Em janeiro de 1957, o Iraque apoiou a recém-promulgada Doutrina Eisenhower. Essa doutrina determinava que os EUA daria ajuda militar a qualquer governo do Oriente Médio cuja estabilidade estivesse ameaçada por agressão comunista.

Faisal II e Nuri as-Said.
Em fevereio de 1958, depois de uma conferência entre Faisal II e Hussein I (rei da Jordânia), o Iraque e a Jordânia confederaram-se. A nova união, posteriormente chamada de União Árabe da Jordânia e Iraque (Arab Union of Jordan and Iraq), foi estabelecida como uma medida defensiva contra a República Árabe Unida (RAU), uma federação do Egito e Síria formada em fevereiro do mesmo ano. A constituição da confederação recém formada foi promulgada sumultaneamente em Bagdá e em Amã, em 19 de Março, e o documento foi ratificado pelo parlamento iraquiano em 12 de Maio. Ainda em Maio, Nuri as-Said, ex-primeiro-ministro do país, foi nomiado premier da União Árabe.
Em 1953, foram feitas as primeiras eleições parlamentaristas por sufrágio direto. Restabeleceu-se o governo constitucional e Faiçal II cedeu o trono formalmente.
A tendência pró-ocidental da União Árabe (federação da Jordânia e Iraque), a repressão que sofriam os grupos opositores e o entusiasmo que a criação da República Árabe Unida (RAU), da federação do Egito e da Síria levantou entre os dirigentes nacionalistas do Iraque, (que viam a possibilidade de levar a cabo seus ideais de pan-arabismo), acabaram com a monarquia.
A República Árabe Unida, amargamente antagonista á União Árabe pró-ocidente, despachou repetidas chamadas de rádio incitando a população, polícia e exército do Iraque a derrubarem o governo do país. No dia 14 de Julho de 1958 o exército Iraquiano fez um repentino golpe de estado pan-arabista, liderado pelo general iraquiano Abdul Karim Kassem. O rei rei Faisal II, de 23 anos de idade, foi assassinado, juntamente com a sua família. O primeiro-ministro Nuri as-Said, que era tido como uma figura símbolo da ligação ao Reino Unido foi linchado nas ruas de Bagdad. A União com a Jordânia foi terminada e o novo governo anunciou uma aproximação com a RAU e a dissolução da União Árabe. Foi posto fim à monarquia, fundando-se a República do Iraque.
No seguimento do golpe de Estado de 1958 tiveram lugar algumas reformas sociais e democráticas. Foi aprovada uma nova Constituição, foi permitida a formação de partidos e de sindicatos.
O petróleo foi nacionalizado, bem como outras indústrias, e uma reforma agrária incipiente foi lançada. Ao mesmo tempo era denunciado o pacto de Bagdá e estabelecidas relações próximas com a República Árabe Unida (15 de Julho). Kassem, entretanto, fez tentativas de ganhar a confiança do Ocidente mantendo a oferta de petróleo. Em março de 1959 o Iraque abandonou o pacto de Bagdá, que foi então renomeado de Organização do Tratado Central (Central Treaty Organization). Em junho de 1959 o Iraque abandonou o bloco esterlino - grupo de países cuja moeda corrente era vinculada a libra esterlina britânica.
Após o término do mandato britânico no Kuwait (junho de 1960), o Iraque reinvindicou o território, declarando que a área fazia parte do Estado Iraquiano na época de sua formação. Convidadas pelo governante kuwaitiano, forças britânicas entraram no Kuwait em Julho. O Conselho de Segurança da ONU rejeitou um pedido iraquiano ordenando sua retirada.
Em 1961, houve uma rebelião da minoria curda. O governo do Iraque afirmou que suprimiu a rebelião no Norte do país em 1961-1962. A agitação curda persistiu, entretanto. O longo conflito foi temporariamente apaziguado no começo de 1970, quando o governo prometeu formar uma região curda autônoma e admitiu ministros curdos no gabinete.

Abdel Salem Aref com Abdul Karim Qasim.
Na luta pelo poder que se seguiu entre os golpistas, Qasim levou a melhor sobre Arif, que foi preso. Qasim prosseguiu inicialmente as reformas (reforma agrária de 30 de Setembro de 1958), passou no entanto a governar de forma cada vez mais autoritária. Em pouco tempo tinha-se estabelecido um regime militar autoritário.
Entre 1963 e 1966 registraram-se golpes palacianos sangüinários. Em 8 de Fevereiro de 1963, Kassem foi deposto por um grupo de oficiais, muitos deles pertencentes ao partido Baath, e assassinado no dia seguinte. O coronel Abdel Salem Aref (Abdul Salam Arif) tronou-se presidente e as relações com o ocidente melhoraram. Arif implantou um regime [[Socialismo|socialista] de feição nasserista (Gamal Abdel Nasser era então o presidente do Egito). Em abril de 1966, Aref morreu num acidente de helicóptero e foi sucedido por seu irmão, o general Abdel Rahman Aref (Abdul Rahman Arif).
Durante a Guerra árabe-israelense dos Seis Dias (1967), tropas e aviões iraquianos foram mandados para a fronteira da Jordânia-Israel. Mais adiante, declarou guerra a Israel e fechou seus oleodutos, cortando a provisão de petróleo aos países ocidentais, enquanto rompia relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Em julho de 1968 houve um golpe militar, a ala direita do partido Baath (o qual tinha sido fundado por Michel Aflaq na Síria) assume o poder e o general Ahmad Hassan Al-Bakr, um ex-primeiro-ministro, se colocou a frente do Comando Supremo da Revolução. Al-Bakr tornou-se presidente da República, sendo o seu braço-direito Saddam Hussein al-Takriti (então com 31 anos).
O predomínio militar foi abalado em 1971, quando o líder baathista Saddam Hussein destituiu da vice-presidência o general Salek Mahdi Amas. As relações entre os partidos Baath e Comunista, até então hostis, melhoraram bastante.
Nacionalista, a nova equipe dirigente nacionaliza totalmente o petróleo e as companhias petrolíferas estrangeiras operantes no Iraque (1972 à 1975). Dentre as companhias nacionalizadas estava a companhia petrolífera nacional iraquiana (nacionalizada em Junho de 72), que era até aí propriedade de consórcios britânicos, franceses e americanos, bem como da Fundação Gulbenkian. Ainda em 1972, o Estado ratificou o tratado de amizade com a União Soviética.
O país desfrutou do massivo aumento dos rendimentos do petróleo que começaram no final de 1973, quando o preço internacional do produto aumentaram exorbitantemente. À essa altura, tornou-se um país rico. A grande descoberta de petróleo nas adjacências de Bagdá foi divulgada publicamente em 1975.
Na política internacional, o Iraque distanciou-se neste período das nações ocidentais e passou a ser apoiado pela União Soviética. A equipe dirigente assina um tratado de amizade com Moscou e convida dois comunistas para o Executivo.
A posição de certos países árabes com relação à Israel causou alguns atritos entre o Iaque e seus vizinhos. Em 1971, o Iraque fechou sua fronteura à Jordânia e pediu a expulsão desse país da Liga Árabe por causa do esforço dos jordanianos em esmagar o movimento guerrilheiro palestino operante dentro de suas gronteiras.
O Iraque ajudou a Síria com tropas e equipamentos durante a Guerra árabe-israelense de 1973 (Guerra do Yom Kippur). Clamando por ações militares contínuas contra Israel, o Iraque denunciou o cessar-fogo que acabou com o conflito e se opôs ao acordo negociado interinamente com Israel entre Egito e Síria em 1974 e 1975.
No início de 1974, irrompeu uma luta no Iraque setentrional entre as forças governamentais e os nacionalistas curdos, que achavam inadequada a nova lei de autonomia curda baseada no acordo de 1970. Os curdos, liderados por Mustafa al-Barzani, receberam armamento e outros suprimentos do Irã. Em 1975, um acordo com o Irã (fazendo concessões para acabar com disputas de fronteira) obtêm armistício com os curdos.
A aliança entre os partidos Baath e Comunista rompeu-se em 1978, quando vários dirigentes comunistas acusados de traição foram fuzilados.
Em 15 de Julho de 1979, data da demissão de Ahmed Hasan Al-Bakr por motivos de saúde, o general sunita Saddam Takriti Hussein assumiu o poder, cercando-se imediatamente de uma dezena de oficiais leais, os quais colocou em cargos de responsabilidade. É então que o poder se torna verdadeiramente autocrático, com os primeiros anos de goveno do auto-intitulado El-Raïs el-Monadel (o Presidente Combatente) a serem marcados pela execução de centenas de oposicionistas e o gaseamento de 5.000 curdos em Halabja.
Surpreendido (tal como o Ocidente e as Monarquias do Golfo) pela derrubada do Xá do Irã, Reza Pahlevi, através da revolução fundamentalista do aiatolá Khomeini, Saddam (que também desejava recuperar o controle do Chatt al-Arab) lançou-se, em 22 de Setembro de 1980, numa guerra com o Estado vizinho (Guerra Irã-Iraque).
A 7 de Julho de 1981 um raid da aviação israelita destruiu um reactor nuclear perto de Bagdá, na posse do Iraque. Um reactor que tinha sido vendido a Saddam Hussein pelos franceses. Os israelenses alegaram que a função do reator era desenvolver armas nucleares para serem usadas contra Israel.
A partir de 1983 os EUA aumentaram a sua presença no Golfo Pérsico. O Iraque foi apoiado na guerra contra o Irão pelo Kuwait, a Arábia Saudita e outras nações árabes.
Em Fevereiro de 1986 a península iraquiana de Fao é ocupada por tropas iranianas.
A 16 de Março de 1988, a cidade curda de Halabdscha é bombardeada com gás venenoso.
A 20 de Agosto de 1988 termina a guerra Irão-Iraque, com 250 mil mortos do lado iraquiano.
Em Setembro de 1988 são gaseados os curdos que apoiaram o Irão.

Soldados britânicos na Guerra do Golfo
Terminada a Guerra Irão-Iraque, Saddam Hussein estava fortemente endividado. Um dos principais credores era o vizinho Kuwait. A anexação do Kuwait - e dos seus poços de petróleo - apresentou-se então ao Raïs como uma solução genial. Há décadas que Bagdá reivindicava a reabsorção do emirado arrancado pelos ingleses.
Em 2 de agosto de 1990 as tropas de Bagdá entraram em Kuwait City e recusam-se a abandonar o país, apesar da condenação da ONU. Em Janeiro, quinhentos mil soldados de treze países, encabeçados pelos Estados Unidos e apoiados pela ONU e pela OTAN, restituem o pequeno país ao emir, irrompem no Iraque e aceitam a rendição do exército de Saddam. As forças iraquianas no Kuwait foram derrotadas facilmente, muitas delas rendendo-se voluntariamente à coligação. Antes disso, a coligação bombardeara toda a velha Mesopotâmia durante seis semanas, destruindo as infra-estruturas que os seus próprios governos haviam ajudado a criar e fazendo milhares de vítimas civis.
Após o cessar fogo e o acordo de paz, o governo iraquiano utilizou os restos de seu exército para acabar com a rebelião dos xiitas no sul e dos curdos no norte. Centenas de milhares de curdos se refugiaram na Turquia e no Irã e tropas dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha se instalaram no norte do Iraque para estabelecer campos de refugiados.
Uma zona de exclusão aérea, no Norte, foi imposta pela ONU para proteger os curdos. Em 1993, outra zona, ao sul, foi criada para proteger os xiitas. O poder central se limita a metade do território do Iraque. Essas duas vastas zonas de exclusão aérea são interditas a aparelos locais e constantemente patrulhadas por caças-bombardeiros norte-americanos e ingleses. Periodicamente, ao longo da década de 90, a RAF e a USAF lançaram ataques ao solo, e a própria cidade de Bagdá foi por mais de uma vez alvejada. Em 1994, Saddam Hussein reconhece oficialmente a independência do Kuwait.
A 6 de Agosto de 1990 o conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou a resolução 661, a qual impunha sanções económicas ao Iraque, incluindo o embargo comercial, excluindo material médico, alimentação e outros itens de necessidade humanitária, a serem determinados pelo comité de sanções do conselho de segurança.
O Iraque foi autorizado, de acordo com o programa das Nações Unidas Oil-for-Food (Resolução 986), a exportar 5,2 bilhões de dólares de petróleo todos os seis meses (ou seja 10,4 biliões de dólares por ano) para poder comprar os itens de sustento da população. No entanto, apesar do programa, de acordo com estimativas da ONU, cerca de um milhão de crianças iraquianas morreram durante o embargo, devido à malnutrição e falta de medicamentos.
Com a imposição do embargo econômico, a nação de Saddam Hussein viveu uma profunda crise interna, nomeadamente econômica, mas mesmo assim o regime de Saddam manteve-se inabalável. Em eleições supostamente livres, realizadas em 1995, o povo optou pela permanência de Saddam Hussein no poder.
Na primavera de 1996, a ONU pôs fim ao embargo que pesava sobre o petróleo iraquiano. Em outubro de 1997, a Grã-Bretanha ameaçou usar a força quando o Iraque não permitiu a entrada de uma equipe da ONU no país.
Houve um período de delicado equilíbrio nas relações, mas, em setembro de 1998, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) votou por unanimidade uma resolução, mantendo as sanções contra o Iraque até que Bagdá voltasse a cooperar com os inspetores do desarmamento. Atendendo ao apelo da China, da França e da Rússia, o Conselho acenou com a possibilidade de retomar a cooperação, o que previa um exame conjunto das relações do Iraque com a ONU.
Após a carta entregue in extremis ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, pelo vice-primeiro-ministro do Iraque, Tarif Aziz, foi suspensa pelo presidente norte-americano Bill Clinton a intervenção militar no Iraque. Na carta, o presidente iraquiano Saddam Hussein decidia, finalmente, voltar a cooperar com o desarmamento do país, permitindo a volta dos inspetores da Comissão Especial da ONU. Em dezembro de 1998, ao final de uma série de inspeções fundamentais para testar a cooperação do Iraque, duas equipes de inspetores integrantes da comissão encarregada do desarmamento iraquiano deixaram Bagdá. O chefe dos inspetores, Richard Butler, declarou ter sido impedido de entrar em alguns prédios em Bagdá, o que considerou, em seu relatório, "um fato grave". Poucos dias depois, começou a operação militar de represália contra o Iraque, levada a cabo durante quatro dias pelas forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, motivada pela negativa do presidente iraquiano, Saddam Hussein, de colaborar com os inspetores do desarmamento da ONU. Uma comissão de desarmamento (Unmovic) foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 1999. Em 17 de janeiro de 2000, Kofi Annan, designou Rolf Ekeus para dirigir a comissão. O Iraque manteve sua recusa de cooperar com a Unmovic.
Em 2003, norte-americanos e britânicos (com concurso de outros países), alegando que o Iraque detinha armas de destruição massiva, invadiram o Iraque, sem o aval da Organização das Nações Unidas, que não se convenceu com as "provas" mostradas pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powell, e em total desrespeito à justiça internacional invadiram o Iraque.
A decisão de invadir o Iraque teve declarada oposição de muitas nações entre as quais sobretudo a França, cuja empresa estatal Total-Fina-Elf detinha contratos com Sadam Hussein para a exploração de campos de petróleo de Majnoon e Nahr Umar, os quais representam cerca de 25% do petróleo do Iraque, para além de ser credor de uma larga dívida do ditador. A França era antes da invasão do Iraque também um dos principais parceiros comerciais do ditador, sendo responsável por cerca de 13% das importações de armas entre 1981 e 2001, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).
Fonte: pt.wikipedia.org