A Leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada leptospira. As leptospiras são bactérias eliminadas pela urina de ratos e outros animais, contaminando os esgotos, as tocas dos animais, o solo e alimentos.
Durante as chuvas fortes, os rios, córregos e a própria rede de esgoto
transbordam, aumentando assim a possibilidade de contaminação.
0 Homem adquire leptospirose, principalmente através da pele e mucosas ( boca, olhos, orifício retal, partes genitais), se uma pessoa tiver alguma ferida ou arranhão, ao entrar em contato com essas águas ou Lama nas enchentes, quando mexe nos esgotos ou quando entra em córregos e lagoas poluídas.
Os primeiros sintomas são: fraqueza, dor no corpo e febre. A febre pode se elevar podendo ocorrer calafrios, vômitos, mal estar, dor na barriga das pernas(panturrilhas).
Pode haver aparecimento de cor amarelada (icterícia), hemorragias e diminuição ou ausência da produção de urina (insuficiência renal).
Se você teve contato com água suja, lama ou esgoto, procure o Posto de Saúde mais próximo e relate o ocorrido ao médico assim que aparecer o primeiro sinal de doença, pois o tratamento imediato pode evitar as complicações da doença.
Diminuindo a quantidade de ratos no ambiente
a) Não jogar lixo em terrenos, córregos ou
bueiros, colocando sempre em sacos plásticos ou recipientes fechados
e longe do solo;
b) Evitar acúmulo de entulhos nos quintais,
c) Manter os terrenos baldios e margens de córregos limpos e desmatados;
d) As caixas d'água, ralos e outras instalações sanitárias devem estar sempre bem fechadas e com tampas pesadas de difícil remoção;
e) Eliminar o máximo possível de chances do rato se alojar, como buracos em paredes, rodapés, vãos de telhado etc.
Água pra consumo humano direto deve-se proceder a cloração:
Em águas de sistema público, quando não for verificado o teor de cloro na quantidade recomendada (maior ou igual 0,5mg/l) no ponto de consumo ( torneira, jarro, pote, tonel etc. )
Em águas provenientes de poços, cacimba, fonte, riacho, açude etc, onde a cloração será feita no local de armazenamento.
Em caso de água turva, antes da cloração, recomenda-se mantê-la em X repouso para decantação das artículas em suspensão, as quais irão depositar-se no fundo do recipiente, após este processo deve-se separar a parte superior, mais clara, em outro recipiente e filtrá-la. Outros produtos como pastilhas de cloro, poderão ser utilizados, mas recomenda-se observar as orientações contidas do rótulo do produto.
0 acondicionamento de água já tratada deve ser feito em recipientes higienizados, preferencialmente de boca estreita e com tampa, para evitar a contaminação posterior.
OBS: A ebulição (fervura) da água, durante 1 ou 2 minutos, constitui um método de desinfecção eficaz, mas não é acessível, na prática, às condições de maior parte da população. É um procedimento oneroso, a ser recomendado em situações de urgências e na falta de cloração.
LIMPANDO AS CAIXAS D'ÁGUA E CISTERNAS EM CASO DE CONTAMINAÇÃO
a) Não jogar lixo em terrenos, córregos ou bueiros, colocando sempre em sacos plásticos ou recipientes fechados e longe do solo;
b) Evitar acúmulo de entulhos nos quintais,
c) Manter os terrenos baldios e margens de córregos limpos e desmatados;
d) As caixas d'água, ralos e outras instalações sanitárias devem estar sempre bem fechadas e com tampas pesadas de difícil remoção;
e) Eliminar o máximo possível de chances do rato se alojar, como buracos em paredes, rodapés, vãos de telhado etc.
Fonte: www.saude.rj.gov.br
A leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose (doença de animais) que ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Em seres humanos, ocorre em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos. Na maioria (90%) dos casos de leptospirose a evolução é benigna.
A leptospirose é primariamente uma zoonose. Acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interrogans junto com a urina.
O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos. A L. interrogans multiplica-se nos rins desses animais sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. O homem é infectado casual e transitoriamente, e não tem importância como transmissor da doença. A transmissão de uma pessoa para outra é muito pouco provável.
A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive no solo úmido ou na água, que tenham pH neutro ou alcalino. Não sobrevive em águas com alto teor salino. A L. interrogans penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita a penetração, que pode ocorrer também através da pele íntegra, quando a exposição é prolongada.
No Brasil, como em outros países em desenvolvimento, a maioria das infecções ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos. Nesses países, a ineficácia ou inexistência de rede de esgoto e drenagem de águas pluviais, a coleta de lixo inadequada e as conseqüentes inundações são condições favoráveis à alta endemicidade e às epidemias. Atinge, portanto, principalmente a população de baixo nível sócio-econômico da periferia das grandes cidades, que é obrigada a viver em condições que tornam inevitável o contato com roedores e águas contaminadas. A infecção também pode ser adquirida através da ingestão de água e alimentos contaminados com urina de ratos ou por meio de contato com urina de animais de estimação (cães, gatos), mesmo quando esses são vacinados. A limpeza de fossas domiciliares, sem proteção adequada, é uma das causas mais freqüentes de aquisição da doença.
Existe risco ocupacional para as pessoas que têm contato com água e terrenos alagados (limpadores de fossas e bueiros, lavradores de plantações de arroz, trabalhadores de rede de esgoto, militares) ou com animais (veterinários, pessoas que manipulam carne). Em países mais desenvolvidos, com infra-estrutura de saneamento mais adequada, a população está menos exposta ao contágio. É mais comum que a infecção ocorra a partir de animais de estimação e em pessoas que se expõem a água contaminada, em razão de atividades recreativas ou profissionais.
Entre 1985 e 1997, foram notificados 35.403 casos de leptospirose, com 3.821 óbitos (letalidade média de 12,5%). Apenas os casos mais graves (ictéricos) são, geralmente, diagnosticados e, eventualmente, notificados. A leptospirose sem icterícia é, freqüentemente, confundida com outras doenças (dengue, gripe), ou não leva à procura de assistência médica. A notificação, portanto, representa apenas uma pequena parcela (provavelmente cerca de 10%) do número real de casos no Brasil.
Recomenda-se ao viajante que adote as medidas de proteção contra doenças adquiridas através do contato com a água e da ingestão de água e alimentos.
O risco de adquirir leptospirose pode ser reduzido, através de algumas medidas:
- evitando-se o contato ou ingestão de água que possa estar contaminada com urina de animais.
- deve ser utilizada apenas água tratada (clorada) como bebida e para a higiene pessoal. Bebidas como água mineral, refrigerantes e cervejas não devem ser ingeridas diretamente de latas ou garrafas, sem que essas sejam lavadas adequadamente (risco de contaminação com urina de rato).
- deve ser utilizado um copo limpo ou canudo plástico. Em caso de inundações, deve ser evitada a exposição desnecessária em água ou lama. Pessoas que irão se expor ao contato com água e terrenos alagados devem utilizar roupas e calçados impermeáveis.
O uso generalizado de antibióticos profiláticos é ineficaz para evitar ou controlar epidemias de leptospirose. Além de ser tecnicamente inadequado, desvia inutilmente recursos humanos e financeiros.
A quimioprofilaxia está indicada apenas para indivíduos, como trabalhadores e militares em manobras, que irão se expor a risco em áreas de alta endemicidade por período relativamente curto.
A vacina não confere imunidade permanente e não está disponível para seres humanos no Brasil. Em alguns países é utilizada a vacinação contra sorotipos específicos em pessoas sob exposição ocupacional em áreas de alto risco. A vacina disponível para animais evita a doença, mas não impede a infecção nem a transmissão para seres humanos.
O acesso permanente à informação é essencial. É importante que a população seja esclarecida sobre as razões que determinam a ocorrência de leptospirose e o que deve ser feito para evitá-la
Deve ainda ter acesso fácil aos serviços de diagnóstico e tratamento
O risco de transmissão pode ser reduzido nos centros urbanos através da melhoria das condições de infra-estrutura básica (rede de esgoto, drenagem de águas pluviais, coleta adequada do lixo e eliminação dos roedores)
A limpeza e dragagem de córregos e rios são medidas fundamentais para reduzir a ocorrência de inundações
Equipamentos de proteção, como botas e luvas impermeáveis, devem ser oferecidos às pessoas com risco ocupacional
Quando ocorrem inundações, deve ser evitado contato desnecessário com a água e com a lama. Se a residência for inundada, deve-se desligar a rede de eletricidade para evitar acidentes
O mesmo cuidado deve ser observado após inundações, antes do início da limpeza domiciliar, que deve ser feita com o uso de calçados e luvas impermeáveis
Em geral, não é necessário o tratamento adicional da água distribuída através de rede, mesmo durante epidemias
Quando há suspeita de contaminação da rede de água, a companhia responsável pela distribuição deve ser notificada. Nessas circunstâncias, a água deve ser fervida ou tratada com cloro
O mesmos cuidados devem ser adotados quando a água é proveniente de poços
Devem ser observados os seguintes cuidados ao escolher um local para residir, informar-se sobre a freqüência de inundações
Evitar locais sujeitos a inundações frequentes. Em caso de utilização de água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas, estabelecer (com supervisão técnica especializada) uma infra-estrutura domiciliar mínima que permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos
Seguir os cuidados de preparação higiênica de alimentos, incluindo o tratamento com água clorada
Os alimentos devem ser acondicionados em recipientes e locais à prova de ratos
Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou latões com tampa. Se não houver serviço de coleta, deve ser escolhido um local adequado para o destino final do lixo que permita o aterramento ou a incineração periódica
O acúmulo de lixo e entulho em quintais e terrenos baldios leva à proliferação de ratos
O despejo de lixo em córregos ou rios facilita a ocorrência de inundações. Em caso de inundações, evitar a exposição desnecessária em água ou lama.
Descartar alimentos que entraram em contato direto com água de enchentes e não possam ser fervidos.
Utilizar luvas e calçados impermeáveis quando for inevitável, nas enchentes, a exposição à água ou à lama. Realizada a limpeza da residência após uma inundação feita a limpeza de fossas e bueiros.
Efetuada a remoção de fezes e urina de animais de estimação
empregar hipoclorito de sódio (água sanitária) a 2-2,5%,
segundo as recomendações do fabricante, para limpeza de locais
onde são criados animais de estimação e residências,
após uma inundação.
Manifestações
A maioria das pessoas infectadas pela Leptospira interrogans desenvolve sintomas discretos ou não apresenta manifestações da doença. As manifestações da leptospirose, quando ocorrem, em geral aparecem entre 2 e 30 dias após a infecção (período de incubação médio de dez dias).
As manifestações iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios. Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia são freqüentes, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados (hiperemia conjuntival) e alguns doentes podem apresentar tosse e faringite. Após dois ou três dias de aparente melhora, os sintomas podem ressurgir, ainda que menos intensamente. Nesta fase é comum o aparecimento manchas avermelhadas no corpo (exantema) e pode ocorrer meningite, que em geral tem boa evolução.
A maioria das pessoas melhora em quatro a sete dias. Em cerca de 10% dos pacientes, a partir do terceiro dia de doença surge icterícia (olhos amarelados), que caracteriza os casos mais graves. Esses casos são mais comuns (90%) em adultos jovens do sexo masculino, e raros em crianças. Aparecem manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos em nariz, gengivas e pulmões) e pode ocorrer funcionamento inadequado dos rins, o que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, anúria total. O doente pode ficar torporoso e em coma. A forma grave da leptospirose é denominada doença de Weil. A evolução para a morte pode ocorrer em cerca de 10% das formas graves. As manifestações iniciais da leptospirose são semelhantes às de outras doenças, como febre amarela, dengue, malária, hantavirose e hepatites.
A presunção do diagnóstico de leptospirose é feita com base na história de exposição ao risco (inundações, limpeza de bueiros e fossas, contato com animais de estimação) e na exclusão, através de exames laboratoriais, da possibilidade de outras doenças. Mesmo que tenham história de risco para leptospirose, pessoas que estiveram em uma área de transmissão de febre amarela e malária, e que apresentem febre, durante ou após a viagem, devem ter essas doenças investigadas. A leptospirose grave, que evolui com icterícia, diminuição do volume urinário e sangramentos é semelhante à forma grave da febre amarela. A diferenciação pode ser feita com facilidade através de exames laboratoriais. A icterícia é rara nos casos de dengue.
Nas hepatites, em geral, quando surge a icterícia a febre desaparece. É importante que a pessoa, quando apresentar-se febril após uma exposição de risco para leptospirose, procure um Serviço de Saúde rapidamente. Não se justifica a utilização generalizada de antibióticos para a população em períodos de epidemias. É mais racional diagnosticar e tratar precocemente os casos suspeitos.
A confirmação do diagnóstico de leptospirose não tem importância para o tratamento da pessoa doente, mas é fundamental para a adoção de medidas que reduzam o risco de ocorrência de uma epidemia em área urbana. Pode ser feita através de exames sorológicos (microaglutinação pareada, com uma amostra de sangue colhida logo no início da doença e outra duas semanas após), ou do isolamento da bactéria em cultura (que tem maior chance de ser feito durante a primeira semana de doença).
O tratamento da pessoa com leptospirose é feito fundamentalmente com hidratação. Não deve ser utilizado medicamentos para dor ou para febre que contenham ácido acetil-salicílico (AAS, Aspirina, Melhoral etc.), que podem aumentar o risco de sangramentos. Os antiinflamatórios (Voltaren, Profenid etc.) também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.
Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia de doença, devem ser empregados antibióticos (doxiciclina, penicilinas), uma vez que reduzem as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com leptospirose sem icterícia podem ser tratadas no domicílio. As que desenvolvem meningite ou icterícia devem ser internadas. As formas graves da doença necessitam de tratamento intensivo e medidas terapêuticas como diálise peritonial para tratamento da insuficiência renal.
Fonte: www.ceset.unicamp.br