A época da Renascença foi caracterizada pelos valores racionais e pela busca do saber e da cultura. Isto repercutiu, naturalmente, no campo musical: as melodias já não eram tão voltadas a temas religiosos. Mesmo assim, as obras que mais marcaram a história continuaram sendo as religiosas, principalmente a música vocal (sem acompanhamento de instrumentos), com várias linhas melódicas de coral (polifonia coral).
Outra mudança importante diz respeito ao papel dos instrumentos musicais, que deixaram de ser mero acompanhamento para tomarem papel principal na obra de muitos compositores. Assim, foram compostas obras especialmente para instrumentos de teclados (órgão, clavicórdio e, principalmente, virginal).

Bach
O termo "barroco", que no começo era usado para definir um estilo arquitetônico, estendeu-se a outros campos da arte, como a literatura. Na música, foi inaugurado com o surgimento da primeira ópera, em 1607, e do oratório, terminando em 1750, ano da morte de Johann Sebastian Bach, um dos maiores representantes do barroco.
A ópera é como uma peça de teatro - a diferença é que é cantada. Quando as histórias giravam em torno de histórias bíblicas, a peça musical era então chamada de oratório, que antes eram representados e depois passaram a ser apenas cantados. Oratórios pequenos eram chamados de cantatas, uma variação bastante comum nas missas.
Foi no período da música barroca que as orquestras tomaram forma mais organizada: deixaram de ser um agrupamento desordenado e ocasional de músicos e foram se aperfeiçoando. Os instrumentos também mudavam e logo o violino tomou o lugar da viela e torno-se central na orquestra. Participação garantida também era a do cravo ou do órgão, que tinham presença contínua nas peças musicais.
Nesta época, destacaram-se os músicos: Vivaldi, Haendel e, como já dito, Bach.

Mozart

Beethoven
A música clássica é aquela composta entre 1750 e 1810, quando os músicos eram contratados para compor para a corte. Era um trabalho como qualquer outro; música não era vista como criação artística e sim como um produto para agradar à nobreza. Os músicos que concordavam com este ponto de vista, como fez Haydn, tinham seu trabalho garantido. Os que se rebelavam eram desprezados pela corte e muitas vezes morriam na miséria, como aconteceu a Mozart.
Enquanto a música barroca é mais complicada e cheia de detalhes, o estilo clássico é mais simples e leve. As orquestras passam a valorizar os instrumentos de sopro em detrimento do órgão e do cravo. Aliás, os instrumentos como um todo ganharam mais espaço. Um exemplo foi a criação da sonata, que é uma obra com vários movimentos, cada um com determinados instrumentos. Surgiu também a sinfonia - uma sonata para orquestra, com quatro movimentos: rápido, lento, minueto e muito rápido.
Um grande marco da música clássica é o surgimento do piano. Derivado do cravo, a diferença entre os dois está na maneira pela qual as cordas emitem o som. No cravo, são tangidas por bicos de penas e no pianoforte (que depois ganhou o nome de piano), são percutidas por pequenos martelos.
Além de Mozart e Haydn, também Beethoven destacou-se no período clássico. Porém, não parou por aí: ao contestar as obrigações dos músicos com a corte, inaugurou o pensamento romântico, que você vai conhecer a seguir.

Chopin
A geração da música romântica estava preocupada em quebrar padrões. As obras procuravam expressar emoções intensas e exaltavam sentimentos; os temas mais comuns eram terras distantes e exóticas, amores platônicos, o luar, o mistério, o mágico. Foram retomadas as qualidades melódicas da canção, agora com o acompanhamento do piano.
Nesta época nasceram as óperas mais conhecidas da atualidade. Obras de Verdi, Wagner e até do brasileiro Carlos Gomes foram consagradas. Obras mais curtas, como as de Schubert, Mendelssohn, Chopin, Schumann, Liszt e Brahms, também fizeram muito sucesso.
As orquestras aumentaram e se diversificaram e, por conta disto, as sinfonias ficaram cada vez mais complexas - eram verdadeiros desafios ao desempenho do compositor. Quanto mais requintado, melhor. Daí a importância dos études (estudos para aprimoramento da técnica) e o sucesso que Lizst e Paganini fizeram, ao apresentarem-se em público, surpreendendo por sua rapidez e precisão.
O século XX foi de inúmeras manifestações musicais. A variedade de estilos torna praticamente impossível listá-los todos, mas podemos destacar algo em comum na maioria deles: uma postura anti-romântica. Além disto, outras características observadas são: melodias curtas, busca de novas sonoridades, métricas inusitadas.
As notas musicais você conhece, não? São dó, ré, mi, fá, sol, lá e si.
Você sabe de onde veio o sistema destas sete notas?
Tudo começou com o monge Guido D'Arezzo (sim, o mesmo que inventou a pauta!). Ele deliberou estas notas a partir de um hino ao padroeiro dos músicos, São João Batista.
Eis o hino, no original em latim (repare nas iniciais grifadas):
Ut queant laxit
Ressonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solvi polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes
Com o passar do tempo, o Ut foi mudando, mudando, até virar o Dó.
Existem outros sistemas, no entanto. As músicas cifradas substituem as notas por letras, começando pelo A, que é o lá, e daí em diante: B (si), C (dó), D (ré), E (mi), F (fá) e G (sol).
Fonte: www.ibge.gov.br
história da música imerge na história do Homem. Não há certezas sobre a sua origem e será muito difícil descobrir o porquê da sua génese. Em termos concretos, o que se sabe dos primórdios da nossa actividade musical provém essencialmente de alguma iconografia que sobreviveu a milhares de anos, e.g. as pinturas rupestres na gruta de “Les Trois Frères ”, consideradas como o mais antigo testemunho da nossa história musical e que parecem evidenciar que o Homem pré-histórico já usava os sons de forma intencional.

Ainda do período paleolítico também se conhecem instrumentos de sopro, feitos de osso, e.g. a flauta encontrada na Eslovénia (em 1995 ), que se calcula datar de aproximadamente 45 000 anos atrás. Contudo, a importância da figura de “Les Trois Frères” é particularmente significativa, porque, ao mesmo tempo que parece retratar um instrumento de corda, o arco musical também mostra uma associação da música (no caso, execução instrumental) e a dança com uma situação conotada com aspectos transcendentes, ritualistas e mágicos.
A Música, a Magia, o Divino e o Cosmos“
Para el hombre y las culturas primitivas, la música no es un arte: es un poder, cuya fuerza la ubica en el origen mismo del mundo.” (Perazzo ).
Esta perspectiva encontra-se igualmente nas obras, ou fragmentos de obras, que nos chegaram da antiguidade, nas quais a música aparece, frequentemente, associada a uma origem divina, aos mitos, a uma ideia de sobrenatural ou ainda aos elementos cósmicos. Seguem-se alguns exemplos: na China, considerava-se que os princípios da música seriam os mesmos do eterno sagrado, huang chung, expressão que tanto se referia ao tom fundamental da música chinesa como, no sentido simbólico, à autoridade divina; na Índia, segundo a tradição, o próprio Brahma ensinou o canto ao profeta Narada e este, por sua vez, transmitiu-o ao resto dos homens; no Egipto, antes do ano de 4000 a.C., a música também era recorrente nos ritos, cerimónias religiosas e militares, festas etc. Para os egípcios, o Deus Thoth teria criado o mundo através de sons . Os babilónios e os gregos relacionavam o som com o cosmos através de uma concepção matemática das vibrações acústicas, representadas numericamente e expressas também na astrologia:
“Los pitagóricos concibieron la escala musical como un elemento estructural dentro del cosmos. Además, el firmamento se reflejaba como una especie de armonía – la ‘armonía de las esferas’ –, y el espado tonal se obtenía por medio de una sola cuerda tensada (monocordio), de manera que reflejase esa armonía.” (Robertson e Stevens ).
É neste contexto que Platão (c.428/27 a.C. - 347 a.C.), que considerava a astronomia e a música como ciências irmãs, “tal como afirmam os pitagóricos” , refere o som provocado pelo movimento dos planetas, acompanhado pelo canto das deusas Láquesis, Cloto e Átropos ; e que Aristóteles (c.384 a.C. – 322 a.C.), em A Metafísica, escreve, citando os pitagóricos, que: “todo o céu é harmonia e número” .
Alguns Antecedentes: Música, Medicina e Terapia
A relação da música com a medicina também é longínqua. Remonta, provavelmente, à civilização egípcia a origem dos primeiros escritos sobre a acção da música no corpo humano: os papiros médicos descobertos pelo antropólogo inglês Flandres Petrie, em Kahum (1899), de c. 1500 a.C., mencionam a influência benéfica da música na fertilidade da mulher.
Também são referências importantes as lendas da mitologia grega (e outros relatos) que enumeram episódios sobre o poder calmante e terapêutico da música: Homero afirma que Aquiles foi encontrado na sua tenda tocando em uma magnífica lira e expurgando a sua cólera ; Orfeu, que aprendeu a arte com o próprio Apolo, deus da música e da medicina, ao “tanger a sua lira melodiosa, arrastava as árvores e conduzia os animais selvagens da floresta” ; Empédocles (482 - 430 a.C.) “era capaz de apaziguar paixões (…) foi o que fez a um jovem furioso, cantando versos da Odisseia” . Os Pitagóricos e os Coribantes usavam a música para expulsar os agentes causadores da doença e restabelecer a harmonia entre corpo e alma e Demócrito (c.460-370 a.C.) sustentava que muitas doenças poderiam ser curadas através de sons melodiosos de uma flauta .
No primeiro século d.C. o médico grego Asclepíades de Bitínia (c.124 – 40 a.C.) empregava a música para acalmar a excitação dos alienados e usava a trompete para curar a ciática. Esta tradição perdurou até à era cristã – e.g., Galeno (131-201 a.C.), também médico, acreditava que a música tinha o poder de combater a depressão e os estados de tristeza .
No Antigo Testamento atribuíam-se à música poderes idênticos:
“Todas as vezes que o espírito de Deus o acometia, David tomava a lira e tocava; então Saul se acalmava, sentia-se melhor e o mau espírito o deixava” (Bíblia de Jerusalém, Samuel 16, 23).
Já na Idade Média, em De Institutione musica, Boécio (480-524), que também se ocupou da influência da música sobre os estados violentos, refere curas efectuadas por Pitágoras, a um alcoólico, e por Empédocles, a um louco, e como os pitagóricos induziam o sono através de melodias doces . Na verdade, este tipo de relato encontra-se com abundância ao longo da história: Benenzon cita fontes medievais, tanto árabes como judias, “onde se narra com frequência como se chamavam os músicos para aliviar as dores dos enfermos no hospital” . No século XV, o musicógrafo flamengo Tinctoris (1445-1511) afirmava que um dos objectivos da música seria o de curar as doenças . Ainda nesta época, salienta-se o trabalho de Marsílio Ficino (1433-99) que, de forma pioneira, preconizou a musicoterapia activa ao prescrever que: “O homem melancólico execu¬tará, e às vezes inventará ele mesmo, os ares musicais (…) ele cantará e tangerá a lira” . Nesta óptica, a música deixaria de ser uma medicação externa e passaria a fazer parte do processo terapêutico.
Em 1584, o naturalista italiano Giambattista della Porta (1537-1615) escrevia, na sua obra Magiae naturalis , que o som advindo de instrumentos musicais feitos da mesma madeira de plantas medicinais produzia os mesmos efeitos terapêuticos: “as plantas de madeira de álamo, por exemplo, seriam efica¬zes contra as dores de ciática, as de madeira de heléboro contra as enfermidades nervosas, enquanto que os instrumentos feitos com fibra da planta de rícino provocariam efeitos purgativos” . Athanasius Kircher (c.1602-1680), no século XVII, recomendava o uso terapêutico da música, depois de ter experimentado em si os seus efeitos. Na sua perspectiva:
“The sound has an attractive property; it draws out disease, which streams out to encounter the musical wave, and the two, blending together, disappear in space” (Blavatsky, 1877: 215).
Finalmente, no século XVIII, em 1729, aparece o texto mais antigo (conhecido) sobre música e medicina , de Richard Browne. Depois, e a partir de 1880, com o advento da experimentação psicofisiológica, ocorreu uma maior aproximação entre a neurologia e a psiquiatria, surgindo uma possibilidade de fundamentar, de forma científica, o uso terapêutico da música com base nos efeitos neurofisiológicos produzidos.
O Século XX e a Emergência da Musicoterapia
Não obstante a atenção em torno dos efeitos curativos da música, o advento da Musicoterapia é recente . É só no século XX que se institui como ciência e passa a ser considerada na sua realidade pluridisciplinar e pluridimensional, i.e., como disciplina de carácter científico, pressupondo um corpo teórico próprio mas também assumidamente interrelacionado com outras áreas, tais como a arte, a medicina, a psicologia e a reeducação.
“Como ciência, a musicoterapia é recente, tendo acelerado o seu desenvolvimento após a 2ª Guerra Mundial, em hospitais para reabilitação dos feridos de guerra, nos Estados Unidos. Desde então, a pesquisa da relação som/ser humano, tanto na sua dinâmica normal, como no seu uso terapêutico, têm crescido ano a ano” (APEMESP ).
Na primeira metade do século XX, até cerca de 1945/50, dão-se passos fundamentais nos campos da investigação experimental, ao desenvolverem-se estudos sobre diversas populações, nomeadamente, esquizofrénicos, adolescentes, idosos, bem como doentes com problemas cardiovasculares ou cancerígenos, entre outros . A partir de 1950, são criadas associações em vários países: a National Association for Music Therapy (1950), nos E.U.A., a Society for Music Therapy and Remedial Music (1958), actual British Society for Music Therapy, entre outras, que pressupõem a criação de estatutos e códigos deontológicos. Em Portugal, a Associação Portuguesa de Musicoterapia foi criada em 1996, ano em que a Comissão de Prática Clínica da Federação Mundial de Musicoterapia apresentou a seguinte definição:
“Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou um grupo, num processo planificado com o objectivo de facilitar e promover a comunicação, a relação, a aprendizagem, a mobilidade, a expressão, a organização e outros objectivos terapêuticos importantes, que vão ao encontro das suas necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais ou cognitivas. A Musicoterapia tem por objectivo desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo, a fim de melhorar a sua organização intrapessoal e/ou interpessoal e, em consequência, adquirir uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento” (Comissão de Prática Clínica da Federação Mundial de Musicoterapia, 1996).
Em Portugal, a Musicoterapia iniciou o seu desenvolvimento na década de 60, altura em que um grupo de educadores, psicólogos e médicos começaram a interessar-se pela utilização terapêutica da música e artes em geral. De entre este grupo, destaca-se Arquimedes Santos, o pioneiro do movimento português da “Educação pela Arte”. Igualmente relevante neste esforço, que culminou no advento do Curso de Musicoterapia da Madeira (orientado pela Dr.ª Jacqueline Verdeau-Paiillès) e na fundação da já referida Associação Portuguesa de Musicoterapia, foi o contributo da Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM), a que promoveu o intercâmbio entre profissionais portugueses e internacionais.
No cômputo internacional, e na perspectiva de Aldridge , as últimas décadas do século passado foram frutíferas, uma vez que a Musicoterapia passou a enquadrar métodos quantitativos e qualitativos, fundamentais, na sua perspectiva, para uma aproximação clínica desta natureza, que envolve os campos da ciência e da arte. Do mesmo modo, os métodos de investigação utilizados para o estudo de caso também recorrem a metodologias de outras disciplinas, e.g. medicina, psicologia e sociologia. Assim, os procedimentos protocolares contemplam a análise do exame clínico, da anamnese, dos dados do inquérito social, da observação directa, dos testes psicológicos clássicos e, só então, o estudo da personalidade musical (Identidade Sonora [I.S. ]), que se infere através de testes próprios (e.g., o Bilan Psicomusical de Verdeau-Paillès) . A aquisição destas informações permitirá ao terapeuta decidir sobre a colocação (ou não) de um projecto musicoterapêutico e definir modalidades de aplicação das Técnicas Psicomusicais (T.P.), termo que refere o conjunto de estratégias utilizadas em Musicoterapia.
Técnicas Psicomusicais
Entre as Técnicas Psicomusicais, há uma subdivisão conceptual entre técnicas receptivas, activas, e associadas ou mistas . Note-se, porém, que entre as técnicas receptivas e as técnicas activas não há uma divisão estanque, dado que, num processo de recepção musical, há actividade orgânica e psicológica implícita, assim como, na produção ou actividade musical, também há, obviamente, receptividade sonora e/ou musical.
De modo geral, as Técnicas Psicomusicais Receptivas (T.P.R.) permitem a estimulação da afectividade, o apaziguamento de angústias e a criação de um espaço sonoro protector. Têm interesse: a) de diagnóstico, através da aplicação do Bilan Psicomusical, análise das relações e posicionamento do sujeito com a música e da sua Identidade Sonora; b) terapêutico, através da escuta afectiva, montagens terapêuticas, retrato musical, técnicas de activação, técnicas projectivas, entre outras. A sua forma de aplicação é variável, i.e., podem constituir-se em sessões individuais ou de grupo, sob diversas formas, por exemplo: a) técnicas de escuta individuais: relaxamento psicomusical, escuta de uma ou várias obras com ou sem verbalização, associação de obras, etc; b) técnicas de escuta em grupo; escuta baseada numa escolha conjunta dos participantes, audição de música com verbalização, relaxamento psicomusical, etc.
As Técnicas Psicomusicais Activas (T.P.A.) fazem parte dos métodos de utilização terapêutica e psicopedagógica da música, cujos processos essenciais são a participação activa dos sujeitos numa criação sonora/musical comum. Têm como objectivos gerais: aprofundar o conhecimento de aspectos da personalidade; colocar em evidência perturbações; fornecer ao grupo e a cada indivíduo um novo meio de se exprimir e de comunicar com a ajuda duma linguagem não verbal ; trabalhar a expressão rítmica e melódica dos indivíduos, a interacção e a criatividade.
À semelhança das TPR, as TPA podem ser aplicadas em contexto individual ou de grupo e contemplam a utilização do corpo, voz e percussões corporais, do ambiente sonoro e expressão musical instrumental. Habitualmente recorre-se a instrumentos simples, de fácil manuseamento, e.g., instrumental Orff, instrumentos tradicionais, instrumentos adaptados às deficiências e, ainda, instrumentos inventados e/ou fabricados para o efeito.
Por último, apresentam-se as Técnicas Psicomusicais Associadas ou Mistas (T.P.M.) que consistem, como o próprio nome indica, na associação de duas ou mais técnicas de expressão, designadamente: expressão pictural e gráfica sob indução musical; música e expressão verbal escrita e oral; música e mímica ou outra forma de expressão corporal. Estas e outras possibilidades podem ser usadas simultaneamente ou em sucessão no decorrer de uma sessão de tratamento. Como todas as técnicas psicomusicais, as T.P.M. podem ser utilizadas tanto em sessões individuais como de grupo, com especial ênfase na criatividade e no aspecto da activação da terapia.
A classificação apresentada não é a única mas tem a vantagem de não ser incompatível com outras de carácter mais específico, e.g. técnicas apresentadas por Maranto, Bruscia, Bonny, Wigram-Maranto e Sabbatella .
Indicações da Musicoterapia
De acordo com Verdeau-Paillès , as indicações da Musicoterapia são a consequência directa dos seus princípios e colocam-se sempre que um sujeito receptivo à música apresente qualquer indicação de entre as seguintes: a) sintomáticas, tais como, desarmonias gestuais, handicaps sensoriais, angústia, desorganização da vida interior, dificuldades em se aceitar a si próprio e aos outros, assim como em se inserir na realidade, distúrbios comunicacionais, inibições e bloqueios; b) nosográficas, que se traduzam em doenças somáticas, doenças psicossomáticas, afecções neuropsiquiátricas orgânicas (epilepsias, oligofrenias, sequelas derivadas de intervenções cirúrgicas ou de lesões vasculares), neuroses, psicoses, desequilíbrios psíquicos e toxicomanias. Na perspectiva de Sabbatella , as áreas de prática profissional são as seguintes: prevenção, educação, reeducação, reabilitação, psicoterapia, medicina, recreação (i.e. visando o desenvolvimento pessoal), formação académica e supervisão.
Fonte: www.biosofia.net