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Imigração Japonesa

 

ASPECTOS HISTÓRICOS

Data de 1868 a Revolução Meiji, que pôs fim ao governo Tokugawa.

O Japão, então, deixa de ser um Estado feudal e passa a ser um Estado moderno.

A economia, baseada quase exclusivamente na agricultura, passou a manufatureira e industrial, o que levou muitos camponeses ao abandono do campo em busca das cidades. Com o rápido aumento da população, a situação sócio-econômica torna a emigração uma necessidade.

Com o término do período Tokugawa, o Japão deixou de se isolar do resto do mundo e passou a assinar tratados de comércio e amizade com diversas nações, dentre elas, o Brasil em 1895.

O intercâmbio de relações refletiu-se sobre o movimento migratório. Os japoneses aos poucos foram se espalhando pelos vários continentes no exercício de diferentes atividades.

Por diversos motivos, os países tradicionalmente receptores da mão-de-obra japonesa começam a fechar suas portas.

Em 1905, os japoneses eram discriminados nos Estados unidos, perseguidos no Canadá, proibidos de entrar na Austrália e estavam sendo limitados no Hawai e Ilhas do Pacífico. As agências de emigração se desdobraram na procura de terras para os nipônicos. Nessa busca incessante, encontraram o Brasil, que com suas dimensões continentais, apresentando vasta área a explorar e a povoar, se caracterizava um país adequado à imigração.

Nessa ocasião da assinatura do Trato de Amizade, o Brasil ocupava um lugar de destaque no mercado internacional de café. Entretanto, em 1896, os preços começaram a declinar e os estoques a avultar. A substituição do braço escravo pelo do imigrante europeu trouxe a instabilidade de mão-de-obra para as fazendas de café, visto que o trabalhador assalariado não estava mais preso e, nas primeiras dificuldades, abandonou a lavoura em busca de situação mais favorável.

Com o término da crise em 1900, os fazendeiros, diante da escassez de mão-de-obra, passaram a lutar para que chegassem ao Brasil novos imigrantes.

REGULAMENTAÇÃO E CONTRATO

De acordo com os decretos que regulamentaram a imigração, dentre outros pontos, seriam considerados imigrantes somente os passageiros de terceira classe; as companhias de navegação ou armadores não poderiam admitir em seus vapores ou navios imigrantes portadores de doenças contagiosas, vícios orgânicos, defeitos físicos que os tornassem inaptos para o trabalho, dementes, mendigos, vagabundos e criminosos; os imigrantes deveriam vir constituídos em famílias de, no mínimo, três indivíduos aptos para o trabalho, ou seja, entre doze e quarenta e cinco anos; o desembarque seria em Santos, de onde os imigrantes seriam transportados para a Hospedaria da Capital à custa do Estado; o governo faria contrato para a introdução de imigrantes; aqueles que se destinassem ao interior do Estado teriam direito ao transporte gratuito até a Hospedaria da Capital ou a outro alojamento qualquer; seria permitido a todo imigrante alojamento e sustento por seis dias na Hospedaria do Estado.

Em 6 de novembro de 1907, agindo de acordo com o artigo 36 do decreto estadual nº 1458, o governo de São Paulo firmou contrato com a Empire Emigration Company (Kokoku Shokumin Kaisha).

O contrato estipulava que seriam introduzidos três mil agricultores, em levas não superiores a mil pessoas, compostas por famílias de 3 a 10 membros com idade entre 12 e 45 anos; poderiam vir pedreiros, carpinteiros e ferreiros em número não superior a 5% do total; a companhia deveria trazer em até quatro meses após a assinatura do contrato, seis intérpretes japoneses que falassem português ou espanhol; ficou estabelecido que o governo pagaria 10 libras por passagem inteira (adulto), 5 libras por meia (crianças de 7 a 12 anos) e 2 libras e 10 shillings por um quatro de passagem (crianças de 3 a 7 anos), os menores de 3 anos seriam transportados gratuitamente; tal pagamento seria feito no prazo de sessenta dias da chegada dos imigrantes à hospedaria; os fazendeiros deveriam reembolsar o governo com 40% dos valores subsidiados, com a permissão de descontar tais cifras dos salários dos imigrantes; o primeiro ano de alojamento correria por conta do governo; na propriedade agrícola os imigrantes teriam direito a casas iguais às fornecidas aos imigrantes europeus; o governo propunha-se a fundar tantos núcleos quantos fossem necessários às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil; os lotes seriam pagos, no máximo, em três prestações e dentro de, no mínimo, cinco e, no máximo, dez anos; só poderiam obter lotes aqueles que tivessem realizado a primeira colheita nas fazendas e estivessem com suas dívidas quitadas.

Era reservada às partes contratantes o direito de rescindir o contrato durante os primeiros seis meses após a chegada da última leva, sem direito a indenização por nenhuma das partes.

Além do contrato feito no Japão com a companhia, um novo contrato firmado com os fazendeiros no Brasil, estabelecia que os imigrantes teriam que terminar a primeira colheita, bem como liquidar as dívidas decorrentes de adiantamentos das despesas de viagem no prazo de um ano agrícola.

Fonte: www.japaoonline.com.br

Imigração Japonesa

A manhã de 18 de junho de 1908 marcou a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. No navio Kasato-Maru, vinham não apenas passageiros ou tripulantes, mas sim um povo que trazia como bagagem sua cultura milenar.

Com o objetivo de prosperar, os primeiros 800 imigrantes, logo estabeleceram contato com o povo brasileiro, o que não foi tarefa fácil devido à dificuldade de adaptação a uma terra completamente estranha, tanto em costumes como em clima. Suas características de povo verdadeiro e organizado não foram suficientes para superar tais dificuldades. No entanto, tais características ficaram para a história.

Os japoneses adaptaram-se com facilidade. Acima de tudo, acreditavam que a força de seu trabalho na terra resultaria em sucesso, pois, mais que um lugar para viver, procuravam um lugar para trabalhar. Tal sucesso foi dificultado pelo mau contrato estabelecido com a Companhia Imperial de Imigração, pois esta os obrigava ao trabalho semi-escravo, em razão da dívida resultante da passagem e da alimentação, que aumentava e impedia o acesso à fortuna, mesmo com o passar dos anos.

Aqui chegando, os japoneses dividiram-se em fazendas (Fazenda Dumont, Fazenda Canaã, Fazenda Floresta, Fazenda São Martinho, Fazenda Guatapará e Fazenda Sobrado). Começaram a trabalhar colhendo café. O contato com outros japoneses e principalmente com o Japão, era praticamente impossível, o que fez a família tornar-se ainda mais importante. Alguns, por causa da saudade, voltaram para o Japão, mas muitos persistiram.

Atraídos ainda pela propaganda de enriquecimento rápido, chegaram em 28 de junho de 1910 mais imigrantes japoneses, perfazendo um total de 247 famílias com 906 imigrantes. As dificuldades foram maiores que na primeira vez, pois o próprio governo de São Paulo, temeroso da volta dos que estavam insatisfeitos, criou um contrato mais duro e mais difícil.

Porém, essa nova leva de imigrantes trouxe mais ânimo aos que aqui já estavam. Com eles chegaram as tão esperadas notícias do Japão e a oportunidade de formação de uma colônia e, com esta, as amizades e os casamentos.

A época não era propícia para o enriquecimento com o café, pois até os donos das plantações estavam em dificuldades. Com o tempo, os japoneses tornaram-se meeiros, pequenos proprietários. Passaram a ter livre iniciativa, o que possibilitou a melhoria de vida.

O sonho de voltar para o Japão começou a ser esquecido, pois a possibilidade de ser feliz aqui começava a se tornar realidade.

Com a formação de novas colônias, não havia mais a preocupação com os vizinhos, porque os costumes eram iguais. As famílias eram fortes e grandes para negociar e viver à sua maneira. Não se tratava, porém, de um mundo isolado. As tradições japonesas eram muito fortes, mas os filhos já eram da nova terra. A adaptação e a aculturação, mesmo com os hábitos alimentares do país eram inevitáveis.

Muitos japoneses se dedicaram ao cultivo do arroz, outros ao desbravamento das matas, outros foram construir uma estrada-de-ferro no Mato Grosso, enfrentando a malária e o clima.

As colônias prosperaram, assim como o sucesso do trabalho no campo, o que não impediu que muitos imigrantes japoneses fossem para cidades e nelas se fixassem.

Regiões do interior de São Paulo foram habitadas pela comunidade japonesa: o Vale do Paraíba, a Alta Noroeste, a Alta Mogiana. As cidades foram crescendo e com elas a população imigrante, agora já bem brasileira.

Fatos históricos, dentre eles a II Guerra Mundial contribuíram, e muito, para dificultar a vida dos imigrantes no Brasil. A impossibilidade de ensinar o japonês, as tradições, as perseguições, a discriminação, as dificuldades com o desemprego pós-guerra. Tudo isso causou grandes danos aos japoneses que aqui viviam.

No entanto, alguns "cantinhos" da cidade de São Paulo foram, com o tempo, adquirindo características nipônicas. A Casa do Imigrante, as associações de moços, ruas do centro, como a Conde de Sarzedas, o próprio bairro da Liberdade, onde tudo era (e é) japonês. São Paulo e seu estado foram se adaptando às influências que recebiam. O universo da cidade foi tomando várias formas.

Novos imigrantes foram chegando e misturando-se aos filhos já brasileiros. Foram 180.000 imigrantes antes da segunda guerra e mais 70.000 depois. Acentuada ficou, porém, a dificuldade de relacionamento dos imigrantes com os descendentes nascidos aqui. Mas a miscigenação era inevitável com o contato com outras raças. Desde a lavoura, onde isso só acontecia se houvesse uma fuga, até as cidades, onde já se podia, embora com restrições, aceitar alguém que não fosse japonês na família, a cultura e a população foram deixando de ser exclusiva de uma colônia para ser de uma cidade.

Chegaram ao todo 250.000 imigrantes. Gerações se sucediam, e cada vez mais aparecia um povo paulista e brasileiro com uma cultura militar e forte

KASATO MARU

Marco da imigração japonesa no Brasil

Imigração Japonesa
KASATO MARU

A imigração japonesa no Brasil tem como marco inicial a chegada em Santos do KASATO MARU, no dia 18 de junho de 1908.

Vindo do porto de Kobe, o navio trouxe numa viagem de 52 dias os 781 primeiros imigrantes vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão além de 12 passageiros independentes.

Aqueles pioneiros chegaram cheios de esperança e sonhos de prosperidade a um país de costumes, língua, clima e tradição completamente diferentes.

A pré­história da imigração

Embora o Japão tenha enviado seus primeiros imigrantes ao Brasil em 1908, os primeiros japoneses a pisar o solo brasileiro foram os quatro tripulantes do barco WAKAMIYA MARU, em 1803, que afundou na costa japonesa. Os náufragos foram salvos por um navio de guerra russo que, não podendo desviar-se de sua rota, levou-os em sua viagem. No retorno, a embarcação aportou, para conserto, em Porto de Desterro, a atual Florianólis-SC, no dia 20 de dezembro, ali permanecendo até 4 de fevereiro de 1804. Os quatro japoneses fizeram registros importantes da vida da população local e da produção agrícola da época.

Outros japoneses estiveram de passagem pelo País incidentalmente, mas a primeira visita oficial para se buscar um acordo diplomático e comercial ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro desse ano, o vice-almirante Artur Silveira da Mota, mais tarde Barão de Jaceguai, iniciou, em Tóquio, as conversações para o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países.

O esforço nesse sentido prosseguiu em 1882, com o ministro prenipotenciário Eduardo Calado, mas o acordo só seria concretizado 13 anos mais tarde: no dia 5 de novembro de 1895, em Paris, Brasil e Japão assinaram o Tratado da Amizade, Comércio e Navegação.

Abertura à imigração

Entre eventos que antecederam a assinatura do Tratado, destaca-se a abertura brasileira às imigrações japonesa e chinesa, autorizada pelo Decreto-Lei nº 97, de 5 de outubro de 1892.

Com isso, em 1894 o Japão envia o deputado Tadashi Nemoto para uma visita, em cujo roteiro foram incluídos os Estados da Bahia, do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Satisfeito com o que viu, Nemoto manda um relatório ao governo e às empresas de emigração japonesas, recomendando o Brasil como país apto a acolher os imigrantes orientais. A partida da primeira leva de japoneses que deveria vir trabalhar nas lavouras de café em 1897, teve, no entanto, de ser cancelada justamente na véspera do embarque. O motivo foi a crise que o preço do produto sofreu em todo o mundo, e que iria perdurar até 1906.

Em 1907, o governo brasileiro publica a Lei da Imigração e Colonização, permitindo que cada Estado defina a forma mais conveniente de receber e instalar os imigrantes. E, em novembro desse mesmo ano, Ryu Mizuno, considerado o pai da imigração, fecha acordo com o secretário da Agricultura de São Paulo, Carlos Arruda Botelho, para a introdução de 3 mil imigrantes japoneses num período de três anos. Nessa época, o governador era Jorge Tibiriçá. Assim, no dia 28 de abril de 1908, o navio KASATO MARU deixa o Japão com os primeiros imigrantes, rumo ao Brasil.

O período da imigraçã

Os 793 japoneses recém­chegados foram distribuidos em seis fazendas paulistas. Enfrentaram, porém um duro período de adaptação.

O grupo contratado pela Companhia Agrícola Fazenda Dumont, por exemplo, não permaneceu ali mais que dois meses. As outras fazendas também foram sendo gradativamente abandonadas pelos exóticos trabalhadores de olhos puxados e costumes tão diferentes. Em setembro de 1909, restavam apenas 191 pessoas nas fazendas contratantes.

Não obstante, no ano seguinte a segunda leva de imigrantes já estava a caminho. E no dia 28 de junho de 1910, o navio Ryojun Maru aportava em Santos com mais 906 trabalhadores a bordo. Distribuídos por outras fazendas, eles viveriam os mesmos problemas de adaptação dos compatriotas que os antecederam. Aos poucos, porém os conflitos foram diminuindo e a permanência nos locais de trabalho mais duradoura.

Donos da própria terra

Os primeiros imigrantes japoneses a se tornarem proprietários de terra foram cinco famílias que adquiriram, em fevereiro de 1911, os seus lotes junto à Estação Cerqueira César, da Estrada de Ferro Sorocabana, dentro do projeto de colonização Monções, criado na época pelo Governo Federal. Essas famílias foram, também as primeiras a cultivar o algodão. Em março de 1912 novas famílias são assentadas em terras doadas pelo governo paulista, na região de Iguape, graças ao contrato de colonização firmado entre uma empresa japonesa e aquele poder público. Iniciado com cerca de 30 famílias - a maioria proveniente de outras fazendas onde os contratos já haviam sido cumpridos - esse foi um dos mais bem sucedidos projetos de colonização dessa fase pioneira. Nesse mesmo ano, os imigrantes atingem o Paraná, tendo como precursora uma família procedente da província de Fukushima, e que se estabelece na Fazenda Monte Claro, em Ribeirão Claro, cidade situada no norte do Estado.

Em agosto de 1913, um grupo de 107 imigrantes chega ao Brasil para trabalhar em uma mina de ouro, em Minas Gerais. Foram os únicos mineiros na história da imigração. Em 1914, o número de trabalhadores japoneses no Estado de São Paulo, já estava em torno de 10 mil pessoas. Com uma situação financeira desfavorável, o governo estadual decidiu proibir novas contratações de imigrantes e, em março, avisou à Companhia da Imigração que não mais subsidiaria o pagamento de passagens do Japão para o Brasil. No entanto, a abertura de novas comunidades rurais, utilizando-se a mão­de-obra existente, continuou. Por essa época ocorreu também um dos episódios mais tristes da história da imigração, quando dezenas de pessoas, que haviam se instalado na Colônia Hirano, em Cafelândia, morreram vítimas da malária, doença então desconhecida para os japoneses.

Adaptação cultural e a Segunda Guerra

Com a aumento do número de colônias agrícolas japonesas, que nesse período se expande principalmente em direção ao noroeste do Estado de São Paulo, começa a surgir também muitas escolas primárias destinadas a atender os filhos dos imigrantes. E em 1918 formam-se as duas primeiras professoras oficiais saídas da comunidade, as irmãs Kumabe, pela Escola Normal do Rio de Janeiro.

Em 1923, Escola de Odontologia de Pindamonhangaba formaria o primeiro dentista de origem japonesa. Essa presença crescente de um povo exótico no País porém não pára de gerar polêmicas. Tanto na esfera executiva como legislativa surgem opiniões a favor e contra a entrada de novos imigrantes japoneses.

Em 1932, segundo informações do Consulado Geral do Japão em São Paulo na época, a comunidade nikkey era composta por 132.689 pessoas, com maior concentração na linha Noroeste. Desse total, 90% dedicava-se à agricultura. Já havia, também diversas publicações em japonês com periodicidade semanal, quinzenal e mensal. Em 1938, ano que antecede o do início da Segunda Guerra Mundial, o Governo Federal começa a limitar as atividades culturais e educacionais dos imigrantes. Em dezembro, decreta o fechamento de todas as escolas estrangeiras, principalmente de japonês alemão e italiano. As comunidades oriundas dos países integrantes do Eixo RO-BER-TO (Roma-Berlim-Tóquio) começa a sentir os sintomas do conflito iminente. Em 1940, todas as publicações em japonês têm a sua circulação proibida. No ano seguinte, chegam as últimas correspondências do Japão. Até o fim da guerra, os japoneses viveriam um período de severas restrições, inclusive com o confisco de todos os bens.

Período pós­guerra

Em 1948, Yukishige Tamura é eleito vereador em São Paulo, tornando-se, assim, o primeiro nikkey a ocupar um cargo eletivo em uma capital.

Já em clima de paz, é restabelecido, em 1949, o comércio entre Brasil e Japão por meio de um acordo bilateral. Um ano depois, o Governo Federal anuncia a liberação dos bens confiscados aos imigrantes dos país do Eixo, e, em 1951 aprova projeto para introdução no País de 5 mil famílias imigrantes. Encorajadas, as empresas japonesas começa a planejar investimentos no Brasil. As primeiras delas chegam em 1953.

Cinqüenta anos após a chegada do navio KASATO MARU a Santos, o número de japoneses e descendentes no País somavam 404.630 pessoas.

O príncipe Mikasa, irmão do imperador Hiroito, visita o País para participar das festividades do cinqüentenário da imigração.

Nas eleições majoritárias de 1962 já se pode observar a plena integração social e política dos brasileiros descendentes de japoneses, quando seis nisseis são escolhidos por meio das urnas: três para a Câmara Federal (Miyamoto, do Paraná; Hirata e Tamura de São Paulo) e três para a Assembléia Legislativa de São Paulo (Yoshifumi Uchiyama, Antonio Morimoto e Diogo Nomura). Em 1967, o príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko visitam o Brasil pela primeira vez.

Na recepção ao casal imperial, a comunidade nipo-brasileira lota o estádio do Pacaembu. Em 1973, chega a Santos o Nippon Maru, o último navio a transportar imigrantes japoneses. Em 1978 a imigração japonesa comemora 70 anos. O príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko participam das festividades e novamente lotam o Pacaembu. No prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, inaugura o Museu da Imigração Japonesa no Brasil.

A integração consolidada

Os anos 60 marcam, em muitos aspectos, a plena integração dos nikkeis, à sociedade brasileira. Além da participação ativa na vida política por meio de seus representantes nas casas legislativas, eles começam a despontar nas áreas culturais, notadamente na grande imprensa - onde o pioneiro foi Hideo Onaga, na Folha de S. Paulo - e nas artes plásticas, com destaque para Manabu Mabe. Também nesse período, durante o governo Costa e Silva, é nomeado o primeiro ministro descendente de japoneses, o empresário Fábio Yassuda, que assumiu a Pasta da Agricultura, sem, no entanto, cumprir integralmente sua gestão.

No futuro, dois outros seriam chamados a assumir cargos equivalentes: Shigeaki Ueki, como ministro de Minas e Energia do governo Geisel, e Seigo Tsuzuki, como ministro da Saúde do governo Sarney. A inauguração da sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa na rua São Joaquim, em 1964, foi outro marco importante.

O Bunkyo passou a promover e/ou coordenar a maioria dos grandes eventos que envolvessem a comunidade nipo-brasileira como um todo: aniversários da imigração, visitas ao Brasil de membros da Família Imperial, etc.

A partir da década de 70 começa a surgir as primeiras obras literárias escritas por nikkeis, tendo como temas o Japão e os imigrantes, entre eles: Japão Passado e Presente, de José Yamashiro (1978), História dos Samurais, também de Yamashiro (1982), e a obra considerada como referência obrigatória dentro da história da imigração, que é O Imigrante Japonês de Tomoo Handa, lançado em 1987. Em 1988, no 80º aniversário da imigração, comemorada com a presença do príncipe Aya, filho de Akihito, o Censo Demográfico da Comunidade, feito por amostragem, estimava o número nikkeis no País em 1.228.000 pessoas.

Nesse final de década, a comunidade nipo-brasileira, e o próprio País já começam a sentir os efeitos de um novo e curioso fenômeno que se alastrava rapidamente entre as famílias nikkeis: os dekasseguis.

O fenômeno dekassegui

A ida de milhares de japoneses e descendentes, do Brasil para o Japão seguindo o caminho inverso dos imigrantes do KASATO MARU, mas com objetivos semelhantes, começam há cerca de 12 anos e atingiu o auge no início desta década, marcando-a como um dos eventos mais importantes da história da imigração japonesa nesse período. Para analisá­la, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa realizou, em 1991, o "Simposio sobre o fenômeno dekassegui". E no ano seguinte é criado o CIATE - "Centro de Informação e Assistência aos Trabalhadores no Estrangeiro" - com a colaboração do Ministério do Trabalho do Japão. Esse serviço tem sua sede no prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.

Por essa época, surge também a primeira obra literária de ficção escrita por uma nikkey, tendo como personagens descendentes de japoneses, e abordando também o fenômeno dekassegui: Sonhos Bloqueados, lançado em 1992 pela professora Laura Hasegawa. Outro importante acontecimento desta década foram as comemorações, em 1995, do centenário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão. A princesa Norinomiya, filha de Akihito, já então imperador do Japão, veio prestigiar as festividades. Em 1997 o próprio casal imperial faz uma visita de dez dias ao Brasil, provocando grande emoção na Comunidade. Em 1998 a Comunidade nikkei de todo o País comemorou com festa os 90 anos da imigração. Nessa festa, a única sobrevivente da primeira leva de imigrantes, sra. Nakagawa, estava presente.

Decorrido todo este tempo desde sua chegada ao Brasil, o KASATO MARU permanece como marco da imigração japonesa no Brasil.

Os japoneses vieram de muito longe

A história da imigração japonesa no Brasil começou por volta de 100 anos atrás, no dia 18 de junho de 1908. Este ano estão comemorando o centenário da chegada no Brasil.

Nesse dia, o Kasato Maru, um navio a vapor que trazia 781 japoneses, chegou ao porto de Santos, no estado de São Paulo.

Imigração Japonesa
Navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros japoneses ao Brasil

Os japoneses esperavam enriquecer e voltar

Como aconteceu com os europeus, os japoneses foram atraídos ao Brasil pela possibilidade de adquirir um pedaço de terra, ganhar dinheiro e, também, fugir da pobreza em que viviam no Japão.

Preocupadas com vários governos europeus que desaconselhavam a imigração para o Brasil por causa dos maus tratos dos patrões, as autoridades brasileiras começaram a incentivar a vinda de trabalhadores japoneses para cá. Então, assim como aconteceu com os italianos, várias propagandas, prometendo enriquecimento rápido, ajudaram a atrair os japoneses para cá.

Ao contrário dos europeus, a maior parte dos japoneses não tinha a intenção de ficar definitivamente no Brasil: eles esperavam juntar algum dinheiro e retornar ao Japão. O motivo principal para isso eram as enormes diferenças culturais entre brasileiros e japoneses, como a língua e a alimentação.

Com os japoneses não foi diferente

Os cafeicultores brasileiros usaram com os trabalhadores japoneses as mesmas técnicas usadas com europeus: para mantê-Ios presos às fazendas, vendiam produtos indispensáveis, como alimentos e ferramentas, a preços altíssimos. Assim, sempre endividados, os japoneses também ficavam impedidos de abandonar o trabalho nas fazendas em busca de uma vida melhor nas cidades.

Imigração Japonesa
Japoneses chegando à Hospedaria de Imigrantes na cidade de São Paulo, nos anos de 1930

Em busca da liberdade

Acompanhe a seguir um relato sobre como agiam os imigrantes japoneses que resolviam fugir do trabalho forçado nas fazendas de café.

"Como não se podia pretender usar veículos, tinha-se que estar decidido a fugir a pé. [...] Se sabia que no caminho iria necessitar de pouso, então teria que levar a esteira [...] e o casaco [...]. Quem fosse para longe tinha que andar até a estação da estrada de ferro. [...] Como fazia calor excessivo durante o dia, caminhava noite. Para tanto, precisava prevenir-se de alimentos, pois seria muito arriscado procurar os armazéns. De modo que utilizava atalhos no mato, por onde passassem poucos caminhantes [...]." Citado em Fernando A. Novais (Org.). História da vida privada no Brasil, v. 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 236.

A exemplo do que ocorria com os italianos, nas fazendas de café paulistas, os imigrantes japoneses estavam sujeitos a uma espécie de escravidão por dívida. Inconformados, muitas vezes a única saída era a fuga noturna por atalhos no meio do mato.

As dificuldades em se adaptar

A língua falada pelos japoneses era muito diferente do português. As instruções sobre como cuidar dos pés de café, por exemplo, eram transmitidas por mímica.

Os japoneses precisavam conviver e se relacionar com os brasileiros, mas, para isso era preciso aprender a língua portuguesa. Depois de algum tempo no Brasil, os filhos dos japoneses começaram a freqüentar as escolas brasileiras. Com isso, muitas vezes eram as crianças que traduziam para os adultos o que era dito em português.

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Alunas e professores da Escola Japonesa de Santos, no estado de São Paulo, em 1934

A alimentação dos brasileiros era diferente

A alimentação dos brasileiros também era muito estranha aos japoneses.

Os imigrantes sentiam falta de consumir o arroz e verduras do modo como era preparado no Japão.

Tinham que comer carne-seca e o feijão com toucinho, que eram desconhecidos e desagradáveis aos japoneses.

Como não sabiam o modo de preparar muitos alimentos da cozinha brasileira, os japoneses, no princípio, consumiam a carne-seca e o bacalhau seco assados, mas não sabiam que tinham de fervê-los antes para amolecer e retirar o excesso de sal, então comiam tudo duro e muito salgado, sentindo-se muito mal, sofriam muito, pois preferiam mesmo era a tradicional comida japonesa, principalmente o arroz.

As moradias também eram diferentes

A esperança de retomar à terra natal e as enormes diferenças em relação aos hábitos dos brasileiros faziam com que os japoneses se preocupassem mais em economizar qualquer dinheiro que ganhavam do que com qualquer conforto.

A vida nas fazendas de café do Brasil era tão diferente da que levavam no Japão que o desinteresse pelo cuidado da casa era total.

Assim, nesses primeiros anos no Brasil, os japoneses estavam mais preocupados em tentar reproduzir aqui os hábitos alimentares com que estavam acostumados, Dessa forma, era comum, nos finais de semana, que eles abandonassem suas casas para cultivar arroz e verduras, por exemplo.

Imigração Japonesa
Imigrantes japoneses já estabelecidos no Brasil, no interior do estado de São Paulo

Os japoneses adotaram muitos costumes brasileiros. Leia uma descrição das primeiras moradias de imigrantes japoneses.

“A sala muitas vezes não passava de um espaço vazio, sem mesa, bancos ou cadeiras e não era mais que um depósito [...] onde o imigrante ao voltar do trabalho depositava seus instrumentos de trabalho e pendurava suas roupas em simples pregos. Com o passar do tempo, no entanto, deixavam de receber as visitas no leito de madeira coberto com esteira, único móvel providenciado quando chegaram ao Brasil, no qual sentavam à moda japonesa, com as pernas cruzadas para conversar, e passaram a construir mesas e cadeiras [...]". Citado em Fernando A. Navais (Org.). História da vida privada no Brasil, v.3. São Paulo: Companhia das letras, 1998. p. 260.

Fazendo o caminho de volta

Muitos anos atrás, muitos japoneses começaram a vir para o Brasil como imigrantes.

Hoje seus netos e bisnetos estão fazendo o caminho de volta. São os chamados decasséguis, que são brasileiros que migram para o Japão em busca de empregos e salários melhores. São mais de 250 mil pessoas, a maior parte trabalhando nas fábricas de produtos eletrônicos, de carros e na construção civil.

Ultimamente, o desemprego cresceu e os decasséguis, estrangeiros, passaram a ser vistos pelos japoneses como rivais que estão no país deles para tirar-lhes o emprego.

Fonte: www.geocities.com

Imigração Japonesa

Imigração Japonesa no Brasil - O Kasato Maru e os primeiros imigrantes

Em 18 de junho de 1908, os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, a bordo do Kasato Maru. Uma nova era estava prestes a começar para a cultura brasileira e etnia, mas a permanência não estava em primeiro lugar na mente dos trabalhadores recém-chegados que responderam ao apelo de um acordo de imigração Japão-Brasil. A maioria deles tinha imaginado a sua viagem como um esforço temporário - uma maneira de alcançar a prosperidade, antes de regressar ao seu país natal.

A viagem de Kobe para o porto de Santos, no Estado de São Paulo, durou 52 dias. Além de 781 trabalhadores vinculados pelo acordo de imigração, também havia 12 passageiros independentes. O Tratado de Comércio, Amizade e Navegação que fez a viagem possível tinha sido assinado em Paris, em 1895. No entanto, uma crise na indústria de café do Brasil, que durou até 1906 tinha atrasado a primeira entrada de imigrantes japoneses.

Em 1907, uma nova lei permitiu que cada estado brasileiro a estabelecer suas diretrizes de imigração próprias. Estado de São Paulo determinou que 3.000 japonês poderia imigrar ao longo de um período de três anos.

A Saga Begins

Japão passou por grandes transformações sob o imperador Meiji (Mutsuhito), governador de 1867 até sua morte em 1912, que tomou sobre si a missão de modernizar o Japão. Alguns eventos do período afetou a economia negativamente. Na transição do século XIX para o século XX, o Japão sofreu as seqüelas da Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) e da Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Entre outras dificuldades, o país estava lutando para reabsorver os soldados que retornam.

Enquanto isso, a indústria de café no Brasil foi crescente e uma maior necessidade de trabalhadores agrícolas, em parte devido à libertação dos escravos, em 1888, havia solicitado ao governo brasileiro a abrir as portas à imigração. Antes de imigração japonesa começou, muitos imigrantes europeus entraram no Brasil.

Em uma exposição no início de 2008 sobre a imigração japonesa no Brasil, no Museu do Café em Santos, um documento listado os locais de origem dos imigrantes a bordo do Kasato Maru:

Okinawa
Fukushima
Kagoshima
Kumamoto
Hiroshima
Yamaguchi
Aichi
Ehime
Kochi
Miyagi
Niigata
Tóquio

A viagem do Japão para o Brasil foi subsidiado pelo governo brasileiro. Campanhas publicitárias oportunidades de trabalho no Brasil para a população japonesa prometeu grandes ganhos para todos dispostos a trabalhar em fazendas de café. No entanto, os trabalhadores recém-chegados logo descobriria essas promessas eram falsas.

Chegada ao Brasil

Made in Japan , uma publicação brasileira sobre Nikkei (japoneses e descendentes) a vida, relata que as primeiras impressões dos imigrantes japoneses foram registrados em um notebook por J. Amâncio Sobral, inspetor de imigração brasileira. Ele observou limpeza dos novos imigrantes, paciência e comportamento ordeiro.

Após a chegada em Santos, os imigrantes no Kasato Maru foram recebidos no apresentar um dos imigrantes. Eles foram então transferidos para São Paulo, onde passaram alguns dias em outra loja, antes de ser levado para as fazendas de café.

Realidade dura

Hoje Memorial da Imigração em São Paulo, com base no edifício que substituiu lodge os primeiros imigrantes ", tem uma réplica de uma habitação japonesa em uma fazenda de café. Mesmo que os imigrantes japoneses viviam em condições frugal no Japão, aqueles que não poderia se comparar com os galpões de madeira nua com piso de terra que os aguardava no Brasil.

A dura realidade da vida nas fazendas de café - alojamentos inadequados, carga de trabalho brutal, contratos que os trabalhadores vinculados às condições injustas, como ter de comprar suprimentos a preços exorbitantes em lojas de plantação - causados muitos imigrantes de romper contrato e fugir.

Segundo dados do Museu da Imigração Japonesa no Liberdade , São Paulo, publicado pela ACCIJB - Associação para as Festas da Imigração Japonesa no Brasil, as 781 Kasato Maru trabalhadores contratados foram contratados por seis fazendas de café. Em setembro de 1909, apenas 191 imigrantes ainda estavam nessas explorações. A primeira fazenda a ser abandonada em grande número era Dumont, na cidade atual-dia de Dumont, SP.

De acordo com Ferroviárias Estacoes do Brasil , antes da chegada dos primeiros imigrantes japoneses a fazenda Dumont tinha pertencido ao pai de Alberto Santos Dumont , pioneiro da aviação do Brasil. O inativa estação de trem Dumont em que os primeiros imigrantes japoneses chegaram ainda está de pé.

Imigração continua

Em 28 de junho de 1910, o segundo grupo de imigrantes japoneses chegaram ao Santos a bordo do Maru Ryojun. Eles enfrentaram dificuldades semelhantes na adaptação à vida em fazendas de café.

Em seu papel de "Ser" japonês "no Brasil e Okinawa" , o sociólogo Kozy K. Amemiya explica como trabalhadores japoneses que abandonaram fazendas de café de São Paulo aventurou tanto quanto o Nordeste e outras áreas remotas, a criação de associações de apoio que estavam a tornar-se um fator crucial em desenvolvimentos mais tarde históricos da vida japonesa no Brasil.

O último Kasato Maru imigrante a passar era Tomi Nakagawa. Em 1998, quando o Brasil comemorou 90 anos de imigração japonesa, ela ainda estava viva e participou das festividades.

Fonte: gobrazil.about.com

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