-- Então agora me dê, me dê. Agora você não tem razão para não me dar essa bundinha linda.
-- Eu não.
-- Mas por que não? Não, você vai me dar, você vai me dar, você está brincando. É mais dinheiro que você quer? Claro, tenho lhe dado pouco dinheiro, estupidez minha, de quanto você está precisando? Eu lhe dou o dinheiro que você quiser e você vai me dar essa bundinha que eu estou alisando tão gostoso, não vai? -- Eu não.
-- Me dê, está aqui, agora não tem problema, você pode dar, eu faço tudo o que você quiser.
-- Não dou. Pode pegar, pode alisar, pode apertar, pode beijar, pode lamber, pode dar mordidinha, pode ver tudo o que quiser, mas eu não dou.
Nunca dei. Deixei alisar, deixei pegar, deixei abrir, fiquei de quatro, mugindo e chamando ele de meu touro, deixei beijar, deixei meter a língua um bocadinho, exibi muito a bunda, mas nunca dei. Cansei de ficar nua, com ele correndo atrás de mim no quarto e eu fazendo poses de sílfide esvoaçante e falando mais ou menos parnasianamente, arcadicamente, romanticamente. Assim prometi a ele que um certo dia, num incerto porvir, em incerto arrebol, nesse incerto dia com certeza eu daria ao certo, ele podia ter como favas contadas, tripudiei o que foi possível, mas nunca dei, e eu sabia que nunca ia dar, ele não sabia. Quer dizer, sabia, mas tinha esperanças voluntaristas, era um babaca do mais alto coturno, não sei por que minha mãe dava a ele, só se meu pai era ruim de cama, coisa sobre a qual nunca vou poder testemunhar, esta vida é ingrata mesmo. Nem tampouco dei a ele pela frente, acho que foi isso que acabou matando ele, porque, quando eu finalmente resolvi contar que não era mais virgem, ele endoidou e me ofereceu absolutamente tudo o que eu quisesse, pago antecipadamente, mas eu não dei. Uma vez ele estava em pé e eu chupando o pau dele sentada, sem botar as mãos no pau, como ele gostava -- de vez em quando eu fazia as coisas mínimas de que ele gostava, não só porque também não sou nenhuma Torquemada, como porque gostava de mostrar como podia fazer dele gato e sapato -- eu estava chupando ele muito aplicadamente mas pensando em artistas de cinema e aí resolvi isso que vou contar. Sem quê nem para quê, disse a ele que ia lhe dar minha bundinha; mas antes ia chupar mais um bocadinho; e então cantei Eine kleine Nachtmusik assim: "Vou, vou-vou, eu vou é lhe chupar! Vou, vou-vou, eu vou é lhe chupar!". Allegro vivace: "Vou-vou, lhe dar a bunda, vororororô, mas você vai broxar!". Mais ou menos assim, agora não está saindo, mas na hora encaixou tudo certinho, notadamente a intenção, porque, quando ofertei minha bunda e disse que já tinha feito muito bem a minha parte e agora era com ele e acrescentei um "venha logo" petulante, ele obviamente broxou. Visão patética, ele choramingando "mais uma chance, mais uma chance" e eu respondendo "menos uma chance, menos uma chance", não sou realmente tão boa quanto gosto de me achar, embora me tenha na conta de enviada de Deus, sério mesmo. Mas não fico metida a besta com isso, antes humilde. Pode parecer mentira, mas eu acredito muito em Deus, foi Ele Quem fez tudo, louvado seja Deus. Existe maior sádico, no melhor dos sentidos, do que Deus? Não precisa ler Sartre, que já foi a moda das modas, basta participar de um papo de botequim filosófico. Deus, Deus, Deus, eu acredito muito em Deus, acredito na Providência Divina, acredito mesmo. Preguiça de explicar a quem é preso a paradigmas hebraicos ou conciliares. Simpaticíssimos, os meus Budas ditosos, impossível deixar de gostar deles.
Meu querido tio Afonso Pedro, de saudoso sarro, foi quem me deu a bolsa de estudos para Los Angeles. Ele perguntou se, depois que eu voltasse, dava para ele de verdade e eu disse "dou esta bundona linda, ponha a mão debaixo de minha saia e pegue aqui para sentir, pegue debaixo da calçola, passe a mão na minha regadinha", e ele pegou e passou a mão fora de si e, quando eu voltei, ele cobrou, e eu disse que estava com a cabeça mudada e não dava nada, foi aí que ele deve ter começado a estuporar e teve um enfarte na frente da televisão, vendo um filme policial americano, ele venerava os americanos, grande babaca. Bom filho da puta, não tenho a menor gratidão pela bolsa, acho até que foi muito pouco para ele transar com uma menina de minha categoria, muitos quiseram mas nem tantos conseguiram, só os que eu quis.
Numerosos, numerosos, graças a Deus, mas somente os que eu quis.
Eu sempre tive as coxas poderosas: de frente, redondas e bem talhadas, terminando em joelhos perfeitos; de lado, com aquela cavadinha que até hoje eu tenho, uma escultura sutil que entontece qualquer conhecedor do assunto; de trás, é até covardia falar. Bom, eu sempre tive um senhor par de pernas e coxas, não há como inovar na descrição. Um senhor par de pernas e coxas, pronto, embora eu ainda ache que merecia algo mais elaborado, não é justo. E "poderosa" está sendo uma palavra muito desgastada, como aconteceu com "gênio" e, antes, com "formidável". Uma pena, porque não acho outra, coxas poderosas, é isso, mas é muito mais, um poder não só físico como emocional e psicológico; é, poderosas. Formidáveis, no sentido antigo, também servia, embora não tanto. Narcisa, não é verdade? Oh well. Bom, eu sempre tive grandes coxas. E sei usá-las como órgão sexual de primeiro escalão, principalmente em pé, já vi muito homem despencar na minha frente, às vezes era muito bom. Volta e meia me assalta a vontade de escrever um livro sobre isso, porque sei que é uma arte que está se perdendo e é uma pena. Tomar nas coxas é insubstituível, e eu estou segura de que, no nosso imenso Brasil, agora mesmo, há centenas demilhares de mulheres e muitos rapazes tomando nas coxas, geralmente em lugares de alto risco.
Isto, naturalmente, faz parte. Espero que o progresso não venha, mais uma vez, matar o desenvolvimento e a evolução desejável, assassinando essa arte veneranda. Não percebemos uma porção de valores culturais importantes, ficamos pensando sempre em cantorias nordestinas, Aleijadinho, escolas de samba e macarronadas paulistas, mas e o bom e velho ante portas, de tanta, tão intricada e colorida história? Onde fica ele? Onde ficam as coxas? Terá meu tio morrido tão ingloriamente que seus feitos comigo não farão sentido para as gerações futuras? Pues que sí, si es así, por supuesto... Não tenho gratidão a ele por nada, nem pela bolsa nem por nada, nem mesmo pelos bons orgasmos juvenis que ele me proporcionava e ajudavam a dar vazão a minha energia sexual compulsiva, nem mesmo porque tive experiências mais ou menos raras. Não que eu possa botar o dedo em cima de alguma vantagem que isso porventura signifique, mas há um quê de singular e interessante em ter na memória o tempo em que gozei com um homem chamando-o de "titio", ou "meu tio".
Sim, certamente não há vantagem nisto, mas eu já comi um tio, alguma coisa há de significar. Eu gostava de trepar dizendo "titio", mas ele não sabia disso. E também tive orgasmos muito melhores, inclusive e notadamente com parentes próximos, como Rodolfo. Esse tio só tinha a grande vantagem de eu poder exercitar meu sadismo especializado numa boa, sou uma sádica competente. Algo me diz, contudo... Algo mente mesmo pra caralho.
Parêntese: agora eu quase gaguejei e cheguei a cogitar dizer "pra caramba", como tenho ouvido por ai. Que horror! Como a maioria dos eufemismos, que coisa pequeno-burguesa atrasada. Todo mundo sabe que a pessoa está querendo dizer "pra caralho" e, em vez disso, em vez de procurar decentemente outra figura de linguagem, usa esse barbarismo intolerável.
Todo mundo que diz "pra caramba" para mim é um imbecil.
Normalmente não me ocorreria dizer essa coisa inominável, mas deve ter sido porque o que estou falando vai ser, espero eu, escrito, digitado e impresso. Quer dizer, eu ainda padeço, embora me gabe de não padecer, da relação ritualística que o babaca do ser humano mantém com a palavra escrita. Terá sido por isso que a escrita era inicialmente privilégio de sacerdotes e depois de monges? Ou por causa disso existe essa reverência cretina? Não sei, já falei nisto antes, mas não me canso de falar. Chega ao ponto de muitos débeis mentais se orgulharem de "falar como se escreve", como se a grafia não fosse uma tentativa muito defeituosa de engessar as palavras em símbolos metidos a fonéticos, como se se pudesse pedir a um chinês para falar como se escreve, como se a escrita tivesse precedido a fala. Ouço gente pronunciando os emes finais, como se esta merda desta língua fosse inglês. Umaúm, dizem eles, e não apenas nasalando o som do u, em "um-a-um". Se fosse assim, "um alho" era a mesma coisa que "um malho", "um olho", "um molho", e a língua ficaria inviável. Outro abléptico que eu conheço -- só quem estudou Medicina Legal é que sabe estas palavras, quem quiser que vá ao dicionário -- pronuncia a palavra "muito" como se escreve, ou seja, "múito", sem nasalação do u. Ai! Realmente, somos uma espécie muito atrasada e só faltamos bater a testa no chão para coisas a que não daríamos a mínima importância se fossem somente faladas. Estão escritas, assumem sacralidade, tanto assim que, como eu também já disse, certas palavras nunca adquiriram passaporte para a escrita e, quando conseguem penetrar pela mão de algum mártir, são logo deportadas de volta, condenadas à clandestinidade ou confinadas em guetos, como fazem com gente.
Ridículo, patético, mas inelutável, as palavras são de fato um mistério, um dia eu escrevo um livro louco, só quero escrever um livro louco, em que as palavras possam detonar, explodir em todos os tipos de significados, provocar todo tipo de reação. Eu queria libertar todas as palavras, eu sei que isso parece veadagem de poetastro juvenil, mas que é que eu posso fazer, é o que eu sinto, eu queria libertar as palavras. Idiota, você também. Acaba delírio lingüistico, fecha parêntese.
Algo me diz, falava-lhes eu... Ha-ha-ha-ha! Ha-ha-ha-ha! Ai, meu Deus... Desculpe a crise de riso, mas eu me senti, não sei por quê, meio Lacan, declamando todas aquelas baboseiras desconexas e ininteligíveis, e os crentes tentando decifrá-lo como quem decifra Nostradamus ou a pitonisa de Delfos, quando é claro que ele mesmo não sabia que merda estava falando, suspeito que tomava qualquer coisa para o juízo. Descia as ventas numas quatro carreirinhas gordas e ia à luta. O que se fala e escreve de merda engalanada na França é inacreditável, eu mesma nunca engoli nada dessa empulhação que confunde ininteligibilidade e chatice com profundidade, nem Lacan, nem Godard, nem Robbe-Grillet, nada dessas merdas, tudo chute e chato, e quem gosta é porque foi chantageado a gostar e, no fundo, se sente burro. Sartre ainda tinha umas coisas, se bem que L.etre et le néant é a mãe dele, mas ainda tinha umas coisas, às vezes era arrebatador. Não, não tenho nada que me sentir como Lacan, eu...
Ha-ha-ha, desculpe, é dessas crises de riso que a gente não consegue deter. Lacan... Imagine a cena, um maluco furibundo, com o miolo cheio de cocaína ou anfetamina, despejando aquela enxurrada amazônica de non sequiturs esbugalhados em cima de uma platéia que nunca entendeu e até hoje vive tentando comicamente entender e terminando por falar do mesmo jeito e acabando invariavelmente por infelicitar alguém. Ele não escreveu porque, provavelmente, não conseguia sentar para escrever. Tem gente assim. Eu também, quando ficava ligadona, era assim, não parava quieta, nem na cama. Devia haver um nome para essa doença, ou pelo menos para alguns de seus sintomas. Não a doença dele, que era uma variante neurológica maligna de glossolalia, nada de extraordinário. Eu me refiro à doença dos religiosos dele, os iniciados, os sacerdotes e, naturalmente, os que usam o tal "tempo lógico" -- como se o Mestre dos Mestres jamais houvesse proferido alguma coisa de lógico -- mais espertamente, só deixando o sofrente falar dois minutos e mandando-o às favas para ter tempo de atender a mais noviços. Lógico para o bolso; é uma.
Não, eu não tenho nada a ver com Lacan; sim, there is method in my madness. Algo mente muito, já disse e repeti, mas, como de hábito, vou esquecer isso e mais uma vez dar-lhe crédito. Algo me diz que não sou uma sádica, digamos, geral, sou uma sádica seletiva. Com Rodolfo mesmo, com Rodolfo, como era diferente! O pior dia de minha vida foi quando eu voltei para casa quase amanhecendo e lá estava o recado de que Rodolfo tinha morrido num desastre de carro. Ele ainda chegou vivo ao hospital e perguntou por mim. E eu na casa de Chiquinho, cheirando pó com Fernando, Marcito, Miltinho, Eliana, Rita e Laís, aquelas coisas de pó, que na época eu achava a verdadeira redenção da consciência e da convivência perfeita entre a razão e prática, e hoje acho uma merda aviltante. Lembro que Eliana, que também tinha uma tesão de jegue nele, havia combinado que a gente ia fazer uma suruba.
Cheguei lá trincada e morta de raiva da pobre da Eliana, que até hoje felizmente é minha amiga. O padre e os médicos nos olharam atravessado, ele tinha acabado de morrer. Não esqueço aquele instante pavoroso, a gente completamente louca, de olhos arregalados, fazendo bico e suando como chaleiras e eu mal segurando a vontade de esculhambar o padre, e meu irmão morto.
Dei um beijo na boca dele e fui ao enterro de óculos escuros e cheirei no cemitério, passei o resto do dia enfurnada no quarto e o resto do mês odiando o mundo e uns bons anos desatinada e a vida desamparada. Eu era louca por meu irmão, ensandecida, fanática, quem falava qualquer coisa dele virava meu inimigo. Ele era lindo, parecia comigo, só que mais bonito ainda, era grande como eu, tinha os mesmos lábios, os mesmos olhos verdes, um bigode indizível, desses que descem pelas comissuras quase como o dos mongóis do cinema, só que mais cheio e menos comprido, era a pessoa mais carinhosa que se possa conceber, tinha um canto de olho enrugadinho como eu nunca vi em ninguém, a voz só um tantinho rouca, mas forte, os pés enérgicos, suaves, doces, violentos, tinha as mãos mais sexy que alguém pode ter, tinha uma bunda esplendorosa, não há palavra para descrever aquela mistura realmente inefável de masculinidade e feminilidade, aquele jeito de deitar de bruços com as pernas dobradas, aquele sorriso entre maroto e tímido e no fundo resoluto, uns dentes como nunca houve dentes, esporrava mais longe e fartamente do que jamais algum homem esporrou, tinha um pau lindíssimo, delicado e ao mesmo tempo afirmativo e mais duro do que a consciência da Alemanha, tinha uma inteligência acachapante, umas virilhas de cheiro inebriante, os cabelos mais macios do planeta, uns grunhidozinhos impossíveis de imitar, umas caras tão lindas na hora de trepar -- e olhe que já vi as mudanças de cara na hora de trepar mais espetaculares, como é bela a mudança de cara na hora de trepar, é o conhecimento absoluto --, tinha orgasmos pelos peitos igual a mim, orgasmos completos, tinha um ofegar inimitável na hora de gozar, tinha a melhor trilha sonora de que já participei, tinha um umbigo irrepreensível, entre pêlos mais macios que barriga de ovelha, tinha o melhor nariz que já entrou pelas minhas pernas acima, um cangote irresistível, tinha um saco que dava imediata vontade de beijar e lamber e que me fazia gozar quando esfregava a cara nele, tinha um jeito de bater punheta para gozar na minha boca só na última hora que até agora me deixa endoidecida, tinha uma maneira de me penetrar por trás que eu nunca esqueço, oferecendo lindo seu pau ereto para que eu chupasse e molhasse e depois metendo tudo dentro de mim, eu de quatro e ele amassando meus peitos e me xingando e fazendo questão de puxar o pau para meter de novo devagar até o fundo e mordendo meu pescoço e me puxando pelos quadris e eu abrindo a bunda com as mãos para ele me meter ainda mais fundo, ele tinha tudo, tudo, tudo, ele me comeu de todas as formas que ele quis, e eu também comi ele, eu adoro meu irmão, nunca mais a vida foi a mesma coisa, ele estava sempre, ele era sempre, eu nunca podia ficar só porque ele existia, ele era minha referência e meu parceiro básico, meu macho e minha fêmea, ele me deixava molhada todas as vezes em que me tocava, ele anunciava que ia gozar em mim como um césar em triunfo, me elogiava antes, durante e depois, o pau dele pulsava em minha boca antes de ele gozar, todas as minhas entradas palpitavam antes de ele meter, eu subia para o céu quando ele levantava meu traseiro e me transfigurava numa potranca sendo enrabada pelo puro-sangue seu irmão, o único que sonhe ser tudo, macho, puto, fêmea, descarado, sádico, masoquista, mentiroso, verdadeiro, lindo, feio, disposto, preguiçoso, lindo, lindo, lindo, lindo, meu irmão Rodolfo.
Ele teve três mulheres, Cláudia, Verena e Cida, hoje a viúva oficial. Me dou muito bem com ela. Me dou bem com todas as três, aliás. Três mulheres superiores, cultas e finas, as três sabiam que eu era tarada por Rodolfo e até tinham uma certa apreciação estética por isso, sempre nos demos muito bem mesmo, e Verena nós chegamos a comer juntos algumas vezes. Ela topava com muito espírito esportivo, mas acho que preferia ler e jogar a sexo, era uma coisa que, quando ela fazia, divertia-se razoavelmente, mas, quando não fazia, parecia não sentir falta.
Caso mais comum do que se pensa, é algum aleijão ainda não adequadamente estudado. A moderação sempre me intrigou, não consigo compreendê-la direito e tenho um certo medo dessas pessoas deliberadas e pausadas, que pensam no que lentamente falam e fazem sempre o que devem fazer, nos limites que querem observar. Só consigo ser desabrida e só me dou efetivamente bem com os desabridos, seja como pessoas, seja como artistas ou pensadores. Cida era diferente, mas nunca chegamos a ter nada.
Ela cheirava e eu também, e tivemos um frete, como se diz na Bahia. Nunca pintou nada de concreto, só uns beijos na boca e uns amassos, mas eu creio que, se Rodolfo não tivesse morrido, acabava acontecendo alguma coisa. Cida beijava muito bem e sempre me alisava muito, e a gente sempre se amassava nos peitos, nas despedidas. Uma vez, a gente cheirando, Rodolfo pediu para mamar em mim, e ela ficou assistindo, pegando em meu outro peito, me beijando na boca e se esfregando em nós. Mas o negócio dela era mais falar, pensando bem. Isso acontece muito com pó, Fernando que o diga, Deus o tenha, morreu de enfarte também e me deixou umas coisinhas.
História de minha vida, ai minha história, tão rica, tão curta.
Vittorio Gassman tinha razão, numa entrevista que eu vi na tevê: a vida devia ser duas; uma para ensaiar, outra para viver a sério. Quando se aprende alguma coisa, está na hora de ir. Desde que meus peitos cresceram, nós começamos a brincar de mamãe e neném, mesmo ele sendo mais velho do que eu. Eu me sentava, ele deitava a cabeça no meu colo, eu tirava um peito, punha os dois dedos perto dos mamilos, ele mamava de olhos fechados e mais ou menos gemendo, e ficávamos assim um tempão. Depois eu mudava de peito e ele continuava a mamar. Depois a gente evoluiu e eu ficava afagando o pau dele, enquanto ele mamava. Depois evoluímos ainda mais. Eu nunca ficava nua, só tirava os peitos, mas ele ficava nu. Depois foi indo, foi indo, a gente praticamente começou a transar, e eu fiquei para sempre cativa da bunda dele.
Não havia nada melhor no mundo do que comer a bunda dele. Ele botava um travesseiro embaixo dele, e eu o cavalgava com um prazer que nunca senti, nem com homem, nem com mulher, nem com veado, aliás eu não gosto muito de transa com veado, só por amizade, amigos veados eu tenho muitos, me dou bem com eles. Com Rodolfo, a bunda era um gozo monumental, não só porque ele era especial, como porque fazia a mulherzinha sem deixar de ser macho, é indescritível, só presenciando, só vivenciando. Eu o possuía todo, este tem que ser o termo, enroscada nele, me esfregando nele com força, abrindo-o para me esfregar bem fundo, e ele se deixava comer lindo, um deus dourado debaixo de mim, e eu mordia a nuca dele, amassava os peitos dele, apertava o pau dele, e ele voltava o rosto para me dar a língua quando eu pedia.
E depois ele me comia. Geralmente era ele me chupando e eu alisando a bunda dele, mas eu também gostei muito quando ele passou a me comer por trás, eu levantava a bunda na hora em que ele ia meter e adorava quando ele me pincelava e fazia que ia entrar mas não entrava, até que aquele pau grossão se enfiava todo em mim -- ninguém me venha com essa história, muito citada por aí e até sacramentada em pesquisas pseudocientíficas, de que pau pequeno não faz diferença, claro que faz, um pau bem dimensionado preenche apropriadamente a mulher e é um visual estimulante e excitante, nada desse negócio de pau pequeno. Isto é uma das muitas balelas que nos forçam pela goela abaixo. As únicas mulheres que apreciam pau pequeno são as que, de uma forma ou de outra, têm medo de pau, seja porque sentem dor, seja porque são ruins da cabeça. A mesma coisa é pau mole. Claro, são os homens que espalham histórias terríveis sobre o que outros, nunca eles, ouviram de mulheres com quem broxaram. As mulheres, de fato, não costumam esculhambar os homens que broxam com elas, são invariavelmente compreensivas e até solidárias tanto quanto podem ser, e algumas chegam a se culpar pelo malogro. Mas mulher plenamente sadia gosta de pau duro e gosta de penetração. O resto é conversa de consolação, que até convém a algumas, que com isso ocultam o que lhes interessa ocultar. Escreva-se: a) nenhuma mulher gosta de pau mole; b) excetuadas dimensões aberrantes e as outras variáveis sendo equivalentes, o pau maior e mais vistoso é preferido. Evidente que o principal, principalíssimo, é quem é o proprietário do pau. Mas aí, se é pequeno, a mulher apenas deixa para lá, embora preferisse que fosse maiorzinho; é mais satisfatório, por alguma, ou várias, razões. Esta é que é a realidade, o resto, repito, é onda e pensamento voluntarista.
Não que não haja muitos casos em que o homem de pau pequeno oferece compensações inestimáveis, mas mil vezes um pau digno desse nome, Rodolfo, Rodolfo! E nenhuma mulher sadia tem nojo de esperma, outra coisa que precisa ser bem esclarecida. Eu li não sei onde que alguns muçulmanos consideram ofensa suprema a mulher cuspir fora o esperma derramado em sua boca por seu homem. Eu concordo, é uma selvageria, um sinal de baixa extração, falta de formação, de classe, de cultura, de sofisticação. Cuspir o esperma só é admissível ou quando se quer insultar um homem ou quando se quer pô-lo em seu lugar: você pode ser bom para eu me distrair chupando seu pau, mas não é bom o suficiente para eu engolir sua seiva, me recuso a devorá-lo, não dou às suas células essa intimidade com as minhas. Eu sou maluca. Sim, e então Rodolfo e eu evoluímos outra vez, como é bom contar isto. Eu dava de mamar a ele nos peitos e, em seguida, tirava as calças, separava meu clitóris dos grandes lábios, apresentava-o com todo o carinho e ficava vendo ele mamar, geralmente tocando depois uma punhetinha nele. Ficamos ótimos nisso, fizemos isso até ele morrer, apesar de também transarmos de todos os outros jeitos.
Qando ele mamava entre minhas pernas, quase sempre com a cabeça recostada na parte interna de minha coxa, eu me sentia a mais completa das mulheres, me sentia a Grande Mãe, me sentia não sei como, só alguém que já fez isso é que sabe, só as mulheres. Os homens, quando sensíveis, sabem também um pouco, porque têm uma teta que é o pau e espirram um leite que é o esperma, mas seguramente na mulher esse sentimento é muito mais amplo e visceral, é intransmissível oferecer o clitóris como quem oferece um bico de peito e ver aquele homem mamando, ainda mais quando é o irmão. Ele encaixava tão bem aquele queixo lindo em meus baixios mais secretos, eu queria que o corpo dele todo entrasse em mim, queria me misturar, sexo somente não era bastante, eu queria me fundir com ele. Rodolfo. Rodolfo. Meu amor.
Eu não vou fazer conferência, prometo que não vou fazer conferência, sei que é um hábito intolerável, mas não posso deixar de fazer um adendo em relação ao incesto. Sou como Bernard Shaw, não basta mostrar, tem que explicar, senão as pessoas não entendem. Claro que as mulheres de Rodolfo estavam cansadas de saber que muita coisa mais do que beijinhos havia entre nós, eu nunca escondi que tinha loucura por ele, embora sem precisar até que ponto e assim por diante, mas sempre me indignou ter que esconder o que para mim é a coisa mais natural do mundo. Tenho absoluta certeza de que o número de irmãos que transa com irmãs, tios e tias com sobrinhos e sobrinhas, pais com filhas e mães com filhos, ad infnitum, é muitíssimo maior do que a nossa hipocrisia admite, e não há razão por que deva ser de outra forma. E primos criados juntos? É universal -- cousinage, dangereux voisinage.
Antes de se poder evitar filhos com segurança, vá lá, havia uma razão genética. Mas não hoje em dia, mesmo antes da pílula, quando se podia fazer um aborto nas melhores clínicas, bastando ao médico usar o nome artístico de curetagem. Incesto era normal no Egito antigo, Juno era irmã e mulher de Júpiter, todo mundo comia todo mundo, é natural, artificial é a noção de incesto como um mal em si, não tem nada de intrinsecamente mau no incesto, antes muito pelo contrário, é uma força da Natureza, é natural! Não é obrigatório, mas é natural. Acho burro ou mentiroso quem se escandaliza com eu ter comido meu irmão e meu tio, para não falar em primos, cunhados e quejandos. Eu me arrependo de não ter comido meu pai, hoje me arrependo, tenho certeza de que, armando um bom esquema, eu conseguiria, ele também era normal, e eu adorava ele e bem que eu podia ter contracorneado minha mãe, ia fazer bem a todos os envolvidos, até a tio Afonso, quem sabe? E nisso eu sinto lá a cara feia do preconceito, fico puta com essas contradições, mas neurose é neurose. Tenho de admitir que sou uma nevropata, talvez no feliz dizer de Euclides da Cunha. Porque também acho esse negócio de cornidão o maior atraso de vida, ninguém é monógamo, nem homem nem mulher, só degenerado mesmo, masoca, deslibidado, doente da cabeça gravemente. Ficar casado com a mesma pessoa a vida toda, ótimo; até tenho admiração sincera por esse tipo de santidade e pode-se mesmo alegar que passei a minha vida toda casada com Rodolfo e presentemente sou viúva dele. Agora, nunca ter querido dar uma escapulidinha de vez em quando, nunca ter fantasiado uma trepada fora é mentira.
Mentira que muito raramente pode ser sincera, mas, mesmo nestes casos, não deixa de ser mentira. Todo mundo é corno, mesmo que não seja, por uma mera questão conjuntural técnica. Sei de muita gente a quem esse reconhecimento incomoda tremendamente, traz mudanças de assunto, crises de melancolia, irritabilidade e surtos de suores frios em bibliotecas, livrarias e cinemas.
Alguns homens, até liberais, não suportam a idéia de suas mulheres verem fotos pornográficas, não querem que isso exista para elas, coitados. Acham que, por não deixarem que a mulher veja certos atos e observe o pau de outros homens, elas não vão fazer isso por conta própria se resolverem, ou passarão a vida na crença de que só o marido tem pau, o maior do mundo, e ninguém faz safadagem. E mulheres que criam caso porque seus homens vêem fotos de mulheres peladas, também coitadas. Luta mais besta não pode haver, melhor seria que todo mundo fosse foder numa boa e deixasse de aporrinhar o juízo alheio. Mas parece que a humanidade acabará e isso não acontecerá. Não existe ninguém razoavelmente normal que não pense, ou tenha pensado, em prevaricar. Nesse ponto, como em muita coisa mais, eu fui pioneira, numa geração obscuramente pioneira. Quando eu fui morar com Fernando, em 62 ou 63, nunca sei direito, já velha para os padrões da época, ele sabia tudo sobre mim e sabia até que eu tinha prometido a bunda a tio Afonso para quando voltasse de Los Angeles, só que, verdade seja dita, Fernando tinha certeza de que eu ia sacanear meu tio e não ia dar nada. Mas o resto ele sabia.
única combinação: fodeu na rua, contava ao outro. Corolário: o fodedor ou fodedora da rua tinha que saber que a gente contava tudo um ao outro. Mas não contava realmente tudo, esse tipo de combinação nunca funciona cem por cento. E olhe que a gente comia muito as mesmas pessoas, o que facilitava as coisas. Não resolve, até ciúme aparece, é inacreditável. Mas é melhor do que nada, pelo menos a gente não mente nem finge e dissimula tanto, melhor que em muitos conventos.
Isso pode parecer bobagem, mas não é. Evita muita aporrinhação posterior e é fruto da minha experiência. Como dizia um professor maluco de Processo Civil, a respeito do corno, dói ao nascer, mas ajuda a viver. Teve gente que se negou a me comer quando eu disse que ia contar a Fernando e muita gente que se negou a comer ele, quando ele disse que ia me contar. Teve uma mocinha que eu comi aqui no Rio e me esqueci de fazer aviso prévio, não pensei que ela fosse se importar. Mas, quando eu estava com ela na cama outra vez e disse casualmente que já tinha contado tudo a Fernando, ela ficou nervosíssima, não acertou a conversar mais sobre nada e foi embora sem graça, desapareceu e até hoje finge que não me vê na rua. Mora aqui, nesta mesma rua, e só falta correr quando topa comigo. Aconteceu muito. Em Los Angeles, teve o caso de Mark e Kate, que eram recém-casados, fumavam maconha, faziam o gênero avançadex. Ela não saía assim à rua, mesmo porque corria até o risco de ser presa, naquele tempo em que a Playboy não mostrava pentelho e era banida de muitas comunidades e vista pelos liberais como símbolo da liberdade e da democracia -- para a gente ver como sáo as coisas, a Playboy já foi baluarte da democracia e da liberdade, inclusive aqui no Brasil, eu me lembro de tudo --, ela não saía desse jeito, mas andava de vestido de malha em cima da pele pelos corredores de nosso prédio, mesmo andar. Gostosíssima, lábios carnudos, cabelos fartos caindo pelos ombros, olhos azuis enormes, uma bunda de Rosanna Schiaffino, um pau de mulher, enfim, como se diz na ilha, um burro duma mulé mesmo. E os dois já estavam praticamente no papo. Eu me esfreguei em Mark uma porção de vezes e toda vez que batia com ele sozinho no elevador dava-lhe um chupão rápido, disse a ele que queria ir para a cama com ele, só não pintou porque não tinha que pintar, e também patalei Kate e dei um beijão na boca dela na varanda, e Fernando pegou no pau de Mark e nos peitos de Kate, tudo certo, certo, certo, in the bag só faltava o alinhavo final. E chegou o dia em que nós compramos uma garrafa de champanhe francês, desses de cinco mil contos a flûte, pegamos o champanhe, fomos para o apartamento deles como combinado, queimamos dois baseados, servimos o champanhe e, naturalmente, abrimos o jogo. Ah, para quê? A vergonha, em última análise, foi deles, tenho certeza de que acabaram se separando e se arrependendo, mas na hora a vergonha foi nossa, foi chatíssimo. Eles primeiro tomaram um susto, mas logo assumiram um ar afetadamente simpático e de mal disfarçada condescendência -- ô, hipocrisia, ô praga da humanidade, até quando? -- e disseram que naturalmente continuariam nossos amigos de sempre, mas a cultura deles era diferente, compreendiam nosso equívoco, mas aquela não era a deles, não queriam que ficássemos magoados, compreendiam nossos padrões de conduta e nada tinham contra eles, mas não podiam adotá-los. Tanto Fernando quanto eu fomos elegantes, nem mencionamos, como podíamos ter feito, o ponto a que, separadamente, tínhamos chegado com os dois, agora quem não queria mais era a gente, eles perderam o interesse. Um horror, um horror, um horror. Foi tão chato que Fernando propôs logo que a gente se mudasse, para nunca mais dar de cara com eles, e eu topei.
E foi ótimo termos feito essa mudança, porque o bairro novo -- cidade, aliás, Los Angeles são milhares de cidades, a gente atravessa a rua e paga impostos diferentes -- era meio riponga, riponga chique, apesar de os hippies estarem só começando naquela época, e a gente se integrou como se tivesse nascido lá. Conhecemos logo o Mike e a Alice e fizemos o nariz com eles. Pó ainda era meio raro, mas eles tinham ótimos fornecedores. Até esse tempo, a gente só conhecia birita mesmo, maconha e assim mesmo mal, lança-perfume, perfume, Pervitin, Dexamil, mais uns outros dois ou três comprimidos, tudo meio coisa de pobre. Você veja, pó, essa desgraça que só serve para se experimentar algumas vezes, para não se ficar ignorante. Acho, sim, que a pessoa deve experimentar boa cocaína. Aí cheira um par de vezes, faz e diz as sandices delirantes e confessionais comuns a quem cheira e compreende que é uma merda e deixa de lado. Assim seria ótimo, porque o ser humano precisa compreender, a fim de selecioná-los para seu uso, os variados instrumentos para se entrar num barato e alterar a realidade percebida. Digo percebida para qualificar a realidade, porque a realidade, naturalmente, não existe em si, Lenine era grosso, e o bispo Berkeley era fino, e a física quântica mais fina ainda. Pergunte a um cientista nuclear o que é a realidade e ele vai gaguejar, se for honesto.
Mas existe uma realidade percebida, e o ser humano não pode tolerá-la e aí altera a percepção. Desde que o homem é homem, ele procura isso por milhares de vias, as mais conhecidas sendo o álcool e as drogas em geral, naturais ou não. A música é isso, a música não é senão isso, o único intermediário é o ouvido, ela vai direto e afeta quem a ouve, nunca deixa de afetar, de uma maneira ou de outra. Então eu acho que se deve experimentar, é uma borrice não experimentar. Quem não usa nada, nem secretamente, é um perigoso louco que possivelmente mataria alguém. O problema é que muita gente tem dificuldade em ver que aquela droga cobra um tributo que não se pode pagar e não sai daquela em que eu entrei e, graças a Deus, saí sem precisar de um esforço extraordinário. Muita gente fica grudada naquela droga, e eu achava que ficaria, sou obrigada a confessar que tive deslumbramento cocainal. Quando fui apresentada e durante anos a seguir, pó me pareceu uma chave do universo e da felicidade, a droga da sabedoria, da verdade e da iluminação, o brilho! Estupidez, é exatamente o contrário.
Mike e Alice cheiravam todo dia e, se continuaram e ainda estão vivos, devem ter se transformado nuns cacos irreconhecíveis e imprestáveis. Eles também tinham grana, ele transava pó com uns milionários amigos deles, ganhava uma baba só com isso. Era uma completa insanidade. Havia ocasiões em que passávamos dias a fio cheirando e bebendo em volumes industriais, conversando sacanagem e entrando numas barras pesadinhas, como na madrugada em que os quatro resolvemos sair de carro pela Harbor Freeway nus da cintura para baixo, é um milagre que nunca tenhamos entrado em cana. A gente fazia tudo. Estava entrando na moda wife swapping, e nós entramos em vários grupos, uns sem pó, outros com pó. Tinha que haver uns sem pó, porque pó é broxante, o sujeito fica ligadão em sacanagem, mas geralmente o pau não sobe, só dá para tirar um sarro mesmo, ou então chupação e coisas assim, mas normalmente só sai papo alucinado mesmo. Eu tenho um amigo que cheirava muito e, quando ia sair com uma mulher, perguntava "com pó ou com pau?" Ela que escolhesse, porque, se havia pau, não podia haver pó e vice-versa. Ele me contou que uma vez conseguiu uma meia-bomba e usou uma calçadeira pequenininha, dessas que às vezes distribuem em avião e, apesar de ter havido alguma penetração, a experiência não agradou. E tinha grupos chatíssimos entre os swappers, religiosos, vegetarianos, esperantistas, o que você possa imaginar. Americano consegue ser chato e cagar regra até em suruba, são muito piores do que os alemães, que, quando botam qualquer coisa no juízo, ficam completamente despirocados e não respeitam regra nenhuma. Nos Estados Unidos há um manual e um curso para tudo e sem dúvida lá muito se trepa de acordo com os manuais. Mas isso não é geral e dá para se distrair com fartura. Nós freqüentamos algum tempo esses grupos e, tudo somado, foi uma experiência divertida e valiosa.
Mike também tinha um estúdio fotográfico em casa, equipamento de primeira, até com fundo infinito e diversas paisagens, o maior high tech, e nós tirávamos fotos nus, não só nós quatro, mas muita gente mais, é assombroso como tem gente que sonha em tirar fotos nua, embora a maioria reprima, é uma pena e um desperdício.
Botamos todo tipo de gente peladona naquele estúdio e em outros lugares que a gente descolava, era uma festa. Tiramos até fotos de uma freira, prima de Mike e portadora de uma cara de santarrona exemplar, mas que depois se revelou uma dessas freiras medievais de coleções fesceninas francesas de antigamente e adorava suruba, ou então transar comigo, transávamos praticamente todas as vezes em que nos víamos. E arrumou dois padres para a turma, um veado e outro homem de todas as armas, grande Father Pat Mulligan, que topava qualquer coisa e trocava com Fernando numa boa, eu não sei o que era mais lindo, se Fernando enrabando ele, ou ele enrabando Fernando, às vezes de quatro, muitas vezes de frente, que era a minha posição favorita para eles, o pau entra mais dramaticamente, eles se encaram, é muito bonito mesmo, uma das coisas mais sensuais e excitantes que eu conheço. Também era muito bonito eles se chupando de olhos fechados, pondo com volúpia o pau do outro na boca. Eu ficava fora de mim e quase nunca conseguia permanecer somente apreciando, como planejava antes, e participava de alguma forma.