3.4 LAREIRA FECHADA

Visualmente, a principal diferença desses modelos é que são fechadas por um vidro resistente a altas temperaturas. Além de combater as perdas de calor, a porta impede que a fumaça e a fuligem voltem para o ambiente. Isso gera uma economia de combustível de 30% a 60%, segundo fabricantes e revendedores.
O aquecimento não se dá por irradiação, mas por convecção, isto é, o ar entra pela parte inferior da lareira, é aquecido em volta do recuperador de calor, sobe, fica armazenado na caixa e só então sai para o ambiente, oferecendo uma temperatura homogênea. O vidro quando fechado reduz 10% a 15% do calor irradiado Os cuidados com a parte da chaminé são os mesmos de uma lareira convencional.
Segundo Caio Glauco Sanches, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP, o sistema permite uma maior economia no combustível uma vez que nas lareiras abertas a energia gerada pelo calor precisa primeiro aquecer o ar frio que entra em grandes quantidades para depois aquecer o ambiente. Já no modelo fechado, a entrada de frio é controlada por um regulador. O ar entra por baixo da lareira, é aquecido na câmara de metal e volta ao ambiente através de grelhas situadas na parte superior.
"Uma lareira aberta bem construída perde cerca de 30% do calor produzido", afirma Caio Glauco Sanchez, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp. "Isso se tiver isolamento térmico e bom planejamento da entrada de ar e da chaminé e se a estrutura onde fica a boca do forno não tiver contato com o lado de fora da casa."
Para ele, uma lareira aberta bem construída pode ter desempenho muito semelhante ao do de um modelo fechado. "A decisão de adotar um recuperador deve levar em conta o quanto a lareira será usada. Dependendo da freqüência de uso, não valerá a pena o alto investimento", opina Sanchez. A utilização de um recuperador é mais racional, ao permitir uma queima controlada da madeira, economizando matéria-prima e sendo superior na irradiação de calor em relação às lareiras de queima aberta.
Mesmo as lareiras clássicas podem incluir recuperadores de ar, bastando que, na altura da construção, se adapte na estrutura uma caixa de ar em chapa de aço, a partir da qual, por meio de condutas, se distribua o ar aquecido para os compartimentos contíguos.
As lareiras abertas operam com condições de temperatura muito mais baixas e sem controlo de oxigênio, pelo que produzem e emitem níveis mais elevados de dioxinas.
3.5 Lareira Elétrica

Os modelos elétricos se são bastante parecidos com os a gás, porém mais artificiais uma vez que não há queima de fogo. Tem um funcionamento mais parecido com o de aquecedores, sendo necessária, portanto, a instalação de uma tomada dentro da lareira.
"A opção elétrica tende a retirar a umidade do ambiente. Para que isso não aconteça, o ideal é deixar uma vasilha com água no local", sugere Márcio Gemignani.
O calor é produzido por resistência e transmitido para o ambiente por uma ventoinha que sopra o ar quente. Tem aquecimento menor do que o de lareiras a lenha ou a gás.
Destacam-se em relação aos demais tipos devido a sua praticidade. Não só ao uso, mas desde a sua instalação, uma vez que não requer uma lareira verdadeira para funcionar. Basta um nicho de acabamento, que pode ser em madeira, metal, alvenaria ou gesso. Uma vez que não há queima de lenha, não faz nenhum tipo de sujeira.
Sua capacidade de aquecimento está em torno de cinco mil btu's, o que é suficiente para aquecer um ambiente de 15m², com um pé direito de 2,70m.
As lareiras elétricas têm "lenhas" de fibra de cerâmica que, com a lareira acesa, parecem madeira de verdade. "Essa é a mesma fibra que reveste foguetes da NASA", garante João Paulo Odilon, da LCZ Lareiras.
3.6 LAREIRAS À GÁS

Apesar do maior consumo, a lareira a gás tem atraído cada vez mais adeptos, devido a sua praticidade e simples manutenção. Além disso, a tecnologia tem se aprimorado muito na área, através de sistemas inteligentes de acendimento a desligamento automático.
O modelo tem um funcionamento semelhante ao de um fogão. As chamas são emitidas por queimadores alimentados por gás. Já que o modelo dispensa o uso de madeira, não há produção de cinzas que precisam ser limpas mais tarde.
Assim como a lareira convencional, estas precisa ser revestida com tijolos refratários para que a alvenaria suporte o calor. A não ser que seja uma lareira toda de ferro ou aço, que são vendidas com isolantes térmicos como lã de vidro em seu revestimento.
A instalação só requer um ponto de gás, que pode ser puxado da cozinha (e passar pelo rodapé), ou alimentação por botijão, que é escondido no projeto da lareira.
As tecnologias presentes no mercado permitem inúmeras novas funções. Alguns modelos de lareiras têm sistemas que regulam o quanto devem aquecer em função da temperatura do ambiente. Há modelos que interrompem o fornecimento de gás se detecta que a chama produzido apagou.
Quanto ao consumo, lareiras a gás consomem de 200g a 1,2 kg de gás no período de uma hora, oscilando entre os diversos modelos e fabricantes.
Outro dispositivo é o chamado "ODS", cuja função é medir o nível de oxigênio do ambiente consumido na queima de gás. Segundo Elimar Kroin, assistente comercial da Dometal, ele desliga a chama da lareira se o nível do oxigênio do ambiente cair pra menos de 18%.
Através da conexão de dutos à lareira este sistema pode aquecer outros ambientes. É necessário, portanto a instalação de turbinas que ajudem o ar a percorrer essas distâncias, isso devido à densidade do ar quente, que é menor que a de quando está frio, forçando-o a subir.
O recuperador de calor pode ser instalado em novos projetos ou adaptado a lareiras existentes. Também há duas opções de combustível: gás ou lenha. O consumo a gás é maior. "Um botijão de 13 kg duraria 32 horas", calcula Susana Fornero, proprietária da Calorarte, que importa recuperadores de calor da França.