A revolução que se produziu na astronomia à época do Renascimento e estabeleceu o Sol como centro do universo teve três protagonistas: Copérnico, o autor das hipóteses; Galileu, que as confirmou experimentalmente; e Kepler, seu mais importante teórico e precursor da teoria da gravitação universal de Newton.
Johannes Kepler nasceu na cidade alemã de Weil der Stadt em 27 de dezembro de 1571.
De origem humilde, teve ampla e esmerada educação, graças a sua prodigiosa inteligência e ao apoio econômico dos duques de Württemberg.
Graduou-se em astronomia em 1591 pela Universidade de Tübingen e desistiu de seguir a carreira eclesiástica ao ser nomeado professor de matemática na cidade austríaca de Graz, três anos depois.
Inspirado nos modelos geométricos gregos e na teoria heliocêntrica de Copérnico, Kepler demonstrou as três leis básicas do movimento planetário.
A primeira afirma que os planetas do sistema solar giram ao redor do Sol e descrevem órbitas elípticas, aproximadamente circulares.
Pela segunda lei, a velocidade do movimento se adapta à posição do planeta na curva elíptica de modo uniforme, ainda que não constante. A terceira lei estabelece uma proporção fixa entre o raio da órbita e o tempo que o planeta leva para descrevê-la.
Kepler publicou seus cálculos na obra Prodomus dissertationum mathematicarum continens mysterium cosmographicum (1596; Primeiras dissertações matemáticas sobre o mistério do cosmo), da qual enviou um exemplar a Tycho Brahe, matemático oficial do Sacro Império Romano-Germânico.
Tornou-se então seu assistente e sucedeu-lhe após sua morte, em 1601.
De posse da excelente documentação recolhida por Brahe durante décadas, Kepler aperfeiçoou seus três princípios e fez notáveis observações referentes à órbita de Marte, aos fenômenos ópticos da atmosfera e às estrelas distantes.
Após longa permanência em Praga, Kepler mudou-se, em 1620, para a cidade austríaca de Linz e, graças à condição de matemático imperial, livrou sua mãe da acusação de bruxaria.
Publicou outras obras, entre elas Harmonices mundi (1619; As harmonias do mundo) e Tabulae rudolphinae (1627; Tábuas rudolfinas), usados por mais de um século no cálculo das posições planetárias. Kepler morreu na cidade alemã de Regensburg, em 15 de novembro de 1630.
Fonte: www.enciclopediaescolar.hpg.com.br
Johannes Kepler foi concebido às 4h37 da madrugada do dia 16 de maio de 1571 na aldeia de Weill região da Suábia, Sudoeste da Alemanha - e nasceu às 15h30 de 27 de dezembro, exatamente 224 dias, 9 horas e 33 minutos mais tarde. Esses são, pelo menos, os cálculos inscritos numa espécie de horóscopo que Kepler fez para si mesmo e sua família. Segundo o documento, seus parentes formavam uma formidável constelação de indivíduos degenerados, neuróticos ou francamente malucos. O que não impediria Kepler de revolucionar a Astronomia, estabelecendo as três leis gerais das órbitas planetárias, base sobre a qual o físico inglês Isaac Newton construiria, em 1665, a grande síntese da gravitação universal.
Kepler era uma criança enfermiça, de membros delicados, e sofria de miopia e poliocopia anocular (visão múltipla). Mas, graças à inteligência brilhante, foi aceito aos 13 anos no seminário teológico de Adelberg. Ganhara uma bolsa de estudo concedida pelo duque de Wurttemberg. Neurótico, como era de esperar, Kepler abominou o seminário em geral e seus colegas em particular. Atormentado por problemas de relacionamento, refugiou-se nos estudos. Tornou-se muito bem-visto pelos professores, alguns dos quais permaneceram seus amigos ao longo de toda a sua existência.
Há várias indicações de que no final da adolescência seu temperamento tornou-se mais fácil. Diplomou-se pela Faculdade de Artes da Universidade de Tubingen aos 20 anos e ingressou então na Faculdade Teológica, onde estudou mais quatro anos. Antes que pudesse prestar os exames finais, recebeu um proposta para ocupar o posto de professor de Matemática e Astronomia de Graz, capital da Estíria, província austríaca. Além das aulas, Kepler devia preparar todos os anos um calendário de previsões astrológicas, tarefa que ele classificava de diversão simiesca e sacrílega, mas lhe rendia vinte florins extras. O espírito habituado à dedução matemática, quando se vê frente a frente com os falsos alicerces da Astrologia, lamentava-se ele, resiste longamente como um burro teimoso até que, compelido pelas pancadas e pragas, mergulha o pé no imundo lamaçal.
O acontecimento capital de sua estada em Graz, no entanto, foi uma espécie de lampejo que lhe atravessou o espírito em 9 de julho de 1595, no instante em que desenhava figuras geométricas no quadro-negro. Note-se que essa famosa descoberta era inteiramente equivocada e hoje parece estapafúrdia. Kepler estava ensinando a seus alunos o sistema heliocêntrico - os planetas girando em torno do Sol, grande novidade exposta havia apenas doze anos pelo astrônomo polonês Nicolau Copérnico (SUPERINTERESSANTE número 1, ano 3). Subitamente, pareceu-lhe muito significativo o fato de existirem apenas seis planetas (Urano, Netuno e Plutão ainda não haviam sido descobertos) e cinco sólidos perfeitos: tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro.
Ocorreu-lhe inscrever e circunscrever esses cinco sólidos em seis esferas. E verificou que a distância entre as diferentes esferas era proporcional à distância real existente entre as órbitas dos diferentes planetas. Ou melhor, mais ou menos proporcional. Porque, se os números concordavam aproximadamente no caso de Marte, da Terra e de Vênus, tornavam-se totalmente discrepantes para Júpiter e Mercúrio. Kepler quebrou o galho alegando que a discrepância em relação a Júpiter não espantaria ninguém, já que o planeta ficava longe demais. Quanto a Mercúrio, recorreu provisoriamente à fraude, alterando o número segundo suas conveniências.
Mas era honesto demais para se contentar com esses subterfúgios e, na tentativa de provar sua teoria maluca, mergulhou em pesquisas persistentes e detalhadas sobre o sistema solar. Em 1596, aos 24 anos, Kepler publicou um resumo de suas primeira tentativas na obra intitulada Mysterium cosmographicum. No ano seguinte, casou-se. O horóscopo do dia do casamento, 27 de abril de 1597, que apresentava um céu calamitoso cumpriu-se integralmente.
Após atormentar a paciência do marido durante catorze anos, Barbara Kepler morreu louca. A vida do casal foi agitada. Mal tinham se casado, quando o jovem arquiduque Fernando de Hamburgo (mais tarde imperador Fernando II) achou que era hora de varrer as províncias austríacas da heresia luterana. No verão de 1598, a escola de Kepler fechou as portas e em setembro todos os professores luteranos receberam ordem de abandonar as províncias. Kepler, que tinha amigos entre os jesuítas, conseguiu evitar o exílio forçado, mas perdeu o emprego. A prudência recomendava que fosse procurar novos ares.
Há algum tempo ele desejava visitar o famoso astrônomo dinamarquês Ticho Brahe no observatório de Uraniborg, na ilha de Hven entre Copenhague, na Dinamarca, e Helsingborg, na Suécia. Ticho, obcecado pela idéia de precisão nas observações que fazia, dedicara-se a construir instrumentos científicos cada vez mais perfeitos e a comparar uns com os outros, para conhecer o erro inerente a cada um. Com eles produziu, ao longo de 35 anos, grossos volumes de anotações, espantosamente precisas para os padrões da época, que pretendia utilizar para reentronizar a Terra como o centro do Universo - posição da qual começava a ser afastada desde a publicação dos trabalhos de Nicolau Copérnico.
O notável observador tinha, no entanto, escassos dotes para a Matemática - daí alegrar-se com a perspectiva de ter Kepler a seu lado, a fim de fornecer-lhe os cálculos necessários para dar sustentação à sua idéia. Kepler, ao contrário, esperava ter acesso aos volumes de Ticho para desenvolver suas próprias teorias a respeito sobretudo da movimentação dos planetas. A hora era boa à execução do projeto, tanto mais que, por coincidência, Ticho se desentendera com o rei Cristiano IV e acabara de se mudar da longínqua Uraniborg para a cidade de Praga, capital da atual Tchecoslováquia, onde recebera o posto de Matemático Imperial das mãos do imperador Rodolfo II.
Os dois homens já se correspondiam há algum tempo e, sabendo que Kepler se encontrava em situação precária, Ticho convidou-o a mudar-se para Praga, onde poderia viver e trabalhar como seu hóspede no castelo de Benatek. A convivência diária entre eles foi, no entanto, um pesadelo. Kepler pretendia trabalhar em paz. Encontrou o castelo em reformas para a instalação do observatório e cheio de visitantes e membros da corte pessoal de Ticho Brahe. O pior é que não conseguia obter os dados que tanto desejava.
Queixou-se numa carta: Ticho não permite que eu participe de suas experiências. Só durante as refeições, entre outros assuntos, ele menciona, de passagem, hoje o número do apogeu de um planeta, amanhã outro dado qualquer. Sabe-se lá qual seria o fim da relação entre os dois astrônomos se a morte não tivesse chegado para separá-lo dezoito meses depois do primeiro encontro. Ticho Brahe morreu inesperadamente e foi enterrado em Praga em 4 de novembro de 1601. Dois dias mais tarde, Kepler foi nomeado para sucedê-lo no posto de Matemático Imperial. Em Praga, Kepler ficou os onze anos seguintes, boa parte dos quais dedicou a cuidadosas observações da trajetória do planeta Marte.
Foi o período mais fértil de sua vida, sobretudo porque, confrontado com o fato de que Marte não se comportava nem como desejava Ticho Brahe nem como descrito no trabalho de Copérnico, pôs-se a elaborar sua própria teoria para dar seqüência às observações. Em 1601, publicou sua obra-prima, Astronomia Nova, que trazia duas de suas três leis planetárias fundamentais. A primeira delas afirma que os planetas descrevem órbitas em forma de elipses com o Sol em um dos seus focos. A segunda lei afirma que a velocidade dos planetas varia de tal forma que percorrem áreas iguais em tempos iguais.
São as primeiras leis naturais no sentido moderno, na medida em que utilizam termos matemáticos para descrever relações universais governando fenômenos particulares. Com ela, a Astronomia separou-se da Teologia para unir-se à Física. Não foi um divórcio fácil. Desde os gregos, filósofos afirmavam que os astros percorriam trajetórias circulares em velocidade uniforme. A tarefa dos astrônomos consistia, sobretudo, em construir sistemas cada vez mais complicados para conciliar essa verdade decretada com as observações que iam fazendo com seus próprios olhos.
Um dos sistemas em voga no tempo de Kepler distinguia dois centros para o sistema solar: um centro físico, que seria o próprio Sol, e um centro geométrico (não coincidente com o primeiro) eqüidistante de todos os pontos da órbita circular. Dava-se, igualmente, muita importância ao chamado punctum equans, ponto a partir do qual o planeta apresentava a velocidade angular constante. Kepler gastou cinco anos e cobriu novecentas páginas com cálculos em letra pequena na tentativa de determinar esses três pontos para o caso de Marte. Fracassou. Somente então, esgotadas todas as possibilidades, ousou examinar a hipótese de astros percorrendo órbitas não circulares em velocidades variáveis. Refez os cálculos e sem mais idéias preconcebidas e dentro de um ano encontrou as duas primeiras leis.
Nunca teria chegado a esse resultado se não tivesse herdado as observações acumuladas ao longo dos anos por Ticho Brahe. No último estágio de seus cálculos, empregou 180 medidas diferentes da distância entre o Sol e Marte. Mas de nada lhe adiantariam todos esses números se não possuísse também poderosa intuição sobre os mecanismos do Universo. Foi assim, por exemplo, que muito antes de Newton ele já descrevia a gravitação universal nos seguintes termos: Se duas pedras fossem colocadas em qualquer lugar do espaço, uma perto da outra, e fora do alcance de um terceiro corpo material, unir-se-iam, à maneira dos corpos magnéticos, num ponto intermediário, aproximando-se cada uma em proporção à massa da outra.
E mais adiante: Se a Terra cessasse de atrair as águas do mar, os mares se ergueriam e iriam ter à Lua (...). Se a força de atração da Lua chega até a Terra, segue-se que a força de atração da Terra, com maior razão, vai até a Lua e ainda mais longe. Caso Kepler tivesse se preocupado em conciliar a idéia da atração universal com suas próprias leis, poderia ter ido ainda mais longe. Mas parece ter recuado por uma espécie de repugnância filosófica partilhada por Galileu, Descartes - e o próprio Newton, de início - diante dessa força fantasmagórica capaz de agir a distâncias astronômicas, sem agente intermediário e de maneira instantânea, um conceito aparentemente místico e não científico, indigno de cientistas modernos como ele.
Outros interesses e preocupações iriam ocupá-lo nos anos seguintes. Galileu publicou na Itália o Mensageiro das Estrelas, em que anunciava algumas descobertas feitas com o uso de um novo e revolucionário aparelho, o telescópio - e a que mais controvérsias causou foi a descoberta de quatro planetas (na verdade, satélites) girando ao redor de Júpiter. Kepler foi o primeiro nome de peso a apoiar o trabalho de Galileu, mas nem por isso conseguiu que estes lhe enviasse um telescópio para suas próprias observações. Quando conseguiu um, emprestado pelo duque de Colônia, escreveu Dioptrice, um tratado no qual lança as bases da Ótica, novo ramo da Física.
Com 141 definições, axiomas e proposições precisas e austeras, o tratado é uma exceção na sua obra cheia de digressões filosóficas. O ano de 1611 trouxe-lhe uma série de desgraças. Rodolfo II, seu protetor, foi obrigado a abdicar do trono, a vida em Praga tornou-se insuportável pelos efeitos acumulados da guerra civil e das epidemias. Morreram-lhe a mulher e um filho. Conseguiu conservar o posto de Matemático Imperial, mas foi transferido para a cidade de Linz, na Áustria, onde viveria catorze anos, até a idade de 55. Ali também não lhe faltaram peripécias. Casou-se novamente e dessa vez parece ter sido mais feliz. Susanna deu-lhe sete filhos. Em compensação, enfrentou horas dramáticas durante o processo de sua própria mãe, acusada de feitiçaria. Ainda assim continuou produzindo e, em 1618, terminou Harmonice Mundi (Harmonia do Mundo), uma espécie de síntese geral englobando Geometria, Música, Astrologia e Astronomia.
O fracasso dessa ambição desmedida só não foi absoluto porque, no meio de toda a barafunda que é o livro, aparece anunciada com toda a clareza a sua terceira lei sobre as órbitas planetárias: Os quadrados dos períodos de revolução de dois planetas quaisquer estão entre si como os cubos de suas distâncias médias do Sol. Nos onze últimos anos que ainda lhe restariam de vida, Kepler publicou mais duas obras importantes: a Epitome astronomiae copernicanae e as Tabulae rudolphinae. Na Epitome ele demonstra que as leis planetárias originalmente deduzidas para o caso de Marte também são válidas para todos os outros planetas conhecidos, também para a Lua e para os satélites de Júpiter.
As Tabulae rudolphinae - assim batizadas em honra do imperador Rodolfo II - são as observações de Ticho Brahe, organizadas e ampliadas pelo próprio Kepler. Além de tabelas e regras para a localização dos planetas, o livro traz um catálogo de pouco mais de mil estrelas. Com a Europa convulsionada pela Guerra dos Trinta Anos, a vida particular de Kepler tornou-se cada vez mais problemática. Parte de Linz foi destruída por um incêndio durante a revolução camponesa de 1626 e ele deixou a cidade sem planos definitivos. Viveu um ano em Ulm, visitou Praga e acabou se instalando no condado de Sagan, na Silésia. Estava na miséria. O salário de Matemático Imperial, teoricamente muito bom, raramente chegava a ser pago. Em outubro de 1629, tomou o rumo de Viena, nova sede da corte, com a idéia de cobrar pelo menos parte do que lhe era devido. Morreu no caminho, poucos dias depois de chegar à cidade de Ratisbona - ou a Regensburg, segundo outra versão -, em 15 de novembro de 1630. Sua sepultura acabou destruída.
Fonte: super.abril.com.br

Johannes Kepler
Nasceu em 27 de dezembro de 1571, na cidade católica de Weil, localizada ao sul da atual Alemanha, que naquela época, pertencia ao Sacro Império Romano, hoje chama-se Weil der Stadt, região da Swabia - Württemberg. Nascido de uma família pobre, cujo pai chamava-se Heinrich Kepler, um soldado e sua mãe Katharina Guldenmann. Seu avô, Sebald Kepler era prefeito da cidade, apesar de sê-lo protestante. Nesta época, estava havendo várias reformas tanto na igreja protestante quanto nos movimentos literários, artísticos e científicos, ou seja, estávamos na Renascença.
Estudou sucessivamente em Weil, Leonberg, Adelberg e Maulbronn. Em setembro de 1588, Kepler passou no exame de admissão, bacharelado, da Universidade de Tübingen, iniciando seus estudos, somente, em meados de 1589, porque naquele ano estudava Teologia no Seminário Stift. Em 10 de agosto de 1591 foi aprovado, na mesma Universidade, no curso de mestrado em Artes que abrangia grego, hebreu, astronomia e física. Em seguida, iniciou o estudo de Teologia tendo como professor de grego, Martin Crusius. Influenciado por Michel Maestlin que lecionava Matemática e Astronomia, Kepler aprendeu, também, sobre o sistema de Copérnico, embora seu mestre defendesse o modelo geocêntrico do Almagesto de Ptolomeu. Antes de completar seus estudos, Kepler foi convidado a ensinar matemática no seminário protestante de Graz, na Áustria, chegando em 11 de abril de 1594.
Pelo fato de ter estudado astronomia e ser professor de matemática, Kepler, era, também, calendarista da cidade, pois, naquela época, o calendarista previa o clima, informava à população a melhor época de plantar e colher, previa guerras e epidemias ou mesmo eventos políticos.
Os calendários eram elaborados por Kepler, por ser de sua obrigação. Todavia, havia muitas restrições à sua veracidade pelo fato de que os provérbios eram nesses estilos, como por exemplo: " Os céus não podem causar muitos danos aos mais fortes de dois inimigos, nem ajudar o mais fraco... Aquele bem preparado supera qualquer situação celeste desfavorável ". Além disso, usando os calendários, Kepler previa doenças aconselhando aqueles que o procuravam.
O primeiro fruto de seu trabalho como astrônomo foi publicado no início de 1597 com o título " Prodromus disserationum cosmographicarum continens mysterium cosmographicum de admirabili proportione orbium celestium deque causis coelorum numeri, magnitudinis, motuumque periodicorum genuinis et propiis, demonstratum per quinque regularia corpora geometrica " ( O precursor das aberturas dos cosmógrafos aproxima o mistério cosmográfico de proporção admirável dos corpos celestes para as causas do número de firmamentos, de grandeza, e de movimentos periódicos, demonstrado através dos cinco corpos geométricos regulares ), cujo título abreviado é " Mysterium Cosmographicum " ( Mistérios do Universo ). Defendendo o heliocentrismo de Copérnico, e propondo que o tamanho de cada órbita planetária fosse estabelecido por um sólido geométrico ( poliedro ) circunscrito à órbita anterior, podendo prever, este modelo matemático, os tamanhos relativos das órbitas. Kepler enviou um exemplar do livro á Tycho Brahe e a Galileo que por sua vez enviou uma carta agradecendo e disse que acreditava na teoria de Copérnico, enquanto Tycho respondeu dizendo que existiam diferenças entre as previsões do modelo e suas medidas.
Em setembro de 1598, o arquiduque da Estíria, cuja capital é Graz, província da Áustria, Fernando II de Hasbsburgo que naquela época vinha perseguindo os nobres protestantes da Boêmia, que havia se revoltado contra sua autoridade, acarretando com isso, uma rebelião Tcheca que deu origem a Guerra dos Trinta Anos ( 1618 a 1648 ), líder da Contra-Reforma Católica, fechou o colégio e a igreja protestante de Graz, e ordenou que todos os padres e professores deixassem a cidade. Kepler, por ser protestante, foi convidado a retornar à província como matemático onde permaneceu até agosto de 1600, quando foi expulso definitivamente da capital por recusar-se a se converter ao catolicismo.
Em junho de 1599, o Rei Rudolph II, da Boêmia, filho de Maximiliano II, defensor árduo da Contra-Reforma e apaixonado pelas ciências e pelas Artes, acolheu em sua corte, Tycho Brahe como matemático da corte em Praga. No início de 1600, Kepler foi até ao castelo de Benatky, que o rei tinha colocado à disposição de Tycho. Para resolver as diferenças entre os modelos e as observações, Kepler necessitava dos dados de Tycho o qual não acreditava no modelo de Copérnico não só por motivos teológicos, mas também, porque acreditava que fosse possível medir o ângulo formado por duas semi-retas que partem do centro de determinado astro, uma das quais se dirige para o centro da Terra e outra ao ponto em que se encontra o observador, ou seja, é o que chamamos em astronomia de paralaxe das estrelas, que o modelo de Copérnico assumia à distância infinita. Kepler, apesar de ter observado eclipses e mesmo as estrelas, procurando medir a paralaxe, não tinha instrumentos adequados para medição que só veio acontecer a medição da paralaxe das estrelas em 1838 por Friedrich Wilhelm Bessel.
Abandonado pelos seus antigos mestres por suas convicções acerca da teoria heliocêntrica de Copérnico e também, por suas tendências Calvinistas, estabeleceu-se em Praga para trabalhar como assistente de Tycho Brahe. Logo depois, Brahe morre e em 24 de outubro de 1601 Kepler é nomeado pelo Rei Rudolph II para sucedê-lo na tarefa de calcular as Tabelas Rudolfinas, com a previsão das posições dos planetas.
Começando a trabalhar imediatamente no cálculo da órbita de Marte, Kepler em 1602 descobre a Lei das Áreas, mas não conseguiu fixar a forma da órbita . Se a órbita fosse circular , bastariam três observações, pois três pontos definem um círculo. Os pontos deveriam ser observados em oposição, já que em oposição é irrelevante se é a Terra ou o Sol que se movem, pois os três corpos estão alinhados. Tycho tinha observado dez oposições de Marte entre 1580 e 1600, às quais Kepler depois adicionou as de 1602 e 1604. Naturalmente qualquer conjunto de três observações deveria resultar na mesma órbita. Como Marte é o planeta externo com maior excentricidade dos conhecidos então, um círculo não fitava as observações. Mesmo introduzindo um equante, Kepler não conseguia fitar as observações com erro menor que 8' ( oito minutos ), enquanto a precisão das observações de Tycho eram da ordem 1' ( um minuto ).
Estudando a trajetória de Marte, observada por Tycho, Kepler descobriu em 1605 que as órbitas planetárias não eram circulares, e sim, elípticas, com o sol e um dos focos.
Em 1604, Kepler completou o " Astronomiac pars Optica " ( ad Vitellionen Paralipomena, quibur Astronomiae Pars Optica traditur ), considerado o livro fundamental da ótica, onde explicou a formação da imagem no olho humano, explicou como funciona uma câmara escura, descobriu uma aproximação para a lei da refração, estudou o tamanho dos objetos celestes e os eclipses. Em 17 de outubro de 1604 Kepler observou a nova estrela na constelação de Ophiucus, junto a Saturno, Júpiter e Marte, que estavam próximos, em conjunção. A estrela competia com Júpiter em brilho. Kepler imediatamente publicou um pequeno trabalho sobre ela, mas dois anos depois publicou um tratado, descrevendo o decaimento gradual de luminosidade, a cor, e considerações sobre distância que a colocava junto com as outras estrelas.
Assim, em 1609, em sua Astronomia nova, Kepler enunciou as duas primeiras das leis que lhe imortalizaram o nome: " As órbitas dos planetas são elipses nas quais o Sol ocupa um dos focos " e " As áreas cobertas pelo raio vetor que une o Sol ao planeta são proporcionais ao tempo ".
Em 1610, Kepler leu o livro com as descobertas de Galileo e escreveu uma longa carta em suporte publicada como " Dissertatio cum Nuncio Siderco "( Conversa com o Mensageiro Sideral ). Em agosto do mesmo ano, ele usou um telescópio dado por Galileo ao Duque da Bavária , Ernest de Cologne, para observar os satélites de Júpiter, publicando um livro intitulado " Narratio de Observatis Quatuor Jovis Satellitibus " ( Narração das Observações dos Quatro Satélites de Júpiter ). Estes tratados deram grande suporte a Galileo, cujas descobertas eram negadas por muitos. Os dois trabalhos foram republicados em Florença. Kepler também estudou as leis que governam a passagem da luz por lentes e sistemas de lentes , inclusive a magnificação e a redução da imagem, e como duas lentes convexas podem tornar objetos maiores e distintos, embora invertidos, que é o princípio do telescópio astronômico. Estudou também o telescópio de Galileo , com uma lente convergente como objetiva e uma lente divergente como ocular. Estes estudos foram publicados em 1611, no Dióptrica.
Com o falecimento do Rei Rudolph II, que havia abdicado em 23 de maio de 1611, estabeleceu-se em Linz, Áustria, recebendo do novo Rei, Matias, o cargo de matemático dos Estados Austríacos, publicando obras sobre o planeta Mercúrio, os satélites de Júpiter, aperfeiçoamento dos telescópios e cometas.
Publicou em 1613 o primeiro trabalho sobre a cronologia e o ano do nascimento de Jesus, em Alemão sendo ampliado em 1614 em Latim: " De vero Anno, quo aeternus Dei Filius humanam naturam in Utero benedictae Virginis Mariae assumpsit " ( Sobre o verdadeiro ano em que o filho de Deus assumiu a Natureza Humana no Útero da Sagrada Virgem Maria ). Neste trabalho Kepler demonstrou que o calendário Cristão estava em erro por cinco anos, pois Jesus tinha nascido em 4 a.C., uma conclusão atualmente aceita. O argumento é que em 532 d.C., o abade Dionysius Exigus assumiu que Cristo nascera no ano 754 da cidade de Roma, correspondente ao ano 46 do calendário Juliano, definindo-o como o ano 1 ( Um) da era cristã. Entretanto vários historiadores afirmavam que o Rei Herodes, que faleceu depois do nascimento de Cristo, morreu no ano 42 do calendário Juliano. Deste modo, o nascimento ocorrera em 41 do calendário Juliano.
Em 1619, Kepler enunciou em seu livro " Harmonices Mundi " ( Harmonia do Mundo ) a terceira lei do movimento planetário, após minuciosos cálculos, que diz: " Os quadrados dos tempos das revoluções siderais dos planetas são proporcionais aos cubos dos grandes eixos de suas órbitas ", que foi descoberta em 15 de maio de 1618, podendo esta lei, ser enunciada como segue: " O quadrado do período é proporcional ao cubo da distância média do planeta ao Sol " e que se originou de que as distâncias heliocêntricas dos planetas e seus períodos estão relacionadas pela terceira lei.
Vale salientar que, entre 1617 e 1621, Kepler publicou sete volumes do " Epitome Astronomiae Copernicanae " ( Compendium da Astronomia Copernicana ), que se tornou a introdução mais importante à astronomia heliocêntrica. A primeira parte do Epítome, publicada em 1617, foi colocada no índex de livros proibidos pela Igreja Católica em 10 de maio de 1619. A proibição por parte da Igreja Católica às obras sobre o modelo heliocêntrico começou pelo fato de Galileo ter escrito seu livro Sidereus Nuntius ( Mensagem Celeste ) em 1610, despertando o interesse do povo. A razão da proibição era que no Salmo 104:5 do Antigo Testamento da Bíblia, está escrito: " Deus colocou a Terra em suas fundações, para que nunca se mova ".
Durante o período de 1590 até o final da Guerra dos Trinta Anos e mesmo depois, houve muitas perseguições e devastamento de regiões da Alemanha e Áustria. A posição de Kepler piorava, pois a contra-reforma Católica aumentava a pressão sobre os protestantes na Alta Áustria, da qual Linz era a Capital. Como Kepler era oficial da corte, estava isento do decreto que bania todos os protestantes da província. Neste período Kepler estava imprimindo as Tabulae Rudolphinae baseadas nas observações de Tycho e calculadas de acordo com suas órbitas elípticas. Quando a rebelião ocorreu e Linz foi tomada, a oficina de impressão foi queimada, destruindo-se grande quantidade de edição que estava impressa. Kepler e sua família deixaram a cidade em 1626 e foram para Rogensburg por vários motivos, inclusive porque sua mãe foi acusada de bruxaria onde o processo se estendeu até 1920 quando ela foi liberada. Em face de em Linz ter sido queimada parte de seus trabalhos impressos, Kepler mudou-se outra vez com o objetivo de imprimir as tábuas as quais foram publicadas em 1627.
Pouco antes do falecimento de Kepler, houve um pouco de reflexão quando ele diz o seguinte: " Meus corpos celestes não eram o nascimento de Mercúrio na sétima casa em quadratura com Marte, mas Copérnico e Tycho Brahe; sem suas observações, tudo o que eu pude trazer à luz estaria enterrado na escuridão " apesar de estar intimamente ligado à astronomia.
Kepler, então, voltou para Rogensburg e juntou-se à sua família, resolvendo, portanto, mudar-se para Sagan em julho de 1628 como matemático do Imperador e do Duque de Friedland. Em outra viagem que fez para Rogensburg, Alemanha, Kepler foi acometido de uma doença aguda, onde faleceu em 15 de novembro de 1630, aos 61 anos de idade.
Fonte: www.santarita.g12.br