Há mais de 10.000 anos tribos nômades se assentaram no que é agora o norte do Iraque, gradativamente foram-se deslocando para o sul e muitos assentaram-se no fértil vale que formam o Tigres e o Eufrátes, e que os gregos chamaram Mesopotâmia. A civilização suméria permaneceu durante 4000 antes do Cristo. A antiga Mesopotâmia foi o berço da civilização suméria e assíria babilônica, na antigüidade. Depois o país pertenceu aos iranianos, helenos e disputado entre Roma e o Irão. No ano 630 foi posse dos árabes e no ano 1534 converteu-se em província do Império Otonão.
Em 1921, com Faysal I como soberano converteu-se em reinado do Iraque, embora seguiu sob mandato britânico até 1932. Em 1955 assinou o pacto do Bagdá com Turquia. Depois da sangrenta revolta de 1958 o rei Faysal II morreu assassinado, e proclamou-se a república. Em 1963 o general Abdul Karin Kassen governava o país e foi derrotado por um golpe militar e substituido pelo coronel Abd-al Salam Aref. Iraque decidiu então unir-se com Síria e Egito na República Arábe Unida, união que fracassou. Criou-se um partido único, a União Socialista Árabe, iniciando-se uma política de nacionalizações que foi freiada pelas pressões burguesas. Em 1966, morre Aref em acidente e é substituido por seu irmão Abd-al Aref, que declarou a guerra a Israel, em 1967. Depois foi derrotado e eleito presidente Hassam Al-bakar, mais progressista.
As dificuldades econômicas e o problema com os kurdos favoreceu um acercamento à União Soviética e a reforma constitucional em favor dos comunistas, que trouxe consigo uma proposta de autonomia das regiões povoadas pelos kurdos.
Em 1979, sobe ao poder Saddam Hussein e em 1980 os conflitos fronteriços com Irão desembocam em uma guerra entre ambos países, o que incidiu negativamente sobre a produção e venda do petróleo iraquiano e as dificuldades econômicas incrementaram-se. Esta guerra transladar-se ia ao Golfo Pérsico. Os ataques entre os dois países continuaram, aumentando a crise econômica.
Em 1968 Irão anuncia o cessar fogo e ambos países iniciam a trégua acordada pela ONU. Iraque aceita acordar as negociações com Irão empregando à URSS como mediadora. Em 1960 Saddam Hussein adverte que tem armas químicas e que irá usá-las para destruir Israel se este atacar o Iraque.
Os problema fronteriços entre Iraque e Kuwait, em grande medida provocados pela disputa da posse das zonas petrolíferas, levam à um confronto verbal entre os dois países que desemboca na invasão do território kuwaiti por Iraque. USA e o resto dos aliados concentram-se contra Iraque na Arábia Saudita. O Conselho de Seguridade da ONU autoriza o emprego da força contra Iraque caso não se retire de Kuwait. Em 1991 Iraque aceita as resoluções do Conselho de Seguridade da ONU e estabelece-se o cessar fogo no Golfo Pérsico.
O Conselho de Seguridade da ONU impusera restritas condições ao Iraque, que incluiam a destruição do armamento nuclear, químico, biológico, etc. Assim como, consertar os danos ocasionados ao Kuwait pela invasão. Hussein não aceitou nunca o novo tratado fronteriço fixado pela ONU, em abril de 1992, que privava-o de vários poços de petróleo e de parte de sua base naval de Umm el-Qasr, e nem a exclusão estabelecida ao sul do paralelo 32 em 1992, pela que seus aviões não poderiam sobrevoar, como medida destinada a proteger as povoações chiítas refugiadas nos pântanos. Os atritos continuaram até que com a mudança do presidente no USA a tensão diminuiu. Porém, Clinton, o novo presidente da Casa Branca, continuou no mesmo estilo que seu antecessor Bush.
Em 1993, o Conselho de Seguridade da ONU decidiu manter a retenção econômica no país, porque considerou que não cumpria com suas obrigações, sobretudo no referente à sua atitude com kurdos e chiítas.
No interior do país as rebeliões, dos kurdos no norte e chiítas no sul, forçou os kurdos a huir para as montanhas e zonas fronteriças de Irão e Turquia. Os chiítas no sul continuavam sendo atacados pelo governo. Um poder kurdo autônomo instalou-se nas montanhas, findando a criação de um Estado Kurdo Federado.
Fonte: www.rumbo.com.br
A história do Iraque inicia-se nos primórdios das civilizações; foi nesta região, maioritariamente equivalente à Mesopotâmia, que foram feitos os primeiros registros históricos, com o surgimento da escrita. Foi lá também, que surgiu a primeira civilização do mundo, a Suméria
Com efeito, tais registros remontam a mais de cinco mil anos, época em que nem mesmo existia boa parte do território do atual vizinho do Sul, o Kuwait, formando com sedimentos trazidos pelos rios Tigre e Eufrates.
Boa parte da história desta região é-nos trazida pela Bíblia, cujos primeiros livros são adaptações de histórias e lendas mesopotâmicas, a exemplo do primeiro, 'Génesis' que já localiza o próprio paraíso terrestre na localidade ainda hoje denominada Édem (ou Adem).
Versões muito mais antigas da lenda do dilúvio universal e da história de Jó, em escrita cuneiforme, podem hoje ser vistas no Museu do Louvre, que recebeu os primeiros materiais arqueológicos das primeiras expedições científicas napoleônicas ao oriente médio.
Sinteticamente, a história inicia-se com o estabelecimento dos Caldeus no sul da Mesopotâmia, sobre população já aculturada de sumérios e Acádios, e subsequente invasão pelos Assírios vindos do noroeste, que lhes cooptaram a adiantada civilização, em especial a escrita a partir da qual nos legaram registros.
Boa parte do período antigo é coberto pelas cidades-estado, muitas das quais enlaçadas em alianças temporárias e ocasionais. Mais adiante, a demorada hegemonia de algumas destas cidades, o acúmulo de poder bélicos de alguns reinos, resultaram na ampliação de territórios organizados sob impérios dinásticos.
Assim sucedeu com a Babilônia, que a certa altura, em expedição de guerra ao Egito, acabou por submeter os judeus ao conhecido Cativeiro da Babilônia de que fala a Bíblia, ocasião em que, afirmam historiadores de renome, estes teriam aprendido a escrita e teriam compilado lendas mesopotâmicas que inseriram na Bíblia.
É no período mais brilhante da civilização mesopotâmica que se fizeram as leis escritas mais antigas, tratando-se do Código de Hamurabi no qual, em três escritas diferentes, estão gravadas leis então vigentes, mas de origem muito mais antigas.
É aí que está escrita a Lei de Talião, cujo conhecido preceito olho por olho, dente por dente era realidade jurídica e legal. Foi também neste documento lítico que se iniciou a decifração do alfabeto cuneiforme, já que continha versões em outras escritas já conhecidas.
Mais adiante, o último e poderoso império babilônico acabou derrotado pelos Persas, cuja civilização e império aí se inicia (e novamente é a Bíblia que registra a libertação dos judeus e retorno à Palestina).
Durante o reinado de Ciro, o Grande, rei da Pérsia, a Mesopotâmia foi transformada numa satrapia (como eram chamadas cada uma das províncias em que estava dividido o império persa) da Pérsia. Ciro permitiu que alguns judeus exilados na Babilônia voltassem à Palestina, mas muitos hebreus preferem ficar na Babilônia, onde se estabelece o segundo grande centro hebraico, sendo superado apenas por Jerusalém. No período, registrou-se um florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumerias e babilônicas eram preservadas nas escolas dos templos.

A região saiu do domínio persa com a derrota do rei persa Dario III pelo imperador macedônico Alexandre, o Grande (ou Alexandre Magno), em 331 a.C. Esse fato marcou o inicio da colonização macedônica na região.
A Babilônia tornou-se importante centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e oriental. Depois da morte de Alexandre, a dinastia selêucida, da Grécia, reinou na Mesopotâmia por, aproximadamente, duzentos anos. Nos anos em que a Mesopotâmia estava incorporada ao Império Selêucida, a religião mesopotâmica sofreu influencias da cultura helenística. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi incorporada ao Império Parta.
Os romanos fracassaram na primeira tentativa de conquistar o país, entre 54 e 53 a.C., mas de 114 a 117 da era cristã o imperador Trajano submeteu a região até Singara, tornando-a uma província de Roma. Depois de abandonado mais uma vez aos partos em 165, o Iraque voltou a ter sua região nordeste ocupada pelos romanos.
A partir do século III d.C., a luta de Roma dirigiu-se contra as pretensões sassânidas (dinastia que reinou na Pérsia de 224 a 651 d.C.) na Mesopotâmia. Em meio à desordem política generalizada, a Mesopotâmia converteu-se, por 10 anos, em parte do reino de Palmira (Síria), até a derrota de Zenóbia, rainha de Palmira, pelo imperador Aureliano. A luta contra os persas prosseguiu até o ano de 298 d.C., quando o imperador Diocleciano submeteu a Mesopotâmia ao poder de Roma. A luta, todavia, continuou e, em 363, os romanos conseguiram uma trégua, mas tiveram que ceder a região de Singara e Níbsis.
Depois da queda de Roma, os habitantes da Mesopotâmia ficararam repartidos entre o Império Bizantino (o Império Romano do Oriente, que sobreviveu mil anos à queda dos césares na Cidade Eterna) e o Império Persa, situação esta que se traduziu numa divisão religiosa. Sob o domínio de Roma, foi gradativa a difusão do cristianismo, por intermédio dos cristãos da Síria, que fundaram o bispado de Èdessa. Esse bispado converteu-se depois à heresia nestorianista, cujos integrantes se congregaram em Nísibis, em meio a uma complicada situação religiosa, na qual as decisões contra o monofisismo do Concílio de Calcedônia (451) acabaram por provocar a cisão dos cristãos em três grupos: nestorianos, jacobitas e melquitas. Os jacobitas e melquitas estavam na esfera de Constantinopla e os nestorianos e zoriostrianos orbitavam em torno dos vizinhos do Leste.
Depois de recuperar suas antigas fronteiras, perdidas durante o avanço de Cosroés I Anocharvan (rei sassânida também conhecido como Khosrô), por volta de 530 a Mesopotâmia do bizantina foi obrigada a enfrentar o agravamento do conflito com os persas, com a perda de diversas cidades e o exílio de um grande número de cristãos. No século VII, os árabes conquistaram a Mesopotâmia e daí até o século VIII a história da região se caracterizou não só por uma série de transformações culturais e sociais e pela fundação de grandes cidades, mas também por intrigas, violência e desordens. Nos séculos seguintes, as cidades iraquianas tornaram-se importantes centros culturais do Islã, e o país se viu envolvido nos choques entre as três grandes famílias étnicas do mundo muçulmano: árabes, iranianos e turcos.

O Califado de 632 à 750.
A conquista do que hoje é o Iraque começou em 633 e culminou em 636, na Batalha de Qadisiyah, uma vila no Eufrates a sul de Bagdá. Nessa batalha, um exército árabe-muçulmano, liderado pelo califa (chefe dos crentes, título de soberano muçulmano) Omar, derrotou decisivamente um exército persa seis vezes maior. O exército árabe moveu-se rapidamente até Ctesiphon, a capital do Império Persa, onde, em 637, venceu os sassânidas e capturou um grande tesouro deles. A maioria dos habitantes logo se tornou muçulmana, inclusive os curdos, embora pequenas comunidades de cristãos e judeus tenham permanecido na região mediante o pagamento de uma taxa. Instala-se, assim, a dinastia dos Omíadas. Esta dinastia, no auge do seu poder, governaria o maior império muçulmano de sempre – da Península Ibérica às portas da China.
Durante o predomínio muçulmano, teve inicio um período de tolerância religiosa e o idioma árabe passou a predominar sobre o siríaco. Em 750, disputas entre as facções muçulmanas dos abácidas e dos omíadas ameaçavam a estabilidade da região. Os omíadas abandonaram Damasco e instalaram-se em Harran, enquanto os abácidas fixaram-se no atual Iraque e passaram a governar o Islã.
Por volta do anos 762, o califa Al-Mansur (o segundo governante da recém implantada dinastia dos abácidas) chamou dois renomados astrônomos, um persa e outro judeu, para que projetassem uma nova cidade do seu império na mesma latitude da cidade de Damasco 33,33º entre as margens do Tigre e Eufrates . Em pouco tempo, eles apresentaram ao califa o projeto urbanístico. Tratava-se de uma urbanização circular semelhante a uma grande mandala vista do cosmo e cujas portas voltavam-se para os quatro cantos do mundo. O nome a ser dado era Madinat Al-Salãm (Cidade da Paz), e seria construída onde outrora ficava a aldeia de Bagdá. Esta cidade foi construída as margens do Tigre, num local onde esse rio se aproxima do Eufrates. A sua posição geográfica era exemplar, pois permitia o controle das férteis terras ribeirinhas, o domínio da desembocadura de ambos os rios (o Canal Chatt-el-Arab), bem como o porto de Bassora, situada quatrocentos quilômetros mais abaixo. Em 762 a capital foi transferida de Damasco para Bagdá, dando início ao Califado de Bagdá. De 762 a 1258, Bagdá foi a capital do califado dos abácidas. Durante esse período, idade de ouro da cultura e do poder islâmico, Bagdá se tornou a segunda maior cidade do mundo conhecido, atrás apenas de Constantinopla, e o mais importante centro de ciência e cultura. Por um tempo, o reino dos abácidas foi uma poderosa potência militar. Suas fronteiras alcançaram o sul da França, à oeste, e as fronteiras da China, à leste.
Em pouco tempo a cidade tornou-se centro de uma interminável peregrinação de estudantes que vinham de todas as partes do Islã para sentar-se próximos aos faylasuf, os filósofos, para beber-lhes a ciência. O saber deles era enciclopédico: homens como Al-Kindi (796-899) e Al-Farabi (870-950) podem ser considerados como os fundadores de um conhecimento verdadeiramente universal, enquanto Ibn Kaldun consagrou-se na história e Al-Khwarizmi (introduziu o conceito de álgebra na matemática). Apesar dos sábios de Bagdá forjarem toda a terminologia técnica da Kalam, a teologia islâmica, sofreram acirrada oposição de fundamentalistas como Ibn Hanbal, um reacionário que rejeitava todas as descobertas da ciência exata e da especulação filosófica por considerá-las heréticas e próximas do ateísmo. Mas os trabalhos da Casa da Sabedoria (instituição especializada em traduções) continuaram e serviram de base para que, em 1066, o vizir persa Nizam al-Mulk fundasse a primeira universidade árabe, que recebeu o nome de Nizamya.
O reinado do califa abássida Harun Al-Rachid representa o culminar da história da civilização islâmica, a hora mágica dos segredos da memória cuja perda os árabes de hoje ainda lamentam. Os contos As Mil e Uma Noites evocam essa era em que a cultura se refinou e floresceram as artes e as letras – num contraste brutal com as trevas da Europa da mesma época, apenas ligeiramente iluminadas pela claridade cintilhante do renascimento carolíngio. Com efeito, na época em que Carlos Magno reinava sobre as aldeias e as pequenas vilas muralhadas do Ocidente, Bagdad contava mais de um milhão de habitantes. Do porto de Baçorá, a sul, terra de Sindbad, o marinheiro, ficcionado pelos contistas orientais, partiam navios mercantes a comerciar por todo o Índico – os mesmos que Vasco da Gama encontraria volvido meio milênio.
O califado dos abácidas começou a declinar na segunda metade do século IX, quando os escravos africanos deram início à Guerra de Zanj, que durou de 869 a 883. Contribuíram para enfraquecer o poder a organização dos Mamelucos (escravos guerreiros turcos que se tornaram tão proeminentes na corte do califa que quase monopolizaram o poder), as pretensões do Egito quanto a soberania da região de Jazirah e uma restauração da influencia bizantina na dinastia macedônica.
Em 945, a dinastia iraniana xiita dos buáiidas, conquistou Bagdá. Eles permitiram, contudo, que o Califado Abássida continuasse como um símbolo de continuidade e legitimidade. Em 1055, os Seljúcidas, um clã turco sunita, ocupam Bagdá. Os turcos Seljúcidas respeitaram o califa abácida, mas só o permitiram ser um fantoche. No final do século XI o poder dos sejúlcidas começou a declinar.
Ao agravamento da crise, em conseqüência das incursões dos turcos e das cruzadas, seguiu-se a vitória de Saladino (sultão do Egito e da Síria, cujo nome em árabe é Salah Al-Din Jusuf) sobre os cristãos, com o estabelecimento da supremacia egípcia no norte da Mesopotâmia.

Estátua eqüestre do Sultão da Síria e do Egito Saladino.
A prosperidade do Sul da Mesopotamia se manteve até o reinado do califa Nisir, que governou de 1180 a 1242. Com grandes ambições políticas, o soberano contratou mercenários mongóis, mas a decisão mostrou-se fatal para sua dinastia pois, em 1258, as hordas mongóis infrenes de Hulagu Khan, neto de Gêngis Khan, apoderaram-se de Bagdá. Hulagu passou pela espada 90 mil de seus habitantes, entre eles o 37º e último califa Nisir. Os mongóis saquearam Bagdá e destruíram todo o atual Iraque, inclusive o extraordinário sistema de irrigação da Baixa Mesopotâmia que os abácidas tinham constuído. Hulagu matou todos os estudiosos da cidade e ergueu uma pirâmide com seus crânios. No ano seguinte, o Norte também foi atacado e a Mesopotâmia teve assim, toda sua estrutura econômica e social arrasada. Douglas Clark escreveu sobre o saque de Bagdá em seu livro Hulagu's Ride:
"Começou então o saque de Bagdá/ Magníficas mesquitas/ Imensas bibliotecas da literatura persa e árabe/ A maior universidade do mundo/ Palácios, palácios, palácios/ Queimados e os homens assassinados/ Mulheres e crianças levadas para Caracorum como escravas".

Hulagu Khan invade Bagdá
A atual região do Iraque tornou-se uma das mais pobres províncias do Império mongol, uma negligenciada área de fronteira, abalada por conflitos internos e pela inépcia dos governantes enviados pelos mongóis, incapazes de reconstruir suas cidades e de manter o controle sobre a região. Em 1335 o último grande governante mongol morreu e a anarquia prevaleceu na Mongólia.

O Império Mongol (1300 — 1405).
Em 1258-1515, o atual Iraque estava devastado. As desgraças de Bagdá, no entanto, não acabam por aí. Enquanto a Europa recuparava-se da Peste Negra mas permanecia ainda mergulhada na Guerra dos Cem Anos, as vagas humanas do conquistador turco Tamerlão (como os Europeus chamavam Timur Leng ou Timur, o coxo, conhecido ainda Príncipe da Destruição pelos asiáticos), restaurador do império mongol, saquearam Bagdá em 1401, massacraram muito de seus habitantes e destruíram a cidade por completo, não deixando pedra sobre pedra na que fora a jóia do Tigre. Por isso, nada resta do plano circular que caracterizava a Bagdá dos califas. Tamerlão também construiu uma pirâmide de crânios. A invasão e conquista de Bagdá marcou o fim de sua grandeza.
No século XIV, turcos otomanos e iranianos (persas) disputaram entre si a supremacia da região até que o império otomano assegurou seu controle no século XVII, o qual durou até o século XIX. Os turcos otomanos, não-árabes originários da Ásia Central e convertidos ao Islã sunita, há muito tempo vinham pressionando o Império Bizantino, acabando por instalara sua capital na cobiçada Constantinopla, a antiga Bizâncio, então rebatizada de Istambul

Xá Ismail I
O Império Otomano conquistou a região mesopotâmica em 1410. Em 1508 os persas, liderados pelo xá Ismail I, o fundador da dinastia dos safávidas, conquistaram a região, iniciando uma série de prolongadas batalhas com os otomanos. Em 1514 o sultão Selim, o Severo, atacou as forças de Ismail e, em 1534, os Otomanos, sob a liderança do sultão Solimão, o Magnífico (ou Suleiman), acabaram por dominar grande parte da região. O sultão soube conquistar a lealdade das populações fronteiriças e não encontrou resistência em seu ataque decisivo à capital. Os safávidas, sob a liderança do xá Abbas, recapturaram Bagdá e grande parte do atual território iraquiano em 1623, e as manteve até 1638, quando foram expulsos depois de várias manobras militares inteligentes do sultão Murad IV. O atual território do Iraque fez parte do Império Turco-Otomano por quase três séculos.
O maior impacto do conflito entre otomanos e safávidas sobre a história iraquiana foi o aprofundamento das desavenças entre xiitas e sunitas. Otomanos e safávidas usavam, respectivamente, sunitas e xiitas para mobilizar apoio interno. Assim, a população sunita sofreu bastante durante o breve reinado safávida (1623-1638), enquanto que os xiitas foram completamente excluídos do poder durante o longo período da supremacia otomana (1623-1916). Durante o período otomano, os sunitas ganharam experiência administrativa que lhes permitiu monopolizar o poder no século XX. Eles foram hábeis em se aproveitar das oportunidades econômicas e educacionais enquanto os xiitas, marginalizados do processo político, permaneceram politicamente impotentes e economicamente deprimidos.