da cultura antiga, estudavam, copiavam e comentavam os textos de portas e de filósofos greco-latinos, cujas idéias seriam amplamente aceitas no Renascimento.

O Humanismo foi, portanto, o movimento cultural que esteve a par do estudo e da imitação dos clássicos. Fez do homem o objeto do conhecimento, reivindicando para ele uma posição de importância no contexto do universo, sem contudo, negar o valor supremo de Deus.

*O movimento Literário.

O período compreendido como Humanismo na Literatura Portuguesa vai desde a nomeação de Fernão Lopes a cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434, até o retorno de Francisco Sá de Miranda da Itália, quando introduziu uma nova estética, o Classicismo, em 1527.

Gil Vicente,

nasce o Teatro em Portugal

O ano de nascimento do teatrólogo Gil Vicente, o introdutor do teatro em Portugal, não é conhecido ao certo; alguns assinalam que teria sido em 1465 ou 1466, e o ano de sua morte entre 1536 e 1540. Sabe-se, entretanto, que ele iniciou sua carreira teatral em 1502, quando, representando os servidores do Palácio do rei D. Manoel, declamou em espanhol o Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro, na câmara de D. Maria de Castela .

Vicente, figura cimeira do teatro português, foi homem de coragem, que não hesitou em denunciar com lucidez, mordacidade e sentido de humor os abusos, hipocrisias e incoerências que estavam a sua volta. Nada escapou a sua observação: o clérigo devasso e venal, esquecido do verdadeiro sentido de sua missão; o velho cúpido e avarento; a moça fútil e preguiçosa; a esposa infiel, hipócrita e interesseira – todos eles constituem personagens vivas, lançadas do tempo para a eternidade pelo genial Mestre Gil.

Foi assim que começou...

No mais rico cenário de então no Paço Real Português, na magnificente alcova real, horas depois de a rainha Dona Maria, mulher de D. Manuel, Ter dado à luz aquele que viria a ser El-rei D. João III, na noite de 7 para 8 de julho do ano da graça de 1502... "entrou um vaqueiro dizendo: Perdiez! Siete repelones / me pegaron à la entrada...".

...E mestre Gil, entrando naquela suntuosa câmara recamada de damascos e pedrarias, com seu Monólogo do Vaqueiro, inicia a sua carreira de dramaturgo. E, por ser coisa nova em Portugal, Dona Leonor lhe pediu que o repetisse, endereçado ao nascimento do Redentor, nas matinais do Natal, em 1502.

O Teatro de Vicentino

A obra de Vicente é um documento vivo do que foi o Portugal da primeira metade do século XVI. O ambiente social deste momento da História apresentou ao dramaturgo enovelado numa série de fatores típicos. O clero, classe muito numerosa, estava presente em todos os setores da sociedade e a maior aparte de seus membros acusava uma singular relaxação de costumes.

A nobreza estava em decadência, tanto econômica quanto culturalmente. Mas vivia alardeando riquezas, explorando o trabalho dos servidores e desprezando-os, prometendo tudo e nada dando.

As profissões liberais também são referidas nas obras do dramaturgo das cortes de D. Manuel e de D. João III. Os médicos eram os charlatães que pouco sabiam do seu ofício, explorando os clientes.

O camponês, de condição miserável e alienada, era o sustentáculo da hierarquia feudal ( clérigos e nobres). Mas, como todo homem, tem a ambição e aspira a viver na corte.

No aspecto religioso, debatia-se a questão das indulgências, perdões e outras fontes de réditos para a Santa Sé, criticavam-se as rezas mecânicas, o culto dos santos e as superstições.

Um outro aspecto que merece atenção na época é a infidelidade conjugal das esposas, conseqüência da partida dos maridos nas armadas das descobertas e conquistas, fato bem documentado no Auto da Índia. A Ama lamenta-se que:

Partem em maio daqui

quando o sangue novo atiça.

Parece-te que é justiça?

Tentando uma explicação para ela própria e propondo-se levar uma vida desregrada. Aliás, muitas casavam contra os seus gostos e vontade, quer por imposição dos pais, quer na ânsia de alcançar títulos nobiliárquicos. Daí a esperança que se apossava delas de que os seus "queridos" maridos por lá ficassem enterrados ou encerrados em algum cativeiro. Mas acontecia que eles acabavam por regressar, embora de mãos vazias e, por vezes, famintos; e então vinham as pragas e lamentações.

O riso não é em Gil Vicente uma concessão à facilidade ou um meio de adoçar asperezas, ou ainda uma máscara apara incompreensão. É acima de tudo a expressão de um profundo sentido da tragédia humana. "O riso é a coisa mais séria do mundo". Por que é a exteriorização de uma dolorosa tomada de consciência diante de um mundo louco e inacabado, que teima em tomar-se a sério – como se nada mais houvera a fazer nele e por ele. Esse mundo desconcertado Gil Vicente não rejeita, mas também não aceita passivamente. É pelo caminho mais difícil – o de analisar esse mundo, recriando-o – que ele segue para compreendê-lo e dar-lhe uma nova medida.

Fonte: universoliterario.vilabol.uol.com.br

Humanismo

O homem em busca da liberdade

Este momento histórico-social é tido como um período de transição. Marca a passagem do fim da Idade Média para a Idade Moderna.

Com o crescimento das cidades e do comércio, o regime feudal enfraqueceu. Os servos podiam vender sua colheita e conseguir dinheiro para pagar os serviços que deviam ao senhor feudal; podiam ir para a cidade ou conhecer novas terras. O desejo de liberdade se concretizava.


Os senhores feudais, aos poucos, foram perdendo suas terras e seus servos. Neste momento, o rei, que era uma autoridade simbólica, fortalece-se, à medida que se aliava a uma classe social emergente, a burguesia, formada por artesãos e comerciantes, detentores do dinheiro, que viviam nas cidades.

No momento em que o rei consegue centralizar o poder, tendo como alicerce a teoria do dinheiro divino, à igreja Romana interessa defender a estrutura feudal, por possuir uma quantidade bastante grande de terras.

Com isso, a igreja deixou de ser a única responsável pelo monopólio da cultura, formando-se bibliotecas fora dos mosteiros e dos conventos.


São também frutos dessa época os humanistas, homens cultos e admiradores da cultura antiga. Eram individualistas, davam maior importância aos direitos de cada indivíduo do que à sociedade. Acreditavam no progresso, rejeitando a hierarquia feudal.

Através do contexto histórico, podemos perceber que o homem da época rompe com o sistema feudal e com a visão teocêntrica do mundo determinada pela igreja e vai em busca de si mesmo, de novas descobertas e novos valores.

O momento é de transição.

O homem começa a se valorizar, sem contudo abandonar por completo o temor a Deus e a submissão.
A literatura, como está intimamente engajada no momento histórico-social, vai gerar produções literárias que refletem esse período conflitante no qual o homem do século XV viveu.

A data que marca o início do Humanismo em Portugal é o ano de 1418, quando D.Duarte nomeia Fernão Lopes como guardador da Torre do Tombo, e termina quando Sá de Miranda retorna da Itália, em 1527, empreendendo em Portugal a campanha em prol da cultura clássica.

Como principal manifestação literária, encontramos:

Teatro

Durante a época medieval, o teatro era essencialmente religioso, limitando-se a representações litúrgicas do Natal e da Páscoa.

No Humanismo, o teatro segue um novo rumo, com as peças de Gil Vicente, que se utiliza do alegórico-religioso para construir caricaturas profanas. Critica as várias camadas da sociedade: povo, nobreza e principalmente o clero, condenando a luxúria e os abusos dos padres.

Gil Vicente acredita que a verdadeira salvação do homem encontra-se na pureza do espírito.

Gil Vicente (1465?-1536?)

Gil Vicente critica, em sua obra, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, desde o papa, o rei o alto clero, até a mais baixa classe social: os feiticeiros, as alcoviteiras e os agiotas.

Acreditando na função moralizadora do teatro, colocou em cena fatos e situações que revelavam a degradação dos costumes, a imoralidade dos frades, a corrupção no seio da família, a imperícia dos médicos, as práticas de feitiçaria, o abandono do campo para se entregar às aventuras do mar.

Sua crítica tem um objetivo: reaproximar o homem de Deus. Nesse sentido, Gil Vicente se revela um homem de espírito e formação medieval, expressando uma concepção teocêntrica, numa época de profundas transformações sociais e culturais.

Gil Vicente escreveu mais de quarenta peças. Dentre elas, destacamos:

Fonte: www.brasilescola.com

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