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Vinte Mil Léguas Submarinas

Júlio Verne

CONCLUSÃO

Eis a conclusão desta viagem submarina. O que se passou durante aquela noite, como o bote escapou do terrível redemoinho do “maelstrom”, como Ned Land, Conselho e eu saímos do formidável turbilhão, não sei. Mas quando recuperei os sentidos, estava deitado na cabana de um pescador das ilhas de Loffoden. Os meus dois companheiros, são e salvos, estavam junto de mim e davam-me as mãos.

Abraçamo-nos com efusão.

Naquele momento, não podíamos pensar em voltar imediatamente à França, porque os meios de comunicação entre a Noruega Setentrional e o sul eram raros. Fui, portanto, forçado a esperar a passagem de um barco a vapor que faz uma carreira duas vezes por mês do Cabo Norte.

É, portanto, no meio da boa gente que nos acolheu que revejo o relato das minhas aventuras. É exato. Não foi omitido um único fato, não foi exagerado um único pormenor. i; a narração fiel desta inverossímil expedição num elemento inacessível ao homem, mas que o progresso transformará um dia em vida livre.

Acreditar-me-ão? Não sei. Mas pouco importa. O que posso afirmar agora é o meu direito de falar dos mares, sob os quais em menos de dez meses, percorri vinte mil léguas numa volta ao mundo submarino que me revelou tantas maravilhas através do Pacifico, do Indico, do Mar Vermelho, do Mar Mediterrâneo, do Atlântico e dos mares austrais e boreais! Que teria acontecido ao “Nautilus”? Teria resistido às garras do “maelstrom”? Estaria o Capitão Nemo ainda vivo? Continuaria as suas terríveis represálias sob o oceano ou teria parado diante daquela última hecatombe? Será que as águas transportarão um dia para a terra o manuscrito que encerra a história da sua vida? Saberei algum dia o nome daquele homem? Através da nacionalidade do navio desaparecido, seria possível descobrir a nacionalidade do Capitão Nemo? Assim o espero. Espero também que o seu potente navio tenha vencido o mar na sua fúria mais terrível e que o “Nautilus” tenha sobrevivido onde tantos outros navios pereceram! Se assim for, se o Capitão Nemo continua a habitar o oceano, sua pátria adotiva, oxalá o ódio se acalme naquele coração feroz! Que a contemplação de tantas maravilhas lhe extinga o desejo de vingança! Que se apague o justiceiro e que o sábio continue a pacífica exploração dos mares! Se o seu destino é estranho, também é sublime. Não o compreendi por mim mesmo? Não vivi dez meses dessa existência sobrenatural? Assim, à pergunta feita há seis mil anos pelo Eclesiastes: “Quem jamais pôde sondar as profundezas do abismo?” apenas dois homens, entre todos, têm o direito de responder: o Capitão Nemo e eu.

FIM

Fonte: vitualbooks.com.br

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