A Independência do Brasil é um dos marcos na história do país. Em 1822, finalmente o Brasil se libertou do domínio português.
Antecedentes
Os ares da independência começaram a soprar devido à influência inglesa, pois a Inglaterra lucraria com a separação. Quebrando o Pacto Colonial entre metrópole e colônia, o Brasil estaria livre para vender matéria-prima às indústrias inglesas, e os ingleses venderiam aqui seus produtos, sem a interferência da Coroa Portuguesa.

No Brasil, algumas revoluções deram impulso aos ideais do povo, como a Conjuração Baiana, (1798), a conjuração Mineira e a Revolução Pernambucana de (1817). As idéias que propagavam agradavam a elite, que desejava maior liberdade. Insatisfeita com o controle de Portugal na política e economia do Brasil como colônia, teria muito a ganhar com a liberdade.
A Família Real no Brasil
O primeiro passo para a independência aconteceu em Portugal. Depois da Revolução do Porto, em 1820, D. João VI não teve escolha senão voltar para seu país. Para não deixar o Brasil abandonado, deixou seu filho, D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro I, como regente. Prevendo possível revolta no Brasil, ele garantiria que a sua dinastia continuasse no poder.
As divergências
Não se pode compreender o processo de independência sem pensar no projeto recolonizador das Cortes portuguesas, a verdadeira origem da definição dos diversos grupos no Brasil. Embora o rompimento político com Portugal fosse o desejo da maioria dos brasileiros, havia muitas divergências. No movimento emancipacionista havia grupos sociais distintos: a aristocracia rural do sudeste ( partido brasileiro ), as camadas populares urbanas («liberais radicais») e, por fim, a aristocracia rural do norte e nordeste, que defendiam o federalismo e até o separatismo.
A aristocracia rural do sudeste, a mais poderosa, era conservadora, lutando pela independência, defendendo a unidade territorial, a escravidão e seus privilégios de classe. Os liberais radicais queriam a independência e a democratização da sociedade, mas seus chefes, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira, permaneceram atrelados à aristocracia rural, sem revelar vocação revolucionária. A aristocracia rural do norte e nordeste enfrentava a forte resistência dos comerciantes e militares portugueses, fortes no Pará, Maranhão e Bahia. Além disso, desconfiavam da política centralizadora de José Bonifácio.
O partido português, no Brasil chamado por vezes dos «pés de chumbo», estava das Cortes; o partido brasileiro e os liberais radicais eram contra, mas divergiam quanto aos objetivos. Para o «partido brasileiro» o ideal era a criação de uma monarquia dual (Brasil e Portugal) para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comércio. Mas a intransigência das Cortes portuguesas fez o partido inclinar-se pela emancipação, sem alterar a ordem social e os seus privilégios. Já os liberais radicais» formavam um agrupamento quase revolucionário, bem perto das camadas populares urbanas, sendo alguns republicanos. No conjunto, tratava-se do grupo mais receptivo às mudanças mais profundas e democráticas da sociedade.
A concretização das aspirações de cada um desses agrupamentos era distinta. Os grandes proprietários rurais ligados ao «partido brasileiro» dispunham dos meios efetivos para a realização de seus objetivos. A ânsia por um comércio livre de entraves mercantilistas encontrava apoio em forças internacionais, lideradas pela burguesia britânica. A sólida base econômica e social escravista garantia ainda os recursos materiais para resistir com êxito à provável ameaça recolonizadora de Lisboa.
A situação do Brasil permaneceu indefinida em 1821. Mas, a 9 de dezembro, chegaram ao Rio de Janeiro os decretos das Cortes que ordenavam a abolição da regência e o imediato retorno de D. Pedro a Portugal; a obediência das províncias a Lisboa e não mais ao Rio de Janeiro; a extinção dos tribunais do Rio.
O Príncipe Regente D. Pedro, aparentemente resignado, começou a fazer preparativos para seu regresso. Mas estava gerada enorme inquietação. O «partido brasileiro» ficou alarmado com a recolonização e com a possibilidade de uma explosão revolucionária. A nova situação favoreceu a polarização: de um lado o «partido português» e do outro, o «partido brasileiro» com os liberais radicais, que passaram a agir pela independência.

Na disputa contra os conservadores, os radicais cometeram o erro de reduzir a questão à luta pela influência sobre o Príncipe Regente. Era inevitável que este preferisse os conservadores. Ademais, os conservadores encontraram em José Bonifácio um líder bem preparado para dar à independência a forma que convinha às camadas dominantes.
O Fico e o Cumpra-se
Sondado, o príncipe se mostrou receptivo. Foram enviados emissários a Minas e São Paulo para obter a adesão à causa emancipacionista, com resultados positivos. No Rio de Janeiro foi elaborada uma representação (com coleta de assinaturas) em que se pedia a permanência de D. Pedro. O documento foi entregue a D. Pedro a 9 de janeiro de 1822 por José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara do Rio de Janeiro. Em resposta, o Príncipe Regente decidiu desobedecer às ordens das Cortes e permanecer no Brasil: era o Fico.
A decisão do príncipe de desafiar as Cortes era produto de um amplo movimento, no qual se destacou José Bonifácio de Andrada e Silva. Membro do governo provisório de São Paulo, escrevera em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D. Pedro, na qual criticava a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o papel reservado ao príncipe na crise. D. Pedro divulgou a carta, publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822 com grande repercussão.
Dez dias depois, havia chegado ao Rio uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação paulista. No mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo de forte significado simbólico: pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro. Os irmãos Andrada (José Bonifácio e seus irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco) tornaram-se figuras políticas de destaque nacional.
D. Pedro ganhou forte apoio popular com a decisão do Fico. Para resistir às ameaças de recolonização foi decretada, em 16 de fevereiro de 1822, a convocação de um Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil. Teoricamente, tinha por finalidade auxiliar o príncipe mas na prática tratava-se de manobra dos conservadores, liderados por José Bonifácio, contra os radicais, representados por Joaquim Gonçalves Ledo, um funcionário público para quem a preservação da unidade político-territorial do Brasil deveria ser feita através da convocação de uma Assembléia Constituinte eleita pelo povo.
O conselho foi convocado exatamente para evitar isso e manter a unidade sob controle do poder central e dos conservadores.
Em maio, a cisão entre D. Pedro e as Cortes aprofundou-se: o regente determinou que qualquer decreto das Cortes só poderia ser executado mediante o « Cumpra-se » assinado por ele, o que equivalia a conferir plena soberania ao Brasil.
A medida teve imediato apoio: a 13 de maio o Senado da Câmara do Rio de Janeiro conferiu ao príncipe regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil.
Houve uma investida militar da Divisão Auxiliadora, estacionada no Rio sob o comando do Tenente general Jorge de Avilez, expulso do Brasil com suas tropas.
Quando dos festejos pelo aniversário de D. João VI de Portugal, a 13 de Maio, o Senado da Câmara do Rio de Janeiro pediu ao Príncipe-Regente que aceitasse para si e para seus descendentes o título de "Defensor Perpétuo do Brasil".
Os liberais radicais mantinham-se ativos: por iniciativa de Gonçalves Ledo, uma representação foi dirigida a D. Pedro para expor a conveniência de se convocar uma Assembléia Constituinte. O príncipe decretou sua convocação em 13 de junho de 1822. A pressão popular levaria a convocação adiante.
José Bonifácio resistiu à idéia de convocar a Constituinte, mas foi obrigado a aceitá-la. Procurou descaracterizá-Ia, propondo a eleição indireta, que acabou prevalecendo contra a vontade dos liberais radicais, que defendiam a eleição direta. Embora os conservadores tenham obtido o controle da situação e o texto da convocação da Constituinte apresentasse declarações favoráveis à permanência da união entre Brasil e Portugal, as Cortes insistiam: o príncipe regente deveria retornar imediatamente.
A Declaração de Independência
Quadro Independência ou Morte mais conhecido com "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela - 1888)No final de agosto, D. Pedro viajava para a província de São Paulo para acalmar a situação depois de uma rebelião contra José Bonifácio.
Qual seria sua posição pessoal? Apesar de ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, à qual convinha a solução monárquica para a independência, não se deve desprezar seus interesses próprios. Tinha formação absolutista e por isso se opusera à revolução do Porto, liberal. Da mesma forma, a política recolonizadora das Cortes desagradou à opinião pública brasileira. E é nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o «partido brasileiro.
Assim, se a Independência do Brasil pode ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, é preciso considerar que teve início como compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do príncipe.
Ao voltar de Santos, parando às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro de Alcântara recebeu as ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntos duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com a metrópole, e a outra da esposa, Maria Leopoldina, apoiando a decisão do ministro. D. Pedro I, impelido pelas circunstâncias, pronunciou as famosas palavras Independência ou Morte!, rompendo os laços de união política com Portugal, a 7 de Setembro de 1822. Ao chegar na capital, Rio de Janeiro, foi aclamado Imperador, com o título de D. Pedro I.
Culminava o longo processo de emancipação, iniciado em 1808 com a vinda da família real. A 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi aclamado imperador e coroado em 1 ° de dezembro.
A Guerra da Independência
A Independência do Brasil depois disso foi conquistada de um modo relativamente rápido. O apoio da Inglaterra nessa independência foi crucial, usando sua diplomacia. O uso de mercenário ingleses sufocando rebeldes e guerras foi decisivo. Depois disso, ela foi seguindo naturalmente. Inicialmente assustados com a idéia, os comerciantes e funcionários portugueses aceitaram a idéia, já que seus interesses seriam mantidos, já que o imperador era da dinastia de Bragança e herdeiro da Coroa Portuguesa.
Os problemas com as guerras não foram algo grande. Normalmente elas eram provincianas e de pequenos portes. Em 1823 todas elas já tinham sido sufocadas.
Conseqüências
Apesar de ser bonita a história do rompimento com Portugal, a Independência do Brasil teve vários aspectos negativos. Na sua maioria, foi uma independência das elites, que ganharam mais liberdade econômica e política.
O povo não participou diretamente, e quem era pobre continuou pobre. Coerentememte com as idéias da época, ao contrário do que desejava José Bonifácio, por exemplo, a escravidão foi mantida.
Para ser reconhecido oficialmente, o Brasil negociou com a Inglaterra e aceitou pagar indenizações a Portugal tendo início seu endividamento. Quando D. João VI retornou a Lisboa, por ordem das Cortes, levou todo o dinheiro que podia, calcula-se que 50 milhões de cruzados, apesar de aqui ter deixado sua prataria e a enorme livraria, com obras raras que compõe hoje o acervo básico da Biblioteca Nacional.
Considerações historiograficas
A data comemorada oficialmente, em nível nacional, é o dia 7 de setembro de 1822, uma vez que nesse dia, às margens do riacho Ipiranga pertencente à atual cidade de São Paulo, o Príncipe-Regente D. Pedro, ao receber a correspondência da Corte, teria proclamado o chamado Grito da Independência, à frente da sua escolta: Independência ou Morte!
Fonte: pt.wikipedia.org