
Nasce a 21 de julho, na comunidade judaica de Vilna, capital da Lituânia, na época sob domínio da Rússia czarista. É o sexto dos oito filhos de Esther e Abel Segall, escriba de Torá.
Em Vilna, cursa a Academia de Desenho.
Viaja para Berlim, para continuar a formação artística. Freqüenta a Escola de Artes Aplicadas.
Ingressa na Imperial Academia Superior de Belas Artes de Berlim.

Abandona a Academia de Berlim. No final do ano transfere-se para Dresden, onde freqüenta a Academia de Belas Artes.
No final do ano, vem ao Brasil, onde encontra os irmãos Oscar, Jacob e Luba.
Em março, exposição individual num salão alugado à Rua São Bento, 85, São Paulo.
Em junho, exposição individual no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas.
No final do ano, regressa à Europa, deixando várias obras em coleções brasileiras.
No final do ano retorna a Vilna pela última vez, encontrando-a destruída pela guerra.
Casa-se com Margarete Quack.

Funda com os artistas Otto Dix, Conrad Felixmüller, Will Heckrott, Otto Lange, Constantin von Mitschke-Collande, Peter August Böckstiegel, Otto Schubert, Gela Forster e o arquiteto e escritor Hugo Zehder, a Dresdner Sezession - Gruppe 1919 (Secessão de Dresden, Grupo 1919).
Grande exposição individual no Folkwang Museum, em Hagen.
Exposição individual na Galeria Schames de Frankfurt.
Muda-se para Berlim.
Participa da Exposição Internacional de Arte de Düsseldorf.
Em dezembro, muda-se para o Brasil com sua primeira esposa Margarete.
Exposição individual à Rua Álvares Penteado, 24, São Paulo.
Executa a decoração do Baile Futurista, no Automóvel Club de São Paulo.
Separa-se de Margarete, que retorna a Berlim.

Decora com pinturas murais o Pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado, em São Paulo.
Em junho, casa-se com Jenny Klabin.
Expõe na Galeria Neumann-Nierendorf, de Berlim e na Galeria Neue Kunst Fides, de Dresden.
Nasce em Berlim Mauricio, seu primeiro filho.
Naturaliza-se brasileiro.
Exposição individual à Rua Barão de Itapetininga, 50, São Paulo.
Exposição individual no Palace Hotel, Rio de Janeiro.
Volta à Europa, residindo em Paris, onde começa a esculpir.

Nasce em Paris Oscar, seu segundo filho.
Realiza o projeto e a decoração do baile Carnaval na Cidade de SPAM, nos salões do Trocadero, São Paulo.
Participa da Primeira Exposição de Arte Moderna da SPAM, São Paulo.
Realiza o projeto e a decoração do baile Carnaval na Cidade de SPAM, nos salões do Trocadero, São Paulo.
Participa da Primeira Exposição de Arte Moderna da SPAM, São
Paulo.
Realiza o projeto e a decoração do baile Uma expedição
às matas virgens de Spamolândia, São Paulo.

Conhece a pintora Lucy Citti Ferreira, que viria a ser sua modelo e colaboradora.
Participa da Exposi ção Internacional de Pinturas , no Carnegie Institute, Pittsburgh.
Dez obras suas são incluídas na Exposição de Arte Degenerada, organizada pelos nazistas em Munique para desqualificar a Arte Moderna.
Exposição individual de pinturas e guaches na Galeria Renou et Colle, Paris.
Realiza cenários para o balé Sonhos de uma Noite de Verão, encenado pela Companhia de Balé de Chinita Ullman, no Teatro Municipal de São Paulo.
Ruy Santos produz o filme O artista e a paisagem, sobre a obra de Lasar Segall.
Exposição retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
É publicado o álbum Mangue, com textos de Jorge de Lima, Mário de Andrade e Manuel Bandeira.

Participa da Exposição de Arte Condenada pelo III Reich, na Galeria Askanazy, Rio de Janeiro.
Exposição individual na Associated American Artists Galleries, Nova York.
Exposição retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo.
Sala Especial na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
É publicado o livro Lasar Segall, de Pietro Maria Bardi.
Realiza cenários e figurinos para o balé O Mandarim Maravilhoso, encenado pela Companhia Ballet IV Centenário, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Sala especial na III Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
O Museu Nacional de Arte Moderna de Paris inicia os preparativos para uma grande retrospectiva de Segall, que só se realizaria em 1959, após a morte do artista.
A 2 de agosto falece em sua casa, vítima de moléstia cardíaca.
É criado em São Paulo o Museu Lasar Segall, em sua antiga residência da Rua Afonso Celso.
Fonte: www.museusegall.org.br
Lasar Segall nasce no dia 21 de julho de 1891 em Vilna, Lituânia. Abandonou a terra natal ainda jovem, chegando em Berlim em 1906, onde cursou a Academia de Belas Artes de 1907 a 1909. Lá conquistou inúmeras premiações, mas não se adequou à disciplina local. Após permanecer três anos na academia foi desligado, pois participou de uma exposição de vanguarda, onde ganhou o prêmio Max Liebermann.
Vai para Dresde e matricula-se na escola de Belas Artes local, onde pode manter seu próprio atelier por ser assistente-aluno, assim desfrutou de total liberdade de expressão.
Realizou no mesmo ano de 1909 sua primeira individual, sua pintura impressionista passa paulatinamente a ser expressionista.
Em 1912 vem ao Brasil e no ano seguinte expôs suas pinturas com conotação tipicamente moderna, em São Paulo e Campinas, porém foi friamente recebido pelos críticos. Logo em seguida Lasar vai à Alemanha por motivos de saúde e por ser cidadão russo fica num campo de concentração e dois anos depois consegue autorização para voltar a Dresde onde publica três álbuns de gravuras. Realiza exposições individuais em Hagem (1920), Frankfurt (1921) e Leipzig (1923).
Aos 32 anos já tem um estilo pessoal, expressa-se com o auxílio de um desenho anguloso e de um colorido cru e forte, deformando o corpo humano para melhor externar as paixões e sentimentos.
A partir de 1923 volta ao Brasil, especificamente para São Paulo, concretiza uma individual paulistana e realiza imensos murais para a decoração do Pavilhão de Arte Moderna. No ano de 1927 Segall naturaliza-se brasileiro e começa a esculpir, passa a adquirir extrema mestria como escultor. Depois de uma exposição de sucesso em 1931, em Paris, passa a residir em São Paulo, onde morre no dia 2 de agosto de 1957. É um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna - SPAM, em 1932, da qual se torna diretor até 1935. Dez anos após sua morte, em 1967, a casa onde morava, na Vila Mariana, São Paulo, é transformada no Museu Lasar Segall.
1906/1910 - Vive em Berlim (Alemanha)
1910 - Alemanha - Executa as primeiras gravuras. Utiliza todas as técnicas (metal, pedra e madeira)
1917/1918 - Viaja para Vilna (Lituânia)
1918 - Dresden (Alemanha) - Publica o álbum Uma Doce Criatura, com cinco litografias, prefaciado por Will Grohmann
1919 - Dresden (Alemanha) - Funda com Otto Dix, Conrad Felixmüller, Otto Lange, Will Heckrott, Constantin von Mitschke-Collande, Peter August Böckstiegel, Otto Schubert, Gela Foster e o arquiteto e escritor Hugo Zehder o Dresdner Sezession Gruppe 1919 (Secessão de Dresden, Grupo 1919)
1921 - Dresden (Alemanha) - Publica o álbum Bübü, com oito litografias
1923 - São Paulo SP - Integra o grupo modernista
1923 - São Paulo SP - Realiza decoração com pinturas murais no Pavilhão Modernista de Olívia Guedes Penteado
1924 - São Paulo SP - Faz conferência sobre arte na Vila Kyrial e decorações para o Baile Futurista do Automóvel Clube
1909 - Dresden (Alemanha) - Exposição na Freie Sezession, na Galerie Emil Richter - Prêmio Max Liebermann
1910 - Dresden (Alemanha) - Primeira individual, na Galeria Gurlitt
1913 - São Paulo SP - Lasar Segall: pinturas, na Rua São Bento 85
1913 - Campinas SP - Lasar Segall: pinturas, no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas
1916 - Dresden (Alemanha) - Coletiva, na Sociedade Artística de Dresden (Kunstlervereinigugn Dresden)
1919 - Dresden (Alemanha) - Dresden Secession Gruppe, na Galeria Emil Richter
1920 - Dresden (Alemanha) - Jahresbericht der Stadtischen Sammlungen zu Dresden
1920 - Hagen (Alemanha) - Individual, no Folkwang Museum
1920 - Frankfurt (Alemanha) - Individual, no Kunstsalon Ludwig Shames
1922 - Dresden (Alemanha) - Individual, na Galeria Erfurt
1923 - Frankfurt (Alemanha) - Individual, na Galeria Fisher
1923 - Leipzig (Alemanha) - Individual, no Gabinete de Estampas do Museu de Leipzig
1924 - São Paulo SP - Lasar Segall: retrospectiva 1908-1923
1925 - Viaja para a Alemanha
1928/1932 - Paris (França) - Vive neste período na ciadade e realiza seus primeiros trabalhos escultóricos em argila, madeira e pedra
1931 - Paris (França) - Waldemar George publica a monografia Lasar Segall
1932/1935 - São Paulo SP - Diretor-fundador da SPAM
1935 - Campos do Jordão SP - Início da série Retratos de Lucy, inspirada na pintora Lucy Citti Ferreira
1938 - Paris (França) - É publicado o livro Lasar Segall, por Paul Fierens
1938 - Paris (França) - Representa oficialmente o Brasil no Congresso Internacional de Artistas Independentes
1943 - Brasil - Publica o álbum Mangue, composto de 43 reproduções em zincografia, três xilogravuras originais e uma litografia, com textos de Jorge de Lima, Mário de Andrade e Manuel Bandeira
1948 - Washington (Estados Unidos) - Paintings by Lasar Segall, na Pan American Union
1951 - São Paulo SP - Lasar Segall: retrospectiva 1908-1951, no Masp
1951/1957 - Europa e Israel - Individuais, em museus da Europa e de Israel
1953 - São Paulo SP - Curta-metragem A Esperança É Eterna, direção de Marcos Margulies
1954 - Rio de Janeiro RJ e São Paulo SP - Realiza cenários e figurinos para o balé O Mandarim Maravilhoso, encenado pela Cia. Ballet 4º Centenário na Rua Álvares Penteado 24
Fonte: www.pinturabrasileira.com
Foi um ato de temeridade, para não dizer, de insânia total, a decisão de Lasar Segall de retornar à Alemanha naquele ano de 1913, quando os países da Europa, reunidos em torno de alianças espúrias e acordos secretos, faziam seus preparativos para um confronto que a qualquer momento deveria estourar, de cujas extensão e graves conseqüências o mundo só viria a saber nos anos seguintes.
A Europa era um barril de pólvora e bastaria um incidente, um simples incidente, para atear fogo a ele, causando um incêndio incontrolável e criando uma situação irreversível. O incidente veio com o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-hungaro, por um nacionalista sérvio, em 28 de junho de 1914. Dias depois, o mundo estava envolvido em uma conflagração mundial que duraria quatro anos, na qual se envolveram 32 nações, colocando em lados opostos a Alemanha, país em que Segall se achava naquele momento, e a Rússia, que lhe dera o passaporte.
Segall tinha tudo contra ele e nada a seu favor. Era lituano de nascimento e a Lituânia achava-se ocupada pela Rússia csarista. Querendo ou não, seu passaporte dava-lhe o qualificativo de cidadão russo e, portanto, inimigo da Alemanha, que se juntara à Austria, Turquia e Bulgária, na luta contra os outros 28 países aliados, dentre os quais a Rússia.
E, para complicar as coisas, ele era ainda judeu, uma raça que, em tempo de paz, contava apenas com tolerância na Alemanha, mas, em tempo de guerra, tornava-se o primeiro alvo do ódio, da perseguição e da morte. Somando-se a tudo isso, era um artista, o que, para o comando do exército imperial, valia como sinônimo de desocupado.
Não havia mais como fugir, não havia lugar seguro para se esconder, não havia a quem apelar, dado que seus ex-professores e seus amigos, embora alemães, também pertenciam à raça judaica. Assim, o inevitável acabou acontecendo. Um dia, foi localizado pelo serviço de repressão a estrangeiros, preso e levado a um campo de concentração de Meissen, às margens do rio Elba.
O pintor tinha razões para temer. Em sua cidade natal, Vilna, na distante e agora ocupada Lituânia, já tivera contato com campos de concentração, naquela época montados pela repressão da Rússia csarista. Agora, vivia na própria carne a experiência dos campos malditos, presenciando do lado de dentro, o resultado satânico da loucura desvairada, associada ao poder sem o controle da lei.
Foi uma experiência que durou dois anos, até que alguma autoridade, de maior peso e com o juízo ainda no lugar, percebeu que aquele jovem de vinte e poucos anos, revolucionário das tintas e dos pincéis, com um passado limpo e dedicado apenas à pintura, não representava ameaça ao país, sendo então expedido um salvo-conduto que lhe permitiu voltar a Dresden, não longe dali, e retomar suas atividades artísticas.
Lasar Segal nasceu em 21 de julho de 1891 em Vilna, capital da Lituânia, na época sob ocupação da Rússia. Morreu em São Paulo, Brasil, em 2 de agosto de 1957, como cidadão brasileiro, deixando um vasto acervo que focaliza não apenas a beleza mas, sobretudo, a miséria que presenciara em sua jornada pela vida.
Ainda em sua terra, teve uma breve aproximação com o escultor judeu-russo Markus Matveïevitch Antokolski (21.10.1843-14.07.1902), importante mestre da escola russa, que lhe deu os primeiros ensinamentos de escultura e gravura, aconselhando-o a mudar-se a Paris, se pretendesse, mesmo, dedicar-se à arte.
Foi seguindo os conselhos de seu professor que, ainda na adolescência, seguiu para a França, via Alemanha, mas de tal forma ficou fascinado com o desenvolvimento das artes germânicas que por aí mesmo ficou, matriculando-se, em 1906, na Academia de Belas Artes de Berlim.
Três anos depois, participou de um movimento dissidente, conhecido como Secessão, e foi expulso da escola, tendo de mudar-se para Dresden onde fez nova matrícula, desta vez na Escola de Belas-Artes da cidade, onde, pelos conhecimentos que já possuía, foi aceito como assistente-aluno.
Assim, ao mesmo tempo em que se aperfeiçoava, também transmitia conhecimentos a outros alunos menos avançados e, pela primeira vez, teve o privilégio de manter um ateliê próprio e independente dentro da escola.
Foi nesse mesmo ano que realizou, na Galeria Gurlitt, sua primeira individual, ainda com quadros de tendência impressionista, seguindo os ensinamento de seus primeiros mestres na Alemanha.
Se em 1912, na juventude de seus 21 anos, Lasar Segall não sabia exatamente o que queria, sabia ao menos, de forma bem clara, o que não desejava. A pintura estática não lhe satisfazia o espírito criativo. Para expor a vida com efetividade, era preciso distorcê-la, ressaltar cada momento e cada detalhe, traduzir explicitamente a realidade que conseguia ver, mas que a pintura acadêmica não permitia mostrar. Esse propósito levou-o, pois, a uma aproximação natural ao Expressionismo, a que se ligaria para o resto de sua vida.
Depois de uma ligeira estada na Holanda, ainda em 1912, partiu para o Brasil e, no ano seguinte, organizou duas individuais com quadros expressionistas, uma em São Paulo e outra em Campinas.
Lasar colocava muitas esperanças em nosso país, mas o Brasil não se achava maduro o suficiente para aceitar o Expressionismo como forma de arte. Conquanto não tenha suscitado a reação irada dos visitantes, como viria acontecer com Anita Malfatti anos após, a recepção do público se revelou fria e apática; não lhe foi hostil mas indiferente, de uma indiferença que machucava mais que as críticas. Não despertou, também, o interesse de mecenas que, como bons investidores, não arriscariam um centavo de seu capital naqueles quadros.
Descrente das possibilidades do desenvolvimento do Expressionismo no Brasil, ao menos naquele momento, voltou à Europa, vivendo então, inesperadamente, as situações criadas pela conflagração mundial, episódio que narramos na abertura deste texto.
O Brasil, onde estivera por tão pouco tempo, não lhe saia da mente e, dez anos depois de o ter deixado, estava de volta, encontrando agora um ambiente artístico totalmente modificado. Em 1917, tinha havido a exposição de Anita; em 1922, aconteceu a Semana de Arte Moderna que, a despeito das reações negativas que suscitou, deixou patente que o país já estava preparado para uma renovação cultural.
Ao desembarcar, pois, em 1923, aos 32 anos de idade, confiava em que o Brasil poderia tornar-se a pátria que vinha procurando pela vida afora. Instalou seu ateliê em São Paulo e passou a alternar as atividades entre esta cidade e o Rio de Janeiro. Vencidos os trâmites legais, naturalizou-se, assumindo em definitivo a cidadania brasileira.
Já em 1924, realiza uma individual em São Paulo, desta vez, com grande sucesso. Recebe no ateliê suas primeiras alunas de pintura expressionista. Em 1925, casa-se com uma delas, a pintora Jenny Klabin, da qual só a própria morte viria a separá-lo, 32 anos depois.
E os temas brasileiros, que tanto o apaixonaram, passam a povoar suas obras, juntamente com as tragédias que presenciara em sua terra natal e na Alemanha.
Surgem cenas familiares, destacando o interior pobre das casas, os rostos sofridos de seus moradores. Cenas que retratavam simplestente o conformismo de uma rotina imutável, jamais o desespero de quem deseja, mas não pode, mudar as circunstâncias.
No desenvolvimento de seu trabalho, utiliza-se não apenas de óleo sobre tela, mas também de processos de gravura que aprendera ainda na Rússia de sua adolescência, como a litogravura e a zincografia, desenvolvendo, pois, uma obra de grande versatilidade.
Um breve parêntesis para as cenas bucólicas de Campos do Jordão e ei-lo de retorno à temática que o acompanhou pela vida: o registro da pobreza, da miséria, da prostituição, da indigência e a força brutal aplicada pelos mais fortes contra os desvalidos da sorte.
A atração obsessiva pelos seres humanos, interagindo e formando conjuntos ordenados de vidas, de dramas e de tramas, torna Lasar Segall, mais que pintor, um sociólogo, usando pincéis e tintas para descrever os problemas do Brasil ou do universo. Criando séries temáticas, em cada uma delas sintetiza um problema, disseca-o, expõe-no à opinião pública, ainda que sem apontar-lhe soluções, o que iria além do trabalho de um artista.
Mas ali esta, em sua obra, o Brasil verdadeiro, exposto nas casas pobres das favelas, ou no submundo do Mangue, ou no olhar cansado e decepcionado dos imigrantes, ou no ambiente depressivo de uma casa onde a penúria se constituíra em padrão de vida, ou ainda no olhar perdido do marinheiro e da prostituta, os dois tão juntos e, ao mesmo tempo, tão distantes, perdidos no espaço de suas vidas, tão diferentes entre si mas, igualmente, tão iguais, nivelados pela miséria que os rodeia.
Segall era um homem profundamente imerso no mundo em que vivia. Não lhe impunha quaisquer limitações, mas o aceitava por inteiro.
Amava a casa, de estilo modernista, em Vila Mariana, São Paulo, onde morava com a família. Seu quintal era uma mistura de jardim botânico com jardim zoológico. Convivia com plantas de todas espécies e se entretinha com pequenos animais que acolhia sob seu abrigo e depois não tinha coragem de mandá-los embora.
Vestia-se com apuro e não descuidava da indumentária nem mesmo quando saía pelas circunvizinhanças. Gostava de andar a pé, caminhar pelas calçadas, contemplar a paisagem e os transeuntes, como se todo esse conjunto fizesse parte de sua vida. E fazia.
Seu casamento com Jenny Klabin foi um idílio que durou 32 anos. Com freqüencia, saiam a dar uma volta, na penumbra da noite, pelos quarteirões mal iluminados, trocando as juras de eternos namorados.
Na volta à casa, Segall tirava dos bolsos alguns biscoitos, jogando-os ao cachorro que guardava o imóvel, distraindo-o enquanto o casal conseguia entrar para a residência. Quando o animal não se deixava levar pelo afago, então, o jeito era chamar pelo filho mais velho, Maurício Segall, o único que o cão reconhecia como legítimo dono, e de quem aceitava ordens.
A madrugada de 2 de agosto de 1957 marcou o fim do velho guerreiro. Atingido por um ataque fulminante, não teve tempo de ser assistido pelos médicos e veio a falecer. Foi o fim do corpo, porque sua alma se acha presente na mesma casa em que viveu, transformada em museu, com um acervo de 2.500 obras, e onde funciona ainda uma Biblioteca, organizada por sua mulher, que era escritora e tradutora.
Fonte: www.pitoresco.com