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Congresso de Viena

Conservadores restauram o Antigo regime

A derrota de Napoleão na famosa batalha de Waterloo, em junho de 1815, representou uma "pá de cal" nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que desde a Revolução Francesa ecoavam por toda a Europa. De fato, desde a derrota francesa nos campos nevados da Rússia, em 1812, representantes do Antigo Regime vislumbravam condições para tocar adiante um movimento restaurador, consolidado com o chamado Congresso de Viena.

Com o propósito de restaurar o Antigo Regime e combater os ideais de liberalismo e nacionalismo que se instalaram nas nações européias no rastro deixado por Napoleão, reuniram-se em Viena os principais representantes do conservadorismo político, dentre os quais o czar Alexandre I da Rússia, o príncipe Hardenberg da Prússia, o ministro Talleyrand da França, o príncipe Metternich da Áustria e o Lorde Castlereagh, representando os interesses ingleses sobre o continente.

Três princípios básicos guiaram as negociações travadas entre monarcas e diplomatas reunidos no Congresso: 1) a restauração do Antigo Regime e do absolutismo; 2) o reconhecimento da legitimidade das dinastias depostas pela política expansionista de Napoleão Bonaparte; e 3) o restabelecimento do equilíbrio político-militar entre as nações européias, promovendo a preservação da paz.

Os reis de volta ao trono

O princípio da legitimidade garantiu o retorno ao trono de algumas das antigas dinastias européias, como os Bourbon em Nápoles, Espanha e França, a dinastia de Orange na Holanda, os Bragança em Portugal, os Sabóia no Piemonte, além do restabelecimento do papa nos Estados Pontifícios. Além disso, uma vasta política de compensações territoriais buscou redesenhar o mapa da Europa, redefinindo as fronteiras estabelecidas pelas guerras napoleônicas.

Pelas intervenções de Talleyrand, a França - que saíra derrotada com a queda de Napoleão - garantiu sua integridade territorial, restaurando suas fronteiras de antes de 1792. A Inglaterra garantiu sua supremacia naval, com possessões no além-mar (como as ilhas de Malta e Ceilão), além de consolidar seus interesses econômicos, com o fim da política de Bloqueio Continental. A Prússia praticamente dobrou sua extensão territorial, incorporando partes da Saxônia, da Pomerânia e da Polônia, assim como a Rússia, que garantiu a anexação da Finlândia, da Bessarábia e de parte da Polônia.

A Santa Aliança

Além disso, no âmbito do Congresso de Viena gestou-se um pacto militar, batizado de Santa Aliança, pelo qual as nações envolvidas comprometiam-se a reprimir movimentos sediciosos que colocassem em xeque os propósitos da política restauradora. Graças a esse pacto, diversos movimentos liberais foram reprimidos, como em Nápoles e na Espanha em 1822, ou o movimento de cunho nacionalista, que buscava a unificação da Alemanha em 1821.

O pacto militar começou a ruir a partir da saída da Inglaterra, contrária aos propósitos de envio de tropas para a América Latina, com o propósito de reprimir os diversos levantes emancipacionistas que ameaçavam o colonialismo. Interessados na expansão comercial e em garantir novos mercados aos seus produtos industrializados, os ingleses desaprovavam a presença militar nas colônias americanas, postando-se contra a política intervencionista da Santa Aliança.

Doutrina Monroe: "A América para os americanos"

Além disso, em 1823 os Estados Unidos proclamaram a Doutrina Monroe, declarando que as conjunturas políticas relativas ao continente americano deveriam ser resolvidas internamente. Assim, sob o princípio da "América para os americanos", abriram franca oposição aos propósitos restauradores da Santa Aliança, iniciando uma relação de forte influência política sobre o continente.

Por fim, uma nova onda de revoluções liberais na Europa representou um duro golpe no pacto restaurador, uma vez que abriram as portas da independência política de países subjugados por outras potências (tal como ocorreu entre Grécia e Turquia em 1828), e substituíram o absolutismo por parlamentos constitucionais. Na França, por exemplo, a Revolução Liberal de 1830 marcou o fim da dinastia dos Bourbon, com a ascensão de Luis Felipe de Orleans, que ficaria conhecido como o "rei dos banqueiros", marcando o início de uma monarquia liberal e burguesa.

Marco Cabral dos Santos

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

CONGRESSO DE VIENA

1814: Começa o Congresso de Viena

Congresso de Viena

No dia 18 de setembro de 1814, representantes de quase todas as nações européias participaram da grande Conferência de Paz de Viena. Seu objetivo foi a reordenação política da Europa após as guerras napoleônicas.

Tema de operetas e de comédias do cinema, o Congresso de Viena foi a base de sérias decisões para a Europa. Napoleão tinha sido derrotado, acabando a hegemonia da França no continente. Os territórios tinham de ser redistribuídos, e as relações de poder, reequilibradas.

No dia 18 de setembro de 1814, chefes de Estado e de governo das grandes potências de então reuniram-se pela primeira vez no palácio Hofburg, em Viena.

Charles Maurice de Talleyrand, príncipe de Benevent, representava a França no Congresso de Viena. O organizador do evento foi o ministro austríaco das Relações Exteriores, Clemens Wenzel, príncipe de Metternich. Um diplomata astuto.

Quando Napoleão estava no apogeu do seu poder, foi Metternich quem arranjou seu casamento com a filha do imperador austríaco. Quando a estrela de Napoleão caiu, foi Metternich quem deu as cartas para a época posterior.

Festas e aumento dos impostos

Como presidente do Congresso de Viena, Metternich tentou manter o controle sobre todas as decisões. Ele procurou desviar a atenção dos participantes.

Nos meses do Congresso, toda a capital austríaca era um verdadeiro salão de festas: bailes de máscara, banquetes e apresentações de gala geraram custos da ordem de 7,3 milhões de florins. Para os diplomatas, as festas representaram diversão sem fim; para a população, um aumento dos impostos.

As grandes potências foram representadas pelos seus mais altos dignitários. O czar Alexandre 1º representou a Rússia. A Prússia enviou o rei Frederico Guilherme 3º. Pela Inglaterra, esteve presente o duque de Wellington. A Áustria foi muito bem representada pelo imperador Francisco 1º e pelo príncipe de Metternich. Quarenta e sete governos europeus enviaram delegados ao Congresso de Viena.

O Congresso foi acompanhado pelos acordes do mais novo estilo musical, a valsa vienense. O marechal-de-campo príncipe Carl de Ligne fez a constatação resignada: "O Congresso dança, mas não vai para a frente". Finalmente, houve resultados. Eles foram registrados na ata do Congresso de Viena, de 8 de junho de 1815.

Derrota definitiva de Napoleão

A França foi pressionada de volta às suas fronteiras de 1792. A Suíça recuperou a sua neutralidade perdida. A Polônia tornou-se parte da Rússia. A Liga Alemã, sob a presidência austríaca, tomou o lugar do Sacro Império Romano de Nação Germânica, há muito desfeito.

A Áustria tornou-se assim, durante uma certa época, o centro da ordem européia. Em fevereiro de 1815, Napoleão deixou o seu exílio na Ilha de Elba, embarcando rumo à França. Reuniu novamente seus correligionários mais fanáticos e retornou a Paris.

Mais uma vez, assumiu o poder como imperador. Mas, durante apenas cem dias, quando então foi derrotado definitivamente pelas grandes potências européias na batalha de Waterloo. A paz retornou à Europa. O Congresso de Viena terminou.

Fonte: www.dw-world.de

CONGRESSO DE VIENA

No artigo anterior faremos um pequeno retrocesso até ao ano de 1795, por alturas da implementação do Directório, o governo da alta burguesia que sucedeu ao período designado por Terror, no qual os Jacobinos tomaram poder. Desta forma, e encontrando a França vários opositores em diversas frentes, este governo do Directório vai testemunhar uma crescente influência da classe militar, que sempre em tempo de guerra adquire crescente Poder. Depostos, mortos ou fugidos, as altas patentes militares das Forças Armadas pré-Revolução deixaram um vazio estratégico pela sua saída, possibilitanto a rápida ascensão da mais nova geração militar, da qual pertence um jovem tenente, Napoleão Bonaparte. Depressa caíu nas graças populares devido a várias vitórias na guerra contra as potências europeias, assim como na contribuição para o anulamento de um suposto Golpe de Estado em 1795.

Napoleão sofreu, contudo, uma derrota que merece menção, já que no Egipto tentou comprometer o domínio inglês, mas que acabou por ser vencido juntamente com a sua frota, facto que nem por isso afectou a sua reputação em casa, onde cedo suscitou o apoio da burguesia e derrubou o governo do Directório impondo o do Consulado, ainda em 1795. Este governo era caracterizado pela presença e governo de três cônsules, dos quais Napoleão era um. Estes eram um abade, e outro companheiro de armas.

O Consulado não foi mais do que uma consolidação dos direitos adquiridos pela Revolução, através da qual foi instaurado o Senado, o Tribunal, um Corpo Legislativo e diversos outros orgãos institucionais de matriz democrática, dos quais os três cônsules eram os seus responsáveis directos. Contudo, Napoleão era o que mais influência e poder exercia, daí que não por surpresa foi eleito 1º Cônsul vitalício e com capacidade cooptativa de delegação directa do Poder. Desta nomeação, em 1802, até à sua nomeação de Imperador da França em 1804 não resultaram grandes alterações políticas, a não ser uma afirmação mais sentida da sua autoridade. Culminou, como foi referido, com a nomeação por eleição popular de Imperador da França, cargo que o permitiu centralizar os poderes de forma tão absoluta como nem nos tempos da monarquia absoluta se tinha verificado.

De cariz essencialmente militar, Napoleão vai levar a cabo uma série de reformas no sistema, implementando a criação de um exército nacional, de uma língua oficial comum, de uma sede de Poder centralizada e absoluta, assim como também através deste poder conseguiu eliminar com sucesso os organismos políticos intermédios entre o Estado e os cidadãos, como o eram os pequenos micro-autoritarismos de cada província. O Poder emanava, portanto, de cima, tal era o princípio do Jacobinismo. Neste espírito, leva a cabo uma extensa campanha militar por toda a Europa, justificando-a como a libertação dos povos oprimidos e consagração da auto-determinação dos povos sob jugo de governos imperialistas. Então ocupou-se primeiramente de ocupar os territórios vizinhos dos Países Baixos, Suíça, Áustria, Prússia, até que chegou à Rússia, onde a história conta a sua derrota pelo General Inverno.

O resto, como dizem, é história. Acabou por ser duplamente derrotado, na primeira vez quando Paris é tomada pelas forças aliadas, e uma outra, quando regressa do seu exílio, e intenta instaurar um novo império, que ao investir sobre os Países Baixos sofre outra derrota e é forçado a abdicar pela segunda vez.

Recomenda-se, como forma de complementar a descrição aqui elaborada sobre o Império Napoleónico, uma pesquisa mais profunda sobre as suas campanhas pela Europa Central e, nomeadamente, sobre Portugal, eventos que desencadearam consequências quase que revolucionárias para a Coroa portuguesa, que foi impelida a refugiar-se no Brasil, com sucessiva mudança de capital do Império para o Rio de Janeiro. Fica aqui o apelo.

Fonte: www.nostrumtempus.com

CONGRESSO DE VIENA

Quem foi Napoleão e qual foi a sua importância?

Congresso de Viena

Após o período de entusiasmo revolucionário, ocorreu um retorno à ordem na França. Napoleão, jovem general de prestígio, deu um golpe de estado e assumiu o poder. Contudo, os monarcas europeus, alarmados com a Revolução Francesa, continuaram acossando o governo francês. Diante dos ataques, Napoleão passou à ofensiva, ocupando Espanha, Itália e Holanda. Ao comprovar o potencial bélico francês, a maioria dos governos europeus assinou pactos com Napoleão. Apenas Portugal, Inglaterra e Rússia resistiram às ofensivas napoleônicas. O exército francês não conseguia combater a Inglaterra e ao mesmo tempo manter a ocupação de territórios tão amplos. Napoleão acabou derrotado e o Império não sobreviveu sem ele. No entanto, os ideais da Revolução e os princípios burgueses se espalharam na Europa e influenciaram a América.

Fonte: www.klickeducacao.com.br

CONGRESSO DE VIENA

Os princiopais participantes do Congresso foram: Metternich, representando a Áustria, O Czar Alexandre II, da Rússia; o Príncipe Hadenberg da Prússia; Lord Castelereagh, pela Inglaterra, depois substituído pelo Duque de Wellington e representando a França, o Príncipe de Talleyrand. Havia ainda representantes de todas as nações européias, pois não existia uma sequer que não tivesse ali seus interesses em jogo.

Metternich
Metternich

Quando foi assinada a Ata Final, em 9 de junho de 1815, percebeu-se que os propósitos iniciais do Congresso, que tinham como meta decisiva estabelecer os principios da legitimidade e da restauração, acabaram por não ser cumpridos.

Na prática, ocorreu a legitimidade do poder dos reis sobre a vontade dos povos, privilegiando os países vencedores na guerra contra Napoleão.

A Áustria reteve seu domínio sobre a Lombardia e Veneza e também sobre a maior parte de seus domínios na Polônia, juntamente com a Prússia, ficando uma parte para a Rússia. Gênova foi anexada ao Reino da Sardenha; foi confirmada a soberania da Holanda sobre a Bélgica e Luxemburgo, e a Prússia ficou com os territórios da Reno.

Dentro desse quadro de divisões e anexações, destaca-se a divisão do território italiano e alemão (que deu origem a Confederação Germânica), enfraquecendo as duas regiões.

Fonte: www.historianet.com.br

CONGRESSO DE VIENA

Assim que o Império Napoleônico ruiu, as grandes potências se reuniram no Congresso de Viena para reorganizar o mapa político da Europa. Surgiu a Santa Aliança organização que tinha por objetivo conter a difusão da revolução liberal (burguesa), semeada por Napoleão.

Espanha e Portugal faziam parte do acordo, por isso a Santa Aliança tinha o direito de intervir nas colônias desses países caso elas tentassem libertar-se. Na própria Europa, os exércitos internacionais da organização contiveram numerosas rebeliões.

Reunido a partir de 08 de outubro de 1814, o Congresso de Viena teve como principal objetivo promover a reorganização territorial da Europa, após a derrota de Napoleão. Os principais participantes do Congresso foram: Metternich, representando a Áustria, O Czar Alexandre II, da Rússia; o Príncipe Hadenberg da Prússia; Lord Castelereagh, pela Inglaterra - depois substituído pelo Duque de Wellington - e, representando a França, o Príncipe de Talleyrand. Havia ainda representantes de todas as nações européias, pois não existia uma sequer que não tivesse ali seus interesses em jogo.

Antes mesmo da reunião, as potências aliadas vencedoras assinaram importantes tratados, como os dois tratados de Paris, impostos a Luís XVIII, e os tratados coloniais entre Inglaterra e Holanda. Já no Congresso de Viena, dentre os princípios gerais propostos, impôs-se o de legitimidade, sugerido por Talleyrand e defendido pelos ingleses e austríacos: cada país deveria voltar a ter os limites de antes de 1789. Essa busca do equilíbrio entre as principais potências orientou as decisões, o que favoreceu a França.

O mapa da Europa e das colônias mudou bastante. A Inglaterra garantiu sua supremacia nos mares, graças à anexação de pontos estratégicos no Mediterrâneo, no caminho das Índias e nas Antilhas. A Bélgica, dominada pela França, foi ligada à Holanda para evitar uma ação francesa sobre o porto belga de Antuérpia. A Rússia recebeu parte da Polônia, a Finlândia e a Bessarábia. À Prússia coube grande parte da região do Reno, na Alemanha. A Áustria recebeu a Lombardia e Veneza, além da supremacia política sobre a Itália.

O Tratado de Paris impôs à França o pagamento de uma indenização de guerra e a ocupação de seu território por um exército de aliados pago por ela. Suas fronteiras permaneceram, de modo geral, as mesmas do Antigo Regime.

Fonte: www.unificado.com.br

CONGRESSO DE VIENA

Assim que o Império Napoleônico ruiu, as grandes potências se reuniram no Congresso de Viena para reorganizar o mapa político da Europa. Surgiu a Santa Aliança organização que tinha por objetivo conter a difusão da revolução liberal (burguesa), semeada por Napoleão.

Espanha e Portugal faziam parte do acordo, por isso a Santa Aliança tinha o direito de intervir nas colônias desses países caso elas tentassem libertar-se. Na própria Europa, os exércitos inter­nacionais da organização contiveram numerosas rebeliões.

Principais decisões

Antes mesmo da reunião, as potências aliadas vencedoras assinaram importantes tratados, como os dois tratados de Paris, impostos a Luís XVIII, e os tratados coloniais entre Inglaterra e Holanda. O Congresso de Viena se reuniu de setembro de 1814, depois da primeira abdicação de Napoleão, a junho de 1815. O ambiente era de satisfação pela vitória sobre as forças revolucionárias. As grandes potências (Rússia, Áustria, Inglaterra e Prússia) tomaram as decisões representadas por seus chefes ou por ministros plenipotenciários. A figura mais importante ali era Metternich, da Áustria.

As discórdias decorrentes dos interesses em jogo facilitaram o trabalho do ministro francês Talleyrand. Dentre os princípios gerais propostos, impôs-se o de legitimidade, sugerido por ele e defendido pelos ingleses e austríacos: cada país deveria voltar a ter os limites de antes de 1789. Essa busca do equilíbrio entre as principais potências orientou as decisões, o que favoreceu a França.

O mapa da Europa e das colônias mudou bastante. A Inglaterra garantiu sua supremacia nos mares, graças à anexação de pontos estratégicos no Mediterrâneo, no caminho das Índias e nas Antilhas. A Bélgica, dominada pela França, foi ligada à Holanda para evitar uma ação francesa sobre o porto belga de Antuérpia. A Rússia recebeu parte da Polônia, a Finlândia e a Bessarábia. À Prússia coube grande parte da região do Reno, na Alemanha. A Áustria recebeu a Lombardia e Veneza, além da supremacia política sobre a Itália.

O Tratado de Paris impôs à França o pagamento de uma indenização de guerra e a ocupação de seu território por um exército de aliados pago por ela. Suas fronteiras permaneceram, de modo geral, as mesmas do Antigo Regime.

Origem e finalidade

A proposta da Santa Aliança partiu do czar (ou tzar: imperador) da Rússia, Alexandre I. Ele, o imperador da Áustria e o rei da Prússia assinaram esse tratado em 26 de setembro de 1815, "em nome da Santíssima Trindade"; e, "segundo as regras da caridade cristã", prometeram ajuda mútua. A França aderiu. Mas foi o príncipe austríaco Metternich quem deu as diretrizes da Santa Aliança em última análise, um instrumento da reação européia para manter a França sob vigilância, reprimir movimentos revolucionário e liberais na Europa e abafar todo movimento separatista (de independência) ou nacional.

Em 1818, o primeiro Congresso da Santa Aliança decidiu retirar as tropas de ocupação da França. Não era sinal de afrouxamento. Pouco depois, quando uma associação de estudantes alemães provocou distúrbios durante as comemorações do terceiro centenário da Reforma, a re­pressão se abateu com violência. As universidades foram vigiadas, as sociedades nacionalistas combatidas e os jornais censurados.

Em 1820, posições liberais de militares contrários ao absolutismo na Espanha e no Reino das Duas Sicílias insuflaram uma revolta, que culminou com a imposição de uma Constituição aos dois reis. Fernando VII, da Espanha, e seu primo Fernando I, das Duas Sicílias, fingiram aceitar mas recorreram à Santa Aliança. Uma expedição militar, em 1823, pôs fim à revolta constitucionalista e restituiu Fernando VII como monarca absoluto.

Este foi o último êxito da Santa Aliança, pois por volta de 1820 seu poder já se esfumava. Não conseguiu abafar a rebelião dos gregos contra os turcos (1821-1827) nem a independência das colônias da América do Sul (1810-1824). Ficou desmoralizada.

Independência das colônias

A independência das colônias latino-americanas deve ser entendida como parte da crise do Antigo Regime e, sobretudo, da crise do sistema colonial, que havia sofrido o primeiro abalo com a Independência dos Estados Unidos. Três ele­mentos fundamentais se conjugaram para precipitar o processo: a Revolução Industrial inglesa, que impunha a busca de mercados consumidores e, portanto, a destruição dos monopólios, peças essenciais do sistema colonial; a ruptura do equilíbrio político europeu resultante das guerras da Revolução Francesa e do Império Napoleônico, que levaram a Inglaterra a apoiar os movimentos de independência como forma de golpear os franceses; e o desenvolvimento das colônias, que passou a entrarem choque com os entraves da política mercantilista e do sistema colonial.

Portugal e Espanha, baseados no mercantilismo, buscavam desenvolver as metrópoles à custa da matéria-prima das colônias; tal política só permitia a produção colonial que não concorres­se com a européia; e, pelo Pacto Colonial, o comércio com cada colônia era monopólio de sua metrópole.

Apesar da tirania das metrópoles, as colônias progrediam. O contrabando prosperava, pois os barcos ingleses vendiam mais barato que portugueses e espanhóis. Ao criar universidades e liberar o comércio nas colônias, Carlos III (rei da Espanha de 1759 a 1788) estimulou o desenvolvimento delas e o anseio de libertação. Situação semelhante ocorreria mais tarde no Brasil, com a presença do rei português João VI na capital da colônia.

As primeiras manifestações nem sempre tinham caráter separatista. Exprimiam o descontentamento dos colonos com os abusos da metrópole, sua oposição à política mercantilista e sua busca de liberdade econômica.

O exemplo norte-americano, a influência dos iluministas e a brusca mudança na situação política internacional trazida por Napoleão propicia­ram a separação das outras colônias. Quando ele rompeu õ equilíbrio europeu e invadiu a Península Ibérica, a família real portuguesa mudou-se para õ Brasil, em 1808; e o rei Fernando VII foi substituído por um irmão de Napoleão.

As reformas administrativas, políticas e econômicas empreendidas por D. João VI acentua­ram o desenvolvimento do país e tornaram possível sua independência por meios pacíficos em 1822. A presença de João VI também manteve a unidade territorial da imensa colônia, evitando que movimentos diversos a dividissem em várias Nações.

Nas colônias espanholas, a situação foi diferente. No século XIX, os colonos iniciaram uma rebelião, mas contra a invasão napoleônica na Espanha; os revoltosos achavam que a metrópole não teria condições de dominar a sublevação. Enganaram-se. A metrópole reagiu e começaram as guerras de independência.

No Vice-Reino de Nova Espanha (México), surgiram as primeiras tentativas. Em 1811, õ padre Hidalgo tentou proclamar a independência mas falhou. Nova tentativa em 1813 custou-lhe a vida: foi executado. Em 1820, o general Itúrbide teve sucesso e proclamou-se imperador, como Agostinho I; em 1823 abdicou e foi fuzilado. O México então se tornou uma república federal.

Outras regiões latino-americanas logo segui­ram õ exemplo. Do Vice-Reino de Nova Grana­da surgiram Venezuela, Colômbia e Equador. Francisco Miranda proclamou a Independência da Venezuela, mas foi derrotado a seguir. Foi Simon Bolívar quem libertou o país em 1813; e, em 1819, venceu os espanhóis na Colômbia. Com õ general Sucre, Bolívar libertou õ Equador em 1822.

Do Vice-Reino do Peru surgiram mais três países: Peru, Chile e Bolívia. No Chile, O’Higgins iniciou o movimento separatista em 1808. Ele e San Martín, da Argentina, prepararam o Exército dos Andes. Em 1817, o Chile foi libertado e O'Higgins feito presidente. San Martín libertou õ Peru em 1821, com ajuda do mercenário inglês Lorde Cochrane, que venceu os espanhóis no mar. A Bolívia desmembrou-se do Peru, com Sucre, em 1825.

A Independência do Vice-Reino do Prata deu origem a mais três países: Argentina, Uruguai e Paraguai. Na Argentina; deposto o vice-rei, uma junta provisória se constituiu e seguiram-se lutas entre republicanos e monarquistas. Em 1816, o Congresso de Tucumã proclamou a República das Províncias Unidas do Rio da Prata. O Paraguai libertou-se sem guerras em 1811, num movimento liderado por Yegros e José Francia. O Uruguai, invadido pelo Brasil em 1816, só se tornou independente em 1828.

O rei espanhol Fernando VII chegou a pedir ajuda à Santa Aliança. Mas Estados Unidos e Inglaterra se opuseram à intervenção e reconhece­ram a independência das colônias os Estados Unidos, por causa da Doutrina Monroe (“A América para os americanos”); a Inglaterra, porque os novos países representavam mercado seguro para seus produtos.

Sem ajuda da Santa Aliança, o domínio da Espanha na América chegou ao fim. O mesmo destino foi reservado a Portugal

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

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