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Invasões Holandesas no Brasil

 

Invasões Holandesas no Brasil
Invasões Holandesas no Brasil - Recife

No século XVII, os holandeses realizam tentativas de estabelecer-se no Nordeste brasileiro, na Bahia (1624), em Pernambuco (1630) e no Maranhão (1641).

As invasões são um empreendimento ligado aos interesses do mercantilismo europeu na América colonial.

O objetivo é recuperar para a Holanda o comércio de açúcar e de escravos no Brasil, fortemente prejudicado durante o domínio espanhol (1580-1640).

Invasões Holandesas no Brasil
Invasões Holandesas no Brasil

Os holandeses, tradicionais parceiros dos portugueses no comércio de açúcar e escravos, têm seus interesses profundamente abalados em 1580, quando uma crise sucessória leva à passagem do trono português para a Coroa espanhola.

Rivais dos espanhóis, os holandeses são proibidos de aportar em terras portuguesas e perdem os privilégios no comércio de açúcar.

Em 1621, o governo e as companhias privadas holandesas formam a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, misto de empresa comercial, militar e colonizadora, para ocupar as terras canavieiras, controlar a produção dos engenhos e recuperar os lucrativos negócios na América e na África.

Investidas

A primeira invasão ocorre em maio de 1624, quando uma frota armada da companhia ataca e ocupa Salvador.

Esse domínio, contudo, dura pouco. No ano seguinte, forças luso-espanholas, com 52 navios e mais de 12 mil homens, provocam a rendição holandesa.

Em 1627 é feita nova tentativa frustrada contra Salvador. Depois dos ataques à Bahia, os holandeses investem contra Pernambuco, capitania igualmente rica e menos protegida.

Em fevereiro de 1630, uma esquadra de 56 navios chega ao litoral pernambucano, e seus homens ocupam Olinda e Recife. A resistência da população, organizada pelo governador da capitania, Matias de Albuquerque, em torno do Arraial do Bom Jesus e de Porto Calvo (Alagoas), dificulta a consolidação do controle holandês.

A partir de 1632, com a ajuda de um mulato pernambucano, Domingos Fernandes Calabar, os estrangeiros avançam contra as fortalezas do litoral e os principais redutos de resistência brasileira no interior.

Calabar combate os invasores no início das lutas, mas muda de lado em 1633, acreditando que o domínio holandês seria mais benéfico que o português. Sem os reforços prometidos por Portugal e Espanha, Matias de Albuquerque retira-se para a Bahia em 1635. A luta nativa limita-se à guerrilha em alguns pontos de Pernambuco e capitanias vizinhas. Em ataque contra Porto Calvo, Calabar é preso e executado como traidor. Entre 1637 e 1641, os holandeses consolidam seu poder sobre toda a região entre o Ceará e o rio São Francisco.

Maurício de Nassau

Para administrar e expandir seus domínios no Brasil, a companhia envia para Pernambuco João Maurício de Nassau, em 1637. Dotado de espírito renovador e tolerante nos campos político e religioso, Nassau ganha a simpatia dos proprietários de terra com medidas concretas de estímulo à recuperação de engenhos e plantações.

Ele realiza obras de urbanização no Recife, amplia a lavoura açucareira, desenvolve fazendas de gado e assegura a liberdade de culto. Traz como colaboradores vários cientistas e promove estudos de história natural, astronomia, meteorologia e medicina. É ele também o responsável pela vinda de artistas, como os pintores Frans Post e Albert Eckhout, os primeiros a retratar as paisagens e cenas do cotidiano brasileiro.

Nassau busca ainda ampliar os domínios holandeses, invadindo o Maranhão em 1641, ocupação que se estende até 1644. Sua administração termina nesse ano, quando desavenças com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais o fazem voltar para a Europa.

Insurreição Pernambucana

Insatisfeita com os lucros vindos de Pernambuco, a companhia dificulta o crédito aos proprietários de terra, que se rebelam em 1645, na chamada Insurreição Pernambucana.

A Holanda abandona a região 1654.

Em 1661, o Tratado de Paz de Haia reconhece formalmente a soberania portuguesa sobre a vila do Recife.

A HOLANDA NO SÉCULO XVI

Em 1.581, a Holanda proclamou sua independência, libertando-se do domínio da Espanha. Em represália, Filipe II fechou todos os portos do império luso – espanhol aos navios holandeses. Essa medida desfechou um violento golpe na economia holandesa, inteiramente baseada no comércio dos produtos coloniais. Os poderosos comerciantes holandeses voltaram-se, então, para a conquista dos mercados produtores. Um desses mercados era o Nordeste brasileiro, o maior produtor de açúcar da época.

Holanda e Portugal mantinham intensas relações econômicas desde a Idade Média. Na Idade Moderna, o comércio dos produtos coloniais portugueses era em grande parte feito pelos holandeses. A conquista do Nordeste brasileiro, organizada pela Companhia das Índias Ocidentais, tinha objetivos claramente econômicos. Veja no mapa abaixo como foi a conquista holandesa no Brasil.

OS HOLANDESES NA BAHIA

Uma notícia de que a Companhia da Índias Ocidentais preparava na Holanda uma poderosa esquadra para atacar a Bahia chegou ao Brasil bem antes de se realizar a invasão. O governador – geral, Diogo de Mendonça Furtado, organizou a resistência aos invasores. Como os holandeses tardaram a chegar, os preparativos para recebê-los foram relaxados. Em 9 de Maio de 1.624, os 26 navios da Holanda entraram na baía de Todos os Santos, a resistência revelou-se inútil. As deserções foram muitas, os holandeses conquistaram Salvador. Tomaram oito navios que se encontravam no porto e incendiaram sete.

Diogo de Mendonça Furtado foi preso e embarcado para a Holanda. As forças brasileiras e portuguesas não eram suficientes para atacar frontalmente os holandeses. Com a morte do bispo Dom Marcos, em 1.624, cada vez mais a situação dos invasores era pior. As emboscadas praticamente os confinavam em Salvador, onde conseguiam ser abastecidos por mar. No fim de Março de 1.625, chegou o auxílio pedido à Espanha pelos portugueses. Os holandeses foram obrigados a desistir da luta e, em 1º de Maio de 1.625, se renderam.

OS HOLANDESES EM PERNAMBUCO

A TOMADA DE OLINDA E RECIFE

A perda sofrida pela Companhia da Índias Ocidentais, com o fracasso da Bahia, foi recompensada quando o almirante holandês Piet Heyn aprisionou uma esquadra espanhola carregada de prata, que viajava do México para a Espanha. O enorme lucro conseguido com esse aprisionamento foi utilizado para financiar uma nova expedição ao Brasil. Dessa vez os holandeses atacariam a capitania de Pernambuco, o maior centro açucareiro da colônia.

O governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, preparou suas forças para resistir aos invasores, utilizando somente os recursos materiais e humanos disponíveis em Pernambuco, pois a tropa que a Espanha colocou à sua disposição era formado por apenas 27 soldados.

As tropas holandesas desembarcaram na praia do Pau Amarelo e avançaram em direção a Olinda, que foi tomada depois de muita luta. Matias de Albuquerque preparou-se para resistir no Recife. Mandou queimar os armazéns e os navios que se encontravam no porto e distribuiu seus homens em pontos estratégicos.

Os holandeses conseguiram dominar Recife, e Marias de Albuquerque foi obrigado a retirar-se para um local distante, que ficava aproximadamente seis quilômetros de Recife e Olinda. Os holandeses conseguiram incendiar Olinda e concentraram-se no Recife, onde permaneceram encurralados durante dois anos, impedidos pelas emboscadas dos pernambucanos de ampliar suas conquistas.

A Companhia das Índias Ocidentais pensava em desistir da ocupação de Pernambuco, quando ocorreu a deserção de Domingos Fernandes Calabar, que lutara então ao lado dos pernambucanos.

Foi providencial para os holandeses o auxílio prestado por Calabar , que conhecia os pontos fracos da defesa pernambucana e os caminhos da região em que se desenrolava a luta. Ao mesmo tempo, a Holanda mandava reforços e a resistência dos colonos, privados do apoio espanhol, começava a fraquejar.

Depois de tantas lutas, os holandeses conseguiram alguns aliados no Brasil: negros, índios e mulatos que passavam a apoiar os flamengos em vista de suas promessas de liberdade; senhores de engenho que, vendo com preocupação seus canaviais ameaçados pela guerra e seus escravos fugindo, começaram a avaliar as vantagens de estabelecer a paz com os invasores.

Em 1.637, a Holanda enviou outra esquadra a Pernambuco.

Nela vinha o novo governador do Brasil holandês: o conde João Maurício de Nassau – Siegen.Iniciando-se assim o governo de Nassau.

Fonte: br.geocities.com

Invasões Holandesas no Brasil

As Invasões holandesas, foram invasões ocorridas em regiões brasileiras em duas ocasiões, 1624-1625 (Bahia) e 1630-1654 (Pernambuco).

No século XVI aconteceram as invasões francesas e incursões corsárias no litoral.

As invasões foram determinadas pelo interesse da Companhia das Índias Ocidentais de controlar a então maior região produtora de açúcar do mundo, além do fato de a Holanda estar em guerra contra a Espanha, que então dominava o Brasil (1580-1640).

INVASÃO DA BAHIA (1624-1625)

Comandados por Jacob Willekems e Johan van Dorf os holandeses tomaram Salvador, mas não conseguiram estabelecer maiores contatos na área açucareira devido à resistência chefiada pelo bispo D. Marcos Teixeira. Em 1625 a conjugação de tropas pernambucanas com a esquadra luso-espanhola de Fradique de Toledo Osório conseguiu expulsar os invasores.

INVASÃO DE PERNAMBUCO E OCUPAÇÃO DO NORDESTE

Em 1630, nova expedição ocupou Pernambuco, sendo a resistência no interior liderada por Matias de Albuquerque que, conseguiu sustentar-se, até 1635, quando a superioridade de recursos dos invasores acabou por obrigá-lo a retirar-se.

A par da luta militar, os holandeses procuraram consolidar-se e expandir sua dominação.

Entre 1637 e 1644 passou a governar o domínio holandês o conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen que realizou melhoramentos urbanos no Recife e desenvolveu uma política de entendimento com proprietários de engenhos e comerciantes portugueses.

Simultaneamente, a Companhia ampliava seus investimentos nos engenhos pernambucanos, emprestava dinheiro aos senhores e avançava militarmente sobre outras regiões.

O fracasso na tentativa de conquistar Salvador (1638) não impediu que os holandeses estendessem seu domínio até o Maranhão.

A restauração da independência portuguesa (1640), a saída de Nassau do governo por desentendimento com a Companhia (1644) e o vencimento dos empréstimos aos senhores de engenho motivaram a Insurreição Pernambucana, movimento cujos principais líderes foram João Fernandes Vieira, Henrique Dias, Felipe Camarão e André Vidal de Negreiros.

Vencedores nas batalhas do monte das Tabocas (1644) e Guararapes (1648 e 1649), isolaram os holandeses em Recife, obrigando a capitulação em 1654.

Em 1661 foi assinado o tratado de Haia, no qual os holandeses desistiam do Brasil, mediante uma indenização.

GRANDES INVASÕES

( 1630 - 1654 )

As invasões das terras brasileiras por outros países europeus começam assim que a notícia do descobrimento espalha-se pela Europa. Algumas são apenas incursões de piratas e aventureiros e limitam-se à pilhagem. Outras são promovidas velada ou abertamente por outras potências européias com o objetivo de conquistar terras no novo continente e estabelecer colônias. Os ingleses, aliados de Portugal, não chegam a invadir o Brasil para estabelecer colônias. Os corsários ingleses – piratas que contam com a proteção velada da Coroa britânica – fazem várias incursões ao litoral, saqueiam cidades e apresam cargas de navios. Franceses e holandeses procuram estabelecer colônias no Brasil.

Invasões francesas

Desde o Tratado de Tordesilhas, no final do século XV, a Coroa francesa manifesta seu desacordo com a divisão do mundo entre Portugal e Espanha. Defende o direito de uti possidetis – a terra pertence a quem dela toma posse – e os franceses se fazem presentes no litoral brasileiro logo após o descobrimento.

Franceses no Rio de Janeiro

Em meados do século XVI, os franceses ocupam o Rio de Janeiro com intenção de estabelecer uma colônia – a França Antártica. A expedição, chefiada por Nicolas Durand de Villegaignon, com apoio oficial, traz colonos calvinistas e os primeiros frades capuchinhos para o Brasil. Fundam em 1555 o forte Coligny, base de sua resistência às investidas dos portugueses por mais de dez anos. Em 1565 são derrotados e expulsos pela armada de Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral Mem de Sá. Ele desembarca na baía de Guanabara, toma o forte de Coligny e funda a cidade do Rio de Janeiro. Em 1710 e 1711 o Rio de Janeiro é saqueado por duas expedições de corsários franceses.

Franceses no Maranhão

Em 1594 os franceses repetem a tentativa de construir uma colônia em terras brasileiras – a França Equinocial – e invadem o Maranhão. A expedição é comandada por Charles des Vaux e Jacques Riffault. Em 6 de setembro de 1612, liderados por Daniel de la Touche, fundam o forte de São Luís, origem da cidade de São Luís do Maranhão. São expulsos em 4 de novembro de 1615.

Invasões holandesas

Antes do período de domínio espanhol sobre Portugal (1580 a 1640), portugueses e holandeses têm vários acordos comerciais: companhias privadas holandesas ajudam a financiar a instalação de engenhos de açúcar, participam da distribuição e comercialização do produto na Europa e do transporte de negros da África para o Brasil. Espanha e Holanda, no entanto, são potências rivais e, durante o domínio espanhol, os holandeses são proibidos de aportar em terras portuguesas e perdem os privilégios no comércio do açúcar.

Companhia das Índias Ocidentais

Para garantir e ampliar seus negócios na América e na África, governo e empresas comerciais privadas holandesas formam, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais – um misto de sociedade mercantil militarizada e empresa colonizadora. Seu objetivo é garantir o mercado fornecedor de açúcar e, quando possível, criar colônias nas regiões produtoras. Interfere também no tráfico negreiro, até então monopolizado por Portugal e indispensável ao modelo de produção açucareira instaurado no Brasil.

Holandeses na Bahia

A primeira tentativa holandesa de se estabelecer no Brasil ocorre em maio de 1624. Uma expedição conquista Salvador e consegue resistir aos portugueses por quase um ano. Em abril de 1625 são repelidos por uma frota de 52 navios organizada por Espanha e Portugal.

Holandeses em Pernambuco

Em 1630 os holandeses fazem nova investida. Conquistam Recife e Olinda, em Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da colônia. Permanecem na região por 24 anos. Conquistam o apoio de boa parcela da população pobre local, como o mulato Calabar, e de muitos senhores de engenho. O período de maior prosperidade da colônia holandesa ocorre no governo do príncipe de Nassau, entre 1637 e 1644. Quando Nassau volta para a Holanda, a vila de Recife entra em rápida decadência. Conflitos entre os administradores e donos de engenho reduzem a base de apoio dos holandeses e sua resistência diante dos constantes ataques portugueses.

Domingos Fernandes Calabar (1635)

É um mulato pernambucano nascido em Porto Calvo. No início da invasão holandesa, entre 1630 e 1632, ele combate os invasores. Em 1633 muda de lado. Os holandeses oferecem liberdade civil e religiosa para quem os apoiar e conquistam a adesão de muitos índios, negros, mulatos e cristãos-novos. Calabar passa a lutar ao lado de seus antigos inimigos. Preso em 1635 em uma das inúmeras escaramuças com os portugueses, diz acreditar que o domínio holandês é mais benéfico que o português. Considerado traidor, é enforcado por ordem do governador da capitania de Pernambuco, Matias de Albuquerque.

Governo Nassau

O príncipe João Maurício de Nassau chega à vila de Recife como governador em 1637. Entre seus colaboradores traz pintores, como Franz Post e Albert Eckhout, que retratam cenas do cotidiano da colônia, e uma equipe de cientistas. Promove estudos de história natural, astronomia, meteorologia e medicina. As doenças que afetam a população são catalogadas e investigadas. Em seus sete anos de governo, amplia a lavoura açucareira, desenvolve fazendas de gado, constrói hospitais e orfanatos e assegura a liberdade de culto aos católicos, protestantes e judeus.

Johann Mauritius van Nassau-Siegen (1604-1679), o príncipe de Nassau, nasce no castelo de Dillemburg, Alemanha, num dos ramos da casa de Nassau, família que participa do trono da Alemanha e dos Países Baixos (Holanda). Ingressa na vida militar muito cedo, em 1618, durante a Guerra dos Trinta Anos, quando entra no exército dos Países Baixos. Distingue-se no campo de batalha e conquista grande poder e prestígio. Em 1632 começa a construir o palácio Mauritius, em Haia, e contrai muitas dívidas.

Em 1636 aceita o convite da Companhia das Índias Ocidentais para administrar a colônia holandesa no Brasil, por um salário milionário: 1.500 florins mensais, ajuda de custo de 6.000 florins, soldo de coronel do exército e 2% sobre todos os lucros obtidos. Depois de sete anos no Brasil, desentende-se com a Companhia das Índias e volta à Holanda.

Ocupa vários cargos diplomáticos e militares importantes: governador de Wessel e general da cavalaria, governador do principado de Kleve, embaixador junto à dieta de Frankfurt. Em 1652 recebe o título de príncipe do Império Germânico. Retira-se da vida pública em 1674.

Batalhas de Guararapes

As duas batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, são decisivas para a derrota dos holandeses. Elas reúnem forças do Estado do Maranhão e do Governo Geral da Bahia. Os holandeses capitulam em 26 de janeiro de 1654 e reconhecem formalmente a soberania portuguesa sobre a vila de Recife em 1661, no tratado conhecido como Paz de Haia.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Invasões Holandesas no Brasil

Não foi uma guerra regional, ao contrário teve repercussão mundial representando a luta pelo controle de açúcar e das fontes de suprimento de escravos.

Motivação

“Guerra do açúcar”, os holandeses possuíam todos os meios de produção da cana-de-açúcar, possuíam o monopólio do refinamento do açúcar, eles buscam então, todo o controle da indústria da cana-de-açúcar, queriam controlar a produção (plantação) da cana-de-açúcar que era feita pelos colonos brasileiros;

União Ibérica: 1580-1640; o rei luso D. Henrique de Avis morre e não deixa herdeiros sólidos, o trono luso fica vago, e quem assume é Felipe II, rei da Espanha, por ser o parente mais próximo do rei português. Felipe II torna-se então rei da Espanha e rei de Portugal e tem o domínio do Império Colonial Espanhol e do Império Colonial Português. O tratado de Tordesilhas perdeu o sentido mas não deixou de vigorar, só com o tratado de Madri em 1750 o tratado de Tordesilhas deixou de vigorar, foi extinto. Felipe II pelo juramento de Tomar acordou não interferir na política econômica dos outros países, mas não cumpriu e iniciou uma guerra com a Inglaterra e com a Holanda. Pelo Juramento de Tomar Felipe II não iria interferir na administração lusa, mas não cumpriu. Ele era ainda Kaiser do Reich I, do qual fazia parte Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha, Bélgica, Áustria, Norte e Sul da Itália.Os países baixos insatisfeitos com a União Ibérica se unem e deixam o Reich, Felipe II proíbe então o comércio (o açucareiro também) destes países com o mundo espanhol. A Holanda controlava a Companhia das Índias Orientais, que dominava as rotas de escravos e especiarias, e controlava a Companhia das Índias Ocidentais, que dominava a produção açucareira brasileira. A Holanda precisava do comércio com o Brasil, pois precisava da produção da cana-de-açúcar, então, a Holanda invade o Brasil. Em 1640 tem o fim da União Ibérica, Portugal se separa da Espanha. A Espanha entra em guerra com Portugal.

As invasões holandesas

1624- Tentativa de Invasão de Salvador. Depois de 9 meses foram expulsos pela jornada dos Vassalos ( 52 navios e 12 000 homens);
1625-
Invadiram Salvador pela 2ª vez, ficaram uma semana e foram expulsos;
1628-
Invadiram Fernando de Noronha;
1630-
Invasão de Pernambuco( 37 navios e 3000 soldados holandeses). Resistência( 1630-1637). Nassau (1637-1644). Insurreição PE (1645-1654);

Os colonos brasileiros produtores de cana-de-açúcar aceitaram a colonização holandesa inicialmente, pois estes ajudariam o engenho e o desenvolvimento da indústria do açúcar. Calabar foi um traidor do exército luso e passou para o lado holandês;

A Holanda possuía uma economia desenvolvida, tinha capitais provenientes das imigrações de judeus e protestantes, tem tolerância religiosa, poderia fazer altos investimentos no Brasil;

1637- Vai para a região colonizada o governador holandês Maurício de Nassau Siegen (1637-1644), ele reformou Recife ( Mauritztadz), reurbanização de Recife, modernizou-a fez obras de arte, enriqueceu a cultura, as ciências, europeização, estabeleceu a liberdade religiosa e ajudou financeiramente os engenhos, financiou-os. Trouxe investimentos através do Banco de Amsterden e fez distribuição de terras. Seu objetivo era retomar a produção açucareira;

Os engenhos começaram a entrar em crise num ano de pragas e seca e a Companhia das Índias Ocidentais, que cobrava altos impostos começou a cobrar os inadimplementos e pressionar os senhores de engenho, começou a tomar terras, acabou com a demissão de Maurício de Nassau, pois ele “privilegiava” os senhores de engenho, isso acarretou a Insurreição Pernambucana.

A Insurreição Pernambucana ( 1645-1654), a expulsão

Foi o movimento que expulsou os holandeses do Brasil

Líderes:

Senhores de Engenho: André Vidal de Negreiros

Negros: Henrique Dias
Índios:
Felipe Camarão ( Poti)
Tropas enviadas por D. João IV, Duque de Brangança, que recupera a coroa lusa da Espanha em 1640 e reestabelece o reino Português.

O Marco da expulsão é em 1648/9 na Batalha de Guararapes, morro de PE ;

Essa insurreição marca o início do Nacionalismo pois lutaram pelo Brasil e não por Portugal.

Conseqüência da expulsão dos holandeses

Paz de Haia (1661): Portugal e Holanda fazem negociação de terras invadidas, conquistadas e do dinheiro que a Holanda gastou no Brasil, sob a ameaça da guerra retornar;

Portugal tinha o tráfico negreiro e o açúcar. Portugal prefere investir no açúcar, faz desse sua principal atividade econômica. Portugal retoma o Nordeste açucareiro do Brasil e retoma a Angola que estavam sob o domínio holandês.Portugal paga indenização à Holanda, pelo dinheiro gasto por ela aqui;

Holanda recebe indenização do Brasil. Recebe ainda, a Costa do Marfim no lugar de Angola e recebe a ilha de Sal de Setúbal. A Holanda com a invasão do Brasil passou a ter o conhecimento da produção do açúcar e tinha escravos ( Costa do Marfim) e começa a investir na produção de açúcar nas Antilhas. O açúcar antilhano tinha maior qualidade e era mais barato. Tinha maior qualidade pois era a Holanda que refinava o açúcar. Era mais barato pois o escravo luso era taxado para o senhor de engenho e o escravo holandês não era taxado. E a cana era utilizada pela Holanda com maior produtividade;

A decadência do Nordeste açucareiro é decorrente da concorrência antilhana.

Fonte: www.ficharionline.com

Invasões Holandesas no Brasil

Por duas ocasiões, os holandeses tentaram se estabelecer no Nordeste brasileiro: em 1624 na Bahia e em 1630 em Pernambuco.

Os motivos dessas investidas: parceiros dos portugueses no comércio de açúcar e escravos, os holandeses tiveram seus interesses econômicos prejudicados quando os portugueses passaram,em 1580, o trono português para a Coroa Espanhola.

Como eram rivais dos espanhóis, os holandeses não só perderam o comércio de açúcar, como também foram proibidos de aportar em terras portuguesas.

Para tentar recuperar seus negócios na África e na América, em 1621 o governo e um grupo de companhias holandesas fundam a Companhia das Índias Ocidentais (espécie de empresa comercial, militar e colonizadora) e partem para as investidas.

A primeira tentativa dos holandeses em ocupar o Nordeste brasileiro ocorreu em maio de 1624, quando eles atacam e ocupam Salvador, Bahia, cidade da qual seriam expulsos em abril de 1625, depois de um mês de lutas contra as tropas luso-espanholas.

Em fevereiro de 1630, acontece a segunda investida: chega ao litoral pernambucano uma esquadra de 56 navios da Companhia das Índias Ocidentais e os holandeses ocupam Olinda e Recife.

A ocupação não é total, porque no Arraial do Bom Jesus, a 6 km do Recife, guerrilhas são comandadas por luso-brasileiros como Henrique Dias, Martin Soares Moreno e Felipe Camarão.

Em janeiro de 1637, o conde João Maurício de Nassau-Siegen chega ao Recife trazendo um grande contingente militar; em pouco tempo consegue adesão dos cristãos novos, dos índios, dos negros e mulatos e, apesar das guerrilhas, expande o domínio holandês no litoral nordestino, do Maranhão até a foz do Rio São Francisco.

Com medidas como a concessão de empréstimos aos senhores de terra, o conde restabelece a produção de açúcar e, até a restauração de Portugal, em 1640, os holandeses não enfrentam grandes problemas no Nordeste brasileiro.

Em 1644, por discordar do governo holandês que precisava de dinheiro e determinou o imediato pagamento dos empréstimos concedidos aos senhores de terra nordestinos, Maurício de Nassau retorna à Europa.

Com a ausência do conde, o domínio holandês no Nordeste é enfraquecido e a 03 de agosto de 1645 acontece a Batalha das Tabocas, o primeiro confronto entre os holandeses e os luso-brasileiros.

Este conflito deu início a expulsão definitiva dos holandeses que aconteceria nove anos mais tarde (ver Batalha dos Guararapes). Enquanto permaneceu no Nordeste brasileiro, Maurício de Nassau conseguira administrar sem problemas a colônia holandesa.

Ele recebia salário milionário, ajuda de custo e ainda ficava com 2% sobre todos os lucros obtidos pela colônia. Daí, sua disposição em realizar obras de urbanização no Recife; estimular a recuperação de engenhos; desenvolver fazendas de gado. Para conquistar simpatia, permitia a liberdade política e de culto.

Em sua equipe, Maurício de Nassau trouxera cientistas que realizaram estudos de medicina, história, meteorologia e astronomia, além de artistas como Albert Eckhout e Franz Post, os primeiros pintores a retratar cenas da vida brasileira.

Um dos fatores que contribuíram para a derrota dos holandeses: enfraquecida pela guerra contra a Inglaterra, em 1652, a Holanda não teve condições de reforçar sua posição no Brasil. No livro "O Negócio do Brasil - Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641/1649" (Topbooks, 1998), o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Melo diz que a expulsão dos holandeses não foi resultado de guerras valentes, mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milhões de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro) para ter o Nordeste brasileiro de volta.

Sob ameaça permanente de novos ataques não só ao Nordeste brasileiro como também a Lisboa, segundo o historiador, Portugal passou 15 anos negociando e em 1669 fechou o negócio. O pagamento da indenização levou quatro décadas, através de prestações anuais.

Durante esse período, houve ameaças de calote, o que só não aconteceu porque nessas ocasiões os Países Baixos (que eram a principal potência econômica e militar do Século XVII) despachavam a Marinha de Guerra até a foz do Rio Tejo.

Fonte: www.pe-az.com.br

Invasões Holandesas no Brasil

Os holandeses participaram do empreendimento açucareiro no Brasil, desde o início.

Financiaram a instalação de engenhos e tornaram-se os maiores responsáveis pelo processo de refinamento do açúcar e por sua comercialização na Europa.

Este empreendimento era tão importante para eles que, entre os anos de 1621 e 1622, o número de refinarias de açúcar no norte da Holanda cresceu de três para vinte e nove.

Os holandeses obtinham lucro significativo com a venda de açúcar refinado para os demais países europeus. Portanto, nem imaginavam abrir mão desse comércio.

Impedidos desde a União Ibérica por sua arqui-rival, a Espanha, de continuar a participar dos lucros da indústria açucareira brasileira, os holandeses fundaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais: uma empresa comercial, cujo objetivo era centralizar e mobilizar os investimentos comerciais na área do Atlântico, especialmente os negócios com os produtores de açúcar brasileiro, os senhores de engenho. Entretanto, logo perceberam que para retomar esses contatos, não havia saída pacífica, sendo necessária uma invasão.

O governo da República das Províncias Unidas, concedeu à Companhia o monopólio do tráfico, navegação e comércio por 24 anos nas costas atlânticas da América e da África, além de autorizá-los a construir fortificações, nomear funcionários, organizar tropas e estabelecer colônias.

A capitania escolhida para a primeira investida da Companhia no Brasil foi a da Bahia.

Vários foram os motivos: os lucros com o açúcar cobririam os gastos com a conquista e o tráfico negreiro era sempre uma possibilidade de lucro. A invasão ocorreu em 1624, e no primeiro momento, os holandeses venceram.

Conquistaram a cidade, prenderam e mandaram o governador Diogo de Mendonça Furtado para a Holanda. Mas a Espanha enviou para a Bahia uma poderosa esquadra, composta por 52 navios de guerra, com cerca de 12 mil homens e, em maio de 1625, os holandeses se renderam, sendo expulsos da região.

Refeitos dos prejuízos, por conta de pilhagens a navios espanhóis carregados de metais preciosos, os holandeses voltaram a invadir a Colônia em 1630, agora pela capitania de Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da Colônia e do mundo. Ali travaram-se intensos combates pela posse da terra. Após uma série de derrotas, Matias de Albuquerque refugiou-se no interior da capitania, fundando o Arraial de Bom Jesus, entre Olinda e Recife. O Arraial tornou-se o centro da resistência contra os holandeses até 1635. Os holandeses instalados inicialmente em Recife e Olinda, alguns anos depois estenderam seu domínio às demais capitanias do litoral nordestino.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Invasões Holandesas no Brasil

Governo Holandês no Brasil Colônia

Os holandeses perceberam a vulnerabilidade que as colônias portuguesas instaladas no Brasil apresentavam e decidiram colocar parte de seus planos em prática invadindo a região Nordeste do Brasil nas primeiras décadas do século XVII. A Holanda, nesta época, contava com uma poderosa tecnologia naval, fruto de investimentos advindos do "acolhimento", da parte dos holandeses, com relação aos cristãos -- novos, foragidos de outras regiões.

Para entendermos as intenções holandesas

1536 - 1821 período em que o Santo Ofício já atuava na Espanha e também iniciou, em 1536, suas atividades em Lisboa.

A distinção entre cristãos - velhos e cristãos - novos percorreu desde o início desta instituição até 1775. Em Lisboa os judeus foram convertidos à força pela então realeza portuguesa. Entretanto, o que pretendemos a respeito da Inquisição é com relação ao seu alvo de atuação, ou fundo de argumentação, melhor dizendo, para o desenvolvimento das perseguições.

Grande parte dos livros de história relatam a questão religiosa referente a "necessidade" de tal perseguição. No entanto, é importante sabermos que além da dimensão religiosa (escândalos sexuais, heresia, questionamentos feitos a santos católicos, etc), há também a questão econômica.

A grande maioria dos descendentes de judeus, convertidos sob o reinado manoelita eram portadores de significativas fortunas, eram comerciantes de importante potencial, tais fortunas eram também representadas pelos bens materiais dos judeus.

O Santo Ofício, quando capturava um "herege" executava um procedimento. Este procedimento consistia no confisco de todos os bens do acusado, uma atitude que prevalecia até o julgamento final, seja ele condenatório ou não. Os bens do prisioneiro "teoricamente" eram devolvidos em casos raríssimos de absolvição do julgado.

Além disto, durante todo período de trâmite do processo inquisitorial, todas as despesas com o próprio acusado, como também a dos funcionários do Santo Ofício eram pagas pela família da própria "vítima".

"O confisco de seus bens significava a transferência de enormes somas para Inquisição e para Coroa. Tratava-se de uma forma de apropriar-se de lucros de comerciantes bem -- sucedidos. Por esta razão, o impacto das perseguições inquisitoriais sobre a economia foi bastante negativa." Pg. 47

Era desta forma que agia o tribunal do Santo Ofício. No Brasil não fora diferente, as visitas inquisitoriais ocorreram em localidades de maior riqueza e de maior população. No século XVII o Nordeste brasileiro foi alvo dos tribunais, já no século XVIII foi a vez de Minas Gerais e depois Rio de Janeiro.

Estas atuações do Santo Ofício acabou desenvolvendo dificuldades para Coroa portuguesa, este remanejamento de grandes fatias econômicas de certa forma, desestabilizou os investimentos na tecnologia naval, os cristãos -- novos foram perseguidos e com eles suas fortunas que mantinham a armada lusitana. Portugal que mantivera grande estabilidade econômica lucrativa nos séculos XV e XVI, ao final deste último, passou a conhecer as dificuldades e sua decadência.

Portugal, agora era exclusivista, sujeitando-se a disposição da Coroa espanhola, o que acarretou no aparecimento dum poderoso inimigo, a Holanda, até então grande distribuidora de seus produtos. Todo este ambiente é importante e, sobretudo, necessário para que possamos entender um pouco melhor sobre as invasões holandesas no Nordeste do Brasil. Evidente que o fato desta manutenção da economia influenciada pelo Santo Ofício, na transferência de importantes valores e com o abrigo dado pela Holanda aos cristãos -- novos não satisfaz totalmente nossa pesquisa, mas demonstra uma importante contribuição.

Evaldo Cabral de Mello, o mais capacitado dentre os historiadores para relatar de forma brilhante este período da açucarocracia brasileira, termo por ele mesmo definido, afirma que as colônias portuguesas, desde sua formação, sempre ofereceram maior fragilidade com relação a um possível ataque do inimigo.

Diferentemente da Espanha, o litoral brasileiro não dispunha de nenhum tipo de segurança, um ataque inimigo provavelmente seria bem sucedido, pois a concentração da produção de açúcar não ficava muito distante da região litorânea. Talvez este tenha sido outro atrativo para Holanda resolver atacar primariamente as colônias portuguesas no Brasil. Mas além desta fragilidade de localidade, a Holanda também pode contar com extremo avanço em sua tecnologia naval, tomando o primeiro lugar de Portugal e Espanha.

Este artigo tentará tratar destes assuntos, respondendo perguntas como: Como foi se formando, ao longo do tempo, esta decisão da Holanda em invadir o litoral do Nordeste brasileiro? Qual o papel de João Maurício de Nassau quando da sua chegada no Brasil em 1637? Não trataremos, pelo menos neste artigo, das grandes guerras havidas entre 1630 a 1654. Pretendemos fazer, em breve, um outro artigo como se fosse uma segunda parte deste, uma continuação.

A ascensão holandesa

Enquanto Portugal observava seu próprio fracasso, a Holanda crescia em seu importante comércio de tecidos, com significativa ajuda dos cristãos -- novos, acolhidos pelo país. A Holanda desenvolveu um tipo de navio destinado especificamente para guerras, era a fragata. Com isto, o domínio marítimo até então atribuído a Espanha e Portugal, passara a Holanda. Ao final do século XVII a Holanda consegue sua dependência, após guerrear contra Espanha.

Os holandeses, apercebidos dos bons resultados obtidos, tanto em estratégias com sua independência com também em seu poderio comercial, decide elaborar um plano para atacar as colônias portuguesas, por meio de um modelo já conhecido: a Companhia da Índias Orientais. Então, em 1620 é fundada, pelos holandeses, a Companhia das Índias Ocidentais, a exemplo da primeira, representando uma fusão entre comércio e guerra.

O primeiro ataque ao Brasil

O Brasil foi o primeiro alvo a ser atacado pelos holandeses. O primeiro ataque ocorreu na Segunda década do século XVII, com 1700 homens os holandeses invadiram a Bahia iniciando o conflito na região urbana, depois foram atraídos para regiões distantes, onde ficavam as instalações dos engenhos de cana -- de -- açúcar que funcionavam com a mão -- de -- obra escravista. Estes modelo de produção até então exclusivo dos portugueses despertou grande interesse aos holandeses.

Em maio de 1625 uma frota portuguesa consegue expulsar os holandeses, mas, durante o tempo em que os invasores estiveram ali, foi o suficiente para aprenderem o até então modelo exclusivo de produção escravista dos portugueses no trabalho com engenhos. Com isto o monopólio açucareiro da colônia portuguesa termina, tendo agora de competir sua produção com ingleses, franceses, holandeses e espanhóis.

O modelo escravista, a grosso modo representado pelos senhores de engenho e escravos conquistou a Europa daquele século. As Antilhas foi cede de engenhos franceses, ingleses, holandeses, etc. mesmo com toda concorrência, o Brasil ainda ocupava o primeiro lugar em lucratividade na produção do açúcar.

Sua localização privilegiada contribuía para isto, pois ficava próximo da África (facilitando o abastecimento de escravos), contava ainda com o fornecimento de alimentos advindos dos índios, fator que barateava a empresa.

Os holandeses, após serem derrotados no Brasil em 1625, decidem-se em 1630 realizar um novo ataque, agora em Pernambuco, região extremamente desenvolvida na produção açucareira do Nordeste brasileiro.

Desta vez com 3800 homens atracaram em Pernambuco, depois os holandeses contaram com reforço de mais aproximadamente 6000 homens, o domínio por parte dos holandeses foi incontestável, atingindo todo litoral nordestino até o Maranhão.

Jacobi Rabi

Estes personagem de origem alemã, chegou ao Brasil em 1637, logo se envolveu com os indígenas e fez uma verdadeira revolução com os nativos, ensinando-lhes táticas de guerra da europa, uma fusão da crueldade nativa com européia. Os índios ficaram fortes aliados de Jacobi. Portugueses, judeus, protestantes, todos detinham grande ódio deste estrangeiro que não excitava em criar grandes problemas com quem resistia a seus interesses. Sua atuação durou até 1645, quando os próprios holandeses, temendo perder o controle sobre ele, decidiram executá-lo. Esta atitude dos holandeses foi um verdadeiro desastre contra eles próprios, pois todos os nativos que o apoiavam Jacobi passaram a apoiar os portugueses, com esta ajuda, o território seria novamente luso.

Porém, 1637 foi o ano em que ocorrera o fato mais ousado dos holandeses, agora com pleno domínio dos engenhos açucareiros, trouxeram para o Recife o conde Maurício de Nassau, que desembarcou no Brasil em janeiro de 1637, trazendo condigo uma equipe composta por pintores, escritores, arquitetos, etc. Nassau com isto, pretendia restaurar o Recife.

Pela primeira vez, uma colônia da América seria governada à européia. Com supremacia militar e prevendo excelentes perspectivas econômicas, Nassau usou dinheiro e escravos da Companhia para atrair os donos de engenho para órbita holandesa. Com sinal de sua grandeza começou a reformar Recife, a primeira cidade planejada para ser capital do Brasil.

João Maurício de Nassau

Sem dúvida um personagem de muito destaque durante o período da presença holandesa no Brasil. O Conde Maurício de Nassau chegou no Brasil, mais precisamente em Recife, região Nordeste do país, em 1637 -- quando a situação e ocupação militar já estava praticamente estabilizada, no que diz respeito ao domínio holandês frente as colônias portuguesas.

No entanto, Nassau não chegara só no território brasileiro, trouxe consigo uma equipe cultural, sim, composta, como já dissemos, por pintores, arquitetos, escritores, naturistas, médicos, astrólogos, etc. Suas intenções uniam conforto para sua estadia no país e também domínio da produção açucareira. Com a presença de Maurício, Recife sofreu uma verdadeira reformulação urbana, ele mandou construir jardins, lagos e um palácio para sua acomodação, localizado na ilha de Antônio Vaz. Em 1639 Nassau foi mais longe, acompanhou a construção de uma cidade inteira a seu gosto, denominada Cidade Maurícia, esta cidade ficava localizada ao lado de Recife, entre a foz do Capiberibe e Beberibe.

Artistas Registram As Riquezas Do Brasil Holandês

Os artistas que acompanharam Nassau retratavam a América naturalista, preocupavam-se em registrar a natureza destacando os animais e as paisagens vegetais, demonstrando assim, toda opulência do Brasil holandês, estes registros tinham o caráter científico, pois estas ilustrações ficaram conhecidas em toda Europa.

Frans Post e Albert Eckhout foram os principais pintores trazidos por Maurício ao Brasil, registraram o Nordeste brasileiro, revelando as riquezas dos trópicos, a produção do açúcar, a cidade Maurícia, todos os feitos de Nassau foram devidamente registrados por estes dominadores de imagens.

Reação de Portugal

Diferentemente da dimensão holandesa, o Brasil português mostrava-se de mau a pior. A grande alternativa de Portugal foi buscar sua independência em 1640 ao nomear o duque de Bragança como D. João IV. Portugal dependia totalmente dos recursos advindos do açúcar brasileiro, distribuído pelos holandeses, para financiar seu conflito com a Espanha.

Holandeses próximos de deixar o Brasil

D. João IV conseguiu assegurar a independência de Portugal, sua busca agora referia-se a retomada das colônias apoderadas pela Holanda. Tarefa difícil, pois Nassau, por meio da Companhia das Índias, concedia créditos e escravos à vontade para os senhores de engenho do Brasil, a produção aumentava a cada período, entretanto, os próprios cofres na Holanda verificaram a falta de dinheiro em espécie, tudo o que tinham eram títulos de dívidas e empréstimos destes senhores de engenho. Começa então um questionamento quanto as atitudes de Maurício de Nassau. Em maio de 1644 a Holanda convoca a volta de Maurício de Nassau para estabelecer alguma manobra para reverter esta situação, então redigiram acordos, ou melhor, contratos onde ficou estabelecido que os senhores de engenho só teriam acesso a novos empréstimos após pagamento total das dívidas pendentes.

Em 1645, após tomarem conhecimento de que teriam de mexer em seus próprios bolsos, os colonos revoltaram-se contra tal atitude dos holandeses, a rebelião estava formada. Em pouco tempo, a Holanda perdera tudo o que havia conquistado até então, pondo fim ao grande sonho de conquista da América proferido pelos holandeses.

Somente em 1654 os holandeses deixaram definitivamente o território brasileiro, mas como dissemos, não entraremos nos detalhes das batalhas havidas, pelo menos neste expediente.

As terras brasílicas já conviveram com batalhas francesas, holandesas, enfim, com todos que aproveitavam-se de maneira ilegal das terras dos portugueses, que queriam manter o processo de colonização em desenvolvimento. Afinal, esta era uma alternativa que a Coroa portuguesa apostou com todas as suas forças para manter-se no cenário como nação a partir do século XVI.

A verdade é que os holandeses também desfrutaram um pouco das riquezas presentes nesta imensidão de terras produtivas, similarmente aos franceses que traficaram, em enorme quantidade, o pau -- brasil, por toda região litorânea. Fato que despertou os olhares de Portugal, no sentido da proteção e da necessidade de ocupação das terras recém "descobertas" por Cabral.

Com isso, a História do Brasil, tão rica, extensa e maravilhosa, nos comprova, ao longo dos séculos, a cobiça e a ambição dos estrangeiros pela exploração da imensa variedade de riquezas existentes na região conquistada pelos lusos em 1500. O Brasil é de quem?

Fonte: www.historianet.com.br

Invasões Holandesas no Brasil

As causas

As invasões holandesas estão interligadas a aspectos vários, sendo que devemos salientar a disputa holandesa pelo açúcar e pelos conhecimentos que permitiriam quebrar a hegemonia luso - espanhola de produção e comercialização daquele produto, à Guerra dos Trinta Anos, à União Ibérica, à Restauração da Monarquia Portuguesa e à Companhia das Índias Ocidentais.

Os processos de conquista

Os holandeses, que durante o século XVI se tornaram detentores de uma poderosa tecnologia naval, aperceberam-se da vulnerabilidade das povoações portuguesas instaladas no Brasil, possuindo um especial interesse na região do Nordeste, devido à sua produção de açucar. Oscilando algum tempo entre Pernambuco ou S. Salvador da Bahia, decidiram primeiramente atacar e conquistar a segunda povoação, tendo o primeiro ataque holandês à costa brasileira ocorrido em 1624, na região baiana. A esta chegaram 1700 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Apesar dos alertas emitidos da Península Ibérica e das tentativas de Diogo Mendonça Furtado, Governador - Geral do Brasil, para defesa da costa brasileira, os invasores desembarcam a 10 de Maio de 1624 e, para sua grande surpresa e contentamento, quase não encontraram resistência.

Os poucos disparos de canhão das tropas holandesas conseguiram destruir os navios lusos ancorados no porto da cidade e dispersar, devido ao pânico, os defensores de S. Salvador. O governador ainda tentou entrincheirar-se no Palácio, o que acabou sendo uma manobra inútil, pois tanto ele como o seu filho e alguns dos seus oficiais foram aprisionados pelas tropas invasoras e enviados para os Países Baixos.

Começava o primeiro perído de presença neerlandesa naquele território. Num primeiro momento existiu um claro interesse pela zona urbana. Contudo, posteriormente à tomada da cidade e do seu saque, os holandeses decidiram investigar a região da Bahia e seu entorno. Contudo, apenas conseguiram ocupar São Salvador da Bahia, porque sempre que se aventuravam no desconhecido, eram atacados por portugueses numa manobra quase de guerrilha.

Mais tarde, a união ibérica, que reunia as coroas espanhola e portuguesa, decidiu reagir a esta conquista efectuada dentro de um território comum, formando uma esquadra que rumaria ao Brasil para reconquistar o território ocupado. Os holandeses ficariam retidos dentro dos limites da cidade de S. Salvador. Em 1625 enfrentariam as tropas organizadas com o intuito de expulsá-los da cidade. A esquadra era comandada por Dom Fradique de Toledo Osório, que acabaria bem sucedido em seus intentos. Após duros combates, os invasores retiraram-se no 1º de Maio. Contudo, tal não seria o fim dos planos que os Países Baixos possuiam para o Brasil.

A derrota infligida em 1625 serviu apenas para que os Paises Baixos ponderassem melhor as atitudes a tomar face aos propósitos que possuiam, refinando assim os seus planos. Em Fevereiro de 1630 uma esquadra com 64 navios e 3800 homens conquistará a zona de Pernambuco, passando a dominar as cidades de Recife e Olinda. Sem possuir treino militar, a população opta por não resistir, e os invasores enviam mais 6000 homens para a região, de forma a garantir a posse da mesma. Fortificaram as cidades conquistadas e deslocaram para as mesmas homens e armamento suficientes para mantê-las sob o seu poder, combatendo a guerrilha que se organizava contra a sua presença em terras brasileiras. Incendiavam e saqueavam os engenhos dos que se rebelavam e prometiam paz e prosperidade aos que lhes vendessem o açucar produzido. Aliaram-se aos índios e firmavam alianças com os mesmos, para melhor dominarem a zona.

Contudo, a conquista e manutenção do território não foi fácil. No Brasil os holandeses depararam-se com uma melhor organização das actividades de guerrilha, sediadas especialmente no Arraial do Bom Jesus, lugar a meia distância entre Olinda e Recife. À frente dessas investidas encontrava-se Matias de Albuquerque.

Num período inicial a resistência conseguiu, em alguns momentos, manter os holandeses isolados no litoral, impedindo assim uma real tomada de posse do interior pernambucano. Porém, a partir de 1634, graças à "traição" de Domingos Fernandes Calabar e à habilidade do coronel Crestofle Arciszewski, os neerlandeses conseguem a derrota deste movimento de guerrilha, conquistando o Arraial Velho do Bom Jesus e iniciando um processo de estabilização da região.

O Governo de Maurício de Nassau

A Região sob o poder holandês, em 1637, compreendia os atuais Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Pernambuco, estendendo-se até ao Rio São Francisco. No período de 1637 até 1644, época em que o conde Maurício de Nassau governou a região, diversas e importantes implementações político-administrativas ocorreram no Brasil.

O conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen chegou à cidade do Recife em 1637 a serviço do governo Holandês e da Companhia das Índias Ocidentais, trazendo na sua comitiva o médico Willem Piso, o geógrafo e cartógrafo Georg Markgraf, os pintores Albert Eckhout e Frans Post, este um dos primeiros a mostrar em suas obras as paisagens e cenas da vida brasileira. Além deles, o escritor Gaspar Barleus que deixou relatório de sua passagem no Brasil intitulado História Natural do Brasil, com minucioso estudo científico da fauna e da flora, observações meteorológicas e astronômicas, realizadas com um antigo telescópio instalado sobre o antigo Palácio do Governador.

Nassau era calvinista, mas, ao que tudo indica, foi tolerante com católicos e com os chamados cristãos-novos, judeus que, às escondidas praticavam seus cultos. Estes, foram autorizados a, abertamente exercer suas práticas religiosas o que provocou uma grande emigração de judeus vindos da Países Baixos para o Brasil.

No governo de Nassau, muitos melhoramentos foram feitos nas áreas urbanas como saneamento básico, contrução de casas e o agrupamento das mesmas em vilas, contrução de ruas e alargamento de diversas outras, construção de dois importantes palácios, o das Torres ou de Frigurgo e o da Boa Vista, construção de pontes melhorando a locomoção das pessoas e o tráfego local.

Em 1644, o conde de Nassau retornou à Holanda. Após sua volta, o Nordeste assistiu sangrentos combates entre os luso-brasileiros e os batavos pela conquista da terra. O mais famoso destes foi a primeira Batalha de Guararapes (1648). Após 24 anos de domínio holandês estes foram expulsos na chamada Insurreição Pernambucana (ou Guerra de Restauração). O domínio Holandês no Brasil compreendeu o período de 1630 a 1654.

Antecedentes

O conflito iniciou-se no contexto da chamada Dinastia Filipina (União Ibérica, no Brasil), período entre 1580 e 1640, quando Portugal e suas colônias estiveram inscritos entre os domínios da Coroa da Espanha.

À época, os Países Baixos lutavam pela sua emancipação do domínio espanhol, vindo a ser proclamada, em 1581, a República das Províncias Unidas, com sede em Amsterdã, separando-se da Espanha.

Uma das medidas adotadas por Filipe II de Espanha em represália, foi a proibição do comércio espanhol (e português) com os seus portos, o que afetava diretamente o comércio do açúcar do Brasil, onde os neerlandeses eram tradicionais investidores na agro-manufatura açucareira e onde possuíam pesadas inversões de capital.

Diante dessa restrição, os neerlandeses voltaram-se para o comércio no Oceano Índico, vindo a constituir a Companhia das Índias Orientais (1602), que passava a ter o monopólio do comércio oriental, o que garantia a lucratividade da empresa.

O sucesso dessa experiência levou os neerlandeses à fundação da Companhia das Índias Ocidentais (1621), a quem os Estados Gerais (seu órgão político supremo) concederam o monopólio do tráfico e do comércio de escravos, por 24 anos, na América e na África. O maior objetivo da nova Companhia, entretanto, era retomar o comércio do açúcar produzido no Nordeste do Brasil.

A expedição de Van Noort

Foi nesse contexto que ocorreu a expedição do Almirante Olivier van Noort que, de passagem pela costa do Brasil, alguns autores apontam ter intentado uma invasão da baía de Guanabara.

A esquadra de Van Noort partiu de Rotterdam, nos Países Baixos, a 13 de setembro de 1598, integrada por quatro navios e 248 homens.

Padecendo de escorbuto, a frota pediu permissão para obter refrescos (suprimentos frescos) na baía de Guanabara, que lhe foram negados pelo governo da Capitania, de acordo com instruções recebidas da Metrópole. Uma tentativa de desembarque, foi repelida por indígenas e pela artilharia da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, conforme ilustração à época.

Afirma-se que pilhagens e incêndios de cidades e embarcações foram praticadas pela expedição na costa do Chile, do Peru e das Filipinas. Na realidade sofreu grandes perdas em um ataque dos indígenas da Patagônia (atual Chile) e das forças espanholas no Peru. Alguns autores atribuem a Van Noort, nesta viagem, a descoberta da Antártida. A expedição retornou ao porto em 26 de agosto de 1601 com apenas uma embarcação, tripulada por 45 sobreviventes.

Periodização

Em linhas gerais, as invasões holandesas do Brasil podem ser recortadas em dois grandes períodos:

1624-1625 - Invasão de Salvador, na Bahia
1630-1654 - Invasão de Recife e Olinda, em Pernambuco
1630-1637 - Fase de resistência ao invasor
1637-1644 - Administração de Maurício de Nassau
1644-1654 - Insurreição pernambucana

A invasão de Salvador (1624-1625)

A invasão, inicialmente, teve caráter exclusivamente mercantil. Os navios da Companhia das Índias Ocidentais (WIC), em 1624, atacaram a Capital do Estado do Brasil, aprisionando o governador-geral Diogo de Mendonça Furtado (1621-1624). O governo da cidade de Salvador, passou a ser exercido pelo fidalgo holandês Johan Van Dorth. Durante o período em que Van Dorth esteve no poder, houve mudanças radicais na vida dos brasileiros e portugueses radicados na Bahia. Houve a libertação dos escravos, que passaram a ser tratados em pé de igualdade com os brancos e adaptação do povo aos costumes da República Holandesa.

Em 1625 a Espanha enviou, como reforço, uma esquadra de 52 navios, com quase 14.000 homens, a maior então enviada aos mares do Sul: a famosa Jornada dos Vassalos. Essa expedição derrotou e expulsou os invasores holandeses.

A invasão de Olinda e Recife (1630-1654)

O enorme gasto com a fracassada invasão às terras da Bahia foi recuperado quatro anos mais tarde, num audacioso ato de corso quando, no mar do Caribe, o Almirante Pieter Heyn, a serviço da W.I.C., interceptou e saqueou a frota espanhola que transportava o carregamento anual de prata extraída nas colônias americanas.

De posse desses recursos, os neerlandeses armaram nova expedição, desta vez contra um alvo menos defendido, mas também lucrativo, na região Nordeste do Brasil. O seu objetivo declarado era o de restaurar o comércio do açúcar com os Países Baixos, proibido pelos espanhóis. Investiram, desse modo, sobre a Capitania de Pernambuco, em 1630, conquistando Olinda e depois Recife.

O consulado nassoviano

Vencida a resistência portuguesa, com o auxílio de Calabar, a W.I.C. nomeou o Conde João Maurício de Nassau para administrar a conquista.

Homem culto e liberal, tolerante com a imigração de judeus e protestantes, trouxe consigo artistas e cientistas para estudar as potencialidades da terra.

Preocupou-se com a recuperação da agro-manufatura do açúcar, prejudicada pelas lutas, concedendo créditos e vendendo em hasta pública os engenhos conquistados. Cuidou da questão do abastecimento e da mão-de-obra, da administração e promoveu ampla reforma urbanística no Recife (Cidade Maurícia).

Concedeu liberdade religiosa, registrando-se a fundação, no Recife, da primeira sinagoga do continente americano.

A resistência

A resistência, liderada por Matias de Albuquerque, concentrou-se no Arraial do Bom Jesus, nos arredores de Recife. Através de táticas indígenas de combate (campanha de guerrilhas), confinou o invasor às fortalezas no perímetro urbano de Olinda e seu porto, Recife.

As chamadas "companhias de emboscada" eram pequenos grupos de dez a quarenta homens, com alta mobilidade, que atacavam de surpresa os neerlandeses e se retiravam em velocidade, reagrupando-se para novos combates.

Entretanto, com o tempo, alguns senhores de engenho de cana-de-açúcar aceitaram a administração holandesa por entenderem que uma injeção de capital e uma administração mais liberal auxiliariam o desenvolvimento dos seus negócios. O seu melhor representante foi Domingos Fernandes Calabar, considerado historiograficamente como um traidor ao apoiar as forças de ocupação e a administração neerlandesa.

Destacaram-se nesta fase de resistência luso-brasileira líderes militares como Martim Soares Moreno, Antônio Felipe Camarão, Henrique Dias e Francisco Rebelo (o Rebelinho).

A Insurreição Pernambucana

Também conhecida como Guerra da Luz Divina, foi o movimento que expulsou os Holandeses do Brasil, integrando forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, pelo afro-descendente Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão.

A Restauração portuguesa em 1640 quebrou o domínio espanhol e a guerra de independência da Holanda prosseguiu. O Brasil se pronunciou em favor do Duque de Bragança (1640), assinando-se uma trégua de dez anos entre Portugal e a Holanda. Nassau foi substituído. A política holandesa de arrocho provocou a Insurreição Pernambucana de 1645 e os holandeses foram expulsos em 1654, após a segunda batalha dos Guararapes.

No Nordeste do Brasil, os engenhos de cana-de-açúcar viviam dificuldades num ano de pragas e seca, pressionados pela WIC, que sem considerar o testamento político de Nassau, passou a cobrar a liquidação das dívidas aos inadimplentes. Essa conjuntura levou à eclosão da Insurreição pernambucana, que culminou com a extinção do domínio neerlandês no Brasil.

Formalmente, a rendição foi assinada em 26 de Janeiro de 1654, na campina do Taborda, mas só provocou efeitos plenos, em 6 de Agosto de 1661, com a assinatura da paz de Haia, onde Portugal pagou à Holanda 4 milhões de cruzados, equivalente a 63 toneladas de ouro. A principal conseqüência da guerra do açúcar foi o declínio da economia canavieira brasileira pois os holandeses começaram a produzi-lo nas Antilhas. De acordo com as correntes historiográficas tradicionais em História do Brasil, o movimento assinala ainda o início do nacionalismo brasileiro, pois os brancos, africanos e indígenas fundiram seus interesses na luta pelo Brasil, e não por Portugal.

Conseqüências

Em conseqüência das invasões ao Nordeste do Brasil, o capital neerlandês passou a dominar todas as etapas da produção de açúcar, do plantio da cana-de-açúcar ao refino e distribuição. Com o controle do mercado fornecedor de escravos africanos, passou a investir na região das Antilhas. O açúcar produzido nessa região tinha um menor custo de produção devido, entre outros, à isenção de impostos sobre a mão-de-obra (tributada pela Coroa portuguesa) e ao menor custo de transporte. Sem capitais para investir, com dificuldades para aquisição de mão-de-obra e sem dominar o processo de refino e distribuição, o açúcar português não conseguiu concorrer no mercado internacional, mergulhando a economia do Brasil em crise que atravessaria a segunda metade do século XVII até à descoberta de ouro nas Minas Gerais.

Cronologia

1599 - alguns autores computam uma primeira invasão, considerando que a frota do Almirante Olivier van Noort forçou a barra da baía da Guanabara, na Capitania do Rio de Janeiro, com intenções bélicas. Essa visão é incorreta, uma vez que aquele almirante, em trânsito para o Oriente (Índia, Ceilão e Molucas), apenas solicitou refrescos (suprimentos frescos) de vez que a sua tripulação se encontrava atacada por escorbuto. Diante da negativa, premidos pela necessidade, registrou-se uma escaramuça (5 de fevereiro), na qual os neerlandeses foram repelidos, indo obter suprimentos um pouco mais ao sul, na Ilha Grande, então desabitada.
1609 - Holanda e Espanha assinam uma trégua de 10 anos. Durante esse período intensifica-se o comércio de açúcar na Europa, principalmente a partir de Amesterdã, um dos maiores centros de refino.
1621 - Com o encerramento da trégua, empreendedores neerlandeses fundam a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC), que iniciará a chamada Guerra do Açúcar ou Guerra Brasílica (1624-54).
1624 - uma força de assalto da WIC, transportada por 26 navios sob o comando do Almirante Jacob Willekens, conquista a capital do Estado do Brasil, a cidade do São Salvador, na Capitania da Bahia.O Governador-Geral é detido e levado para a Holanda. O governo da cidade passa para as mãos do fidalgo holandês Johan Van Dorth. A resistência portuguesa se reorganiza a partir do Arraial do Rio Vermelho, contendo os invasores no perímetro urbano de Salvador.
1625 - A Coroa espanhola reúne uma poderosa expedição (12.000 homens transportados em 52 navios), sob o comando de D. Fadrique de Toledo Osório. A expedição, conhecida como Jornada dos Vassalos, bloqueia o porto de Salvador, obtendo a rendição neerlandesa. Os reforços neerlandeses não chegaram em tempo hábil a Salvador, retornando ao perceberem que a capital havia sido perdida.
1629 - O Almirante neerlandês Pieter Heyn captura a frota espanhola da prata, o que permitiu à WIC se capitalizar com os recursos necessários a uma nova expedição contra o nordeste do Brasil. Diante dos rumores da preparação de uma nova expedição neerlandesa para o Brasil, a Coroa espanhola envia Matias de Albuquerque para o Brasil, com a função de preparar a sua defesa.
1630 - nova força de assalto da WIC, transportada por 56 navios, sob o comando de Diederik van Waerdenburgh e Henderick Lonck, conquista Olinda e Recife, na Capitania de Pernambuco. Sem recursos para a resistência, Matias de Albuquerque retira a população civil e os defensores, e incendeia os armazéns do porto de Recife, evitando que o açúcar ali aguardando o embarque para o reino caísse em mãos do invasor. Imediatamente organiza a resistência, a partir do Arraial (velho) do Bom Jesus.
1632 - Domingos Fernandes Calabar, conhecedor das estratégias e recursos portugueses, passa para as hostes invasoras, a quem informa os pontos fracos da defesa na região nordeste do Brasil. Atribui-se a essa deserção a queda do Arraial (velho) do Bom Jesus (1635), permitindo às forças neerlandesas estenderem o seu domínio desde a Capitania do Rio Grande até a da Paraíba (1634).
1634 - Em retirada para a Capitania da Bahia, Matias de Albuquerque derrota os neerlandeses em Porto Calvo e, capturando Calabar, julga-o sumariamente por traição e executa-o.
1635 - Forças holandesas, comandadas pelo coronel polonês Crestofle d'Artischau Arciszewski, capturam o Arraial do Bom Jesus, após um longo assédio. Quase ao mesmo tempo outra força, comandada pelo coronel Sigismundo von Schkoppe, cercava e capturava o Forte de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho.
1637 - A administração dos interesses da WIC no nordeste do Brasil é confiada ao Conde João Maurício de Nassau Siegen, que expande a conquista até Sergipe (a sul).
1638 - Maurício de Nassau desembarca na Bahia, mas não consegue capturar Salvador.
1640 - Com a Restauração portuguesa, Portugal assinou uma trégua de dez anos com a Holanda. Nassau conquista os centros fornecedores de escravos africanos de São Tomé e Príncipe e de Angola.
1644 - Suspeito de improbidade administrativa, Nassau é chamado de volta aos Holanda pela WIC.
1645 - Descontente com a nova administração enviada pela WIC, eclode a chamada Insurreição Pernambucana ou Guerra da Luz Divina.
1648-1649 - Batalhas dos Guararapes, vencidas pelos luso-brasileiros.
1654 - Assinatura da Capitulação do Campo do Taborda, em frente ao Forte das Cinco Pontas, no Recife. Os neerlandeses deixam o Brasil.

Fonte: www.smileatyou.com

Invasões Holandesas no Brasil

Os holandeses invadiram e ocuparam o território do Brasil em duas ocasiões:

Em 1624, invasão na Bahia;
Em 1630, invasão em Pernambuco.

A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e lutava por sua independência.

As invasões constituíram um modo de atingir as bases coloniais espanholas - uma vez que, de 1580 a 1640, período conhecido como União Ibérica, o Brasil pertencia às duas Coroas: Portugal e Espanha.

A situação econômica da Holanda, além disso, era difícil, devido ao embargo imposto pela Espanha: os holandeses estavam proibidos de comerciar com qualquer região dominada pela Espanha, perdendo assim o direito de refinar e distribuir o açúcar produzido no Brasil, como vinham fazendo havia vários anos.

Com a invasão, os holandeses pretendiam estabelecer uma colônia voltada para a exploração econômica do Brasil, controlando os centros de produção açucareira. Desejavam, ainda, romper o monopólio comercial ibérico e recuperar seu papel no comércio do açúcar.

AS PRIMEIRAS INCURSÕES HOLANDESAS: 1624-1625

A primeira tentativa de invasão do território colonial brasileiro pelos holandeses ocorreu em 1624, na cidade de Salvador, Bahia, sede do governo-geral do Estado do Brasil. A reação contra a presença holandesa foi intensa. Os luso-brasileiros encurralaram os invasores e impediram seu avanço para o interior, expulsando-os definitivamente em 1625. As investidas holandesas contra Salvador, porém, não cessaram; a cidade foi ameaçada por duas vezes em 1627, quando os holandeses saquearam diversos navios aportados.

OS HOLANDESES EM PERNAMBUCO: 1630-1654

Em 1630, os holandeses invadiram a capitania de Pernambuco, onde estavam os principais engenhos da colônia, e passaram a chamá-la de Nova Holanda. Matias de Albuquerque, que substituíra Diogo Furtado de Mendonça no governo-geral, não conseguiu reunir tropas suficientes para rechaçar a invasão.

Os historiadores têm dividido a invasão holandesa do território colonial em três períodos:

O primeiro período, entre 1630 e 1637, caracterizou-se pelo enfrentamento militar entre holandeses e portugueses. A partir de 1632, entretanto, os holandeses conseguiram se deslocar de Olinda e conquistaram também a Paraíba, o Rio Grande do Norte e ltamaracá, sedimentando sua ocupação na região Nordeste.

O Segundo período, entre 1637 e 1645, foi marcado pelo governo de João Maurício de Nassau, mandado pelo governo holandês para organizar a nova colônia. Apesar dos conflitos constantes, esse período é considerado por alguns estudiosos como a "idade de ouro" do domínio Pernambuco.

O terceiro período da ocupação holandesa, entre 1645 e 1654, correspondeu guerras de restauração e à derrota definitiva das forças holandesas.

O GOVERNO DE MAURÍCIO DE NASSAU: 1637-1644

Em 1637, chegou ao Recife o conde João Maurício de Nassau, com o titulo de governador e comandante-em-chefe. Vinha a convite do governo holandês e da Companhia das índias Ocidentais — empresa recém-criada que havia recebido do governo holandês o monopólio sobre o comércio nas colônias europeias da América.

Nassau fez acordos com os senhores de engenho, fornecendo-lhes empréstimos e adiando o pagamento de dívidas em troca de apoio político. Muitos engenhos haviam sido destruídos durante os conflitos entre luso-brasileiros e holandeses, e os senhores precisavam de recursos para reconstruí-los e modernizá-los.

Diversas medidas econômicas, político-administrativas e culturais marcaram o governo de Maurício de Nassau. Protestante da nobreza, ele exerceu uma política de tolerância cultural e religiosa, permitindo a prática dos cultos religiosos indígenas e africanos. A primeira sinagoga do Brasil data da administração holandesa no Recife. As condições de vida na cidade também melhoraram nesse período, com investimentos em saneamento básico, na abertura de ruas e construção de casas, pontes e canais e na organização das vilas.

Entre os marcos da presença holandesa no Brasil, destacam-se os aspectos cientifico e cultural. O grupo que Nassau trouxe da Holanda, conhecido como "missão holandesa", incluía pintores, desenhistas, astrônomos, médicos, arquitetos, escultores e outros cientistas e artistas. Foram os primeiros a explorar e registrar sistematicamente o cenário natural e humano do Brasil colonial. Na pintura e no desenho, destacaram-se Frans Post (1612-1680), Albert Eckhout (1610-1665), Zacharias Wagener (1614-1668) e Caspar Schmalkalden (1617-1668). O livro Theatrum rerum natural/um brasilioe, reúne centenas de desenhos desses artistas.

A EXPULSÃO DOS HOLANDESES: 1645-1654

Os acordos de Maurício de Nassau com os senhores de engenho trouxeram prejuízos à Companhia das índias Ocidentais, interessada apenas em obter lucros.

Essa situação, agravada por outros incidentes, provocou a demissão de Nassau, que partiu do Recife em 1644. A própria Companhia assumiu a administração da colônia holandesa.

A reação contra a presença holandesa fortaleceu-se quando, ainda em 1644, os holandeses foram expulsos do Maranhão, após uma ocupação de 27 meses. No ano seguinte eclodiu a Insurreição Pernambucana, que contou, em sua etapa final, com a aliança entre os moradores de Pernambuco e os portugueses. Depois de diversas batalhas, os holandeses foram derrotados em 1654. Em 1661, na cidade holandesa de Haia, Portugal e Holanda assinaram um acordo que estabelecia uma indenização devida aos holandeses pelos investimentos feitos no Brasil.

CONSEQUÊNCIAS DA DISPUTA COM OS HOLANDESES

As lutas contra a Holanda tinham como causa a União Ibérica (1580-1640), período em que Portugal ficou sob domínio espanhol.

Com a criação da Companhia Holandesa das índias Ocidentais em 1621, os holandeses procuraram estabelecer as principais bases para seu enriquecimento: a exploração de escravos e de engenhos de açúcar.

Encerrada a ocupação holandesa no Brasil, restava à colônia a herança dos compromissos estabelecidos pela metrópole portuguesa com a Coroa inglesa, outra forma de dominação colonial. Isso porque, tanto na luta contra os holandeses quanto nas disputas contra os espanhóis pelo trono, os portugueses contaram com o apoio dos ingleses. Em consequência, Portugal e Brasil tornaram-se dependentes do capital inglês.

Outra grave consequência da expulsão dos holandeses foi a concorrência promovida por eles na produção de açúcar. Utilizando os conhecimentos acumulados no Brasil, passaram a produzir açúcar em suas possessões nas Antilhas com custos mais baixos e melhor qualidade, provocando a decadência da produção açucareira no Nordeste do Brasil.

Alguns historiadores afirmam que a expulsão holandesa também contribuiu para o surgimento do nativismo pernambucano, já que a província seria o palco de boa parte das revoltas posteriores contra a metrópole portuguesa.

Fonte: educacaoadventista.org.br

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