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Uma Sevilhana Pela Espanha

João Cabral de Melo Neto

No sol de mar do céu de Cádiz,
mediterrâneo e classicista,
que dá às coisas mais terrosas
carne de estátua ou peixe, vítrea,

ela seguia carne
do campo de Sevilha:
carne de terra adentro,
carnal, jamais marisca

___________

Durante essas ruas paris
de Barcelona, tão avenida,
entre uma gente meio londres
urbanizada em mansas filas,

chegava a desafio
seu caminhar sevilha:
que é levando a cabeça
em flor que fosse espiga.

____________

Dentro da vida de Madrid,
onde Castela, monja e bispa,
alguma vez deixa-se rir,
deixa-se ser Andaluzia,

logo se descobria
seu ter-se, de Sevilha:
como, se o riso é claro,
há mais riso em quem ria.

_____________

através túneis de museus,
museus-mosteiros que amortiçam
a luz já velha, castelhana,
sobre obras mortas de fadiga,

tudo ela convertia
no museu de Sevilha:
museu entre jardins
e caules de água viva.

(Serial, 1959-1961)

Fonte: www.academia.org.br

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