Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Lampião - Página 2  Voltar

Lampião

Muita bala e cabeça de guerrilheiro

O bando de Lampião chegou a passar sede e fome, mas munição nunca faltou. Nem os "cabras" de maior confiança sabiam de onde vinha tanta bala. Direta ou indiretamente, a principal fonte foi a própria polícia. Pesam fortes suspeitas até sobre o capitão João Bezerra, o mesmo que acabou matando Lampião em Sergipe, em 1938.

Com suprimento suficiente e a cabeça de guerrilheiro de Lampião , o bando ganhava todas. Não se sabe quantos combates foram travados. O ex-comandante de volantes pernambucano Optato Gueiros contou 75. O cangaceiro, já em 1926, falava em 200. Também não há números sobre as baixas. "Alguns afirmam que morreram, em ambos os lados, cerca de 1 000 homens", diz o historiador Jovenildo Pinheiro, da Universidade Federal de Pernambuco.

Para conseguir bons resultados, Lampião evitava ao máximo os confrontos e abusava de uma tática conhecida como dueto. Ao ataque da polícia, simulava uma fuga, esperando o inimigo em outro local, de surpresa. Havia quem dissesse que isso era covardia. Ele preferia chamar de esperteza.

Virgulino gostava das armas. Foi delas, aliás, que ganhou seu apelido. Diz-se que certa vez ele iluminou o ambiente com tiros, como um Lampião , para que um colega encontrasse um cigarro caído no escuro. Outra versão conta que ele fez uma modificação num fuzil, tornando-o mais rápido, de modo que o cano estava sempre aceso. Como um Lampião .

Truques que davam certo

O conhecimento do ambiente e o uso de algumas táticas davam vantagem ao cangaceiro.

Rastros

Uma forma de escondê-los era andar em fila indiana, todos pisando na mesma pegada. O último ia de costas, apagando-a com plantas, Mandavam também fazer alpercatas com o salto na frente e não atrás, como é normal. A pegada parecia apontar para o outro lado.

Comunicações

Quando entrava numa cidade, o bando cortava o fio do telégrafo e tomava o posto telefônico, impedindo pedidos de socorro.

Estradas

Eram evitadas. Os bandoleiros iam por dentro da caatinga. Quando não tinham outra opção, seqüestravam todas as pessoas que encontravam e levavam os reféns ao menos por um tempo.

Psicologia

Não deixavam a polícia avaliar o resultado dos combates. Levavam os mortos e, quando não dava, cortavam-lhes as cabeças, dificultando a identificação.

Apelidos

Quando um integrante do grupo morria, seu apelido era adotado por um novato. Essa é uma das razões que faziam os cangaceiros parecer invencíveis, pois os nomes eram imortais.

Alarmes

Sempre havia cães acompanhando o bando. Eles funcionavam como sentinelas. Havia também um sistema banal de alarme. Consistia em cercar o acampamento com fios ligados a sinos.

Encurralado no esconderijo

No ano passado, o fotógrafo mineiro José Geraldo Aguiar causou considerável estardalhaço quando anunciou que Lampião não morreu em 1938, aos 41 anos, como está escrito nos livros de história. Ele teria morrido apenas em 1993, em Minas, com o nome de Antônio Maria da Conceição. Aguiar pediu a exumação do corpo de Conceição mas a Justiça negou. Agora aguarda julgamento de um novo processo que apresentou. "Eu vou provar que estou falando a verdade", garantiu ele à SUPER.

Enquanto isso, fica valendo a história antiga. Lampião foi traído por um coiteiro e surpreendido pelos "macacos", como ele chamava os policiais, comandados por João Bezerra. O chefe do cangaço estava em um de seus coitos (esconderijos), na Fazenda Angico, em Porto da Folha, Sergipe. Isso aconteceu na madrugada de 28 de julho de 1938. Os trinta homens e cinco mulheres começavam a se levantar e os 48 policiais traziam uma metralhadora Hotchkiss, um dos sonhos de Lampião . Além dele e de Maria Bonita, foram mortos mais nove cangaceiros. A selvageria policial foi equivalente à dos bandidos. As cabeças dos mortos saíram em uma turnê macabra, e foram expostas em várias cidades. As de Lampião e de Maria, que foi degolada viva, seguiram para o Instituto Nina Rodrigues, em Salvador. Só foram enterradas em 1969.

Mas a história também pode não ter sido bem assim. Naquela época, Lampião negociava sua saída do cangaço com a polícia de três Estados. Por isso, há a suspeita de que o episódio de Angico foi uma farsa e de que a cabeça atribuída ao rei do cangaço era de um outro qualquer. Diz-se que ele carregava 1000 contos de réis (um carro custava 8 contos) e uns 5 quilos de ouro. Isso sem falar no dinheiro que agiotava e que, claro, deixou de receber. Enfim, poderia ter subornado seus perseguidores e se mandado, como garante José Geraldo Aguiar.

Cinco dias depois do combate, Corisco, o diabo loiro, que não estava presente, matou um coiteiro, que imaginou ser responsável pela denúncia do amigo, e mais cinco pessoas de sua família. Cortou as cabeças e mandou para Bezerra. Em 1940, Corisco foi morto. Com ele, morreu o cangaço.

Por trás de sua face bárbara, o cangaceiro Lampião escondia um sensível dândi, devotado às questões estéticas e culturais de seu tempo (início do século) e espaço (agreste nordestino).

Baseados em livros e teses dos historiadores Frederico Pernambucano de Melo e Daniel Lins, o filme "Baile Perfumado" e a exposição "Eu - Virgulino Lampião " tentam desvendar a estética do cangaço (veja quadro ao lado) criada por Lampião (l897-1938).

"A historiografia oficial sobre Lampião sempre mostrou o discurso dos ganhadores - as "volantes", que faziam o papel do Exército. Por isso, era ressaltado apenas o lado 'selvagem' do cangaceiro", afirma Daniel Lins.

Além de cometer poesias e músicas, Lampião desenhava, costurava e até bordava as roupas de seu bando em couro ou algodão, na máquina Singer que carregava a seus acampamentos.

Ao contrário dos sertanejos da época, os cangaceiros valorizavam o enfeite. Usavam brincos, anéis, colares e lenços estampados de seda inglesa ou tafetá francês - os do "rei do cangaço" eram bordados com a sigla C.V.F.L. (Capitão Virgulino Ferreira Lampião ).

Os ornamentos provinham dos saques que o bando realizava nas casas de coronéis e baronesas, praticando um inusitado caso de apropriação e difusão cultural.

Entre os objetos de culto do bando, estava o perfume, usado com uma abundância perigosa. "Como todo sertanejo, os cangaceiros eram muito vaidosos. Às vezes, a polícia os identificava na mata pelo uso exagerado de perfumes", diz Rosemberg Cariry, diretor do filme "Corisco e Dadá", em fase de finalização.

A preferência de Lampião recaía sobre o Fleur d'Amour, perfume francês muito conceituado entre os anos 20 e 40. Entre as bebidas, o predileto era o uísque escocês White Horse.

Como seu nome indica, o filme "Baile Perfumado", que começou a ser rodado esta semana em Recife (PE), se detém nessa vocação "nouveau riche" de Lampião .

Em outro projeto que resgata a cultura cangaceira, a refilmagem de "0 Cangaceiro" (Lima Barreto), essa preocupação estética também está presente. O figurino, por exemplo, foi encomendado ao artista plástico Carybé.

A exposição "Eu - Virgulino Lampião ", que será montada no Centro de Tradições Nordestinas da Rádio Atual, em São Paulo, em julho ou agosto, também mostra um cangaço distante do banditismo, em fotos, gravuras e cordéis.

Além das preocupações materiais, acentuadas por sua aproximação com a aristocracia rural, Lampião acompanhava as novidades culturais de sua época.

Era, por exemplo, leitor assíduo das revistas "0 Cruzeiro", "FonFon" e "Noite Ilustrada". Com essas leituras, Lampião e sua mulher, Maria Bonita, criaram gosto pela pose fotográfica, em que imitavam imagens clássicas de Greta Garbo ou Rodolfo Valentino.

Em 1938, reportagem da revista norte-americana "Time Life" apontava Maria Bonita como uma mulher da moda".

Lampião também se interessava por cinema. Em Capela (PE), assistiu a cerca de dez filmes. Gostava da série norte-americana de aventura "Os perigos de Minhoca". Também apreciava as histórias de amor. Mas, se o casal se separava, saía antes do fim.

" Lampião tinha um lado feminino muito acentuado. Mas não se deve cair na armadilha de dizer que ele era gay", afirma Lins, autor de uma tese de doutorado sobre Lampião , defendida na Universidade de Sorbonne (França) e está sendo traduzida para o português.

"Quando ele estava calmo, era um doce de mel, mas depois virava uma cobra." Para Lins, o cangaceiro era mais liberal que o sertanejo, porque permitia o chamego entre pessoas do mesmo sexo e a mancebia" (concubinato).

Segundo ele, há registros de que Lampião recebia cafuné do cangaceiro Cascavel, mas nada além disso. Essas ocorrências teriam desaparecido com a chegada de mulheres ao bando, em 1929. Lins diz que era branda a discriminação contra supostos homossexuais. "Os efeminados apenas se tornavam cozinheiros e eram obrigados a casar com as mulheres feias."

Frederico Pernambucano de Melo, autor de "Quem Foi Lampião " e um dos maiores colecionadores e historiadores do cangaço, vê o movimento como um precursor do feminismo no Brasil.

"Pela primeira vez na história, as mulheres dividiam as tarefas com os homens igualitariamente. E o comprimento da saia subiu para cima do joelho", diz. Segundo ele, os acampamentos de cangaceiros se aproximavam das antigas cortes asiáticas, por sua opulência e moral sexual mais permissiva.

Cangaço exportação

Daniel Lins aponta uma espécie de "boom" do cangaço no exterior. De acordo com suas contas, foram produzidas recentemente dez teses na Europa (três só na Sorbonne) e seis nos EUA relacionadas ao tema, em sua maioria realizadas por estrangeiros.

Há menos de um mês, terminou em Aix-la-Chapelle (França) uma exposição sobre o cangaço promovida por uma instituição governamental da Suíça.

Segundo Lins, vários fatores explicam esse interesse. Em primeiro lugar, o cinema, com "0 Cangaceiro" (l953), de Lima Barreto, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (l964), de Glauber Rocha. Depois, a literatura, com as obras de Graciliano Ramos.

Contribui também o caráter exótico e político do cangaceiro (que, pela ótica esquerdista, seria um revolucionário). " Lampião continua como uma máquina de sonho. E, além disso, a idéia do herói efêmero (morreu aos 41 anos, de forma violenta) o traz para a pós-modernidade, concluiu Lins.

A ESTÉTICA DO CANGAÇO

Lampião

Tendências lançadas ou adotadas por Lampião e seu bando

1 Chapéu - inspirado no modelo francês adotado pelo imperador Napoleão Bonaparte, de quem Lampião leu a biografia.

2 Lenços - de tafetá francês ou seda pura inglesa; geralmente estampados e coloridos, quebravam a monotonia do tom ocre da roupa.

3 Brincos - ao contrário de outros sertanejos, os cangaceiros usavam brincos e outras jóias.

4 Casaco - desenhado e costurado em algodão ou couro por Lampião , que carregava uma máquina de costura Singer para todos os seus acampamentos; tem também inspirações medievais.

5 Perfume - os cangaceiros costumavam ser reconhecidos pelo cheiro excessivo de perfume, inclusive pelas volantes; Lampião preferia o "Fleur d'Amour", considerado um dos melhores perfumes franceses entre os anos 20 e 40.

6 Calça - o modelo mais usado era com culote e cintura bem alta; usavam até três no inverno devido ao frio à noite.

7 Cabelo - longo. Lampião deixou de cortar os cabelos como promessa, após a morte do irmão, sendo seguido pelos outros cangaceiros; s vezes, eles penduravam anéis no cabelo, depois de lotados todos os dedos das mãos.

8 Arma - como outros adereços, era cravejada de moedas de ouro, influência da marchetaria árabe no sertão nordestino; segundo o historiador Gilberto Freyre, os árabes são uma "eminência parda" na cultura nordestina.

9 Alpargatas - enfeitadas com desenhos costurados; tinham uma lingueta para proteger os dedos

10 Saia - sempre acima do joelho, desrespeitando a convenção da saia rendada até o tornozelo.

11 Anéis - mulheres e homens usavam até três anéis por dedo.

12 Alpargatas - desenhadas e confeccionadas em couro por Dadá, mulher de Corisco, estilista do grupo.

13 Colares - também usados em abundância.

Maria Bonita ganha autonomia

No resgate da cultura cangaceira, Maria Bonita se firma como um personagem autônomo. José Antônio de Souza e Renata Melo dedicaram, respectivamente, um poema dramático musicado e uma peça de teatro-dança cangaceira.

Souza escreveu o texto da cantata (uma opereta sem encenação) "Peleja de Maria Bonita para Entrar no Bando de Lampião ", que está sendo musicada por Vidal França para ser executada pela Orquestra Sinfônica de Campinas.

Passada em uma noite "simbólica", a cantata mostra o processo de transformação da dona de casa Maria Didéia na cangaceira Maria Bonita. Dramaturgo e roteirista de TV ("Rabo de Saia", Grande Sertão Veredas"), Souza orientou sua cantata para o lado épico e psicológico do cangaço.

A peça "Bonita Lampião " , da coreógrafa Renata Melo, enfatiza a relação amorosa entre os dois cangaceiros, a partir do ponto de vista de Maria Bonita.

Segundo Melo, a peça pretende retrabalhar o cangaço em uma concepção mais moderna e sem o ranço folclórico e de esquerda dos anos 60.

"Bonita Lampião " fica em cartaz até julho no Teatro Sérgio Porto, no Rio, após ser encenada no ano passado em São Paulo.

Nos últimos concursos do governo para verbas ao cinema, dezenas de filmes sobre o cangaço foram inscritos - com títulos como: "0 Cangaceiro e o Samurai" e "0 Carcará"-, o que comprova a revalorização deste subgênero exclusivamente brasileiro.

Os três projetos aprovados -"0 Cangaceiro", "Corisco e Dadá" e "Baile Perfumado" apresentam enfoques bastante diversos sobre o cangaço, mas têm em comum, além do tema, a preocupação com a reconstituição e a fidelidade histórica.

"0 Cangaceíro"

Entre os projetos, o mais ambicioso - por sua concepção, orçamento e possível elenco- é o remake de "0 Cangaceiro" (1953).

Com US$ 2 milhões, o diretor Carlos Coimbra e o produtor Anibal Massaini pretendem atualizar o clássico de Lima Barreto, que permanece o maior sucesso do cinema brasileiro no exterior, exibido em 80 países.

Para tentar repetir esse êxito, eles convidaram para os papéis de protagonistas masculinos o espanhol Antonio Banderas ("Ata-me"), o cubano Jorge Perugorria ("Morango e Chocolate") e o português Joaquim de Almeida ("Perigo Real e Imediato").

Segundo Massaini, são remotas as possibilidades de ter Banderas, envolvido com o projeto do filme "Evita". Perugorria e Almeida demonstraram interesse, mas ainda não deram resposta. Massaini pretende manter o enredo do filme original, mas com uma atualizada e mais realista.

"Corisco e Dadá"

O cineasta cearense Rosemberg Cariry também tem uma referência direta para "Corisco e Dadá", que está sendo finalizado na França. O filme resgata o cangaceiro Corisco através do misticismo, também retratado por Glauber Rocha em "Deus e Diabo na Terra do Sol".

Cariry define "Corisco e Dadá como uma história épica de amor e ódio entre dois cangaceiros. "O enredo básico mostra como o ódio de Dadá, que foi raptada e estuprada por Corisco, aos 12 anos, vai se transformando em amor na cumplicidade da vida cangaceira", diz o cineasta.

"Baile Perfumado"

Dos três filmes, "Baile Perfumado" se aproxima mais das teses sobre a estética do cangaço, principalmente as desenvolvidas por Frederico Pernambucano de Melo. " Lampião aparece bebendo uisque, importado, tomando banho de perfume francês, dançando e costurando", contam os diretores Lírio Ferreira e Paulo Caldas.

O filme reconstitui o encontro de Lampião com o fotógrafo e cineasta libanês Benjamin Abraão, que registrou as únicas imagens do cangaceiro. O historiador Gilberto Freyre dizia que o árabe representa uma "eminência parda" na cultura sertaneja. Entre os costumes herdados pelos cangaceiros, estão a marchetaria e o método de sangramento de suas vítimas.

Chico Science e Fred Zero Quatro (do Mundo Livre S/A), precursores do mangue beat (movimento musical que une rock a ritmos tradicionais nordestinos), assinam a trilha com Mestre Siba e Lúcio.

A pré-estréia de "Baile Perfumado" está marcada para o dia 28 de dezembro, data em que se comemora o centenário do cinema.

Saiba quem foi Lampião

Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião , carregou uma frustração por sua vida: nunca conseguiu assassinar Saturnino, o homem que mandou uma volante (Exército) matar seu pai.

Nascido em Serra Talhada (PE), em 1897, terceiro de uma família pobre de nove filhos, Virgulino entrou para o cangaço aos 19 anos, no grupo do sr. Pereira.

Nesse bando, ganhou o codinome Lampião , ao iluminar a escuridão com uma rajada de tiros quando os cangaceiros procuravam um maço de cigarro perdido.

Em 1921, ele formou seu próprio grupo. No começo, matava os poderosos e distribuía o dinheiro dos saques aos pobres. Aos poucos, porém, abandonou essa prática e fez conluios com coronéis.

Em 1927, o padre Cícero convocou o bando de Lampião para lutar contra o movimento comandado por Luís Carlos Prestes - a favor da democracia e contra o governo Vargas - em troca da anistia a seus crimes.

Com a recusa do governo em conceder a anistia, o grupo fugiu com as armas cedidas por padre Cícero, tomando-se o mais temido bando entre os 46 que atuavam à época. Aglutinou diversos grupos menores sob seu comando, que se estendeu por até 300 cangaceiros.

Depois de conhecer Maria Bonita, Lampião decidiu criar uma comunidade perto de Santa Brígida (BA) para aproximar casais e convencer o bando a aceitar mulheres. Com o aumento de seu poder, Lampião comprou fazendas, subdividiu seu grupo e criou um quartel em Angico (SE), onde se estabeleceu como traficante de armas. Lá, foi morto à traição por outro traficante em 1938.

As cabeças de Lampião e seus cangaceiros foram cortadas e exibidas pelo Nordeste. Maria Bonita, além de ter a cabeça decepada, foi empalada. (Ricardo Calil)

Fonte: www.iar.unicamp.br

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal