Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Império Bizantino  Voltar

Império Bizantino

 


Mosaicos Arte Bizantina

Constantino fundou Constantinopla (hoje Instambul) em 330, no lugar onde existia a colônia grega de Bizâncio. Seu primeiro nome foi Nova Roma.

A localização geográfica era privilegiada: entre Europa e Ásia, na passagem do Mar Egeu para o Negro, cercada de águas por três lados e protegida por muralhas.

Estes fatores contribuíram para a longa duração do império Romano do Oriente, criado por Teodósio em 395. A cidade só caiu em 1453 porque Maomé II destruiu-lhe as muralhas com poderosos canhões, fabricados por engenheiros saxões. Constantinopla representava a síntese dos mundos greco-romano e oriental.

Enquanto o Império ocidental, ruía, mantinha a unidade do oriental, que abrangia Península Balcânica, Ásia Menor, Síria, Palestina, norte da Mesopotâmia e nordeste da África.

Justiniano, a lei e a Igreja

O Império Bizantino atingiu o máximo esplendor no governo de Justiniano (527-565), macedônio filho de camponeses, sobrinho do general Justino, que se havia tornado imperador através de um golpe militar. Justiniano casou com uma atriz, Teodora, que exerceu decisiva influência sobre a administração, orientando muitas decisões do marido.

Justiniano, o legislador, mandou elaborar o Digesto, manual de Direito, coletânea de leis redigidas por grandes juristas; as Institutas, que reuniam os princípios fundamentais do Direito Romano; e o Código Justiniano. As três obras foram reunidas no Corpo do Direito Civil. Justiniano, o teólogo, procurou unir o mundo oriental e o ocidental pela religião. Em sua época, uma heresia voltou, sob a forma do monofisismo. Era a doutrina de Nestório.

Seus adeptos afirmavam que Cristo tinha apenas natureza divina; ao contrário da tese do papa Leão I, aprovada em 451 no Concílio Ecumênico de Calcedônia, estabelecendo que Cristo tinha duas naturezas em uma só pessoa: a humana e a divina.

O monofisismo comportava aspectos políticos e manifestava-se como reação nacionalista contra o Império Bizantino. Por isso era mais forte na Síria e no Egito, regiões dominadas por Constantinopla.

Os hereges tinham um forte aliado: a imperatriz Teodora.

Justiniano queria uma Igreja unificada, para usá-la como apoio de seu governo. Isto explica seu cesaropapismo, isto é, a intervenção na Igreja. Para não desagradar ao papa, tentou conciliar a heresia com a ortodoxia. Mas acabou pondo sua influência o próprio papa e a Igreja do Ocidente, que passou a assumir traços da Igreja do Oriente.

A revolta Nika

Gastos militares forçaram a elevação dos impostos. A população de Constantinopla odiava os funcionários do fisco.

Em 532 explodiu a revolta Nika ( do grego nike, vitória, que os revoltosos gritavam). Verdes e Azuis, os dois principais partidos políticos e esportivos que concorriam no hipódromo, rebelaram-se, instigados por aristocratas legimistas (partidários da dinastia legítima, já que Justiniano fora posto no trono pelo tio, usurpador do poder). A firmeza de Teodora e a intervenção do general Belisário salvaram Justiniano. Os revoltosos foram cercados e mortos no hipódromo.

Política externa e mais problemas

Justiniano procurou reconstruir todo o Império. Estabeleceu "paz perpétua" com os persas e conteve o avanço búlgaro. Então, iniciou as guerras de conquista no Ocidente.

Belisário reconquistou a África, trabalho facilitado pelas disputas entre arianismo e cristianismo que atingiam os vândulos. Houve problemas maiores na Itália. Os ostrogodos a dominavam haviam tempos, até com apoio de imperadores romanos do Oriente. Justiniano de novo se impôs à custa da divisão, agora entre os sucessores de Teodorico, fundador do Reino Ostrogótico da Itália. Em 524, os bizantinos conquistaram a Espanha meridional aos visigodos.

A reconstrução durou pouco. Os lombardos, povos germânicos que Justiniano tinha estabelecido Polônia, ocuparam o norte da Itália. África e Espanha cairiam nas mãos dos árabes, que anexariam também Egito, Palestino, Síria e Mesopotâmia.

Outros problemas sobrevieram. A falta de dinheiro atrasava o salário dos soldados. Pestes e ataques bárbaros faziam aumentar o poder dos proprietários, pois o governo era incapaz de garantir a segurança. Constantinopla, cansada de impostos e autoritarismo, recebeu a morte de Justiniano com júbilo.

Mas as dificuldades cresceram nos séculos seguintes. Árabes e búlgaros intensificaram as tentativas de entrar no Império, que se viu às voltas com uma disputa religiosa, o Movimento Iconoclasta, isto é, destruidor de imagens (ícones). O imperador queria obrigar o povo a adorar só a Deus, de imagem irrepresentável.

O Império Bizantino orientalizou-se, até abandonou o latim em favor do grego. No século XI, declinou mas se recuperou; sobreviveria até o fim da Idade Média.

A cultura bizantina

A posição geográfica favoreceu o desenvolvimento comercial e industrial de Constantinopla, que possuía numerosas manufaturas, como as da seda.

A maior realização cultural de Justiniano foi a igreja de Santa Sofia, simples por fora, suntuosa por dentro: a cúpula apoiada em colunas, terminadas em capitéis ricamente trabalhados. Artistas revestiram-na de mosaicos azul e verde sobre fundo negro, com figuras geométricas ou animais e, destacadas, cenas do Evangelho e a imagem de Cristo

Ravena, sede bizantina na Itália, era um dos centros produtores de belíssimos mosaicos.

A arte bizantina combinava o luxo e a exuberância orientais com o equilíbrio e a sobriedade dos romanos. Sua mais alta expressão está nas igrejas, inspiradas na arquitetura persa, coroadas de majestosas cúpulas, distintas do estilo das basílicas romanas.

O Império Bizantino

Império criado por Teodósio (346-395) em 395, com a divisão do Império Romano em dois - o do Ocidente e o do Oriente (Império Bizantino). A capital, Constantinopla (hoje Istambul), é fundada em 330, onde existira Bizâncio.

Enquanto o Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, é extinto em 476, o domínio bizantino estende-se por vários séculos, abrangendo a península Balcânica, a Ásia Menor, a Síria, a Palestina, o norte da Mesopotâmia e o nordeste da África. Termina apenas em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos.

Governo de Justiniano

O apogeu do Império ocorre no governo de Justiniano (483-565), que, a partir de 527, estabelece a paz com os persas e concentra suas forças na reconquista dos territórios dos bárbaros no Ocidente. Justiniano constrói fortalezas e castelos para firmar as fronteiras e também obras monumentais, como a Catedral de Santa Sofia. Ocupa o norte da África, derrota os vândalos e toma posse da Itália. No sul da Espanha submete os lombardos e os visigodos. Estimula a arte bizantina na produção de mosaicos e o desenvolvimento da arquitetura de igrejas, que combina elementos orientais e romanos. Ravena, no norte da Itália, torna-se a segunda sede do Império e um núcleo artístico de prestígio.

Como legislador, ele elabora o Código de Justiniano, que revisa e atualiza o direito romano para fortalecer juridicamente as bases do poder imperial.

Em 532 instaura uma Monarquia despótica e teocrática. Nessa época, em virtude da elevação dos impostos, explode a revolta popular de Nica, abafada com violência.

Mas o Império começa a decair com o final de seu governo. Em 568, os lombardos ocupam o norte da Itália. Bizâncio cria governos provinciais para reforçar a defesa e divide o território da Ásia Menor em distritos militares. A partir de 610, com a forte influência oriental, o latim é substituído pela língua grega.

Cisma do Oriente

Em 717, diante das tentativas árabes de tomar Constantinopla, o imperador sírio Leão III, o Isauro (675?-741?) reorganiza a administração. Influenciado pelas seitas iconoclastas orientais, pelo judaísmo e pelo islamismo, proíbe, em 726, a adoração de imagens nas igrejas, provocando uma guerra religiosa com o papado.

Em 867, a desobediência da Igreja Bizantina a Roma coincide com nova tentativa de expansão de Bizâncio, com a reconquista de Síria, Jerusalém, Creta, Bálcãs e norte da Itália. O Império Bizantino consolida a influência grega e intensifica a difusão do misticismo, em contraposição às determinações católicas. A Igreja oriental rompe finalmente com a ocidental, denominando-se Igreja Ortodoxa, em 1054, no episódio conhecido como Cisma do Oriente.

Domínio turco-otomano

Em 1204, Constantinopla torna-se motivo de cobiça dos cruzados, que a conquistam. O restante do território é repartido entre príncipes feudais. A partir de 1422, o Império luta contra o assédio constante dos turcos. Finalmente, em 1453, Constantinopla é submetida pelos turcos e transforma-se na capital do Império Turco-Otomano.

Fonte: br.geocities.com

Império Bizantino

O Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, manteve-se poderoso ao longo de um milênio, depois da queda de Roma. Síntese de componentes latinos, gregos, orientais e cristãos, a civilização bizantina constituiu, durante toda a Idade Média européia, o principal baluarte da cristandade contra a expansão muçulmana, e preservou para a cultura universal grande parte dos conhecimentos do mundo antigo, sobretudo o direito romano, fonte das normas jurídicas contemporâneas, e a literatura grega .

O Império Bizantino teve origem no ano 330, quando o imperador Constantinus I fundou Constantinopla, na região da colônia grega de Bizâncio (referente a Bizas, fundador lendário da cidade). A intenção de Constantinus I era criar uma segunda capital romana para defender as fronteiras orientais do império dos ataques de Persas, eslavos e demais povos limítrofes.

A posição estratégica - entre a Europa e a Ásia e na rota dos estreitos que permitiam o comércio entre o mar Negro e o Mediterrâneo - converteu Constantinopla, a partir do século V, no único centro político e administrativo do império.

Originalmente, portanto, já se juntavam a parte oriental do antigo império romano e algumas possessões africanas, sobretudo o Egito. Em termos oficiais, o império constituiu-se após a morte de Theodosius I, ocorrida no ano 395. O mundo romano foi então dividido entre seus filhos Arcadius e Honorius.

O primeiro recebeu a região oriental, que compreendia os territórios situados entre a fronteira natural do Danúbio e o Egito.

A leste, suas possessões se limitavam com a Arábia e o império persa; a oeste, o território bizantino fazia fronteira com a Dalmácia, na Europa, e com a Cirenaica, na África. A subida de Arcadius ao poder, em 395, coincidiu com uma série de problemas no império, relacionados com a influência dos germanos na administração e no exército. Embora Arcadius reinasse sobre a pars orientalis, o império mantinha a unidade formal sob a hegemonia política de Roma. O sucessor de Arcadius foi Theodosius II (408-450), que em 425 criou a Escola Superior de Constantinopla, centro dedicado ao estudo de diversas matérias como a gramática e a retórica gregas e latinas, a filosofia e o direito.

Também realizou uma compilação de leis conhecida como Codex Theodosianus. Theodosius II construiu as muralhas de Constantinopla, com o que a capital adquiriu grande capacidade defensiva. Depois de sua morte, assumiu o poder Marcianus (450-457), que enfrentou numerosos problemas religiosos. No Concílio de Calcedônia, em 451, condenou-se a heresia monofisita, que defendia ter Cristo uma única natureza, e impôs-se o pensamento religioso ortodoxo, que teve o apoio do imperador Leon I, sagrado em 457, derrotado pelos vândalos no norte da África e assassinado em 474. No mesmo ano sucedeu-lhe Leon II, logo substituído por Zeno (474-491), que desde 476, depois da extinção do Império Romano do Ocidente, ficou como único imperador.

Zeno teve que enfrentar dois importantes problemas: as querelas religiosas e as rivalidades entre a corte e o exército.

Depois de desbaratar uma intriga palaciana que pretendia derrubá-lo - por um golpe de estado, Basiliscus chegou a ocupar o trono entre 475 e 476 - em vista dos problemas religiosos foi obrigado a publicar um edito de união para evitar as cisões verificadas dentro do império, especialmente na Síria e no Egito. Anastacius I (491-518), estadista enérgico e inteligente, foi o primeiro imperador que viu assomar o perigo dos árabes, enquanto lutava contra os búlgaros e os citas.

Em 506 foi obrigado a firmar um tratado de paz com a Pérsia para recuperar as cidades perdidas durante o conflito que se desencadeara entre os dois estados.

A política religiosa de Anastacius caracterizou-se pelo apoio aos monofisitas e, no aspecto fiscal, suas reformas produziram um crescimento do tesouro imperial.

Após o reinado de Justinus I (518-527), homem incapacitado para o governo, subiu ao poder em 527 Justinianus I, um dos maiores imperadores da história bizantina. Justinianus, que havia adquirido experiência política durante o reinado de seu predecessor, tentou recuperar para Constantinopla a antiga grandeza da Roma imperial.

Ajudado por seus generais Belisarius e Narses, conquistou dos vândalos o norte da África, dos Ostrogodos a península italiana e dos Visigodos parte da Espanha. Também combateu a Pérsia em várias ocasiões, com diferentes resultados. Durante a época de Justinianus realizou-se a maior compilação do direito romano, conhecida como Corpus iuris civilis, obra em que se destacou o jurista Tribonianus.

O texto constava de quatro partes; Codex Justinianus, Digesto ou Pandectas, Institutiones e Novelas. Justinianus morreu em 565, depois de haver conseguido uma efêmera ampliação territorial do império e de promover uma renovação jurídica, mas tendo submetido os cofres do estado a um enorme esforço, de que custaria a se recuperar.

No aspecto religioso, o imperador obrigou todos os pagãos a batizarem-se e buscou uma política de unificação entre católicos e monofisitas. Depois de um período em que diversos imperadores enfrentaram a Pérsia e os bárbaros nos Balcãs, subiu ao trono Heraclius I (610-641), que instituiu o grego como língua oficial.

Apesar da vitória contra os persas, o império bizantino não pôde evitar a progressiva debilitação de seu poderio ante o avanço dos eslavos, no ocidente, e dos árabes, no oriente. Heraclius dividiu o império em distritos militares guarnecidos por soldados estabelecidos como colonos. A partir de 641, pode-se falar de um império helenizado e orientalizado. Os sucessores de Heraclius, os heráclidas, perderam a Síria, a Armênia, a Mesopotâmia, o Egito e o norte da África diante da incontrolável força do Islã, enquanto a Itália caía nas mãos dos lombardos e os búlgaros e eslavos penetravam na península balcânica. Os esforços para deter os árabes foram recompensados com a vitória, em 718, diante das muralhas de Constantinopla. A dinastia isauriana subiu ao poder em 717 com Leon III, artífice da vitória contra os árabes.

As desavenças religiosas conhecidas pelo nome de lutas iconoclastas marcaram esse período. A difusão das superstições e o culto às imagens ameaçaram a estabilidade religiosa do império, mas Leon III conseguiu, mediante a publicação de um edito, proibir a idolatria.

O papa Gregorius III excomungou os iconoclastas, o que motivou a ruptura do imperador com Roma em 731. Os sucessores de Leon III deram continuidade à política religiosa de perseguição aos iconólatras (adoradores de imagens) até que, em 787, a imperatriz Irene convocou um concílio em Nicéia para restaurar esse culto. A deposição de Irene por Niceforus I (802-811) inaugurou um período de insegurança e desordem durante o qual o Império Bizantino estabeleceu contatos com Carlos Magno, na intenção de restaurar a unidade do Império Romano.

A dinastia macedônica, fundada por Basílio I (867-886), conseguiu recuperar o poderio de Constantinopla e elevou o nível econômico e cultural do império.

Os titulares dessa dinastia, de origem armênio-eslava, foram grandes legisladores e administradores. Deve-se a eles a codificação da lei bizantina em língua grega.

Os esforços de Romanus I Lecapenus, de Niceforus II Focas e de Basilius II no sentido de recuperar os territórios perdidos para o Islã viram-se recompensados pelas sucessivas vitórias que reconquistaram a Síria, Jerusalém e Creta. Durante esse período produziu-se a conversão da Rússia ao cristianismo (989) e consumou-se o cisma da igreja do oriente em relação a Roma (1054).

Com a morte do último imperador macedônico, iniciou-se o primeiro período da dinastia dos Comnenos, que aproveitaram as cruzadas para tentar a recuperação dos territórios perdidos. O segundo período, depois da dinastia Ducas, começou com Aleixus I (1081-1118), imperador experiente nas guerras fronteiriças, que lutou contra o normando Roberto Guiscardo, a quem derrotou, e contra os turcos. Com Manuel I (1143-1180) recrudesceram os ataques turcos e o imperador viu-se obrigado a construir numerosas fortificações ao longo das fronteiras do império, o que produziu uma crise econômica. Manuel I em 1176 foi derrotado pelos turcos seldjúcidas. Com os últimos Comnenos, a crise alcançou proporções insustentáveis, principalmente sob o reinado de Andronicus I (1183-1185).

Os normandos em 1185 penetraram em Tessalonica, o que foi aproveitado pela aristocracia bizantina para colocar no trono Isaac II Angelus (1185-1195), primeiro imperador da dinastia dos Ângelos, durante a qual o império entrou em decadência irrecuperável. A rivalidade com as repúblicas italianas pelo domínio comercial no Mediterrâneo produziu grave crise econômica. Tal situação, aliada à pressão dos turcos, que conquistaram a Síria e Jerusalém, e à formação do segundo império búlgaro com a conseqüente perda da Croácia, da Sérvia e da Dalmácia, levou os imperadores a tentarem recuperar o estado.

Contudo, a quarta cruzada, desviando-se de seus propósitos religiosos, interferiu nos assuntos internos bizantinos e não permitiu essa recuperação. Muito ao contrário, beneficiando-se de uma crise sucessória, os cruzados tomaram a cidade de Constantinopla em 1203, e restabeleceram Isaac II no trono, nomeando Aleixo IV co-imperador. Depois de uma revolta que depôs esses dois, em 1204 os cruzados novamente tomaram a cidade. Inaugurou-se assim o chamado império latino (1204-1261) com o reinado de Balduinus I.

Os territórios foram então divididos entre os chefes da cruzada, formando-se os reinos independentes de Tessalonica, Trebizonda, Épiro e Nicéia. As lutas entre esses reinos pela supremacia e pelo domínio econômico da região não demoraram. Ao mesmo tempo, ocorriam ataques turcos e búlgaros, e os bizantinos tentavam recuperar seu império.

Durante o reinado de Balduinus II, homem pouco capacitado para as questões políticas, os bizantinos retomaram o poder. Foi Miguel VIII Paleologus quem, no ano de 1261, se apoderou de Constantinopla, sem que houvesse nenhum enfrentamento bélico.

A época dos Paleólogos significou um renascimento artístico e cultural em Constantinopla, embora tenha assistido à progressiva desintegração de seu império: os limites geográficos do território bizantino se reduziam ante o irrefreável avanço dos turcos otomanos, que se apoderaram das principais cidades gregas da Anatólia e conseguiram conquistar Galípoli (1354) e Adrianópolis (1362), o que ameaçou seriamente as possessões bizantinas da Tessalonica.

Os sérvios, por sua vez, estenderam sua zona de influência à Albânia e ao norte da Macedônia, apesar de sua expansão ter sido contida em 1389, também pelo poderio turco. Em 1422, quase ao fim do reinado de Manuel II, os turcos sitiaram pela primeira vez Constantinopla e em 1430 ocuparam a Tessalonica.

O novo imperador bizantino, João VIII Paleólogo, dispôs-se então a retomar as negociações para a união das igrejas Ortodoxa e Católica. A proposta foi levada ao Concílio de Florença, em 1439, e os ortodoxos por fim concordaram em submeter-se à autoridade de Roma. A união de Florença acorreu em ajuda ao Império Bizantino, mas em 1444 sofreu grave derrota em Varna.

Esta foi a última tentativa por parte do Ocidente de salvar Constantinopla. Constantino XI Paleólogo foi o último imperador bizantino.

Os turcos cortaram as comunicações de Constantinopla, isolando-a economicamente. Compreendendo o perigo que a cidade corria, o imperador quis restabelecer a unidade religiosa com Roma para que os ocidentais fossem em seu auxílio.

Mas, apesar dessas desesperadas tentativas, o sultão otomano Mehmet II sitiou Constantinopla em abril de 1453 e em maio transpôs as muralhas da cidade.

Em 1461, os últimos redutos bizantinos - o reino de Trebizonda e o regime despótico da Moréia - sucumbiram à pressão das tropas otomanas. Com a queda da gloriosa Constantinopla e dessas duas regiões, deixava de existir o Império Bizantino, cujos territórios ficaram submetidos ao domínio turco. Constantinopla, desde então, passaria a chamar-se Istambul.

O Império Bizantino, herdeiro da tradição Helenística e romana, desenvolveu uma cultura de grande valor histórico, não só por seu trabalho de conservação e difusão daquela tradição, mas também pela criação de modelos próprios que haveriam de sobreviver na Grécia e na área de influência da Igreja Ortodoxa, depois da queda de Constantinopla.

Além disso, a arte e a ciência da civilização bizantina exerceram enorme influência sobre a evolução cultural européia, sobretudo depois da queda de Constantinopla, quando numerosos artistas e sábios emigraram para a Itália, onde seus conhecimentos contribuíram para desenvolver o processo Renascentista.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br

Império Bizantino

Civilização Bizantina

(Império Romano do Oriente)

No passado, ela era conhecida como Constantinopla, o principal centro econômico- político do que havia sobrado do Império Romano. Foi edificada na cidade grega de Bizâncio, entre os Mares Egeu e Negro, pelo imperador Constantino.( aí o motivo do nome da cidade ser Constantinopla).

Com uma localização tão estratégica, logo foi tornada na nova capital do império. Por estar entre o Ocidente e o Oriente, desenvolveu um ativo e próspero comércio na região, além da produção agrícola, fazendo com que se destacasse do restante do império romano, que estava parado e na crise.

O Império Romano do Oriente tinha por base um poder centralizado e despótico, junto com um intenso desenvolvimento do comércio, que serviu de fonte de recursos para enfrentar as invasões bárbaras. Já a produção agrícola usou grandes extensões de terra e trabalho de camponeses livres e escravos.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino conseguiu resistir às invasões bárbaras e ainda durou 11 séculos.

A mistura de elementos ocidentais e orientais só foi possível devido a intensa atividade comercial e urbana, dando grande esplendor econômico e cultural. As cidades tornaram-se bonitas e luxuosas, a doutrina cristã passou a ser mais valorizada e discutida em detalhes entre a sociedade.

De início, os costumes romanos foram preservados. Com direito a estrutura política e administrativa, o idioma oficial foi o latim. mas depois tudo isso foi superado pela cultura helenística( grega-asiática). Com esse impulso o grego acabou se tornando o idioma oficial, no séc. VII.

Um forte aspecto da civilização bizantina foi o papel do imperador, que tinha poderes tanto no exército como na igreja, sendo considerado representante de Deus aui na terra,( não muito diferente de outras civilizações!!). o mais destacado imperador foi: Justiniano.

Era de Justiniano(527-565)

Depois da divisão do império romano, pelo imperador Teodósio em 395, dando a parte ocidental para seu filho Honório e a parte oriental para o outro Arcádio.

Com essa divisão, criou-se muitas dificuldades entre os imperadores para manter um bom governo, principalmente devido as constantes invasões bárbaras. Por isso no século V, com o imperador Justiniano que o Império Bizantino se firmou e teve seu apogeu.

Com Justiniano, as fronteiras de império foram ampliadas, com expedições que foram até à Península Itálica, Ibérica e ao norte da África . claro que com tantas conquistas houve muitos gastos! Logo já que os gastos aumentaram, os impostos também e isso serviu de estopim para estourar diversas revoltas , da parte dos camponeses, que sempre ficava com a pior parte- ou o pagamento de impostos abusivos ou o trabalho pesado.

Uma destas , foi a Revolta de Nika,em 532,mas logo foi suprimida de maneira bem violenta pelo governo. Com a morte de 35 mil pessoas.

Mas a atuação de Justiniano foi mais expressiva dentro do governo. Um exemplo, entre 533 e 565, iniciou-se a compilação do direito romano.

Este era dividido em:

Código: conjunto das leis romanas a partir do século II.
Digesto: comentários de juristas sobre essas leis.
Institutas: princípios fundamentais do direito romano.
Novelas: novas leis do período de Justiniano.

E tudo isso resultou no: corpo do direito civil, no qual serviu de base para códigos e leis de muitas nações à frente.

Resumindo: essas leis determinavam os poderes quase ilimitados do imperador e protegiam os privilégios da igreja e dos proprietários de terras ,deixando o resto da população à margem da sociedade.

Na cultura, com Justiniano teve a construção da Igreja de Santa Sofia, com seu estilo arquitetônico próprio – o bizantino – cujo o esplendor representava o poder do Estado junto com a força da Igreja Cristã.

Na política, após a revolta de Nika, Justiniano consolidou seu poder monárquico absoluto por meio do cesaropapismo.

Cesaropapismo: ter total chefia do estado ( como César) e da igreja( como o papa).

GRANDE CISMA

Essa supremacia sobre o imperador sobre a igreja causou conflitos entre o imperador e o Papa.

Em 1054, ocorreu o cisma do oriente, dividindo a igreja Católica em duas partes:

Igreja Ortodoxa - com sede em Bizâncio, e com o comando do imperador bizantino.
Igreja Católica Apostólica Romana - com sede em Roma e sob a autoridade do Papa.

DECADÊNCIA DO IMPÉRIO

Depois da morte de Justiniano(565), houve muito ataques que enfraqueceram a administração do Império. Bizâncio foi alvo da ambição das cidades italianas.

Sendo que Veneza a subjugou e fez dela um ponto comercial sob exploração italiana.

Essa queda não foi imediato,levou algum tempo, o império perdurou até o séc. XV, quando a cidade caiu diante dos turcos- otomanos, em 1453. data que é usada para marcar o fim da idade média e o início da idade moderna.

As conseqüências da tomada de Constantinopla foram:

O surgimento do grande império Turco-Otomano, que também foi uma ameaça para o Ocidente.
A influência da cultura clássica antiga, preservada em Constantinopla, e levada para a Itália pela migração dos sábios Bizantinos.
Com a interrupção do comércio entre Europa e Ásia , ocorre a aceleração da busca de um novo caminho para o Oriente.

SOCIEDADE E ECONOMIA

O comércio era fonte de renda do império. Sua posição estratégica entre Ásia e Europa serviu de impulso para esse desenvolvimento comercial.

O estado fiscalizava as atividades econômicas por supervisionar a qualidade e a quantidade das mercadorias.

Entre estes estavam: perfumes, seda, porcelana e peças de vidro. Além das empresas dos setores de pesca, metalurgia, armamento e tecelagem.

RELIGIÃO

A religião bizantina foi uma mistura de diversas culturas, como gregos, romanos e povos do oriente.

Mas as questões mais debatidas eram:

Monofisismo: estes negavam a natureza terrestre de Jesus Cristo. Para eles Jesus possuía apenas a natureza divina, espiritual. Esse movimento teve início no século V com auge no reinado de Justiniano.
Iconoclastia: para estes a ordem era a destruição das imagens de santos, e a proibição do uso delas em templos. Com base na forte espiritualidade da religião cristã oriental. Teve apoio no século VIII, com o imperador Leão II, que proibiu o uso de imagens de Deus, Cristo e Santos nos templos e teve forte apoio popular.

Fonte: www.juliobattisti.com.br

Império Bizantino

O Império Romano Bizantino que correspondia ao Império Romano do Oriente, surgiu de uma divisão proposta por Teodósio, em 395.

A sede desse império localizava-se em Bizâncio, antiga cidade fundada por marinheiros de Megara (Grécia), em 657 a.C.

Muito tempo após a fundação de Bizâncio, o imperador Constantino percebeu as vantagens que ela oferecia, em termos de segurança e de possuir uma posição comercial estratégica.


Constantinopla - Mapa

Constantino enviou, então, arquitetos e agrimensores para remodelar a cidade. A 11 de maio de 330, a cidade foi inaugurada pelo Imperador, sob o nome de Nova Roma. O povo, porém, preferiu chamá-la pelo nome de seu fundador, Constantinopla. A cidade permaneceu com esse nome até o século VII, quando adotou novamente o nome de Bizâncio (embora os ocidentais ainda utilizassem o nome Constantinopla).

Após a tomada pelos turcos otomanos, em 1453, recebeu o nome de Istambul, que permanece até hoje. Essa data é tradicionalmente utilizada para assinalar o fim da Idade Média e início da Idade Moderna.


Constantino acompanhando o trabalho dos arquitetos

Em seus primeiros tempos, o Império Romano do Oriente conservou nítidas influências romanas, tendo as dinastias Teodosiana (395-457), Leonina (457-518) e Justiniana (518-610) mantido o latim como língua oficial do Estado, conservando a estrutura e as denominações das instituições político-administrativas romanas.

A predominância étnica e cultural grega e asiática, entretanto, acabaria prevalecendo a partir do século VII.

Nos séculos IV e V, as invasões de visigodos, hunos e ostrogodos foram desviadas para o Ocidente mediante o emprego da força das armas, da diplomacia ou pelo pagamento de tributos, meios usados pelos bizantinos durante séculos para sobreviver.

Essas ameaças externas puseram em perigo a estabilidade do Império Bizantino, internamente convulsionado por questões religiosas, que também envolviam divergências políticas. É o caso do Monofisismo, doutrina religiosa elaborada por Eutiques (superior de um convento de Constantinopla), centralizada na concepção de que só havia a natureza divina em Cristo. Embora considerada heresia pelo Concílio de Calcedônia (451 d.C.), que reafirmou a natureza divina e a natureza humana de Cristo, a doutrina monofisista propagou-se pelas províncias asiáticas (Ásia Menor e Síria) e africanas (Egito), onde se identificou com aspirações de independência.


Joia bizantina, amostra do luxo do Império Romano do Oriente

Enquanto o Império Romano do Ocidente caía diante dos bárbaros, o Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, resistia. Na verdade, essa parte privilegiada do Mediterrâneo manteve uma intensa atividade comercial e urbana. Suas cidades se tornaram cada vez mais luxuosas e movimentadas. A cultura greco-romana foi preservada e a doutrina cristã passou a ser discutida com grande minúcia e intensidade.

Justiniano, um dos mais famosos e poderosos imperadores bizantinos reconquistou alguns territórios romanos dominados pelos bárbaros e o Império Bizantino tornou-se rico e poderoso.

O centro dinâmico do império estava nas grandes cidades: Bizâncio, Antioquia, etc.

Nelas morava a classe rica, composta por grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras, alto clero ortodoxo e funcionários destacados. Toda essa gente exibia o luxo de artigos requintados como roupas de lã e seda ornamentadas com fios de ouro e prata, vasos de porcelanas, tapeçarias finas, etc.

Havia ainda uma classe urbana intermediária formada por funcionários de baixo e médio escalão e pequenos comerciantes. A grande maioria da população compunha-se entretanto de trabalhadores pobres e escravos.


Cruz de procissão, em ouro, século XI

Nas festas religiosas em Bizâncio podia-se encontrar o confronto entre dois mundos: o mundo oficial do Imperador, da corte e da Igreja; e o mundo dos homens comuns que ainda adoravam os deuses pagãos (de paganus, camponês).

O imperador romano do oriente ostentava seu poder em cerimônias públicas imponentes, com a participação dos patriarcas e dos monges. Nessas ocasiões , a religião oficial - o cristianismo - confundia-se com o poder imperial.


Madona entronizada, de autor siciliano anônimo

As bases do império eram três: a política, a economia e a religião, e, para manter a unidade entre os diversos povos que conviviam em Bizâncio, Constantino oficializou o cristianismo, tendo o cuidado de enfatizar nele aspectos como rituais e imagens dos demais grupos religiosos.

Em muitas das pinturas e dos mosaicos da época, evidencia-se claramente esse vínculo entre a Igreja e o Estado. Nas imagens, Cristo aparece geralmente como um Rei em seu trono e Maria como uma Rainha, vestidos ricamente e com expressões de serem inatingíveis. Do mesmo modo como o Imperador portava-se nas cerimônias, os apóstolos e os santos apresentam-se como figuras solenes, representando claramente os patriarcas que rodeavam o soberano e lhe prestavam homenagem; os anjos assemelham-se claramente aos clérigos que costumavam seguir em procissões nas festas oficiais. As festas pagãs, que aconteciam sem nenhuma solenidade, eram proibidas pela Igreja. Entretanto, o povo revivia periodicamente as tradições culturais greco-romanas. Eram freqüentes os carnavais ligados aos cultos de Dionísio (chamado Baco pelos antigos romanos), antigo deus greco-romano, que na sociedade cristianizada, descera ao nível de demônio, pois só os demônios gostavam de rir. Os homens e as mulheres saíam as ruas mascarados, dançando e rindo, divertindo-se livremente, como seus antepassados comemoravam a renovação da vida no período das colheitas.

Durante séculos Roma utilizou o direito como um meio eficiente para solucionar os conflitos surgidos entre membros da sociedade. Justiniano seguia o exemplo de Roma, preocupando-se em preservar toda a herança jurídica do direito romano. Assim, encarregou o jurista Triboniano de dirigir a codificação ampla do direito romano dando origem ao Corpus Juris Civilis. As leis proclamadas por Justiniano foram um importante instrumento na consolidação do poder imperial. A legislação conferia ao Imperador amplos poderes jurídicos para perseguir todos que atentassem contra a sua administração.

Exibindo o esplendor do Império Bizantino, Justiniano promoveu a construção de várias obras públicas, como hospitais, palácios, pontes, estradas e aquedutos.

Entre essas obras destacam-se as Igrejas de Santa Sofia, em Constantinopla, e São Vital, em Ravena.

Os sucessores de Justiniano procuraram manter a administração absolutista, sem a participação das camadas populares, para preservar o Império. Entretanto, uma série de ataques externos enfraqueceram sua administração central. O mundo bizantino começou, então, a uma longa e gradual trajetória de decadência, somente interrompida no século X, no reinado de Basílio II (976-1025). Nesse período, os exércitos bizantinos reconquistaram alguns territórios perdidos e a administração imperial recuperou as suas forças. Basílio II foi considerado um eleito de Deus para governar todos os homens, mas após sua morte, o império, mergulhado em constantes guerras, retornou a sua trajetória decadente.

Apesar disso, o Império Bizantino sobreviveu até o século XV, quando Constantinopla foi definitivamente dominada pelos turcos otomanos, em 1453.

A Arte Bizantina


Pá de ouro - Basílica de São Marcos - Veneza

A arte bizantina consistiu numa mistura de influências helênicas, romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais, cabendo-lhe, durante mais de um milênio, preservar e transmitir a cultura clássica greco-romana. É, portanto, um produto da confluência das culturas da Ásia Menor e da Síria, com elementos alexandrinos. No plano cultural, essa multiplicidade étnica refletiu a capacidade bizantina de mesclar elementos diversos, como o idioma grego, a religião cristã, o direito romano, o gosto pelo requinte oriental, a arquitetura de inspiração persa, etc. O mundo bizantino foi bastante marcado pelo interesse por problemas religiosos. Dizia-se que em todos os lugares de Constantinopla encontravam-se pessoas envolvidas em debates teológicos.

Entre as mais célebres questões discutidas estavam o monofismo e a iconoclastia. O monafismo era uma doutrina que afirmava que Cristo tinha somente natureza divina, negando a natureza humana, conforma afirmava a Igreja Católica. A iconoclastia era um movimento que pregava a distruição das imagens de santos, proibindo a utilização de imagens nos templos.

É interessante destacar que por detrás dessas questões religiosas escondiam-se questões políticas. A questão iconoclasta, por exemplo, revela o conflito que havia entre o poder imperial e os latifúndios dos mosteiros. Esses mosteiros fabricavam imagens de santos e afirmavam serem milagrosas. Os imperadores, pretendendo controlar o poder dos mosteiros, insurgiram-se contra a crença nas imagens dos santos.

A Igreja Católica do Oriente, ou seja, a Igreja Ortodoxa, apresentava-se como a verdadeira continuadora do cristianismo primitivo.

Entre os fatores que distinguiam a Igreja Ortodoxa da Igreja Católica Romana, destacam-se: proibição de se venerar imagens de santos, exceto o crucifixo; veneração de Maria como mãe de Deus, mas não aceitação da doutrina da virgem imaculada; preservação de um ritual religioso mais complexo e elaborado.

É importante destacar que, enquanto a religião era assunto de acaloradas discussões no Império Romano do Oriente, o mesmo não se processou na Europa Ocidente e não é difícil entender os motivos. Quando a Europa Ocidental viveu o processo de ruralização e a sociedade foi se restringindo aos limites do feudo, isso se manifestou no espírito dos homens da época.

Poderíamos dizer que o espírito dos homens também se enfeudou, se fechou em limites bastantes estreitos: não havia espaço para a discussão, e apenas a doutrina cristã pregada pela Igreja Católica Apostólica Romana povoava o pensamento e o sentimento humanos. As idéias cristãs eram colocadas como dogmas, inquestionáveis. Enquanto isso, em Bizâncio e demais grandes cidades orientais, havia uma civilização urbana, o que favorecia sobretudo o desenvolvimento do pensamento.

A herança filosófica grega também teve enorme influência na sociedade bizantina, contribuindo para um clima de polêmicas mais freqüentes, para um hábito de questionamento, típicos do pensamento filosófico. Assim, não obstante, o centro dos debates fossem temas religiosos, várias foram as interpretações surgidas sobre a origem e a natureza de Cristo. Mais ainda, muito embora as heresias fossem fruto das discussões entre os elementos eclesiásticos, elas acabavam por representar interesses políticos e econômicos de grupos sociais diversos.

Além da já citada questão da iconoclastia havia no caso do Monofisismo (heresia que difundiu-se nas províncias do Império Bizantino) uma identificação com as aspirações de independência de parte da população síria e egípcia.

Nas artes, os bizantinos souberam combinar o luxo e o exotismo oriental com o equilíbrio e a leveza da arte clássica greco-romana. A arte bizantina era, então, essencialmente religiosa. O espaço arquitetural era aproveitado em função do jogo de luz e sombra e, reluzindo de ouro, o mosaico destaca a arquitetura.

Com fases alternadas de crise e esplendor, a arte bizantina se desenvolveu do Século V, com o desaparecimento do Império Romano do Ocidente enquanto unidade política, até 1453, quando Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, instituída sobre a antiga cidade grega de Bizâncio, foi ocupada pelos exércitos otomanos.

Justamente nessa ocasião, a arte bizantina encontrava-se em vias de uma terceira idade áurea.


Mapa do Império Bizantino

Graças à sua localização (Constantinopla) a arte bizantina sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor e, assim, seu caráter inconfundível decorre sobretudo da combinação de elementos dessas várias culturas, diversidade que prevaleceu sobre fatores de ordem técnica.

Está diversidade de culturas também trouxe muitos problemas ao Império, pois era difícil conciliar interesses tão diversos. Entretanto, era isso que caracterizava mais fortemente o Império Bizantino - um império universal para todos os seus habitantes, pois não importava a etnia a qual pertencessem, estes se caracterizavam pela aceitação e obediência ao imperador e à Igreja Ortodoxa e o domínio do idioma grego.

Quase sempre estreitamente vinculada à religião cristã, a arte bizantina teve, como objetivo principal, exprimir o primado do espiritual sobre o material, da essência sobre a forma, e a elevação mística decorrente dessa proposição. A arte bizantina, está portanto, dirigida pela religião; ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas meros executores. O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais; era o representante de Deus, tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a cabeça, e, não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa, ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus.

O aspecto grandioso das figuras frontais, vigente nas primeiras obras da arte bizantina, deu lugar a formas que, embora ainda solenes e majestosas, mostravam-se mais vivazes e variadas.

É da arte bizantina que surgem os modelos para toda a Idade Média. Entre outras coisas, é nela que surgem, pela primeira vez, representações das cortes angelicais. A arte dentro dos templos representou realmente uma teologia da imagem. Já na parte externa, através de pinturas e mosaicos, representava um maravilhoso espetáculo para a alma. A imagem bizantina era um prolongamento do dogma, e o desenvolvimento da doutrina através da arte.

A história da arte bizantina pode ser dividida em cinco períodos (alguns preferem a classificação em três), que coincidem aproximadamente com as dinastias que se sucederam no poder do império.

Período constantiniano

A formação da arte bizantina deu-se no período constantiniano, quando vários elementos se combinaram para dar forma a um estilo bizantino, mais presente nas criações arquitetônicas, já que pouco resta da pintura, da escultura e dos mosaicos da época, muitos dos quais teriam sido destruidos durante o período iconoclasta que ocorreria no século VIII.

Período justiniano


Mosaico de San Vitale de Ravena, representando Justiniano junto aos clérigos e exércitos

A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI, durante o reinado do Imperador Justiniano. Essa, na verdade, foi sua primeira fase áurea.

Esse período corresponde à fixação dos grandes traços dessa arte imperial.

As plantas arquitetônicas diversificaram-se: planta retangular com armação, ou centrada, com número de naves variável e coberta com uma cúpula. Santa Sofia de Constantinopla, atribuída a Artêmios de Tralles e Isidoro de Mileto, é o templo mais notável dessa época, ao lado das igrejas de Ravena e Santa Catarina do Sinai. A crise do iconoclasmo, caracterizado pela rejeição da representação do divino, favoreceu o monaquismo e o aparecimento da escola capadociana.

Das poucas obras de arte que restam do período, a mais notável é a Cathedra de Maximiano, em Ravenna (546-556), recoberta de placas de marfim com cenas da vida de Cristo e dos santos. Ainda, basicamente helenísticos, são o "marfim Barberini" (Museu do Louvre) e o díptico do arcanjo Miguel (Museu Britânico).

Uma das características deste período se apresenta na decoração, com formas naturalísticas em ornatos sempre mais elaborados. Igual tendência manifesta-se nos tecidos de seda, como os conservados no Museu de Cluny, em Paris, de inspiração nitidamente persa.

Da produção artística que medeia entre a morte de Justiniano I e o início da fase iconoclasta, destaca-se o artesanato em metais.

O culto às imagens e às relíquias, por ser considerado idolatria de feição pagã, foi combatido pelos imperadores ditos iconoclastas, nos séculos VII e VIII, quando foram destruídos quase todos os conjuntos decorativos e as raras esculturas da primeira idade áurea, principalmente em Constantinopla. A iconoclastia se deveu ao conflito entre os imperadores e o clero.

A luta entre iconódulos (favoráveis as imagens) e iconoclastas resultou na proibição de toda representaçao iconográfica na Igreja Oriental à partir de 754. Entretanto, essa proibição duraria pouco tempo e no século IX a arte retornaria ser utilizada como veículo de catequização e devoção.

Assim, após Justiniano, as artes somente voltaram a florescer durante a dinastia macedoniana, depois de superada a crise iconoclasta.

Período macedoniano

Também chamado segunda fase áurea bizantina ou renascença bizantina, o período macedoniano inicia-se com Basílio I (867-886) e atinge o apogeu no reinado de Constantino VII Porfirogênito (945-959).

Por volta do século X, a decoração das igrejas obedeceu a um esquema hierárquico: cúpulas, absides e partes superiores foram destinadas às figuras celestes (Cristo, a Virgem Maria, os santos etc.). Já as partes intermediárias, como áreas de sustentação, às cenas da vida de Cristo; e as partes inferiores, à evocação de patriarcas, profetas, apóstolos e mártires.

A disposição, colorida, e a apresentação das diferentes cenas, variavam de modo sutil, para criar a ilusão de espaço e transformar em tensão dinâmica a superfície achatada e estática das figuras.

Destacam-se, desse período, a escultura em marfim, de que existiram dois centros principais de produção, conhecidos como grupos romano e nicéforo.

Há, ainda, o esmalte e o artesanato em metais, que atestam o gosto bizantino pelos materiais belos e ricos.

A arte sacra imperial humanizou-se: os santuários passaram a ter proporções menos imponentes, mas a planta em cruz inscrita chegava à perfeição e tornava-se perceptível do exterior. Colocada sobre pingentes ou sobre trompas de ângulo (porção da abóbada que sustenta uma parte saliente do edifício), a cúpula é sustentada pelas abóbadas em berço ou abóbadas em aresta. Na Grécia, Dáfni, São Lucas na Fócida e os Santos Apóstolos de Atenas são exemplos desse tipo, assim como a igreja do Pantocrator, em Constantinopla. As artes menores são testemunhos de um luxo refinado. Foi sob o reinado dos Comnenos que foram erguidas as numerosas igrejas da Iugoslávia (Ohrid, Nerezi, etc.).

Período comneniano

A arte comneniana, marcada por uma independência cada vez maior da tradição, evolui para um formalismo de emoção puramente religiosa.

Esta arte, nos séculos seguintes, servirá de modelo à arte bizantina dos Balcãs e da Rússia, que tem nos ícones e na pintura mural suas expressões mais elevadas.

Período paleologuiano

Durante a dinastia dos Paleólogos torna-se evidente o empobrecimento dos materiais, o que determina o predomínio da pintura mural, de técnica mais barata, sobre o mosaico.

Podem-se distinguir duas grandes escolas, sendo a primeira delas, a de Salonica, que continua a tradição macedoniana e pouco ou nada inova.

A outra, mais cheia de vitalidade e originalidade, é a de Constantinopla, iniciada por volta de 1300, como se pode verificar pelos mosaicos e afrescos da igreja do Salvador.

Nesta fase, o realismo e decoração narrativa tenderam a generalizar-se. As cenas estão plenas de personagens (mosaico de São Salvador-in-Cora. hoje Kahriye Camii, de Constantinopla); os afrescos multiplicaram-se. Os grandes centros de arte sacra bizantina são Tessalônica, Trebizonda e Mistra. Apesar do desaparecimento do Império, a marca da arte bizantina manteve-se nas regiões mais diversas, como o monte Atos, a Iugoslávia, a Bulgária, a Romênia e a Rússia, a qual continuaria a produzir notáveis ícones.

Estilo ítalo-bizantino

Partes da Itália foram ocupadas pelos bizantinos entre os Séculos VI e XI, o que produziu o chamado estilo ítalo-bizantino, desenvolvido em Veneza, Siena, Pisa, Roma e na Itália meridional.

A partir do ícone, pintores de gênio, como Duccio e Giotto, lançaram os fundamentos da pintura italiana.

Nos primeiros tempos do Império Bizantino não houve, a bem dizer, unidade na cultura.

Uma infinita variedade de motivos, formas, coloridos, testemunhava uma prodigiosa miscelânea étnica: quadros egípcios, ornamentos sírios, mosaicos de Constantinopla, afrescos de Tessalônica; por todo o lado era prfunda a marca das tradições seculares. Ponto de fusão entre a Europa e a Ásia, Bizâncio sofreu a vigorosa influência das civilizações orientais. A arte antiga e a cultura persa e árabe marcaram muitas obras-primas da arte bizantina com um toque inigualável. Durante séculos, Bizâncio foi um enorme cadinho onde se fundiram as correntes culturais de toda a bacia mediterrânea e do Oriente Médio, mas que, por seu lado, exerceu a sua influência no desenvolvimento da cultura e da arte em diversos povos da Europa e da Ásia.

No século VI e princípio do século VII surgiram importantes obras históricas. Procópio de Cesareia, contemporâneo de Justiniano I, traçou um pormenorizado quadro da sua época. Na sua "História secreta", ao contrário do que fizera nas suas outras obras, em que fazia o elogio do Imperador, Procópio relata os sofrimentos do povo e denuncia a venalidade dos funcionários e o deboche da corte.

Inúmeras obras de tradição oral cultivadas pelo povo não chegaram, infelizmente, até nós, mas os numerosos monumentos da arte bizantina que podemos admirar, testemunham o gosto e maestria dos seus autores. Toda a riqueza da arte popular está revelada nos artigos de artesanato. As sedas eram ornadas com motivos de cores vivas; os artesãos trabalhavam a madeira, o osso, a prata, a cerâmica ou o mármore, tirando a sua inspiração do mundo vegetal ou animal. As paredes das igrejas estavam cobertas de afrescos de cores vivas, ainda livres de estilização. Os mosaicos do palácio imperial, por exemplo, reproduziam com muita verdade e calor, certas cenas da vida rural. A iconoclastia deu um rude golpe na pintura religiosa acentuando ao mesmo tempo os assuntos profanos.

Iluminuras cheias de dinamismo e de expressão ornavam as folhas dos livros.

Nos seus primórdios, os monumentos da arquitetura bizantina revelam uma forte influência da arte antiga. A maravilhosa Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla, é disso o mais perfeito exemplo. Foi construída no reinado de Justiniano, por Isidoro de Millet e Antêmio de Tralles e dedicada à Sabedoria Divina (Sophia). Esta basílica imensa é inundada pela luz que penetra pelas quarenta janelas rasgadas no contorno da alta cúpula. A sua abóbada coroa o edifício à semelhança do céu.

Simbolizava o poderio e unidade do império cristão. No interior, Santa Sofia está suntuosamente decorada com mármores polícromos, mosaicos, afrescos resplandecentes e magníficas colunatas.


Interior da Igreja de Santa Sofia - Constantinopla

Em 13 de abril de 1204, os cruzados, vindos da Terra Santa, decidiram invadir Constantinopla. A cidade sucumbiu e sofreu um bárbaro saque. Metade da capital estava em escombros, enquanto a outra era devastada e pilhada. Os habitantes foram dizimados; dezenas de monumentos de arquitetura antiga, de inigualável beleza, perderam-se para sempre. Os cruzados saciaram-se com o sangue. Avaliou-se em mais de 400.000 marcos de prata a parte do saque que foi sistematicamente partilhada entre os cruzados, sem contar com as riquezas roubadas arbitrariamente e com o que ficou para os Venezianos. Um escritor bizantino, testemunha do saque de Constantinopla, dizia que os muçulmanos tinham sido mais misericordiosos e menos ferozes do que os cruzados.

O Império Bizantino desfez-se em pedaços. Os cruzados criaram o Império Latino. Surgiram Estados Gregos no Epiro e na Ásia Menor, que iniciaram imediatamente a luta contra os conquistadores. Depois da partilha de Bizâncio, os cavaleiros ocidentais recusaram-se a continuar a cruzada. Já não fazia qualquer sentido que se enfrentassem novos perigos. Só o Papa manifestou algum descontentamento, que não durou muito tempo; perdoou este "licenciamento" aos cavaleiros, na esperança de poder submeter a Igreja Bizantina à Santa Sé (os cruzados achavam os bizantinos uns hereges porque não aceitavam a autoridade do Papa).

Muitos artistas estavam entre os milhares de refugiados de Constantinopla. Vários desses artistas foram aproveitados nos impérios gregos que se formaram em Nicéia, em Trebizonda e em Mistra. Nestas cortes, especialmente em Nicéia, as artes floresceram rapidamente. Um estilo novo da arte bizantina emergiu nos Balcãs, Grécia e Ásia Menor.

Mas o Império Bizantino não podia voltar a ter o seu antigo vigor. Os seus recursos materiais tinham sido completamente pilhados. Incendiada, meia deserta, com os seus palácios em ruínas e as praças cheias de mato, Constantinopla já nada tinha da sua magnificência passada. A "rainha das cidades" já não existia. O capital comercial italiano triunfava sobre os ofícios locais e sobre o comércio. Veneza estava solidamente estabelecida no rico arquipélago e em algumas cidades do Peloponeso.

Os historiadores da arte concluíram que as últimas décadas da arte de Bizâncio - aqueles anos que conduzem à conquista da cidade pelo sultão otomano Mehmet II, em 29 de maio de 1453 - foi um período difícil para a proteção da arte, considerando que uma tentativa válida foi feita para conservar o legado antigo de Bizâncio. Em um dos últimos estágios do império, tentaram reacender a cultura que tinham herdado da Grécia, Roma e Bizâncio medieval. Por alguns anos a chama queimou-se brilhantemente.

A influência bizantina repercutiu ainda em meados do século XIV, sobretudo na obra dos primeiros expoentes da pintura veneziana. Ainda durante a segunda metade do século XV e boa parte do século XVI, a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império, penetrando, por exemplo, nos países eslavos.

A queda de Constantinopla em 1453 acarretou o surgimento do grande Império Turco Otomano que passou a ameaçar os reinos do Ocidente, e fez com que vários sábios bizantinos migrassem para a Itália, levando para lá muitos dos elementos da cultura clássica antiga, que fora preservada em Constantinopla. Isso contribuiu para o Renascimento. O entravamento do comércio da Europa com a Ásia acelerou a busca de um novo caminho para as Índias, iniciada pelos portugueses (1415) e trouxe desenvolvimento para a navegação.

Fonte: www.beatrix.pro.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal