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Cancioneiro guasca

João Simão Lopes Neto

Carta amorosa

Menina, vou-te dizer:
No - Domingo - em que te vi,
Fiquei todo embelezado
Das prendas que vi em ti.
Na - Segunda - me aprontei
Para te ir visitar;
Encantou-me esse teu rosto,
Fiquei louco por te amar.
Na - Terça - continuei
Com essa mesma amizade;
Assim fora do teu rosto,
Como é da minha vontade!
- Quarta - por todo o dia,
Tudo p'ra mim foi flor;
Sabendo que ia lucrar
Delícias do teu amor.
- Quinta - falei ao teu pai,
Ele disse - que cedia,
Porém faltava saber-lhe
Se tu, meu bem, me querias.
Foi no dia - Sexta-feira -
Tive novas da tua mãe;
Disse que fazia gosto,
Que não te criou p'ra freira.
- Sábado - não te arrependas
Dos filhinhos que há de ter;
Ou com eles ou sem eles,
Tu, comigo hás de viver.
- Domingo - se vires moços,
Repara para a feição,
Para não te arrependeres
Depois da nossa união.

Teimosos

1.° TEIMOSO:

A teimar ninguém me iguala;
Eu, ao mais teimoso, topo!
- Há de ser de pau, o copo,
Enquanto Deus me der fala! -

É coisa que me regala;
Ser nas teimas infinito...
- É de pau, e bem bonito!...
- É de pau, e bem perfeito!...
- É de pau o copo feito!
- É da pau! tenho dito!...

2.° TEIMOSO:

A teima é coisa gostosa!...
Já teimo por devoção;
Mesmo não tendo razão,
Armo teima calorosa.

Teimo com fleuma espantosa;
- Que pode o gelo queimar;
- Pode o fogo congelar;
- Ser o sol globo de neve;
- O chumbo ser muito leve;
- Que os peixes vivem no ar!...

"Monarca"

Nos meus pagos sou moço conhecido
Por monarca de grande opinião;
Tenho fama em todo este rincão,
E, por Deus! que sou quebra destemido!

E se houver algum mais presumido,
Que apareça, esse grande quebralhão,
Que pisotear-lhe-ei de, no garrão,
E a rebenque levar esse atrevido!

Sou toruna e meio abarbarado;
Se me pisam no poncho, já m'esquento
E puxo do facão sem mais cuidado.

Por vida! daqui eu não me ausento,
Sem deixar algum diabo codilhado!
Depois, então me corto que nem tento!

"A vila do Rio Grande"

Tetos de erva, paredes de pântano,
Nome de vila e construção d'aldeia;
Quase coberta de volante areia
Dos combros que aqui crescem todo ano;
Brisas do vento leste e minuano,
De moscas, pulgas, bichos, é bem cheia;
Não sei quem tanto inseto aqui semeia
Para causar às gentes nojo e dano?
De pé em diminuto batalhão,
De cavalo os dragões mais esforçados,
De voluntário, uma legião.
Dizem que há nos campos muitos gados;
Esta é do Rio Grande a habitação
Onde purgando estou os meus pecados.

Requerimento

Ao Presidente Eliziário, ao tempo da Revolução de 1835.

Diz:

Teotônio José Lopes, do Brasil, que preso sem denúncia e sem causa vil, sofre na presiganga cruel violência; estreito fecho lhe rouba a existência.

Com luz de vela escreve, sem ponto, nem til, porque de outra luz o priva o alguazil, carcereiro indômito e sem clemência.

Todos na presiganga têm luz meridiana; o suplicante sofre a luz tirana da lei que, no presente, rege o Brasil. O suplicante é constitucional e não republicano, entretanto lhe dão luz por um cano. Ar e luz pede, Exmo. Sr., pela lei e pela missa, esperançado haja por bem fazer-lhe justiça.

Despacho

"Da prisão o comandante,
"Despido de prevenção,
"Informe se o suplicante
"É poeta ou é tratante;
"Se no que alega há razão,
"Se merece consideração,
"Se o que diz - é por graça
"Ou por força de cachaça."

Já no meio da quadrilha
Encontrei a sia Maria,
E falei-lhe em casamento;
Ela me disse - não sei...

Depois, passado um momento:
É o papai qu'há de saber...
Vejam pois meus senhores
De que jeito não fiquei!

DEFINIÇÃO

Um homem teimoso é como um quadrado de infantaria; teimoso e genioso, é o mesmo quadrado... mas com artilharia no centro!...

Sara-cura

Uma ervazinha chamada sara-cura
Que somente não cura como sara,
Está em propaganda pelo Cura
E por sua comadre D. Sara.

E no ponto onde habita o bom do Cura
Que os males todos só por gosto sara,
Já não existe o mal que traz secura
Pois este mal, há muito que cessara.

Lá, tanto a Sara cura como sara
O interessante e desvelado Cura,
Que diz que todo o mal pronto sara;

Mas com efeito, tudo ali se cura
Ou na falta de Sara o Cura sara
Ou na falta do Cura a Sara cura!

Infantis

Pelo sinal!
Do bico real!
Comi toicinho,
Não me fez mal!...
Se mais houvesse,
Mais comeria,
Adeus, compadre,
Até outro dia!

Amanhã é domingo,
Pé de cachimbo!
Cachimbo quebrou-se,
Tudo acabou-se!
Galo monteiro
Pisou na areia;
Areia era fina
Tocou no sino;
O sino era de ouro
Tocou no touro;
O touro era valente,
Matou muita gente,
Deixou só o Vicente
P'ra lavar a "bunda"
Com água quente!

Dois epitáfios

- No túmulo de uma moça -

Dorme aqui, na sombria soledade
Quem viveu sem viver!...
A flor mais bela,
Oh! vós que passais, deixai uma saudade!
Auras de noite, suspirai por ela!

(Lôbo da Costa)

- No túmulo de um avô -

Há vivos que já não vivem;
Dores que não têm conforto
Nós as sentimos por ti,
Que vives estando morto!

(?)

IX - Modernas

Dedicado

Quem, desde a constituinte,
Vem sendo herói vigilante
Sem descansar um instante?
Júlio.

Quem, com esforço hercúleo
Mantém a lei que s'expande
Pelo amado Rio Grande?
Prates.

E quem em duros embates
De invejas, ódios, traições,
Sabe honrar as tradições?
Castilhos.

Pois demos a nossos filhos,
Como exemplo de valor,
O grande organizador
- Júlio Prates de Castilho

?

Um coronel muito brabo,
Lá do cerco de Bagé,
Resolveu fazer sapatos
Com couros dos maragatos;
Porém um Juca diabo
Ligeiro e bem bom de pé,
Com cargas de lança seca
Escavacou-lhe a maleta;
E para encurtar razões
Destes casos tão falados:
Só se viram - estacões -
No duro chão espetados...
Que nem o chefe da praça
Se atreveu a lonquear,
Nem a gente de a cavalo
Se atreveu a lancear...

Sina

Pelos nomes dos festeiros,
Predizem os agoureiros:
- General Joca Tavares,
azares. -

- Júlio Prates de Castilhos,
caudilhos, -

- Gaspar Silveira Martins,
ruins fins -

- João de Barros Cassal,
tal e qual. -

Como as coisas se farão
Nossos filhos saberão...
Pois nós nos presentes dias
Vivemos só de arrelias...

O major (+) Floriano

Quando a gringada se mete
Nada tem que ver,
Se lhe deve de sacar
- Pataleando!

Se não servem, vão andando,
Que o sol vem e a lua vai,
E cada filho tem seu pai,
Do mesmo jeito.

Eu por fim, este preceito,
De um velho já muito andado
Por este mundo de Cristo,
- Aprendi:

Não falo do que não vi;
Não tomo camorra alheia;
Também de matungo magro,
- Não caio.

Não vê! Quando vem um raio,
Não traz rumo nem ponteiro,
Vem viajando d'escoteiro
- E corta;

Caminha por qualquer porta,
Atalha qualquer janela,
E sobre quem se lhe olha pára
- Estoura!

Eu já estou de barba moura,
Mas quase me achei muchacho,
Quando o major, sem empacho,
- Respondeu,

uando pisar pretendeu
A ministrada estrangeira,
Esta terra brasileira,
Como reúna!

E o caboclo... ai! juna!
Passou a mão no bigode,
Como quem quer e não pode
Saltar...

Amigo! Se a coisa estala,
Porongo sempre dá cuia...
Mas logo tudo se cala,
Perante a força tapuia.

Por isso que o major
Perguntado de mau jeito
Se estrangeiro se metia
Na nossa íntima folia,
Deu logo a nota maior,

De quem se não avassala;
E abrindo o peito à fala,
Respondeu logo, a preceito;
- Que recebia o sujeito
A bala!

MOTE

Pela Pátria, em Pátria alheia.
Sofrendo a dor da saudade.

GLOSA

Se do Céu baixasse à terra
O nnosso grande Redentor
Tinha de ver, com horror,
Os males que a luta encerra,
Porque numa interna guerra
Como a que o Brasil pranteia
- Que irmão com irmão se odeia
É não ter dó nem piedade
Deixar-nos mirrar de saudade
Pela Pátria, em Pátria alheia;
Mil vezes dormir sem ceia,
Sem colchão, sem travesseiro
Do que ver um povo inteiro
Pela Pátria, em Pátria alheia!

Por isto me falta a idéia
Para com pura verdade
Descrever a crueldade
De Castilhos e Floriano,
Que traz povo soberano
Sofrendo a dor da saudade.
Mas, se não fora a idéia,
Que suaviza a crueldade,
Morta estava a felicidade
Do infeliz emigrado
Que se vê hoje exilado,
Sofrendo a dor da saudade!

Que fartura

O nosso general S...,
Eu vos direi sinceramente
Com suas doces palavras
Nos enganou friamente.

Nos enganou friamente,
Como passo a demonstrar;
Dizendo: - nestas paragens,
Fartura se ia encontrar -

Fartura se ia encontrar
De gado gordo e cavalo;
Mas tudo foi ao inverso,
Nos causando grande abalo.

Nos causando grande abalo,
Nesta região serrana,
Aonde p'ra alimentar-nos
Não se encontra nem banana.

Não se encontra nem banana
É um completo extravio...
Só se encontra porco e burro
E também - algum bugio.

E também - algum bugio
No galho de algum pinheiro;
Isto é a pura verdade
Porque eu não sou embusteiro.

Porque eu não sou embusteiro,
E falo com altivez,
E se houver quem me duvide,
Torno a falar outra vez.

Torno a falar outra vez,
Dizendo cobra e lagarto,
Soldado a pé e faminto
De falar nunc'está farto.

De falar nunca est'farto
E assim cumpre a sua sina:
- Pra onde foi o general?
- Foi p'ra Santa Catarina!

- Foi p'ra Santa Catarina.
Nos deixando em confusão;
Nós comendo carne magra,
E ele, peixe e camarão.

E ele, peixe e camarão,
Bom café com bolachinha;
E nós - churrasco sem sal,
E quase sempre sem farinha.

E quase sempre sem farinha,
E sem erva para mate;
Mas, soldado de Gumercindo
O seu valor não abate!

O seu valor não abate
Nem na hora dos perigos,
Pois do General Gumercindo,
Os soldados são amigos.

Os soldados são amigos
Do valente general,
Que defende com valor
O partido federal.

Eu sou um pobre gaúcho
Que nem sei expressar;
Desculpem, caros amigos:
- Quem não tem não pode dar. -

A morte de Gumercindo

Federalistas, chorai
A morte dum bravo teu!
Depois de mil sacrifícios
Em Carovi pereceu.

Em Carovi pereceu
Esse herói de tanto brio;
Em um reconhecimento
Bala infernal o feriu.

Bala infernal o feriu...
Maldita fatalidade!
Morreu esse grande homem
Esse herói da liberdade!

Esse herói da liberdade
Nesta guerra fratricida.
Lutou, sempre vencedor,
Até que perdeu a vida.

Ele os dias já tem findo,
Mas a fama existe cá;
A terra te seja leve,
Vencedor do Paraná!

Vencedor do Paraná,
Sempre humano no conflito,
Morreste, mas o teu nome
Ficará na história escrito!

Jamais será olvidada...
Sua morte é pranteada
Da família e dos amigos,
E também da gauchada.

E também da gauchada
Com quem na luta se via;
Do Rio Grande em geral,
De quem tinha a simpatia.

Oh! cruel fatalidade!...
Ante vós me vou curvar;
E cedendo à lei do destino,
Devo sofrer e lutar!...

Combate do rio Negro

A fuga de Antero Pedroso

De dentro do baluarte
Branco pano já subiu
As forças se admiraram.
Muitos bravos protestaram
Da pressa de quem pediu.

Pelos longes, nas coxilhas
O inimigo pasmou,
Esperava resistência
E não aquela paciência
E logo se aproveitou.

Isidoro estava inerte,
Já nem sabia ordenar
Galonados se meteram
E tudo comprometeram,
Podendo tudo salvar.

Pica-paus e maragatos
Custaram todos a crer
No que os seus olhos viam
- Panos brancos que subiam! -
Sinal de armas render.

Nesta hora Antero Pedroso
Mantinha ainda um piquete
Nas dobras duma canhada
E vendo aquela empreitada
De quem não tinha topete.

Dispersou a sua gente
E convidou quem topasse
O amargo cerco romper
E não se deixar prender
Quando a roda se fechasse.

O terror já dominava
Tantos gaúchos valentes
Que peleavam sem susto,
Nesta hora a muito custo.

Então Pedroso e um negro
- Negro macota e puava! -
Largaram logo os arreios
E de em pêlo, sem receios
Fingindo que nada se dava.

Foram encontrar a força
Inimiga, que orgulhosa
Vinha apertando os vencidos
E os dois - que dois destemidos! -
Bramindo em boca jocosa.

Iam passando e dizendo:
"Apenas gente! O Joca, general
Por mim vos manda dizer
Que acabam de se render
As forças do marechal".

"Agora vou adiante
Eu e este camarada
Avisar que venha vindo
E mudando, no caminho
As forças da cavalhada!"...

Mais um grupo, outro piquete
Infantes, cavalaria,
Reservas e sentinelas
A todos, com mil cautelas
A mesma ordem repetia.

Alfim, já fora das garras
Do inimigo embuçalado,
Os cavalos, de mansito,
Puseram a galopito,
P'ra evitar um alarmado.

Mas, lá de dentro do cerco,
Os maragatos estranhando
Que, só dum lado a sua gente
Viesse tão de repente
Sem ordem, sinal ou mando.

Mandaram logo indagar:
- "P'ra que chegavam-se assim? -
- Que ninguém havia dado
- Tão absurdo mandado
- E que parassem por fim"!

Então um, mais vivaracho,
Viu logo o buçal passado
Ao ver que nos prisioneiros
Carrancudos e altaneiros,
Antero não foi achado.

"Ah! gavião! sorro ladino!
De todos nós tu mangaste?!...
Saía gente a todo o rumo,
E vivo ou morto, presumido
Que o encontre e isso baste!"

Mas logo compreenderam
Que o caboclo destorcido
Se lhes havia saído
Dentre as mãos, 'stando seguro,
E como a noite fez um muro
Entre a má perseguição
E a heróica salvação
De vergonha emudeceram.

E Antero o pescoço salvou,
Que Manoel sacrificou!...

Gumercindo morreu

Na entrada da primavera
Nem uma só flor nasceu,
A brisa se foi, passando...
- O Gumercindo morreu... -

O sol cobriu-se de luto,
Toda a terra estremeceu
E o figurão das estrelas...
- O Gumercindo morreu... -

Curvai a fronte, guerreiros,
Tirai da fronte, o chapéu
Cobri de crepe as divisas
- O Gumercindo morreu... -

O mar, medonho, rugia
Com furioso escarcéu
E as ondas bramindo dizem:
- O Gumercindo morreu... -

Findou-se o vulto eminente,
O tarumã já perdeu,
Os federais vestem luto
- O Gumercindo morreu... -

Ele aí vem, todo assustado, borrado, o nosso

Pinheiro Machado
Vem tocado lá da Serra
Pelo - grão gênio da guerra -
Vem se vendo atrapalhado
Meio sério, meio rindo
Vem seguindo o Gumercindo
- Vem assustado, borrado,
Nosso Pinheiro Machado. -

Pobre coitado!
Vem maltratado
À retaguarda,
Por ser doutor:
Vem disparando
Desapontado...
Todo estropeado
Pobre estupor!...

Levaram o Gumercindo
Meio sério, meio rindo,
Meio mal, meio embrulhado...
Voltam agora apanhando
Cheios de horror e gritando:
- Vem assustado, borrado,
Nosso Pinheiro Machado. -

Há de ser lindo
Ver-se o Machado
Todo rodeado
De maragatos
Chico mentira
Fala gritando:
- Não somos patos!...

O Hipólito e Sampaio
Que nem deles é paio
Pois pouco têm apanhado;
Hão de estar preparando
Para fugir exclamando:
- Vem assustado, borrado,
Nosso Pinheiro Machado.

O negro Adão

Saiu do fogo do inferno
Esbraseado, um tição
O Diabo cuspiu em cima
Ficou feito o negro Adão.

Primeiro chiou três vezes
Antes de tomar feição,
Pouco a pouco foi-se vendo
A cara do negro Adão.

A fumaça deu os olhos
P'ra clarear a feição,
E a ponta de pau de fogo
O queixo do negro Adão

A boca saiu da racha
Que mostra todo o carvão,
A cinza deu os ouvidos
P'ra cara do negro Adão.

O nariz saiu dum nó
Que tinha o pau do tição
(...............................)
A cara do negro Adão.

O negro Adão (Resposta)

Saiu do fogo do inferno
Esbraseado, um tição.

GLOSA

Se negra a pele do homem,
É branco seu proceder:
E nunca o há de perder,
Com temor que outros o tomem;
Pois muitos há, que se somem,
Quando é hora do perigo...
Do negro Adão o castigo,
- Pior que o gelo do inverno -
Seria se o tal amigo,
Saiu do fogo do inferno.

Para morder pelas costas,
O camoatim eu conheço,
Que até vira pelo avesso
O barro duro e as botas...
Se és - Claro - p'ra que t'encostas
Na tisna do negro Adão?...
Não te vá doer a mão
Ao pegar sem precaução,
Este, de que tanto gostas,
Esbraseado, um tição.

Biguá em terra firme

Sr. Saldanha da Gama
Lá do Rio de Janeiro,
Nos seus barcos a vapor
Não anda muito folheiro...

E desejando botar
Ilhapa nova no laço,
Quer vir cá p'ro Rio Grande
Nos fazer trocar o passo.

Se ele vier para cá,
Virá agüentar repuxo,
Visto que laçar navio
Não é novo p'ra gaúcho.

Não venha, seu almirante,
General de água salgada:
Não venha, porque bem pode
Pagar a mula roubada.

O biguá na terra firme
Não corre: tropica e cai;
E mesmo num banhadal
Também a trompaços vai.

Ora pois - cada macaco
Vá ficando no seu pau:
Quem é campeiro, é no campo;
Mas marinheiro... babau!...

Se for p'ra socar canjica,
Isso sim, poderá vir
Mas, p'ro mais, passe de largo,
Caro lhe pode sair!...

Fonte: www.ufpel.tche.br

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