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Inflação

O que controla a inflação?

A maioria dos analistas acredita que o Banco Central controla a inflação usando a política de metas de inflação e a taxa de juros Selic como seu instrumento. No entanto, pela primeira vez o voto majoritário da última reunião do Copom atribuiu à oferta de produtos importados no câmbio atual como o fator preponderante de controle inflacionário.

Cresce a percepção entre os analistas que a âncora cambial tem um efeito maior sobre a inflação do que a meta de inflação que procura dar ao mercado a expectativa para reajustar preços e salários.

Assim, pode estar em jogo o dogma das expectativas como o fio condutor do processo inflacionário, numa economia globalizada, ou seja, os agentes econômicos não formam seus preços. Esses são formados pela forte e crescente concorrência internacional.

Assim, a política monetária perde eficácia atropelada pela inexorável competição entre milhões de empresas espalhadas pelo mundo. Isso é mais verdadeiro num país como o nosso onde as taxas de juros ao tomador final pouco tem a ver com a taxa Selic, devido aos altos spreads bancários e onde a oferta de crédito atinge parcela pequena da demanda.

A pergunta então é: O que faz o dólar perder valor perante o real, causando o aumento em nossas importações, que impedem as remarcações de preços das empresas? Segundo uns o nível da taxa de câmbio é decorrente da farta liquidez internacional, aos fundamentos mais sólidos da economia, ao superávit das contas externas, ao investimento direto líquido de estrangeiros (IDLE) e aos empréstimos externos tomados pelas empresas a taxas de juros cada vez mais baixas devido à queda do risco país.

Desde 2004 ocorre anualmente nas contas externas uma sobra de US$ 30 bilhões devido ao saldo das transações correntes e do IDLE.

Esse saldo independe da Selic e está garantido pela forte expansão das exportações devido a vários fatores que deverão permanecer por um bom período: nível elevado do comércio internacional, preço e demanda elevados das commodities, exploração mais intensa dos mercados emergentes, agregação de valor aos produtos exportados e posição estratégica na produção de alimentos e nos biocombustíveis.

Outros argumentam que a causa principal da apreciação cambial está na alta taxa Selic que proporciona aplicações financeiras mais rentáveis do que em outros países, injetando dólares em excesso na economia.

Os dois argumentos são válidos e não excludentes. O fato é que o Banco Central abandonou há mais de um ano a política de câmbio flutuante efetuando compras maciças de dólares para evitar ainda mais a valorização do real. Apesar disso, da queda contínua da Selic desde setembro de 2005 e de outras medidas visando reduzir a oferta de dólares, o real vai se apreciando a cada mês e crescem vigorosamente as reservas internacionais.

A conseqüência natural do crescimento dessas reservas é a queda contínua do risco país e a atração de mais dólares. A não ser que haja uma reviravolta no mercado americano com a elevação das taxas de juros, esse processo tende a continuar apreciando o real e trazendo para mais cedo a obtenção do grau de investimento, que atrairá ainda mais dólares ao país.

Assim, não deveria causar espanto se ao final do ano, mantido o ritmo de crescimento das reservas, elas se aproximassem de US$ 200 bilhões como falou o Presidente da República.

A política econômica do governo é aumentar a demanda para gerar o crescimento econômico, usando para isso reajustes reais no salário mínimo, crédito consignado e expansão dos programas sociais.

O aumento da demanda gera o aumento da oferta e não o inverso. Num primeiro momento esse aumento da demanda é atendido pelas importações e em seguida a produção local corre atrás reduzindo margens de lucro que são compensadas pelo aumento do volume de vendas.

O que garante tudo isso é o câmbio nos níveis atuais que constitui a barreira para que o aumento da demanda não ocasione remarcação de preços, preservando o poder aquisitivo dos consumidores e gerando expressivo aumento do consumo e do emprego.

O que se perde de emprego pela perda de exportações de alguns setores é mais do que compensado pelo crescimento de emprego pela preservação do poder de compra dos consumidores.

Essa é a diferença marcante com a política econômica de governos anteriores, apesar de muitos insistirem que o atual governo é uma continuidade do anterior.

Como a inflação está sob controle independentemente do Banco Central, isso força o Copom a proceder a quedas contínuas da Selic que sempre foi uma aberração econômica. Não tem explicação para o fato dos 26 países emergentes terem inflação de 4% ao ano com taxas de juros reais muito inferiores às nossas.

Isso vem de longa data e já foi muito pior.

Cabe então a pergunta

Os bancos centrais destes países estão com políticas monetárias erradas e o nosso é que está certo? É evidente que não. Esta grande distorção na Selic comandada pelo sistema financeiro em parceria com o Banco Central causou nos últimos dez anos uma perda de 8% do PIB desse período em juros pagos pelo setor público. Não existe país no mundo que tenha sofrido um golpe tão forte em suas finanças públicas.

Para desviar a atenção dessa aberração fiscal alguns analistas, com farta cobertura na mídia, procuraram colocar a culpa do problema fiscal do país na Previdência Social e nos programas sociais do governo, cujas despesas cresceram mais do que o PIB nos últimos anos.

A falha dessas análises é que só procuraram medir os custos e não a relação custo sobre benefício. Além disso, foram incapazes de projetar esses custos no longo prazo, pois não apresentaram cálculos atuariais, que é o mínimo necessário para serem levadas a sério.

As perspectivas para os próximos anos são de fortes crescimentos nas importações e taxas de câmbio decrescentes. Assim, tudo indica que o principal instrumento de controle inflacionário esteja na taxa de câmbio que tende a se apreciar com maior ou menor velocidade dependendo do volume de compras de dólares pelo Banco Central, que é o piloto da inflação que ele deseja e não o da meta de inflação de 4,5% ao ano.

Amir Khair

Fonte: www.ie.ufrj.br

Inflação

O que é a inflação

A inflação é um aumento generalizado de preços. Ou seja, se o preço de apenas um produto subir, não podemos dizer que ocorreu inflação. Todavia, se o preço de vários produtos subirem, podemos dizer que houve inflação.

Agora que sabemos o que é inflação, vejamos como ela é calculada.

Antes precisamos montar uma cesta de bens e serviços. Mas como devemos montar essa cesta? Quais são os bens que deverão estar presentes? Em que quantidades? O que podemos dizer a respeito dos serviços? Para montar uma cesta devemos ter em mente algum tipo de consumidor.

Dependendo do consumidor, teremos um diferente índice de inflação.

Existem várias entidades que calculam a inflação. Algumas relacionadas ao governo e outras independentes. Cada uma delas começa pensando no tipo de consumidor que quer tomar como padrão. Assim, essas entidades calculam diferentes índices de inflação.

Você pode pensar em um consumidor final, ou em uma empresa. Cada um deles tem uma necessidade diferente de bens e serviços, assim cada um terá uma percepção diferente da inflação. O mesmo ocorre com famílias que possuem poder aquisitivo diferente. Por exemplo, se a gasolina sofrer um aumento de preço muito grande, isso pode significar um custo maior para quem tem carro; mas se o preço não for imediatamente repassado ao transporte público, não será percebido como um custo a mais para os que usam esse transporte.

Para ilustrar melhor a inflação, considere uma família que consome, ao longo do mês, os bens e serviços discriminados na tabela a seguir.

Inflação

Observe que esse é apenas um exemplo didático. Vários outros itens deveriam estar presentes na tabela. Mas como queremos apenas ilustrar o fenômeno da inflação, esses itens já serão suficientes. No Brasil existem vários índices de inflação, um deles é o IPC, em que 340 produtos compõem a sua ponderação. Vemos, portanto, que fizemos uma grande simplificação.

A partir dessa tabela vemos que no mês de janeiro a família precisava de R$300,00 para realizar todos os seus consumos. Já no mês de fevereiro a mesma família precisava de R$321,30. Isso mostra que ocorreu inflação.

Observe que nem todos os preços subiram. O preço do feijão e o preço do sal não se alteraram mas o preço da maioria dos itens subiu. O preço de alguns subiram mais do que o de outros. Assim, para ser calculada a taxa de inflação deve-se levar em conta o custo total dessa família que estamos considerando.

Continuando com a mesma tabela, podemos calcular a taxa de inflação que ocorreu no período.

i = F / P – 1 i = R$321,30/R$300,00 – 1 = 0,071 i = 7,1% ao mês Onde i = taxa de juros F = valor futuro ou montante P = valor presente ou capital inicial

É importante ressaltar que qualquer instituição que faça a pesquisa de inflação ocorrida deve levar em consideração o preço médio dos produtos praticado pelo mercado. Desse modo, quando vamos colocar o preço do arroz na nossa tabela, devemos fazer uma pesquisa de quanto está custando o arroz em vários estabelecimentos, para que o cálculo da taxa de inflação que estamos fazendo reflita o que ocorre com a população de uma forma geral.

Exemplo: suponha que para medir a inflação uma instituição utilize uma cesta de bens e serviços cujo valor total é de R$800,00 no primeiro dia do mês de julho. No primeiro dia do mês de dezembro do mesmo ano o valor médio dessa mesma cesta de bens e serviços é de R$ 830,00. Calcule a taxa de inflação medida pela instituição.

F = P . (1 + q)n

Inflação

Renda e inflação

Vimos que com o passar do tempo o poder aquisitivo do dinheiro diminui.

Isso ocorre devido à inflação. Dessa forma, vimos que a renda dos indivíduos deve ser corrigida para que se mantenha o poder de compra.

Tomando como exemplo a família que já estávamos considerando, vemos que para que o poder de compra dela seja mantido, a renda deve ser corrigida em 7,1%. Pois, se a renda da família for de R$300,00 em janeiro, para que ela consiga continuar comprando todos os bens que comprava antes, a sua renda em fevereiro deverá ser de R$321,30.

Exemplo: a taxa de inflação medida no intervalo de um ano foi de 8%.

Assim, uma família que no início do período gastava R$750,00 por mês para seus custos básicos, deverá gastar quanto ao final desse período? Como a inflação mede o aumento médio dos preços, para descobrirmos o gasto dessa família no período de um ano vamos assumir que o consumo dessa família é o mesmo que os bens e serviços que constituem a cesta considerada para medir a inflação.

Assim:

Inflação

Sendo que a letra q é utilizada para representar a taxa de inflação.

Logo:

F = R$750,00 . (1,08) F = R$810,00 Portanto esta família necessitará de R$810,00 para continuar arcando com os seus custos básicos.

Taxa de juros nominal e real

Infelizmente, existe um termo em Matemática Financeira que tem dois significados, podendo causar confusão a princípio: é a taxa de juros nominal.

A taxa de juros nominal pode estar relacionada à taxa de juros efetiva, ou seja, quando a taxa é informada em um período de tempo, mas a capitalização ocorre em outro. Mas não é esse o caso que estamos considerando aqui.

O outro significado da taxa de juros nominal é quando a estamos relacionando com a taxa de juros real, ou seja, quando estamos querendo desconsiderar o efeito da inflação. Pois quando aplicamos R$100,00 e resgatamos R$110,00 sabemos que a taxa de retorno desse investimento é de 10%. Mas é preciso descontar a inflação para saber o rendimento real. Ou seja, muitas vezes queremos saber qual é a taxa de juros real que uma instituição financeira está cobrando quando fazemos empréstimos e quanto ela está pagando quando aplicamos o nosso dinheiro.

Algo bastante curioso que pode ocorrer é alguém dizer que se você aplicar R$100,00 por mês em num investimento, depois de 30 anos você terá R$1.000.000,00. Porém, essa informação pode não ter muito significado.

Saber que você terá um milhão de reais daqui a 30 anos significa pouco quando não sabemos qual será a taxa de inflação nesse período. Será que esse dinheiro será o suficiente para comprar uma casa? Hoje, certamente, você poderia comprar muitas coisas com um milhão de reais, mas será que daqui a 30 anos você conseguiria fazer muita coisa com esse valor? Para responder essas questões temos de levar em consideração a inflação.

Considere um investidor que aplicou R$3.000,00 em janeiro para ser resgatado em fevereiro. O investimento proporcionou uma taxa de juros de 10% ao mês. Depois de um mês o valor resgatado foi de R$3.300,00. Mas sabemos que o poder de compra desse dinheiro não aumentou 10%.

A taxa de 10% que esse investidor obteve é chamada de taxa de juros nominal.

Já a taxa de juros que desconta a inflação é chamada de taxa de juros real. E como devemos proceder para calcular a taxa de juros real? Supondo ainda que a inflação no período foi de 7,1%, alguns pensariam que a taxa de juros real é simplesmente a taxa de juros nominal menos a taxa de inflação (10% – 7,1% = 2,9%). Mas isso está errado. Para verificar isso vamos observar melhor o poder de compra da moeda.

Lembre-se que para comprar uma cesta de bens e serviços eram necessários R$300,00. Assim, um investidor que aplicou R$3.000,00 possuía recursos para comprar 10 cestas de bens e serviços. E quantas cestas ele poderia comprar depois de um mês? Descobrir isso é bastante simples, devemos dividir o valor que ele dispõe pelo valor de uma cesta no mês de fevereiro. Assim vemos que depois de um mês ele pode comprar 3.300,00/321,30 = 10,27 cestas.

Vemos que o investidor recebeu um valor acima da inflação. Isso já era de se esperar, pois qualquer investidor espera receber o seu dinheiro corrigido pela inflação acrescido de uma remuneração por ter ficado sem o seu capital.

Para descobrir a taxa de juros real, devemos levar em consideração o poder de compra do capital disponível. O poder de compra era de 10 unidades (de cestas de bens e serviços). Depois de um mês o poder de compra passou a ser de 10,27 cestas.

Logo, a taxa de juros real, que chamaremos de r, é dada por:

r = 10,27/10 – 1 = 0,027 r = 2,7% ao mês

Fizemos duas tentativas para encontrar a taxa de juros real, mas apenas uma delas está certa. Primeiramente, subtraímos a taxa de inflação da taxa de juros nominal, obtendo uma taxa de juros real de 2,9% que estava errada.

Depois, levamos em consideração o poder de compra do capital disponível, e vimos que a taxa de juros real no período foi de 2,7%. Esse valor está correto, pois tem uma fundamentação no seu cálculo.

A partir das contas que fizemos poderíamos tentar deduzir a equação para a taxa de juros real. Entretanto, tal dedução poderia ficar um pouco confusa devido ao excesso de contas. Portanto, será mostrado somente o resultado final.

Vamos usar a letra q para representar a taxa de inflação, a letra i para representar a taxa de juros nominal e a letra r para representar a taxa de juros real.

Assim:

(1 + i) = (1 + q) . (1 + r)

Verificamos que a taxa de juros nominal é a composição da taxa de juros real com a taxa de inflação. Observe que a taxa de juros nominal não é a soma das outras duas taxas.

Vamos calcular novamente a taxa de juros real obtida pelo investidor que aplicou R$3.000,00 e resgatou R$3.300,00.

r = (1 + i) / (1 + q) – 1 r = 1,10 / (1,071) – 1 = 0,027 r = 2,7% ao mês

Portanto, esse investidor que aplicou a uma taxa de juros nominal de 10% obteve somente 2,7% de taxa de juros real.

A fórmula que relaciona a taxa de juros nominal com a taxa de juros real e a taxa de inflação é comumente chamada de fórmula de Fischer.

(1 + i) = (1 + q) . (1 + r)

Ela recebe esse nome pois foi proposta por Irving Fischer (1867-1947), um economista americano que foi professor universitário e autor de vários livros.

Além disso, ganhou muito dinheiro aplicando suas idéias.

Exemplo: Paulo aplicou R$500,00 em um investimento pelo período de um ano que rendeu a uma taxa de juros de 1% ao mês. Sabendo que a inflação foi de 5% naquele ano, diga quanto foi a taxa de juros real obtida por Paulo.

Inflação

A taxa de juros nominal que ele obteve no investimento foi de 12,6825% ao ano. Agora vamos descontar a inflação para encontrar a taxa de juros real.

r = (1 + i) / (1 + q) – 1 r = 1,126825 / 1,05 – 1 r = 7,32% ao ano

A taxa de juros real obtida por Paulo foi de 7,32% ao ano.

Taxa de desvalorização da moeda

De acordo com o que vimos aqui, devido à inflação, a moeda se desvaloriza ao longo do tempo. Por isso não se deve guardar dinheiro em baixo do colchão. Quanto maior for a inflação, maior será a perda se ficarmos com o dinheiro na mão sem aplicarmos.

Considerando ainda o investidor que aplicou R$3.000,00 a uma taxa de juros nominal de 10%. Vamos ver o que aconteceria se ele não tivesse aplicado o seu dinheiro. Lembre-se que a inflação no período foi de 7,1% e a taxa de juros real foi de 2,7%.

No mês de janeiro ele possuía um capital de R$3.000,00, o que era equivalente a 10 cestas de bens e serviços. Depois de um mês, ele terá o mesmo valor monetário, ou seja, R$3.000,00. Esse valor em fevereiro não consegue comprar as mesmas 10 cestas que conseguia comprar em janeiro. Como em fevereiro cada cesta custa R$321,30, o investidor conseguirá comprar apenas 3.000,00/321,30 = 9,337 cestas de bens e serviços.

Percebe-se que o poder de compra da moeda foi reduzido. Agora o seu poder de compra é apenas uma fração do que era antes.

O poder de compra da moeda é: 9,337/10 = 0,9337 = 93,37%.

Podemos concluir que a moeda sofreu uma desvalorização de: 100% – 93,37% = 6,63%.

O valor da moeda em janeiro era P. Em fevereiro o seu valor passou a ser P / (1 + q).

Portanto, a desvalorização da moeda é: P – P / (1 + q).

A desvalorização percentual é:

Taxa de Desvalorização = 1 – [1 / (1 + q)] Taxa de Desvalorização = [(1 + q) / (1 + q)] – 1 / (1 + q)

Taxa de Desvalorização = q / (1 + q)

Exemplo: Astolfo ganhou R$1.000,00 num título de capitalização comprado nos correios e deixou esse dinheiro guardado em sua casa por três meses. A taxa de inflação no período foi de 3%. Calcule quanto foi a desvalorização percentual do dinheiro que ele recebeu. Calcule também o valor monetário que a inflação retirou de Astolfo.

Taxa de Desvalorização = q / (1 + q) Taxa de Desvalorização = 0,03 / (1 + 0,03) Taxa de Desvalorização = 2,913%

Como Astolfo possui R$1.000,00, ele deveria ter esse valor corrigido pelo menos pela inflação. Como depois de um mês ele ainda continua com R$1.000,00, ele sofreu uma perda igual ao produto do valor monetário que ele possui pela desvalorização da moeda.

Portanto, a inflação retirou de Astolfo: R$1.000,00 × 0,02913 = R$29,13.

A deflação

A deflação é o contrário de inflação, ou seja, uma queda generalizada de preços. Apesar de parecer interessante viver num lugar onde os preços caem, a deflação não é desejável. Na verdade a deflação é um grande problema que deve ser evitado.

Se um país apresenta deflação significa que com o passar do tempo os preços cairão. E os consumidores tentarão adiar o consumo o máximo que eles puderem. Isso acaba prejudicando o comércio e conseqüentemente a indústria.

Como o consumo foi desestimulado, cai a produção e o desemprego aumenta, causando um grave problema para toda a sociedade.

Portanto, a inflação é desejável. Todavia, ela deve ser baixa, pois a alta inflação causa outros problemas que são conhecidos dos brasileiros. Principalmente aqueles que acompanharam a alta de preços que ocorreu nos anos 1980 e início dos anos 1990.

Exemplo: Cláudia pegou R$300,00 emprestados no banco, para serem devolvidos depois de um mês. O banco cobrou uma taxa de juros de 5% ao mês. Nesse período ocorreu deflação, ou seja, uma inflação negativa de 1%.

Calcule a taxa de juros real que Cláudia pagou.

r = (1 + i) / (1 + q) – 1 r = (1 + 0,05) / (1 – 0,01) – 1 (Observe o sinal de menos na inflação) r = 1,05 / 0,99 – 1 r = 6,06% ao mês

Observe que, como a inflação foi negativa, a taxa de juros real que Cláudia teve de pagar foi maior que a taxa de juros nominal que o banco cobrava.

Caso a inflação fosse positiva (como geralmente é o caso) a taxa de juros real seria menor que a taxa de juros nominal.

Taxa média de inflação

Vamos novamente considerar que conhecemos a taxa de inflação mensal e que essa taxa varia mensalmente. Como sabemos a taxa de inflação de cada mês, calcular a taxa média de inflação parece uma tarefa fácil. Realmente essa tarefa não é difícil, mas não é tão simples como somar todas as taxas mensais e dividir pelo número de meses.

Vamos definir que conhecemos a taxa de inflação mensal de um período de 12 meses.

Assim o valor de um bem que fosse corrigido pela inflação seria:

Inflação

Na maioria das contas que fazemos em nosso dia-a-dia para buscar um valor médio, simplesmente somamos todos os valores e dividimos o resultado pela quantidade total de termos. Esse cálculo é chamado de média aritmética.

Entretanto, existe um outro tipo de média chamada de média geométrica.

Ela é pouco usada no dia-a-dia, mas é muito comum na Matemática Financeira. A média geométrica de n termos consiste em multiplicar todos os termos e depois elevar este resultado a 1/n.

Exemplo: considere os mesmos valores apresentados no exemplo anterior, ou seja: no mês de janeiro a taxa de inflação foi de 0,5% ao mês; já em fevereiro a taxa de inflação foi de 0,6% e no mês de março foi de 0,4% ao mês.

Calcule a taxa média de inflação (ao mês) no primeiro trimestre do ano.

Inflação

O valor da taxa média de inflação foi escrita com várias casas decimais para mostrar que o seu valor, apesar de muito próximo de 0,5%, é diferente desse valor. O valor 0,5% corresponde à média aritmética das taxas de inflação mensais. Contudo, o correto é calcular a média geométrica, tal como fizemos.

Vemos que os valores obtidos considerando a média aritmética e a média geométrica são muito próximos. Mas isso somente ocorreu porque os valores são muito parecidos.

Índices de inflação do Brasil

Para que se conheça um pouco daquilo que é apresentado sobre a inflação nas notícias, apresentaremos a seguir uma lista dos principais índices de inflação do Brasil.

Índice da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)

IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), índice da Universidade de São Paulo (USP), pesquisado no município de São Paulo, que tenta refletir o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. Esse índice é calculado desde 1939.

Índices da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

IPA (Índice de Preços no Atacado) é um índice com base na variação dos preços no mercado atacadista.

IPC-Br (Índice Preços ao Consumidor) é calculado com base nos custos de famílias com renda de até 33 salários mínimos, cobrindo 12 das principais capitais do país.

IPC-RJ (Índice Preços ao Consumidor – Rio de Janeiro), índice que considera a variação dos preços na cidade do Rio de Janeiro, que toma por base os gastos de famílias com renda de um a 33 salários mínimos.

INCC (Índice Nacional do Custo da Construção). Reflete a variação dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor da construção civil. É calculado a partir da média dos índices de doze regiões metropolitanas. Utilizado em financiamento direto de construtoras e incorporadoras.

IGP (Índice Geral de Preços), costuma ser usado em contratos com prazo mais longo, como aluguel. O índice apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo. O IGP é calculado com base nos gastos de famílias com renda de até 33 salários mínimos. O IGP subdivide-se em alguns outros índices de acordo com o período de tempo em que ele é calculado.

Apesar de existirem diferentes IGP, todos eles são uma média ponderada dos seguintes índices:

índice de preços no atacado (IPA), com peso de 60%; índice de preços ao consumidor, (IPC) no Rio de Janeiro e São Paulo, com peso de 30%; índice nacional de custo da construção (INCC), com peso de 10%.

IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) é o IGP pesquisado do dia 1.º ao último dia do mês corrente. Esse índice é calculado desde 1944.

IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), índice cuja metodologia é igual à do IGP-DI, mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. Esse índice é calculado desde 1989.

IGP-10 (Índice Geral de Preços 10) é elaborado com a mesma metodologia do IGP-DI e do IGP-M, mudando apenas o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. Esse índice é calculado desde 1994.

Índices do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado entre os dias 1.º e 30 de cada mês. Compõe-se da variação de preços das 11 maiores regiões metropolitanas do país. Reflete o custo de vida para famílias com renda mensal de um a oito salários mínimos. Esse índice é calculado desde 1979 e é utilizado nos reajustes de salário.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado desde 1979, semelhante ao INPC, porém, refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A pesquisa é feita nas mesmas 11 regiões metropolitanas, tendo sido escolhido como alvo das metas de inflação no Brasil.

IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15). É igual ao IPCA, diferindo no período de cálculo. Calcula-se com base na variação que ocorre do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês seguinte. Esse índice é calculado desde 2000.

Vemos que existem vários índices para medir a inflação. E esses apresentados são apenas os mais usados.

Apesar de existirem vários índices, há apenas duas diferenças entre todos eles:

1. Os bens e serviços que estão contidos na cesta que estamos considerando.

Alguns tentam refletir a percepção do consumidor, enquanto outros tentam refletir a percepção dos atacadistas.

2. O período em que o índice é considerado. Alguns são considerados do primeiro dia ao último dia do mês, enquanto outros são considerados entre outras datas.

No Brasil, o número de índices para medir a inflação é muito alto. Isso se deve principalmente à alta inflação que ocorreu no país nos anos 1980 até o início dos anos 1990. Muitas vezes, já no início do mês, precisava-se saber qual era a inflação no mês anterior. Dessa forma o IGP-M foi instituído.

Isso porque os preços são coletados e deve-se fazer uma análise dos dados.

Assim, como os dados eram coletados até o dia 20, poderiam ser divulgados antes do início do próximo mês.

Dinheiro para aposentadoria

Nesta seção vamos assumir que você conseguiu acumular R$1.000.000,00.

Muitas vezes, as pessoas fazem as contas de quanto tempo teriam de trabalhar para acumular essa quantia em dinheiro. Mas agora não vamos nos preocupar como poderíamos acumular esse capital. Nossa única preocupação será como gastá-lo. Melhor do que isso, como gastar sabiamente esse dinheiro.

Se você conseguiu acumular R$1.000.000,00, provavelmente não vai mais querer trabalhar, mas apenas viver de renda. E uma preocupação importante é não deixar esse dinheiro acabar.

Para essas considerações teremos de assumir valores para a taxa de juros e para a inflação. Assumindo que você consiga aplicar o seu dinheiro a uma taxa de juros de 0,8% ao mês e que a taxa de inflação seja de 0,4% ao mês, podemos fazer algumas contas e descobrir o quanto poderá ser gasto a cada mês. Mas para fazer essas contas, assumiremos que você deseje retirar todos os meses o mesmo valor para seus gastos pessoais. Além disso, que você sempre deseje possuir os mesmos R$1.000.000,00 e ao final de sua vida deixar esses recursos aos seus herdeiros.

Quando você aplica o seu dinheiro por um mês, você passa a ter:

Inflação

Assim, a primeira opção seria retirar os juros, ou seja, os R$8.000,00 e deixar o restante (R$1.000.000,00) aplicado. Fazendo isso, no mês seguinte você teria novamente R$1.008.000,00. Você poderia fazer isso sempre. Todo mês aplicar um milhão de reais e resgatar os juros de R$8.000,00. Mas não é uma boa estratégia, tente imaginar o porquê.

Você está sempre resgatando R$8.000,00 por mês para seus gastos pessoais.

Uma bela aposentadoria, hein!? Certamente é um valor muito bom hoje, mas será que continuará sendo bom daqui a 20 anos? Com certeza não vai ser tão bom quanto é hoje, devido à inflação. O capital de R$8.000,00 representa um certo poder de compra na atualidade, mas daqui a 20 anos essa mesma quantia possuirá um poder de compra menor.

Vemos assim que você deveria todo mês pegar um valor maior, que levasse em consideração a inflação do período. Você deve fazer isso de tal forma que o valor que você retire a cada mês possua sempre o mesmo poder de compra. Logo, você não deveria retirar R$8.000,00 do seu investimento daqui a um mês, mas apenas R$4.000,00, pois a taxa de inflação do período é de 0,4% e o valor investido possui o mesmo valor de compra. Observe que o valor investido foi atualizado pela taxa de inflação. Mas será que o valor resgatado também foi atualizado pela mesma taxa?

O valor resgatado daqui a um mês será de R$4.000,00. Mas qual será o valor resgatado daqui a dois meses? Para responder isso veja que daqui a um mês você resgatará R$4.000,00, deixando aplicado R$1.004.000. Depois de mais um mês o valor disponível será de:

F = R$1.004.000,00 . (1,008) = R$1.012.032,00 Mas como você sempre vai deixar aplicado um capital que possua o mesmo poder de compra, você deve deixar aplicado: F = R$1.004.000,00 . (1,004) = R$1.008.016,00 Resumindo, depois de dois meses você terá R$1.012.032,00 aplicado, fará um resgate e deixará apenas R$1.008.016,00. Portanto, o valor do seu saque é de: R$4.016,00 Vemos que daqui a um mês você terá em mãos R$4.000,00 e daqui a dois meses você terá R$4.016,00. Vamos ver qual é o valor monetário atual de cada um desses valores. Encontrando o valor presente do dinheiro que você resgatará daqui a um mês temos: P = R$4.000,00 / (1,004) = R$3.984,06 Agora vamos encontrar o valor presente do dinheiro que você resgatará daqui a dois meses:

Inflação

Podemos concluir que você está sempre resgatando um valor que possui o mesmo poder de compra. Mas poderíamos ter poupado muitas contas se utilizássemos a taxa de juros real para fazer as mesmas considerações.

Queremos saber com quanto teremos de viver a cada mês. Conforme vimos, o valor que teremos disponível a cada mês será R$3.984,06 corrigido pela taxa de inflação.

Vamos agora encontrar a taxa de juros real:

(1 + r) = (1 + i) / (1 + q) r = (1 + i) / (1 + q) – 1 r = (1 + 0,008) / (1 + 0,004) – 1 r = 0,398406 % O valor que teremos disponível para ser usado a cada mês é: J = P . r = R$1.000.000,00 . 0,00398406 = R$3.984,06

Observe que esse é o valor da sua aposentadoria. Todo mês você poderá resgatar R$3.984,06 corrigido pela taxa de inflação.

Observe que consideramos que você deixaria todo o valor que você acumulou para os seus herdeiros. Caso você quisesse gastar todo o dinheiro, o valor disponível para ser gasto todo mês seria maior. Mas você precisaria tomar muito cuidado, pois gastar todo o dinheiro em um certo prazo é perigoso, pois você não sabe ao certo quanto tempo você vai viver.

Fonte: www2.videolivraria.com.br

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