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Maurício de Nassau

Apesar do brilho exterior que a Companhia das Índias Ocidentais aparentava, as dividas atingiam elevadas somas e para cobertura das dividas foi contraído um empréstimo junto aos acionistas da empresa, porém ficou estabelecido que a guerra de pirataria até então praticada só poderia continuar no caso de conseguirem novas fontes de recursos das possessões ultramarinas sobre tudo do Brasil, e o constante estado de gerra em Pernambuco e o desespero que reinava entre os habitantes das capitanias atingida pelas guerrilhas, exigia uma reforma do sistema de governo holandês na Cidade de Recife, após os entendimentos de Frederico Henrique de Orange e os Estados Gerais, foi indicado para ocupar ao cargo de Governador que ia ser criado, o Conde João Maurício de Nassau Siegem, filho de João de Nassau Siegem e de Margarida de Schleswig Holstein nascido em 17 de Junho de 1604 em Dillenburg achava-se portanto em estreita relação de parentesco com a Casa de Orange, portanto o seu avô João de Nassau era irmão de Taciturno, ainda criança foi educado no Liceu de Herborn e cursou as Universidades de Basilea e Genebra, como voluntário se alistou no exercito da República Holandesa, tomou parte da expedição palatina de Frederico Henrique contra Spinola em 1620, bem como na conquista de Goch em 1627, e ainda no celebre assedio de Bois-le-Duc e durante o cerco de Maestricht em 1632 consolidou a sua fama militar na rendição do Forte Schenkenschanz a 4 de Agosto de 1636. Compareceu o Conde João Maurício de Nassau a sessão do Diretório Geral da Companhia da Índias Ocidentais afim de inteirar-se das condições de procurador da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil durante o prazo de cinco de anos.

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Para o novo governo em Recife foi elaborado um regulamento bem minucioso que tornou o Conde Maurício de Nassau em Comandante em Chefe das Forças de Mar e Terra e em Administrador dos Negócios Interiores e como ajudante foram nomeados os senhores Mathijs Van Ceulen, Johan Gijsseling e Adriaen Van Der Dussen que organizaram uma frota de doze embarcações com dois mil e setecentos soldados. Maurício de Nassau, com o desejo incontido de entrar em ação se pós ao mar com os quatros primeiros navios prontos no dia 25 de Outubro de 1636 no porto de Nova Dieppe que em sua companhia seguiam o pregador Franziskus Plante, o médico e naturalista Willen Piso, o astrônomo Geogr. Maregraf e dos irmãos Post (Pieter Post arquiteto e Franz Post pintor).

Devido aos ventos desfavoráveis fizeram com que os navio fossem obrigados a aguardar em Portsmouth a mudança do tempo, e assim foi que só a 23 de Janeiro de 1637 chegou Maurício de Nassau em Recife, onde os holandeses o saudaram com o maior jubilo como o seu salvador na necessidade e desventura. Bem cedo o Governador Maurício de Nassau percebeu em que perigo se encontrava a colônia, pois as enormes dificuldades para dar as capitanias as plenitude de suas capacidades produtoras esgotadas pelas prolongadas guerras, o de acabar com as desavenças entre holandeses e portugueses e o de apaziguar as tribos indígenas atraídas pelas grandes lutas e faze-las voltar aos trabalhos nas roças.

O Governador Maurício de Nassau em sua primeira carta enviada de Pernambuco para a sede da Companhia das Índias Ocidentais manifestou a opinião de que o Brasil criteriosamente administrado poderia vir a ser a melhor fonte de renda da Companhia das Índias Ocidentais, porém para tanto seria necessário expulsar da Nova Holanda as tropas do Conde Bagnuoli e fortificar as fronteiras norte e sul da região contra as incursões do inimigo para que a população pudesse regressar as aldeias abandonadas e retomarem aos seus trabalhos na indústria do açúcar. Tendo Maurício de Nassau recebido um aviso de que o Conde Bagnuoli com uma tropa de quatro mil portugueses e nativos armados haviam se estabelecido em Porto Calvo, e em 5 de Fevereiro de 1637 o Governador Maurício de Nassau marchou contra as tropas do Conde Bagnuoli e na tentativa dos portugueses de deter a marcha das tropas do Governador Maurício de Nassau sobre Porto Calvo, travaram uma luta de quase duas semanas porém o comandante português viu que era inútil prolongar a luta pela defesa, então mandou içar a bandeira branca; muito material de guerra caiu em poder da tropa holandesa a qual se renderam muitos homens. A perda por parte dos holandeses nesta batalha foi realmente pequena porém o Governador Maurício de Nassau teve de lamentar a morte de seu primo Carlos Von Nassau.

Maurício de Nassau

A rígida disciplina das tropas de Maurício de Nassau poupou Porto Calvo de saques e incêndios e para dar aos adversários uma mostra de sua generosidade, ele admitiu a sua mesa os oficiais inimigos prisioneiros e sem perda de tempo os holandeses seguiram no encalço dos espanhóis e portugueses que fugiram para o sul, neste momento Bagnuoli achava inteiramente desanimado com a queda de Porto Calvo e a sua tropa estava toda desordenada, porém a esperança dos holandeses de alcançar os fugitivos na fronteira sul de Pernambuco, ficou frustada devido a travessia do Rio São Francisco, porém os holandeses no intento de levar por diante a sua perseguição, apoderaram-se da Vila de Penedo situada na margem sul do rio São Francisco, porém Maurício de Nassau achou mais prudente desistir deste ponto porque a margem norte do rio oferecia melhor linha de defesa, por isto mandou construir defronte a Vila de Penedo o Forte Maurits, e com o êxito de sua primeira expedição que estendeu o domínio da Companhia das Índias Ocidentais até o rio São Francisco.

E na volta para Recife o Governador Maurício de Nassau tratou de estabelecer sobre bases solida a administração da Nova Holanda, e por isto começou a tomar varias medidas e entre elas; fez executar varias sentenças de morte aos que tinham cometidos roubos ou crimes de morte, aos que tinham praticados delitos de menor gravidade recebiam ordem de expulsão, tomou a iniciativa de cuidar da saúde publica e assistencial da população, onde teve como principal colaborador o medico Willen Piso na construção de um hospital, na fundação de um asilo para pobres e órfãos, deu ampla liberdade de religião, introduziu as leis reguladoras do matrimonio que estava em vigor na Holanda, tornando extensiva aos portugueses e aborígenes, intensificou a fiscalização dos armazéns, nomeou novos intendentes, e no ano de 1637 após ter criado novos cargos administrativo e nomeado novos funcionários e ter efetivado a distribuição das tropas e criado para guarda da Cidade de Recife uma milícia civil. Maurício de Nassau passou a cuidar do maior empreendimento que foi o de restituir ao domínio da Companhia das Índias Ocidentais, a capacidade máxima de produção de açuda, porém para isto era necessário uma grande quantidade de dinheiro, e como Maurício de Nassau bem sabia que não era permitido solicitar dinheiro ao conselho dos XIX.

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Por este motivo, através de um decreto governamental por ele assinado, declarou confiscado todos os engenhos de açúcar que não estivesse produzindo, os quais foram postos a venda no decorrer dos anos de 1637 e 1638, neste período os engenhos de açúcar apresentavam baixas produção, porém para este fato Maurício de Nassau atribuiu que as sistemáticas devastações das plantações praticadas pêlos inimigos, mas também a grande falta de trabalhadores negros escravos, pois o constante estado de guerra havia espalhado pelos quilombos nas matas os escravos que trabalhavam na agricultura e para suprir a falta dos negros escravos na colônia, o Governador Maurício de Nassau resolveu lançar mão de um meio drástico, deu ordem para aprontar uma esquadra que foi composta de nove navios com destino a Guiné, pois o porto de Elmira era o mais importante que os portugueses possuíam para embarque de escravos. A expedição partiu em 25 de Junho de 1637 sob o comando do Coronel Van Koin; quando da chegada da expedição a Elmina as tropas de desembarque foram duramente atacadas por negros a serviço de Portugal, após cinco dias de muita lutas os holandeses fizeram calar a artilharia do forte português. Elmina o baluarte mais importante da costa do ouro caia em poder dos holandeses, a guarnição portuguesa foi autorizada a se retirar livremente para a Ilha de São Tomé, e Elmina recebia então uma guarnição holandesa que ficou sob as ordens do Comandante Militar da Cidade de Recife.

Em Pernambuco Maurício de Nassau continuava as suas lutas e conquistas, assim como a Vila de São Jorge de Ilhéus; fundada em 1530 ao sul da Bahia, e os patriotas portugueses em resposta a este golpe realizaram diversos ataques na zona fronteira de Alagoas em diversas aldeias que foram incendiadas e arrasadas, e como represaria os holandeses penetraram em Sergipe e não deixaram pedra sobre pedra e no Ceará sob o comando do Major Joris Garstman libertou a tribo indígena Tapuias. No início de 1638 chegava uma carta enviada pêlos diretores gerais da Companhia das Índias Ocidentais intimando ao governador a prosseguir em seus empreendimentos, deveria ele tomar para os holandeses a Bahia e com a ajuda de novas tropas e navios. A ordem de preparar uma nova expedição contra uma cidade bem fortificada nada agradou a Maurício de Nassau, justamente no momento em que a colônia mais necessitava de sua presença, porque tudo nela ainda estava no período de desenvolvimento. Tendo em vista a sua intensa atividade durante os primeiros meses de seu governo Maurício de Nassau quase não teve tempo de cuidar de si próprio e de se adaptar ao clima tropical, com isto acessos de febre o levaram por mais de três meses para o leito, e como oficial obediente que era e apesar de todas as duvidas de levar a cabo a missão a ele solicitada, começou a organizar a esquadra para a missão, porém com as notícias chegada a respeito dos inimigos, deixavam entrever probabilidade muito favorável ao êxito da conquista, pêlos fatos de que os portugueses estarem desprovidos de armas e munição e que os soldados recusavam obediência aos seus superiores e se achavam com muito medo dos holandeses, e que os seus maiores desejos eram de ver surgir diante da Bahia a armada espanhola - porém nesta época em Portugal explodia uma revolução dos portugueses contra a Espanha, com isto o rei da Espanha ficava impossibilitado de enviar novas expedições para o Brasil.

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Maurício de Nassau julgando que não deveria esperar por mais tempo, deixou Recife em 8 de Abril de 1638 na firme confiança de levar efeito a rendição da capital inimiga com trinta barcos e um grande número de soldados. E ao penetrar na baia de Todos os Santos os holandeses desembarcaram e ocuparam sem muita dificuldade as praias e com extraordinária rapidez renderam os quatro fortes de defesa da Bahia, mas a esperança de obter a queda da capital, não foi possível alcançar devido ao fato do Governador Pedro da Silva ter entregue o comando da defesa da capital ao Conde de Bagnuoli, que desejava ardentemente reparar a sua honra ferida desde a queda de Porto Calvo, e com grande bravura a cidade foi defendida pelas guarnições militares e por civis, e devido as necessidade do momento na Bahia criou-se uma estreita união entre comandantes e comandados e com isto, quando o clero baiano começou a pregar a guerra santa, todos os cidadãos que podiam pegar em armas vieram acudiram aos serviços de Bagnuoli.

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A artilharia holandesa nas posições conquistada bombardeava constantemente a cidade, porém sem causar grandes perdas para os portugueses, em vista deste fato Maurício de Nassau resolveu tentar um assalto decisivo na madrugada do dia 17 de Maio, porém Bagnuoli tendo conhecimento dos planos do governador holandês, enviou uma força de combatentes em números muito superior do que as dos invasores holandeses. Porém Maurício de Nassau muito fiel as suas tradições de grande guerreiro, nesta batalha se colocou na frente das linhas de combate com grande bravura e coragem, porém devido as grandes perdas e pela aproximação da época das chuvas viu-se obrigado a preparar com cautela a retirada das tropas holandesas e na madrugada do dia 25, velejou rumo a Recife. Após a malograda expedição a Bahia, Maurício de Nassau e os membros de seu conselho solicitaram aos diretores da Companhia das Índias Ocidentais que fossem remetido reforços de tropas e armamento, e instigados pelo Estados Gerais o conselho dos XIX atendendo as solicitações do Governo de Recife, para isto foi confiado ao comandante polonês Cristóvão Artichofsky um regimento de infantes composto de doze companhias e com amplos poderes para poder agir em sua nova missão. Em 20 de Março chegava a Pernambuco o comandante Artichofsky com a sua expedição, Maurício de Nassau e o Alto Comando saudaram a vinda das tropas de auxilio com grande alegria, porém logo foi convertida em amargo dissabor antes a conduta arrogante de Artichofsky. Indignado com os fatos, Maurício de Nassau escreveu uma carta a sede da Companhia das Índias Ocidentais relatando que ele via os acontecimentos como um voto de desconfiança e que não se julgava merecedor, e com o decorrer do tempo a relação entre o Comandante Artichofsky e Maurício de Nassau ia se tornando cada vez mais tensa até chegar ao rompimento entre os dois. Em Maio de 1639 Artichofsky deu conhecimento ao Governador de Recife a minuta de uma carta que pretendia enviar ao Burgo Mestre de Amsterdã Alberto Koenraats. Devido os relatos contido na carta do Comandante Artichofsky, o Governador Maurício de Nassau em 20 de maio convocou os membros do conselho e deu conhecimento do conteúdo da carta aos mesmos e deixou com os membros do conselho a decisão de escolha entre ele e o comandante, estava Maurício de Nassau na firme resolução de renunciar ao seu posto devido aos fatos. Os membros do alto conselho tentaram conciliar as partes contundentes da seguinte forma: ao Comandante Artichofsky foi dado a ele uma licença e enviado a Holanda em Junho de 1639 e mantiveram Maurício de Nassau a frente do Governo da cidade de Recife.

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Com o clima pouco tranquilizador da guerra dos países baixos e pela interferência da França nos negócios alemães e pelo estado de agitação dos Catalões e portugueses foi que o monarca espanhol decidiu desfechar um golpe mortal contra o inimigo mais perigoso - os países baixos, com emprego de duas armadas uma para o Mar do Norte e outra para Pernambuco. Quando no início de 1639 os navios holandeses postados ao longo da costa avistaram e deram sinal da aproximação de uma poderosa esquadra composta de mais de trinta navios na altura de Recife sob o comando de Do Fernando de Mascarenha; Conde da Torre que em sua viagem foi acometido de fortes tempestade e de uma terrível epidemia de febre em parte de suas tropas a borda, que nesta circunstância julgou não estar em condições de levar a efeito a sua missão de atacar a Cidade de Recife, por isto seguiu o seu curso para a Bahia.

Quando chegou a Bahia Dom Fernando de Mascarenhas assumiu o posto de Governador e deu início aos preparativos para a guerra contra os holandeses, com os reforços chegados de Buenos Aires e do Rio de Janeiro e com os navios mercantes disponíveis mandou que fossem transformados em navios de guerra. O governador de Recife não sabia como barrar as tropas organizadas por Matias de Mascarenhas, pois como o efetivo de homens eram muito reduzido e de sua frota de apenas vinte navios sob as ordens de Willen Corneliszoon Loos, e com a Companhia das Índias Ocidentais lhe negando auxílio, devido as suas dificuldades financeiras, Maurício de Nassau com os poucos recursos disponíveis armou a defesa de Recife com os antigos soldados e com os cidades da cidade que se mobilizaram e formaram corpos de voluntários e com grupos de índios amigos, e as guarnições dos pequenos fortes a margem do Rio São Francisco e os destacamentos enviados de Sergipe ficaram incumbidos de repelir as investidas do inimigo, impedindo que os invasores penetrassem no território holandês.

No dia 19 de Novembro de 1639 a armada de Mascarenhas poz-se a navegar e após muita tempestade a armada em 11 de Janeiro de 1640 manobrava entre Itamaracá e a Paraíba quando o seu comandante tentou fazer o desembarque da tropa, o Comandante Willem Corneliszoon Loos tomou-lhe a dianteira e obrigou a entrar em combate, assim começava uma grande batalha naval ao longo da costa de Itamaracá que terminou com os holandeses vitoriosos e devido a morte de Willen Corneliszoon Loos em combate, sendo por isto substituído no comando pêlos imediatos Jacob Huygens e Alderik. que no dia 17 de Janeiro comandaram no litoral da capitania do Rio Grande do Norte um novo ataque a esquadra inimiga, que apesar de sua brava resistência a mesma foi completamente aniquilado em sua capacidade de resistência, uma parte dos navios derrotados encontraram abrigo na enseada do Cabo de São Roque e outros fugiram para as Antilhas e outros escaparam para a Espanha.

A vitoria sobre a frota inimiga encheu Maurício de Nassau e toda a colônia do maior orgulho e após o regresso da esquadra vitoriosa a Cidade de Recife toda a população ocorreu as ruas em grandes festividades e na Holanda a notícia foi recebida com grande orgulho e para comemorar o feito foi cunhada uma medalha comemorativa com a esfinge de Maurício de Nassau, cujo reverso representava uma batalha naval e trazia a inscrição " Deus abateu o orgulho do inimigo em 12,13,14 e 17 de Janeiro de 1640 ", contudo a Nova Holanda continuava a sofrer constante invasões dos inimigos, devido as proteções deficientes das fronteiras que atravessavam o Rio São Francisco; pelo fato aldeias de índios, fazendas e plantações eram novamente envolvidas em saques e incêndios, porém nestas novas investidas os saqueadores não tiveram muitos êxitos devido as derrotas de André Vidal na Paraíba e de Camarão e João Lopes Barbalho ao sul.

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Os navios espanhóis e portugueses que haviam fugido da batalha no Rio Grande do Norte e se refugiados na enseada do Cabo de São Roque desembarcaram todas as forças de terra e seguiram viagem, tendo a frente destas tropas Luiz Barbalho que as conduziu até a Bahia, levando pânico e destruição em sua passagem por diversas vilas e povoados. Maurício de Nassau ficou tão indignado com a fúria devastadora dos bandos incendiários que descediu pagar na mesma forma aos inimigos pois sob o comando de Lichthardt e Jol, uma esquadra foi enviada para a Bahia com ordens de tratar os habitantes dos arredores da Cidade de São Salvador da mesma maneira, aonde apenas fossem poupadas as mulheres e as crianças e devido a esta dura pena a vida econômica da Capitania da Bahia sofreu um pesado golpe que provocou um pânico no Brasil português.

Com esta vitoria de Lichthardt e Joe chegava ao Brasil uma ordem para que os mesmo fossem empregado em outra expedição conta a Bahia porém Maurício de Nassau não queria nem ouvir falar em lutas pois estava iniciando novo período de trégua na colônia e que havia coisas mais importante a executar do que se lançar a uma aventura com um número insuficiente de homens para o êxito, por este motivo o Governador recusava satisfazer o desejo da Companhia das Índias Ocidentais. Em conseqüência dos desgastes com os diretores em 9 de Maio de 1640 o Governador de Recife Maurício de Nassau apresentou o seu pedido oficial de exoneração alegando que como coronel holandês poderia ser mais útil do que como governador no Brasil e que o seu prazo de permanência já havia sido esgotado, porém os Estados Gerais e os diretores não o atenderam ao seu pedido. Em 1 de Dezembro de 1640, ocorreu na Europa um movimento destinado a determinar o fim das hostilidades no norte do Brasil, e que após uma opressão de sessenta anos em que os portugueses sofriam do julgo espanhol que imperava desde o reinado de Felipe IV que se tornara insuportável, é quando e deflagrada a revolução restauradora que separou Portugal da Espanha e elevado ao trono de Lisboa o Duque de Bragança descendente por linhagem materna da antiga Casa Real de Borgonha, a independência portuguesa veio modificar as relações entre as duas nações que até então lutavam no Brasil, Portugal anteriormente amigo e aliado da Espanha tornou-se amigo e aliado natural dos inimigos da Espanha, para Dom João IV uma aliança com a Holanda tão poderosa no mar era necessariamente imprescindível se ele quisesse sustentar o seu reino contra a pressão da Espanha, porém teria de elucidar as relações sobre as possessões colônias ultramarinas.

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Em 14 de Março de 1641 aportou em Recife uma caravela portuguesa conduzindo o novo Vice Rei em São Salvador Dom. Jorge de Mascarenhas Marques de Montalvão sucessor de Dom Fernando de Mascarenhas fidalgo português a serviço da Espanha para fazer a comunicação oficial ao Governador Maurício de Nassau dos acontecimentos ocorridos em Lisboa e com uma proposta de armistício. Neste momento na Cidade da Bahia já se prestavam obediência ao novo Vice Rei Dom João IV pois as tropas já se encontravam desarmadas, os corpos de guerrilheiros já tinham recebido ordens para não mais cruzarem as fronteiras da Nova Holanda.

A confirmação da revolução portuguesa foi recebida com muito jubilo por toda as partes do Brasil-Holandes e o novo reino português encontrou em toda Europa um total reconhecimento e os adversários do reino espanhol reconheciam que a partir deste momento as coisas estavam mudando na península ibérica, principalmente os holandeses que esperavam tirar grandes vantagens devido a fraqueza de seus inimigos espanhóis e por conta deste fato e que em Maio de 1641 os Estados Gerais resolveu ampliar as suas ligações quando enviou em auxilio de Lisboa uma frota de navio de guerra e recomendaram a Maurício de Nassau para que aproveitasse da situação favorável para efetuar novos ataques contra as colônias espanholas, e os diretores da Companhia das Índias Ocidentais exigiram de Maurício de Nassau que ele empreendesse uma nova ofensiva e que conquistasse tudo aquilo que pudesse conquistar antes da celebração de um pacto de paz entre a Holanda e Portugal.

E devido as ordens recebidas o Governador Maurício de Nassau demonstrou que também era um bom diplomata, pois recusou-se a empreender um novo ataque a Bahia pois julgava ser o fato um inútil desperdiço de força, apenas limitou-se a guarnecer a capitania de Sergipe e ponderou aos diretores da Companhia das Índias Ocidentais de que não era a Bahia que deveria ser atacada e sim Angola, pois as vantagens de uma expedição traria a Nova Holanda maiores lucros devido ser em Angola o maior mercado de escravos da costa oeste do continente negro, e com o renascimento da cultura de cana de açúcar em Pernambuco se fazia necessário cada vez mais de um número maior de escravos, e enquanto não houvesse uma comunicação oficial de que esta colônia espanhola tivesse sido restituída a Portugal a sua tomada não afetaria as negociações de paz entre a Holanda e Portugal. Uma expedição comandada pelo Almirante Joe composta de vinte e um navios rumou para São Paulo de Luanda capital de Angola aonde chegou em 21 de Agosto de 1641.

Quando o governador da cidade pensando ser os mesmos navios mercantes espanhóis que vinham buscar escravos, não ofereceu resistência, com isto as tropas holandesas puderam fazer o desembarque e se apoderarem da estrada real e penetrarem em São Paulo de Luanda antes que os fortes do porto e as baterias pudessem romper fogo, com isto todas as cidadelas capitularam antes aos holandeses.

Após esta conquista o Comandante Joe dirigiu-se com parte de sua frota para o Golfo de Guiné e conquistou a Ilha de São Tomé, rica em açúcar e para assegurar as suas plantações contra saque, os abastados plantadores firmaram um acordo com o Comandante Joe de um pagamento de certa soma em dinheiro e da entrega de vultosa quantidade de açúcar com isto adquiriram o direito de conservar as suas propriedades rurais sob as ordens da Companhia das Índias Ocidentais, porém a alegria dos holandeses de permanecerem na Ilha de São Tomé não durou por muito tempo, pois os soldados desembarcados na Ilha de São Tomé começaram a morrer de febre e a epidemia se estendeu para os navios holandeses onde veio a falecer em 31 de Outubro o Comandante Joe, porém antes do regresso da expedição o sucessor do Comandante Joe ocupou a Ilha de Ano Bom. Devido ao estado consternado da Ilha de São Tomé, muito dificuldade teve o Governador Maurício de de Nassau em achar elementos que quisessem desempenhar qualquer cargo na administração daquela ilha açucareira e por este motivo o governador viu-se obrigado a transformar a Ilha de São Tomé em uma colônia presidiaria, e remeter para ela todos indivíduos culpados de ter acometido qualquer delito, e propôs a diretoria da Companhia das Índias Ocidentais a anexação de Angola, da Ilha de São Tomé e da Ilha de Ano Bom na Nova Holanda, e sujeitar todos estes territórios a uma administração comum, pois a dependência da vida econômica pernambucana da importação de um número muito grande de negros impunha uma estreita ligação entre o norte do Brasil e Angola, e por este motivo sendo estes territórios administrados em Recife traria uma grande economia de recurso para a Companhia das Índias Ocidentais e além do mais Pernambuco ficava mais perto das novas conquistas do que Amsterdã e que não deveriam-se de esquecer que Pernambuco foi quem fizera as conquistas das colônias espanholas por tropas holando-brasileiras.

Por mais que os altos poderes da Companhia das Índias Ocidentais se interessassem pelo projeto eles não deram atenção aos pedidos do Governador Maurício de Nassau, eles desejavam administrar as colônias separadamente os territórios americanos dos africanos por temerem que o Governador Maurício de Nassau rompesse os laços com a Companhia das Índias Ocidentais e fundasse um principado independente nos trópicos, porém o governador nesta época estava apenas querendo tirar proveito da situação para aumentar o domínio colonial holandês, por este motivo e que em Outubro de 1641 ordenou que uma esquadra composta de dezesseis navios sob o comando de Lichthardt e Koin partiram para conquistar a capitania do Maranhão, que sem muito trabalho a esquadra penetrou no porto de São Luiz, a cidade se rendeu sen a menor resistência e logo as tropas holandesas apoderaram-se da cidadela quase indefesa e desta maneira em fins de Novembro de 1641 foi o Maranhão incorporado ao domínio holandês, enquanto se dilatava os domínios da Companhia das Índias Ocidentais, o negociador português Mendonça Furtado fora enviado a Holanda em 12 de Junho para firmar com os Estados Gerais um tratado de aliança ofensiva e defensiva contra a Espanha. Nesse ajuste foi assegurado a Dom João IV o envio de uma forte esquadra auxiliadora e foi permitido a ele aliciar os países baixo e para as colônias foi estabelecida uma trégua nas hostilidade por dez anos, que nas Índias Orientais só entraria em vigor um ano depois da devida ratificação e nas Índias Ocidentais logo após a proclamação oficial. O Rei Dom João IV de Portugal só ratificou o tratado a 18 de Novembro de 1641 apesar de se achar declarado que se deveria ser ratificado em Lisboa até 12 de Setembro.

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