
Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci nasceu perto de Florença, no Castelo de Cloux. Leonardo teve muitos talentos, além da pintura. Trabalhou com mecânica, porém a geometria era a principal atração.
Leonardo foi educado na casao do pai, onde recebeu educação elementar e interesse pela leitura, escritura e aritmética. Em 1467, tornou-se aprendiz na pintura e escultura, adquirindo habilidades técnicas e mecânicas. Foi aceito no grêmio dos pintores em Florença em 1472, mas continuou trabalhando como aprendiz até 1477. Desenvolveu também projetos de bombas, armas militares e outras máquinas.
Entre 1482 e 1499, Leonardo estava a serviço do Duque de Milão. Seu cargo era de pintor e engenheiro. Leonardo também influenciou na arquitetura, foritficações e em assuntos militares. Foi considerado engenheiro hidráulico e mecânico.
Durante sua estada em Milão, Leonardo se interessou po geometria. Leu diversos livros, ilustrou outros tantos. Estudou a matemática Euclydiana e o Suma de Pacioli, começando suas pesquisas em geometria.
Leonardo percebeu a possibilidade de construir um telescópio e no artigo Códice Atlanticus, escrito em 1490, ele comenta que observou a aumento da Lua . Em um outro trabalho, Códice Arundul, em 1513, ele relata que "... para observar a natureza dos planetas, abra o telhado e traga a imagem de um único planeta sobre a base de um espelho côncavo. A imagem refletida pela base mostrará a superfície do planeta que muito aumentou." Ele entendeu e compreendeu o fato de que a Lua "brilhou com a luz refletida do Sol" e explicou corretamente que "... a Lua nova é a superfície da Lua iluminada por luz."
Por volta de 1503, regressou a Florença e aconselha em um projeto a desviar o rio Arno, que passa atrás de Pisa, para auxiliar no acesso à cidade. Produziu planos para um canal, permitindo que Florença tivesse acesso ao mar. O canal nunca foi construído e nem era o rio Arno que foi desviado.
Em 1506, em Milão novamente, Leonardo retomou os trabalhos científicos, dando-lhes mais tempos do que para a pintura. Estudou e desenvolveu trabalhos em hidrodinamica, anatomia, mecânica, matemática e ótica.
Em 1513, o idioma francês foi retirado das escolas em Milão e Leonardo seguiu para Roma. Em Roma, dedicou-se a estudos matemáticos e experiências técnicas para pintura. Depois de três anos de infelicidade, aceita um convite do rei da França, dando-lhe o título de Primeiro pintor, arquiteto e mecânico do Rei. Aí continuou seus estudos até sua morte, em 1519.
Fonte: fisica.cdcc.sc.usp.br

A Última Ceia: gestualidade, movimento,
rigorosa geometria da perspectiva e briga com o prior
Leonardo da Vinci é um dos nossos contemporâneos que deverão ser lembrados pelos próximos séculos como um desses espécimes raros que deixam sua marca no tempo em que viveram. Esse homem parece saber tudo. Em sua oficina, próxima ao convento da Ordem dos Servos de Maria, onde vive atualmente em Florença, aprendizes e ajudantes se debruçam sobre esboços de quadros, mapas, esculturas, modelos de relógios e projetos de estranhas máquinas de guerra. Filho bastardo de um modesto notário da vila de Vinci, Leonardo é um autodidata: não recebeu educação formal. Ainda hoje se ressente da rejeição que sofreu ao chegar a Florença, aos 17 anos. "Eu sei bem que alguns arrogantes acreditam poder me criticar, porque não sou erudito. E, se não posso citar, como eles, todos os autores, considero mais digno ler na experiência, na mestra de seus mestres." Um homem como ele desperta necessariamente a inveja. Leonardo da Vinci é um pintor soberbo, conhece anatomia como poucos e é um grande engenheiro. Desenha máquinas que só existem na sua imaginação. Máquinas que voam ou que navegam por baixo da superfície da água. Já criou armas para potentados que lhe fazem encomendas. Enfim, para ele os limites não existem.
Já por sua aparência se vê que está aí um homem original. Quem mais se atreveria a apresentar-se com as roupas e as maneiras que Leonardo adotou? A longa barba que começa a ficar grisalha, cuidadosamente penteada e frisada a ferro, serpenteia até a metade do peito. Belo e elegante, de físico bastante avantajado, dizem que pode dobrar uma ferradura apenas com a força das mãos. Aos 49 anos, é um dos criadores de um novo esporte, ainda sem nome: a escalada das montanhas dos Alpes. Leonardo se orgulha de haver chegado ao topo do Monte Roso, de 4634 metros de altura. A figura venerável, entretanto, é temperada com toques extravagantes: em vez do traje masculino convencional, que desce até os pés, suas roupas param à altura dos joelhos e são confeccionadas em ricos tecidos de tons rosados. Apesar de viver atualmente num convento, ele não deixou de abrigar em seus aposentos pessoais o belíssimo Giacomo Salaï, jovem de cabelos longos e reputação duvidosa. "Giacomo veio viver em minha casa no dia de Santa Maria Madalena do ano de 1490; ele tinha 10 anos de idade", revela. Desde então, Leonardo o cobre de presentes e roupas finas, desdenhando dos insistentes comentários sobre sua suposta preferência por efebos. "A boca mata mais homens do que a espada", diz. Os boatos sobre sua indiferença ao sexo feminino – que se refletiria no ar remoto e idealizado de suas retratadas – remontam a 1476 em Florença, quando por duas vezes foi acusado da prática de sodomia, aos 24 anos de idade. As denúncias, apresentadas aos Oficiais da Noite e dos Mosteiros, davam conta de que ele e mais três jovens florentinos mantiveram relações sexuais com o notório prostituto Jacopo Saltarelli. Por falta de provas, o processo foi suspenso. A constante presença de Salaï ao lado de Leonardo e o envolvimento do rapaz em pequenos furtos reavivaram o falatório, desde que os dois voltaram a viver em Florença, no início do ano passado.
Criador da magnífica Última Ceia, afresco que adorna o refeitório do convento de Santa Maria das Graças, em Milão, Leonardo é um pintor tão exímio porque, em parte, ele é muito mais que um pintor. Seus quadros refletem seus conhecimentos descomunais em vários campos. Da mecânica à óptica, não há ciência que escape à sua atenção. Da música à arquitetura, não há ramo de criação humana que lhe seja estranho. Passa do teatro à arte da guerra com a mesma habilidade demonstrada em pinturas que dão calor e vida à técnica da perspectiva, desenvolvida pelo arquiteto toscano Filippo Brunelleschi (veja quadro). Nesse sentido, a Última Ceia é o melhor exemplo dessa técnica, embora haja outros como a inacabada Adoração dos Magos ou o Retrato de Ginevra Benci. Na Ceia, dentro de um universo de rigorosa geometria, Leonardo esculpiu um arrebatador jogo de expressões e movimentos entre Cristo e seus apóstolos.
"O bom pintor tem essencialmente duas coisas a representar: um personagem e seu estado de ânimo. A primeira é fácil, a segunda é difícil, pois é preciso chegar aí por meio de gestos e de movimentos dos membros, e isso pode ser aprendido com os mudos, que os fazem melhor que os outros homens", afirma o artista. Em sua obsessão de aprender com a observação da natureza, disseca corpos de homens, mulheres e crianças recém-falecidos, em pesquisas de anatomia lamentavelmente ignoradas pelos doutores da medicina. No momento, planeja acompanhar todos os estágios do desenvolvimento da criança no ventre da mãe. Seus estudos sobre as proporções humanas são detalhadíssimos, e deles saiu uma frase que já começa a ficar famosa: "O homem é o modelo do mundo". Com tal variedade de interesses, Leonardo muitas vezes não termina projetos ou se demora demais, o que lhe valeu a fama de caprichoso e instável. Há hoje uma tendência a encarar o artista num grau superior ao do artesão. O artista de talento também já está deixando de ser aquele elemento servil que trabalha apenas para realizar os caprichos de príncipes e papas. Leonardo é um desses artistas orgulhosos. Quando o prior do convento de Santa Maria das Graças reclamou da demora na execução da Ceia ao poderoso Ludovico Sforza, o Mouro (o senhor de Milão que encomendara o serviço), Leonardo explicou o atraso. Era em suas longas reflexões que "os grandes espíritos se ativam mais", em busca de idéias e soluções – no caso, sobre as figuras de Cristo e de Judas. Se o religioso, no entanto, insistisse muito, ameaçou, ele poderia dar a seu Judas os traços do "inoportuno e indiscreto prior".
Na juventude, durante a década de 1470, Leonardo foi aprendiz no ateliê de mestre Andrea del Verrochio, onde pintou o seu primeiro quadro, a Anunciação. Apesar do erro de perspectiva – a mão da Virgem está num plano diferente do suporte sobre o qual se apóia –, a jovem Nossa Senhora tem uma notável força interior que se repete nos famosos retratos de mulheres executados depois pelo artista. Embora as máquinas de guerra propostas por Leonardo continuem no papel, os projetos militares têm impulsionado sua carreira. Quando ainda era um artista sem amplo reconhecimento em Florença, ganhou a confiança de Ludovico, o Mouro, de Milão, com propostas de pontes portáteis, catapultas, canhões e navios blindados. Seu primeiro encargo oficial em Milão, no entanto, foi de uma pintura religiosa, a Virgem dos Rochedos. A obra inova pelo jogo de claro e escuro (Leonardo consegue pôr luz na obscuridade da paisagem e sombra na claridade do rosto), emoldurando a cena que une mãe, filho e o anjo que esboça um enigmático sorriso – outra marca registrada do pintor. A pintura a óleo, desenvolvida em Flandres, ainda era técnica nova na Itália, e a sutileza com que Leonardo a emprega sedimentou sua fama na corte milanesa. Foi aprimorando essa técnica que ele deu um efeito especial a seu segundo encargo, a magnífica Dama com Arminho – o toque da mão do pintor na tinta ainda fresca suaviza a mudança de tonalidade do rosto. A Dama no caso retrata ninguém menos que Cecilia Gallerani, amante do Mouro.
Daí em diante, o artista teve as portas abertas para exercitar as múltiplas facetas de seu gênio. Como arquiteto, trabalhou no projeto de uma torre-clarabóia para a Catedral de Milão. Datam desse período seus primeiros cadernos de anotações, chamados de códices, escritos com a mão esquerda e de maneira que só podem ser lidos quando refletidos num espelho. Nessa época, Leonardo convenceu finalmente o senhor de Milão a realizar um projeto que acalentava havia seis anos: elevar em praça pública uma gigantesca estátua eqüestre de Francisco Sforza, o pai do Mouro. A ambição de Leonardo era realizar uma escultura que tivesse "a andadura natural de um cavalo em liberdade". O gigantesco modelo do animal, com 7 metros de altura, fascinou a cidade. Logo Leonardo seria aclamado como o maior escultor da Itália. O artista se concentrou então no monumental trabalho de fundição da obra – 72 toneladas de bronze, numa única peça –, que o obrigou a criar procedimentos industriais totalmente novos. Quando finalmente se preparava para iniciar o trabalho, o exército francês marchou sobre a península italiana. Ludovico Sforza preferiu então suspender a finalização da estátua, aproveitando o bronze para a construção de canhões e outras armas. Até hoje, Leonardo amarga a frustração de ver seu maior trabalho cancelado por circunstâncias políticas. "Nada mais direi sobre o cavalo, porque conheço nossos tempos", costuma afirmar. Entre seus recentes projetos militares consta um intrigante ataque submarino aos navios turcos, que atualmente ameaçam Veneza, no qual homens andariam sob as águas carregando odres cheios de ar, protegidos por óculos impermeáveis. A proposta, compreensivelmente, até agora não foi aprovada. O mesmo ocorre com os navios e veículos que se deslocam sozinhos, além do engenho voador com asas móveis, batizado de ornitottero – todos sugeridos a ele a partir da leitura da Epistola de Secretis Operibus, do franciscano inglês Roger Bacon (1220-1292).

Leonardo é o maior mestre no emprego da técnica da perspectiva, através da qual consegue criar a ilusão de profundidade em suas pinturas. Na Última Ceia e mesmo em obras mais antigas, como a inacabada Adoração dos Magos, de 1481, temos a sensação de olhar não para uma superfície plana como a tela, mas através de uma janela que se abre para o interior do quadro. Um esboço preparatório que Leonardo elaborou para a Adoração dos Magos revela, passo a passo, o método que o artista emprega para criar essa ilusão. Ele começa desenhando uma espécie de tabuleiro de xadrez, levemente inclinado, que será utilizado para representar o chão da obra. Depois, vai dispondo todos os elementos nesse tabuleiro, que serve de guia para determinar a posição e a altura de cada parte da composição. Assim, os objetos mais próximos do observador do quadro aparecem proporcionalmente maiores do que aqueles mais afastados, garantindo a perfeita sensação de profundidade.
A técnica tem duas regras básicas. A primeira: as linhas verticais do tabuleiro, apesar de paralelas, devem convergir todas para um único "ponto de fuga", situado no infinito. A segunda determina que uma mesma fonte de luz imaginária deve iluminar todos os objetos representados no quadro. Essa técnica, desenvolvida pelo arquiteto Filippo Brunelleschi (o criador da cúpula da catedral de Florença) na década de 1420, foi formalizada no tratado Da Pintura (1435), de Leon Alberti. Seu objetivo básico é desenhar da forma mais realística possível o tabuleiro de xadrez que serve de base para a construção do espaço em profundidade na pintura.
Fonte: veja.abril.com.br
Um homem que fez surpreendentes descobertas científicas mas nunca as publicou.
Um dos maiores pintores do Renascimento e, no entanto, deixou poucas obras finalizadas.
(Leonardo da Vinci, Martin Kemp, JORGE ZAHAR EDITOR, 2005).
Leonardo da Vinci (Anchiano, 15 de Abril de 1452 — Cloux, Amboise, 2 de Maio de 1519) foi pintor, arquiteto, engenheiro, cientista e escultor do Renascimento italiano. É considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade.
Nascido num pequeno vilarejo próximo ao município de Vinci, Toscana, Itália. Leonardo era filho ilegítimo de Piero da Vinci, um jovem notário e de Caterina. A mãe de Leonardo era provavelmente uma camponesa.
Lourenço de Médici, um grande humanista e comunicador, inspirou Leonardo na arte da comunicação, fazendo com que começasse a fazer seus quadros mais “parlantes”, com maior animação gestual, o que o levou a se tornar mestre nesta arte. Em toda sua obra pode-se notar a iconografia nas figuras ou personagens de seus quadros.
Em 1498, Milão caiu sem uma batalha para o francês Luís XII. Da Vinci ficou em Milão durante algum tempo, mudando depois de dois meses para Veneza e se mudando novamente então para Florença no final de Abril de 1500.
Em Florença ele ficou a serviço de César Bórgia (também chamado de Duca Valentino e filho do Papa Alexandre VI) como arquiteto militar e engenheiro. Em 1506, voltou a Milão, então nas mãos de Maximiliano Sforza depois que mercenários suíços expulsaram os franceses.
De 1513 a 1516 morou em Roma, onde os pintores Rafael e Michelangelo eram, na ocasião, muito requisitados; porém, Da Vinci não teve muito contato com estes artistas.
Em 1515 Francisco I da França retornou a Milão, e Da Vinci foi designado para fazer a peça central de um leão mecânico para as negociações de paz em Bolonha entre o rei francês e o Papa Leão X onde provavelmente conheceu o rei. Atuou como primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do Rei. Foi dado a ele o uso do Castelo Cloux Lucé, próximo ao Castelo de Amboise residência do Rei, junto com uma pensão generosa. Da Vinci e o Rei ficaram bons amigos.
Certa vez, em Florença, ele foi designado a fazer um grande mural público, a Batalha de Anghiari; e seu rival, Michelangelo, para pintar a parede oposta. Depois de produzir uma variedade fantástica de estudos em preparação para o trabalho, ele deixou a cidade, com o mural inacabado devido a dificuldades técnicas.
Só dezessete de suas pinturas, e nenhuma das estátuas, existem atualmente. Da Vinci planejou freqüentemente pinturas grandiosas com muitos desenhos e esboços, deixando os projetos inacabados. Raramente terminava um retrato, embora fizesse muitas experiências técnicas com o pincel.
Talvez até mesmo mais impressionantes que os seus trabalhos artísticos sejam os estudos em ciências e engenhosas criações, registrados em cadernos que incluem umas 13.000 páginas de notas e desenhos que fundem arte e ciência.
Grande inventor de sua época, Leonardo da Vinci era um homem à frente de seu tempo. Seu interesse e criatividade em vários campos de estudo deram, séculos depois, origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas, bicicleta, entre outras.
Os seus cadernos também contêm várias invenções no campo militar: canhões, um tanque blindado movimentado por humanos ou cavalos, bombas de agrupamento, etc., embora considerasse a guerra como a pior das atividades humanas. Outras invenções incluem um submarino, um dispositivo de engrenagem que foi interpretado como a primeira calculadora mecânica. Nos anos dele no Vaticano, planejou um uso industrial de poder solar, empregando espelhos côncavos para aquecer água.
Em astronomia, como a maioria dos cientistas de sua época, acreditou que o Sol e a Lua giravam ao redor da Terra, e que a Lua refletia a luz do Sol devido a ser coberta por água.
Suas obras mais conhecidas são, o afresco "A Última Ceia", pintados diretamente no refeitório da Igreja Santa Maria de del Grazie, em Milão, e o Retrato de Lisa de Giocondo, a La Gioconda ( também chamada de Mona Lisa ), que ele demorou três anos para conseguir pintá-la.

A Última Ceia. Data: 1495-1497 – Técnica: Mista com predominância da têmpera e óleo sobre duas camadas de preparação de gesso aplicadas sobre reboco - Dimensão: 460 x 880cm
A Última Ceia (L'ultima cena ou Cenacolo, em Milão) é uma das mais conhecidas pinturas atribuídas a da Vinci, exposta no refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie (Refectory), em Milão assim como a Mona Lisa (exposta no museu do Louvre, em Paris).
Foi feita por Leonardo da Vinci para seu protetor, o Duque Lodovico Sforza. Representa a última ceia de Jesus com os apóstolos antes de ser preso e crucificado, como descreve a Bíblia. É um dos maiores bens conhecidos e estimados do mundo. Ao contrário de muitas outras valiosas pinturas, nunca foi possuída particularmente porque não pode ser removida do seu local de origem.
O Duque mandou construir o convento para, entre outras coisas, servir de lugar para sepultar seus familiares. O tema era uma tradição para refeitórios, mas a interpretação de Leonardo deu um maior realismo e profundidade.
Parcialmente pintada na forma tradicional de um afresco com pigmentos misturados com gema de ovo ao reboco úmido incluindo também um veículo de óleo ou verniz. Da Vinci testou uma nova técnica à solução das tintas com predominância da têmpera não sendo muito feliz. Não foi testada suficiente não se ajustando as condições climáticas da região e antes que o painel estivesse pronto, apareceram pontos deteriorados que se agravaram durante os anos. A umidade natural da parede, diluindo as tintas, vem causando danos a esta obra prima.
Prestando bem a atenção, você irá perceber em várias imagens, um efeito característico da pintura de Leonardo: a delicada passagem de luz para a sombra, quando um tom mais claro mergulha em outro mais escuro, como dois belos acordes musicais. Esse procedimento recebe o nome de SFUMATO (esfumado, em português).
Está baseada em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos doze discípulos que alguém, entre eles, o trairia. Essa pintura, na história evangélica, é considerada a mais dramática de todas.
Ao centro, o Cristo é representado com os braços abertos, em um gesto de resignação tranqüila, formando o eixo central da composição. São representadas as figuras dos discípulos em um ambiente que, do ponto de vista de perspectiva, é exato.
Da direita para a esquerda se encontram respectivamente Simão (o Zelote), Tadeu, Mateus, Felipe, Tiago (o Maior), Tomé, João, Judas, Pedro, André, Tiago (o Menor) e Bartolomeu.
O interessante em Da Vinci é que ele costumava fazer muitos esboços e rascunhos de suas obras antes da versão final. Num desses esboços da A Última Ceia, ele colocou o nome de cada apóstolo retratado, eliminando dessa forma quaisquer dúvidas sobre quem são cada um dos personagens.

Da Vinci não foi o primeiro artista a retratar a cena da Última Ceia. Há diversas outras obras famosas sobre o tema, como por exemplo o mosaico da Santa Ceia, na basílica de Santo Apolinário, em Ravena (século IV), A Santa Ceia, de Fra Angelico (1400?-1455) e A Ceia, de Rafael Sanzio (1483-1520) entre outros.
Mas Da Vinci representou de uma maneira impressionamente justamente o momento da agitação dos discípulos ao ouvirem o anúncio da traição: Serei eu, Senhor? Serei eu, Senhor? Serei eu, Senhor?, interrogavam-no os discípulos um após outro, mortos de espanto.
A cena ocorreu logo após ao lava-pés, quando, sentados à mesa Jesus falou: Sei a quem escolhi; mas é preciso que se cumpra o que diz a Escritura: “Aquele que come o pão comigo levantará contra mim o seu calcanhar” (Jo 13, 18). E em seguida manifestou claramente a traição já próxima: Dito isto, estremeceu Jesus em seu espírito e declarou abertamente: “Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me entregará” (Jo 13, 21). Nessas palavras, o Senhor revelava o que havia de ser o aspecto mais doloroso e terrível da sua Paixão: não as burlas do povo, nem o ódio dos seus inimigos, nem o suplício da Cruz, mas a traição de um dos seus [1]. Repugna-lhe tanto o crime de Judas que, segundo João, "se perturba no espírito" [3].

No detalhe da cena, distinguem-se Pedro e João à esquerda de Cristo, e Judas à direita, com o dedo erguido: “Serei eu, Senhor?”. Pedro não pôde suportar a terrível incerteza e, fazendo um sinal a João, sussurou-lhe: Pergunta-lhe de quem é que Ele fala. Jesus indicou então a João quem era o discípulo traidor: É aquele a quem eu der o bocado que vou molhar. E, molhando o bocado, tomou-o e deu-o a Judas Iscariotes (cf. Jo 13, 21-30). Jesus ainda disse: "Decerto que o Filho do homem segue o seu caminho, como dele está escrito; mas ai do homem por quem será entregue! Mais lhe valera não ter nascido" [3].
Desmascarado por Jesus e, descoberto por João, Judas partiu. É um problema muito discutido, desde a Antiguidade, saber ser Judas também recebeu a Eucaristia. Mas a maioria dos atuais especialistas em Sagrada Escritura coincidem em que Judas já havia saído nesse momento.
Tanto Da Vinci como outros pintores se basearam na Tradição oral cristã que começou desde os primeiros Apóstolos, e nos chamados Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) que foram escritos antes do ano 70 d.C. (com exceção do de João, que deve ter sido escrito por volta do ano 100), quando ainda grande parte das testemunhas da vida de Cristo estavam vivas, e dos quais foram feitos diversas cópias, em aramaico, hebraico antigo e grego, entre outras, que, quando comparados, atestam a fidelidade aos textos originais. Somente a partir do século II, após a geração dos Apóstolos, surgiram autores menos escrupulosos que, para darem autoridade ao que escreveram tardiamente, abusaram do nome de Apóstolos para intitularem os chamados "Evangelhos apócrifos", uns com finalidade edificante, como o Protoevangelho de São Tiago, o Evangelho de São Pedro e o Evangelho de São Bartolomeu; outros com finalidade herética, cujos objetivos eram o de espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, como o de São Tomé, o de São Matias, o de São Filipe, e supostamente um de Judas, atribuído a autores gnósticos (do qual só restam partes fragmentadas de uma cópia escrita em copta, escrita provavelmente entre os séculos III e IV).
Da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo. A influência de Da Vinci na história da arte européia é bastante profunda. Algumas técnicas desenvolvidas por ele, destacadamente o sfummato e o chiaroscuro, tornaram-se uma regra para a pintura dos séculos vindouros.
Talvez até mesmo mais impressionantes que os seus trabalhos artísticos sejam os estudos de Da Vinci em ciências e engenhosas criações, registrados em cadernos que incluem umas 13 000 páginas de notas e desenhos que fundem arte e ciência.
Leonardo da Vinci morreu em Cloux, França, em 2 de Maio de 1519, e de acordo com o seu desejo, sessenta mendigos seguiram seu caixão. Foi enterrado na Capela de São Hubert no Castelo de Amboise.
Fonte: www.portaldafamilia.org