Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  As Asas De Um Anjo José De Alencar - Página 2  Voltar

As Asas de um Anjo

José de Alencar

Carolina – Não vivo, não, Helena: sabes que me prometeram uma existência brilhante, e me fizeram entrever a felicidade que eu sonhava no meio do luxo, das festas e da riqueza! A ilusão se desvaneceu bem depressa.

Ribeiro – Tu me ofendes com isto, Carolina.

Carolina –`Cuidas que foi para me esconderes dentro de uma casa, para olhar de longe o mundo sem poder gozá-lo, que abandonei meus pais? Que sou eu hoje? Não tenho nem as minhas esperanças de moça, que já murcharam, nem a liberdade que sonhei.

Ribeiro – Mas, Carolina, tu bem sabes que eu, se te guardo para mim somente, se tenho ciúme do mundo, é porque te amo: sou avaro, confesso; sou avaro de um tesouro.

Carolina – Não entendo esse amores ocultos que têm vergonha de se mostrarem; isto é bom para os velhos e para os hipócritas. Amar é gozar a existência a dois, partilhar seus prazeres e sua felicidade. Que prazeres temos nós que vivemos aborrecidos um do outro? Que felicidade sentimos para darmo-nos mutuamente?

Ribeiro – Está hoje de mau humor.

Carolina – Ao contrário, estou contente! A vista destas luzes, destas flores, desta mesa, destes preparativos de ceia, me alegrou. É assim que eu compreendo o amor e a vida. Na companhia de alguns amigos, vendo o vinho espumar nos copos e sentindo o sangue ferver nas veias. Os olhares queimam como fogo; os seios palpitam, a alma bebe o prazer por todos os poros; pelos olhos, pelos sorrisos, nos perfumes, e nas palavras que se trocam!

Helena – Bravo! Como estás romântica!

Carolina – Oh! Tu não fazes idéia! Meu espírito tem revoado tantas vezes em torno dessa esperança, que vendo-a prestes a realizar-se, quase enlouqueço. Outrora dei por ela a minha inocência; hoje daria a minha vida inteira!

(Ribeiro e Pinheiro conversam à parte)

Helena– Pois olha! Tens o que desejas bem perto de ti.

Carolina – Não entendo.

Helena - Deixa-te ficar e verás.

Carolina – Mas escuta!

Helena – Depois; não percas tempo.

Carolina – Já perdi dois anos!

Ribeiro – Foste injusta comigo, Carolina. Não acreditas que te amo, ou jánão me amas talvez! Confessa!

Carolina – Não sei.

Ribeiro – Dize francamente.

Carolina – Como está quente a noite! Abre aquela janela. (Ribeiro vai abrir a janela do fundo; Helena que falava baixo a Pinheiro, dirige-se a ele, e ambos conversam recostados à grade e voltados para a rua.)

CENA IV

(Carolina e Pinheiro)

Pinheiro – Eu lhe agradeço, Carolina.

Carolina – O que, senhor Pinheiro?

Pinheiro – A satisfação que me causaram suas palavras. Não pensava, dando esta ceia, que ia realizar um desejo seu.

Carolina – Ah! é verdade! Mas sou eu então que lhe devo agradece.

Pinheiro – Faça antes outra coisa.

Carolina – O quê?

Pinheiro – Faça que o acaso se torne uma realidade; que esta noite de esperança se transforme em anos de felicidade. Aceite o meu amor.

Carolina – Para fazer o que dele?

Pinheiro – O que quiser; contanto que me ame um pouco, sim?

Carolina – Não.

Pinheiro – Amor por amor, já tenho um; e este, ao menos é primeiro.

Pinheiro – O meu será o segundo e eu procurarei torná-lo tão belo, tão ardente que já não tenha mais inveja do primeiro.

Carolina – Já me iludiram uma vez essas promessas, quando eu ainda via o

mundo com os olhos de menina, hoje não creio mais nelas.

Pinheiro – Não tem razão.

Carolina – Oh! se tenho! O senhor diz agora que me ama, por mim, para fazer-me feliz, para satisfazer os meus desejos, os meus caprichos, as minhas fantasias. Se eu acreditasse nessas belas palavras, sabe o que aconteceria?

Pinheiro – Me daria a ventura!

Carolina – Sim, mas ficaria o que sou. No momento em que lhe pertencesse, tornar-me-ia um traste, um objeto de luxo; em vez de viver para mim, seria eu que viveria para obedecer às suas vontades. Não; no dia em que a escrava deixar o seu primeiro senhor, será para reaver a liberdade perdida.

Pinheiro – Não é livre então? Não pode amar aquele que preferir?

Carolina – Para uma mulher ser livre é necessário que ela despreze bastante a sociedade para não se importar com as suas leis; ou que a sociedade a despreze tanto que não faça caso de suas ações. Eu não posso ainda repelir essa sociedade em cujo seio vive minha família; há alguns corações que sofreriam com a vergonha da minha existência e com a triste celebridade do meu nome. É preciso sofrer até o dia em que me sinta com bastante coragem para quebrar esses últimos laços que me prendem. Nesse dia, se houver um homem que me ame e que me ofereça a sua vida, eu a aceitarei; porém como senhora.

Pinheiro – E por que este dia não será hoje? Diga uma palavra! uma só...

Carolina – Hoje?...Não!... Talvez amanhã.

Pinheiro – Promete?

Carolina – Não prometo nada. Vamos cear. Anda. Helena! Ribeiro!... Deixem-se de conversar agora.

Pinheiro – José, serve-nos.

CENA V

(Os mesmos, Ribeiro, Helena e Meneses)

Ribeiro – É mais de meia-noite.

Helena – Um dia não são dias, Sr. Ribeiro; amanhã dorme-se até às duas horas da tarde.

Carolina – Justamente as horas que eu passo mais aborrecida.

Tu me pareces a mesma. Achaste o que procuravas?

Carolina – Ainda não.

És difícil de contentar.

Pinheiro – Adeus, Meneses. Queres cear conosco?

Meneses – Muito obrigado.

Pinheiro – Não faças cerimônia.

Meneses – Tu és que estás usando de etiquetas. Onde vieste usar um quinto parceiro para jogar uma partidfa de voltarete?

Ribeiro – Ah! É por isso que não aceitas?

Meneses – Decerto! Nesta espécie de ceias, a regra é nem menos de dois, nem mais de quatro; um quinto transtorna a conta, a menos que não seja um zero. Ora, eu não gosto de ser nem importuno, nem... Vieirinha!...

Pinheiro – Deixa-te disso; vem cear.

Meneses – É escusado insistires.

Ribeiro – Pois não sabes o que perdes.

Meneses – Não; mas sei quanto ganho.

Pinheiro – Podemos ir-nos sentando.

CENA VI

(Os mesmos, Luís, Araújo e José)

Araújo – Tu não és capaz de adivinhar quem eu vi esta noite no teatro.

Luís – Alguma tua apaixonada?

Araújo – Não tenho... Uma pessoa que te fez bastante mal.

Luís – Quem?

Araújo – Lembras-te daquela mulher que mandava fazer costuras... (Vendo Carolina, aperta o braço de Luís) oh!

Luís – Ela!...

Araújo – Não faças estaladas. Finge que não a vês; é o melhor.

Luís – Adeus. Não posso ficar aqui.

Araújo – Deixa-te disso, Luís. Nada de fraquezas!

Luís – Mas a sua presença é uma tortura.

Araújo – Come alguma coisa: é o melhor calmante para as dores morais. Tenho estudado a fundo a fisiologia das paixões e estou certo que o coração está no estômago quando não está na algibeira.

Meneses – Araújo!

Araújo – Oh! Não te tinha visto.

Meneses – Estiveste no teatro?

Araújo – Estive.

Meneses – Que tal correu a Favorita?

Araújo – Bem; por que não foste?

Meneses – Tinha uma partida a que não podia faltar.

Pinheiro – Anda mais depressa, José!

José – Pronto! Uma mayonnaise soberba!

Helena – De quê?

José – De salmão?

(Durante este último diálogo, Carolinatira as luvas e o mantelete, que vai deitar no sofá à direita; Luísergue-se. O trecho seguinte da cena é dito à meia-voz)

Carolina – Luís.

Luís– Silêncio!

Carolina – Não me quer falar, meu primo?

Luís – Com que direito os lábios vendidos profanam o nome do homem honesto que deve a posição que tem ao seu trabalho? Com que direito a moça perdida quer lançar a sua vergonha sobre aqueles que ela abandonou?

Carolina – Não me despreze, Luís.

Luís – Não a conheço.

Carolina – Tem razão. Esqueci-me que estou só neste mundo; que não me resta mais nem pai, nem mãe, nem parentes, nem família. O senhor veio lembrar-me! Obrigada.

Luís – Minha prima!

Carolina – Sua prima morreu! (Volta-lhe as costas)

Helena – Vem, Carolina!

Ribeiro – Quem é este moço com quem conversavas?

Carolina – Não sei.

Ribeiro – Não o conheces?

Carolina – Nunca o vi.

Ribeiro – Mas falavas com ele?

Carolina – Pedia-me notícias de uma amiga minha que já é morta.

Ribeiro – Não estejas com estas idéias tristes. Anda; estão nos esperando.

Araújo – José, traz-nos alguma coisa.

José – O que há de ser?

Araújo – O que vier mais depressa.

Meneses – E a mim, quanto tempo queres fazer esperar?

José – O que deseja, senhor Meneses?

Meneses – Desejo o que tu não tens; dize-me antes o que há.

José – Quer uma costeleta de carneiro?

Meneses – Vá feito.

Araújo (a Luís) – Sabes do que estou lembrando? Daquelas noites em que ceávamos juntos na Águia de Prata, há dois anos, quando tu me falavas do teu amor. Naquele tempo não tínhamos dinheiro, nem freqüentávamos os hotéis. Eras compositor e eu caixeiro de armarinho na Rua do Hospício.

Luís – E hoje somos mais felizes? Adquirimos uma posição bonita, que muitos invejam, mas perdemos tantas esperanças que naqueles tempos nos sorriam!

Araújo – Vais cair nos sentimentalismos! A esta hora é perigoso.

Luís – Dizes bem! Há certas ocasiões em que é preciso rir para não chorar.

(A José). Uma garrafa de cerveja.

Araújo – Amarela!

CENA VII

(Os mesmos e Vieirinha)

Vieirinha – Só o Meneses não estaria por aqui!

Meneses – Sigo o teu exemplo.

Vieirinha – Não quiseste ir hoje ao lírico?

Meneses – Tive que fazer.

Vieirinha – Pois esteve bom; havia muita moça bonita. A Elisa lá estava.

Meneses – Então já se sabe... Tiveste serviço?

Vieirinha – Não lhe dei corda! ocupei-me com outra pessoa... Mas esta tu não conheces.

Meneses – É nova?

Vieirinha – Negócio de quinze dias; porém já está adiantado.

Meneses – Ainda não te escreveu?

Vieirinha – És curioso.

Pinheiro – Vieirinha!

Vieirinha – Adeus, Pinheiro!... Mas como está isto florido!

Pinheiro – Vem cear conosco.

Vieirinha – Aceito. Como estás, Ribeiro?

Ribeiro – À tua saúde!

Pinheiro – E dos teus amores.

Vieirinha – Quais?

Meneses – São tantos, que nem se lembra!

Araújo – Quem é este conquistador?

Meneses – Nunca o viste?

Araújo – Não.

Meneses – Admira! É um desses sujeitos que vivem na firme convicção de que todas as mulheres o adoram; isto o consola do pouco caso que dele fazem os homens.

Araújo – Então é um fátuo?

Meneses – Pois não! É um homem feliz; vai a um teatro e a um baile; acha bonita uma mulher, solteira, viúva ou casada; persuade-se que ela o ama; e no dia seguinte com a maior boa fé revela esse segredo a alguns amigos bastante discretos para só contarem aos seus conhecidos.

Araújo – E é nisso que se ocupam?

Meneses – Achas que é pouco?

Vieirinha – Uma saúde! Mas há de ser de virar.

Helena – A quem?

Vieirinha – À mulher que compreende o amor. Pois eu bebo à mulher que compreende o prazer.

Pinheiro – Bravo! Muito bem!

Helena – Não bebe, senhor Ribeiro?

Ribeiro – Eu bebo à minha saúde.

Helena – E eu à segunda.

Vieirinha – E eu a ambas.

Pinheiro – José, pede permissão a estes senhores para oferecer-lhes um copo de champagne. Espero que me façam o obséquio de acompanhar a nossa saúde. Vamos, Meneses!

Meneses – Qual é a saúde?

Carolina – À mulher que ama o prazer.

Meneses – Vá lá!

Pinheiro – Os senhores não bebem?

Araújo – Eu agradeço.

Pinheiro – E o senhor Viana?

Luís – Eu proponho outra saúde: ao prazer e àqueles que para gozá-lo sacrificam tudo!

Pinheiro – É a melhor!

Luís – E a mais verdadeira. Se os senhores me permitem, eu lhes contarei uma pequena história que os há de divertir.

Vieirinha – Com muito gosto.

Meneses – Venha a história.

Luís – O senhor pode aproveitá-la para um dos seus folhetins, quando lhe falte matéria.

Meneses – Fica ao meu cuidado.

Vieirinha – Mas não a apliques a ti, conforme o teu costume.

Meneses – Se for uma história de amor, está visto que hás de ser tu o meu herói.

Luís – É uma história de amor. Passou-se há dois anos.

Pinheiro – Aqui na corte?

Luís – Na Cidade Nova. Vivia então no seio de uma família uma moça pobre, mas honrada. Tinha dezoito anos; era linda... como... uma senhora que está a seu lado, Sr. Ribeiro.

Ribeiro – Em que rua morava?

Luís – Não me lembro. Seu pai e sua mãe a adoravam; tinha um primo, pobre artista, que a amava loucamente.

Carolina – A amava?...

Luís – Sim, senhora. Era ela quem lhe dava a ambição; era esse amor que o animava no seu trabalho, e que o fazia adquirir uma instrução que depois o elevou muito acima do seu humilde nascimento. Mas sua prima o desprezou, para amar um moço rico e elegante.

Araújo (baixo) – Vais trair-te.

Luís – Não importa.

Pinheiro – Continue, senhor Viana.

Helena – Eu acho melhor que se faça uma saúde cantada.

Vieirinha – Com hipes e hurras!

Carolina – Por quê?... A história do senhor é tão bonita.

Vieirinha – Lá isso não se pode negar! É um perfeito romance.

Luís – Uma noite, no momento em que esse moço entrava, sua prima seduzida por seu amante, ia deixar a casa dos pais.

Meneses – O! Temos um lance dramático?

Luís – Não, senhor; passou-se tudo muito simplesmente. Ele disse algumas palavras severas à sua prima; esta desprezou suas palavras como tinha desprezado o seu amor, e...partiu.

Vieirinha – Como! O sujeito deixou-a partir?

Luís – É verdade.

Carolina – E a amava!...

Meneses – Era um homem prudente.

Luís – Era um homem que compreendia o prazer.

Pinheiro – Não entendo.

Luís – Ele amava essa moça, mas não era amado; nunca obteria dela o menor favor, e respeitava-a muito para pedi-lo. Lembrou-se que, deixando-a fugir, chegaria o dia em que com algumas notas de banco compraria a afeição que não pôde alcançar em troca de sua vida.

Araújo – Como podes mentir assim!

Ribeiro – Não bebas tanto champagne, Carolina. Faz-te mal!

Luís – Esse homem compreendia o mundo, não é verdade?

Vieirinha – Era um grande político.

Meneses – Da tua escola.

Luís – Desde então ele tratou de ganhar dinheiro; precisava não só para satisfazer o seu capricho, como para aliviar a miséria da família daquela moça, que com a sua loucura, tinha lançado sua mãe em uma cama, e arrastado o pai ao vício da embriaguez. Ah!...

Ribeiro – Que tens?

Carolina – Uma dor que costumo sofrer! Dá-me vinho.

Luís – É justamente o que esse pai fazia. Sentia a dor da perda de sua filha e queria afogá-la com vinho.

Vieirinha – Mau! A história começa a enternecer-me.

Meneses – É bem interessante.

Carolina – Mas falta-lhe o fim.

Meneses – Ah! Tem um fim?

Ribeiro – Carolina!

Carolina – Essa moça... Os senhores desejam conhecê-la?

Vieirinha – Decerto.

Carolina – Sou eu!

Pinheiro – A senhora!

Luís (a Araújo) – Está perdida.

Carolina – Sou eu: e espero que chegue o dia em que possas pagar o sacrifício desse amor tão generoso, que desprezei.

Pinheiro – Mas seu primo?...

Carolina – Já o não é.

Meneses – Como se chama?

Carolina – Não sei.

Araújo – José, dá-me a conta.

Meneses – Espera, vamos juntos.

Araújo – Ainda te demoras!

Meneses – Não.

CENA VIII

(Os mesmos, José e Antônio)

José (na porta – Ponha-se na rua! Não achou outro lugar para cozinhar a bebedeira?

Antônio (da parte de fora)– Quero beber... Vinho... compro com o meu dinheiro. Eh! Meia garrafa, senhor moço!

José – Vá-se embora, já lhe disse.

Meneses – Que barulho é este, José?

José – É um bêbado. Achou a porta aberta e entrou. Agora quer por força que lhe venda meia garrafa de vinho.

Araújo – Pois mata-lhe a sede.

José – Se ele já está caindo.

Antônio (cantando) Mandei fazer um balaio Da casquinha de um camarão

José – Nada! Ponha-se no andar da rua.

Carolina – Deixe-o entrar; talvez nos divirta um pouco. Estou triste.

José - Mas é capaz de quebrar-me a louça.

Pinheiro – Que tem isso? Eu pago o que ele quiser.

Carolina – É uma fineza que lhe devo.

Ribeiro – Mas não é necessária; tu podes satisfazer a teus caprichos sem recorrer a ninguém.

Antônio – Oh! temos bródio por cá também? Viva a alegria! Toca música!

Ta-ra, la-lá, ta-ri, to-ri (dança).

Meneses – O homem é diletante como o Vieirinha.

Vieirinha – E engraçado como um artigo teu.

Antônio – Estão rindo?... Cuidado que estou meio lá meio cá.

Meneses – Não; faz tanto barulho que vê-se logo que está todo cá.

Antônio – Pois olhe, apenas bebi seis garrafas.

Vieirinha – Não é muito!

Antônio – Não é, não. Mas faltavam-lhe os cobres, senão... Oh! Tanto hei de beber que por fim hei de achar.

Meneses – Achar o quê?

Antônio – Não sabe? Upa!... Pois não sabe?... Eu não bebo porque goste de vinho... Já me enjoa.

Meneses – Por que bebe então?

Antônio – Porque procurôôô... eh! Iô... procuro no fundo da garrafa uma coisa que os velhos chamam virtude, e que não se acha mais nesse mundo.

Pinheiro – Eis um Diógenes!...

Helena – Como te chamas?

Antônio – Que te importa o meu nome? Não tenho dinheiro!

Araújo (aLuís,baixo) – Luís! Luís! Olha!

Luís – O quê?

Araújo – Este homem.

Luís – Antônio!...

Araújo – Cala-te!

Meneses – Mas então ainda não achou o que procuravas?

Antônio – Hein?...

Meneses – A virtude...

Antônio – Não existe. No fundo da garrafa só acho o sono. Mas é bom o sono. A gente não se lembra...

Vieirinha – Das maroteiras que fez.

Antônio – A gente vive no outro mundo que não é ruim como este. Oh! é bom o vinho!

Vieirinha – Pois tome lá este copo de champagne.

Antônio – Venha! (Provando) Puah!... não presta! É doce como as falas de certa gente; embrulha-me o estômago! Antes a aguardente que queima!

Meneses – Chegue aqui; diga-me o que você procura esquecer. Sofreu alguma desgraça?

Vieirinha – Queres outra história?

Antônio – Qual história? Não sofri nada! Diverti os outros.

Meneses – Mas conte isso mesmo.

Antônio – Não tem que contar... O trabalhador não deve criar sua filha para os moços da moda?

Meneses – Então sua filha...

Antônio – Roubaram e nem ao menos me deram o que ela valia! Velhacos...

Os sujeitinhos hoje estão espertos!

Meneses – Pobre homem!

Antônio – Pobre, não! (Bate no bolso) Veja como tine. (Rindo) A mulher está doente, não trabalha; eu durmo todo o dia, não vou mais à loja; porém Margarida tinha uma cruz de ouro com que rezava. Fui eu, e furtei de noite a cruz, como o outro furtou minha filha, e passei-a nos cobres. Cá está o dinheiro; chega para beber dois dias. Estou rico! Viva a alegria! Olá! senhor moço! Ande com isso!... Meia garrafa!...

Helena – (a Carolina) – Vamos para outra sala; não podes ficar aqui. (Erguem-se)

Ribeiro (a José) – Faz já sair este bêbado!

Araújo a Luís) – Tenho medo do que vai se passar.

Antônio (paraCarolina) – Olé! Que peixão! Dê cá este abraço... menina!

Carolina – Meu pai!...(Esconde o rosto)

Antônio – Pai!... Há muito tempo que não ouço esta palavra. Mas quem és tu? Deixa-me ver o teu rosto. Tu pareces bonita. Serás como Carolina? Mas... se não me engano... Sim... Sim... Tu és!

Carolina – Não!

Antônio – Tu és minha filha!

Carolina – É falso!

Antônio – Não foste tu que me falaste há pouco?... aqui... Não me chamaste teu pai?... Carolina!

Carolina – Deixe-me!

Antônio – Vem! Tua mãe me pediu que te levasse.

Carolina – Minha mãe!...

Antônio – Sim, tua mãe... Margarida. Se soubesses... como ela tem chorado... Minha pobre Margarida!

Carolina – Não sei quem é.

Antônio – Não sabes?

Carolina – Não!

Antônio – Tu não sabes?

Carolina – Meu Deus!

Antônio – Esqueceste até o nome de tua mãe?

Carolina – Esqueci tudo.

Antônio – Oh! tens razão! Tu não és minha filha. Nunca foste... (Precipita-se sobre ela e a obriga a ajoelhar-se.Ribeiro e Pinheiro protegem Carolina, enquanto Luís segura Antônio pelo braço.)

Luís – Antônio!

Antônio – Solta-me, Luís!

Meneses – Não a ofenda! É sua filha!

Antônio – Não: já não é.

Meneses – Mas é ainda uma mulher. Deseja puni-la? Respeite essa vida que a levará de lição em lição até o último e terrível desengano. É preciso que um dia a sua própria consciência a acuse perante Deus, sem que possa achar defesa, nem mesmo na cólera severa, mas justa de um pai.

Araújo – Vamos; vamos, Luís.

Antônio – E ela... fica.

Araújo – Nem lhe responde!

Antônio – Pois sim, fica; se algum dia me encontrares no teu caminho, se o teu carro atirar-me lama à cara, se os teus cavalos me pisarem, não me olhes, não me reconheças. Vê o que tu és, que um miserável bêbado, que anda caindo pelas ruas, tem vergonha de passar por teu pai!

Luís – Espera, Antônio! Talvez ainda não esteja tudo perdido. Um último esforço! Abre os braços à tua filha!... Olha! Olha!... Não vês que ela chora?

Carolina – Foram as últimas lágrimas... já secaram!... se tivessem caído neste copo, eu beberia com elas à memória do meu passado.

ATO SEGUNDO

(Sala em casa de Helena)

CENA PRIMEIRA

(Luís, Araújo e Meneses)

Meneses – Podemos entrar. Nada de cerimônias.

Araújo – Talvez sejamos importunos.

Meneses – Não tenhas receio. Sente-se, Sr. Viana.

Araújo – E o tal Vieirinha?

Meneses– Que tem? (Na porta Helena!

Helena (dentro) – Já Vou, Sr. Meneses.

Meneses – Está no toilette naturalmente. Esperemos um instante.

Araújo – Não cuidei que se tratasse com tanto luxo! É uma bela casa.

Meneses – Como muitas famílias não a têm; mas assim deve ser quando os maridos roubam as suas mulheres, e os pais a seus filhos para alimentarem esses parasitas da sociedade.

Luís – Dizes bem; a culpa não é delas.

Meneses – Mas, Araújo, sinceramente te confesso que ainda não compreendi o teu empenho!

Araújo – Empenho de quê?

Meneses – De conhecer a Helena. Achas bonita?

Araújo – Bonita!... Uma mulher que tem os dentes e os cabelos na Rua do Ouvidor!

Meneses – Entretanto entraste hoje de madrugada, quero dizer, às dez horas por minha casa; interrompeste o meu sono de domingo, o único tranqüilo que tem um jornalista; me fizeste sair sem almoço; pagaste um carro; e tudo isto para que te viesse apresentar a essa velha sem dentes e sem cabelos!

Araújo – Isso se explica por um capricho. Sou um tanto original nas minhas paixões.

Meneses – Então estás apaixonado pela Helena?

Araújo – Infelizmente.

Luís – Por que não confessas a verdadeira causa? O Sr. Meneses é teu amigo, e embora só há pouco tempo tivesse o prazer de conhecê-lo, confio bastante no seu caráter para falar-lhe com franqueza.

Araújo – É o melhor; assim me poupas o descrédito de inventar uma paixão bem extravagante.

Meneses – Qual é então a verdadeira causa desta apresentação?

Luís – Eu lhe digo. Trata-se de salvar uma moça por quem muito me interesso; quero falar-lhe ainda uma vez, tentar os últimos esforços; mas na sua casa é impossível; o Ribeiro guardou-o com um cuidado e uma vigilância excessiva.

Meneses – E a Carolina?

Luís – Ela mesma. Lembra-se daquela CENA que presenciamos no hotel há cerca de um mês?

Meneses – Lembro-me perfeitamente; e parece-me, pelo que vi, que os seus esforços serão inúteis.

Araújo – É também a minha opinião. Tenho-lhe dito muitas vezes que a honra de um homem é uma coisa muito preciosa para estar sujeita ao capricho de qualquer mulher, só porque o acaso a fez sua parente.

Luís – Não é por mim, Araújo, é por ela que procuro salvá-la. Reconheço queé bem difícil; mas resta-me ainda uma esperança: talvez a mãe obtenha pelo amor, aquilo que nem a voz da razão nem o grito do dever puderam conseguir.

Meneses – Pensa bem, Sr. Viana.

Luís – Para isso, porém, é preciso encontrá-la um só instante; soube que costuma vir à casa desta mulher que a perdeu e de quem é amiga. Araújo disse-me que o senhor a conhecia; e fomos imediatamente procurá-lo. Eis o verdadeiro motivo do incômodo que lhe demos; o Sr. Meneses é homem para o compreender e apreciar.

Meneses – Não se enganou, Sr. Viana; farei o que me for possível.

Meneses – Não tem de que; é dever de todo homem honesto proteger e defender a virtude que vacila e vai sucumbir ou mesmo ajudá-la a reabilitarse. Mas devo corresponder à sua fraqueza com igual franqueza. Creio que o senhor, e tu mesmo, Araújo, não conhecem bem o terreno em que pisam.

Luís – Não, decerto.

Araújo – Quanto a mim estou em país estrangeiro.

Meneses – Pois é preciso estudar o movimento e a órbita destes planetas errantes para acompanhá-los na sua rotação. Aqui não se conhece nem um desses objetos como a honra, o amor, a religião, que fazem tanto barulho lá fora. Neste mundo à parte, só há um poder, uma lei, um sentimento, uma religião; é o dinheiro. Tudo se compra e tudo se vende; tudo tem um preço.

Luís – Que miséria, meu Deus!

Meneses – Quem vê de longe este mundo, não compreende o que se passa nele, e não sabe até onde chega a degeneração da raça humana. O oriente desses astros opacos é o luxo; o ocaso é a miséria. Começam vendendo a virtude; vendem depois a sua beleza, a sua mocidade, a sua alma; quando o vício lhes traz a velhice prematura, não tendo já que vender, vendem o mesmo vício e fazem-se instrumento de corrupção. Quantas não acabam vendendo suas filhas para se alimentarem na desgraça!

Araújo – Tu exageras!... Ninguém se avilta a esse ponto.

Meneses – Não exagero. Muitas são boas e capazes de um sacrifício; têm coração. Mas de que lhes serve esse traste no mundo em que vivem!

Araújo – Para amar o homem a quem devem tudo.

Meneses – Ele seria o primeiro a escarnecer dela.

CENA II

(Os mesmos, Vieirinha e Helena)

Vieirinha (cantarolando) – De suis le sire de Framboisy! meus senhores!...

Não se incomodem, estejam a gosto.

Meneses – Adeus. Como vais?

Vieirinha – Bem, obrigado.

Meneses – Que se faz de bom?

Vieirinha – Nada; enche-se o tempo.

Meneses – Enfim apareceu!

Helena – Desculpe; se me tivesse prevenido da sua visita... Mas chega de repente e no momento em que estava me penteando.

Meneses – Tem razão!... Aqui lhe trouxe o Sr. Viana e o Sr. Araújo que muito desejam conhecê-la. São meus amigos; isto diz tudo.

Helena – A minha casa está às suas ordens. Estimo muito...

Meneses – Se não me engano, o Sr. Viana deseja conversar com a senhora; portanto não o faça esperar.

Helena – Fazer esperar é o nosso direito, Sr. Meneses!

Meneses – Quando se trata de amor, mas não quando se trata de um negócio.

Helena – Ah! É um negócio...

Luís – Sim, senhora...

Helena – Pois quando quiser...

Vieirinha – Já almoçaste, Helena?

Helena – Há pouco; mas o almoço ainda está na mesa.

Vieirinha – Com licença, meus senhores. (Luíse Helena conversam no sofá; Meneses e Araújo recostados à janela.)

CENA III

(Meneses, Araújo, Luís e Helena)

Araújo – Não me dirás que figura faz este Vieirinha no meio de tudo isto?

Meneses – A figura de um desses sagüis com que os moços se divertem. Neste mundo de mulheres, Araújo, existem duas espécies de homens, que eu classifico como animais de penas. Uns são os moços ricos e os velhos viciosos que se arruinam e estragam a sua fortuna para merecerem as graças dessas deusas pagãs; esses se depenam. Os outros são os que vivem das migalhas desse luxo, que comem e vestem à custa daquela prodigalidade; esses se empenam.

Araújo – O Vieirinha pertence a esta última classe.

Meneses – É o tipo mais perfeito. Em todas estas casas encontra-se uma variedade do gênero Vieirinha.

Araújo – Mas por que razão suportam elas esse animal? Será amor?

Meneses – Às vezes é; outras é simples orgulho e vaidade. Esta gente que profana tudo, que faz de tudo, dos sentimentos mais puros uma mercadoria, depois de tanto vender, quer também ter o gosto de comprar. Umas compram logo um marido; outras contentam-se em comprar um amante. É mais cômodo: deixa-se quando aborrece.

Araújo – É o que Helena fez com o Vieirinha?

Meneses – Justamente.

Meneses – E sai-lhe caro esse capricho?

Meneses – Sem dúvida; mas o dinheiro como vem, assim vai. Depois ela dá por bem empregado qualquer sacrifício. Não quer parecer velha. Araújo – Mas quando ceamos juntos, aquela noite ao sair to teatro, me

pareceu que o Pinheiro...

Meneses – Deixou-a; está apaixonado pela Carolina; e a Helena, segundo me disseram, o protege.

Araújo – Ah! De amante passou a confidente?

Meneses – É verdade. Tu ficas?

Araújo – Espero por Luís.

Meneses – Então, adeus.

Araújo – Por que não te demoras? Sairemos juntos.

Meneses – Não posso; tenho que fazer. Vou almoçar e depois escrever um artigo. Até a noite.

Araújo – Aonde?

Meneses – No Teatro Lírico. Não vais?

Araújo – É natural.

Meneses – Sr. Viana! Helena...

Luís – Já vai? Nós o acompanhamos.

Meneses – Depressa terminou a sua conversa!

Luís – É verdade; a senhora foi tão simples!

Meneses – Fico bastante satisfeito; é sinal de que a minha apresentação valeu um pouco.

Helena – O senhor sabe que ela vale sempre muito.

Araújo (a Luís) – Conseguiste?

Luís – Consegui tudo. O Meneses tem razão: o dinheiro venceu todas as dificuldades. Ao meio-dia, Carolina está aqui.

Araújo – Ao meio-dia?... São mais de onze...

Luís – Toma o carro. Ela está doente, mas a esperança de ver sua filha...

Araújo – E tu onde me esperas?

Luís – Eu vou dar uma volta, e dentro de meia hora voltarei.

Araújo – Até já, Meneses! (A Helena) Viva!

Luís – Vamos, Sr. Meneses.

Helena – Então ao meio-dia?

Luís – Aqui estarei.

CENA IV

(Helena e Vieirinha)

Vieirinha – Almocei bem! O Meneses já foi?

Helena – Saiu agora mesmo.

Vieirinha – E os outros?

Helena – Também.

Vieirinha – Que fazer tu hoje?

Helena – Nada.

Vieirinha – Então não precisas de mim?

Helena – Que pergunta!

Vieirinha – Dá-me um charuto.

Helena – Não tenho.

Vieirinha – Estás hoje muito aborrecida.

Helena – E tu muito maçante.

Vieirinha – Não duvido; passei mal a noite. (Estende-se no sofá) Se quiseres conversar, acorda-me.

Helena – Não se deite, não senhor.

Vieirinha – Por quê?

Helena – Não são horas de dormir.

Vieirinha – Ora, quando se tem sono...

Helena – Espero Carolina. Preciso estar só com ela.

Vieirinha – Está feito. vou trocar as pernas por aí.

Helena – Não voltas?

Vieirinha – É boa! Deitas-me pela porta fora e achas que devo voltar?

Helena – Estás zangado?... Deixa-te disso. Volta às quatro horas.

Vieirinha – Para fazer o quê?

Helena – Iremos jantar ao Hotel de Botafogo.

Vieirinha – É muito longe.

Helena – Não faltes.

Vieirinha – Se puder.

Helena – Conto contigo.

Vieirinha – Vai só.

Helena – Não tem graça!

Vieirinha – Pois eu não posso ir.

Helena – Por que razão?

Vieirinha – Por quê...

Helena – Estás inventando a mentira?

Vieirinha – Tenho acanhamento em confessar-te.

Helena – Começas tarde com os teus acanhamentos!

Vieirinha (rindo) – Deveras!... Pois não vou ao Hotel de Botafogo porque não quero encontrar-me com certo sujeito.

Helena – Ou sujeita?...

Vieirinha – Já está com ciúmes! É um rapaz que me ganhou outro dia cinqüenta mil-réis no jogo, e a quem ainda não paguei.

Helena – Não será o primeiro.

Vieirinha – Nem o último. Mas esse tem uma irmã feia e rica que pode ser um excelente casamento. Se não lhe pago, fico desacreditado na família.

Helena – Bem feito! Só assim deixarás o maldito vício do jogo.

Vieirinha – Ah! Deu-te para aí! Queres pregar-me um sermão? Basta os que ouço do velho! (Vai sair.)

Helena – Então, até quatro horas?

Vieirinha – Não, decididamente não vou; já te disse o motivo.

Helena – Olha! Se tu me prometesses...

Vieirinha – O quê?

Helena – Não jogar mais.

Vieirinha – Que farias?

Helena – Faria um sacrifício...

Vieirinha – Sacrifício... (faz o gesto vulgar com que se exprime dinheiro.)

Helena – Sim!

Vieirinha – Prometo o que tu quiseres! Juro!

Helena (dando-lhe uma nota) – Pois toma; vai pagar a tua dívida e volta.

Vieirinha – Está dito!... Tu és uma flor, Helena.

Helena – Sim! Vêm a tempo os teus cumprimentos; nem fazes caso de mim.

Vieirinha – Não digas isto. Os únicos momentos de felicidade que tenho são os que passo junto de ti. Até a tarde!

CENA V

(Helena e Carolina)

Carolina – Cheguei muito cedo!

Helena – Não faz mal.

Sentia uma impaciência!... Apenas Ribeiro saiu, meti-me num carro...Antes que me arrependesse!

Helena – Assim estás resolvida?

Carolina – Inteiramente.

Helena – Já duas vezes disseste o mesmo, e quando chegou o momento...

Carolina – Hesitei antes de dar este passo; não sei que pressentimento me apertava o coração, e me dizia que eu procedia mal. Foi o primeiro homem a quem amei neste mundo; é o pai de minha filhinha. Parecia-me que devia acompanhá-lo sempre!

Helena – Se ele não te abandonasse mais dia, menos dia.

Carolina – Não há de ter este trabalho; hoje resolvi-me; esta existência pesa-me. A que horas vem o Pinheiro?

Helena – Não pode tardar.

Carolina – É muito longe daqui a Laranjeiras?

Helena – Não; é um instante! Em cinco minutos podes lá estar.

Carolina – Já viste a casa?

Helena – Ainda ontem. Está arranjada com um luxo!... O Pinheiro vai te tratar como uma princesa.

Carolina – Contanto que me deixe livre.

Helena – Ele te adora; há de fazer todas as tuas vontades. Queres ver que lindo presente te mandou?

Carolina – Por ti?

Helena – Sim; está aqui. (Tira do bolso caixas de jóias.)

Carolina – Um colar...pulseiras...um adereço completo!

Helena – Não é de muito gosto?

Carolina – São brilhantes?

Helena – Verdadeiros... Mas, Carolina, tenho uma notícia a dar-te.

Carolina – Que notícia?

Helena – Teu primo deseja ver-te.

Carolina – Luís!... Esteve aqui!... Que me quer ele? Ainda não está satisfeito com me ter mostrado tanto desprezo?

Helena – Que te importa?

Carolina – Sempre que o vejo fico triste. Sofro por muitos dias.

Helena – Foi a princípio.

Carolina – Ainda hoje não posso esquecer as palavras que ele me disse há dois anos. E são tão amargas as suas palavras!

voltar 12345avançar

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal