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Inconfidência Mineira

 

Inconfidência Mineira
Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes)

Importantes membros da elite econômica e cultural de Minas começaram a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades portuguesas

Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais entrou em fase de decadência econômica. As jazidas de ouro estavam se esgotando. Os mineiros foram ficando cada vez mais pobres. Mesmo assim o governo português continuou exigindo pesados impostos dos mineiros e argumentava que a queda na produção era resultado do contrabando de ouro. Só que a realidade era outra.

Em 1788, sempre zelosa de sua mais opulenta capitania, a Coroa substitui o corrupto governador Luís da Cunha Meneses por Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena e sobrinho do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa. O visconde chegou a Vila Rica (hoje Ouro Preto) com ordens expressas para aplicar o alvará de dezembro de 1750, segundo o qual Minas precisava pagar cem arrobas (ou 1.500 Kg) de ouro por ano para a Coroa. Caso a arrecadação não atingisse essa cota, seria então cobrada a derrama - o imposto extra tirado de toda a população até completar as cem arrobas.

O visconde anunciou: a derrama, por mais odiada e temida, seria cobrada em fevereiro de 1789.

Um clima de tensão e revolta tomou conta das camadas mais altas da sociedade mineira. Por isso, importantes membros da elite econômica e cultural de Minas começaram a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades portuguesas.

Inconfidência Mineira foi o nome pelo qual ficou conhecido o movimento rebelde e foi organizado pelos homens ricos e cultos de Minas Gerais. Ricos que não queriam pagar os impostos abusivos cobrados pela Metrópole. Cultos que tinham estudado na Europa e voltavam ao Brasil com influências do pensamento liberal dos filósofos franceses (Rousseau, Montesquieu, Voltaire e Diderot). Gente que se inspirava nas idéias do Iluminismo, que estavam em alta na Europa e impulsionaram a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789).

No dia 26 de dezembro de 1788, na casa do tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, chefe do Regimento dos Dragões, alguns dos sujeitos mais importantes de Minas se encontraram para uma reunião conspiratória.

Três tipos de homens estavam na reunião: ideológicos, como o filho do capitão-mor de Vila Rica, José Álvares Maciel; ativistas revolucionários como o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) e, em maior número e muito mais voz de comando, mineradores e magnatas endividados, como Alvarenga Peixoto e o padre Oliveira Rolim, notório traficante de diamantes e escravos.

Mais tarde na segunda reunião, no mesmo local, se juntaria ao grupo o negociante Joaquim Silvério dos Reis, talvez o homem mais endividado da capitania, com um passivo oito vezes superior aos ativos. Também participaram do movimento Claúdio Manuel da Costa (minerador e poeta, formado em Coimbra), Tomás Antônio Gonzaga (poeta e jurista), Toledo e Melo (padre e minerador), Abreu Vieira e Oliveira Lopes (coronéis). Ficou decidido que, no dia em que fosse decretada a derrama, a revolução eclodiria. Os planos para o golpe eram tão vagos quanto os projetos do futuro governo.

Os planos dos revoltosos eram:

Libertar o Brasil de Portugal. A idéia principal era criar no Brasil uma república, com capital em São João Del Rei. Adotar uma nova bandeira (imagem ao lado), que teria um triângulo no centro com a frase latina: Libertas quae sera tamem (liberdade ainda que tardia)
Desenvolver indústrias no país
Criar uma Universidade em Vila Rica. A classe alta preocupava-se com a instalação do ensino superior no país
Criar o serviço militar obrigatório
Incentivar a natalidade (preocupação com o povoamento), oferecendo pensões para as mães com muitos filhos.

Havia muitos planos e pouca organização para realizá-los. Os inconfidentes não tinham tropas nem armas para conquistar o poder. Também não contavam com a participação do povo. As camadas mais baixas não participaram da Inconfidência porque os líderes do movimento não tinham planos para melhorar as condições de vida dos pobres (a maioria da população).

Não havia entre os líderes da Inconfidência a intenção de acabar com a escravidão dos negros. Se o movimento fosse adiante os negros continuariam sendo escravizados e explorados pelos membros da classe dominante. A Inconfidência Mineira não foi uma revolta de caráter popular. Visava apenas o fim da opressão portuguesa que prejudicava a elite mineira. Não tinha como finalidade acabar coma a opressão social interna que explorava a maioria do povo.

O fim da conspiração

Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida.

Era justamente o mais pobre e mais entusiasmado com a idéia de tornar o Brasil um país independente.

Para destruir um movimento desorganizado como esse, bastou que o coronel Joaquim Silvério dos Reis denunciasse os planos dos inconfidentes ao governador de Minas Gerais. O objetivo de Silvério dos Reis era conseguir perdão para suas dívidas junto à Fazenda Real, o que realmente obteve.

Participaram também da denúncia dois outros militares: Basílio de Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona.

Informado pelos traidores da conspiração que se tramava, o visconde de Barbacena suspendeu imediatamente a cobrança dos impostos. E rapidamente organizou tropas para prender, um por um, os revoltosos.

Todos os participantes da Inconfidência Mineira foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte, mas D. Maria I, rainha de Portugal, modificou a pena para degredo perpétuo em outras colônias portuguesas na África. Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida. Era justamente o mais pobre e mais entusiasmado com a idéia de tornar o Brasil um país independente. Percorrendo o país como mascate e, depois, como militar encarregado de proteger o caminho que liga Minas ao Rio, Tiradentes impressiona-se com a pobreza e a exploração do povo. Influenciado pelas idéias iluministas, Tiradentes prega a revolução nas tavernas, bordéis e casas de comércio. Entusiasmado e falador, é conhecido também como Corta-Vento, Gramaticão, República e Liberdade. Apesar da atitude considerada imprudente pelos colegas de conspiração, o alferes jamais seria delatado por alguém que tivesse aliciado.

No dia da execução de Tiradentes, um sábado de 21 de abril de 1792, o governo convocou sua tropa de soldados para assitir à cerimônia em uniforme de gala.

O objetivo era exibir a força do poder para matar Tiradentes: aquele que mais simbolizava a figura do povo na Inconfidência. A condenação de Tiradentes foi de uma crueldade terrível. Foi enforcado em praça pública, no Campo de São Domingos, no Rio de Janeiro. Depois, sua cabeça foi cortada e levada até a cidade de Vila Rica, para ser pregada no alto de um poste. O resto do seu corpo foi dividido em quatro partes e pregado pelos caminhos de Minas Gerais. Sua casa foi arrasada e seus possíveis filhos foram declarados infames.

Principais personagens do movimento

José da Silva Xavier (Tiradentes) (1746-1792)

Assentou praça no Regimento de Dragões, chegando até o posto de alferes (na época, posto abaixo de tenente) apesar do longo tempo de serviço. Explorou mina de ouro sem muito sucesso e exercia a profissão de dentista, de onde veio o apelido de Tiradentes. Era mascate (vendedor ambulante) quando, em Vila Rica, conheceu José Alves Maciel, que regressara da Europa e trazia idéias de república e libertação. A partir daí participou da Inconfidência Mineira. Ele foi preso em maio de 1789 no Rio de Janeiro, quando buscava apoio da província vizinha. No dia 18 de abril de 1792 era proferida a sentença aos 29 presos, sendo 11 condenados à forca e os restantes ao degredo. No entanto, 48 horas depois, no dia 20 de abril, era proferida nova sentença condenando Tiradentes à forca e os demais ao degredo na África. No dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado no Campo de S. Domingos, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado e os despojos expostos em locais onde exercera seu papel de conspirador. Na década de 1870 os clubes republicanos tentaram resgatar a memória de Tiradentes. Um Decreto de 1890 considerou o dia 21 de abril de feriado nacional. Em 1928, Décio Vilares pintou a óleo o retrato de Tiradentes, aproximando suas feições de uma gravura popular de Cristo, numa simbologia de mártir da pátria.

Claúdio Manuel da Costa: (1729-1789)

Bacharelou-se em Canônes na universidade portuguesa de Coimbra e logo após abriu um escritório de advocacia em Vila Rica. É um dos fundadores da Arcádia Ultramarina. Era juiz das Demarcações de Sesmarias do Termo de Vila Rica quando começou a Inconfidência Mineira. Ao ser preso com os conspiradores, enforcou-se dois dias depois na cela. mesmo assim foi declarado infame sua memória e seu filhos e netos, tendo os bens confiscados. Em 1792 o tribunal de Alçada revogou a sentença, determinado que o governo entregasse, a quem pertencessem, os bens confiscados.

Inácio de Alvarenga Peixoto: (1732-1793)

Doutorou-se pela Universidade de Coimbra, em 1759. Como protegido do marquês de Pombal, permanceu em Portugal até 1776. Logo depois, no posto de coronel, assumiu o comando do Regimento de Cavalaria de Campanha do Rio Verde, onde possuía grandes propriedades rurais. Casou com a poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira. Envolveu-se na Inconfidência Mineira e foi preso em maio de 1789, em S.João D'El Rei, sendo enviado para Vila Rica e daí para a Corte. Durante o interrogatório denunciou os companheiros. Condenado inicialmente à morte, teve a pena comutada para degredo em Angola, onde morreu em 1793.

Tomás Antônio Gonzaga: (1744-1812)

Ingressou na Universidade de Coimbra em 1763 e formou-se em Leis. Voltou ao país em 1782 e trouxe uma biblioteca com 90 livros. Foi nomeado Ouvidor da Comarca de Vila Rica, fez amizade com o advogado Cláudio Manuel da Costa e conheceu a jovem Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, chamada de Maríla em suas poesias. Foi preso em maio de 1789 sendo recolhido à cadeia da Ilha das Cobras. Condenado ao degredo perpétuo na África, teve a pena comutada para 10 anos. partiu para Moçambique em 1792 e exerceu o cargo de Juiz de Alfândega. Casou-se em 1793 com a filha de um rico negreiro Alexandre Roberto Mascarenhas. No final de sua vida perdeu a razão. Deixou as obras literárias Marília de Dirceu, versos, e Cartas Chilenas, crítica mordaz ao governo de Minas Gerais.

Joaquim Silvério dos Reis

Primeiro a delatar a conspiração, em troca de perdão de uma dívida de 220 mil réis. Foi para Portugal em 1794 depois de sofrer dois atentados em Minas e Rio. Em Lisboa, é recebido pelo príncipe-regente D.João. Condecorado com o Hábito de Cristo e o título de fidalgo da casa real em foro e moradia, recebe pensão anual de 200 mil-réis. volta ao Brasil com a corte real, em 1808, e assume o posto de tesoureiro da bula de Minas, Goiás e Rio.

... a cabeça de Tiradentes, levada do Rio de Janeiro para Vila Rica e exposta num poste em frente da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios dos Brancos, foi roubada na terceira noite e nunca mais foi encontrada.
... considerada por muitos uma conspiração de poetas e loucos, a Inconfidência Mineira apresenta números que negam a teoria. Os Autos da Devassa implicam 84 pessoas - apenas 24 condenados. Os números: militares foram 15, Civis foram 62 e clérigos foram 7. Entre os militares, está presente quase toda a oficialidade do Regimento de Cavalaria Regular de Minas. Entre os civis, destacam-se: 1 banqueiro, 4 engenheiros, 12 bacharéis em Direito e 4 médicos.
... alferes, do árabe al-fars, o cavaleiro, era o antigo oficial do exército com posto logo abaixo do de tenente.
... escrito por Tomás Antônio Gonzaga durante sua prisão no Rio, em 1789, Marília de Dirceu é um dos mais belos poemas de amor da língua portuguesa. Foi dedicado à jovem Maria Dorotéia de Seixas, com 16 anos na época, por quem o poeta, com 43 anos, se apaixonou e com quem iria se casar se não tivesse sido preso e enviado para à África.
... o encarregado de enforcar Tiradentes, o carrasco Jerônimo Capitânia é, como costumava acontecer, um escravo que teve a condenação à morte transformada em prisão perpétua. Em troca, deve executar as penas capitais impostas pela Coroa, em geral contra negros. Nete caso, Capitânia é "premiado" com a rara oportunidade de executar um branco. Em 1874, a pena de morte foi abolida no Brasil
... tradicional no imaginário popular desde o século 19, a imagem de Tiradentes com barba e cabelos longos é consagrada no governo Castelo Branco (1964-67). Em 1966, Castello lhe dá o título de Patrono Cívico da Nação e promulga decreto obrigando que toda representação do alferes se baseie na figura retratada por Francisco Andradce, em escultura exposta no Palácio Tiradentes (RJ). Tal retrato já era condenado por historiadores, os quais afirmavam que os condenados à morte tinham cabeça e rosto raspados antes da execução. O decreto é revogado, em 1976, por Ernesto Geisel.

O movimento mineiro

O movimento mineiro foi o primeiro a realmente manifestar com clareza a intenção da colônia de romper suas relações com a metrópole. Outras rebeliões já haviam ocorrido na colônia que, no entanto, possuíam reivindicações parciais, locais, que nunca propuseram a Independência em relação a Portugal.

A importância da Inconfidência Mineira reside no fato de exprimir a decadência da política colonial e ao mesmo tempo a influência das idéias iluministas sobre a elite colonial que, na prática, foi quem organizou o movimento

AS RAZÕES DO MOVIMENTO

Vários foram os motivos que determinaram o início do movimento, reunindo proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares, numa conspiração que pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre no Brasil, em 1789

A Crise Econômica

O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, entendido principalmente pelos déficits crescentes frente a Inglaterra, levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio Estado, influenciado pelo avanço das idéias iluministas, que convencionou-se chamar "Despotismo Esclarecido"

Nesse sentido, a política pombalina para o Brasil, normalmente vista como mais racional, representou na prática uma exploração mais racional, com a organização das Companhias de Comércio monopolistas, que atuaram em diversas regiões do Brasil

Em Minas Gerais, especificamente, que se constituía na mais importante região aurífera e diamantífera brasileira, o peso da espoliação lusitana se fazia sentir com maior intensidade.

A exploração de diamantes era monopolizada pela Coroa desde 1731, que demarcara a região, proibindo o ingresso de particulares em tal atividade. Ao mesmo tempo, as jazidas da região aurífera se esgotavam com muita repidez, em parte por ser o ouro de Aluvião, em parte pelas técnicas precárias que eram empregadas na atividade e esse esgotamento refletia-se na redução dos tributos pagos a Coroa, fixado em "Um Quinto", portanto vinculado à produção.

Para a Coroa, no entanto, a redução no pagamento de impostos devia-se a fraude e ao contrabando e isso explica a mudança na política tributária: Em 1750, o quinto foi substituído por um sistema de cota fixa, definido em 100 arrobas por ano (1500 Kg). Como a produção do ouro continuava a diminuir, tornou-se comum o não pagamento completo do tributo e a cada ano a dívida tendeu a aumentar e a Coroa resolveu, em 1763, instituir a Derrama. Não era um novo imposto, mas a cobrança da diferença em relação à aquilo que deveria ter sido pago. Essa cobrança era arbitrária e executada com extrema violência pelas autoridades portuguesas no Brasil, gerando não apenas um problema financeira, mas o aumento da revolta contra a situação de dominação.

Soma-se a isso as dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente. Um dos principais exemplos dessa situação foi o "Alvará de proibição Industrial" baixado em 1785 por D. Maria I, a louca, que proibia a existência de manufaturas no Brasil. Os efeitos do alvará foram particularmente desastrosos para a população interiorana, que costumava abastecer-se de tecidos, calçados e outros gêneros nas pequenas oficinas locais ou mesmo domésticas e que, a partir daí, dependeria das tropas que traziam do litoral os produtos importados, por preços muito elevados e em quantidade nem sempre suficiente.

Influências Externas

O ideal Iluminista difundiu-se na Europa ao longo do século XVIII, principalmente a partir da obra de filósofos franceses e teve grande repercussão na América; primeiro influenciando a Independência dos EUA e posteriormente as colônias ibéricas.

Ao longo do século XVIII tornou-se comum à elite colonial, enviar seus filhos para estudar na Europa, onde tomaram contato com as idéias que clamavam por direitos, liberdade e igualdade. De volta a colônia, esses jovens traziam não só os ideais de Locke, Montesquieu e Rousseau , mas uma percepção mais acabada em relação a crise do Antigo Regime, representada pela decadência do absolutismo e pelas mudanças que se processavam em várias nações, mesmo que ainda controladas por monarcas despóticos.

Outra importante influência que marcou a Inconfidência Mineira foi a Independência das 13 colônias inglesas na América do Norte, que apoiadas nas idéias iluministas não só romperam com a metrópole, mas criaram uma nação soberana, republicana e federativa. A vitória dos colonos norte americanos frente a Inglaterra serviu de exemplo e estímulo a outros movimentos emancipacionistas na América ibérica, incluindo o Brasil.

Percebe-se essa influência, através da atitude do estudante brasileiro José Joaquim da Maia que, em Paris, entrou em contato com Thomas Jefferson, representante do governo dos EUA na França, para solicitar o apoio dos norte americanos ao movimento de rebelião contra a dominação portuguesa, que estava prestes a eclodir no Brasil.

Em uma das cartas mais famosas de Maia a Thomas Jefferson, o estudante brasileiro escreveu: "Sou brasileiro e sabeis que minha desgraçada pátria geme em um espantoso cativeiro, que se torna cada dia menos suportável, desde a época de vossa gloriosa independência, pois que os bárbaros portugueses nada pouparam para nos tomar desgraçados, com o temor que seguíssemos os vossos passos; ... estamos dispostos a seguir o marcante exemplo que acabais de nos dar... quebrar nossas cadeias e fazer reviver nossa liberdade que está completamente morta e oprimida pela força, que é o único direito que os europeus possuem sobre a América... Isto posto, senhor, é a vossa nação que acreditamos ser a mais indicada para nos dar socorro, não só porque ela nos deu o exemplo, mas também porque a natureza nos fez habitantes do mesmo continente e, assim, de alguma maneira, compatriotas".

A CONSPIRAÇÃO

A Inconfidência Mineira na verdade não passou de uma conspiração, onde os principais protagonistas eram elementos da elite colonial, homens ligados à exploração aurífera, à produção agrícola ou a criação de animais, sendo que vários deles estudaram na Europa e que organizavam o movimento exatamente em oposição as determinações do pacto colonial, enrijecidas no século XVIII. Além destes, encontramos ainda alguns indivíduos de uma camada intermediária, como o próprio Tiradentes, filho de um pequeno proprietário e que, após dedicar-se a várias atividades, seguiu a carreira militar, sendo portanto, um dos poucos indivíduos sem posses que participaram do movimento. Essa situação explica a posição dos inconfidentes em relação a escravidão, muito destacada nos livros de história; de fato, a maior parte dos membros das conspirações se opunha a abolição da escravidão, enquanto poucos, incluindo Tiradentes, defendiam a libertação dos escravos. As idéias liberais no Brasil tinham seus limites bem definidos, na verdade a liberdade era vista a partir do interesse de uma minoria, como a necessidade de ruptura dos laços com a metrópole, porém, sem que rompessem as estruturas socioeconômicas. Mesmo do ponto de vista político, a liberdade possuia limites. A luta pela independencia incluía ainda a definição do regime político a ser adotado, embora a maioria defendesse a formação de uma República que fosse Federativa, porém não garantia o direito de participação política a todos os homens. Na verdade os inconfidentes não possuíam uma orientação política definida, mas um conjunto de propostas, que tratavam de questões secundárias, como a organização da capital em São João Del Rei ou ainda a criação de uma Universidade em Vila Rica.

O movimento conspiratório tornou-se maior após a chegada do Visconde de Barbacena, nomeado novo governador da capitania de Minas Gerais e incumbido de executar uma nova derrama, utilizando-se de todo o rigor necessário para garantir a chegado do ouro a Portugal. De setembro de 1788 em diante, as reuniões tornaram intensas, onde eram alimentadas várias discussões sobre temas variados e o entusiasmo exagerado contrastava com a falta de organização militar para a execução da independencia. Tiradentes e outros membros da conspiração procuravam garantir o apoio dos proprietário rurais, levando suas propostas de "revolução" a todos que, de alguma forma, pudessem apoiar.

Um os mineradores contatados foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis que, a princípio aderiu ao movimento, pois como a maioria da elite, era um devedor de impostos, no entanto, com medo de ser envolvido diretamente, resolveu deletar a conspiração. Em 15 de março de 1789 encontrou-se com o governador, Visconde de Barbacena e formalizou por escrito a dnúncia de conspiração. Com o apoio das autoridades portuguesas instaladas no Rio de Janeiro, iniciou-se uma sequência de prisões, sendo Tiradentes um dos primeiros a ser feito prisineiro, na capital, onde se encontrava em busca de apoio ao movimento e alguns dias depois iniciava-se a prisão dos envolvidos na região das Gerais e uma grande devassa para apurar os delitos.

Num primeiro momento os inconfidentes negaram a existência de um movimento contrário a metrópole, porém a partir de novembro vários participantes presos passaram a confessar a existência da conspiração, descrevendo minuciosamente as reuniões, os planos e os nomes dos participantes, encabeçada pelo alferes Tiradentes.

Tiradentes sempre negou a existência de um movimento de conspiração, porém, após vários depoimentos que o incriminava, na Quarta audiência, no início de 1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição de líder .

A devassa promoveu a acusação de 34 pessoas, que tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos acusados condenados a morte: Tiradentes, Francisco de Paula Freire de Andrade, José Álvares Maciel, Luís Vaz de Toledo Piza, Alvarenga Peixoto, Salvador do Amaral Gurgel, Domingos Barbosa, Francisco Oliveira Lopes, José Resende da Costa (pai), José Resende da Costa (filho) e Domingos de Abreu Vieira.

Desses, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião.

OS INCONFIDENTES

Um grande monumento dedicado aos inconfidentes de 1879 esta localizado na Praça Rui Barbosa no centro de Belo Horizonte e a historia da Inconfidência Mineira se confunde na verdade com a vida dos inconfidentes, e o próprio retrato em escala menor do período revolucionário e no decorrer da vida e da atuação pessoal de cada inconfidente, podemos sentir a transformação de uma sociedade inteira, com seus pequenos e grandes casos, com seus avanços e recuos, sua perplexidade, desespero e busca de uma situação melhor. Dos vinte e quatro condenados em 1792 apenas Joaquim José da Silva Xavier, Tomas Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e os clérigos tiveram as suas vidas estudada

Tenente Coronel Francisco de Paula Freire Andrade comandante do Regimento de Cavalaria da Capitania, nasceu no Rio de Janeiro em 1756 era filho ilegítimo do segundo Conde de Bobodela que governara a Capitania de Minas Gerais interinamente de 1752 a 1758, aos doze anos de idade entrou como cadete no Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro onde se tornou protegido do Marques de Lavradio, aos 20 anos alcançou a patente de Capitão aos vinte e três anos a de Major e aos vinte e quatro anos o posto de Tenente Coronel Comandante do Regimento de Cavalaria de Minas Gerais, permaneceu no Rio de Janeiro de 1776 a 1779 na defesa da cidade contra possíveis ataques espanhol. Francisco de Paula era um jovem militar de alta patente da Capitania de Minas Gerais, atras apenas do governador quando se envolveu diretamente no centro da conspiração que se desenrolou em Vila Rica nos últimos anos da década de 1780.

Com forte relacionamento com o Alferes de seu regimento Joaquim José da Silva Xavier sendo que esta amizade nascera no Rio de Janeiro, quando foram destacados para conduzir os soldados para combater no sul do Brasil em 1779, todavia entre os dois havia uma diferença de opinião, de métodos e temperamento. Francisco de Paula era moderado,equilibrado, prudente e hesitante, não parecia decidido a iniciar a revolta armada, a sua cultura política levou a outros pensamentos como a Monarquia Constitucional e não aos Republicanos. Após a denuncia feita por Joaquim Silverio dos Reis e após Ter sido procurado por Inácio José de Alvarenga Peixoto em 1 de Abril de 1789, para uma decisão sobre os rumos do movimento, Francisco de Paula decidiu recuar e no mês seguinte entregou uma carta ao governador, denunciando de modo hesitante a conspiração sem embargo da tentativa do governador de protegê-lo e deixa-lo fora da devassa que se iniciava, sua aplicação no movimento era por demais evidente. Mas a 9 de Setembro a devassa colhia-o em suas malhas quando acompanhado de dois escravos foi conduzido preso ao Rio de Janeiro e seus depoimentos não conseguiram furtá-lo à condenação no final do processo `a morte, tendo sido a sua pena comutada em degrado perpetuo para a Fortaleza-Prisidio de Pedras de Ancoche no interior de Angola aonde chegou em 11 de Setembro de 1792, e no dia 9 de Outubro recebeu a designação de servir como Alferes e no ano de 1798 recebeu autorização para cumprir a pena em Luanda nas Oficinas Reais e m 13 de Dezembro de 1808 escreveu uma carta ao Ministro Dom Rodrigo de Souza Coutinho pedindo permissão para voltar ao Brasil, faleceu meio doente com cinqüenta e dois anos de idade em 1809 sem obter resposta de seu pedido.

Capitão Maximiano de Oliveira Leite era um dos principais conspiradores ligado diretamente ao grupo central do movimento com participação efetivas em todas as reuniões, escapou a repressão pela contingência de não estar presente em Vila Rica no momento das prisões, pois se encontrava em Paracatu fora do local onde deveria estar, não se sabe se estava a serviço ou fugindo e a sua participação era peça chave no movimento, pois fora nomeado no inicio de 1789 para o cargo de Comandante do Destacamento do Caminho do Rio de Janeiro, que lhe tornou posição fundamental para a revolta.

Capitão Manoel da Silva Brandão serviu no Regimento de Vila Rica foi amigo intimo do Alferes Xavier, era figura chave na conspiração, pois em Março de 1789 fora nomeado como Comandante do Destacamento Diamantino sediado em Vila do Tejuco ao norte de Minas Gerais a caminho da Bahia onde continuara com os encontros conspiratorios iniciados em Vila Rica com o Padre Rolim e seus familiares, mesmo depois da devassa, em um certo dia quando se encontrava reunido secretamente em alta madrugada com o irmão do Padre Rolim, foi surpreendido pelo Cadete Lourenço Orsini que tencionava lhe prender, foi quando o Capitão Brandão o reprimiu pela sua atitude. Ao serem iniciada as prisões o Governador, o encarregou para prender o Padre José da Silva e Oliveira Rolim, o Capitão Brandão esquivou-se de modo suspeito dessa imcubencia, quando deixou o Padre Rolim escapar, fato que não passou despercebido ao seu comandado o Tenente Fernando de Vasconcelos que era um não-revolucionario, e que delata-o ao Governador, que por este motivo ordenou que outro oficial persiga e prenda o Padre Rolim, e intimou o Capitão Brandão a apresentar-se em Vila Rica, quando o prende, e tempos depois solta-o, e não o incomoda mais, embora o considere como muito suspeito.

Tomas Aquino Gonzaga foi o vulto mais importante do Movimento Inconfidente de 1789, o verdadeiro líder da conspiração, o líder moral, intelectual e decisório.

Tiradentes admirava-o muito e sabia que, como o sucesso da revolução, Gonzaga seria o primeiro entre os primeiros. Seria o Presidente por três anos, o fundador da novel republica, seu arquiteto legal, seu institucionalizador, nasceu em Portugal na cidade do Porto em 11 de Agosto de 1744 era filho do Desembargador João Bernardo Gonzaga, veio par ao Brasil em 1751, quando o seu pai foi nomeado Ouvidor de Recife, e no ano de 1762 matriculou-se no curso de direito da Universidade de Coimbra em Portugal, onde se formou em 1768 quando passou a advogar na cidade do Porto e no ano de 1778 foi nomeado Juiz de Fora para a cidade de Beja e em 1782 foi nomeado para Ouvidor Geral de Vila Rica, na distante Capitania de Minas Gerais do Estado do Brasil. Gonzaga sempre revelou um grande senso de justiça com o mais alto ideal a se atingir no trato das coisas publica. Impedindo obviamente de combater as claras os desmandos do governador Luiz da Cunha Meneses, fê-lo através das famosas "Cartas Chilenas" nas quais desancava sob nomes fictícios, mas facilmente identificável o Governador e seus asseclas - o nome "Cartas Chilenas" era um folhetim manuscrito e periódico que corriam de mãos em mãos em Vila Rica. Não se manteve no anonimato, pois criticou o Governador em carta direta a rainha em 1787 e o seu papel na revolução mineira foi um dos mais importante e decisivo, pois participou efetivamente da conspiração, sendo um dos principais lideres e o responsável capital pela revolta, com a tarefa de redigir a Constituição e os documentos legais mais importante da institucionalização da nova situação política a ser criada. O líder inconfidente quando preso enfrentou seu destino com superior dignidade, foi interrogado varias vezes permaneceu mais de dois anos incomunicável e em nenhuma vez denunciou qualquer plano ou parte do plano, nem pessoas envolvidas na revolta, quando condenado ao degrado em Moçambique, Tomas Antônio Gonzaga partiu logo após a sentença no primeiro navio disponível, quando de sua chegada em Moçambique em 30 de Julho de 1792 recebeu tratamento especial , pois foi hospedado na casa do Ouvidor José da Costa Dias de Barros, onde ajudou os degradados residentes em Moçambique que entre eles estavam José Aires Gomes, Vicente Vieira da Mota, João da Costa Rodrigues, Antônio de Oliveira Lopes, Vitoriano Gonçalves Veloso e Salvador Carvalho do Amaral Gurgel. Foi nomeado como Promotor dos Defuntos e Ausentes, cargo que exerceu até 1805 e no ano de 1807 tornou-se procurador da Coroa e em 1809 foi nomeado como Juiz da Alfândega, e pelo fato de ser o único advogado habilitado em Moçambique, ficou advogando até o fim de sua vida em 16 de Fevereiro de 1810

Inácio José de Alvarenga Peixoto nasceu no Rio de Janeiro em 1742, estudou no Seminário de São José dos Jesuítas e quando era adolescente foi mandado pelo pai para Coimbra para estudar direito, onde se formou em 1768 quando ingressou na magistratura nomeado pelo Marquês de Pombal para o cargo de Juiz-de-Fora em Sintra onde começou a sua carreira de poeta, e no ano de 1776 foi nomeado como Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes em Minas Gerais, e entre 1779 e 1780 abandonou a magistratura para dedicar-se a mineração, agricultura, pecuária e a industrialização de aguardente, em 1785 foi nomeado pelo Governador Luiz da Cunha Meneses como Coronel do Regimento de Cavalaria Auxiliar de Companhia do Rio Verde, onde ficou encarregado de recrutar tropas na comarca do Rio das Mortes para ajudar nas guerras do sul no Brasil, Alvarenga Peixoto envolveu-se a fundo na conspiração pois assistiu e participou de todas as reuniões dos lideres do movimento e arregimentou adeptos para a revolução, falava mal publicamente da situação da Capitania de Minas Gerais, foi preso em Maio de 1789 na Fortaleza da Ilha das Cobras no Rio de Janeiro onde em seu primeiro depoimento não revelou nada do que já não se poderia saber pela denuncia de Joaquim Silveiro dos Reis, e em 14 de Janeiro de 1790 foi levado para novo depoimento. A incomunicabilidade de sessenta dias da cela na soturna fortaleza-prisão, acabou por lhe vencer as resistências mentais, por isto acabou por entregar minuciosamente com extensos detalhes a conspiração, revelando nomes, passagens, planos e com isto acabou por incriminar-se totalmente. Alvarenga Peixoto foi condenado com a pena à morte na forca, porém após a leitura da primeira sentença os juizes leram a carta régia que comutava a pena de morte em degredo perpétuo na África, sendo remetido para Angola em Julho de 1792 onde ficou preso na Fortaleza do Penedo em Luanda, sendo enviado posteriormente para uma prisão no interior daquele domínio ultramarino no presidio de Ambaca, vindo a falecer de malária em 27 de Julho de 1792.

José Alves Maciel nasceu em Vila Rica no ano de 1760 era filho do capitão-mor de Vila Rica, aos vinte e um anos de idade partiu para Coimbra para concluir o curso de Filosofia Natural, onde foi um aluno excepcional, sendo aproveitado pelo Mestre Domingos Vandelli para realizar pesquisas mineralógicas em Serra da Estrela, e ao completar a graduação seguiu para a Inglaterra para estudar os planos de Birminghan e as manufaturas têxteis, aonde entrou em contato não só com os industrias e operários, mas discutiu a possibilidade de independência do Brasil com negociantes ingleses, e nesta época já se encontrava envolvido com a maçonaria de Portugal. E entre Dezembro de 1787 e Março de 1788 se encontrou na Universidade de Coimbra com José Joaquim da Maia que já se havia avistado com Thomaz Jefferson, embaixador dos Estados Unidos na França e dele obtivera a promessa de apoio da republica do norte às aspirações dos brasileiros, tão logo chegou ao Rio de Janeiro em 1788 encontrou-se com Tiradentes e com o Visconde de Barbacena que chegara para assumir o posto de Governador de Monas Gerais, este encontro foi providencial para os três; pois Tiradentes obteve as noticias que tanto aguardava sobre o apoio de potências estrangeiras, Barbacena reencontrava o amigo minerologista e Maciel punha-se em contato com os revolucionários iluministas e deste encontro recebeu o convite para morar no Palácio do Governador em Vila Rica, onde chegou em 1788 com a conspiração em estágio avançado e nela fervorosamente se engajou. Maciel constantemente punha os conspiradores a par das atitudes do Governador que se aproveitava em sentido inverso, ele teve pouco tempo tempo para trabalhar em Vila Rica em sua área de interesse cientifico, pois foi encarregado de pesquisar em Sabará, Caeté e arredores de Vila Rica onde permaneceu até 1789 quando finalmente após esforço em contrario do próprio governador, foi apanhado pelas malhas da devassa quando foi preso e remetido para o Rio de Janeiro para a prisão na Fortaleza de Villegagnon onde se reconvertera-se ao cristianismo e recebeu a pena de degredo perpetuo em Angola onde seguiu em 23 de Maio de 1792, chegando a Luanda em 20 de Junho de 1792 e sendo internado na enfermaria da Fortaleza de São Francisco de Penedo com pneumonia e escorbuto, de lá seguiu viagem para o presidio de Massangano de onde foi solto para lutar pela sobrevivência, tornou-se representante comercial dos negociantes de Luanda na área de Calumbo e no ano de 1797 o novo Governador de Angola Dom Miguel Antônio de Melo atestou em oficio ao Ministro do Ultramar que Maciel ganhava a vida naquele lugar como vendedor de panos no sertão, e em 1799 recebeu do Governador uma licença para levar um carregamento a Feira de Cassange e o encarregou da missão de verificar a existência de riquezas minerais pelos sertões de Angola. Na Província de Itamba no lugar denominado Trombeta jurisdição de Golungo no sitio de Cathari montou uma pequena siderurgia que produzia alguns ferros com improvisação e auxilio de cento e trinta quatro negros e no ano de 1800 escreveu ao Governador um relatório sobre o seu trabalho realizado e das dificuldades que enfrentava por não encontrar oficiais de mecânica, carpinteiros e de ferreiros e solicitou que fosse enviado do Brasil estes profissionais que tanto necessitava, o governador tão logo recebeu a resposta da corte, chamou Maciel leu-lhe os elogios que o rei fazia ao seu desempenho e pediu a lista do que necessitava para desenvolver a siderurgia. Maciel teria morrido em Março de 1804 ou 1805 antes de chegar os recursos que pedira a Lisboa, e em 21 de Abril de 1955 dentro da comemoração dos cento e sessenta e três anos da morte de Tiradentes o governo do Estado de Minas Gerais inaugurou uma siderurgia em Saramenha, no lugar das minas por ele descobertas em 1788, com um forno recebendo o seu nome em sua homenagem.

Joaquim Silverio dos Reis Montenegro Leiria Grutes cujo nome passou a historia do Brasil como sinônimo de traição - foi o homem que, participando da conspiração revolucionaria mineira do final do século XVIII, resolveu levar denuncia de sua existência as autoridades, e a importância de sua denuncia fez dele um judas nacional. Joaquim Silverio dos Reis nasceu em 1755 ou 1756 na Freguesia de Monte Real em Portugal, e no ano de 1776 começou a comercializar no Rio de Janeiro dedicando-se ao fornecimento de sal e gado para as regiões do Serro e Diamantina e em 1777 já estava solidamente estabelecido em Sabará, em 1782 arrematou o contrato das entradas para o triênio de 1782 a 1784 e na gestão desse contrato e que entrou em debito para com a Fazenda Real, porém logo após a posse do Governador Luiz da Cunha Meneses recebeu dele o mais decidido apoio para extorquir dos contribuintes da Comarca do Rio das Mortes tudo o que fosse possível, e lhe deu o direito de antecipar-se nas execuções fiscais aos contratadores que o procederam. Silverio dos Reis foi convidado a entrar no levante por Luiz Vaz de Toledo Piza, na casa de seu irmão no Palácio Paroquial do Padre Carlos Correia de Toledo em São João del Rei, pois era aparentemente um adepto perfeito para a idéia, era rico, poderoso e tinha motivos para ver-se livre da opressão do fisco. Prontamente aceitou o convite, com isto lhe foi posto a par de tudo, inclusive da senha e ele ofereceu na hora doze mil cruzados para Luiz Vaz ir arregimentar adeptos em São Paulo, ele ficou encarregado pelo Padre Carlos Correia de Toledo de procurar por Domingos de Abreu Vieira em Vila Rica para saber se este já tinha conseguido pólvora para a revolução. Pelos fatos, Tomas Antônio Gonzaga tornou-se inimigo de Silverio e chegou a atritar-se com Tiradentes que já o conhecia e pode perceber que seu caracter não era desprezível, por isto confiou nela na conspiração. Com a suspensão da derrama se tornou um grande alivio para a população em geral, mas de modo algum eliminou a ameaça que pairava sobre os contratantes a cobrança da divida ativa e em 5 de Março de 1789 a Junta da Real Fazenda chamou Silverio dos Reis para prestar as contas, pelo fato de ser fraudulento, falsificador e doloso. E em suas constantes idas ao Palácio de Cachoeira do Campo aonde estava seu colega de conjura José Alvares Maciel e o ajudante-de-ordens Tenente Coronel Francisco Antônio Rabelo, ele conseguiu apurar que a derrama seria suspensa em 14 de Março e que pelo fato da suspensão da derrama, perdia-se quase todo o potencial para a deflagração da revolta, com isto sobravam apenas os motivos intelectuais, a que o povo em geral era alheio, sendo assim esvaziar-se-ia o movimento e ele continuaria como devedor, caso houvesse a revolução ele teria uma chance; não a havendo, estava perdido.

A única solução foi a de que deveria se aproveitar do único trunfo de que dispunha, que era o de delatar ao Governador o seu conhecimento da conspiração em seus detalhes, personagens e planos por escrito e formalmente do levante, com isto obteve um documento que teria dupla finalidade: o de servir como seu alibi e transformar-se num passaporte para a sua situação de credor em relação a coroa pelos relevantes serviços.

E foi o que realmente sucedeu, a monarquia ficou-lhe devendo um enorme favor, devido a conservação do Estado do Brasil sob o domínio lusitano, embora o Visconde de Barbacena e o vice-rei soubessem perfeitamente que Joaquim da Silva era um dos inconfidentes e devido ao fato o vice-rei mandou prende-lo no Rio de Janeiro, e depois de solto mas receoso de voltar a ser preso e incriminado, tornou a fazer novas denuncias, ajuntando mais detalhes da conspiração para em seguida começar uma serie de requerimento ao Visconde de Barbacena. Sendo que o seu primeiro pedido foi a sustação de todos os processos contra ele. E em Junho de 1790 no Rio de Janeiro o povo começava a vingar-se dele, com um atentado a bala contra ele, e neste mesmo ano declarou que não podia viver em Minas Gerais, pelo fato da agressão sofrida por uma pessoa em frente a sua casa, porque confundiram o homem com ele, pelo uso de um capote igual a que sempre usava, e em outra oportunidade tentaram incendiar um armazém debaixo de sua residência, o povo o ultrajava e o injuriava em todas as ruas de Minas Gerais, já não tinha mais amigos no Rio de Janeiro, ele só conseguia conversar com dois juizes do processo e um comerciante, e com a noticia espalhada eu ele iria passar a viver em Minas Gerais, montaram-se-lhe emboscadas em suas fazendas e devido aos fatos Joaquim Silverio mudou-se em Maio de 1794 para Lisboa e em Outubro deste ano através de um decreto do Príncipe Regente, foi-lhe concedido o Habito da Ordem de Cristo e foi-lhe suspenso o seqüestro dos seus bens e a sua divida com a Fazenda Real foi perdoada, foi nomeado Fidalgo da Casa Real e Tesoureiro-mor da Bula para Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, no inicio de 1795 foi condecorado como Cavaleiro da Ordem de Cristo e preparou-se para voltar ao Brasil para exercer a tesouraria que recebera, passou a residir na cidade de Campos no Estado do Rio de Janeiro com o sogro, tornando-se administrador dos bens do Visconde de Asseca, voltou para Portugal em 1801 e em 1808 acompanhando a mudança da corte para o Brasil foi mandado para São Luiz do Maranhão onde faleceu em 1819.

João Rodrigues de Macedo nasceu em Coimbra, no Rio de Janeiro tinha um primo comerciante que o levou a entrar em contratos de negócios com outros comerciantes cariocas, maçons de tendências republicanas, que seria um dos próceres da Independência em 1822, e do Rio de Janeiro foi para Minas Gerais em 1775, foi o peixe mais graúdo que a repressão a Inconfidência Mineira deixou escapar. A devassa não deixou de saber que Macedo era um dos principais conspiradores; mais foi regiamente recompensado para não absorvê-lo em suas masmorras, era o maior banqueiro de Minas Gerais, talvez o homem mais rico da capitania e sem embargo, o maior devedor entre os mineiros à Fazenda Real - pagou para não ser preso. Pagou ao governador da capitania, ao escrivão do processo e certamente a diversas outras autoridades e pessoas, para ver-se livre do processo, o que afinal conseguiu, a casa em que morava em Vila Livre na rua de São José era o mais belo palácio particular da capitania, hoje e a Casa dos Contos. No processo da devassa aberto em Minas Gerais, a casa foi requisitada para servir de prisão especial para os presos com privilégios e alojamento para as tropas do Esquadrão do vice-rei, em 1793 a casa foi tomada pelo fisco passando a ser a sede da própria Junta da Real Fazenda, arrecadora dos tributos "contos" daí o nome que passou a posteridade como a Casa dos Contos. A devassa começava a apertar o cerco a seu redor e o desembargador José Pedro Machado Coelho Torres que era o Juiz da Devassa carioca, estando em Minas Gerais foi obrigado a relatar ao Vice-rei o andamento do processo na capitania incluindo o nome de Macedo como entre os "não presos". Macedo nunca foi chamado a depor, mas ao ser feito o seqüestro dos bens de seu empregado Vicente Vieira da Mota em 11 de Maio de 1791 foi obrigado a assistir ao ato e depor como testemunha, antes da partida do Visconde de Barbacena, a Fazenda Real procedeu ao seqüestro dos bens do falido contratador em 1797 e no ano de 1802 já sem a proteção oficial, mas longínquos os dias em que vira-se na iminência da prisão, o fisco converteu o seqüestro em confisco e Marcedo perdeu tudo.

Luiz Antônio Furtado de Castro do Rio Mendonça e Faro (Visconde de Barbacena) nasceu em 7 de Setembro de 1754 em Lisboa no Campo de Santa Clara, os títulos nobiliárquicos eram hereditários sendo assim Luiz Antônio era o sexto Visconde de Barbacena, mais tarde o primeiro Conde de Barbacena, fez seus estudos preliminares no colégio dos nobres em Coimbra, estudou na Universidade de Coimbra se formando no curso de filosofia natural em 1773 e no ano 1778 se formou no curso de direito. No ano de 1779 o Visconde de Barbacena une-se decisivamente a Domingos Vandelli e a outros cientistas iluminados - o Duque de Lafões e o Abade José Correia da Serra e funda a Academia de Ciências de Lisboa que era uma entidade cientifica de marcado cunho iluminista que foi alvo de suspeita por "Jacobinismo" da parte da policia de Diogo de Pina Manique e dos conservadores ministros. Com proteção oficial de Martinho de Melo e Castro, foi nomeado em 11 de Agosto de 1786 Governador e Capitão-general da Capitania de Minas Gerais, sendo um cientista iluminista, perseguido pela intolerância, maçom e formado em química e direito em 1788 seguiu para o brasil junto com a sua família, no Rio de Janeiro foi obrigado a deixar a sua esposa que se encontrava muito adoentada e se encontrou com José Alves Maciel que regressava para Minas Gerais recém formado em química, a amizade era profunda, tanto pelo lado cientifico como pelo afetivo, quando chegou em Vila Rica em 11 de Julho de 1788 de imediato sentiu o ambiente hostil que reinava na capitania, devido a ameaça da derrama, não era a feição para as autoridades régias e que as conversas se faziam com grandes liberdades em sua presença, Barbacena deixou-se por algum tempo, envolver-se pelas idéias que dominavam a sociedade em Vila Rica. A situação para ele ia-se tornando delicada em Vila Rica por este motivo tratou de, discretamente, afastar-se de tão freqüentes debates, já bastante comprometedores, embora sonhasse aderir a essa causa, desde que ela tivesse probalidade de se tornar embaixador da nova republica que iria fundar. Quando chegou a Minas Gerais com uma instrução do Governador de Ultramar para cuidar dos mineiros desleais e contrabandistas e que desse a eles um arrocho fiscal, reuniu a Junta Real da Fazenda para esta lhe fornecer um balancete acompanhado de minuciosos relatórios da situação. A Câmara Municipal de Vila Rica lhe entregou um longo relatório mostrando a impraticabilidade da derrama, fazendeiros, advogados e funcionários públicos tendo a frente o Ouvidor Gonzaga, discorriam em longos e acalorados debates a situação da Capitania arruinada; o advogado Cláudio Manoel da Costa que era o Homem mais respeitado intelectualmente, não só pela capacidade, como pela experiência muito conhecido tanto no Brasil como em Portugal, lhe coube a missão mais difícil na conspiração revolucionaria; que era de aproximar-se do governador e conseguir-lhe a adesão aos planos dos inconfidentes. O governador viu-se preso a uma armadilha que o fazia em estado critico porém a sua angucia fê-la compreender que não poderia decretar a derrama imediatamente, quando foi surpreendido pela denuncia de Joaquim Silverio que mostrava um plano concreto da revolução já em andamento, tinha uma revolução para enfrentar e paradoxalmente, podia-se ver envolvido nela, pelo menos por cumplicidade omissiva. Sua posição embrulhava-se numa teia que ia desde a simpatia explicita pela idéia de independência, pela omissão em abrir um inquérito longo e o seu relacionamento escuso om João Rodrigues Macedo o maior banqueiro de Minas Gerais Devido a situação, o Governador teve que agir equilibradamente pois se abrisse uma devassa generalizada, teria que prender muita gente e a situação poderia escapar ao seu controle, se não o fizesse, poderia ser culpado por omissão e, pior, sua fraqueza seria sinal de estopim para o movimento, por isso teve grande dificuldade de agir, pois os principais envolvidos eram seus amigos, como prender e matar a todos se sabia que até sua guarda palaciana estava subvertida e como deveria dar inicio a uma guerra civil sem contar com a lealdade da tropa, porém o Visconde de Barbacena demonstrou uma inteligência e uma habilidade rara, conseguiu matar a revolução pela raiz - literalmente, nas idéias com o beneplácito do Vice-rei. A estratégia usada pelo Governador foi extremamente lógica e inteligente, pois ao receber a denuncia de Joaquim Silverio dos Reis, em 15 de Março de 1789 mandou o delator ao Rio de Janeiro para repetir a denuncia ao Vice-rei junto com um oficial de sua confiança para alertar ao Vice-rei que o delator também estava implicado na conspiração e que o mesmo deveria ser preso, e através de Basilio de Brito outro delator, conseguiu espionar os principais envolvido no golpe com isto reuniu dados para avaliar as reais proporções do movimento. De posse das informações obtidas, mandou prender Tomas Gonzaga, Alvarenga Peixoto e os padres Carlos Correia de Toledo e Luiz Vieira da Silva e os remeteu para serem interrogados no Rio de Janeiro. O Visconde de Barbacena era uma homem muito novo, quando foi envolvido no meio da conspiração, tinha trinta e quatro anos de idade; era um cientista e não um político, era um iluminista e não um conservador, acima de tudo era um homem calmo de caracter nobre e culto, muito diferente do seu antecessor no cargo, o Visconde de Barbacena após a devassa ainda ficou mais oito anos em Minas Gerais, e jamais foi exacrado pela opinião publica e os moradores do Arraial de Capela Nova, quando da transformação em vila solicitaram o nome para Barbacena.

Padre Luiz Vieira da Silva foi o maior líder da conspiração republicana mineira de 1785 / 1789, foi o criador do movimento, líder intelectual, coordenador, estrategista e um dos grandes oradores sacros de Minas Gerais e foi considerado sem contestação, entre os mais sábios intelectuais de sua geração, nasceu em Soledade distrito de Congonhas do Campo lugarejo da freguesia de Ouro Branco termo de Vila Rica em 1735, matriculou-se em 1750 no Seminário de Mariana e no ano de 1752 foi mandado a São Paulo para fazer o curso de filosofia e teologia moral no Colégio dos Jesuítas, em 1757 regressou a Mariana e assumiu ao cargo de Professor de Filosofia no Seminário de Mariana, cadeira que ocupou por trinta e dois anos, até ser preso em 1789, ordenou-se padre em 1759 em cerimonia realizada em Mariana pelo Bispo Frei Manoel da Cruz. De 1770 a 1773 exerceu o cargo de Comissário da Ordem Terceira de São Francisco de Assis em Vila Rica, em 1771 fez o sermão inaugural da Igreja Obra do Aleijadinho, foi Vigário interino de São José del Rei até 1777. E óbvio que não poderia estar entre os revolucionários que formariam tropas, nem entre os que entrariam com dinheiro, seu papel era o de organizador, coordenador da revolta, foi ele que elaborou o modo da rebelião militar e a forma de consolida-lo, e em seus discursos revolucionários feitos sem qualquer temor ele pregava que o Brasil tinha o direito de ser independente e que poderia ser livre, pois não dependia em nada de Portugal. Denunciado por Bailio de Brito em Abril de 1789 ele foi preso em 22 de Junho de 1789, depondo pela primeira vez na condição de preso em Julho de 1789 na Casa dos Contos e no dia 8 de Julho de 1789 depôs como testemunha pelo apoio de potências estrangeiras ao levante. Na Casa dos Contos ele foi interrogado três vezes e acarreado com Basilio de Brito, foi o mais firme de todos os Inconfidentes, e o mais pressionado, em seus depoimentos quando negou que soubesse qualquer coisa sobre o levante. No dia 23 de Setembro foi remetido ao Rio de Janeiro junto com Luiz Vaz de Toledo Piza e Domingos de Abreu Vieira, tendo ficado preso na Fortaleza da Ilha das Cobras onde foi interrogado mais quatro vezes e sempre negando e dizendo que sempre fora de parecer que os monarcas portugueses tinham todo o direito sobre a América e que nunca fora convidado para a sublevação, mas no dia 23 de Janeiro de 1790 resolveu confessar e começou seu depoimento dizendo que até agora tinha faltado a dizer a verdade, por considerar que a pretensão estava inteiramente desvanecida e que o estado estava por isso fora de perigo e negou que soubesse qualquer coisa a mais, nunca mais foi interrogado e ficou um ano incomunicável na prisão, saindo apenas para ouvir a sua sentença de degredo para Ilha de São Tomé.

Saiu do Rio de Janeiro em 24 de Junho de 1792 na fragata Golfinho, chegando a Lisboa ficou preso na Fortaleza de São Julião da Barra onde ficou quatro anos, nesta época a Rainha Dona Maria I enlouquecida, e o seu filho Dom João tornando-se regente em seu lugar, quando a ele foi apresentado os autos do processo do Padre Luiz Vieira da Silva pelo Ministro Martinho de Melo e Castro, Dom João deu despacho ao processo da seguinte forma: "Faça-se perpétuo silencio"destina ao réu ao esquecimento, com isto o livrara da pena capital, e no ano de 1796 o Padre Luiz Vieira da Silva obteve autorização para deixar a prisão e recolher-se a clausura do Convento de São Francisco da cidade onde permaneceu mais seis anos e no ano de 1802 obteve parecer favorável no seu processode indulto emitido pelo Visconde de Barbacena, regressando ao Brasil onde veio a falecer em 1809.

Padre José da Silva e Oliveira Rolim nasceu no Arraial do Tejuco em 1747 era filho do primeiro caixa do Real Contrato dos Diamantes no distrito do Tejuco, o Padre José Rolim foi em termos de liquidez, o mais rico dos inconfidentes, pois ele e sua família foram negociantes de altos negócios no Arraial do Tejuco e com isto estabeleceu uma extensão rede de amizades, influencia e bens materiais. No decorrer do ano de 1740 e 1760 com a extinção do contrato particular sobre a extração dos diamantes, que passou a ser administrado pelo monopólio estatal a família Oliveira Rolim foi, senão a mais, uma das mais prejudicadas em sua expansão econômica, pelo fato o Padre José Rolim desenvolveu uma animosidade contra o domínio português sobre a sua terra natal e sua área de influencia. Com a idade de vinte e oito anos de idade foi mandado para Pompeu para se preparar para ingressar no Seminário Menor em Mariana em 1776, e no ano de 1778 foi enviado a São Paulo para o Seminário Maior onde ficou até 1779, em São Paulo o governador acusou-o de ter uma vida dissoluta pelo fato, de que o Padre Rolim já ter vários filhos com sua mulher que vivia em Diamantina. No ano de 1779 recebeu as ordens sacras na Paroquia de Rio Manso na freguesia de Sabará das mãos do Padre Luiz de Almeida Vila Nova, ele apenas tomou posse de sua primeira paroquia pois no mesmo ano tomou posse de outra paroquia em Diamantina, a seguir passou algum tempo em São João del Rei e por volta de 1780 e 1781 apenas se dedicou a criar os seus filhos e a enriquecer, tornando-se uma espécie de banqueiro e contrabandista de diamante e outra pedra preciosas. Em 1786 diante de evidentes rumores sobre os descalabro na administração diamantina, procedeu-se a uma devassa oficial dirigida pelo Desembargador Antônio Dias da Cruz que representou contra ele ao Governador Luiz da Cunha Meneses que em 27 de Junho de 1786 expulsou-o de Minas Gerais dando-lhes três dias para sair do território da Capitania, em vista disto ele rumou para a Bahia, e no ano seguinte Padre Rolim já estava de volta a Diamantina negociando escravos, e em 1787 ocultou-se em Itambé e em Janeiro de 1788 passou para o Rio de Janeiro, voltando em Agosto para Vila Rica se hospedando na casa de Domingos de Abreu Vieira, já sob novo governo do Visconde de Barbacena, quando se sentiu à vontade para andar livremente nas ruas e pleitear do governador a revogação do desterro, e no segundo semestre de 1788 encontrou a conspiração adiantada em Vila Rica e nela se empenhou de forma febril, participando de todas as reuniões decisivas, quando se comprometeu em conseguir duzentos cavalheiros armados e de pagar parte da pólvora para a revolução, do Arraial do Tejuco escreveu varias cartas a Domingos de Abreu dando-lhe ciência de que seus correligionários do norte de Minas Gerais tinham recebido com entusiasmo os planos do levante e que estava tudo pronto para iniciar. Com o inicio da repressão foi expedido ordem de prisão contra ele, e para não ser preso, escondeu-se novamente nas matas da Fazenda das Almas em Lavras do Angudeiro em companhia de seu escravo Alexandre da Silva de onde pretendia fugir para a Bahia, porém em 5 de Outubro de 1789 foi preso por quatro soldados de infantaria e recolhido a cadeia de Vila do Príncipe no Serro e logo a seguir foi enviado a cadeia de Vila Rica na Casa dos Contos, onde foi interrogado por quinze vezes, porque a Devassa dava muita importância a sua pessoa pelo fato de que ele sabia de muitas coisas, e que seriam capazes de levantar fatos significativos de todo o norte de Minas Gerais, quando levado para o Rio de Janeiro, ficou preso na Fortaleza da Ilha das Cobras e no seu primeiro depoimento permaneceu firme na defesa de que se supunha preso por Ter voltado a Minas Gerais sem permissão e que nada sabia sobre o levante e no segundo depoimento começou negando e quando foi pressionado acabou por revelar que realmente sabia da rebelião e que havia participado dos encontros na casa de Francisco de Paula, e seus depoimentos posteriores apenas ajuntaram detalhes da real extensão do movimento. Foi condenado à morte na forca, porém teve a sua pena mantida em segredo, foi remetido a Lisboa aonde ficou preso na Fortaleza de São Julião da Barra, onde ficou encarcerado até 1796 quando obteve licença para recolher-se ao Mosteiro de São Bento da Saúde e por mediação do embaixador francês na capital do reino em 16 de Agosto de 1804 foi-lhe concedida uma licença para retornar ao Brasil e no ano de 1805 já estava no Brasil onde retirou a Mulher e os filhos do Retiro das Macaúbas e dirigiu-se para Diamantina onde viveu até o final de sua vida.

Alferes Joaquim da Silva Xavier, cognominado Tiradentes é o maior Herói Nacional já consagrado pelo apoio popular e por lei, considerado o protomártir, o maior dentre todos os mártires do processo brasileiro de independência, nasceu na Fazenda do Pombal situada na circunscrição territorial da Vila de São del Rei em 1746, seu pai pertencia a elite branca civil e servira como Almotecê na Câmara da Vila de São José del Rei, ficou órfão de pai e mãe aos onze anos de idade e por este motivo a família se dispersou e ele ficou aos cuidados de seu tio e padrinho Sebastião Ferreira Leitão, que era cirurgião-dentista registrado dos onze aos dezoito anos de idade, foi quando aprendeu os conhecimentos básicos de ondologista por isto conseguiu a profissão de dentista pratico, e com o seu primo Frei José Mariano da Conceição Velloso que fez os seus estudos em Mariana, quando desenvolveu extraordinária habilidade em botânica e estando no convento do Rio de Janeiro organizando a obra Flora Fluminense, nesta época Tiradentes manteve longo contato com o frei e desses contatos, ele recebeu extraordinário conhecimento das plantas medicinais, curando varias pessoas e espalhando a fama neste sentido no Rio de Janeiro.

Dedicando-se por conta própria ao serviço de viajante comercial fazendo freqüentes viagens entre São João del Rei, Vila Rica, Rio de Janeiro e a Bahia, travando um profundo conhecimento com a vastidão dos sertões e a magnifica potencialidade da terra brasileira e nesses trajeto intermináveis, desenvolveu a pratica de cirurgião-dentista a que só podia dedicar-se sem estabelecer-se, e por não ser licenciado levava a vida cuidando de escravos e agregados humildes das grandes propriedades rurais.

Tiradentes aos dezoito anos de idade optou pela carreira das armas, alistando-se em 1 de Dezembro de 1775 diretamente ao posto de Alferes no Regimento de Cavalaria de Minas Gerais sendo designado para a sexta companhia, aonde foi aceito pelo fato de pertencer a elite branca e de possuir uma utilíssima habilidade técnica, que era a de dentista. Durante o período de 1777 a 1779 esteve morando no Rio de Janeiro em missão oficial. Servindo nas forças de defesa contra possíveis invasões espanhola e no ano de 1780 estava na cidade de Sete Lagoas em Minas Gerais como Comandante do Destacamento local encarregado da guarda do registo da porta de entrada do Vale Médio do Rio São Francisco, onde estabeleceu correspondência com o contratador João Rodrigues de Macedo sobre alguns problemas na administração dos seus contratos naquela região e em 9 de Abrilde 1781 o Alferes foi nomeado como Comandante do Destacamento do Caminho Novo com o objetivo de construir uma variante no caminho de Vila Rica para o Rio de Janeiro, e em 26 de Junho de 1781 Tiradentes iniciou as picadas com a pequena tropa e mais oito escravos pertencentes ao Tenente Coronel Manoel do Vale, devido a pouco mão de obra empregada os trabalhos se tornaram lentos, porém em ritmo intenso, com isto o Alferes conseguiu fazer chegar a picada até lugar em que foi instalado o Quartel de Porto de Meneses aonde Tiradentes permaneceu destacado como comandante da tropa militar de guarda do novo caminho. No ano de 1784 por indicação do Governador, o alferes e designado pela portaria de 16 de Abril de 1784 para tomar providencias e guarnecer as fronteiras a leste da Capitania de Minas Gerais nos limites com o Rio de Janeiro, pelo fato de ser vedado a mineração e ao cultivo na área por razões de segurança tributarias, a partir de 1786 até 1789 o Alferes iniciou uma serie de viagens ao Rio de Janeiro, em uma época decisivamente do período conspiratorio, além de apresentar notáveis projetos de melhoramento urbano para o Rio de Janeiro. Como o de abastecimento de água, pois as lagoas e os pântanos eram poluídos e insalubres o que obrigavam que os habitantes a buscarem a água em lagoas distantes, através do trabalho escravos, e o seu projeto de canalização e de construção de novos moinhos atiçaram a ira dos comerciantes, mesmo assim ele foi apresentado ao Conselho Ultramarino em Lisboa, que despachou ao Vice-rei com a recomendação que a Câmara Municipal opinasse sobre o projeto de Tiradentes. A Câmara que era composta por elementos que tinha interesses contrários ao projeto, rejeitou o plano e consideraram o mesmo como prejudicial e inconveniente, sem apresentar os motivos, Tiradentes ainda tentou insistir junto ao Vice-rei e nessa luta para conseguir ver aprovado o seu projeto, o Alferes procurava convencer as pessoas em todos os lugares e desses contatos, passou a expor o plano da revolução a diversas pessoas que teriam interesses em separar o Brasil do reino lusitano e especialmente com os comerciantes, cujos projetos liberais se chocavam com o sistema mercantilista fechado que obstava o comercio livre e generalizado com todas as nações. Tiradentes andava por todos os lados com livros sobre a Independência norte-americana e cada vez mais procurava ler tudo que se relacionasse ao assunto de modo aberto e sem preocupação, pois estava entusiasmado pelo assunto, ele era loquaz e procurava convencer as pessoas as suas idéias, sempre andava apressado e agitado e devido a esse modo de ser e de agir, demonstrava o reflexo de uma personalidade exaltada e por esta razão recebeu os apelidos de além da própria palavra tira-dentes, chamam-lhe o de corta-vento, Gramático, o Republica, o Liberdade. Se não serve para a historia, serve para a cultura geral demonstrar a aparência pessoal de um personagem, em todos os países civilizado os vultos nacionais estão em telas espalhado pelos museus, escolas, instituições culturais, infelizmente no Estado do Brasil a arte pictórica não se desenvolveu acentuadamente no século XVIII, aquela tendência verificada na Europa de se guardar as cenas familiares, por este motivo os quadros referentes a Tiradentes são todos imaginários e feitos no final do Império ou no início da Republica ou seja mais de um século depois de sua existência.

E o único modo de se conseguir a descrição física de Tiradentes são as referencias documentais encontradas no Arquivo Histórico Ultramarino em Lisboa, em 1789 ele estava com quarenta e dois anos de idade, era branco, usava bigode e muito provavelmente não usava barba, andava com uma farda azul forrada de vermelho e adornada com fios prateados, e alguns historiadores afirmam que ele tinha uma cicatriz no rosto, morreu solteiro mais deixou descendência, uma de nome Joaquina de sua união com Antonia do Espirito Santo. Tiradentes teve papel destacado na conspiração e a sua participação foi decisiva, entregou-se de corpo e alma ao movimento, literalmente; a Independência do Brasil, tornou-se o motivo de sua vida, pois radicalizou sua posição ao ponto de não importa-se com a entrega da própria vida naquela revolução, preparada silenciosamente por homens notáveis, seu modo de agir constratava com o dos outros conspiradores, pois falava abertamente sobre a necessidade da revolução e pregava-a em qualquer lugar, e sabia-a do desejo do povo mineiro, por este motivo não receava abrir-se com quem quer que fosse, nem escolhia o momento e o lugar. O Alferes Silva Xavier tinha uma caráter excepcionalmente elevado, pois suas respostas no primeiro depoimento em 22 de Maio de 1789 foram firme, sem medo, não comprometeu a ninguém não deu nenhum detalhe, não confirmou nada a respeito sobre a sua participação na conjuração, negou tudo, e cinco dias depois foi interrogado novamente e continuou negando tudo, levando o depoimento para detalhes sem importância, resistindo tudo e a todos bravamente. No terceiro interrogatórios em 30 de Maio de 1789 continuou negando firmemente, porém quando acareado com Joaquim Silverio dos Reis, sofre um forte abalo, pois até o presente momento, Tiradentes não sabia que Silverio dos Reis havia delato a conspiração e neste momento descobriu que a revolução e os revolucionários já eram do conhecimento dos devassantes e após mais de seis meses incomunicável, ele e novamente interrogado em 18 de Janeiro de 1790, foi quando resolveu confessar a participação no movimento revolucionário, assumindo sozinho a culpa e isenta os demais participantes; diz que planejou a revolução por motivos pessoais, com isto o radical revolucionário iluminista do século XVIII lavara a alma e entregara sua vida. A estrutura moral de Tiradentes revelada por seus depoimentos é que lhe conferiu a grandeza de líder da fracassada revolução mineira de 1789, pois em todos os depoimentos que continuaram até ao seu enforcamento continuou despistando e negando a participação de outras pessoas e revelando apenas o que os ministros já sabiam. Tiradentes foi morto na manhã de um sábado dia 21 de Abril de 1792, em uma forca armada no Largo da Lambadas defronte a Igreja da Lambadas no Rio de Janeiro

Fonte: conhecimentosgerais.com.br

Inconfidência Mineira

Revolta contra a dominação colonial ocorrida no final do século XVIII em Minas Gerais. Em sua maioria, os inconfidentes são membros da elite social e intelectual mineira. Mas o mais conhecido integrante do movimento é um homem do povo, o alferes do Regimento dos Dragões das Minas Gerais Joaquim José da Silva Xavier. Por ter trabalhado como dentista antes de entrar para a milícia, ele era chamado de Tiradentes.

Tributos

Nas últimas décadas do século XVIII, a mineração entra em declínio com o esgotamento dos depósitos de aluvião e o peso dos quintos, tributação oficial correspondente à quinta parte de toda a produção. Desde 1740, essa cota está fixada em 100 arrobas (1,5 mil quilos) de ouro anuais, qualquer que seja a produção efetiva. Para a elite de mineradores, fazendeiros, comerciantes, contratadores (arrecadadores de impostos), padres e intelectuais, o empobrecimento das vilas é resultado da dominação portuguesa, da opressão fiscal e da corrupção das autoridades. A sociedade mineira reage contrabandeando ouro e diamantes e promovendo amotinações e conspirações para justificar o atraso no pagamento dos quintos. A metrópole aumenta a vigilância nas estradas e a fiscalização na arrecadação e ameaça executar a derrama, a cobrança forçada dos impostos atrasados.

Derrama

No início de 1789, o governador de Minas, visconde de Barbacena, anuncia a derrama para arrecadar 596 arrobas (8 940 quilos) de ouro. Esse anúncio revolta um grupo de conspiradores que se reunia clandestinamente em Vila Rica para discutir o futuro do Brasil. Entre eles estão intelectuais como José Álvares Maciel, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa, os padres Luís Vieira, Carlos Correa de Toledo e Melo e José da Silva Rolim, o tenente-coronel dos Dragões Francisco de Paula Freire de Andrade e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Também participam dos encontros os contratadores portugueses Joaquim Silvério dos Reis, Domingos de Abreu Vieira e João Rodrigues de Macedo. Inspirados nas idéias iluministas, liberais e republicanas, eles defendem a independência da colônia. Além disso, pregam a adoção de moeda própria, a livre circulação de diamantes, a instalação de indústrias e a fundação de universidades.

Traição

O anúncio da derrama leva os conspiradores a acelerar os preparativos da revolta, dentro e fora da capitania. Mas o visconde de Barbacena sabe da conspiração pelos contratadores portugueses, que traem os companheiros em troca do perdão de suas dívidas fiscais. O governador de Minas suspende a cobrança geral e manda prender os conjurados. Quase todos são encontrados em Vila Rica. Tiradentes é preso no Rio de Janeiro, para onde são enviados os outros envolvidos no processo judicial.

Punição exemplar

A devassa arrasta-se até 1792. No início desse ano são lidas as sentenças dos réus. Muitos são condenados à morte, mas têm a pena comutada por prisão ou degredo na África. Tiradentes, considerado por alguns historiadores um idealista ingênuo manipulado pela elite que comanda o movimento, é o único condenado à morte a não obter clemência. Diferentemente dos demais inconfidentes, ele é de origem pobre e tem pouca instrução. Esses fatores, acrescidos a seu empenho em defender os ideais do grupo durante o julgamento, transformam-no em alvo preferido das autoridades coloniais. A execução ocorre no Rio, no largo da Lampadosa, em 21 de abril de 1792. Seu corpo é esquartejado e a cabeça, exposta no alto de um poste na praça central de Vila Rica.

Propaganda republicana

Punindo severamente um homem do povo, o Estado português busca ao mesmo tempo desencorajar qualquer outra rebelião contra o regime colonial e desqualificar socialmente o movimento. Por muito tempo, a Inconfidência Mineira é vista pelos historiadores como uma revolta de pouca ou nenhuma importância.

Coube aos chefes e ideólogos da campanha republicana, principalmente aos positivistas e republicanos radicais, resgatar a figura de Tiradentes e projetá-lo como o primeiro líder popular da luta pela independência. Logo após a proclamação da República, em 1889, Tiradentes vira oficialmente herói nacional.

Fonte: EncBrasil

Inconfidência Mineira

Inconfidência Mineira foi abordada em vários estudos, cada qual mostrou uma faceta diferente deste movimento, o que gerou inúmeras discussões entre estudiosos por todo país e pelo mundo. Muitos a definem como um movimento que buscava a liberdade de nosso país. Outros já esboçam contornos mais regionais atribuindo sua "quase" eclosão ao descontentamento da população de Vila Rica com o governo português. Teremos ainda pesquisadores que irão trilhar caminhos que levavam a interesses particulares como propulsores do movimento. Mas todos concordam em um ponto, que o movimento eclodiu diante do quadro de escassez de ouro, na região das Minas a partir da metade final do século XVIII.

Os filhos das famílias mais abastadas de Vila Rica, eram mandados para Coimbra em Portugal, para serem instruídos em sua universidade, neste período a Europa era sacudida pelos ideais da Revolução Francesa. A literatura sobre temas revolucionários era farta, em todos os países europeus, apesar de ser combatida com todo rigor por todas as nações européias. Alguns estudantes brasileiros tiveram acesso a estes livros proibidos, aos ideais da revolução francesa, e trouxeram alguns desses exemplares há Vila Rica.

A liberdade guia o povo, as idéias da revolução francesa foram difundidas pelos jovens que estudaram em Portugal, quando os mesmos voltavam para Vila Rica.

Com a chegada do novo governador à capitânia de minas, o Visconde de Barbacena, ocorreram reformas em todos os níveis da administração portuguesa colonial. Famílias e pessoas influentes em Vila Rica perderam seus cargos e poderes. Dentre estas pessoas se encontravam vários desses "jovens", que tiveram contato com as idéias revolucionárias na Europa. Tomás Antônio Gonzaga era um deles, destituído de seu cargo de ouvidor de Vila Rica, ele logo se indispôs com o novo governador da província. Além desses fatos, a derrama era iminente, e a maioria das pessoas de posse em Vila Rica estavam endividadas com a coroa. A derrama era a atualização dos impostos devidos, dentre eles o quinto. Porém com a escassez do ouro os pagamentos desses impostos estavam praticamente impossíveis, muitos temiam perder todas as suas posses, ou serem presos por não terem como pagar os impostos.

Mas não só de interesses particulares estava motivada a inconfidência mineira, havia também o sonho de ver a pátria livre, longe dos mandos e desmandos do governo português, uma pátria que para alguns séria monarquista, ou até mesmo republicana como sonhou Joaquim da Silva Xavier o Tiradentes.

Porém a noção de pátria e de país neste momento, era territorialmente diferente da que temos hoje em dia. A pátria dos inconfidentes estava resumida propriamente ao estado de Minas e do Rio de Janeiro, talvez fosse incluído ai, o Estado de São Paulo ou mesmo da Bahia. Os demais estados devido a distância e a dificuldade de comunicação, e mesmo pela maior ou menor resistência das tropas portuguesas, dificilmente teriam possibilidade de se agregarem ao novo país.

Claro que são suposições, mas provavelmente a inconfidência mineira não teria uma abrangência nacional.

As reuniões aconteciam sempre em lugares secretos na calada da noite, e a cada dia, contavam com um número maior de integrantes. A maioria era pertencente as classes sociais mais abastadas, mas havia também integrantes das camadas populares e principalmente militares. Os inconfidentes confeccionaram uma bandeira e um lema, que hoje em dia pode ser visto na bandeira que representa o estado de Minas Gerais. A revolta estava programada para o dia em que fosse anunciada a derrama, planejavam executar o governador de Minas em praça pública, tomando o controle das tropas sediadas na cidade e na província. Mas os inconfidentes, também precisavam arregimentar correligionários na cidade do Rio de Janeiro, este seria o segundo momento da revolução. Para os inconfidentes após a notícia da revolta em Minas se espalhasse pela Colônia, outras cidades iriam aderir ao movimento, e se no Rio de Janeiro houvesse já algum grupo preparado, isto facilitaria ainda mais o processo.

No campo das ideologias, as principais a se destacarem eram as mesmas que motivavam a revolução francesa, a igualdade, fraternidade e liberdade, mas além disso devemos destacar também os interesses particulares. A forma de governo a ser instituída era a monarquia, o rei provavelmente viria de alguma família da colônia. Não haveria muitas mudanças na forma da administração pública, as leis seriam totalmente reformuladas, mantendo-se a escravidão. Muitos historiadores atribuem a Tiradentes idéias mais radicais, como por exemplo a proclamação da república e a abolição da escravidão.

Eram vários os líderes do movimento, Tomás Antonio de Gonzaga, Alvarenga Peixoto, o cônego Luiz Viera da Silva e representando as camadas populares Joaquim da Silva Xavier o Tiradentes. Devo frisar que o papel de Tiradentes na revolta foi muitas vezes distorcido pela historia, talvez devido ao martírio pelo qual foi submetido. Sua figura é muitas vezes tomada como o principal líder do movimento o que é questionável, pois por se tratar de um movimento no qual participavam figuras ilustres de Vila Rica, os outros líderes eram tão importantes quanto Tiradentes, podemos destacar a figura de Tomas Antônio de Gonzaga e mesmo o nome de Alvarenga Peixoto.

Só não contavam eles, que entre os inconfidentes surgiria a figura de um traidor, o coronel Joaquim Silvério dos Reis. Endividado com a coroa e destituído do comando de tropa, Silvério dos Reis tinha motivos suficientes para participar da inconfidência. Porem temia que o movimento falhasse, e as punições que viriam em conseqüência. Tentando tirar proveito próprio, acabou por delatar os revoltosos para o Visconde de Barbacena, em carta de próprio punho incorporada abaixo.

Ilmo. e Exmo. Sr. Visconde de Barbacena

Meu Senhor:

Pela forçosa obrigação que tenho de ser leal vassalo a nossa Augusta Soberana, ainda apesar de se me tirar a vida, como logo se me protestou, na ocasião em que fui convidado para a sublevação que se intenta e prontamente passei a pôr na presença de vossa excelência o seguinte: em o mês de fevereiro deste presente ano, vindo da revista do meu Regimento, encontrei no arraial da Laje o sargento-mor Luís Vaz de Toledo e falando-me em que se botavam abaixo os novos Regimentos, porque vossa excelência assim o havia dito, é verdade que eu me mostrei sentido e queixei-me de Sua Majestade que me tinha enganado, porque em nome da dita Senhora, se me havia dado uma patente de coronel-chefe do meu Regimento, e com o qual me tinha desvelado, em o regular e fardar, e grande parte à minha custa, e que não podia levar a paciência ver reduzido a uma inação, todo o fruto do meu desvelo, sem que eu tivesse faltas do real serviço e juntando mais algumas palavras em desafogo de minha paixão.

Foi Deus servido que isto acontecesse, para se conhecer a falsidade que se fulmina. No mesmo dia viemos a dormir à casa do capitão José Resende e, chamando-me a um quarto particular, de noite, o dito sargento-mor Luís Vaz, pensando que o meu ânimo estava disposto para seguir a nova conjuração, pelo sentimento das queixas que me tinha ouvido, passou o dito sargento-mor a participar-me, debaixo de todo o segredo, o seguinte: Que o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, primeiro cabeça da conjuração, havia acabado o lugar de Ouvidor dessa Comarca, e que nesse posto se achava há muitos meses nessa vila, sem se recolher a seu lugar na Bahia, com o frívolo pretexto de um casamento, que tudo é idéia, porque já se achava fabricando leis para o novo regime da sublevação e que se tinha disposto da forma seguinte: procurou o dito Gonzaga o partido e união do coronel Inácio José de Alvarenga, e o padre José da Silva de Oliveira e outros mais, todos filhos da América, valendo-se, para reduzir outros, do alferes pago José da Silva Xavier, e que o dito Gonzaga havia disposto da forma seguinte: e que o dito coronel Alvarenga havia de mandar duzentos homens, pés-rapados, da Campanha, paragem onde mora o dito coronel, e outros duzentos o padre José da Silva, e que haviam de acompanhar a estes vários sujeitos que já passam de sessenta, dos principais destas Minas, e que estes pés-rapados haviam de vir armados de espingardas e foices, e que não haviam de vir juntos por não causar desconfiança, e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica e prontos à primeira voz, e que a senha para o assalto que haviam ter cartas, dizendo - tal dia é o batizado, e que podiam ir seguros, porque o comandante da tropa paga, o tenente-coronel Francisco de Paula, estava pela parte do levante e mais alguns oficiais, ainda que o mesmo sargento-mor me disse que o dito Gonzaga e seus parciais estavam desgostosos pela frouxidão que encontravam no dito comandante, que por essa causa se não tinha concluído o dito levante e que a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V. excelência e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia fazer uma fala ao povo cuja já estava escrita pelo dito Gonzaga e para sossegar o dito povo, se haviam levantar os tributos e que logo se passaria a cortar a cabeça ao Ouvidor dessa Vila, Pedro José de Araújo e ao escrivão da Junta, Carlos José da Silva e ao adjudante-de-ordens Antônio Xavier, porque estes haviam seguir o partido de V. excelência e como o intendente era amigo dele Gonzaga, haviam ver se o reduziam a segui-los, quando duvidasse também se lhe cortaria a cabeça.

Para este intento me convidaram e se me pediu mandasse vir alguns barris de pólvora, e que outros já tinham mandado vir e que procuravam o meu partido por saberem que eu devia a Sua Majestade quantia avultada, e que esta logo me seria perdoada, e como eu tinha muitas fazendas e duzentos e tantos escravos, me seguravam fazer um dos grandes; e dito sargento-mor me declarou várias entradas neste levante, e que se eu descobrisse, me haviam de tirar a vida como já tinham feito a certos sujeitos da Comarca de Sabará. Passados poucos dias, fui a Vila de São José, donde o vigário da mesma, Carlos Correa me fez certo quanto o dito sargento-mor me havia contado e, disse-me mais, que era tão certo que, estando ele dito, pronto para seguir para Portugal, para o que já havia feito demissão de sua igreja, e seu irmão, e que o dito Gonzaga embaraçara a jornada, fazendo-lhe certo que, com brevidade, cá o poderiam fazer feliz, e que por este motivo suspendera a viagem.

Disse-me o dito vigário, que vira já parte das novas leis, fabricadas pelo dito Gonzaga, e que tudo lhe agradava, menos a determinação de matarem vossa excelência e que ele dito vigário, dera o parecer ao dito Gonzaga que mandasse antes botá-lo do Paraibuna abaixo, e mais a senhora viscondessa e seus meninos, porque vossa excelência em nada era culpado e que se compadecia do desamparo em que ficava a dita senhora e seus filhos, com a falta de seu pai, ao que lhe respondeu o dito Gonzaga que era a primeira cabeça que se havia de cortar, porque o bem comum prevalece ao particular, e que os povos que estivessem neutrais, logo que vissem o seu general morto, se uniriam ao seu partido. Fez certo este vigário que para esta conjuração trabalhava fortemente o dito alferes pago, Joaquim José Xavier, e que já naquela Comarca tinham unido ao seu partido um grande séquito, e que havia de partir para a capital do Rio de Janeiro, a dispor alguns sujeitos, pois o seu intento era também cortar a cabeça do senhor vice-rei e que, já na dita cidade, tinham bastante parciais. Meu senhor, eu encontrei o dito alferes, em dias de março, em marcha para aquela cidade, e pelas palavras que me disse, me fez certo o seu intento que levava e consta-me, por alguns da parcialidade, que o dito alferes se acha trabalhando isto particularmente, e que a demora desta conspiração era enquanto não se publicava a Derrama; porém que, quando tardasse, sempre se faria. Ponho todos esses importantes particulares na presença de vossa excelência pela obrigação que tenho da fidelidade, não porque o meu instinto nem vontade sejam de ver a ruína de pessoa alguma, o que espero em Deus que com o bom discurso de vossa excelência há de acautelar tudo, e dar as providências, sem perdição dos vassalos.

O prêmio que peço tão-somente a vossa excelência é o rogar-lhe que, pelo amor de Deus, se não perca a ninguém. Meu senhor, mais algumas coisas tenho colhido e vou continuando na mesma diligência, o que tudo farei ver a vossa excelência, quando me determinar. O céu ajude e ampare a vossa excelência para o bom êxito de tudo; beija os pés de vossa excelência o mais humilde súdito.

Joaquim Silvério dos Reis, Coronel da Cavalaria das Gerais, Borba do Campo, 11 de abril de 1789.

Devido a morte de D. João V, e o pequeno D. João VI não ter idade suficiente para assumir o trono português, D. Maria I era a representante maior do poder real português. Conhecida também como D. Maria à louca.

O processo se alongou entre os anos de 1789 a 1792, os inconfidentes foram acusados pelo crime de lesa majestade (atentar contra a vida do rei ou seus representantes) e traição, a pena para estes crimes era a morte. Num primeiro momento do processo, onze foram os condenados à morte pela forca, os outros eram condenados ao degredo perpetuo na África.

No período do cárcere o poeta Cláudio Manoel da Costa comete suicídio, por não suportar a pressão exercida pela eminente condenação a morte, que aguardava a todos os revoltosos. Inicialmente todos assumiam a culpa pela inconfidência mineira, mas com a iminência da condenação à morte, vários recuaram, com exceção de Tiradentes, que desde o começo do processo, assumiu a sua participação no movimento. Ao fim da devassa (nome pelo qual ficou conhecido o processo), somente Tiradentes foi condenado a morte, os outros foram condenados ao degredo perpetuo na África, e aos clérigos à viverem em conventos longe do contato com o mundo externo, em Portugal.

Inconfidência Mineira
Julgamento dos inconfidentes, no centro Tiradentes

Tiradentes foi enforcado na cidade do Rio de Janeiro no dia 21 de abril de 1792. Logo depois foi esquartejado, e seus quartos foram espalhados pela estrada real, sendo a cabeça exposta na praça central de Vila Rica, onde hoje se encontra o monumento em sua memória em Ouro Preto. Abaixo segue-se trecho da condenação de Tiradentes à forca.

Sentença de condenação de Tiradentes, proferida pelo tribunal de alçada em 18 de abril de 1792.

(...) Portanto, condenam ao réu Joaquim da Silva Xavier, por alcunha de Tiradentes, Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas Gerais, a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural, para sempre, e que depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde, em lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também o consuma. Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu.

Neste meio tempo Tiradentes seguia para a cidade do Rio de Janeiro, em busca de apoio para o movimento. Estando Tiradentes na capital da colônia, quando o visconde de Barbacena decretou a prisão dos revoltosos, sendo que ele foi preso por diligência do vice rei Luís de Vasconcelos e Sousa.

Durante o restante do período colonial, a inconfidência mineira era assunto proibido na colônia e mesmo em Portugal. Após a independência do Brasil a inconfidência mineira tornou-se um assunto polemico. Os inconfidentes tramaram contra a casa real portuguesa, Dom Pedro I e Dom Pedro II eram descendentes da família real portuguesa, e condenavam a atitude dos revoltosos de 1789. Com isso a Inconfidência Mineira se inseria numa futura briga, entre os ideais da monarquia e da república. Esta briga acabou por valorizar a importância do movimento, você talvez não esteja entendendo nada, mas nas próximas linhas vou tentar explicar que disputa foi essa.

No ano de 1822 era proclamada a independência do Brasil, aquela jovem nação ainda não possuía uma unidade nacional estável. Ao longo do século XIX, principalmente no segundo reinado (Dom Pedro II), surgiram vários movimentos que punham em perigo essa unidade nacional. Por isso Dom Pedro II logo tratou de criar o Instituto histórico geográfico brasileiro.

Este instituto teve como prioridade a afirmação do Brasil como uma Nação com culturas e características semelhantes, e para isso necessitava de buscar motivos culturais, e principalmente históricos que reafirmassem o sentimento nacional. Os intelectuais do instituto foram atrás dos feitos históricos dos filhos da terra. Pois desta maneira tentavam incutir na população erudita sentimentos de nacionalismo, para que estes formadores de opinião, transmitissem estes sentimentos para as classes populares. É claro que caso esse nacionalismo fosse transmitido para as classes populares, provavelmente os movimentos que questionavam a unidade nacional não ocorreriam, porém dentro desse processo à Inconfidência Mineira foi esquecida ou até mesmo marginalizada.

Inconfidência Mineira

A bandeira de Minas Gerais teve sua origem na inconfidência mineira, o triangulo central representa a Santíssima trindade.

A inscrição é em latim e diz: Liberdade ainda que seja tarde. Esta bandeira iria representar a futura nação dos inconfidentes.

Quando a monarquia se referia a tal movimento, ele era sempre visto como insubordinação, revolta por motivos fúteis, traição aos valores monárquicos que eram de direito divino. Tiradentes e seus companheiros eram vistos como criminosos comuns, que atentaram contra a vida dos governantes do período. Nunca citavam o movimento como de independência e sim como defensor de privilégios locais.

Não que os sentimentos ou a importância da Inconfidência Mineira fossem menos nobres, mas o principal problema, era que seu símbolo maior é mártir o Tiradentes, defendia abertamente os ideais republicanos o que era extremamente prejudicial ao segundo reinado.

Já na segunda metade do século XIX, quando a monarquia era questionada pelos republicanos, que viam na República a melhor saída para o sistema de governo do Brasil, a figura de Tiradentes foi resgatada como o grande herói nacional. Com a valorização de um movimento que continha o embrião republicano, as classes populares começaram a resgatar um sentimento republicano, que iria mais tarde auxiliar no fim da monarquia.

No governo de Getulio Vargas foi criado o museu da inconfidência. Com a sua criação, os restos mortais dos inconfidentes foram recuperados e traslados para uma sala do museu. Com exceção dos restos mortais de Tomás Antonio Gonzaga e Tiradentes que não foram recuperados, mas mesmo assim ganharam lapides representativas no local.

Porém com a proclamação da República em 1889, a Inconfidência Mineira, ganha destaque como um dos principais movimentos que buscaram a independência do Brasil, muitas vezes foi mais valorizado do que o sete de setembro. Na inconfidência mineira já havia o embrião da independência, e principalmente o embrião republicano, representado pelas idéias atribuídas a Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes.

Fonte: www.escolavesper.com.br

Inconfidência Mineira

Ouro por todos os cantos .... na cabeça daquela gente, sobretudo. Intrigava-se, traia-se, matava-se por motivo fútil, movidos por cega ambição. E houve guerra, que durou três anos entre paulistas e portugueses apelidados de Emboabas (palavras indígena relacionada, segundo a tradição, com as botas que usavam). Os portugueses acabaram vencendo, não sem antes traírem os paulistas junto de um mato que, por essa razão, ficou sendo chamado de Capão da Traição..

E os trucidados foram tantos que o rio vizinho, já marcado por tragédias anteriores, mais ainda mereceu o nome de Rio das Mortes (1710). Pouco depois era confiscada e destruída em Lisboa a edição do livro do jesuíta Antonil Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Ciumento das riquezas da colônia distante. Sua Majestade receava que o livro atiçasse a cobiça de novos aventureiros.

O Imposto do Quinto

Em Portugal, o rei Dom João V sorria, feliz com a maravilhosa descoberta na colônia distante. E tratou logo de regularizar a coisa, criando no Brasil o imposto do "Quinto" e decretando a fundação de "Casas de Intendência" para fiscalização e controle da produção. Todo aquele que extraísse ouro nas grupiaras, nas minas ou no cascalho dos rios, obrigava-se a levá-lo à Intendência para que fosse pesado, fundido e transformado em barras. A Quinta parte ficava reservada para a coroa de Portugal. As barras, devidamente tocadas, eram datadas e levadas à prensa real, onde recebiam o cunho com as armas portuguesas e o nome da Casa de Intendência na qual haviam se submetido a essa operação, sendo posteriormente entregues ao dono, juntamente com um certificado, assinado pelo intendente, nomeado pelo rei de Portugal declarando ser o Senhor X o legítimo possuidor da preciosa lâmina. Esta valia como dinheiro e com ela negociava-se livremente. Ai daquele que fosse pilhado com o ouro não "quintado" ! Acabava os dias numa masmorra, ou então era degradado para a África. Inconformados, alguns espertalhões burlavam a lei por todos os meios. Diz a tradição que chegaram ao cúmulo de mandar esculpir na madeira imagens ocas de santos, enchendo-as de ouro em pó. Assim camuflado, o contrabando passava facilmente nos postos de fiscalização e era enviado para longe.

A Inconfidência Mineira

O imposto devido ao rei de Portugal aumentava dia a dia, oprimindo e desesperando o povo, que já não sabia mais de onde tirar ouro para atender a "Derrama".

Sonhos de liberdade e independência foram tomando corpo, alimentados põe leituras de Rousseau e Voltaire. E começou-se a conspirar. Um pretexto para a revolta foi a chegada do Visconde de Barbacena, então governador da Capitania (1788), encarregado de fazer vigorar nova e pesada taxa suplementar de impostos.

Pessoas inteligentes, cultas, estavam implicadas no plano: magistrados e poetas, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário do governo, autor do poema "Vila Rica" e Tomás Antônio Gonzaga, que escreveu "Marília de Dirceu", considerado como "o mais belo e célebre poema de amor da língua portuguesa".

O mais entusiasmado na conspiração era o alferes Joaquim José da Silva Xavier (1748 - 1792), apelidado de Tiradentes. "pela prenda de pôr e tirar os dentes".

Idealista, impetuoso e inocente; o alferes não se continha e espalhava a idéia por todos os cantos, o que lhe acabou sendo fatal. Tiradentes nasceu na Fazenda do Pombal, região do Rio das Mortes, hoje município de Ritápolis.

A Traição

Do movimento, mais tarde conhecido como "Inconfidência Mineira", só restou o ideal, porque os conspiradores foram denunciados pelo Coronel Joaquim Silvério dos Reis, que contou o plano ao Visconde de Barbacena, traindo os companheiros em troca de pensão para o resto da vida, perdão de suas muitas dívidas e medalha para o peito infame. O Visconde de Barbacena imediatamente suspendeu a "Derrama" e mandou prender os inconfidentes. Os castigos incluíram desde pena de morte, degredo perpétuo ou temporário até confisco de bens. Cláudio Manuel da Costa, ao que consta, teria se enforcado na Casa dos Contos de Vila Rica, onde o levaram preso. Gonzaga seguiu desterrado para Moçambique, pois tivera a pena de morte comutada, assim como os outros. Todos, menos Tiradentes.

O Enforcamento

Tiradentes não negou a culpa, como os outros, e chamou a si a responsabilidade da conspiração.

Desarmado pela própria pureza, abandonado na hora grave, sem defensores nem dinheiro, enfrentou três anos de prisão e suportou a desgraça sozinho. Conta-se que, quando o carrasco foi busca-lo na cela e, segundo o ritual, lhe pediu perdão pelo que iria fazer, o alferes humildemente lhe quis beijar os pés, as mãos e se lhe entregou sem resistência.

O corpo de Tiradentes foi esquartejado e seus membros ficaram expostos em lugares diversos. A cabeça foi exibida como troféu em cima de um poste na praça de Ouro Preto que hoje tem seu nome.

Fonte: www.tiradentes.net

Inconfidência Mineira

História da Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira foi uma conspiração que ocorreu em 1789 em Vila Rica, hoje Ouro Preto.

Entre os fatores que determinaram o movimento destacam-se:

Os excessos cometidos pelas autoridades escolhidas pelo governo português para administrar a região das minas.
A decadência da produção de ouro, que se acentuou a partir dos meados do século XVIII, e o sistema de cobrança dos quintos devido à Coroa. Quando o ouro entregue não perfazia 100 arrobas (cerca de 1500 quilos), era decretada a derrama, ou seja, o que faltasse seria cobrado de toda a população, pela força das armas. Os excessos cometidos pelas autoridades por ocasião da derrama levaram o povo ao desespero.
As idéias de liberdade trazidas por estudantes brasileiros que tinham realizado cursos superiores na Europa.
O conhecimento da independência dos Estados Unidos, cujos colonos, revoltados também contra o sistema fiscal de sua metrópole, tinham se libertado da Inglaterra.

Entre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José de Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da Costa; o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, os coronéis Domingos de Abreu e Joaquim Silvério dos Reis (um dos delatores do movimento); os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga.

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, era provavelmente o participante da conspiração de menor posição social (era alferes e dentista prático). No entanto, foi o único a assumir a responsabilidade pelo movimento. Negando a princípio sua participação, Tiradentes assumiu posteriormente toda a responsabilidade pela Inconfidência, inocentando seus companheiros.

Os planos dos inconfidentes eram:

Estabelecer um governo independente de Portugal;
Criar uma universidade em Vila Rica;
Criar indústrias
Fazer de São João del-Rei a nova sede da capitania.

Os conspiradores haviam planejado adotar uma bandeira, que conteria a frase latina Libertas quae sera tamen (Liberdade ainda que tardia) e que inspirou a bandeira do Estado de Minas Gerais.

A revolta deveria iniciar-se no dia a derrama, que o governo programava para 1788 e acabou suspendendo quando soube da conjuração.

Os Inconfidentes pensaram ainda em conseguir auxílio estrangeiro para garantir o sucesso do levante. Em 1786, o estudante José Joaquim da Maia teve um encontro na França com o ministro americano Thomas Jefferson, com essa finalidade. O estudante não chegou a retornar ao Brasil, falecendo na Europa.

Os planos dos inconfidentes foram frustrados porque três participantes da conspiração procuraram o governador, Visconde de Barbacena, para delatar o movimento.

Foram eles: o coronel Joaquim Silvério dos Reis, o tenente-coronel Basílio de Brito Malheiro do Lago e o mestre-de-campo Inácio Correia Pamplota.

Tão logo ficou ciente da revolta que estava para eclodir, o Visconde de Barbacena suspendeu a derrama e expediu ordens de prisão contra os inconfidentes.

Tiradentes, que viajara para o Rio de Janeiro com o objetivo de adquirir armas, foi preso naquela cidade.

O Processo contra os inconfidentes arrastou-se durante dois anos. A sentença inicial condenou à morte vários destes e ao degredo outros. Posteriormente, a Rainha Dona Maria I comutou todas as sentenças de morte, modificando-as para degredo, com exceção da sentença de Tiradentes.

(VILA RICA, 1789)

A partir de 1750, a produção de ouro começou a diminuir. As lavras, que antes forneciam grande quantidade de metal, estavam se esgotando rapidamente. Por isso, tornava-se difícil pagar ao governo português as 100 arrobas (1470 kg) de ouro que ele exigia por ano.

Para completar essa quantidade de ouro, toda a população, mesmo os que não eram mineradores, era obrigada a contribuir. Esse sistema de cobrança chamava-se derrama.

É claro que a população das mimas ficava revoltada com a derrama.

Além de totalmente injusta, a cobrança era feita de maneira violenta: os soldados invadiam as casas e obrigavam todas as pessoas a pagarem uma parte da quantidade exigida.

Havia ainda outros atos do governo português que desagradavam a população.

Em 1785, a Rainha Dona Maria I proibiu o funcionamento de qualquer fábrica no Brasil. Todos os artigos antes eram feitos aqui mesmo, em pequenas oficinas, como calçado, sabão, tecidos, ferramentas, utensílios domésticos etc., deviam daí por diante ser importados de Portugal.

Essa medida prejudiciou muito os brasileiros, pois:

A população passou a pagar mais caro por esses produtos importados; os mais prejudicados foram os habitantes do interior, pois as mercadorias importadas deviam ser transportadas por longas distâncias, o que as encarecia bastante; além disso, por causa das dificuldades de transporte, nem sempre chegavam às cidades do interior (como era o caso das cidades mineiras) produtos em quantidade suficiente para todos;
Muitas pessoas tiveram suas oficinas desmontadas pelo governo, sofreram prejuízos e ficaram proibidas de exercer sua profissão.

O descontentamento da população das minas aumentava ainda mais por causa das atitudes do governador da capitania de Minas Gerais.

Ele era autoritário e cruel: mandava espancar presos, exigia dinheiro da população, demitia funcionários para nomear seus amigos.

A situação começou a ficar isuportável em 1788, com a chegada de um novo governador, o Visconde de Barbacena. Além de não ser nada melhor que o anterior, o Visconde de Barbacena trazia ordens de realizar uma derrama, para cobrar mais de 5000 quilos de ouro. A população ficou alarmada.

Como você pode ver, os mineiros tinham muitos motivos para se revoltarem contra o governo português. Aos poucos, muitas pessoas da região começaram a perceber que seria muito melhor ter um governo próprio, não precisando mais obedecer às ordens de Portugal.

Assim, na cidade de Vila Rica, um grupo de pessoas começou a se reunir secretamente para discutir as novas idéias de liberdade e planejar uma revolta. Essa revolta que teria por finalidàde tornar o Brasil independente de Portugal.

A denúncia

Os conspiradores marcaram a revolta para o dia em que fosse realizada a derrama, prevista para o primeiro semestre de 1789. Eles esperavam obter o apoio de fazendeiros, donos de minas e do próprio povo, ameaçado pela derrama. Confiavam também na ajuda do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Tiradentes ficou encarregado de tomar o palácio do governador, em Vila Rica. Em março de 1789, ele viajou para o Rio de Janeiro, fazendo propaganda da revolta.

Mas os planos não deram certo.

O coronel Joaquim Silvério dos Reis, minerador português que devia muitos impostos ao governo, contou todo o plano dos inconfidentes ao governador de Minas. Silvério dos Reis havia prometido apoio a Tiradentes, mas, temendo ser descoberto, resolveu denunciar o movimento a fim de salvar-se e conseguir o perdão do governo português para suas dividas. Imediatamente, Barbacena suspendeu a derrama. Um pouco mais tarde mandou prender os suspeitos. Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro e seus companheiros em Vila Rica.

Alguns dos acusados negaram sua participação na Inconfidência. De modo geral, os que confessavam, acusavam Tiradentes de ser o chefe do movimento.

Nos três primeiros interrogatórios, Tiradentes negou que tivesse participado de qualquer tentativa de revolta. Mas a partir do quarto, realizado em 1790, Tiradentes declarou ser o responsável pela Inconfidência. Como você vê, ele agiu de forma mais digna que os outros, que procuraram salvar-se lançando toda a culpa sobre um companheiro.

No julgamento, algumas pessoas foram soltas e 35 foram condenadas: onze deveriam ser enforcadas e outras mandadas para o exílio na África. Mas afinal, apenas Tiradentes foi executado. Os outros condenados à morte foram mandados para o exílio.

Tiradentes foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi dividido em pedaços e colocado em vários locais de Minas, como exemplo, para que ninguém mais tivesse coragem de participar de movimentos de revolta contra os portugueses.

Após a devassa e a execução das setenças sobrava o lema da Incofidência, continuando a inspirar novos movimentos: "Liberdade ainda que tardia".

Os principais líderes da Incofindência Mineira foram Cláudio Manuel da Costa, poeta e rico minerador; Luís Vieira da Silva, cônego; Alvarenga Peixoto, próspero minerador e latifundiário; Tomás Antônio Gonzaga, intelectual e ouvidor de Vila Rica; Carlos Correia de Toledo e Melo, vigário e próspero minerador; José Álvares Maciel, estudante de Química; Francisco de Paula Freire de Andrade, tenente-coronel comandante do Regimento de Dragões; os irmãos Francisco Antônio e José Lopes de Oliveira, o primeiro militar e o segundo padre, ambos grandes proprietários rurais; Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, principal organizador político da rebelião e indivíduo de poucas posses: era alferes, posto militar logo acima do de sargento.

Os rebeldes defendiam o fim do pacto colonial e o desenvolvimento de manufaturas têxteis e siderúrgicas, além do estímulo à produção agrícola. No plano político, alguns almejavam a república, enquanto outros pretendiam uma monarquia constitucional. Os interesses de uns e de outros ficaram claros quando surgiu a discussão da escravatura. Nas reuniões dos conspiradores, organizadas pelo tenente-coronel Freire de Andrade ou por Cláudio Manuel da Costa, a maioria se opunha à abolição da escravatura. Apenas Tiradentes e poucos outros advogaram a causa dos escravos. Álvares Maciel afirmava que "não haveria quem trabalhasse nas terras, tanto na mineração, como na agricultura". A sociedade escravocrata brasileira reelaborava a ideologia liberal européia, colocando-a dentro dos limites por ela aceitáveis.

Fonte: members.tripod.com

Inconfidência Mineira

SOCIEDADE MINEIRA SÉCULO XVIII

Minas Gerais nas metade do século XVIII atingiu a tal grau de progresso urbano que poderia ser considerado como uma das sociedades mais evoluídas do mundo, pois o ouro havia sido descobertos em camadas superficiais em depósitos aluviais e afloramento, e desse modo o ouro era acessível a todos que por ele se interessassem, sobremodo favorecidos pelo interesse real. Desta maneira o ouro atraiu um numero de imigrantes sem igual na historia do reino e este movimento migratório estabeleceu uma ocupação estável em pleno sertão, de proporções continentais e em conseqüência dessa migração há de se ressaltar a consolidação da economia do Estado Colonial e a influencia no desenvolvimento da ocupação territorial brasileira.

E Vila Rica a sede da Capitania a partir de 1720 se transformou numa pequena metrópole cercada de muitos arraias e no governo de Gomes Freira de Andrade, e entre os anos de 1735 a 1763 Vila Rica se urbanizou por completo.

Criando a seguinte divisão administrativa: Comarca de Vila Rica que era composta de Vila Rica e Mariana, Comarca do Rio das Velhas termos de Vila Real de Sabará, Vila Nova da Rainha, Vila de Pitangui e julgado de Paracatu, São Romão e Papagaio, Comarca do Rio da Mortes termo de Vila de São João del-Rei, Vila de São José del-Rei e julgado de Campanha do Rio Verde, Aiuruoca, Sapucaí, Jacuí e Itajubá, Comarca do Serro Frio termo de Vila do Príncipe e julgado do Tejuco e Minas Novas e julgado da Barra do Rio das Velhas. A qualidade das pessoas que imigraram para Minas Gerais acabou por formar uma sociedade que devido ao tipo de ocupação que dava oportunidade a pessoas de todas as origens, criou um convívio comunitário no qual a circulação profusa de riqueza diversificou e disseminou os benéficos de acumulação. Ouro Preto, Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar, foram o cume dessa maturidade cultural, tornando-se um dos maiores aglomerados da América, com isto surgiu um comercio florescente em que as lojas eram tão bem providas como as européias e como decorrência desta estrutura econômica, em Minas Gerais surgiu uma bugesia formada de ricos comerciantes que tinham um padrão de vida própria de nobres aspirando a nobreza local e educando seus descendentes numa esfera de alta hierarquia disseminando-se essa burguesia por estratos maiores da população, em virtude da própria circulação mais ampla da riqueza. com isto não havia mais apenas a dualidade entre senhores e escravos, nascia a formação de outras categorias que não era de escravos nem podiam ser classificados como senhoriais. A população de homens brancos era quase toda alfabetizada e a Capitania de Minas Gerais no seu auge de desenvolvimento congregava um grupo notável de poetas e homens de espíritos, artistas plásticos, compositores, padres esclarecidos, letrados, historiadores botânicos, minerologistas, químicos, tradutores e até gramáticos, a sociedade era democrática onde se preservava-se a hierarquia social, e a sociedade civil era composta também militarmente como decorrência da reforma do sistema feito pelo governo, que tornou toda a população civil em reservista da tropa regular, e nesta época em Minas Gerais tinha-se trinta e dois regimentos de auxiliares sendo vinte e quatro de cavalaria e oito de infantaria e esses regimentos eram compostos somente de oficias devido a estratificação social num regime escravista e estas tropas só eram chamadas para formatura em momentos de necessidade quando os oficiais tinham o encargo de fardar e armar seus soldados. E neste período a saúde publica era atormentada por grandes doenças nas regiões mineradoras, sendo muito empregado as ervas e plantas nativas que tinham melhores propriedades medicinais e curativas do que as drogas importadas de Portugal.

E a arquitetura civil e religiosa teve grandes expressões artística atingindo um dos mais altos pontos de sua civilização, demonstrando duas etapas principais sendo uma primitiva em que o material empregado era precário e outra em que se empregou com extrema arte a alvenaria de pedra um tratamento plástico muito apurado para época e o seu desenvolvimento e creditado a própria característica do povoamento e do tipo de riqueza, misturando em harmonia expressões iluministas com tradições medievais e de contra-reforma em que as irmandade de negros, de mulatos e de brancos desenvolveram modelos próprios, sem submissão as reformas importadas que dominavam o litoral.

Libertando a criatividade dos construtores e o seu desenvolvimento e creditado a própria característica do povoamento e do tipo de riqueza, misturando em harmonia expressões iluministas com tradições medievais e de contra-reforma em que as irmandade de negros, de mulatos e de brancos desenvolveram modelos próprios, sem submissão as reformas importadas que dominavam o litoral, libertando a criatividade dos construtores. A musica do período colonial em Minas Gerais apresentou-se com grandiosas obras e seus regentes e numerosos músicos, onde o elemento mulato era predominante, pois sendo uma sociedade hierarquicamente estratificada, todos os ofícios caiam nas mãos dos mestiços, pois era a única forma possível de ascensão social de sublimação pessoal, era notável a correlação da musica dos mulatos mineiros com as musicas européia.

A administração da colônia era feita diretamente pelo rei, que a confiava a diversos órgãos metropolitanos onde se destacava o Conselho Ultramarino e a Junta da Real Fazenda com representação em cada Capitania, ao Clero competia o serviço de registro de nascimento e casamento e obedecia ao soberano através da Mesa de Consciência e Ordem e o Brasil era Patrimônio da Ordem de Cristo e o rei era o grão-mestre dessa ordem

A Câmara Municipal era a expressão local administrativa e único órgão cuja constituição não era originaria de determinação direta do soberano, sendo seus componentes eleitos entre os súditos de cada cidade, onde tinham as atribuições de executiva, legislativa e judiciarias, sendo os seus funcionários especialmente os ouvidores, membros da junta, escrivães, provedores, fiscais e intendentes que eram nomeados por dedicação ao reino e raramente por capacidade, e o mercantilismo era o sistema econômico que maldava as relações entre a colônia e a metrópole, e esse sistema econômico que desenvolvera-se desde o século XV na Europa deu sentido na ocupação dos territórios ultramarinos, era o de que as colônias assim formados deveriam fornecer um mercado para os produtos metropolitanos e de dar ocupações aos seus trabalhadores e de fornecer artigos requeridos pela metrópole sendo as colônias a retaguarda econômica da metrópole. Sendo o Brasil uma província de todo um império colonial de proporções mundiais, tinha uma especialização básica que era os produtos agrícolas e sendo o maior produtor de açúcar do mundo e o principal fornecedor de toda a Europa, e a prosperidade de Portugal metropolitano no meado do século XVIII, dependia das flutuações da economia da colônia, sendo o ouro, o fumo e o açúcar e o que constituía a base do complexo comercial do Atlântico Sul, sendo que o fumo e o açúcar proporcionavam lucrativas reexportação para a Espanha; e sendo o ouro o meio de equibrio do intercâmbio desfavorável com o norte e de pagar as importações de madeiras e de cereais. Com Minas Gerais sendo parte de um estado de um império, o estado tinha uma função colonial dentro de uma economia mundial e a Capitania tinha a subfunção determinada e especificada. E a questão nas relações entre a Colônia e a metrópole no caso de Minas Gerais e do Movimento Inconfidente de 1789, era que a colônia achava-se em condições de subverter o quadro político-econômico vigente, destacando-se dele e formando um novo pais, e a metrópole dirigia a sua política no sentido de manter imóvel o quadro e definido em suas finalidades o que permitia-lhe concorrer em condições de igualdade com as outras potências econômicas em expansão, e devido ao fenômeno do esgotamento das fontes minerais, aliado ao fato de que o governo metropolitano passava incompreendido ao esgotamento, e que em Minas Gerais outros interesses haviam surgidos de molde a credenciá-la a fazer e consolidar um novo país, e aos inconfidentes mineiros estes fatos não passaram despercebidos, pois sabiam que a se estabelecer um novo país independente, haveria que se apoiar em novas bases, principalmente na industrialização, sem relegar as antigas bases que ganhariam novas expressões, embora com as fontes minerais decadentes e esgotadas ainda poderiam sustentar grande partes de toda a estrutura econômica de um novo país.

Sendo o ouro brasileiro o principal sustentáculo da economia portuguesa, a sua abundância criara a crença de que as reservas em Minas Gerais eram inesgotáveis, e com a decadência das reservas de ouro foi profundamente desastroso para a sociedade mineira e mal compreendida na metrópole e relutantemente aceita, com a renda da Capitania descrecendo violentamente e sem perspectivas de aumento e criando uma impossibilidade de cobrança dos impostos e da divida de todos os cidadões de Minas Gerais.

Sendo o ouro brasileiro o principal sustentáculo da economia portuguesa, a sua abundância criara a crença de que as reservas em Minas Gerais eram inesgotáveis, e com a decadência das reservas de ouro foi profundamente desastroso para a sociedade mineira e mal compreendida na metrópole e relutantemente aceita, com a renda da Capitania descrecendo violentamente e sem perspectivas de aumento e criando uma impossibilidade de cobrança dos impostos e da divida de todos os cidadões de Minas Gerais. O mais importante dos tributos era o das entradas, o qual pagava-se sobre a importação e exportação de quaisquer produtos, mesmo de outras capitanias, e o seu fato gerador era a entrada e saída do território mineiro, havia o dizimo que originalmente havia sido criado pela igreja que era a sua fonte de custeio e que se transformara-se num imposto sobre rendimentos de pessoas físicas e sobre a entrada e saída de mercadoria, também havia outros impostos menores, como o pedágio que era a passagens de rios, taxas de ofícios de justiças e impostos religiosos como a conhecenças, as taxas municipais que eram cobradas pela câmara, o imposto sobre a extração de diamantes que era exclusivo do território diamantino e o quinto que era arrecadado nas Casas de Fundição sobre a produção de ouro. A arrecadação dos principais tributos eram feitos por particulares contratados pelo governo metropolitano; eram os contratadores, e devido a esta carga tributaria formou na opinião publica uma idéia de que o elemento colonizador tudo levava e nada deixava em troca e que seria justo se a coroa desse a independência a sua colônia mineira. Em 1780 o governador de Minas Gerais, Dom Rodrigo José de Meneses propôs ao governo metropolitano a liberdade das industrias e organização de um serviço de correios, concessão de empréstimos aos mineiros com taxas mais baixa, supressão das Casas de Fundição, criação de uma siderurgia e instalação de uma Casa da Moeda devido a estagnação da economia mineira; suas propostas foram sem duvida muito revolucionaria e configurariam a subversão do quadro colonial e sua reorganização em novas bases, mesmo que ainda colonial. Nas ultimas décadas do século XVIII Minas Gerais se encontrava envolvido em uma grave crise econômica, pois o ouro esgotava-se nos seus depósitos superficiais e aluviais, o ferro necessário para diversas atividades da capitania, tinha a exportação caríssima e deste modo, pressionados pela baixa produtividade das lavras, os mineradores aos poucos passaram a cuidar de outras atividades.

E com fuga da mineração para a lavoura os levaram a lutar muito para enfrentar as necessidades de seus próprios sustento e de seus escravos, pois enfrentaram as dificuldades natural do desbravamento.

Aliado à má vontade do governo, que via a mudança como um ato de traição ao reino, e pelos fatos decorrentes em Minas Gerais, os seus habitantes estavam politicamente e economicamente asfixiados.

Pois distantes dos portos, eles se achavam fechados e encurralados numa estrutura econômica que precisava ser mudada, a fim de dar vazão as suas capacidades empresarial, e deste descontentamento e que se converteu na aspiração a um governo próprio para Minas Gerais, com possível adesão de outros núcleos. Devido a situação reinante na ultima década do século, Minas Gerais não reunia condições para promover a instalação de um novo país, havia sim, condições objetivas, tanto para a insurreição, como para a criação de um novo e independente organismo estatal, pois o povo se encontrava reunido em torno de objetivos comuns e específicos nos quais reuniam irmandades, corporações de ofícios e um suceder de cidades e Vilas e materiais para tal.

MOVIMENTO INSURRECIONAL

O movimento insurrecional de 1789 em Minas Gerais teve característica marcantes que o fizeram distinguir-se das outras tentativas de independência, ele foi mais bem elaborado preparado que a Inconfidência Baiana de 1798 e a Pernambucana de 1801. Os Mineiros que lideraram a conspiração de 1785-1789 tinham bem em vista a Independência Global do Brasil, e não uma republica em Minas Gerais. O plano mineiro era em iniciar a revolta por Minas Gerais, e estendê-la ao Rio de Janeiro e em seguida as demais Capitanias, o produto não foi produto da mente de ninguém em particular, nasceu das condições estruturais da sociedade brasileira.

A origem da Inconfidência Mineira pode ser factualmente apontada em 1781, quando o Padre Carlos Correia de Toledo disse que o Padre Luiz Vieira da Silva já havia comentado em uma revolução com ele no ano de 1785, e este foi o ano que Tiradentes apontou a João Dias da Mota como o do inicio dos preparativos, e no governo de Luiz da Cunha Meneses e durante os anos de 1783 a 1788 já era publico e notória a propaganda do levante feita por Tiradentes em Vila Rica e dele como elemento de ligação entre os cariocas e mineiros. Em 1786 os comerciantes cariocas maçons e não-maçons deram a José Joaquim da Maia uma missão na França para contatar o embaixador dos Estados Unidos Thomas Jefferson a fim de obter apoio externo para a rebelião, e as iniciativas dos liberais brasileiros também se estenderam a José Alvares Maciel que se encontrava estudando os fornos siderúrgicos em Birminghan que entrou em contato com comerciantes ingleses interessados vivamente na abertura dos portos brasileiros e nesta época ambiente de Vila Rica era totalmente favorável a revolução, pois além das condições estruturais que predispunham ao levante, havia o exemplo Norte Americano e até mesmo o exemplo dentro do reino português, que foi o levante intentado no ano de 1788 em Goa na Índia por Pedro Assa e o Brigadeiro Francisco Antônio da Veiga. O plano elaborado para Inconfidência Mineira tinha um detalhe de fundamental importância, que era a ocorrência de um fato que abalasse profundamente o povo e a ocasião propicia para o inicio do levante, seria o lançamento da Derrama-Cobrança imediata e única de imposto sobre a extração do ouro, atrasados e acumulados há vários decênios e o passo seguinte da revolução foi dado principalmente por Tiradentes que após receber a confirmação do apoio estrangeiro se reuniu com seus partidos cariocas e em seguida partiu para Vila Rica, aliciando pelo caminho, homens de posses e os cultos partidários da revolução que entre eles podemos citar José Aires Gomes fazendeiro de Minas Gerais, o Padre Manuel Rodrigues da Costa e seus colegas do regimento e outros. A conspiração nesta época fazia-se em três planos distintos que eram 1) em Vila Rica congregava a elite intelectual civil e do clero, e a elite comercial e os indivíduos maçons. 2) Através de reuniões no Rio de Janeiro entre comerciantes e intelectuais liberais e iluministas, maçons e não-maçons. 3) E através de propaganda disseminatoria executada principalmente por Tiradentes em varias região de Minas Gerais.

E para levar avante a inconfidência mineira não houve uma única reunião formal e previamente preparada para decidir o levante, houve sim, uma serie de reuniões que foram realizadas durante o período de 15 a 26 de Dezembro de 1788 em Vila Rica, que em nenhuma delas reuniu a totalidade dos lideres.

A reunião do dia 26 de Dezembro realizada no segundo andar da casa de Francisco de Paula Freire Andrade, comandante do Regimento de Cavalaria Regular de Minas Gerais, foi a que se reuniram os lideres de todas as comarcas de Minas Gerais e o elemento de ligação com os carioca.

E nesta reunião foi quando acertaram o maior número de detalhes para o levante. Ficou acertado que seria implantado um regime republicano unitário, divido em províncias e departamentos e seria no estilo centralizado e não confederado e a organização legal do estado e para redigir a constituição e as leis complementares as mesmas ficou a cargo de Cláudio Manoel da Costa do Padre Luiz Vieira da Silva, Alvarenga Peixoto e de Tomas Antônio Gonzaga que ficou encarregado da redação final e de sua publicação de imediato, e que logo iniciada a guerra seria implantado uma junta governativa provisória, ela seria composta por Tomas Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Padre Luiz Vieira da Silva, Carlos Toledo, Padre Oliveira Rolim, Cláudio Manoel da Costa e do Tenente Coronel Francisco de Paula Freira de Andrade, o plano militar da revolução era essencialmente de defesa e a estratégia básica foi montada pelo Padre Luiz Vieira da Silva e deveria obter o que fosse possível de apoio externo e utilizar o sistema de guerrilhas, pois atacar em corpos organizados de tropas era absolutamente impossível e o plano seria posto em pratica tão logo fosse lançado o decreto da Derrama, e quando Tenente Coronel Francisco de Paula Freire de Andrade mandasse as cartas para os diversos lideres com o aviso "Tal dia e o batizado"e Tiradentes com um pequeno grupo de militante iria até o Palácio de Cachoeiro do Campo onde renderia a guarda e prenderia o governador Visconde de Barbacena o decapitando, e com Tiradentes levando a cabeça do governador para Vila Rica onde o Tem. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrade em aparente intuito de ver a balbúrdia na praça central de Vila Rica, Francisco de Paula perguntaria a Tiradentes. "O que é isso ? É a cabeça do nosso governador ?" Tiradentes responderia que sim e Francisco de Paula redargüiria "o que querem ?" a resposta seria "Liberdade" Far-se-iam então diversos "Viva à Liberdade" e confraternizariam povo e tropa e dirigir-se-iam para o palácio do governo onde instalar-se-ia a junta provisória e publicando-se imediatamente uma declaração de independência e a proclamação, e decidiram que, quem não aderisse ao movimento passaria a ser considerado inimigo e Tiradentes disse "Ou Seguir-me ou Morrer" e nesse mesmo dia deveria vir das diversas comarcas de Minas Gerais os lideres com suas tropas e nesse inicio de rebelião seriam mortos os elementos fieis a Monarquia Portuguesa especialmente o escrivão da Junta Real Fazenda Carlos José da Silva, como todos os tributos eram recolhidos em Vila Rica numa caixa forte localizada nas instalações da Junta da Real Fazenda que ficava no prédio da Câmara Municipal popularmente chamada de Caixa Real, planejou-se como providência preliminar, tomar a caixa e com o produto dela sustentar a revolução, e a instalação de uma Casa da Moeda com a função de centralizara a emissão e o controle monetário e durante a guerra seria aumentado o soldo dos militares, e a cotação do ouro seria aumentada e seria extinto o monopólio estatal da extração dos diamantes, e deveria ser criada fabricas de polvoras, tecidos e usinas siderúrgicas e todas estas tarefas ficariam a cargo de José Alvares Maciel que prometia anistia geral sobre as dividas para com a Fazenda Real e para a primeira potência estrangeira que ajudasse a rebelião receberia vantagens aduaneira e haveria a separação entre igreja e estado, os tributos eclesiásticos recolhidos pela coroa e repassado ao clero através da Junta da Real Fazenda passariam a ser cobrados diretamente pela igreja que se comprometeria em instalar educandarios, hospital de misericórdia e outros estabelecimentos semelhantes.

A capital do novo país seria São João del Rei em virtude de sua topografia e condições de abastecimento, seria criada uma universidade que seria instalada em Vila Rica, e teria a abolição da nobreza e do exercito permanente e profissional passando a ser obrigatório o alistamento de todos os cidadões, teria a destruição através de queima publica de todos os registros civis de propriedade de crédito e seria mantido o sistema escravagista.

A administração do Distrito de Diamantino ficaria sob o comando dos Padres José da Silva e Oliveira Rolim, seria criado os símbolos nacionais tais como bandeira e armas da republica e preverão que em caso de prisão e impedimento dos conspiradores, a estratégica a ser adotada seria a negativa total, baseando-se em que não havia nada escrito. Assentado o plano do levante, aconteceu algumas variáveis históricas de fundamental importância, pois era esperado que a Derrama que seria executada em Fevereiro ou Março de 1789, em Dezembro de 1788 tinham os inconfidentes dois ou três meses a frente para providenciar suas respectivas missões e espalharam-se, porém com a suspensão sine die da Derrama tomada pelo Visconde de Barbacena ao receber a denuncia formal de Joaquim Silverio dos Reis em 15 de Março de 1789 perdia-se o único motivo capaz de empolgar o povo, e no dia 18 de Março de 1789 reuniram-se os principais lideres inconfidentes nas casas de Tomas Gonzaga, Cláudio Manoel e Francisco de Paula Andrade e neste mesmo dia Gonzaga foi ao Palácio de Cachoeira tentar a última cartada junto ao próprio governador, porem de volta do palácio encontrou seus colegas dispersos e descrentes, então Gonzaga desistiu também do movimento e espalhou a noticia de que a ocasião estava perdida devido a denuncia efetuada por Joaquim Silverio dos Reis, que se deu em virtude da divisão política inconciliável entre aqueles que pretendiam a Independência com Republica e os que pretendiam sob a forma de Monarquia Constitucional, com esta divisão política dos inconfidentes o plano de Independência começava a morrer.

A DEVASSA

Em Março de 1789, Tiradentes seguia para o Rio de Janeiro, quando encontrou-se no caminho com Joaquim Silverio dos Reis que estava dirigindo-se para Cachoeira do Campo onde iria encontra-se com o Visconde de Barbacena, par denunciar o plano dos Inconfidentes. E deste encontro Tiradentes mais uma vez revelou ao amigo o seu objetivo de ir ao Rio de Janeiro com a missão de procurar aliciar partidários e mercenários para o movimento. No Rio de Janeiro, Tiradentes tratou de alguns doentes e reuniu-se diversas vezes com partidários na casa de Antônio Ribeiro Alves, usando os mais variados argumentos e apelando para o sentimento de camaradagens entre os oficiais para os laços de amizades. No final de Abril, Joaquim Silverio dos Reis chegou ao Rio de Janeiro, enviado pelo Visconde de Barbacena para repetir a denuncia oral que fizera em Cachoeira do Campo no dia 15 de Março e por escrito em 11 de Abril, ao Vice-rei, logo após a chegada de Joaquim Silverio dos Reis ao Rio de Janeiro, Tiradentes descobriu que estava sendo seguido por granadeiros disfarçados e devido aos fatos, Tiradentes resolveu fugir, voltando para Minas Gerais, porém antes de viajar ele foi pessoalmente conversar com o Vice-rei, para saber o motivo de estar sendo seguido, e conforme atitude do Vice-rei, ele saberia se o motivo de estar sendo seguido seria sério ou não; e além disso, receberia a licença para voltar tranqüilamente a Minas Gerais.

Mas, por precação, prevendo a possibilidade da negativa da licença, mandou dois escravos para o Rio Piabanha com o objetivo de construir uma canoa para atravessar essa tortuosa via de acesso para as serras de Minas Gerais. O Vice-rei desconversou Tiradentes, elogiando o seu desempenho e relatou que ele era amado no Rio de Janeiro, e que ficasse tranqüilo, porém contin uou seguindo os seus passos pela cidade de maneira mais visível, porem os granadeiros que o seguiam, perderam Tiradentes de vista, por isto o Vice-rei explodiu de raiva e no dia 7 de Maio de 1789 mandou secretamente abrir uma devassa generalizada, ampla e geral. Desesperado Tiradentes se deu conta da situação que se encontrava, pois era bem provável que o Tem. Cel. Francisco de Paula em Minas Gerais, sem a sua presença não teria animo para deflagrar a revolta, pois seus companheiros neste momento estavam dispersos.

Luiz Vieira havia se afastado do movimento, com Alvarenga não poderia contar pois ele era muito temeroso e os oficiais mais empenhados no levante, estavam no comando dos Destacamentos da Serra e do Distrito de Diamantino. E ele no Rio de Janeiro, sem ter como passar pelas fronteiras para Minas Gerais, resolveu pedir abrigo para se esconder na csa de Gertrude, porém ela receando que poderia ser denunciada, encaminhou o Alferes Xavier ao seu sobrinho, o padre Inácio Nogueira Lima que o acolheu em uma casa na rua dos Latoeiros pertencente a Domingos Fernandes da Cruz, no entanto em 8 de Maio Tiradentes se encontrou acuado e sem ponto de contato, pediu ao Padre Inácio que fosse procurar alguém par saber como estava a situação, e para isto Tiradentes indicou que procurasse Joaquim Silverio dos Reis, porém do encontro entre os dois, o Padre Inácio desconfiou de Joaquim Silverio e não forneceu a ele, onde Tiradentes estaria escondido, porém Silverio conseguiu com o Padre Manoel de Bessa o endereço do Padre Inácio e com isto prenderam o Padre Inácio, que foi levado ao Vice-rei em 10 de Maio para esclarecer onde se encontrava Tiradentes, inicialmente negou conhece-lo e que não sabia o seu paradeiro, porém devido as violentas torturas recebidas, acabou indicando a casa onde estava o Alferes, que foi cercada por um pelotão comandado pelo Ajudante Francisco Pereira Vidigal. Tiradentes foi preso em um quarto de sótão, escondido atrás da cama com um bacamarte carregado de chumbo e com uma escorva pronta para o disparo. No dia seguinte com a devassa aberta Tiradentes sofreu o primeiro dos onze interrogatórios , quando permaneceu mudo e na negativa quanto ao movimento dos Inconfidentes.

Em Minas Gerais, a situação se embaralhava definitivamente em direção a derrota, pois o Padre Manoel Rodrigues da Costa, que já sabia da disposição de Joaquim Silverio dos Reis em delatar a conspiração, desconfiado de sua ida apressada a capital do Vice-Reinado, revelou a sua idéia ao Padre José Lopes de Oliveira e deste a noticia se espalhou por todos e não havia mais nada a fazer, contudo Alvarenga que fora o portador das noticias de Vila Rica aos camaradas de São João del Rei e pelo caráter inflamado e raiando a histeria, ainda se mexia tortuosamente, pois Tomas Gonzaga que já sabia da suspensão da Derrama desde 19 de Março, e sentia a dispersão irremediável dos revoltosos passou a espalhar a informação de que a ocasião para o levante se perdera, por isto deixou-se ficar inativo, Cláudio Manoel e Luiz Vieira estavam fora da revolução desde de Dezembro do ano anterior, porem desejavam que a revolução explodisse, porém devido a sua forma não fariam nada para ela , ativamente entre os lideres da revolução, restava apenas o Padre Carlos Correia de Toledo com animo para fazer o levante, fosse como fosse, por este motivo promoveu algumas reuniões frenéticas em São José del Rei, com o objetivo de iniciar o levante, se não fosse possível por Vila Rica seria executado pelo Serro, e devido a suspensão da Derrama o motivo poderia ser iniciado com o assassinato do Governador e contradenciar Joaquim Silverio dos Reis, e se o plano fracasse todos deveriam negar o movimento, e imediatamente conseguiu cem cavalheiros armados nas proximidades de São José del Rei e mandou um recado pelo Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes para o Tem. Cel. Francisco de Paula Andrade, ordenado que se juntasse ao Padre Rolim e marchasse para São João del Rei, e recebeu como resposta que ele havia sido o culpado da situação reinante, devido ao seu radicalismo, e que ele Francisco de Paula preferia o processo mais suave, da monarquia constitucional que poderia ser conquistada, sem um único tiro disparado, por isto em 13 de Maio ele fez uma denuncia do plano da inconfidência ao Governador de forma oral e sucinta com óbvio propósito de minimizar a repercussão, e nessa indecisão morria a Inconfidência Mineira.

No dia 17 de Maio de 1789 Gonzaga e Cláudio Manoel receberam a noticia da prisão de Tiradentes e de Joaquim Silverio dos Reis no Rio de Janeiro por intermédio de um indivíduo desconhecido e devido aos fatos, em 19 de Maio eles procuraram Francisco de Paula e foram para Mariana procurar Luiz Vieira em busca de uma ultima orientação e neste mesmo dia o soldado Antônio Ferreira chegou do Rio de Janeiro trazendo a confirmação das prisões ali efetuadas e que estavam a caminho de Minas Gerais três companhias de infantaria, com as noticias recebidas o Visconde de Barbacena pôde então dar inicio a repressão em Minas Gerais. Para isto, mandou lavrar uma portaria no dia 21 de Maio mandando prender os envolvidos na conjuração, a idéia inicial do Visconde de Barbacena era de prender os lideres e expulsa-los do Brasil, após um pequeno inquérito feito pelo Vice-rei no Rio de Janeiro, porém com a atitude do Vice-rei, mandando abrir uma devassa ampla no Rio de Janeiro com poderes de estender-se a Minas Gerais, o que obrigou a mudar de atitude para defender-se.

No dia 24 de Maio o Capitão Antônio José Dias Coelho seguiu para São João del Rei e São José del Rei para prender Alvarenga e Toledo, e o Tenente Fernando de Vasconcelos Parada seguiu para o Serro Diamantino para prender o Padre Oliveira Rolim e o irlandês Nicolas George Gwerck, todos foram presos e conduzidos para o Rio de Janeiro, algemados com correntes que atavam pés e mãos.

Algemados com correntes que atavam pés e mãos com exceção de Domingos de Abreu Vieira que ficou preso na cadeia de Vila Rica. Em 8 de Junho o Visconde de Barbacena mandou, a expensas da Câmara de Vila Rica que fosse requisitada a Casa de João Rodrigues de Macedo "Casa dos Contos" para servir de quartel aos esquadrões do Vice-rei e para acomodar os presos com privilégios especiais, e apressadamente no dia 12 de Junho mandou abrir a sua Devassa com base nas denuncias de Joaquim Silverio dos Reis, Basilio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, Tem. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje, a qual queria sem embargo manter segredo e sigilo. A Devassa do Rio de Janeiro tinha como componentes as seguintes pessoas; o Desembargador José Pedro Machado Coelho Torres e o Ouvidor Geral Marcelino Pereira Cleto, como Presidente e Secretario-Escrivão e a de Minas Gerais era composta do Ouvidor Geral de Vila Rica Pedro José de Araújo de Saldanha e o Ouvidor Geral de Sabará José Caetano César Manitti, cujos trabalhos começaram em um ritmo frenético. Principalmente a de Minas Gerais, porque o Vice-rei e o Governador tinham pressa de subjugar a revolta, e o Governador tinha outro interesse especial que era o de conseguir apurar o máximo possível a respeito dos conjurados e cercar sua própria pessoa de inssuspeitabilidade. Em todas as comarcas de Minas Gerais foram afixados editais, mandando que os que tivessem alguma noticia da conspiração que fossem denunciá-las, e por causa dos editais muitas pessoas compareceram como testemunhas e em denuncias escritas lacônicas e evasivas.

E o trabalho da Devassa do Rio de Janeiro durante os meses de Maio e Junho de 1789, não tinha conseguido apurar nada de importante devido que o foco principal estar localizado em Minas Gerais e que Tiradentes resistia aos interrogatórios e não revelava nada de importante, e pelo fato de Joaquim Silverio dos Reis o informante do Vice-rei ter sido preso por ele, e usando como sua defesa ia soltando aos poucos as suas informações em troca de alguns favores, e em conseqüência da lentidão da Devassa o Vice-rei ordenou que a Devassa do Rio de Janeiro mudasse para Minas Gerais, para ir buscar in-loco as informações sobre a real extensão da revolta e para isto em 18 de Junho requereu uma licença ao Visconde de Barbacena para continuar os trabalhos da Devassa Carioca no território mineiro. Os membros da Devassa Carioca quando chegaram em Vila Rica, lamentaram uma perda irreparável para o inquérito! Que foi a morte de Cláudio Manoel e notaram a indisposição do Governador em ajudar; pois somente em 22 de Julho e que conseguiram a ordem para que fosse suspensa a Devassa Mineira e que eles pudessem interrogar as dezenas de testemunhas e presos achados em Minas Gerais.

No dia 23 de Julho o escrivão da Devassa Mineira José Caetano César Manitti foi a cadeia de Vila Rica falar com Francisco Antônio de Oliveira Lopes para não depor nada de importante na Devassa Carioca, deixando suas declarações mais importante para a Devassa Mineira. Com Visconde de Barbacena, bem a vontade e muito tranqüilo a respeito das declarações realizadas na Devassa Mineira a seu respeito, pois Cláudio Manoel, tão logo começara a revelar alguma coisa, fora calado para sempre na prisão.

Em vista disto mandou fazer três cópias de sua Devassa e remeteu uma cópia para o Vice-rei, outra para Lisboa e remeteu outra cópia secretamente por intermédio de seu ajudante de ordem Tem. Cel. Francisco Antônio Rebelo à Rainha Dona Maria I em Lisboa, e em Março de 1790 Martinho de Melo e Castro, Ministro do Ultramar, recebeu as primeiras noticias concretas da conspiração em Minas Gerais, que foram tranquilizadoras par a corte, porém intrigante para ele.

No inicio de 1790 com a unificação da Devassa no Rio de Janeiro o Vice-rei adoecia gravemente sendo o processo da Devassa levado a frente por Camilo Maria Tonelet seu Ajudante-de-Ordem e no dia 6 de Julho o Vice-rei Luiz de Vasconcelos e Souza foi substituído definitivamente pelo Conde de Resende Dom Luiz José de Castro. Enquanto isto Martinho de Melo e Castro amortecia os primeiros impactos da noticia da Conjuração Mineira, e o medo da Revolução Francesa e com sagacidade e inteligência deixou o primeiro semestre de 1790 correr para em Julho de 1790 acabou por convencer a Rainha Dona Maria I a nomear uma Comissão Suprajudicial e Extraordinária para julgar especialmente a Inconfidência Mineira, com homens criteriosamente escolhido.

Em 17 de Julho de 1790 a Carta Régia nomeou a Comissão Especial de Alçada sobre a Inconfidência Mineira que foi composta pelo Desembargador Sebastião Xavier de Vasconcelos Coutinho como Presidente, o Chanceler do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, pelo Desembargador Antônio Dias da Cruz e Silva, agravante e pelo Desembargador Antônio Gomes Ribeiro, agravista que tinham plenos poderes para nomear quantos auxiliares que quisessem dentre quaisquer magistrado do Rio de Janeiro ou de qualquer outra parte, esta comissão tinha como objetivo principal o de julgar efetivamente a conspiração e dar uma demonstração de força, ela tinha metas delineada em forma geral e modo de atuação delimitado por normas especiais que levariam prontas; porém o Ministro de Ultramar ainda tinha outro trunfo a arrancar da Rainha Dona Maria I, que era a Ordem Secreta para minimizar as sentenças, de conhecimento apenas do Presidente da Comissão.

A comissão chegou ao Rio de Janeiro em 24 de Dezembro de 1790 e nomeou como Escrivão o Desembargador do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro Francisco Luiz Alvares da Rocha e como Auxiliar de Escrivaninha o Intendente de Vila Rica José Caetano Manitti o Chanceler da Alçada recebeu das mãos do Desembargador José Pedro Machado Coelho Torres que era o Presidente da Devassa Unificada em 31 de Janeiro de 1791, o processo que a passou a ser intitulado como Autos Crimes, Juízo da Comissão contra os Réus da Conjuração de Minas Gerais. No ano de 1791 a Comissão de Alçadas especialmente o Chanceler Vasconcelos Coutinho tiveram trabalho, pois a precederam diligências, renovaram interrogatórios, efetuaram prisões de alguns suspeitos que haviam ficado em liberdade e no dia 17 de Agosto o Chanceler Vasconcelos Coutinho comunicou ao Ministro de Ultramar que já tinha elementos suficientes para preparar a acusação dos acusados, trabalho este que durou dois meses pois em 21 de Outubro já havia redigido um relatório e as conclusões e iniciando a discussão interna entre a alçada para a leitura e execução das sentenças, os réus foram intimados da decisão e para isso foi-lhes nomeado um defensor publico dativo o Doutor José de Oliveira Fagundes que era Advogado da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro que teve apenas alguns dias para apresentar a defesa dos réus. Em Janeiro de 1792, a Comissão de Alçada examinou a defesa produzida por Fagundes e começou a deliberar sobre as sentenças e nesse tempo a Rainha Dona Maria I enlouquecia definitivamente, por isto foi substituída pelo seu filho João, como Príncipe Regente que Passou a ser o responsável pelo destino dos réus e no dia 17 de Abril estava pronta a solução final para os réus; a noite os onze acusados foram retirados de suas celas e foram conduzidos à sala do Oratório da Cadeia Publica do Rio de Janeiro para ouvirem a leitura do acórdão, onde passaram a noite ali, acorrentados e deitados aos cantos em evidente terror e às oito horas da manhã do dia 18 de Abril a Comissão de Alçada reuni-se no Tribunal da Relação em sessão extraordinária sob a Presidência do Vice-rei Conde de Resende que iniciou a lavratura do acórdão que terminou os trabalhos às duas horas da madrugada do dia 18 de Abril.

Foi quando o Escrivão da Devassa o Desembargador Francisco Luiz Alvares da Rocha dirigiu-se para a cadeia, onde retirou os réus de seus cantos para ouvirem a leitura de suas penas, os réus estavam acompanhados de seus confessores e ouvirem que estavam todos condenados a morte na forca.

Sendo que Tiradentes, Freire de Andrade, Alvares Maciel, Alvarenga, Abreu Vieira, Oliveira Lopes e Luiz Vaz ainda deveriam ser esquartejados e ter suas partes expostas e expostas a execração publica e para Amaral Gurgel, Resende Costa e Domingos Vidal seria dada apenas a forca e permitido o sepultamento para Tomas Gonzaga, Vicente Vieira da Mota, José Aires Gomes, João da Costa Rodrigues e Antônio de Oliveira Lopes ganharam degredo perpétuo, João Dias da Mota recebeu dez anos de degredo, Vitorino Veloso além de degredo perpetuo também ganhou a pena adicional de dar três voltas em redor da forca porque era mulato e todos foram declarados infames inclusive seus filhos e netos inclusive Cláudio Manoel que havia morrido, e contra os eclesiásticos nada se leu, porque a sentença contra eles, a Ordem Régia mandara deixar secreta e ser remetida às suas mãos para decidir o que fosse conveniente.

O que se passou então na sala do oratório foi tristíssimo, com os réus presos nas correntes e grilhões ouvindo suas sentenças em silêncio e em paciente resignação, e ao final da leitura das penas o Desembargador Francisco Rocha retirou-se e os réus se entregaram ao desespero generalizado, alguns imputavam-se mutuamente suas desgraças pelo excessivo depoimento do outro, trocavam humildes considerações sobre suas antigas idéias revolucionarias, uns se confessavam aos padres e pediram uns aos outros perdão pelos seus atos. Porém Domingos Vidal de Barbosa Laje era o único que se apresentava tranqüilo, pois ouvira do vão da escada onde estivera preso, que os juizes exclamaram seus entusiasmos ao tomarem conhecimento da Ordem Regia Secreta, por isto ele tinha certeza que não seria enforcado. E do lado de fora da cadeia o povo se comprimia para tomar conhecimento do resultado, com um terror universal e um desprazer desconhecido, todos na cidade não podia esconder a opressão que sentiam.

De repente o Escrivão da Devassa iniciou a leitura da Ordem Regia Secreta que mandava comutar a pena de morte em degredo perpetuo, com isto houve entre os condenados um inicio de jubilo contido, no final da leitura da ordem, o escrivão leu o acórdão final que estava preparado: Declarava que todos estavam degredados, a exceção do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, que seria o único a ser enforcado, nisto aconteceu um alvoroço indizível com os réus explodindo de alegria entoando o Salva Rainha e o terço de Nossa Senhora, com o povo do lado de fora da cadeira dando Vivas!, os soldados receberam ordem de retirarem de todos os réus os grilhões,

Somente Tiradentes permaneceu atado de pés e mãos, e recebeu com serenidade a sua sentença sem sair do lugar, e com um semblante sincero e moderado, virou-se para todos e deu parabéns pela liberdade da morte, pediu-lhes perdão pelo que lhes fizera, pois não levava após si tantos infelizes a quem contaminara. E no dia 21 de Abril de 1792, sábado pela manhã estava tudo preparado para o enforcamento de Tiradentes com os sinos do Convento de São José dobrando e muitas tropas nas ruas formando alas.

O carrasco capitania entrou na Cadeia Publica do Rio de Janeiro e procurou Tiradentes para vesti-lhe a alva e o capuz e pediu-lhe como de costume, o perdão pelo que iria fazer, Tiradentes respondeu-lhe deixe-me beijar-lhe as mãos e os pés e começou a se despir para vestir a alva e comentou que Nosso Senhor também morreu nu, por meus pecados. Pediu ao padre confessor que lhe falasse do Mistério da Santíssima Trindade e entre oito e nove horas da manhã, começou a caminhada descalço com o camisolão branco e um capuz com as mãos amarradas e segurando um crucifixo ladeado por nove padres e pela tropa do Vice-rei diante dos olhares da população da cidade, com passadas largas foi até o lugar da forca sem afastar os olhos do crucifixo e com as faces abrasadas. A execução foi no Largo da Lampadosa defronte a Igreja da Lampadosa com a tropa formada em forma de triângulo em redor da forca de costa para o patíbulo, a escada para a forca tinha mais de vinte degraus e Tiradentes subiu-os devagar sem tirar os olhos do crucifixo e enquanto o carrasco fazia os preparativos,

Tiradentes pediu-lhe por três vezes que abreviasse tudo aquilo, foi quando guardião do Convento de Santo Antônio Frei José de Jesus Maria do Desterro não se deteve e subiu também ao tablado onde fez ao povo uma fervorosa pregação admoestando a sua curiosidade e incitando-o a implorar a Deus a piedade divina para em seguida começou a recitar o Credo e sendo acompanhado por Tiradentes nas orações. Depois disto o carrasco enforcou Tiradentes e o Frei Raimundo Pennaforte dirigiu uma outra pregação ao povo diante do cadáver do alferes e o comandante da tropa Brigadeiro Pedro Alvares de Andrade leu um discurso citando que os demais réus haviam sido perdoados da morte, exceto aquele malvado e cabeça da rebelião intentada, e ao final os soldados responderam em três vivas acompanhados pelo povo.

O corpo de Tiradentes foi retirado da forca e colocado numa carreta do exercito e conduzido para a Casa do Trem, onde foi esquartejado, salgado e acondicionado em sacos de couro para serem transportados para os locais onde deveriam ser colocados em exibição e execração publica até que o tempo os consumisse,

De acordo com o acórdão, o tronco do corpo foi entregue a Santa Casa da Misericórdia para enterramento no mesmo lugar destinado aos indigentes, a cabeça de Tiradentes foi enviada para Vila Rica onde ficou exposta em um poste no centro da praça principal, e os seus quartos foram Cebolas freguesia de Paraíba do Sul, Varginha localidade entre Lafaiete e Ouro Branco e demais sítios de maiores proporções.

E seus objetos pessoas que ele levara para a cela, foram leiloados em 14 de Junho no Rio de Janeiro, e a sua de caixa de dentista fora arrematada em 4 de Junho de 1792 por Francisco Xavier da Silveira e hoje em dia se encontra no Museu Histórico Nacional.

Fonte: www.geocities.com

Inconfidência Mineira

Motivos do levante

Entre os principais movimentos emancipacionistas que já possuem um caráter questionador do Sistema Colonial, o de maior importância foi a INCONFIDÊNCIA MINEIRA, o mesmo que CONJURAÇÃO MINEIRA.

Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais entrou em fase de decadência econômica. As jazidas de ouro estavam se esgotando, e cada vez mais os mineiros se endividavam e empobreciam. Mas a Coroa Portuguesa não reduzia seus impostos, O QUINTO, que era o imposto cobrado sobre toda a produção aurífera, não atingia mais as 100 arrobas ( 1500 kg), alegando que a diminuição da quantidade do mineral extraído se dava pelo contrabando do ouro nas minas.

No ano de 1788 Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena, veio substituir o corrupto governador Luís da Cunha Meneses. Mostrando assim o zelo que a Coroa tinha para com sua Capitania mais produtiva, Minas Gerais.

O visconde chegou a Vila Rica (hoje Ouro Preto) com ordens expressas para aplicar o alvará de dezembro de 1750, segundo o qual Minas precisava pagar cem arrobas (ou 1.500 Kg) de ouro por ano para a Coroa, caso não fosse atingida a meta estabelecida seria feita A DERRAMA, que seria um imposto extra cobrada de toda a população até que o montante de 100 arrobas fossem recolhidos. O Imposto já teria data marcada, fevereiro de 1789 era o dia escolhido.

Um clima de tensão e revolta tomou conta das camadas mais altas da sociedade mineira. Por isso, importantes membros da elite econômica e cultural de Minas começaram a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades portuguesas. Inconfidência Mineira foi o nome pelo qual ficou conhecido o movimento rebelde e foi organizado pelos homens ricos e cultos de Minas Gerais. Ricos que não queriam pagar os impostos abusivos cobrados pela Metrópole. Cultos que tinham estudado na Europa e voltavam ao Brasil com influências do pensamento liberal dos filósofos franceses (Rousseau, Montesquieu, Voltaire e Diderot). Gente que se inspirava nas idéias do Iluminismo, que estavam em alta na Europa e impulsionaram a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789).

No dia 26 de dezembro de 1788, na casa do tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, chefe do Regimento dos Dragões, alguns dos sujeitos mais importantes de Minas se encontraram para uma reunião conspiratória.

Três tipos de homens estavam na reunião: ideológicos, como o filho do capitão-mor de Vila Rica, José Álvares Maciel; ativistas revolucionários como o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) e, em maior número e muito mais voz de comando, mineradores e magnatas endividados, como Alvarenga Peixoto e o padre Oliveira Rolim, notório traficante de diamantes e escravos.

Mais tarde na segunda reunião, no mesmo local, se juntaria ao grupo o negociante Joaquim Silvério dos Reis, talvez o homem mais endividado da capitania, com um passivo oito vezes superior aos ativos. Também participaram do movimento Cláudio Manuel da Costa (minerador e poeta, formado em Coimbra), Tomás Antônio Gonzaga (poeta e jurista), Toledo e Melo (padre e minerador), Abreu Vieira e Oliveira Lopes (coronéis). Ficou decidido que, no dia em que fosse decretada a derrama, a revolução eclodiria. Os planos para o golpe eram tão vagos quanto os projetos do futuro governo.

O que pretendiam

A Inconfidência Mineira não foi uma revolta de caráter popular. Visava apenas o fim da opressão portuguesa que prejudicava a elite mineira. Não tinha como finalidade acabar com a opressão social interna que explorava a maioria do povo, e nem com escravidão.

Visa alcançar:

Rompimento com a dominação metropolitana e a proclamação da República do Brasil, e não de uma República Mineira.
Mudança da Capital de Vila Rica (Ouro Preto), para São João Del Rei-MG.
Tomás Antônio Gonzaga, governaria por 3 anos e após este período haveria eleições.
Criação da Casa da Moeda, fábrica de pólvora e uma siderúrgica.
O envio do dízimo aos padres das paróquias para que mantivessem hospitais, escolas e casas de misericórdias.

Traição

Para destruir um movimento desorganizado como esse, bastou que o coronel Joaquim Silvério dos Reis denunciasse os planos dos inconfidentes ao governador de Minas Gerais. O objetivo de Silvério dos Reis era conseguir perdão para suas dívidas junto à Fazenda Real, o que realmente obteve.

Participaram também da denúncia dois outros militares: Basílio de Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona.

Informado pelos traidores da conspiração que se tramava, o visconde de Barbacena suspendeu imediatamente a cobrança dos impostos. E rapidamente organizou tropas para prender, um por um, os revoltosos.

Julgamento

Todos os participantes da Inconfidência Mineira foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte, mas D. Maria I, rainha de Portugal, modificou a pena para degredo perpétuo em outras colônias portuguesas na África. Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida.

Era justamente o mais pobre e mais entusiasmado com a idéia de tornar o Brasil um país independente. Percorrendo o país como mascate e, depois, como militar encarregado de proteger o caminho que liga Minas ao Rio, Tiradentes impressiona-se com a pobreza e a exploração do povo. Influenciado pelas idéias iluministas, Tiradentes prega a revolução nas tavernas, bordéis e casas de comércio.

Entusiasmado e falador, é conhecido também como Corta-Vento, Gramaticão, República e Liberdade. Apesar da atitude considerada imprudente pelos colegas de conspiração, o alferes jamais seria delatado por alguém que tivesse aliciado. No dia da execução de Tiradentes, um sábado de 21 de abril de 1792, o governo convocou sua tropa de soldados para assitir à cerimônia em uniforme de gala.

O objetivo era exibir a força do poder para matar Tiradentes: aquele que mais simbolizava a figura do povo na Inconfidência.

A condenação de Tiradentes foi de uma crueldade terrível. Foi enforcado em praça pública, no Campo de São Domingos, no Rio de Janeiro. Depois, sua cabeça foi cortada e levada até a cidade de Vila Rica, para ser pregada no alto de um poste. O resto do seu corpo foi dividido em quatro partes e pregado pelos caminhos de Minas Gerais. Sua casa foi arrasada e seus possíveis filhos foram declarados infames.

Os conspiradores

José da Silva Xavier (Tiradentes): (1746-1792) Assentou praça no Regimento de Dragões, chegando até o posto de alferes (na época, posto abaixo de tenente) apesar do longo tempo de serviço. Explorou mina de ouro sem muito sucesso e exercia a profissão de dentista, de onde veio o apelido de Tiradentes. Era mascate (vendedor ambulante) quando, em Vila Rica, conheceu José Alves Maciel, que regressara da Europa e trazia idéias de república e libertação. A partir daí participou da Inconfidência Mineira. Ele foi preso em maio de 1789 no Rio de Janeiro, quando buscava apoio da província vizinha. No dia 18 de abril de 1792 era proferida a sentença aos 29 presos, sendo 11 condenados à forca e os restantes ao degredo. No entanto, 48 horas depois, no dia 20 de abril, era proferida nova sentença condenando Tiradentes à forca e os demais ao degredo na África. No dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado no Campo de S. Domingos, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado e os despojos expostos em locais onde exercera seu papel de conspirador. Na década de 1870 os clubes republicanos tentaram resgatar a memória de Tiradentes. Um Decreto de 1890 considerou o dia 21 de abril de feriado nacional. Em 1928, Décio Vilares pintou a óleo o retrato de Tiradentes, aproximando suas feições de uma gravura popular de Cristo, numa simbologia de mártir da pátria.

Claúdio Manuel da Costa: (1729-1789) Bacharelou-se em Canônes na universidade portuguesa de Coimbra e logo após abriu um escritório de advocacia em Vila Rica. É um dos fundadores da Arcádia Ultramarina. Era juiz das Demarcações de Sesmarias do Termo de Vila Rica quando começou a Inconfidência Mineira. Ao ser preso com os conspiradores, enforcou-se dois dias depois na cela. mesmo assim foi declarado infame sua memória e seu filhos e netos, tendo os bens confiscados. Em 1792 o tribunal de Alçada revogou a sentença, determinado que o governo entregasse, a quem pertencessem, os bens confiscados.

Inácio de Alvarenga Peixoto: (1732-1793) Doutorou-se pela Universidade de Coimbra, em 1759. Como protegido do marquês de Pombal, permanceu em Portugal até 1776. Logo depois, no posto de coronel, assumiu o comando do Regimento de Cavalaria de Campanha do Rio Verde, onde possuía grandes propriedades rurais. Casou com a poetisa Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira. Envolveu-se na Inconfidência Mineira e foi preso em maio de 1789, em S.João D'El Rei, sendo enviado para Vila Rica e daí para a Corte. Durante o interrogatório denunciou os companheiros. Condenado inicialmente à morte, teve a pena comutada para degredo em Angola, onde morreu em 1793.

Tomás Antônio Gonzaga: (1744-1812) Ingressou na Universidade de Coimbra em 1763 e formou-se em Leis. Voltou ao país em 1782 e trouxe uma biblioteca com 90 livros. Foi nomeado Ouvidor da Comarca de Vila Rica, fez amizade com o advogado Cláudio Manuel da Costa e conheceu a jovem Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, chamada de Maríla em suas poesias. Foi preso em maio de 1789 sendo recolhido à cadeia da Ilha das Cobras. Condenado ao degredo perpétuo na África, teve a pena comutada para 10 anos. partiu para Moçambique em 1792 e exerceu o cargo de Juiz de Alfândega. Casou-se em 1793 com a filha de um rico negreiro Alexandre Roberto Mascarenhas. No final de sua vida perdeu a razão. Deixou as obras literárias Marília de Dirceu, versos, e Cartas Chilenas, crítica mordaz ao governo de Minas Gerais.

Joaquim Silvério dos Reis: primeiro a delatar a conspiração, em troca de perdão de uma dívida de 220 mil réis. Foi para Portugal em 1794 depois de sofrer dois atentados em Minas e Rio. Em Lisboa, é recebido pelo príncipe-regente D.João. Condecorado com o Hábito de Cristo e o título de fidalgo da casa real em foro e moradia, recebe pensão anual de 200 mil-réis. volta ao Brasil com a corte real, em 1808, e assume o posto de tesoureiro da bula de Minas, Goiás e Rio.

Sentença Mortal

Sentença de condenação de Tiradentes, proferida pelo tribunal de alçada em 18 de abril de 1792.

(...) Portanto, condenam ao réu Joaquim da Silva Xavier, por alcunha de Tiradentes, Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas Gerais, a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural, para sempre, e que depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde, em lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também o consuma. Declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu.

Fonte: www.abrali.com

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