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Invasões Holandesas em Pernambuco e o Quilombo dos Palmares

Durante cerca de 94 anos , a região dos Palmares, em Alagoas e Pernambuco, foi alvo de investidas holandesas e portuguesas para ali destruir o grande Quilombo dos Palmares, uma confederação de mocambos .Estes eram os povoados dos escravos fugidos dos engenhos e fazendas que ali foram se reunindo, prosperando e desfrutando da liberdade que a Escravidão lhes tolhia.

O Quilombo dos Palmares ocupou uma faixa de terra de cerca de 200 km, em grande parte montanhosa e coberta de espessa mata, paralela ao litoral e que se estendia do Cabo Santo Agostinho em Pernambuco, até o rio São Francisco em Alagoas.

Os Palmares eram atravessados por 9 rios que alimentavam uma mata fechada e por via de conseqüência a fertilidade do solo.

A mata e a montanha na Serra da Borborema tornavam o Quilombo dos Palmares de difícil acesso, proporcionando seguro abrigo a seu povo e, além, terreno ideal para a defesa a base de guerra de guerrilhas ,com táticas indígenas e africanas integradas e que ali foi denominada Guerra do Mato.

O Quilombo dos Palmares cresceu em número que estatísticas imprecisas avaliam em 6.000 a 20.000 quilombolas, incluindo neste número mulatos, índios, ex-escravos e supõe-se até brancos com dívidas com a Justiça.

A concentração foi facilitada pela desintegração da economia nordestina em especial por estarem as autoridades luso-brasileiras da área voltadas para o combate às invasões holandesas em Pernambuco e Alagoas 1630-54.

Depois da expulsão dos holandeses, as administrações coloniais, de Pernambuco e Olinda, não puderam controlar o Quilombo dos Palmares e nem com o auxílio dos senhores de engenho, também em sérias dificuldades. Pois estes foram obrigados a contrair empréstimos com comerciantes do Recife – os Mascates – circunstância que daria origem a Guerra dos Mascates, entre a Aristocracia, canavieira, falida, e os portugueses no Recife ,em 1710, decorridos 16 anos da destruição do Quilombo dos Palmares.

Sem meios para reduzir o Quilombo dos Palmares ele foi se expandindo em aldeias diversas ou mocambos. Entre eles se destacaram: O Macaco, a capital dos Palmares e o maior (ficava na localidade de União dos Palmares - AL), o combativo e agressivo Subupira, e os Tabocas, Oranga, Zumbi, Amaro, Odenga, Aqualtume, Andalquituxe etc

A ameaça representada por Palmares

Para o Conselho Ultramarino em Portugal e a economia do Nordeste com apoio no cultivo do açúcar, o Quilombo dos Palmares constituía-se em uma ameaça assim vista à nível estratégico.

- Se constituir Palmares estímulo permanente a fuga de escravos, que eram ao mesmo tempo capital e força de trabalho dos engenhos e fazendas.

- Se constituir Palmares em base de partida e de abrigo de expedições destinadas a atacar fazendas, engenhos e vilas, inclusive para o seqüestro de mulheres escravas e obtenção de pólvora e sal e para a libertar outros escravos .Disso decorreria insegurança geral e prejuízos enormes ao desenvolvimento regional, pois os fazendeiros, senhores de engenho e governo não se conformavam com a existência de Palmares. E toda a oportunidade possível enviavam expedições contra Palmares. Os habitantes do Quilombo ,antes mesmo da chegada da expedição sair para atacá-los já estavam sabendo. E se embrenhavam nas matas da Serra da Borborema até melhores dias.

- A possibilidade levantada de o Quilombo dos Palmares se constituir em Tropa Negra capaz de vir a dominar militarmente, com apoio dos escravos revoltados, as cidades de Recife, Maceió, Porto Calvo e Penedo, pois já havia precedentes neste sentido com os franceses na Antilhas.

- Compararem a ameaça quilombola de Palmares, como de igual perigo que a representado pelos holandeses ,para a manutenção da Unidade do Brasil.

Objetivos conflitantes

Mas em realidade o objetivo dos quilombolas era a defesa do Quilombo para continuarem a desfrutar de um bem precioso e vital – a liberdade, no contexto de uma colônia onde vigorava a Escravidão, com apoio legal.

A estratégia de Portugal no combate aos Quilombos objetivava manter a Unidade do Brasil e a preservar o Estatuto da Escravidão.

E foi contra este Estatuto que surgiria e se imporia a liderança de Zumbi, conhecido hoje, como o Mártir da Abolição da Escravatura do Brasil e Patrono Cívico da Negritude Brasileira, a semelhança de Tiradentes, Mártir da Independência e Patrono Cívico do Brasil .

O perímetro fortificado dos Palmares

Para defender Palmares e assegurar a liberdade de seus habitantes, o Quilombo foi progressivamente fortificado.

O perímetro fortificado do mocambo capital – o Macaco ,era constituído por uma dupla muralha de pau a pique, com vários baluartes e somente três portas de acesso fortificadas. Era protegido à distância por postos de observação ,sobre vias de acesso ao recinto .

O Quilombo era atravessado por 5 rios ricos em peixes. Em seu interior plantavam milho, feijão e mandioca e criavam galinhas e porcos.

A retaguarda do mocambo – capital Macaco erguia-se o palácio do chefe do Quilombo . E protegendo-o à retaguarda uma alta escarpa inacessível da Serra da Barriga e que servia de torre de vigilância longínqua do terreno ao redor. Este local é hoje a cidade de União dos Palmares.

O quilombo vivia da agricultura, caça e pesca e obtinha armas e munições com portugueses com quem mantinham negócios.

Estes interesses comerciais dos portugueses com eles, contribuíam para as suas proteções e dos negócios dos traficantes que os alertavam de expedições punitivas contra eles, com bastante antecedência.

Em épocas de tensões ,por previsíveis ataques ao Quilombo, eram feitas chamadas a tarde.

Militarmente havia entre eles uma bem ordenada hierarquia militar.

A hierarquia decorria do seguinte sistema: os mocambos eram chefiados inicialmente por chefes com sangue nobre da África. Depois passou a ser exercido pelos mais capazes.

Um deles coube a chefia à princesa Aqualtume, a cujos descendentes estaria ligada a liderança o Quilombo ,depois da expulsão dos holandeses, para a qual , o Quilombo contribuíra indiretamente por fixar para o seu controle, expressivo contingente batavo.

Dois filhos de Aqualtume Ganga Zumba e Gana Zona, assumiram a liderança de dois dos mais expressivos mocambos.

O líder que sucederia Ganga Zumba, na liderança do Quilombo dos Palmares, seria o seu sobrinho Zumbi, neto da princesa Aqualtume como se verá . Isto em razão de uma disputa de liderança entre Ganga Zumba, que aceitou uma proposta da Administração Colonial que implicava em prender e devolver a Pernambuco todos os quilombolas não nascidos em Palmares.

Zumbi que se intitulou um rei, se opôs. Ganga Zumba seria envenenado e a luta continuaria até a destruição total de Palmares ,seguida mais tarde da prisão e execução sumária de Zumbi, como se verá.

As expedições contra o Quilombo dos Palmares

Em 1644, quando os luso-brasileiros preparavam a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês estes atacaram duas vezes os Palmares.

A primeira expedição foi de Rodolfo Baro. Ao se aproximar dos Palmares as sentinelas do Quilombo deram o alarma geral. Os defensores rapidamente dificultaram a progressão da expedição holandesa derrubando árvores (abatizes) que detiveram a expedição nas portas de um mocambo. Ato contínuo, a expedição foi atacada em todas as direções. Vendo perigar toda a sua expedição vítima das lanças e flechas, Baro ordenou a retirada.

A segunda expedição holandesa foi ao comando de João Blaer. Foi preparada cuidadosamente.

Esta expedição seria vítima de uma doutrina militar guerreira, desenvolvida pelos palmarinos. Era a Guerra do Mato, em realidade uma guerrilha, cuja estratégia era a seguinte.

Quando os holandeses atacavam, os defensores de Palmares recuavam. Quando os holandeses paravam eram atacados, em incursões relâmpagos. E esta estratégia perdurou por cerca de 3 meses, sem que os palmarinos oferecessem combate. O próprio tempo e o terreno hostil se encarregaram de desgastar Blaer e seus homens que retornaram a Recife, tendo só destruído um pequeno mocambo.

As duas expedições ocorridas às vésperas da Insurreição Pernambucana, convenceram os holandeses de que seria necessária uma grande expedição para destruir Palmares. E abandonaram a idéia mesmo em razão do início da Insurreição Pernambucana em 1645

Nesta época por ali havia passado por terra, de Salvador às matas do Pau Brasil, em Pernambuco, para preparar secretamente o Exército Patriota, o Sargento Maior (Major) Antônio Dias Cardoso o Mestre das Emboscadas e da Guerra Brasílica, que possuía semelhanças com a Guerra do Mato, usada por Palmares. Chefe que estudamos em As Batalhas dos Guararapes – Análise e descrição militar (Recife: UFPE, 1971. 2 v.) e hoje patrono do Batalhão de Forças Especiais do Exército .

Durante o período da Insurreição Pernambucana 1645-54 o Quilombo dos Palmares foi deixado de lado pelos holandeses e pelos luso-brasileiros.

Com o fim da guerra em 1654 , a concorrência do açúcar da Jamaica provocou uma decadência econômica do Nordeste canavieiro.

Assim ,o Quilombo comerciou internamente com as vilas de Serinhaem, Porto Calvo, Penedo e Alagoas. O Quilombo fornecia produtos agropecuários, caça e pesca em troca de ferramentas, armas de fogo, pólvora e sal.

Até 1668, por cerca de 23 anos, continuou o Quilombo dos Palmares rechaçando fracas expedições sem o auxílio estatal de Pernambuco que estava impotente para uma ação de envergadura.

Em 1668 fazendeiros de Alagoas e Porto Calvo celebraram um Tratado de União Perpétua que objetivava ,com apoio em poderosa tropa a ser mobilizada:

- Usar os alimentos encontrados nos mocambos para alimentar a expedição.

- Que os palmarinos capturados que pertencessem aos moradores de Alagoas (Maceió) e Porto Calvo seriam devolvidos mediante indenização de 12.000 réis, a qual ficaria reduzida a metade se o palmarino se entregasse voluntariamente.

- Venda dos demais, em leilão, menos os menores de 12 anos.

- Pena capital para os palmarinos culpados de assassinatos e roubos contra fazendas .A vila de Serinhaem aderiu ao Tratado! O projeto ficou no papel.

Em 1669 o governo de Pernambuco determinou que os escravos recapturados seriam vendidos para outros locais do Brasil.

Mas a procissão para os Palmares de escravos fugidos se acelerou e o Quilombo, em 1670, decorridos mais de 70 anos, atingiu o seu apogeu.

A luta oficial contra Palmares

Em 1671, teve início a luta oficial do Governo de Pernambuco contra Palmares. O Capitão André da Rocha e depois o Tenente Antônio Jácome Bezerra capturaram 200 quilombolas. O tenente Bezerra foi promovido a coronel.

Esta expedição oficial, foi o início do fim do Quilombo!

Em 1676, forte de 600 homens, o agora Coronel Bezerra atacou Palmares. Destruiu vários mocambos e roças de subsistência.

Mas um vigoroso contra-ataque de Palmares, cercou parte de sua tropa que foi toda massacrada. Estas perdas e deserções o obrigaram a retornar ao Recife.

Como vingança, uma expedição de Palmares atacou Porto Calvo e incendiou canaviais. O Capitão Mor de Porto Calvo atacou Palmares e destruiu um mocambo com 700 choupanas. E a guerra chegou a Palmares!

Em 1674 o Governo de Pernambuco enviou outra forte expedição composta de soldados, índios, mestiços e negros do Batalhão de Henrique Dias, que se destacara com seus soldados negros nas Batalhas dos Guararapes (vide op. cit.). Mas o Quilombo resistiu a investida com pesadas perdas.

O Governo estabelece uma base no Quilombo

Em 1675 o Governo de Pernambuco enviou outra expedição ao comando do Sargento Mor (major) Manuel Lopes que atacou um mocambo com mais de 2.000 moradias e deparou com uma capela onde era praticado o sincretismo religioso cristão e divindades africanas.

A estratégia da expedição foi conquistar e se instalar no mocambo, protegido por muralhas de pau a pique, depois de obrigar seus habitantes à retirada, seguida do incêndio do mocambo.

Decorridos 5 meses, os guerreiros do Quilombo se reorganizaram à distância de 25 léguas da base de Manuel Lopes. Este foi a procura do combate que se desenrolou violento. Manuel Lopes se manteve senhor de sua base de partida agora um arraial. Mas inquietado pela guerrilha palmarina e carente de munição de boca pediu reforços. Foi reforçada por Fernão Carrilho experimentado em lutas contra quilombos fora de Palmares.

Fernão Carrilho reuniu líderes das vilas de Pernambuco e Alagoas interessados em destruir o Quilombo. Pretendeu organizar uma dispendiosa expedição com 200 arcos e 100 mosquetes e não conseguiu. Atacou sem sucesso o Quilombo dos Palmares e retornou ao Recife.

Atacados os mocambos dos líderes do Quilombo

Em 1677 Carrilho voltou a atacar. O objetivo desta vez foi o mocambo da velha princesa Aqualtume, avó de Zumbi. O segundo ataque foi contra o mocambo Subupira de Gana Zona, filho de Aqualtume e tio de Zumbi, cuja liderança já se impusera como grande guerreiro e esclarecido político.

Mas Carrilo encontrou Subupira destruído pelo fogo, pelos seus defensores. E neste lugar ele estabeleceu a sua base militar e de partida para raids relâmpagos sobre outros mocambos.

No mocambo Amaro, eliminou em sangrento confronto grande quantidade de seus habitantes entre eles Toculo, um filho de Ganga Zumba, de uma sua ligação poligâmica, prática ali comum. Foi preso o irmão de Canga Zumba – Gama Zona e mais 2 filhos deste, Zambi e Acaiene.

Um arraial no coração dos Palmares

Carrilho fundou no coração de Palmares o arraial de Bom Jesus e a Cruz e ficou convicto de que havia destruído o Quilombo dos Palmares.

O Governo de Pernambuco procurou integrar à Colônia Palmares os habitantes Palmares através de uma povoação portuguesa.

Canga Zumba, o rei do Quilombo, vendo nisto possibilidade de paz e progresso para seu povo, enviou, em 1678, seus emissários ao Recife. E lá aceitou a seguinte proposta de paz.

Os governadores de Pernambuco propuseram os seguintes termos para a Paz com o Quilombo dos Palmares:

1 – Que escolhessem o local para suas habitações e plantações.
2 –
Que em 3 meses se recolhessem ao local que escolheram.
3 – Liberdade para os negros nascidos nos Palmares, conforme proposta do rei Ganga Zuma.
4 – Que fossem restituídos pelo Quilombo os escravos que haviam fugido dos engenhos e fazendas.
5 – Que poderiam comercializar e relacionar-se com os brancos.
6 – Que teriam o status de vassalos do Rei e obedeceriam as ordens do governador de Pernambuco.
7 – Que o rei negro Ganga Zuma seria nomeado mestre de campo( coronel) de toda a sua gente e seria o responsável pela ordem entre os negros.

E teve início um confronto de lideranças. Zumbi, o sobrinho do rei Ganga Zumba, não se conformou com a cláusula 4 do Tratado, embora nascido em Palmares. Queria liberdade geral e irrestrita para todos os palmarinos .E não restrita!

Zumbi agora rei dos Palmares

O confronto entre o agora Mestre de Campo Ganga Zuma e os ideais de Liberdade de Zumbi prosseguiu. O rei Ganga Zuma foi envenenado pela corrente de Zumbi , o qual , em conseqüência assumiu a liderança como rei dos Palmares.

E a guerra dos Palmares recomeçou cruel e sangrenta , com liderados de Zumbi privados de pólvora e armas de fogo.

Em 1680 o Capitão Mor André Dias atacou Palmares e só conseguiu destruir uma fortificação no outeiro da serra da Barriga.

Zumbi foi convidado a reintegrar-se e foi chamado até de Capitão Zumbi. Mas resistiu nas matas, usando a guerrilha – ou a Guerra do Mato.

O paulista Domingos Jorge Velho entra em cena

O Governo de Pernambuco recorreu então ao bandeirante Domingos Jorge Velho ,experimentado no combate à Guerra do Mato, no Piauí.

Em 1691, Domingos Jorge Velho, forte de mais de 1000 homens, atacou o mocambo capital dos Palmares – o Macaco e atual cidade de União dos Palmares-AL.

Mocambo que só capitularia depois de 3 anos de sitiado e 22 dias de sangrentos combates. Conquista que provocou a queda pela manobra de todo o Quilombo de Palmares depois de quase um século em que tivera início .

O fim do Quilombo de Palmares

Zumbi liderou a resistência derradeira em Macaco, contra Jorge Velho e Bernardo Vieira de Mello .Estes mandaram erigir uma paliçada protetora da trincheira de 600 metros de comprimento, frente a paliçada dupla do mocambo Macaco.

Zumbi liderou pessoalmente o contra ataque contra duas investidas de Jorge Velho e Vieira de Mello.

Os defensores usaram todos os recursos para a defesa, inclusive água fervente, obrigando os atacantes a um retraimento.

Zumbi convocou todos a morrerem pela liberdade. As cenas foram inusitadas. Atacantes foram pescados com ganchos de madeira e estrangulados pelos defensores mais fortes.

A paliçada atacante foi reforçada. E foram infrutíferos os ataques à fortaleza de Macaco ,nos dias 23 a 29 de janeiro de 1694, sem o auxílio de Artilharia.

Artilharia contra o Quilombo

Os atacantes receberam reforços do Recife e sitiaram os 3 lados da fortificação do quilombo Macaco, cujo 4º lado era um precipício inacessível.

E o Macaco foi sitiado por completo, mas dispunha de água e alimentação para resistir do cerco – agora total.

Na madrugada de 6 de fevereiro de 1694 o mocambo Macaco foi despertado por tiros de canhão que abriram brechas na sua tripla paliçada. Por elas os atacantes penetraram, obrigando os líderes de Zumbi a tentarem escapar por saída junto ao precipício, no qual encontram a morte os que ali se jogaram ou foram jogados em número estimado de 200. Zumbi conseguiu romper o cerco ferido por 2 tiros.

E a luta a campo aberto, não era o forte dos Palmarinos. E ela se transformou num massacre cruel. Ao nascer do sol só se viam feridos e mortos. O corpo de Zumbi foi procurado, mas não encontrado, contrariamente ao que diz a lenda e afirmaram respeitados autores.

Em 20 de novembro de 1695, decorridos cerca de 22 meses, aos 40 anos, Zumbi ,com apoio na traição de um velhos palmarino, foi localizado, surpreendido, cercado e atacado , pelo bandeirante André Furtado de Mendonça e com resistência a prisão até a morte, junto com 20 de seus guerreiros .

André Furtado mandou cortar a cabeça de Zumbi e a enviou ao Recife para ser espetada em praça pública, para exemplo e mostrar que o herói que Zumbi se tornara para os escravos havia de fato morrido.

Hoje, projetado no tempo, a luta de de Zumbi de combate a escravidão , causa pela qual deu a vida, foi dia de sua morte, como justiça na voz da História do Brasil, consagrada como o Dia da Consciência Negra.

Este fato histórico gerou milhares e milhares de páginas de documentos, livros, artigos e debates.

A presente interpretação, síntese, objetiva evidenciar uma luta interna de grande intensidade e duração, aqui estudada do ponto de vista da História Militar Terrestre do Brasil.

Justo na área em grande parte coincidente com a do Quilombo dos Palmares seria palco quase século e meio mais tarde da Revolta dos Cabanos de Alagoas e Pernambuco, cuja motivação ,que talvez permanecesse no inconsciente coletivo da população da área, era a de restaurar o Reinado de D. Pedro I.

Revolta esta cuja pacificação foi bem administrada pelas autoridades de Pernambuco e Alagoas , as quais, no campo militar ,usaram um cerco que foram apertando aos pouco e do qual resultou a pacificação da revolta com bem menas vítimas do que um confronto destruidor e mortífero para ambos os contendores

Lição preciosa não aproveitada para ser usada na Guerra de Canudos ocorrida próximo cerca de 60 anos mais tarde e aproveitada pelo General Setembrino de Carvalho para por fim a Revolta do Contestado no Paraná e Santa Catarina em 1912-16 ,utilizando a estratégia do cerco á distância .

Francisco – o Zumbi dos Palmares 1655-1695

Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares 1678-1695, por um período de 17 anos, dos 23 aos 40 anos de idade, e até a sua morte, nasceu em 1655, no Quilombo dos Palmares.

Na primeira expedição que o Governo de Pernambuco enviou a Palmares, entre os prisioneiros feitos estava o menino Zumbi.

Ele foi entregue ao padre Antônio Melo, português que o batizou, criou , alfabetizou e deu-lhe o nome de Francisco.

Em 1670 ,aos 15 anos, Zumbi fugiu para o Quilombo dos Palmares quando este atingiu o apogeu .E em pouco tornou-se um líder político e militar e assumiu a liderança militar do Quilombo, em razão de sua cultura e valor guerreiro.

No ano seguinte o Governo de Pernambuco iniciou o combate oficial a Palmares.

E Zumbi afirmou a sua liderança como guerreiro e político destacado no combate às expedições do Capitão André da Rocha e Tenente Antônio Jacome Bezerra.

Em 1676, aos 21 anos, participou do sangrenta e feroz contra ataque à tropa do agora Coronel Bezerra, do que resultou um grande massacre da expedição ,além das mortes e muitas deserções.

Zumbi participou do ataque vingativo a Porto Calvo e do incêndio de canaviais.

Em 1674 enfrentou a expedição chefiada pelo negro Mestre de Campo ad honorem Henrique Dias, herói das batalhas dos Guararapes. Participou das lutas contra a expedição do Sargento Mor Manuel Lopes que transformou um mocambo conquistado ,em base do governo no interior do Quilombo.

Em 1677 combateu as tropas de Fernão Carrilho que atacaram o mocambo de sua avó Aqualtume e o de seu tio Gana Zona ,a partir da base de Fernão Carrilho. Nesta ocasião foi preso o seu tio Ganga Zona e seus primos irmãos Zambi e Acaune e morto outro primo Toculo, filho de seu tio Ganga Zumba – o Rei do Quilombo.

Em 1778, aos 23 anos Zumbi liderou a revolta contra seu tio e rei do Quilombo, o Ganga Zamba que terminou envenenado por haver aceito um fim da guerra com a liberdade restrita só aos nascidos no Quilombo.

Em conseqüência, Zumbi, aos 23 anos, assumiu a liderança de Palmares e continuou a lutar contra a Escravidão, ou a favor da liberdade dos palmarinos não nascidos no Quilombo.

Em 1691, aos 36 anos liderou a reação a Domingos Jorge Velho que conseguira atingir o mocambo capital – o Macaco. Sua reação foi tão efetiva que obrigou a expedição retirar-se para Porto Calvo.

Zumbi –rei era o maior herói para o povo dos Palmares. Sua lenda atingiu as senzalas de Pernambuco e Alagoas.

"Relacionamento com os holandeses"?

Os holandeses em 9 de maio de 1624, com uma esquadra de 26 navios e 3.300 homens, adentraram a Bahia de Todos os Santos e ocuparam a Cidade do Salvador, onde ficaram até 30 de abril de 1625, quando foram expulsos com a chegada de uma esquadra luso-espanhola.

Em 1630, os holandeses d'uma Companhia das Índias Ocidentais desembarcam e ocupam Olinda. Fundam Recife e ocupam grande parte de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, invadindo também Sergipe. Ficam em Pernambuco até serão derrotados nas duas batalhas de Guararapes e retirarem-se em 1655.

Ainda em 1630 e 1647, esquadras holandesas assaltaram a Cidade da Bahia (ou Salvador) mas permaneceram pouco tempo, sendo logo expulsos.

Veja o histórico deste período:

União Ibérica (1580-1640)

O fim da Dinastia Avis, com as mortes de D.Sebastião (1578) e D. Henrique (1580) deixou um vazio na sucessão.

Aproveitando-se de parentesco, da força e do suborno, Filipe II, rei da Espanha, anexou Portugal.

Foi a União Ibérica, período em que Espanha e Portugal ficaram unidos sob um a mesma Coroa.

Pelo Juramento deTomar (1581), Filipe II garantiu que Portugal receberia tratamento de nação unida à Espanha, e não de área conquistada.

Na mesma época, a Holanda com forte burguesia calvinista alcançava sua independência em relação a Espanha católica de Filipe II.

Invasões Holandesas

O conflito com a Holanda levou Felipe II a proibir a presença holandesa na economia açucareira do Brasil colonial.

Em 1621, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais com o objetivo de controlar o Nordeste açucareiro.

A primeira invasão ocorreu na Bahia (1624/25) de onde foram expulsos.

Melhor organizados e com o apoio de Calabar a segunda tentativa (1630), em Pernambuco, deu certo. Em 1635, foi eliminada a resistência.

O Governo Nassau (1637-1644)

Para administrar o Brasil holandês foi enviado Maurício de Nassau.

Destinado a garantir um bom convívio com os brasileiros e o crescimento da produção, tomou as seguintes medidas:

Apesar de bom governo, Nassau entrou em choque com a Companhia das Índias Ocidentais. Acusado de desvio de verbas, em 1844, foi obrigado a retornar a Holanda.

Insurreição Pernambucana (1644-1654)

Em 1640, Portugal obteve a restauração através de D. João IV (início da Dinastia Bragança).

Esgotado financeiramente, o governo português assinou uma trégua de 10 anos com a Holanda, que não foi respeitada.

A saída de Nassau trouxe uma nova administração. Em vez de tolerância, a Holanda passou a cobrar os empréstimos e a confiscar fazendas.

Insatisfeitos, os fazendeiros incentivaram a revolta. Foi a Insurreição Pernambucana (1645-1654) que expulsou os holandeses do Brasil.

Impossibilitado de apoiar a revolta, Portugal foi favorecida pela guerra entre Inglaterra e Holanda na disputa marítima.

Conseqüências

A principal conseqüência, após a expulsão dos holandeses foi a concorrência antilhana resultando na decadência da economia açucareira.

Além disso, durante a União Ibérica, as guerras espanholas resultaram na perda de colônias portuguesas. O Brasil tornou-se a grande fonte de renda lusitana.

Enfraquecido economicamente, Portugal ampliou a dependência financeira em relação a Inglaterra. Destacou-se o Tratado de Methuen. onde Portugal comprava todos os panos de lã e vendia vinhos aos ingleses. Paralisando a industrialização portuguesa, os ingleses nesta injusta troca acabaram beneficiando-se do ouro brasileiro.

No Brasil, a opressão colonial aumentou.

Para garantir o monopólio comercial foram criadas Companhias de Comércio:

- Companhia Geral do Comércio do Brasil (1647-1720) , teve o monopólio do Rio Grande do Norte ao Sul.

- Companhia do Comércio do Estado do Maranhão (1682-1685), teve o monopólio acima do Rio Grande do Norte.

As companhias impuseram altos preços aos seus produtos e redução dos preços coloniais.

Veja mais este texto:

A curta passagem dos holandeses pelo Brasil foi marcada por um grande avanço não só do comércio ultramarino, mas também nas área da cultura, ciência e tecnologia. Foi também um período tumultuado nas questões políticas e sociais, no período de 1624 a 1654.

Por três oportunidades, os holandeses procuraram firmar sua presença no Brasil. Duas desastrosas tentativas na Bahia, nos anos de 1624 e 1638 e uma transitoriamente bem sucedida em Pernambuco, em 1630. Essas localidades foram os principais marcos definidos pela estratégia militar holandesa que se utilizou de uma empresa, com o privilégio de comercializar na América e África à semelhança do que já ocorria no Oriente. Essa empresa denominada Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais (Geoctroyerde Westindische Compangnie) objetivou uma ocupação de parte da maior colônia luso-espanhola das Américas. Com o privilégio de exploração por 24 anos, logo reuniram-se recursos de origem preponderantemente judaica, no valor de sete milhões de florins, tornando-se uma sociedade de grandes negociantes dessa religião.

A idéia dessa iniciativa ocorreu em uma das reuniões do Conselho dos XIX - dessa Companhia dos Países Baixos, visto que, após a incorporação de Portugal à Coroa de Castela em 1580, os holandeses sentiram-se prejudicados e ameaçados - uma vez que cidades como Lisboa, Porto e Viana suspenderam seu comércio de produtos exóticos, madeira, tabaco e açúcar, passaram, então, a atacar os domínios da coroa espanhola, na África e no Novo Mundo, priorizando o contato direto com fontes produtoras na América. Na verdade a Companhia tinha por objetivo principal o da exploração do açúcar.

A Companhia das Índias Ocidentais preparou uma esquadra de 36 navios com 1600 marinheiros e 1700 mercenários que, sob o comando do almirante Jacob Willekins dirige-se ao Brasil e, em 9 de Maio de 1624, invade a Bahia. No porto, encontravam-se 15 navios portugueses, dos quais 7 são destruídos e 8 apoderados pelos holandeses. O governador Diogo Mendonça Furtado é levado à Holanda, assumindo o governo local Joan Van Dorth.

Confiantes de que tal operação havia firmado seu domínio no Brasil, a esquadra, agora, liderada pelo contra almirante Pieterzoon Heeyn se retira, dirigindo-se para o Espírito Santo, onde desembarcam 300 homens que atacam a província; porém, é vigorosamente repelido pela população local e pelas tropas de Salvador Corrêa, o então Governador do Rio de Janeiro.

Derrotado, o imediato do almirante Jacob Willekins, que atacara a Bahia, passou a exercer atos de pirataria contra vários pontos da costa americana. Atacou uma esquadra de três navios que iam do México para Espanha, apossando-se da prata, no valor de 15 milhões de florins, mais do que o dobro do capital formado pelos judeus holandeses e portugueses que tinham amealhado para formar a Companhia das Índias Ocidentais. Esse montante foi fundamental para preparar a expedição que objetivava a conquista de Pernambuco.

Ainda, na Bahia, organiza-se uma resistência que poria fim ao domínio holandês na região, pelo período de aproximadamente 1 ano. Outras tentativas como a de Pieterzoon Heeyen de 1627 que saqueou o Recôncavo baiano se seguiram, porém sem sucesso.

As riquezas naturais da Capitania de Pernambuco (Zuikerland - Terra do açúcar) no início do séc. XVII já eram bastante conhecidas pelas grandes potências da época. Os Países Baixos necessitavam do açúcar que era produzido no Brasil para suas refinarias, cuja produção de 121 engenhos de açúcar, em Pernambuco, despertou a ganância dos diretores da Companhia que, com o apoio da Inglaterra e França, rancorosos inimigos da Espanha mandaram armar uma extraordinária esquadra de 70 navios e 7280 homens, sob comando do almirante Hendrick Corneliszoon Lonck.

A 14 de fevereiro de 1630, as tropas comandadas por Pieter Andrianzoon apresentam-se nas costas de Pernambuco. Objetivando atacar a cidade de Olinda - a mais importante cidade da região, naquela época, a esquadra se divide e, sob o comando do general Diederick Van Weerdenburg, desembarca ao norte, em Pau Amarelo, com um contingente de 3000 homens. Olinda é conquistada sem opor resistência.

Os pernambucanos se organizam e remetem sucessivos ataques de guerrilhas aos invasores, impedindo-os de prosseguir com sua dominação ao interior. Entrementes, os holandeses conseguem construir um forte na extremidade da ilha de Itamaracá e o guarnecem com 300 soldados sob o comando do capitão polonês Artichovsky.

Na noite de 21 de novembro de 1631, os holandeses, supondo que as forças portuguesas que haviam derrotado uma esquadra-reforço enviada pela Companhia fossem muito numerosas, incendeiam Olinda e pensam em abandonar Pernambuco.

Em 1632, porém, com auxílio do mameluco Domingos Fernandes Calabar, rompem o cerco formado pelos portugueses e, em sucessivas vitórias, dilatam o domínio holandês em solo brasileiro.

Em janeiro de 1637, o governo holandês julga seu domínio firmado e escolhe um local onde fundam Recife como sede de seus domínios no Brasil, por ter, nessa localidade, a segurança que não dispunham em Olinda. A Recife holandesa possuía rios e canais muito similares aos que os holandeses estavam acostumados em sua pátria. Olinda situa-se e região montanhosa, muito semelhante as cidades portuguesas. O Conselho dos XIX da Companhia das Índias Ocidentais enviam, então, um príncipe da família reinante, o conde João Maurício de Nassau-Siegen, para ocupar a função de governador-geral do Brasil Holandês. "

Fonte: www.vestibular1.com.br

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