Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  As Asas De Um Anjo (José De Alencar)  Voltar

As Asas de um Anjo

José de Alencar

PRÓLOGO

(Em casa de Antônio. Sala pobre)

CENA PRIMEIRA

(Carolina, Margarida e Antônio)

(CAROLINA defronte a um espelho, deitando nos cabelos dois grandes laços de fita azul. MARGARIDA cosendo junto à janela.ANTÔNIO sentado num mocho, pensativo.)

Carolina – É quase noite!...

Margarida – Que fazes aí, Carolina? Já acabaste a tua obra?... Prometeste dá-la pronta hoje.

Carolina – Já vou, mãezinha; falta apenas tirar o alinhavo. Olhe! Não fico bonita com meus laços de fita azul?

Margarida – Tu és sempre bonita; mas realmente essas fitas nos cabelos dão-te uma graça!... Pereces um daqueles anjinhos de Nossa Senhora da Conceição.

Carolina – É o que disse o Luís, quando as trouxe da loja. Tínhamos ido na véspera à missa e ele viu lá um anjinho que tinha as asas tão azuis, cor do céu! Então lembrou-se de dar-me esses laços... Assentam-me tão bem, não é verdade?

Margarida – Sim; mas não sei para que te foste vestir e pentear a esta hora; já está escuro para chegares à janela.

Carolina – Foi para experimentar o meu vestido novo, mãezinha... Quis ver como hei de ficar quando formos domingo ao Passeio Público...

Margarida – Ora, ainda hoje é terça-feira.

Carolina – Que mal faz!

Margarida – Está bom, vai aprontar a obra; a moça não deve tardar. É verdade!

CENA II

Margarida e Antônio

Margarida – Não sei o que tem a nossa filha! Às vezes anda tão distraída...

Antônio – Quantos são hoje do mês, Margarida?

Margarida – Pois não sabes? Vinte e seis.

Antônio (contando pelos dedos) – Diabo! Ainda faltam quatro dias para acabar! Precisava receber uns cobres que tenho na mão do mestre e só no fim da semana... Que maçada!

Margarida – Não te agonies, homem! O dinheiro que deste ainda não se acabou; e hoje mesmo aquela moça deve vir buscar os vestidos que mandou fazer por Carolina.

Antônio – Quanto ela tem de dar?

Margarida – Três vestidos a cinco mil-réis... Faz a conta.

Antônio – Quinze mil-réis, não é?

Margarida – Quinze justos. Já vês que não nos faltará dinheiro; podes dormir descansado que amanhã terás o teu vinho ao almoço.

Antônio – Ora Deus! Quem te fala agora em vinho? Não é para ti, nem para mim, que preciso de dinheiro. (MARGARIDA acende a vela com fósforos)

Margarida – Para quem é então, homem?

Antônio – Para Carolina.

Margarida – Ah! Queres fazer-lhe um presente?

Antônio – Tens idéias! Não!... Sim!... (Rindo) É um presente que ela há de estimar.

Margarida – Não; sim... Explica-te, se queres que te entenda.

Antônio – Lá vai. Há muitos dias que ando para te falar nisto; mas gosto de negócio dito e feito. Estive a esperar o fim do mês pela razão que sabes, do dinheiro; e o fim do mês sem chegar. Enfim hoje, já que tocamos no ponto, vou contar-te tudo. ( Chega-se à porta da esquerda.)

Carolina – Margarida está lá dentro; podes falar.

Antônio – Não reparaste ainda numa coisa?

Margarida – Em quê?

Antônio – Nos modos de Luís com a pequena. Como ele a trata.

Margarida – Quer dizer que Luís é um rapaz sisudo e trabalhador.

Antônio – Só?... Mais nada!

Margarida – Não sei que mais se possa ver em uma coisa tão natural.

Antônio . Escuta, Margarida, tu te lembras quando eu era aprendiz de marceneiro, e que te via em casa de teu pai, que Deus tenha em sua glória. Tu te lembras? Também te tratava sério...

Margarida – Então pensas que Luís tem o mesmo motivo?...

Antônio – Penso; e eu cá sei o que penso.

Margarida – Descobriste alguma coisa?

Antônio – Oh! se descobri! um companheiro lá da tipografia muito seu amigo me contou que ele tinha uma paixão forte por uma moça que se chama Carolina.

Margarida – Ah! Anda espalhando!...

Antônio – Não estejas já a acusar o pobre rapaz; ele não disse a ninguém.

Um dia no trabalho... Mas tu sabes como é o trabalho dele?

Margarida – Não; nunca vi.

Antônio – Nem eu; porém disseram que é fazer com umas letras de chumbo o mesmo que escreve o homem do jornal. Pois nesse dia, Luís que estava com o juízo cá na pequena, que havia de fazer?...

Margarida – O quê?

Antônio – Em vez do que estava escrito deitou Carolina, Carolina, Carolina...

Uma folha cheia de Carolina, mulher! No dia seguinte a nossa filha andava com o jornal por essas ruas!

Margarida – Santa Maria! Que desgraça, Antônio!

Antônio – Espera, Margarida; ouve até o fim. Tem lá um homem, o contramestre da tipografia, que se chama revisor; assim que ele viu a nossa filha, quero dizer o nome, pôs as mãos na cabeça; houve um grande barulho; mas como o rapaz é bom trabalhador acomodou-se tudo. É daí que o companheiro soube e me disse.

Margarida – Psiu!... Aí vem ela.

Antônio – Melhor! Acaba-se com isto de uma vez.

Margarida – Não lhe fales assim de repente.

Antônio – Por quê? Gosto de negócio dito e feito.

Margarida – Mas Antônio...

Antônio – Não quero ouvir razões. (EntraCAROLINAcom uma pequena bandeja cheia de vestidos.)

OS MESMOS E CAROLINA

Carolina – Ainda cose, mãezinha? Isto cansa-lhe a vista.

Margarida – Estou acabando; pouco falta. Vem cá. Tenho que te dizer uma coisa.

Carolina – Ah! Quer ralhar comigo, não é?

Antônio – E muito, muito; porque ainda hoje não te vieste sentar perto de mim como é teu costume para me contares uma dessas histórias bonitas que lês no jornal de Luís.

Carolina – Estive trabalhando; mas agora... Aqui estou. Quer saber as novidades?

Antônio – Não; hoje sou eu que te vou contar uma novidade; mas uma novidade...

Carolina – Qual é? Quero saber.

Antônio – Já estás curiosa! Quanto mais me adivinhasses...

Carolina – Ora diga!

Antônio – Esta mãozinha pequenina que escreve e borda tão bem, precisa de outra mão forte que trabalhe e aperte ela assim.

Carolina – Que quer dizer, meu pai?

Antônio – Não te assustes. As moças hoje já não se assustam quando se lhes fala em casamento.

Carolina – Casamento!... Eu, meu pai?... Nunca!...

Antônio – Então hás de ficar sempre solteira?

Mas eu não desejo casar-me agora. Mãezinha, eu lhe peço!...

Margarida – Ninguém te obriga; ouve o que diz teu pai; se não quiseres, está acabado. Não é assim, Antônio?

Antônio – Decerto. (À CAROLINA) Tu bem sabes que eu não faço nada que não seja do teu gosto.

Carolina – Pois não me fale mais de casamento. Fico logo triste.

Margarida – Por que, Carolina? É com a idéia de nos deixares?

Carolina – Sim, mãezinha; vivo tão bem aqui.

Antônio – Pois continuarás a viver: Luís mora conosco.

Carolina – Como, meu pai!... É ele... É Luís que...

Antônio – É ele que eu quero dar-te por marido. Gosta muito de ti e além disto é teu parente.

Carolina – Meu Deus!

Margarida – Tu não podes achar um moço mais bem comportado e trabalhador.

Antônio – E que há de ser alguma coisa, porque tem vontade, e quando se mete em qualquer negócio vai adiante. Pobre como é, estuda mais do que muito doutor.

Carolina – Eu sei, meu pai. Tenho-lhe amizade, mas amor... não!

Antônio – Pois é o que basta. Quando me casei com tua mãe ela não sabia que história era essa de amor; e nem por isso deixou de gostar de mim, e ser uma boa mulher.

Margarida – Entretanto, Antônio, não há pressa; Carolina há de fazer dezoito anos pela Páscoa.

Carolina – É verdade, mãezinha; sou muito moça; posso esperar...

Antônio – Esperar!... Não entendo disto; quero as coisas ditas e feitas. Tu tens amizade a teu primo; ele te paga na mesma moeda; portanto só falta ir à igreja. Domingo...

Carolina - Meu pai!... Por quem é!...

Margarida – Ouve, Antônio; é preciso também não fazer as coisas com precipitação. (LUÍS aparece)

Antônio – Não quero ouvir nada. Domingo... está decidido.

Carolina – Ah! Mãezinha, defenda sua filha!...

Margarida – Que posso eu fazer, Carolina? Tu não conheces o gênio do teu pai!! Quando teima...

Antônio – Não é teima, mulher. Luís há de ser um bom marido para ela. Se não fosse isto não me importava. Quero-lhe tanto bem como tu!

Carolina (chorando) – Se me quisesse bem não me obrigava...

Antônio – É escusado começares com choradeiras; não adiantam; o casamento sempre se há de fazer.

CENA Iii

(Os mesmos e Luís

Luís– Não, Antônio.

Carolina – Meu primo!

Antônio – Oh! Estavas aí, rapaz? Chegaste a propósito, mas que queres tu dizer?

Margarida – Ele não aceita.

Antônio – Espera, Margarida! Fala, Luís.

Luís – Tratava-se aqui de fazer Carolina minha mulher; mas faltava para isso uma condição indispensável.

Antônio – Qual?

Luís – O meu consentimento. Não pedi a mão de minha prima, nem dei a entender que a desejava.

Margarida – Mas tu lhe queres bem, Luís?

Luís – Eu, Margarida?

Antônio – Tens uma paixão forte por ela; eu sei.

Carolina – É verdade?

Luís – Parece-me que desde que moro nesta casa não dei motivos para me fazerem esta exprobração. Trato Carolina como uma irmã, ela pode dizer se nunca uma palavra minha afez corar.

Carolina – Não me queixo, Luís.

Luís – Creio, minha prima; e se falo nisto é para mostrar que seu pai se ilude: nunca tive a idéia de que um dia viesse a ser seu marido.

Antônio – Mas então explica-me essa história dos tipos.

Luís – Dos tipos?... Não sei o que quer dizer.

Margarida – Uma noite na tipografia estavas distraído e em lugar de copiar o papel, escreveste não sei quantas vezes o nome de Carolina.

Carolina – O meu nome?... Como, mãezinha?

Antônio (a LUÍS) – Ainda pretendes negar?

Luís – Mas era o nome de outra moça...

Carolina – Chama-se Carolina, como eu?

Luís – Sim, minha prima.

Antônio – Pensas muito nessa moça, para distraíres por ela a tal ponto.

Margarida – Com efeito quem traz assim a lembrança de um nome sempre na idéia...

Luís – Que fazer, Margarida? Por mais vontade e prudência que se tenha, ninguém pode arrancar o coração; e nos dias em que a dor o comprime, o nome que dorme dentro dele vem aos lábios e nos trai. Tive naquele dia esse momento de fraqueza; felizmente, não perturbou o sossego daquela que podia acusar-me. Agora mesmo ela ignora que era o seu nome.

Antônio – À vista disso decididamente não queres casar com tua prima?

Luís – Não, Antônio; agradeço mas recuso.

Antônio – Por que razão?

Luís – Porque ela... porque...

Margarida – Já não disse! Não lhe tem amor; gosta de outra.

Carolina – E vai casar com ela!

Antônio – Olha lá; se é este o motivo, está direito; mas se não tens outra em vista, diz uma palavra, e o negócio fica decidido.

Carolina – Meu pai!...

Vamos. Sim, ou não?

Luís – Não, amo a outra...

Carolina – Ah!...

Antônio – Está acabado! Não falemos mais nisto.

Carolina – Obrigada; Luís, sei que não mereço o seu amor.

Luís – Tem razão, Carolina: deve agradecer-me.

CENA IV

(Antônio, Margarida e Carolina)

Antônio – Margarida, tu conheces alguma outra moça na vizinhança que se chame Carolina?

Margarida – Não: mas isto não quer dizer nada: pode ser que aquela de quem Luís falou more em outra rua.

Antônio – Não acredito.

Carolina – Meu pai deseja por força que Luís seja meu marido. Ainda cuida que ele gosta de mim.

Antônio – Disto ninguém me tira.

Margarida – Mas, homem, não o ouviste afirmar o contrário?

Antônio – Muitas vezes a boca diz o que o coração não sente.

Carolina – Ora, meu pai, por que motivo ele encobriria?

Antônio – O motivo? Tu és quem pode dizer (Vai a sair)

Carolina – Eu?...

Margarida – Sabes que mais? Antônio, vieste hoje da loja todo cheio de visões. Que te aconteceu por lá?

Antônio – Eu te digo, mulher. Contaram-me há dias, e hoje tornaram a repetir-me, que um desses bonequinhos da moda anda rondando a nossa rua por causa de alguma menina da vizinhança.

Carolina – Ah!

Margarida – Então foi por isto que assentaste de casar Carolina?

Antônio – Uma menina solteira é um perigo neste tempo. (Saindo)Estes sujeitinhos têm umas lábias!

Margarida – Para aquelas que querem acreditar neles. (Pausa. Batem na porta.)

Carolina – Estão batendo.

Margarida – Há de ser a moça dos vestidos.

CENA VI

(Helena, Margarida e Carolina)

Helena – Adeus, menina. Boa noite, Sra. Margarida.

Margarida –Boa noite.

Carolina – Venha sentar-se.

Margarida – Aqui está uma cadeira.

Carolina (baixo, a HELENA) – E ele?...

Helena – Espere! (Alto) Então aprontou?

Carolina – Sim, senhora; todos.

Helena – E estão bem cosidos, já se sabe! Feitos por estas mãozinhas mimosas que não nasceram para a agulha, e sim para andarem dentro de luvas perfumadas.

Carolina – Luvas?... nunca tive senão um par, e de retrós.

Margarida – Quem te perguntou por isto agora?

Helena – Não faz mal; porém deixe ver os vestidos.

Carolina – Vou mostrar-lhe.

Margarida – É obra acabada às pressas; não pode estar como ela desejava.

Helena – Bem cosidos eles estão; assim me assentem.

Margarida – Hão de assentar. Carolina cortou-os pelo molde da francesa.

Carolina – Apenas fiz um pouco mais decotados como a senhora gosta.

Helena – É a moda.

Margarida – Mas descobrem tanto!

Helena – E por que razão as mulheres hão de esconder o que têm de mais bonito?

Carolina – É verdade!...

Helena (aMargarida) – Me dê uma cadeira. (MARGARIDA vai buscar uma cadeira; ela diz baixo à CAROLINA) Preciso falar-lhe.

Carolina – Sim!

Margarida (dando a cadeira) – Aqui está.

Helena – Obrigada. (Senta-se) Realmente esta menina tem muita habilidade.

Carolina – Mãezinha, Vm. vai lá dentro buscar a minha tesoura? Esqueceume abrir uma casa.

Margarida – Não queres a minha?

Carolina – Não; está muito cega.

Margarida – Onde guardaste a tua?

Carolina – No cestinho da costura. (Margarida sai à esquerda. Carolina tira do bolso a tesoura e mostra sorrindo a Helena.)

CENA VII

(Helena e Carolina)

Helena – Eu percebi!...

Carolina – Mas... Por que ele não veio?

Helena – É sobre isto mesmo que lhe quero falar. O Ribeiro mandou dizerlhe...

Carolina – O quê?...

Helena – Que deseja vê-la a sós.

Carolina – Como?

Helena – Escute. Às nove horas ele passará por aqui e lhe falará por entre a rótula.

Carolina – Para quê?

Helena – Está apaixonado loucamente por você; quer falar-lhe; não há senão este meio.

Carolina – Podia ter vindo hoje com a senhora, como costuma. Era melhor.

Helena – O amor não se contenta com estes olhares a furto e esses apertos de mão às escondidas.

Carolina – Mas eu tenho medo. Meu pai pode descobrir; se ele soubesse!...

Helena – Qual! É um instante! O Ribeiro bate três pancadas na rótula; é o sinal.

Carolina – Não! Não! Diga a ele...

Helena – Não diga nada; não me acredita, e vem. Se não falar-lhe, nunca mais voltará.

Carolina – Então deixará de amar-me!...

Helena – E de quem será a culpa?

Carolina – Mas exige uma coisa impossível.

Helena – Não há impossíveis para o amor. Pense bem; lembre-se que ele tem uma paixão...

Carolina – Aí vem mãezinha!

CENA VIII

(As mesmas, Margarida e Araújo.)

Margarida – Não achei, Carolina; procurei tudo.

Helena – Está bom; já não é preciso. Mando fazer isto em casa pela minha preta.

Araújo (Entrando pelo fundo com um colarinho postiço na mão) – A senhora me apronta este colarinho?

Margarida – A esta hora, Sr. Araújo?

Araújo – Que quer que lhe faça? Um caixeiro só tem de seu as noites. Agora mesmo chego do armarinho, e ainda foi preciso que o amo desse licença.

Margarida – Pois deixe ficar, que amanhã cedo está pronto.

Araújo – Amanhã?... E como hei de ir hoje ao baile da Vestal?

Carolina – Ah!... o senhor vai ao baile?

Araújo – Então pensa que por ser caixeiro não freqüento a alta sociedade?
Cá está o convite... Mas o colarinho? Ande, Sra. Margarida.

Margarida – Lavar e engomar hoje mesmo?

Araújo – Para as oito horas. Não quero perder nem uma quadrilha. As valsas pouco me importam...

Margarida – O senhor dá-me sempre cada maçada!...

Araújo – Deixe estar que um dia destes trago-lhe uma caixinha de agulhas.

Margarida – Veremos.

CENA IX

(Araújo, Helena e Carolina)

– Carolina, na janela –

Helena – Como está Sr. Araújo?

Araújo – A senhora por aqui... É novidade.

Helena – Também o senhor.

Araújo – Eu sou vizinho; e a Sra. Margarida é minha engomadeira.

Helena – Pois eu moro muito longe; porém mandei fazer uns vestidos para esta menina.

Araújo – Então já não gosta das modistas francesas?

Helena – Cosem muito mal.

Araújo – E dão cada tesourada! Como os alfaiates da Rua do Ouvidor... Mas assim mesmo, a senhora largar-se do Catete à Rua Formosa, em busca de uma costureira!

Helena – Que tem isso?

Araújo – Veio de carro? Está um na porta.

Helena – É o meu.

Araújo – Ahnn... Trata-se agora.

Helena – Sempre fui assim.

Araújo – Ah!... Não se lembra!... Pois olhe! Estou agora me lembrando de uma coisa.

Helena – De quê?

Araújo – Lá no armarinho, quando as fazendas ficam mofadas, sabe o que se faz?

Helena – Ora, que me importa isso?

Araújo – Separam-se umas das outras, para que não passe o mofo.

Helena – Que quer o senhor dizer?

Araújo – Quero dizer que as mulheres às vezes são como as fazendas; e que tudo neste mundo é negócio, como diz o amo.

Helena – Está engraçado!

CENA X

(Os mesmos e Margarida)

Araújo – Acha isso?

Helena – Deixai-me! Adeus, menina!

Carolina – Já vai?

Araújo – O maldito colarinho está pronto?

Margarida – Está quase.

Helena – Mande deitar estes vestidos no carro.

Margarida – Sim, senhora.

Helena – a Carolina – Adeus. (Baixo.) Veja lá! Oito horas já deram.

Carolina– Sim!

Helena – Adeus!...(A Araújo.) Boa noite!

Araújo – Viva!

Helena – Não fique mal comigo.

Araújo – Há muito tempo que conhece esta mulher, D. Carolina?

Carolina – Há um mês.

Araújo – Quem a trouxe cá?...

Carolina – Ninguém; ela precisa de uma costureira.

Araújo (a Margarida.) – Olhe que são mais de oito horas!

Margarida – Arre!... Que pressa!...

Araújo – Não se demore! Eu volto já; vou fazer a barba.

CENA XI

(Luís, Araújo e Carolina)

Luís – Não saias; quero te dar uma palavra.

Araújo – Depressa, que tenho hoje um baile.

Luís – Espera um momento. (Olhando para Carolina) Sempre na janela.

Araújo – Desconfias de alguma coisa?

Luís – Carolina!

Carolina – Ah!...Luís.

Luís – Assustei, minha prima?

Carolina – Não! Estava distraída.

Luís – Desculpe, procurei este momento para falar-lhe porque desejava pedir-lhe perdão.

Carolina – Perdão? De quê?

Luís– Não recusei a sua mão que seu pai me queria dar? Não a ofendi com essa recusa? Uma mulher deve ter sempre o direito de desprezar; o seu orgulho não admite que ninguém a prive desse direito.

Carolina – Não me ofendi com a sua franqueza, Luís. (Com ironia) Reconheci

apenas que não era digna de pertencer-lhe; outra merece o seu amor!

Luís – Esse amor que eu confessei era mentira.

Carolina – Por que confessou então? Quem o obrigou?

Luís – Ninguém. Menti por sua causa; para poupar-lhe um desgosto.

Carolina – Não o entendo.

Luís – Conhece o caráter do seu pai e sabe que quando ele quer as coisas não há vontade que lhe resista. Para tornar de uma vez impossível esse casamento, para que o meu nome não lhe cause mais tristeza, ouvindo-o associado ao título de seu marido, declarei que amava outra mulher; menti.

Carolina – E que mal havia nisso? Todos não temos um coração.

Luís – É verdade; porém o meu creio que não foi feito para o amor, e sim para a amizade. As minhas únicas afeições estão concentradas nesta casa; fora dela trabalho; aqui sinto-me viver. Um amor estranho seria como uma usurpação dos sentimentos que pertencem aos meus parentes. É por isso que só a sua felicidade me obrigaria a confessar-me ingrato.

Carolina – Não sei em que isso podia influir sobre a minha felicidade.

Luís – Quando se ama...

Carolina – Mas eu não amo.

Luís – Seja franca!

Carolina – Juro!

Luís – Não jure!

Carolina – Onde vai?

Luís – Ouvi bater na janela.

Carolina – Não!... Foi engano.

Luís – Vou ver.

Carolina – Meu primo!...

Araújo (baixo a Luís) – Um sujeito está espiando pela rótula.

Carolina (na rótula, baixo e para fora) – Espere!

Araújo (a Luís) – Sabes quem é?

CENA XII

(Os mesmos e Margarida)

Luís – Sei, ela o ama.

Araújo – E tu consentes?

Luís – Que posso fazer? Se o ofendesse ela me odiaria. Antes indiferença.

Carolina – Não era ninguém... O vento...

Luís (a Araújo) – Mente!

Margarida – Aqui tem; foi enxuto a ferro.

Araújo – A senhora é a pérola das engomadeiras. Vou-me vestir; anda, Luís.

Margarida (a Luís) – Estás hoje de folga?

Luís – Não; volto à tipografia.

Margarida – Então quando saíres cerra a porta.

Luís – Sim. Até amanhã minha prima.

Margarida – Tu não vens, Carolina?

Margarida – Já vou, mamãezinha; deixe-me tirar meus grampos.

CENA XIII

(Carolina e Ribeiro)

(Luís saindo, fecha a porta do fundo. Carolina, ficando só, apaga a vela.

Ribeiro salta na sala.)

Carolina – Meu Deus!...

Ribeiro – Carolina... Onde estás?... Não me queres falar?

Carolina – Cale-se; podem ouvir.

Ribeiro – Por isso mesmo; não esperdicemos estes curtos momentos que estamos sós.

Carolina – Tenho medo.

Ribeiro – De quê? De mim?

Carolina – Não sei!

Ribeiro – Tu não me amas, Carolina! Senão havias de ter confiança em mim;

havias de sentir-te feliz como eu.

Carolina – E o meu silêncio aqui não diz tudo? Não engano meu pai para

falar-lhe?

Ribeiro – Tu não sabes! O coração duvida sempre da ventura. Dize que me

amas. Dize, sim!

Carolina – Para quê?

Ribeiro – Eu te suplico!

Já não lhe confessei tantas vezes que lhe...

Ribeiro – Assim não quero. Há de ser: eu te...

Carolina – Eu te amo. Está contente?

Ribeiro – Agora adeus. Até amanhã.

Ribeiro – Separarmo-nos! Depois de estar uma vez perto de ti, de saber que

tu me amas? Não, Carolina.

Carolina – Mas é preciso. Ribeiro – Tu és minha. Vamos viver juntos.

Carolina – Sempre?

Ribeiro – Sempre! sempre juntos!

Carolina – Como?

Ribeiro – Vem comigo; o meu carro nos espera.

Carolina – Fugir!

Ribeiro – Fugir? não; acompanhar aquele que te adora.

Carolina – É impossível!

Ribeiro – Vem, Carolina!

Carolina – Não! Não! Deixe-me!

Ribeiro – Ah! É esta a prova do amor que me tem! Adeus! Esqueça-se de mim. Nunca mais nos tornaremos a ver.

Carolina – Mas posso abandonar minha mãe? Não posso!

Ribeiro – Eu acharei outras que me amem bastante para me fazerem esse

pequeno sacrifício.

Carolina – Outras que não terão suas famílias.

Ribeiro – Mas que terão um coração.

Carolina – E eu não tenho?

Ribeiro – Não parece.

Carolina – Antes não o tivesse.

Ribeiro – Adeus.

Carolina – Até amanhã. Sim?

Ribeiro – Para sempre.

Carolina – Amanhã... Talvez.

Ribeiro – Deve ser hoje ou nunca.

Carolina – E minha mãe?

Ribeiro – É uma separação de alguns dias.

Carolina – Mas ela me perdoará?

Ribeiro – Vendo sua filha feliz...

16

Carolina – Que dirão minhas amigas?

Ribeiro – Terão inveja de ti.

Carolina – Por quê?

Ribeiro – Porque serás a mais bela moça do Rio de Janeiro.

Carolina – Eu?

Ribeiro – Sim! Tu não nasceste para viver escondida nesta casa, espiando

pelas frestas da rótula, e cosendo para a Cruz. Estas mãos não foram feitas

para o trabalho, mas para serem beijadas como as mãos de uma

rainha.(Beija-lhe as mãos) Estes cabelos não devem ser presos por laços de

fitas, mas por flores de diamantes. (Tira os laços de fita e joga-os fora) Só a

cambraia e a seda podem roçar sem ofender-te essa pele acetinada.

Carolina – Mas eu sou pobre!

Ribeiro – Tu és bonita, e Deus criou as mulheres belas para brilharem como

as estrelas. Terás tudo isso, diamantes, jóias, sedas, rendas, luxo e riqueza.

Eu te prometo! Quando apareceres no teatro, deslumbrante e fascinadora,

verás todos os homens se curvarem a teus pés; um murmúrio de admiração

te acompanhará; e tu, altiva e orgulhosa, me dirás em um olhar: Sou tua.

Carolina – Tua noiva?

Ribeiro – Tudo, minha noiva, minha amante. Depois iremos esconder a

nossa felicidade e o nosso amor num teatro delicioso. Oh! se soubesses

como a vida é doce no meio do luxo, em companhia de alguns amigos, junto

daqueles que se ama, e à roda de uma mesa carregada de luzes e de

flores!... O vinho espuma nos copos e o sangue ferve nas veias; e os olhares

queimam como fogo; os lábios que se tocam, esgotam ávidos o cálice de

champanhe como se fossem beijos em gotas que caíssem de outros lábios...

Tudo fascina; tudo embriaga; esquece-se o mundo e suas misérias. Por fim

as luzes empalidecem, as cabeças se reclinam; e a alma, a vida, tudo se

resume em um sonho.

Carolina – Mas o sonho passa.

Ribeiro – Para voltar no dia seguinte, no outro e sempre.

Carolina – Eu também tenho meus sonhos; mas não acredito neles.

Ribeiro – E que sonhas tu, minha Carolina?

Carolina – Vais zombar de mim!

Ribeiro – Não; conta-me.

Carolina – Sonho com o mundo que não conheço! Com esses prazeres que

nunca senti. Como deve ser bonito um baile! Como há de ser feliz a mulher

que todos olham, que todos admiram! Mas isto não é para mim.

Ribeiro – Tu verás!... Vem! A felicidade nos chama.

Carolina – Espera.

Ribeiro – Que queres fazer?

Carolina – Rezar! Pedir perdão a Deus.

Ribeiro – Pedir perdão de quê? O amor não é um crime. Meu Deus!... E minha mãe?

Ribeiro – Vem, Carolina.

CENA XIV

(Os mesmos e Luís)

Carolina – Ah!

Ribeiro – Quem é este homem?

Carolina – Meu primo.

Luís – Não pense que é um rival que vem disputar-lhe sua amante. Não, senhor! Há pouco recusei a mão de minha prima que seu pai me oferecia; não a amo. Mas sou parente e devo ampará-la no momento em que vai perder-se para sempre.

Ribeiro – Não tenho medo de palavras; se quer um escândalo...

Luís – Está enganado! Se quisesse um escândalo e também uma vingança bastava-me uma palavra; bastava chamar seu pai. Mas eu sei que não é a força que dobra o coração; eu temo que minha prima odeie algum dia em mim o homem que ela julgará autor de sua desgraça.

Ribeiro – O que deseja então?

Luís – Desejo tentar uma última prova. O senhor acaba de falar a esta menina a linguagem do amor e da sedução; eu vou falar-lhe a linguagem da amizade e da razão. Depois de ouvir-me, ela é livre; e eu juro que não me oporei à sua vontade.

Ribeiro – Ela ama-me! Era por sua vontade que me seguia.

Luís – Ela ama-o, sim; mas ignora que este amor é a perdição; que ela vai sacrificar a um prazer efêmero a inocência e a felicidade. Não sabe que um dia a sua própria consciência será a primeira a desprezá-la, e a envergonhar-se dela.

Carolina – Luís!

Ribeiro – Não acredites.

Luís – Acredite-me, Carolina. Falo-lhe como um irmão. Esses brilhantes, esse luxo, que há pouco o senhor lhe prometia, se agora brilham a seus olhos, mais tarde lhe queimarão o seio, quando conhecer que são o preço da honra vendida!

Carolina – Por piedade! Cale-se, meu primo! Depois a beleza passará, porque a beleza passa depressa no meio das vigílias; então ficará só, sem amigos, sem amor, sem ilusões, sem esperanças: não terá para acompanhá-la senão o remorso do passado.

Ribeiro – Tu sabes que eu te amo, Carolina.

Luís – Eu também... a estimo, minha prima.

Ribeiro – Vem! Seremos felizes!

Carolina – Não!... Não posso!

Por quê?... Há pouco não dizias que eras minha? Sim... A uma palavra deste homem, esqueces tudo?

Carolina – Não esqueço, mas...

Ribeiro – Sei a causa. Se ele não chegasse, eu era o preferido; mas entre os dois, escolhe aquele que talvez já tem direito sobre sua pessoa.

Carolina – Direitos sobre mim?

Luís – Já lhe disse que não amava essa moça. Negar em tais casos é um dever. Adeus; seja feliz com ele.

Carolina – Com ele!... Mas eu não o amo!

Ribeiro – Já lhe pertence.

Carolina – Luís? Eu lhe suplico! Diga que é uma falsidade!

Luís – Eu juro!

Ribeiro – Não creio em juramentos!

Carolina – Oh! não!

Margarida (de dentro) – Carolina!

Carolina – Minha mãe!

Luís – Margarida!

Carolina – Ah! Estou perdida! (Desfalece nos braços de Ribeiro)

Luís – Silêncio! (Vai fechar a porta.Ribeiro aproveita-se deste momento e sai, levando Carolina nos braços.)

CENA XV

(Luís e Margarida)

Luís – Ah!... (Corre à janela; ouve-se partir um carro; volta com desespero; vê os laços de fita, apanha-os e beija.)

Margarida – Carolina! ...Que é isto, Luís?

Luís (mostrando as fitas) – São as asas de um anjo, Margarida; ele perdeuas, perdendo a inocência.

Margarida – Minha filha!

ATO PRIMEIRO

(Salão de um hotel. Pequenas mesas à direita e à esquerda. No centro uma preparada para quatro pessoas.)

CENA PRIMEIRA

(Pinheiro, Helena e José)

Helena – Ainda não chegaram.

Pinheiro – Não há tempo, José, prevenirás o Ribeiro, logo que ele chegue, de que estamos aqui.

José – Sim, senhor.

Helena – O champagne já está gelado?

José – Já deve estar. Que outros vinhos há de querer, Sr. Pinheiro?

Pinheiro – Os melhores.

Helena – Eu cá não bebo senão champagne.

Pinheiro – Por espírito de imitação. Ouviu dizer que era o vinho predileto das grandes lorettes de Paris.

Helena – Não gosto de franceses.

Pinheiro – Pois eu gosto bem das francesas.

Helena – Faz bem! Nós é que temos a culpa! Se fôssemos como algumas que a ninguém têm amor!...

Pinheiro – Qual! Santo de casa não faz milagres.

José – Já viu uma dançarina que chegou pelo paquete?

Pinheiro – A que está no Hotel da Europa?

José – Não; está aqui, no número 8.

Helena– Alguém lhe pediu notícias dela?

José (rindo) – O Sr. Pinheiro gosta de andar ao fato dessas coisas.

CENA II

(Pinheiro e Helena)

Helena – Como esteve maçante o teatro hoje!

Pinheiro – Como sempre.

Helena – Não sei que graça acham esses sujeitinhos na Stoltz! Não tem nada de bonita!

Pinheiro – É prima dona!

Helena – Sabes quem deitou muito o óculo para mim? O Araújo.

Pinheiro – Ah! Está apaixonado por ti?

Helena – E por que não? Outros melhores têm-se apaixonado!

Pinheiro – Isso é verdade!

Helena – Ah! Já confessa!... Mas dizem que o Araújo agora está bem?

Pinheiro – É guarda-livros de uma casa inglesa.

Helena – Foi feliz; eu conheci-o caixeiro de armarinho.

Pinheiro – Escuta, Helena; tenho uma coisa a dizer-te.

Helena – O quê?... Temos arrufos?...

Pinheiro – Estou apaixonado pela Carolina.

Helena – Já me disseste.

Pinheiro – Julgaste que era uma brincadeira! Mas é muito sério. Estou disposto a tudo para conseguir que ela me ame.

Helena – Por isso é que já não fazes caso de mim?

Pinheiro – Ao contrário; é de ti que eu mais espero.

Helena – De mim?

Pinheiro – Não me recusarás isto!

Helena – Ah! Julgas que a minha paciência chega a este ponto?

Pinheiro – Foste tu que protegeste o Ribeiro.

Pinheiro – Sim; mas o Ribeiro não era meu amante, como o senhor!

Pinheiro – Ora, deixa-te disso! Queres fazer de ciumenta! Que lembrança!...

Helena – Não julgue os outros por si.

Pinheiro – Olha! A Carolina gosta de mim, e...

Helena – E mais cedo ou mais tarde devo ceder-lhe o meu lugar?

Pinheiro – Desde que nada perdes...

Helena – É o que te parece.

Pinheiro – Eu continuarei a ser o mesmo para ti.

Helena – Cuidas que não tenho coração?

Pinheiro – Se eu não soubesse como tu és boa e condescendente, não te pedia este favor.

Helena – Está feito! tu sempre me havias de deixar!... Antes assim!

Pinheiro - Obrigado, Helena.

Helena – Que queres que eu faça?

Pinheiro – Eu te digo. Dei esta ceia ao Ribeiro unicamente para ver se consigo falar à Carolina.

Helena – Ah! nunca lhe falaste?

Pinheiro – Nunca: o Ribeiro não a deixa!

Helena – É verdade: há dois anos que a tirou de casa e ainda gosta dela como no primeiro dia.

Pinheiro – Posso contar contigo?

Helena – Já te prometi. Mas vês esta pulseira? Foi o presente que me fez o

Ribeiro. É de brilhantes!...

Pinheiro – Eu te darei um adereço completo.

Helena – Não paga o sacrifício que eu te faço!... esses homens pensam! Se eles dizem que a gente é de mármore!

Pinheiro – Falarás hoje mesmo a ela.

Helena – Falo... Falo...

Pinheiro – Vê se consegues que deixe o Ribeiro.

Helena – Fica descansado. Eu sei o que hei de fazer. Agora vai contar isto aos teus amigos para que eles zombem de mim.

CENA III

(Os mesmos,. José, Ribeiro e Carolina)

José – Aí está o Sr. Ribeiro com uma senhora. Posso servir?

Pinheiro – Podes.

Helena – Ainda não. Espere um momento.

Pinheiro – Para quê?

Helena – Já te esqueceste?... deve ser antes.

Pinheiro . Ah! Sim!

Ribeiro – Chegaram muito cedo.

Helena – Saímos antes de acabar o espetáculo.

Ribeiro – Não reparei. Quanto mais depressa acabarmos, melhor.

Pinheiro A Favorita fez-te fome?

Ribeiro – Alguma: mas além disso preciso recolher-me cedo.

Carolina – Pois eu previno-te que enquanto houver uma luz sobre a mesa e uma gota de vinho nos copos, não saio daqui. Tenho tantas vezes sonhado uma noite como esta, tenho esperado tanto por estas horas de prazer, que pretendo gozá-las até o último momento. Quero ver se a realidade corresponde à imaginação.

Ribeiro . Está bem, Carolina: pode ficar o tempo que quiseres. Não te zangues por isso.

Carolina – Oh! Não me zango! Já estou habituada à vida triste a que me condenaste. Mas hoje...

Helena – Então não vives satisfeita?

voltar 12345avançar

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal